por *Francisco José Barros Araújo
A compreensão da relação entre a Igreja Católica e o sionismo exige, antes de tudo, um olhar amplo, histórico e teologicamente honesto, capaz de evitar simplificações ideológicas e julgamentos anacrônicos.
Não se pode interpretar a posição da Igreja a partir de frases isoladas ou episódios específicos, como se fossem declarações definitivas e imutáveis, desligadas do contexto em que foram formuladas. Após a destruição do Templo de Jerusalém e a dispersão do povo judeu pelo mundo, inaugurou-se uma longa e complexa história entre judeus e cristãos, marcada por tensões, distanciamentos, mas também por um progressivo aprofundamento teológico.
Durante séculos, a reflexão cristã buscou compreender o papel do povo judeu no plano da salvação à luz da revelação em Cristo, o que levou, em determinados períodos, a posições teológicas que hoje precisam ser corretamente contextualizadas.
Nesse sentido, antes do Concílio Vaticano II, houve de fato reservas quanto à ideia de um Estado judeu, mas tais reservas não configuraram uma condenação formal, dogmática ou definitiva do sionismo, e sim posições condicionadas por uma visão teológica ainda em desenvolvimento e por circunstâncias históricas concretas, como a situação política da Palestina e a preocupação com os Lugares Santos.
A posição de São Pio X diante de Theodor Herzl, frequentemente citada, deve ser compreendida exatamente nesse horizonte: não como um ensinamento infalível, mas como uma resposta situada, de caráter prudencial e teológico, própria de um tempo em que a Igreja ainda não havia elaborado plenamente sua compreensão sobre o judaísmo pós-bíblico e sua relação com a história contemporânea.
Com o passar do tempo, especialmente a partir do século XX, e de modo decisivo com o Concílio Vaticano II, houve um verdadeiro desenvolvimento doutrinal — não uma ruptura — que permitiu à Igreja reconhecer com maior clareza seus vínculos espirituais com o povo judeu, rejeitar explicitamente toda forma de antissemitismo e promover uma visão mais equilibrada e justa dessa relação. Esse amadurecimento abriu também espaço para uma atuação mais definida no campo diplomático, culminando no reconhecimento oficial do Estado de Israel pela Santa Sé.
Especialmente no pontificado de São João Paulo II, o que demonstra de forma inequívoca que nunca houve uma condenação formal ao sionismo enquanto realidade histórica e política, mas sim um percurso de discernimento que levou em conta fé, razão e história.
São Pio X em 1904, declarou a Theodor Herzl, pai fundador do Sionismo, o qual foi humildemente visita-lo, e declarou posteriormente em entrevista a fala do papa:
«Nós não poderemos impedir os judeus de irem a Jerusalém, mas não
poderemos jamais os encorajar. O solo de Jerusalém não foi sempre sagrado, mas
foi santificado pela vida de Jesus. Os Judeus não reconheceram Nosso Senhor e
não poderemos então reconhecer o povo judeu. Non possumus...» (São Pio X, 25 de
janeiro de 1904, Cidade do Vaticano).
Eis a íntegra da histórica entrevista com o Papa São Pio X, relatada por Theodore Herzl, pai do sionismo, em seu jornal, de 25 de janeiro de 1904 (antes da 1ª e 2ª guerras):
Fui levado à casa do papa através de um grande número de pequenos salões...Apresentei-lhe brevemente meu caso. Ele respondeu em um tom severo e categórico:
“Nós não podemos apoiar esse movimento [sionista]. Não podemos
impedir os judeus de irem a Jerusalém, mas não podemos de forma alguma apoiar
isso. Mesmo que nem sempre fosse santa, a terra de Jerusalém foi santificada
pela vida de Jesus Cristo. Como chefe da Igreja, não posso lhe dizer outra
coisa. Os judeus não reconheceram Nosso Senhor, e é por isso que não podemos
reconhecer o povo judeu..."
Eis aí, pensei, o antigo conflito que recomeça entre Roma e Jerusalém; ele representa Roma, eu Jerusalém - “Mas o que o senhor diz, Santo Padre, sobre a situação atual? – perguntei.
"Sei muito bem que é desagradável ver os turcos de posse de nossos
lugares santos”, respondeu ele. Somos forçados a suportar. Mas apoiar os judeus
para que possam obtê-los – os Lugares Santos – é algo que não podemos fazer".
Enfatizei que nossa motivação era o
sofrimento dos judeus e que pretendíamos deixar de lado questões religiosas.
“Sim, disse ele, mas nós, e especialmente eu como chefe da Igreja, não podemos. Dois casos podem surgir: ou os judeus permanecem fiéis à sua crença e continuam a esperar pelo Messias, que para nós já chegou – nesse caso, eles negam a divindade de Jesus, e não há nada que possamos fazer por eles, ou eles vão para lá sem nenhuma religião e, nesse caso, podemos ainda ao menos apoiá-los. A religião judaica era a base da nossa, mas foi substituída pela doutrina de Cristo e, portanto, não podemos mais reconhecer sua existência. Os judeus, que deveriam ter sido os primeiros a reconhecer Jesus Cristo, não o fizeram até hoje.”
Eu quase disse: “É o que acontece em todas as famílias. Ninguém é profeta em sua família.” Ao invés disso, eu disse: “O terror e perseguição podem não ter sido a melhor maneira de esclarecer os judeus.” - Desta vez, ele respondeu com uma simplicidade desconcertante:
"Nosso Senhor chegou sem dispor de poder algum. Ele era pobre. Ele
veio em paz. Ele não perseguiu ninguém, nós o perseguimos. Até os apóstolos o
abandonaram. Foi só então que Ele cresceu. Foi somente depois de três séculos
que a Igreja foi estabelecida. Os judeus, portanto, tiveram tempo de reconhecer
a divindade de Jesus Cristo sem nenhuma pressão externa. Mas eles não fizeram
isso, ainda não fazem isso até hoje".
“Mas, Santo Padre, eu disse: a situação
dos judeus é terrível! Não sei se Vossa Santidade compreende toda a extensão
deste drama. Precisamos de um país para os perseguidos"
– "Mas tem que ser Jerusalém?" Perguntou ele.
“Não estamos pedindo Jerusalém, eu disse, mas a Palestina, apenas o país profano“.
Ele repetiu: “Não podemos apoiar isso.”
- "O senhor conhece, Santo Padre, a
situação dos judeus? – questionei.
“Sim, eu a conheci em Mântua”, respondeu ele. Existem judeus lá.
Além disso, sempre tive boas relações com os judeus! Recentemente, uma noite,
tive a visita de dois judeus. É verdade que existem relacionamentos fora da
religião: relações de cortesia e caridade. Nós não negamos nenhum dos judeus! Quanto ao resto, rezamos por eles para que seu espírito seja iluminado.
Precisamente neste dia, celebramos a festa de um incrédulo que, no caminho de
Damasco, milagrosamente se converteu à verdadeira fé [São Paulo]. Portanto, se
o senhor for à Palestina e estabelecer seu povo lá, prepararemos igrejas e
sacerdotes para batizar todos eles.”
Theodore Herzl – Diário 1895-1904. O
fundador do sionismo fala. Citado na revista ” Le sel de la Terre “.
AS ORIGENS E OBJETIVOS DO MOVIMENTO SIONISTA
O sionismo (em hebraico: ציונות Tsiyonut) é um movimento político/religioso que defende o direito à autodeterminação do povo judeu e à existência de um Estado nacional judaico independente e soberano no território onde historicamente existiu o antigo Reino de Israel. O sionismo é também chamado de nacionalismo judaico e historicamente propõe a erradicação da Diáspora Judaica, com o retorno da totalidade dos judeus ao atual Estado de Israel.
O movimento defende a manutenção da identidade judaica, opondo-se à assimilação dos judeus pelas sociedades dos países em que viviam. O sionismo surgiu no final do século XIX na Europa Central e Oriental como um movimento de revitalização nacional e logo foi associado, pela maioria dos seus líderes, à colonização da Palestina. Segundo o pensamento sionista, a Palestina fora ocupada por estranhos. Desde a criação do Estado de Israel, o movimento sionista continua a defender o estado judeu, denunciando as ameaças à sua permanência e à sua segurança.
Os críticos do sionismo o consideram como um movimento colonialista ou racista.Os sionistas rebatem essas críticas, identificando o antissionismo com o antissemitismo. O chamado "sionismo moderno" articulou-se e desenvolveu-se especialmente a partir da segunda metade do século XIX, em especial entre os judeus da Europa Central e do Leste Europeu, que viviam sob a pressão das perseguições e massacres sistemáticos provocados pelo antissemitismo crônico destas regiões.
O século XIX foi uma época de irrupções nacionalistas em todo mundo. Gregos, italianos, poloneses, alemães e sul-americanos, entre outros, estabeleceram seus movimentos nacionais em busca de singularidade política, étnica e cultural. Seguindo estes modelos, o sionismo foi o mais recente dos processos de renascença nacional a despertar na Europa.
-O sionismo também pode ser considerado como uma reação ao crescente assimilacionismo provocado pela integração dos judeus da Europa Central aos povos e comunidades onde se encontravam estabelecidos, o que, segundo os críticos, solapava as bases culturais e religiosas fundamentais do judaísmo tradicional. O uso do termo "sionismo" surgiu durante um debate público realizado na cidade de Viena, na noite de 23 de janeiro de 1892, e foi cunhado por Nathan Birnbaum, um escritor judeu local que fundara em 1885 a revista “Selbstemanzipation!” (Autodeterminação!).
-O termo sionismo, em sentido literal, vem da palavra “Sião” (ou
Zion), que é um nome bíblico para Jerusalém, especialmente o monte onde ficava
a cidade de Davi e, depois, o Templo. Assim, “sionismo” significa
literalmente algo como: “movimento em direção a Sião” ou “retorno a
Sião”. A palavra tem origem no hebraico “Tsiyonut” (ציונות), derivada de
“Tsiyon” (ציון), que é “Sião”. Portanto, no sentido mais direto e original, o
termo expressa a ideia de ligação, retorno ou restauração do povo judeu à sua
terra histórica, especialmente Jerusalém. Com o tempo, esse significado
literal evoluiu para um sentido mais específico e político: passou a designar o
movimento que defende o direito do povo judeu de ter um Estado próprio em sua
terra ancestral.
No entanto, considera-se que o "Pai do sionismo" tenha sido o jornalista e escritor austríaco Theodor Herzl, autor do livro Der Judenstaat (O Estado Judeu).
São considerados precursores do sionismo (ou "protossionistas") alguns pensadores e religiosos judeus que expressaram em obras escritas o desejo ancestral do povo judeu de retornar às suas raízes históricas através da volta para sua terra de origem. Por outro lado, o nacionalismo judaico é considerado como uma decorrência direta dos diversos movimentos nacionalistas que surgiram no Ocidente a partir do iluminismo, da Revolução Francesa e da Revolução Americana.
Os primeiros protossionistas foram membros do clero judaico, como os rabinos Judá Alkalai; Naftali Berlin (o “HaNatziv”); Tzvi Kalisher; Samuel Mohiliver e Isaac Jacob Reines. Segundo a narrativa religiosa e tradicional, o sionismo surgiria logo após a queda do Segundo Templo e a consequente expulsão da maioria dos judeus dos territórios do antigo Reino de Israel, entre os anos 66 d.C. e 135 d.C.
A oração "no ano que vem, em Jerusalém", recitada todo os anos durante o Pessach, expressa a vontade, transmitida através das gerações, de retorno à Terra de Israel como condição precípua para a vinda do Messias e do estabelecimento de uma nova ordem, onde as esferas sagrada e terrena passariam a conviver em um único plano.
A "nostalgia de Sião" se manifestou claramente nos discursos de diversos místicos judeus surgidos ao longo dos séculos de duração da Diáspora, desde David Alroy ("falso messias"), no século XII, até Sabbatai Zevi, no século XVII, passando pelos poemas de Yehudah Halevi e por uma infinidade de místicos.
As 5 divisões do sionismo
1º)-O
sionismo "socialista"
A partir do Segundo Congresso Sionista, realizado em 1898, surgiram os Sionistas Socialistas, inicialmente um grupo minoritário, em sua maioria oriunda da Rússia, mas que exigiu representação na Organização Sionista Mundial.
A presença dos sionistas socialistas seria cada vez maior,
chegando à maioria dos delegados a partir de do 18º Congresso, realizado em
Praga, em 1933. Os sionistas socialistas formariam o principal núcleo político
dos fundadores do Estado de Israel, gerando futuros líderes como: David
Ben-Gurion, Moshe Dayan, Golda Meir, Yitzhak Rabin e Shimon Peres.
Alguns pensadores fundamentais para o conhecimento do sionismo socialista são Dov Ber Borochov e Aaron David Gordon. Ambos, porém, encontram em Moses Hess uma origem da combinação de um estado judeu e socialista.
Diferentemente dos primeiros sionistas reunidos por Herzl, os
sionistas socialistas não acreditavam que o Estado Judaico seria criado
apelando à comunidade internacional, mas através da luta de classes e dos
esforços da classe trabalhadora judaica na Palestina.
Os socialistas pregavam o estabelecimento dos "kibbutzim" (fazendas coletivas) no campo, e de um proletariado nas grandes cidades.
2º)-O
sionismo "político"
A cisão da Organização Sionista pelos socialistas provocou a
formação de um segundo bloco, a que se chamou de “Sionistas Políticos”,
que tal como Herzl e também Chaim Weizmann, preconizavam a independência do
Estado Judeu pela via diplomática.
Em busca disso, o próprio Herzl encontrou-se com o Kaiser Guilherme II da Alemanha e com o sultão Abdulamide II da Turquia, com os quais pediu o apoio de seus países para o estabelecimento do Estado Judeu na Palestina.
Após a morte de Theodor Herzl, em 1904, e com o fracasso de uma
solução negociada para a independência do Estado Judeu, o sionismo político foi
perdendo importância dentro da Organização Sionista.
3º)-O
sionismo "revisionista"
Os maiores "opositores dos sionistas socialistas seriam os
sionistas revisionistas", que surgiram em 1925, liderados por
Vladimir Ze'ev Jabotinsky, um filósofo liberal que pretendia reviver na
Organização Sionista “o espírito e a doutrina verdadeiramente herzliana”.
Para os sionistas revisionistas, o Estado Judeu só seria viabilizado com a organização dos judeus em frentes paramilitares que combatessem, simultaneamente, a presença britânica na Palestina (a partir de 1917) e a resistência armada dos árabes muçulmanos da Palestina, que vinham atacando pessoas e propriedades dos sionistas.
Os
revisionistas também, combatiam os socialistas, pois pregavam uma ideologia
liberal-democrática (contrária ao marxismo) dentro da Organização Sionista e a
defendiam para o futuro: Estado Judeu.
4º)-O
sionismo religioso
-O sionismo religioso combina o sionismo e o judaísmo religioso, baseando o sionismo nos princípios da Torá, Talmud e outros.
-Moisés também, defendia ideias protonacionalistas na Torá desde que
ele fugiu do Egito Antigo.
5º)-O
sionismo "cultural"
Em uma acepção menos comum, o termo pode também, se referir ao *sionismo cultural, proposto por Ahad Ha'am (*propunha para o povo Judeu a criação na terra ancestral de condições adequadas para o desenvolvimento de uma comunidade de hebreus honestos e trabalhadores que possam se dedicar a todas as profissões, desde os trabalhos agrícolas, às artes, e até ao trabalho da criação cultural própria, e à literatura), e ao apoio político dado ao Estado de Israel por não judeus, tal como no "*sionismo cristão" (*crença compartilhada por alguns cristãos, principalmente por evangélicos pentecostais e neopentecostais, de que o estabelecimento do Estado de Israel em 1948 e o retorno dos judeus à Terra Santa, estão de acordo com a profecia).
Fonte: Wikipedia
Pio XII , O HOLOCAUSTO DOS JUDEUS E O SIONISMO
"E como nesta vigília do Santo Natal, nosso pensamento não buscaria ainda uma vez aquela terra da Palestina onde o Filho de Deus feito homem viveu sua vida terrestre; a Palestina, onde, mesmo com a suspensão das hostilidades, não aparece ainda um seguro fundamento da paz?
Possa encontrar-se enfim uma solução feliz que, vindo em socorro das necessidades de tantos milhares de míseros prófugos, satisfaça ao mesmo tempo os votos de toda a Cristandade, ansiosa pela tutela dos lugares Santos, tornando-os livremente acessíveis e protegidos, mediante a constituição de um regime internacional...
Deixe-os [católicos do mundo inteiro] persuadir os governantes das
nações, e aqueles cujo dever é regulamentar esta importante questão, a garantir
à Cidade Santa e à região próxima um status jurídico apropriado, dentro das
quais a estabilidade não possa ser assegurada senão por um acordo mútuo entre
as nações que amam a paz e respeitam os direitos dos outros.
Além disso, é de maior importância que a devida imunidade e proteção seja garantida a todos os Lugares Sagrados da Palestina não somente em Jerusalém, mas em outras cidades e vilas também"
(Pio XII Encíclica Redemptoris nostri, 15 de abril de 1949).
Precisamos entender e saber que um Papa só é infalível quando fala ex cathedra, isto é, quando ensina matéria de Fé ou de moral, a toda a Igreja, com o poder dado por Cristo a Pedro, e com intenção de definir, ensinando o que é certo, e condenando o que é errado, de forma definitiva e irrevogável. Estas são as condições da infalibilidade papal, segundo o Concílio Vaticano I, que proclamou o dogma da infalibilidade pontifícia.
O Concílio Vaticano I não declarou que tudo o que a pessoa que exerce o papado, diz é infalível (principalmente falas em uma simples entrevista, ou audiência). Há pois que distinguir entre o Papa, infalível nas condições citadas, e a pessoa que é Papa, e que pode pessoalmente cair em falhas e erros, quando fala como simples pessoa particular, dando uma opinião puramente pessoal sobre algo.
Nestas declarações acima, tão usadas e destacadas por Rad Trad's e Sedevacantista, vemos que não adianta querer fazer malabarismos e tentar criar chifre em cabeça de cavalo, mas a verdade é que: "NÃO EXISTE CONDENAÇÃO FORMAL AO MOVIMENTO SIONISTA", houve apenas negações de caráter meramente teológico e contextual para o entendimento da época, nada declarado de forma dogmática e definitiva, portanto, passíveis de evolução no entendimento teológico, como Bento XVI, teve e fez, com a teologia sobre o LIMBO, excluindo em uma só canetada essa teologia do magistério católico em 4 de outubro de 2006, data em que o Santo Padre decretaria seu fim.
Já o suposto anti-sionismo católico é posto de lado com o documento da Igreja do Concílio Vaticano II: "Nostra Aetate" (veja logo abaixo)
A decisão agora é sua: ficar com o magistério INTEGRAL da Igreja (de Nicéia ao Vaticano II), ou com opiniões pessoais e equivocadas de "gurus"
conservadores e progressistas, que fazem das redes sociais seus 5 minutos de glória, e para outros, o seu ganha-pão.
Vaticano "reconhece oficial e irrevogavelmente", o Estado de Israel com São João
Paulo II
Visto como um assunto tabu até aquela ocasião pelo
Vaticano, em 28 de dezembro de 1993 o Estado de Israel foi reconhecido
pela Santa Sé no pontificado de João Paulo II.
Depois de prometer contribuir para a resolução dos problemas do local, ele foi o primeiro papa a entrar em uma sinagoga. Durante sua ida ao país, houve outras atitudes importantes para a relação diplomática entre Israel e o Vaticano: o Papa visitou a Yad Vashem, o Museu do Holocausto e o Muro das Lamentações.
ATENÇÃO! Em outra ocasião, João Paulo II pediu perdão, em nome da
Igreja Católica, pelas perseguições ao povo judeu durante a Segunda Guerra
Mundial.
Cardeal Parolin visitou a Embaixada de Israel junto à Santa Sé
para levar solidariedade e proximidade espiritual ao Embaixador Raphael Schutz
Por Vatican News - 13 de out. de 2023
Esta
manhã o Cardeal Secretário de Estado Pietro
Parolin visitou a Embaixada de Israel junto à Santa Sé para levar solidariedade
e proximidade espiritual ao Embaixador Raphael Schutz pelo trágico ataque
sofrido no último sábado. Nesse contexto, ele
quis expressar sua preocupação com o respeito à população civil seja israelense
que palestina, especialmente à de Gaza, no conflito em curso.
Fonte: Vatican News
DECLARAÇÃO "NOSTRA AETATE" SOBRE A IGREJA E AS RELIGIÕES NÃO-CRISTÃS
A religião judaica
4. Sondando o mistério da Igreja, este sagrado Concílio recorda o vínculo com que o povo do Novo Testamento está espiritualmente ligado à descendência de Abraão. Com efeito, a Igreja de Cristo reconhece que os primórdios da sua fé e eleição já se encontram, segundo o mistério divino da salvação, nos patriarcas, em Moisés e nos profetas. Professa que todos os cristãos, filhos de Abraão segundo a fé (6), estão incluídos na vocação deste patriarca e que a salvação da Igreja foi misticamente prefigurada no êxodo do povo escolhido da terra da escravidão. A Igreja não pode, por isso, esquecer que foi por meio desse povo, com o qual Deus se dignou, na sua inefável misericórdia, estabelecer a antiga Aliança, que ela recebeu a revelação do Antigo Testamento e se alimenta da raiz da oliveira mansa, na qual foram enxertados os ramos da oliveira brava, os gentios (7). Com efeito, a Igreja acredita que Cristo, nossa paz, reconciliou pela cruz os judeus e os gentios, de ambos fazendo um só, em Si mesmo (8).Também tem sempre diante dos olhos as palavras do Apóstolo Paulo a respeito dos seus compatriotas: «deles é a adopção filial e a glória, a aliança e a legislação, o culto e as promessas; deles os patriarcas, e deles nasceu, segundo a carne, Cristo» (Rom. 9, 4-5), filho da Virgem Maria. Recorda ainda a Igreja que os Apóstolos, fundamentos e colunas da Igreja, nasceram do povo judaico, bem como muitos daqueles primeiros discípulos, que anunciaram ao mundo o Evangelho de Cristo.Segundo o testemunho da Sagrada Escritura, Jerusalém não conheceu o tempo em que foi visitada (9); e os judeus, em grande parte, não receberam o Evangelho; antes, não poucos se opuseram à sua difusão (10). No entanto, segundo o Apóstolo, os judeus continuam ainda, por causa dos patriarcas, a ser muito amados de Deus, cujos dons e vocação não conhecem arrependimento (11). Com os profetas e o mesmo Apóstolo, a Igreja espera por aquele dia. só de Deus conhecido, em que todos os povos invocarão a Deus com uma só voz e «o servirão debaixo dum mesmo jugo» (Sof. 3,9) (12).Sendo assim tão grande o património espiritual comum aos cristãos e aos judeus, este sagrado Concílio quer fomentar e recomendar entre eles o mútuo conhecimento e estima, os quais se alcançarão sobretudo por meio dos estudos bíblicos e teológicos e com os diálogos fraternos.Ainda que as autoridades dos judeus e os seus sequazes urgiram a condenação de Cristo à morte (13) não se pode, todavia, imputar indistintamente a todos os judeus que então viviam, nem aos judeus do nosso tempo, o que na Sua paixão se perpetrou. E embora a Igreja seja o novo Povo de Deus, nem por isso os judeus devem ser apresentados como reprovados por Deus e malditos, como se tal coisa se concluísse da Sagrada Escritura. Procurem todos, por isso, evitar que, tanto na catequese como na pregação da palavra de Deus, se ensine seja o que for que não esteja conforme com a verdade evangélica e com o espírito de Cristo.Além disso, a Igreja, que reprova quaisquer perseguições contra quaisquer homens, lembrada do seu comum património com os judeus, e levada não por razões políticas mas pela religiosa. A caridade evangélica deplora todos os ódios, perseguições e manifestações de anti-semitismo, seja qual for o tempo em que isso sucedeu e seja quem for a pessoa que isso promoveu contra os judeus. De resto, como a Igreja sempre ensinou e ensina, Cristo sofreu, voluntariamente e com imenso amor, a Sua paixão e morte, pelos pecados de todos os homens, para que todos alcancem a salvação. O dever da Igreja, ao pregar, é portanto, anunciar a cruz de Cristo como sinal do amor universal de Deus e como fonte de toda a graça.
A fraternidade universal e a reprovação de toda
a discriminação racial ou religiosa
5. Não podemos, porém, invocar Deus como Pai comum de todos, se nos recusamos a tratar como irmãos alguns homens, criados à Sua imagem. De tal maneira estão ligadas a relação do homem a Deus Pai e a sua relação aos outros homens seus irmãos, que a Escritura afirma: «quem não ama, não conhece a Deus» (1 Jo. 4,8).Carece, portanto, de fundamento toda a teoria ou modo de proceder que introduza entre homem e homem ou entre povo e povo qualquer discriminação quanto à dignidade humana e aos direitos que dela derivam. A Igreja reprova, por isso, como contrária ao espírito de Cristo, toda e qualquer discriminação ou violência praticada por motivos de raça ou cor, condição ou religião. Consequentemente, o sagrado Concílio, seguindo os exemplos dos santos Apóstolos Pedro e Paulo, pede ardentemente aos cristãos que, «observando uma boa conduta no meio dos homens. (1 Ped. 2,12), se ‚ possível, tenham paz com todos os homens (14), quanto deles depende, de modo que sejam na verdade filhos do Pai que está nos céus (15).
Roma, 28 de Outubro de 1965.
PAPA PAULO VI
NOTAS:
6. Cfr. Gál. 3,7.
7. Cfr. Rom. 11, 17-24.
8. Cfr. Ef. 2, 14-16.
9. Cfr. Lc. 19,44.
10. Cfr. Rom. 11,28.
11. Cfr. Rom. 11, 28-29; Cfr. Conc. Vat.
II, Const. dogm. De Ecclesia., Lumen gentium: AAS 57, (1965), p. 20.
12. Cfr. Is. 66,23; Salm. 65,4; Rom. 11,
11-32.
13. Cfr. Jo. 19,6.
14. Cfr. Rom. 12,18.
15. Cfr. Mt. 5,45.
Fonte: Vatican.va
O mais paradoxal é que correntes tão distintas entre si acabam
convergindo em um mesmo ponto, não por fidelidade à verdade, mas por interesses
próprios, criando confusão entre os fiéis e distorcendo o ensinamento da
Igreja.
Por isso, é fundamental reafirmar que a posição católica autêntica não se baseia em opiniões pessoais, nem em recortes históricos isolados, mas na continuidade viva do Magistério, que, assistido pelo Espírito Santo, cresce em compreensão ao longo do tempo sem contradizer sua essência.
Permanecer fiel a essa continuidade — que vai dos primeiros concílios, como o de Niceia, até o Concílio Vaticano II e o magistério contemporâneo — é a única forma segura de evitar extremos, sejam eles de caráter ideológico, político ou religioso. Tal fidelidade nos conduz a uma postura equilibrada, que une verdade e caridade, justiça e prudência, reconhecendo tanto a dignidade do povo judeu quanto a complexidade das realidades históricas atuais, sem cair em simplificações perigosas.
Em um mundo marcado por polarizações, a Igreja continua a apontar um caminho de discernimento, diálogo e respeito, recordando que a defesa da verdade jamais pode ser separada do amor ao próximo e da rejeição de toda forma de ódio ou discriminação.
*Francisco José Barros
Araújo – Bacharel em Teologia pela Faculdade Católica do RN, conforme diploma
Nº 31.636 do Processo Nº 003/17
BIBLIOGRAFIA:
-Pio XII Encíclica Redemptoris nostri, 15 de abril de 1949
-Goldmann, Nahum. O Paradoxo Judeu – Memórias pessoais dos encontros históricos que moldaram o drama do Judaísmo moderno – Editora B’nai B’rith (São Paulo, 1984)
-BENARI, Yehuda – “Zeev Jabotinsky – Um esboço biográfico” (Biblioteca Popular Judaica/FISESP – 1977)
-BENARI, Yehuda – “Zeev Jabotinsky – Um esboço biográfico” (Biblioteca Popular Judaica/FISESP – 1977)
-CALVOCORESSI, Peter. Política mundial a partir de 1945. 9. ed. Porto Alegre: Penso, 2011.
-FAYEZ, Ahmed; SAYEGH, Fayez A. Sionismo na Palestina. Rio de Janeiro: Delegação dos Estados Árabes, 1969.
-SCALERCIO, Márcio. Oriente Médio: uma análise reveladora sobre dois povos condenados a viver. Rio de Janeiro: Campus, 2003.
-SCLIAR, Moacyr. Judaísmo: Dispersão e unidade. São Paulo: Editora Ática, 1994.
-BURRIN, Philippe. Hitler e os judeus: gênese de um genocídio. Editora L± tradução de Ana Maria Capovilla. Porto Alegre/RS, 1990.
-RABKIN, Yakov M. Judeus contra judeus: a história da oposição judaica ao sionismo. Cotia/SP: Acatu, 2009.
-POLIAKOV, Léon. Do Anti-Sionismo ao Anti-Semitismo. Perspectiva: São Paulo, 2000.
-HERZL, Theodor. O Estado Judeu. Tradução de David José Perez. Rio de Janeiro: Garamond, 1998.
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Realmente: O mais paradoxal na questão Sionista, é vermos Rad Trad's, Sedevacantistas, e alguns Conservadores, se unirem com progressistas, esquerdistas, Comunistas ateus, e adeptos da TL (apesar de viver a se digladiarem e se excluírem) contra o "suposto inimigo comum": o Estado de Israel. Os primeiros por questões teológicas, os segundos por questões ideológicas, e ambos acabam descambando para um anti-semitismo próximo ao desvario.
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