A mera veiculação, ou reprodução de matérias e entrevistas deste blog não significa, necessariamente, adesão às ideias neles contidas. Tal material deve ser considerado à luz do objetivo informativo deste blog, não sendo a simples indicação, ou reprodução a garantia da ortodoxia de seus conteúdos. Os comentários devem ser respeitosos e relacionados estritamente ao assunto do post. Toda polêmica desnecessária será prontamente banida. Todos os comentários são de inteira responsabilidade de seus autores e não representam, de maneira alguma, a posição do blog. Não serão aprovados os comentários escritos integralmente em letras maiúsculas, ou CAIXA ALTA. A edição deste blog se reserva o direito de excluir qualquer artigo ou comentário que julgar oportuno, sem demais explicações. Todo material produzido por este blog é de livre difusão, contanto que se remeta nossa fonte.
Home » , , , , » Santo Agostinho JAMAIS disse: Nas coisas Essenciais, Unidade, nas não-essenciais, Liberdade, e em todas as coisas, a Caridade

Santo Agostinho JAMAIS disse: Nas coisas Essenciais, Unidade, nas não-essenciais, Liberdade, e em todas as coisas, a Caridade

Written By Beraká - o blog da família on quinta-feira, 23 de janeiro de 2020 | 21:50





Circula no meio Cristão tanto católico como em outras denominações Cristãs, uma filosofia baseada no seguinte princípio:




"Nas coisas essenciais, unidade, nas não-essenciais, liberdade; em todas as coisas, amor".







Este princípio é comumente atribuído a Santo Agostinho, mas, na verdade, foi dito pela primeira vez por um protestante Luterano do sec XVII, Rupertus Meldenius, também, conhecido por Peter Meiderlin, princípio este que só foi registrado formalmente por Marco Antonio de Dominis (1566-1624) no Livro 4, capítulo 8, página 676 do primeiro volume de sua obra:  A Republica Ecclesiastica do Libri X  — Londres, 1617. 



A partir de então, se tentou malabarísticamente, promover a unidade acima da verdade absoluta da Palavra de Deus. Este princípio de tanto ser repetido, foi adotado por muitas lideranças Cristãs das mais diversas denominações. 


Paulo porém, não agiu conforme este princípio, e não se tem registros históricos de que também, os primeiros Cristãos tenham agido assim na Igreja primitiva, muito pelo contrário, Paulo  instruiu Timóteo a manter a verdade:




“Guarde este mandamento sem mácula e repreensão, até à aparição de nosso Senhor Jesus Cristo...”(1Tim 6,14).



Ora, um pontinho é uma coisa pequena e aparentemente insignificante, mas desafio qualquer pessoa instruída na fé e na doutrina Cristã, a comprovar que a bíblia, Tradição e magistério da Igreja, se orientou, ou que a Igreja tenha orientado, os fieis a erguer-se combatendo em defesa apenas das verdades essenciais, cardeais ou dogmáticas, e minimizar as periféricas (pastorais) abraçando um certo Irenismo, tudo em nome da Unidade e da Caridade. Muito pelo contrário, vemos nas escrituras Neo Testamentária que o apóstolo Judas Tadeu instruiu os Cristãos a:



"Batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos" (Judas 3).



E o magistério da Igreja no Concílio Vaticano II convoca da seguinte forma os fieis:




DECRETO APOSTOLICAM ACTUOSITATEM SOBRE O APOSTOLADO DOS LEIGOS 


CAPÍTULO II


OS FINS DO APOSTOLADO DOS LEIGOS


Introdução: a obra de Cristo e da Igreja


5. A obra redentora de Cristo, que por natureza visa salvar os homens, compreende também a restauração de toda a ordem temporal. Daí que a missão da Igreja consiste não só em levar aos homens a mensagem e a graça de Cristo, mas também em penetrar e actuar com o espírito do Evangelho as realidades temporais. Por este motivo, os leigos, realizando esta missão da Igreja, exercem o seu apostolado tanto na Igreja como no mundo, tanto na ordem espiritual como na temporal. Estas ordens, embora distintas, estão de tal modo unidas no único desígnio divino que o próprio Deus pretende reintegrar, em Cristo, o universo inteiro, numa nova criatura, dum modo incoativo na terra, plenamente no último dia. O leigo, que é simultâneamente fiel e cidadão, deve sempre guiar-se, em ambas as ordens, por uma única consciência, a cristã.


O apostolado para a evangelização e santificação do mundo


6. A missão da Igreja tem como fim a salvação dos homens, a alcançar pela fé em Cristo e pela sua graça. Por este motivo, o apostolado da Igreja e de todos os seus membros ordena-se, antes de mais, a manifestar ao mundo, por palavras e obras, a mensagem de Cristo, e a comunicar a sua graça. Isto realiza-se sobretudo por meio do ministério da palavra e dos sacramentos, especialmente confiado ao clero, no qual também os leigos têm grande papel a desempenhar, para se tornarem «cooperadores da verdade» (3 Jo. 8). É sobretudo nesta ordem que o apostolado dos leigos e o ministério pastoral se completam mutuamente. Inúmeras oportunidades se oferecem aos leigos para exercerem o apostolado de evangelização e santificação. O próprio testemunho da vida cristã e as obras, feitas com espírito sobrenatural, têm eficácia para atrair os homens à fé e a Deus; diz o Senhor: «Assim brilhe a vossa luz diante dos homens, de modo que vejam as vossas boas obras e dêem glória ao vosso Pai que está nos céus» (Mt. 5, 16).Este apostolado, contudo, não consiste apenas no testemunho da vida; o verdadeiro apóstolo busca ocasiões de anunciar Cristo por palavra, quer aos não crentes para os levar à fé, quer aos fiéis, para os instruir, confirmar e animar a uma vida fervorosa; «com efeito, o amor de Cristo estimula-nos» (2 Cor. 5, 14); e devem encontrar eco no coração de todos aquelas palavras do Apóstolo: «ai de mim, se não prego o Evangelho» (1 Cor. 9,16) (1).


E dado que no nosso tempo surgem novos problemas e se difundem gravíssimos erros que ameaçam subverter a religião, a ordem moral e a própria sociedade humana, este sagrado Concílio exorta ardentemente os leigos a que, na medida da própria capacidade e conhecimentos, desempenhem com mais diligência a parte que lhes cabe na elucidação, defesa e reta aplicação dos princípios cristãos aos problemas de nosso tempo, segundo a mente da Igreja.



CAPÍTULO IV

AS VÁRIAS FORMAS DO APOSTOLADO

Introdução: apostolado individual ou associado

15. Os leigos podem exercer a sua ação apostólica quer como indivíduos quer unidos em diversas comunidades e associações.


Necessidade e natureza do apostolado individual


16. O apostolado individual que deriva com abundância da fonte de uma vida verdadeiramente cristã (cfr. Jo. 4,14), é origem e condição de todo o apostolado dos leigos, mesmo do associado, nem nada o pode substituir. A este apostolado, sempre e em toda aparte proveitoso e em certas circunstâncias o único conveniente e possível, são chamados e, por isso, obrigados todos os leigos, de qualquer condição; ainda que não se lhes proporcione ocasião ou possibilidade de cooperar nas associações. São muitas as formas de apostolado pelas quais os leigos edificam a Igreja, santificam o mundo e o vivificam em Cristo.


A forma peculiar do apostolado individual, e sinal muito acomodado também aos nossos tempos, porque manifesta Cristo vivo nos seus fiéis, é o testemunho de toda a vida laical que flui da fé, esperança e caridade. Porém, pelo apostolado da palavra, em certas circunstâncias absolutamente necessário, os leigos anunciam a Cristo, expõem a sua doutrina, difundem-na segundo a sua própria condição e capacidade, e professam-na com fidelidade.


Além disso, como cidadãos deste mundo, os leigos, ao cooperarem na construção e governo da ordem temporal, devem, na vida familiar, profissional, cultural e social, buscar, à luz da fé, normas de ação mais elevadas e manifestá-las aos outros oportunamente, conscientes de que assim se tornam cooperadores de Deus criador, redentor e santificador, e Lhe dão glória. Finalmente, vivifiquem os leigos a sua vida com a caridade e mostrem-no por obras na medida do possível. Lembrem-se todos que pelo culto público e pela oração, pela penitencia, pelos trabalhos e livre aceitação das agruras da vida; pelas quais se conformam a Cristo paciente (cfr. 2 Cor. 4,10; Col. 1,24), podem atingir todos os homens e contribuir para a salvação de todo o mundo.


O apostolado individual em circunstâncias especiais


17. Este apostolado individual é urgentemente necessário naquelas regiões em que a liberdade da Igreja é gravemente impedida. Nestas circunstâncias dificílimas, os leigos, suprindo, na medida do possível, o sacerdote, põem em risco a própria liberdade e, às vezes, a vida. Ensinam aos que os cercam a doutrina cristã, formam-nos na vida religiosa e na mentalidade católica, induzem-nos a frequência dos sacramentos e fomentam a piedade, sobretudo a eucarística. O sagrado Concílio dá graças do fundo do coração a Deus que não deixa de suscitar, também em nossos dias, leigos de fortaleza heróica no meio das perseguições, e abraça-os com afeto paterno e ânimo agradecido. O apostolado individual tem especial campo de acção nas regiões onde os católicos são poucos e dispersos. Os leigos, que exercem nelas só apostolado individual pelas causas acima mencionadas ou por razões especiais, mesmo nascidas da própria actividade profissional, reunam-se oportunamente para dialogar em grupos menores, sem forma estrita de instituição ou organização, de modo que sempre se manifeste aos outros o sinal da comunidade da Igreja como verdadeiro testemunho de amor. Deste modo, pela amizade e pela comunicação de experiências e com a , ajuda espiritual mútua, fortalecem-se para superar as dificuldades da vida e da ação demasiado isolada e produzir mais abundantes frutos de apostolado.


33. Por isso, o sagrado Concílio pede instantemente no Senhor a todos os leigos que respondam com decisão de vontade, ânimo generoso e disponibilidade de coração à voz de Cristo, que nesta hora os convida com maior insistência, e ao impulso do Espírito Santo. Os mais novos tomem como dirigido a si de modo particular este chamamento, e recebam-no com alegria e magnanimidade. Com efeito, é o próprio Senhor que, por meio deste sagrado Concílio, mais uma vez convida todos os leigos a que se unam a Ele cada vez mais intimamente, e sentindo como próprio o que é d'Ele (cfr. Fil. 2,5), se associem à Sua missão salvadora. É Ele quem de novo os envia a todas as cidades e lugares aonde há-de chegar (cfr. Lc. 10,1); para que, nas diversas formas e modalidades do apostolado único da Igreja, se tornem verdadeiros cooperadores de Cristo, trabalhando sempre na obra do Senhor com plena consciência de que o seu trabalho não é vão no Senhor (cfr. 1 Cor. 15,28).








Como Judas não restringiu qual a parte da fé deva ser defendida, o significado óbvio é que sempre que QUALQUER aspecto da fé (essencial, ou supostamente periférico) que estiver sob ataque, o povo de Deus deve unir-se na sua defesa, ao invés de fingir que isto é uma coisa "não-essencial". Vou deixar os três lados da moeda expostos a seguir, para que você ao final, faça o devido discernimento:



ARGUMENTAÇÃO A FAVOR DO PRINCÍPIO


Este princípio filosófico, afirma que há coisas nas quais a unidade é uma necessidade e uma exigência, e há coisas onde a liberdade é mais importante. E termina reconhecendo o desafio bíblico do amor em todas as coisas e em todo tempo. 


Para início de conversa, seria bom termos muito claros a diferenciação entre aquilo que é essencial e aquilo que supostamente não é:



1)-O que significa a palavra “essencial” e o que seria essencial à fé Cristã?

2)-Todos os artigos do Credo Apostólico são ou não essenciais?

3)-E por fim, o que seria supostamente não essencial à fé e que não comprometeria a nossa salvação?



Gálatas 5,8-10: “Quem vos convenceu a agir assim, não procede daquele que vos chama. Sabeis que “um pouco de fermento leveda toda a massa. Quanto a vós, estou convencido no Senhor de que não pensareis de outra forma. Mas aquele que vos perturba, seja quem for, sofrerá condenação...”



Qual é a essência da fé Cristã?



A palavra “essencial” é derivada de essência. A essência da nossa fé quer dizer aquilo que constitui a natureza dessa fé, o conteúdo principal, o cerne, o que dá significado e dá existência a nossa fé. O que não pode faltar de jeito nenhum, sob hipótese alguma.Há também, outras exigências, orientações, promessas na Palavra divinamente revelada e confirmada pela Igreja, que não estão no credo apostólico, mas que não devemos negligenciar, sob o risco de enfraquecer a fé, pois como uma fogueira, a fé também é alimentada por pequenos gravetos, e não apenas por toras grandes de madeira, e portanto, estas além de serem orientações verdadeiras, são também, essenciais a nossa vivência genuinamente Cristã.


Toda a doutrina de Cristo, que os apóstolos infalivelmente transmitiram à Igreja, está inteiramente contida nas Sagradas Escrituras tanto velho, como Neotestamentária. Não é possível encontrar os apóstolos ensinando qualquer doutrina que já não tivesse sido revelada nas Escrituras do Velho Testamento.  Foi o que Paulo disse perante o rei Agripa:



“Até ao dia de hoje permaneço dando testemunho tanto a pequenos como a grandes, não dizendo nada mais do que o que os profetas e Moisés disseram que devia acontecer” (Atos 26,22).



Uma das maneiras de verificar que isso é verdade é constatando que todos os artigos de do Credo Apostólico chegado até nós, que são verdades reveladas na Escritura do Velho Testamento, nas quais os apóstolos e evangelistas basearam a Fé apostólica. 


Coloquei somente algumas passagens para fundamentar, mas muitas outras passagens poderiam ser citadas na profissão da Verdadeira fé Cristã, oriunda dos apóstolos:


1)- CREIO em Deus Pai (Salmo 2,7; Provérbios 30,4)

2)-Todo Poderoso (Gênesis 17,10).

3)- Criador dos céus e da terra (Gênesis 1).

4)- CREIO em Jesus "Messias" (Cristo)- João5,39: Gn 26,4; (Gn 28,14; Gn 49,8; Jr 23,5; 33,15; Is 7,14; Gn 49,10;Is 11,1-9;Ml 3,1; Mq 5,1s; Zc 11,12;Zc 12,10; Isaías 53,3.12b; Is 53,7...

5)- Seu único Filho (Salmo 2,7).

6)- Nosso Senhor (Salmo 110,1).

7)- O qual foi concebido por obra do Espírito Santo, nasceu da virgem Maria (Isaías 7,14).

8)-Padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos (Salmo 2,2; Isaías 49,7)

9)-Foi crucificado (Isaías 50,6; 52,13-14; 53,2-7; Salmo 22,1-21; 69,1-21).

10)-Morto (Isaías 53,8; Daniel 9,26)

11)-Sepultado (Isaías 53,9).

12)- Ressuscitou dos mortos ao terceiro dia (Isaías 53,10-11; Salmo 16,9-10).

13)-Subiu ao Céu (Daniel 7,13).

14)-Está assentado à mão direita de Deus Pai, Todo-poderoso (Salmo 110,1).

15)-De onde há de vir a julgar os vivos e os mortos (Salmo 96,13).

16)-CREIO no Espírito Santo: Gen 1,2.26;3,22; 18,2;Joel 2,28;Ezeq 43,5;Jz11,29;1 Sam10,6...

17)-Na santa igreja universal: Gênesis 12,3; 18,18; Salmo 2,8; 72,8; Daniel 7,14).

18)-CREIO na comunhão dos santos: Gen 35,28-29; Salmo 30,3; 133,1; II Reis2,9-10...

19)- CREIO na remissão dos pecados: Isaías 53,5; Lam 3,22-23

20)- CREIO na ressurreição da carne: Isaías 25,8; Salmo 49,15;Ezeq 37,1-13

21)- CREIO na vida eterna (Daniel 12,2)...Amém!



Portanto, ter unidade (concordância) nesses pontos essenciais de nossa Fé, é o que nos torna verdadeiramente Cristãos. Porém, todo Cristão sabe que não basta somente crer em Deus e em sua palavra, pois até os demônios creem em Deus e na sua palavra (Tg2,19), mas é preciso pratica-la, se deixar ser formado e orientado por ela, santificar-se por ela, viver no amor, na oração, na intimidade e dependência de Deus (Mat 7,24-29;Tg1,22).


Hoje em nome de um falso ecumenismo (que se dar somente entre Cristãos que tem a Jesus como Senhor e Salvador, e não apenas um profeta), se fala entre espíritas kardecistas cristãos, que acreditam em Jesus apenas como um espírito perfeito, porém, não divino e incapaz de nos dar a salvação, a qual é obtida exclusivamente na prática das boas de Caridade. Mas é preciso aqui deixar claro que não pode de fato ser considerado cristão quem não crê na salvação unicamente vinda pelo sacrifico redentor de Jesus Cristo, e somente a partir dai devemos sim, andar nas boas obras da fé e não da lei.



É “essencial” na fé cristã as TRÊS seguintes afirmações que não estão no Credo Apostólico, mas nas escrituras:



1)-Só Jesus salva: João 14,6; Atos 4,12


2)- Jesus é Deus, e não apenas um simples profeta, ou um espírito perfeito: João1,1-18; Filip2,6-7


3)-Somos salvos não por causa exclusiva das boas obras, mas somos salvos unicamente por Jesus, para a prática das boas obras: Efésios 2,8-10




O que significaria então, ter liberdade nas questões “NÃO ESSENCIAIS” à nossa Salvação?




1)-Rezar é essencial a nossa salvação, mas, o modo como oramos não é essencial à nossa Salvação.


2)- Celebrar e participar da Santa Ceia do Senhor, ou seu Santo Sacrifício Eucarístico, é essencial a nossa salvação (conforme: João 6,52-71;Hb 10,25) mas, não o rito, desde que não se mude a essência:


A celebração da Santa Ceia é sim um Memorial ordenado por Cristo (conf. Luc 22,19) mas um detalhe ESSENCIAL e imprescindível é preciso destacar: A celebração pascal é memorial, porém, a presença de Jesus no pão e Vinho Consagrados é Real (conf. Mateus 26,26-28;João 6,54-56; 1 Cor 11,29),portanto, QUEM CONDUZ A CELEBRAÇÃO, ou seja, um sacerdote legitimamente ordenado e da linha sucessória apostólica se torna ESSENCIAL a nossa salvação, pois sem ele, o pão e vinho não são TRANSUBSTANCIADOS em corpo e sangue do Senhor, pois Jesus durante a última ceia, reuniu-se apenas com os 12 apóstolos, e não com todos os discípulos ao dar esta prerrogativa, portanto, somente os presbíteros e bispos são considerados legítimos sucessores dos apóstolos pela imposição das mãos. Isto porém, não impede os protestantes de pregarem e fazerem sua ceia apenas como memorial, desde que façam com o devido respeito a fé apostólica.O que é periférico, pode até ter sua importância, mas não é essencial à nossa salvação, ou seja, se a celebração for em latim, ou língua vernácula, se o padre fica voltado ou não, para a assembleia, se bate palmas ou não nos momentos de louvor, se ajoelha-se ou não durante a consagração, etc. isto não é essencial à nossa Salvação!






3)-A missa e reuniões de oração são essenciais a nossa Salvação (Hebreus 10,25), mas o local da reunião, não. Pode ser numa bela catedral, bem como em uma capelinha simples, ou uma simples igreja na periferia, pode ser celebrada dentro de um barraco, debaixo de um pé de árvore, ou ao ar livre como foi a primeira missa no Brasil, ou até mesmo dentro de uma prisão, etc.


4)-É essencial à nossa Salvação, termos doutores na Igreja, versados nas escrituras e na doutrina, mas não é essencial a nossa salvação que sejamos todos doutores. Repito, para não ficar dúvidas: É importante ressaltar que, há coisas que embora estejam fora do Credo Apostólico, e que não sejam essenciais, são importantes. Para participar das reuniões Cristãs e Celebrações Eucarísticas, é importante, mas não é essencial a salvação ter uma Bíblia na mão.



5)-Não é essencial a salvação ter instrumentos musicais, mas é importante e agradável a Deus cantar com um acompanhamento musical de qualidade. 


6)-Naquilo que não é essencial à nossa fé, Deus pode nos dá sim a liberdade. Na carta a Diogneto no sec II, portanto ali ainda no início do Cristianismo, lá se afirma que:


“Dai a cada um o que lhe é devido: o imposto a quem é devido; a taxa a quem é devida; a reverência a quem é devida; a honra a quem é devida [Rom 13,7]. Os cristãos residem em sua própria pátria, mas como residentes estrangeiros. Cumprem todos os seus deveres de cidadãos e suportam todas as suas obrigações, mas de tudo desprendidos, como estrangeiros. Obedecem as leis estabelecidas, e sua maneira de viver vai muito além das leis.Tão nobre é o posto que lhes foi por Deus outorgado, que não lhes é permitido desertar” (5,5; 5,10;6,10). Os cristãos não diferem dos demais homens pela terra, pela língua, ou pelos costumes. Não habitam cidades próprias, não se distinguem por idiomas estranhos, não levam vida extraordinária. Além disso, sua doutrina não encontraram em pensamento ou cogitação de homens desorientados. Também não patrocinam, como fazem alguns, dogmas humanos. Qualquer terra estranha é pátria para eles; qualquer pátria, terra estranha. Tem a mesa em comum, não o leito. Vivendo na carne, não vivem segundo a carne. Na terra vivem, participando da cidadania do céu. Obedecem às leis, mas as ultrapassam em sua vida. Amam a todos, sendo por todos perseguidos. E quando entregues à morte, recebem a vida. Na pobreza, enriquecem a muitos; desprovido de tudo, sobram-lhes os bens. São desprezados, mas no meio das desonras, sentem-se glorificados. Difamados, mas justo; ultrajados, mas benditos, injuriados prestam honra. Fazendo o bem são punidos como malfeitores; castigados, rejubilam-se como revificados. Os judeus hostilizam-nos como alienígenas; os gregos os perseguem, mas nenhum de seus inimigos pode dizer a causa de seu ódio. Para resumir, numa palavra, o que é a alma no corpo, são os cristãos no mundo: como por todos os membros do corpo está difundida a alma, assim os cristãos, por todas as cidades do universo...”


7)-Acreditamos sim (não como justificativa para libertinagem), que onde está o Espírito do Senhor há verdade, justiça e perseverança nas coisas essenciais à nossa fé, mas onde há o Espírito do Senhor também há liberdade (2 Co 3,17). Mas a nossa liberdade não pode ser usada para dar ocasião à carne e ao pecado (Gl 5,13).


“Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas convêm; nem todas edificam” (1Cor 10,23)




EM TUDO A CARIDADE...



Nas coisas, situações, fé e crenças essenciais devemos crer e praticar com amor e por amor. Nas coisas, situações, fé, conceitos e práticas não essenciais devemos crer e praticar com amor e por amor.
Pois como muito bem afirma em 1Cor 13, que quem não ama, suas palavras são como o som de um bronze (gongo) que soa ou como o címbalo que retine; nada lhe será aproveitado. Não será reconhecido como discípulo(a) de Jesus (João 13,34-35). Não tem cumprido a lei (Rm 13,8-10). Não conhece a Deus (1Jo 4,8). Não será reconhecido por Deus (Mt 25,41- 46; Ap 2,10; Ap 3,1).


No juízo final, os eleitos de Deus não entrarão no céu como a fé e a esperança, pois já não precisaram mais dela, mas, conviverão por toda a eternidade com a caridade.



ARGUMENTAÇÃO MODERADA AO PRINCÍPIO INICIAL DESTA MATÉRIA:



A reforma protestante tentou produzir uma nova igreja, que estaria unida na adoração e livre das práticas Romanas. Todavia, hoje existem milhares de denominações cristãs. A Reforma fracassou em trazer a tão esperada unidade. Hoje os cristãos estão totalmente divididos em questões importantes, ESSENCIAIS E NÃO ESSENCIAIS, tais como:


-Crença ou descrença na divindade de Jesus.


-Tradição, Palavra e Magistério versus a Sola Escriptura de Lutero. 


-Batismo de Crianças e o rebatismo de adultos oriundos de outras denominações. 

-Dia do juízo final. 

-Quem é o ante Cristo.

-Arrebatamento e reino milenar. 

-Quem é a Babilônia. 

-Comportamento moral e vestimentas. 

-Consciência, ou não, da alma após a morte e a possibilidade de interceder junto a Cristo. 

-Aborto, uso camisinha e métodos artificiais de controle da natalidade.

-Indissolubilidade do matrimônio, etc. 



Infelizmente, estamos divididos também, por questões menores, tais como: 


-Detalhes doutrinais: (Imaculada concepção e Virgindade perpétua de Maria).

-Interpretação profética particular(pessoal), igreja local e igreja universal.

-Conflitos de personalidade. 



Paulo disse:



“Há um só corpo e um só espírito, assim como também fostes chamados em uma só esperança a que fostes chamados; um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por intermédio de todos, e em todos...” (Efésios 4,4-6)


Como se pode conseguir isso? 

Como as lideranças Cristãs e os próprios Cristãos podem trabalhar neste sentido da unidade na diversidade?


Eis ai o que algumas lideranças Cristãs sugerem como princípio orientador:




“Nas coisas essenciais, unidade; em coisas não essenciais, liberdade; em todas as coisas, o amor.”




Focar nas Coisas Essenciais, que são as crenças e práticas bíblicas absolutamente necessárias para a salvação. Infelizmente, algumas organizações religiosas desenvolveram sistemas de crenças além destes elementos essenciais, que são impostos aos seus seguidores. 






Em seu livro A Razoabilidade do Cristianismo”, escrito originalmente em inglês em 1695, o grande filósofo e escritor cristão John Locke, protestou contra isso. Note-se que ele estava protestando contra a Igreja reformada Anglicana da Inglaterra, não contra a Igreja Católica Romana:



“Eu permito que os fabricantes de sistemas e seus seguidores inventem e usem as distinções que quiserem e chamem as coisas pelos nomes que eles acharem bom. Mas não posso permitir a eles, nem a qualquer homem, a autoridade de fazer uma religião para mim ou alterar o que Deus revelou. Devemos diferenciar claramente as coisas essenciais bíblicas das coisas que os “fabricantes de sistemas” elaboram. Devemos examinar as Escrituras para ver quais eram as crenças essenciais que Jesus e os apóstolos pregavam e, mais especificamente, quais eram as crenças consideradas essenciais para a salvação. Uma boa regra geral quando se tenta determinar a verdade bíblica é a seguinte: Se um ensinamento é declarado explicitamente na Bíblia, então devemos acreditar nele. Se for uma interpretação ou opinião do homem, então ela deve ser encarada como uma tentativa ou como algo de importância secundária, temporal, contextual e para explicitar melhor algo. Pode ser, ou  não, verdade. Por exemplo, um ensino explícito da Bíblia é “Jesus é o Cristo”, ou “Deus criou os céus e a terra.” Estes ensinamentos são clara e inequivocamente declarados nas Escrituras e temos de acreditar neles se cremos que a Palavra de Deus é verdadeira...”



Exemplos de interpretações pessoais equivocadas e não essenciais:



1)-Ficar fazendo proselitismo, rotulando outas pessoas e denominações de a “Babilônia, ou pertencentes a religião falsa, e quando pior, já condenando-os.


2)-Afirmar de forma categórica e revanchista que Reino de Deus se expressa e se desenvolve tão somente por meio das igrejas protestantes ou católica.


3)-Ficar acusando uns aos outros de Luterólatras, papólatras, idólatras,hereges, etc.



Estas acusações sempre partem de interpretações particulares de alguma liderança ou estudioso da bíblia equivocado(a), não há como se ter uma certeza unânime, ou pelo ao menos da grande maioria dos Cristãos, porque elas são meras interpretações pessoais e não ensinamentos bíblicos explícitos.



Jamais deveríamos tentar impor opiniões ou interpretações pessoais das Escrituras aos nossos irmãos em Cristo. Os cristãos não são obrigados a acreditar nestas coisas não essenciais. Nenhum homem ou grupo religioso que se diga Cristão, tem autorização para impor crenças periféricas e não explícitas, alegando que elas são essenciais. É claro que a crença em Jesus implica numa crença em Deus, o Pai de nosso Senhor, que o enviou. Não podemos acreditar em Jesus sem crer em Deus, o Pai, Criador de todas as coisas e no Espírito Santo que falou pela boca dos profetas.



E quanto ao Reino de Deus?



O Reino de Deus era central na pregação e no ensinamento de Jesus Cristo. Seus discípulos com menor intencidade, continuaram a pregar sobre o Reino de Deus após a morte e ressurreição dele, dando ênfase porém, ao poder salvador e libertador de Jesus (Atos 8,12, 19,8;28,31).



Mas, o que é o Reino de Deus?



É a prometida governança de Deus por meio de Seu Messias, Jesus Cristo. No futuro, o Messias reinará sobre a Terra, inaugurando uma era de retidão e justiça divina, em Céus Novos e Terras Novas, como nos diz o CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA baseado na Tradição, Palavra e Magistério:



Ao falar-se de céus novos e terra nova, a Igreja tem um papel fundamental para que os cristãos compreendam tal expressão, porque é Ela que será “consumada na glória celeste, quando chegar o tempo da restauração de todas as coisas, e com o gênero humano também o mundo todo, que está intimamente ligado ao homem e por meio dele atinge sua finalidade, encontrará sua restauração definitiva em Cristo” (Lumen Gentium, n. 48).  A Igreja ensina que essa realidade não acontecerá sem grandes provações. Só então, todos os justos, desde Adão, em seguida Abel, o justo, até o último eleito, serão congregados junto do Pai na Igreja universal (Cf. Catecismo da Igreja Católica, n. 769). Portanto, “no fim dos tempos, o Reino de Deus chegará à sua plenitude. Depois do Juízo Universal, os justos reinarão para sempre com Cristo, glorificados em corpo e alma, e o próprio universo será renovado” (CIC, 1042). Os detalhes de como acontecerão todas estas coisas não se sabe, mas a promessa do Senhor é que haverá transformação e renovação de todas as coisas.



Os judeus e os primeiros discípulos cristãos sabiam disso, com base em muitas profecias do Antigo Testamento (Salmo 2, Daniel 2,44). Ao aceitar Jesus como o Messias, estamos também o aceitando como nosso Rei, o prometido rei do Reino de Deus. Jesus Cristo é tanto sacerdote como rei à maneira de Melquisedeque (Heb. 5,6). Ele nos salva de nossos pecados e é a personificação e o representante do Reino de Deus, pois ele é o Rei desse Reino. Por mantermos Jesus Cristo central em nossas Igrejas, e não sistemas doutrinários, evitamos argumentos e divisões acerca de detalhes sobre quando e como será o Reino de Deus no futuro, que são em sua maioria de natureza interpretativa particular, e que portanto, não devem ser vistos como requisitos para a salvação.



As TRÊS coisas essenciais a nossa Salvação, que temos como Cristãos acatar, são:




1)- Existe um só Deus Criador, um só Messias Salvador e um só Espírito Santo santificador, que não são três deuses, mas um só Deus em três pessoas.



2)-A bíblia é a palavra de Deus confirmada pela Tradição e Magistério da Igreja, ou seja, foi a Igreja que confirmou a bíblia tal como ela é, e chegou até nós. A bíblia não caiu do Céu já prontinha com capa, zíper e dividida em capítulos e versículos.




3)-A Igreja foi querida por Deus, fundada por Ele (Mateus 16,18) e essencial à nossa salvação, e fora da Igreja de Cristo, não há salvação (João 14,6). Porém, por meios e caminhos desconhecidos por nós, Deus salvará aqueles(as) que não pertencem formalmente ao corpo da Igreja, mas à alma da Igreja, pois Ele deseja que TODOS e não apenas alguns sejam salvos (I Tim 2,4). E assegurou pela sua revelação que (independente de professar a fé Cristã):



Atos 10, 34-35: "Diante disto, Pedro começou a compartilhar: “Agora sim, percebo verdadeiramente que Deus não trata as pessoas com qualquer tipo de parcialidade, antes, porém, de todas as nacionalidades, recebe todo aquele que o teme e pratica a justiça".



Não devemos impor crenças adicionais aos nossos irmãos, alegando que estas são importantes para a salvação. Devemos manter Jesus Cristo por meio do Espírito santo, como central na adoração de nosso Pai Celestial, sempre lembrando o amor que o Pai teve por nós, dando seu Filho único para que pudéssemos ter vida, e nos deu a Promessa do Pai que é o Espírito santo para nossa Santificação e edificação da Igreja.


O cristão é encorajado a estudar a Palavra de Deus, meditar sobre ela, orar, ler boas publicações sobre o assunto e considerar isso com outros cristãos, conforme ele ou ela avança na maturidade cristã. É importante que todos nós façamos isso, mas é igualmente importante compreender que certas coisas não são essenciais para a salvação. De que coisas estamos falando? 



-Proclamações e Interpretações proféticas de caráter particular.

-Conceitos sobre o milênio e o arrebatamento.

-A natureza dos nossos novos corpos na ressurreição.

-Se Jesus teve ou não, irmãos.

-O lugar de Israel no propósito de Deus, e assim por diante.




ATENÇÃO! Todas estas, são sim, questões importantes para estudar e aprofundar, e muitos irmãos e irmãs têm desenvolvido alguns conceitos interessantes e dignos de reflexão. Mas, novamente, embora sejam questões importantes, elas não são essenciais para a salvação, segundo as Escrituras. 



Devemos permitir o máximo de liberdade aos nossos irmãos em coisas não essenciais, principalmente nas questões teológicas em aberto, ou seja, aquelas nas quais não se chegou ainda a um veredito final. Onde temos pontos de vista diferentes, em vez de entrar em argumentações demoradas, não bastaria declarar nossa posição, fazer uma consideração, e depois seguir em frente? Argumentos insistentes sobre questões não essenciais dividem e provocam sentimentos feridos e revanchistas adormecidos. Os cristãos devem, em vez disso, mostrar humildade, amor e paciência com seus irmãos e irmãs. Devemos ter fé em que Jesus Cristo, o cabeça da Igreja, sabe como ensinar cada um de nós. Então, mostremos paciência e permitamos que Ele mesmo faça isso a seu tempo, e não ao nosso. Uma palavra de cautela se faz necessária.



Não devemos tentar suprimir a discussão em nossas associações, numa tentativa de evitar argumentos. Esta não seria uma situação saudável. Nossos irmãos e irmãs devem poder expressar sim suas convicções, tirar suas dúvidas numa atmosfera sincera de liberdade, e devemos ouvi-los respeitosamente. Devemos tentar arduamente entender o que eles estão dizendo e por que eles acreditam no que acreditam. Jamais devemos ridicularizar alguém por ter determinada convicção, mas devemos simplesmente apresentar a nossa visão bíblica, baseada na tradição dos primeiros Cristãos, confirmada pelo magistério milenar da Igreja, e confiar no Senhor para conduzi-los em seu tempo devido. Devemos ter também, a humildade de admitir quando estamos errados, e estarmos dispostos a mudar nossas convicções pessoais quando se comprovam equivocadas.





A doutrina correta é importante se estamos adorando em “espírito e verdade” (João 4,23-24). Mas é primariamente o amor que identifica os verdadeiros discípulos de Jesus. Notemos até que ponto o amor cristão baseado em princípios começa com Jesus e seu Pai:


Respondeu Jesus: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra. Meu Pai o amará, nós viremos a ele e faremos nele morada.” (João 14,23)



“Eu os fiz conhecer o teu nome, e continuarei a fazê-lo, a fim de que o amor que tens por mim esteja neles, e eu neles esteja.” (João 17,26)



Observe o encorajamento para amar os nossos irmãos e irmãs:



“Um novo mandamento lhes dou: Amem-se uns aos outros. Como eu os amei, vocês devem amar-se uns aos outros. Com isso todos saberão que vocês são meus discípulos, se vocês se amarem uns aos outros.” (João 13,34-35)


“O meu mandamento é este: amem-se uns aos outros como eu os amei. Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida pelos seus amigos.” (João 15,12-13)


“Não devam nada a ninguém, a não ser o amor de uns pelos outros, pois aquele que ama seu próximo tem cumprido a lei.” (Rom.13,8)


“O conhecimento traz orgulho, mas o amor edifica”  (1 Coríntios 8,1)


“Dediquem-se uns aos outros com amor fraternal. Prefiram dar honra aos outros mais do que a si próprios.” (Romanos 12,10)


“Irmãos, vocês foram chamados para a liberdade. Mas não usem a liberdade para dar ocasião à vontade da carne; pelo contrário, sirvam uns aos outros mediante o amor.” (Gal. 5,13)


Os verdadeiros cristãos são identificados por este amor, não pela aderência a algum código doutrinário. O amor baseado em princípios cristãos é realmente a mais poderosa fonte de unidade, muito mais poderoso do que a concordância estrita com um sistema doutrinário. Se a pessoa de Jesus Cristo é central, e temos profundo amor e devoção a ele e a nosso Pai Celestial, bem como a nossos irmãos e irmãs, dificilmente surgirão divisões. Num ambiente assim, a verdade doutrinal emergirá cada vez mais, conforme o Senhor conduz gentilmente cada cristão em sua caminhada com Ele.


Em vez de impor doutrinas, nós permitimos que a verdade surja naturalmente, por meio da orientação do Espírito Santo, à luz das Escrituras, e sob a liderança do nosso Senhor e Mestre, Jesus Cristo.



Há hoje uma forte tentação de se colocar a caridade sem viver a verdade; e isso a desvirtua. Deus é amor, mas também é justiça




A verdade e a caridade são duas virtudes fundamentais para a nossa salvação. Uma não pode ser vivida sem a outra, desprezando a outra, pois uma perde o seu valor se não observar a outra. Sem verdade não há verdadeira caridade e não pode haver salvação.São Paulo disse que “a caridade é o vínculo da perfeição” (Col 3, 14); “A ciência incha mas a caridade edifica” (1Cor 8,1); “A caridade não pratica o mal contra o próximo. Portanto, a caridade é o pleno cumprimento da lei” (Rom 13, 10); “Tudo o que fazeis, fazei-o na caridade” (1 Cor 16, 14); “Mas, pela prática sincera da caridade, cresçamos em todos os sentidos, naquele que é a cabeça, Cristo” (Ef 4, 15).Jesus disse: “Eu sou a Verdade” (Jo 14,6). 


O Antigo Testamento atesta: Deus é fonte de toda verdade (Pr 8,7; 2Rs 7,28). Sua Palavra é a verdade. Deus é “veraz” (Rm 3,4). Em Jesus Cristo, a verdade de Deus se manifestou plenamente. “Cheio de graça e verdade” (Jo 1,14).São Paulo disse a S. Timóteo que “Deus quer que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade” (1Tm 2,4). Deus quer a salvação de todos pelo conhecimento da verdade.


O nosso Catecismo afirma com todas as letras:

 “A salvação está na verdade” (Catecismo n. 851).

“A Igreja é a coluna e o fundamento da verdade” (1Tm 3,15).


Sem a Igreja o edifício da verdade não fica de pé. São Paulo recomenda a São Tito:


“…firmemente apegado à doutrina da fé tal como foi ensinada, para poder exortar segundo a sã doutrina e rebater os que a contradizem” (Tito 1,9).


“O teu ensinamento, porém, seja conforme à sã doutrina” (Tito 2,1).


“…e mostra-te em tudo modelo de bom comportamento: pela integridade na doutrina...” (Tito 2,7).


Os discípulos viviam segundo esta verdade de Deus revelada aos apóstolos:

“Perseveravam eles na doutrina dos Apóstolos, na reunião em comum, na fração do pão e nas orações” (At 2, 42).


Jesus mostrou toda a força da verdade:


“Mas aquele que pratica a verdade, vem para a luz. Torna-se assim claro que as suas obras são feitas em Deus” (Jo 3, 21).


“Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” (Jo 8,23).


Jesus mostrou aos discípulos na última Ceia, que o Espírito Santo é a fonte da Verdade; e é Ele que conduzirá a Igreja `a “plenitude da verdade” em relação à doutrina:


“Quando vier o Paráclito, o Espírito da Verdade, ensinar-vos-á toda a verdade” (Jo 16, 13)


A verdade de Jesus nos santifica:


“Santifica-os pela verdade. A tua palavra é a verdade” (Jo 17,17).

 “Santifico-me por eles para que também eles sejam santificados pela verdade” (Jo 17,19).


Por tudo isso, Jesus veio ao mundo para dar testemunho da verdade:


“Perguntou-lhe então Pilatos: És, portanto, rei? Respondeu Jesus: Sim, eu sou rei. É para dar testemunho da verdade que nasci e vim ao mundo. Todo o que é da verdade ouve a minha voz” (Jo 18,37).



Muitos querem apenas o “Deus que é Amor”, mas se esquecem do Deus que é também a Verdade. Esta é uma “porta estreita” que muitos não querem entrar, mas é a “porta da vida” (Mt 7,13). A Igreja é muitas vezes criticada exatamente porque não abre mão da verdade. Não aceita fazer a caridade sem observar a verdade. Paulo VI disse que:

“O mal do mundo é propor soluções fáceis para problemas difíceis. São soluções que não resistem a uma análise ética e moral porque não respeitam a verdade revelada. ”



Santo Agostinho recomendava com sua sabedoria e santidade:


“Não se imponha a verdade sem caridade, mas não se sacrifique a verdade em nome da caridade”.


Muitos querem ser bonzinhos e sacrificam a verdade em nome da caridade; é o relativismo moral, que passa por cima do que a Igreja ensina no Catecismo. A caridade sem observar a verdade é ser maquiavélico; isto é, aceitar que “os fins justificam os meios”. São Tomás disse que a base da moral é esta:


“Não é lícito fazer o bem por meios maus”


Bento XVI disse na sua encíclica “Caritas in veritate” que:


“A caridade sem a verdade é sentimentalismo”


Não posso, por exemplo, querer fazer caridade com dinheiro roubado, ou tirado do narcotráfico. Não posso ajudar os pobres usando da corrupção.



Não posso, “por caridade” dizer a um casal de segunda união que podem comungar, ou dizer a uma dupla de homossexuais que o amor deles justifica a sua vida sexual. Não se pode dizer aos jovens que namoram que o amor deles justifica o sexo antes do casamento. Não se pode recomendar o uso da “camisinha” para evitar a AIDS, porque é um meio é mau, imoral, que estimula o sexo fora do casamento.




Não se pode promover a justiça através da luta de classes, e do desrespeito às leis. Não se pode invadir terras e casas dos outros para promover a justiça. Os fins não justificam os meios. E isto acontece quando a caridade é vivida sem observar a verdade. E assim por diante, vemos hoje muitos sacrifícios da verdade de Deus em nome de uma “falsa caridade”. A verdade norteia o bom uso da caridade, para que ela não se desvirtue. Sem a verdade a caridade é falsa, e não pode haver salvação.



A diferença entre a justiça e a caridade



Sabemos que Deus é amor e justiça; mas qual é a diferença entre justiça e caridade? O grande professor Dr. Cesar Saldanha, católico fervoroso, doutor em Ciências políticas, costuma contar nos Encontros que tenho participado de “Fé e Política”, uma história muito interessante:


“Ele conta que seu querido pai era juiz do trabalho em Porto Alegre, e buscava sempre que possível a reconciliação de patrão com o empregado nas causas trabalhistas. E certa vez, um patrão e empregado que não se entendiam, e ele teve de declarar a sentença sem o acordo do patrão. Este então, bravo, tirou o dinheiro do bolso, jogou na mesa da audiência e disse ao empregado: Toma aí, uma esmola! O empregado, humilhado e sem jeito, pegou devagar o dinheiro e colocou-o no bolso. Então, o pai do Dr. Cesar disse a patrão: Muito bem, você fez um gesto bonito, deu-lhe uma esmola. Agora você vai pagar a ele o que você lhe deve. O patrão reclamou e disse: Mas eu já lhe paguei!  E o juiz lhe disse: não, você lhe deu uma esmola, fez um ato de amor, uma caridade; agora vamos fazer a justiça, ou seja, você agora vai pagar o que lhe é de direito. E o patrão teve de tomar o cheque e pagar todos os direitos trabalhistas daquele seu ex-empregado...”



Justiça é dar a cada um, o que lhe é de direito; caridade, amor, é dar daquilo que é “meu”.


A justiça se exerce pelo Direito, sem ela não pode haver a caridade, pois a justiça define o que é meu. Sem saber o que é meu, não posso fazer a devida caridade; pois “não se pode fazer caridade com o chapéu do outro”, com os bens do outro. A justiça e o Direito são necessários, mas não são suficientes para que uma sociedade viva bem.


Prof. Felipe Aquino - Cleofas





Não há caridade sem a verdade


(Por professor Orlando Fedeli)

“Sem Fé é impossível agradar a Deus” (Heb 1, 6).



Desde sua primeira encíclica, Deus caritas est, o Papa Bento XVI tem salientado como a palavra amor tem sido deturpada em nosso tempos:


“O termo «amor» tornou-se hoje uma das palavras mais usadas e mesmo abusadas, à qual associamos significados completamente diferentes” (Bento XVI, Deus caritas est, n2).



Mais ainda do que abusado, o termo amor foi sendo prostituído em nossos dias. Sobretudo nos sermões progressistas e na CEB’s quando amor passou a ser simples filantropia.


Como principiou essa prostituição do termo amor?


Como se processou essa deturpação semântica, pensada e planejada, a fim de levar a confundir amor com filantropia ou com mera solidariedade?

Como se passou do conceito católico de amor como virtude teologal da Caridade, até reduzi-lo ao nível puramente animal, depois de o ter feito passar pela confusão de amor com mero sentimento?


Certamente, o processo de deturpação do sentido da palavra "amor" foi longo. Bento XVI, em sua aula magistral de Regensburg, apontou a origem de toda a derrocada metafísica na Cristandade com filosofia voluntarista de Duns Scoto. De fato, o voluntarismo da filosofia de Duns Scoto fez colocar o querer, isto é, o amor acima do conhecer, iniciando um processo que culminaria no Romantismo e no modenismo atuais. Não se pode negar que Pascal e o Romantismo prosseguiram esse processo de deturpação da caridade, amor sobrenatural, desvinculando o querer da conhecimento.É bem conhecida a frase do jansenista Pascal de que “O coração tem razões que a própria razão desconhece”.



Para os românticos subjetivistas (defensores já não do penso, logo existo, mas do SINTO, LOGO EXISTO), o amor era completamente separado da razão. Mais ainda, os românticos consideravam que o amor necessariamente devia ser irracional. Devia ser uma paixão desprovida de racionalidade. Devia ser mero sentimento.



Por isso Rousseau, para citar um sentimental romântico dos mais explícitos e dos mais conhecidos, o homem devia se deixar levar só pelo coração, pelo sentimento, não pela razão:


“Existir, para nós, é sentir; incontestavelmente nossa sensibilidade é anterior à nossa inteligência, e nós antes tivemos sentimentos do que idéias” (Jean-Jacques Rousseau, La profession de foi du Vicaire Savoyard, n0 1036).



Rousseau irá mais  longe ainda em seu repúdio à racionalidade, ao escrever:


Ouso quase assegurar que o estado de reflexão é um  estado contrário a natureza, e que o homem que medita é um animal depravado...” (Jean-Jacques Rousseau, Discurso sobre a Origem da desigualdade entre os homens, I Parte, In Os Pensadores, XXIV,  Abril Cultural, p.247).



E, no Romantismo alemão, Novalis defenderá a mesma tese irracionalista: 


“O pensamento é apenas o sonho do sentir, é um sentir entorpecido” (Apud Gerd  Bornheim, A Filosofia do Romantismo, in J. Guinsburg, O Romantismo, ed. Perspectiva, Sâo Paulo, 1978, p. 96).



Essa primazia do sentimento, típica do Romantismo, vai ser adotada até por autores que se apresentam como católicos tradicionalistas, como Plinio Corrêa de Oliveira, o fundador da TFP. Plínio valorizava antes o sentir do que o compreeder. Por exemplo, no artigo “O Senso Comum e a Procura do Absoluto(In Revista “Dr. Plínio”, N0 71, Fevereiro de 2.004, p. 27 -30), ele afirma que:



“O primeiro passo para saborear os bens espirituais, consiste em sentir. Não se trata apenas, ou sempre, de fazer a explicitação das coisas percebidas pelos sentidos. O passo inicial indispensável é uma espécie de sentir do qual nascerá mais tarde a explicitação. Esta seria o segundo estágio, menos imprescindível, enquanto o primeiro é o mais precioso, porque dele depende o resto do processo...” (Plínio Corrêa de Oliveira, O Senso Comum e a Procura do Absoluto”, in Revista “Dr. Plínio”, ano VII, N0 71, Fevereiro de 2.004, p. 27. Os destaques são meus).


Portanto, o fundamental e o mais precioso seria o sentir. Explicitar seria menos importante do que o sentir. E ele insiste nesse ponto como fundamental:


Insisto na importância desse primeiro sentir: sem uma espécie de vivência (palavra perigosa, mas adequada às nossas reflexões) muito rica do objeto ou situação apreendidos pelos sentidos, as etapas posteriores serão nulas” (Plínio Corrêa de Oliveira, O Senso Comum e a Procura do Absoluto”, in Revista “Dr. Plínio”, ano VII, N0 71, Fevereiro de 2.004, p. 27, O destaque é nosso).



Portanto, um primeiro sentir “vivencial” seria o essencial para a compreensão.No fim do século XIX, amar  se confundiu com o agir. Em Blondel, filósofo do Modernismo, o querer permitiria o conhecer. Daí sua defesa da “ação”. Depois dele, houve uma difusão pandêmica do voluntarismo e do puro agir confundido com o fazer:


Sorrel defendeu a ação sindical. Lenin fez do marxismo uma ação revolucionária profissional. Mussolini exaltou a ação. Marinetti, nos Manifestos do Futurismo, pediu o incêndio das bibliotecas, cantou o valor do soco, a mística da violência, a força do motor à explosão. Essa exaltação da vontade ia triunfar nos movimentos totalitários de direita e de esquerda.



Infelizmente, por culpa da infiltração modernista na Igreja, até nos movimentos católicos triunfou a mística da ação:


A Acão Católica, lançada por Pio XI, fundamentou-se mais no agir do que no conhecimento da verdade. Portanto, mais na ação do que na Fé. E a caridade se transformou em ativismo político. Com o tempo, essa capitulação fez com que os movimentos de ação “católica” acabassem por se unir ao movimento comunista internacional, passando a agir até mesmo na guerrilha armada marxista, do matai-vos uns aos outros, a reboque do Partido Comunista.

Ora, é impossível amar sem conhecer. Ninguém pode querer xoró no avesso. Porque ninguém pode conhecer xoró, pois xoró não existe. Imagine-se, então, como seria possível amar, querer xoró, um ser inexistente, e ainda pior: no avesso. É o conhecimento da inteligência que move a vontade a querer. Por isso não pode haver caridade sem a Fé.


Infelizmente, a Igreja Latino Americana, depois da Conferência de Medellin sancionou a caridade como ação revolucionária:


Daí é que nasceu a Teologia da Libertação que confunde redenção católica com “libertação” comunista do proletariado. Essa teologia marxista fez da agitação política “amor”. Confundiu caridade com ação revolucionária e fez de Cristo um rebelde, renegando o redentor e sua Cruz.


Nas paróquias menos ideologizadas, o amor passou a ser simplesmente distribuir comida para favelados, a reboque dos revolucionarios.


No Brasil, as Campanhas da Fraternidade se tornaram idênticas à filantropia maçônica e espírita Kardecista


Houve até um  Cardeal que lançou uma campanha de coleta de agasalhos para os pobres, no inverno, usando como mote, como canção-símbolo, uma musiquinha completamente pagã que cantarolava satanicamente:



“Quero que você me aqueça nesse inverno,
E que tudo o mais vá para o inferno...”


Versos que se referiam ambiguamente a um amor físico, unido ao desejo de que tudo o mais, “caridosamente”, fosse para o inferno. Hoje, esse amor sem verdade, esse querer sem conhecer, levou ao triunfo do egoísmo e da violência. Que tudo vá para o inferno, desde que eu tenha prazer, como um Cardeal fez cantar nas paróquias. Hoje, infelizmente, tudo está realmente indo “para o inferno”.


Ainda que Bento XVI tenha apresentando a encíclica Caritas in veritate como continuadora da Populorum progressio de João XXIII, na qual acreditamos que ele tentou fazer como uma correção, ou evolução deste ensino não dogmático, por verdadeiro e magistral malabarismo torcicoloso da hermenêutica teológica e fenomenológica, Bento XVI finalmente condena o falso amor sem a verdade:


 “Só na verdade é que a caridade refulge e pode ser autenticamente vivida. A verdade é luz que dá sentido e valor à caridade. Esta luz é simultaneamente a luz da razão e a da fé, através das quais a inteligência chega à verdade natural e sobrenatural da caridade: identifica o seu significado de doação, acolhimento e comunhão. Sem verdade, a caridade cai no sentimentalismo. O amor torna-se um invólucro vazio, que se pode encher arbitrariamente. É o risco fatal do amor numa cultura sem verdade; acaba prisioneiro das emoções e opiniões contingentes dos indivíduos, uma palavra abusada e adulterada chegando a significar o oposto do que é realmente. A verdade liberta a caridade dos estrangulamentos do emotivismo, que a despoja de conteúdos relacionais e sociais, e do fideísmo, que a priva de amplitude humana e universal. Na verdade, a caridade reflete a dimensão simultaneamente pessoal e pública da fé no Deus bíblico, que é conjuntamente «Agápe» e «Lógos»: Caridade e Verdade, Amor e Palavra” (Bento XVI, Caritas in veritate, n3).


Não mais que óbvio!Todo o falso amor, que atualmente é ensinado nos sermões progressistas, fica condenado por essa palavras de Bento XVI. Nunca se falou tanto de amor, nas homilias. Nunca o amor foi tão esquecido como em nosso dias. Ahhh o amor!!! Mas qual a amor? O de Deus? Ou, o depravado amor humano?...Hoje em dia não há palavra mais desgastada que a palavra amor. Hoje, o amor significa "tô afim", significa apenas desejo momentâneo e meramente genital. Os membros do Estado Islâmico dizem que "amam" matar os infiéis, os drogados "amam" as drogas, os defensores do casamento gay dizem que os gays podem se casar porque "se amam". Os defensores da poligamia  também querem se casar, porque se amam. Daqui a pouco os defensores do incesto, da Zoofilia e da pedofilia dirão o mesmo. A  palavra "amor" deveria sofrer uma moratória, fosse apenas usada com o mesmo respeito que os judeus usam a palavra Deus (no tetragrama YWHW). Eles têm medo de falar a palavra Deus, por receio de usar a palavra em vão. Deveríamos hoje também reverenciar a palavra AMOR, pois o mundo hoje "ama" os pecados e odeia as virtudes.


Quando muito, amor é emotividade, sentimentalismo, filantropia. Jamais ele se identifica com a verdadeira caridade, que só pode existir com a verdade, isto é, com a Fé.Pois ensina o Apóstolo que “Sem fé, é impossível agradar a Deus” (Heb.11, 6).E o Apóstolo diz ainda:


Tudo o que não é segundo a fé, é pecado”(Rom 14,23).


Portanto, toda heresia, negando a Verdade revelada, destrói a Fé. E sem a Fé não há verdadeira caridade. Não há amor. Não pode haver amor e virtude sobrenaturais. É o que ensina São Paulo.Bento XVI insiste que a caridade não é sentimentalismo:


O amor não é apenas um sentimento” (Bento XVI, Deus caritas est, no  17).


E o Papa salienta que “Os sentimentos vão e vêm”(idem), mas a caridade permanece. O verdadeiro amor é constante e fiel à verdade que o gerou.E nem a caridade católica é mero assistencialismo:



“Por isso, é muito importante que a atividade caritativa da Igreja mantenha todo o seu esplendor e não se dissolva na organização assistencial comum, tornando-se uma simples variante da mesma (Bento XVI, Deus caritas est, no  31).



A caridade não deve ser exercida apenas individualmente. A caridade exige a justiça também na sociedade.Na sociedade moderna, integralmente humanista, isto, é totalmente pagã, pois retirou Deus do centro de tudo. Não há verdadeira Fé e, portanto, não pode haver verdadeira caridade. Por isso, no mundo moderno não há paz. E Bento XVI recorda o que:


Só a defesa da Verdade permite que haja verdadeira caridade. A caridade na verdade, que Jesus Cristo testemunhou com a sua vida terrena e sobretudo com a sua morte e ressurreição, é a força propulsora principal para o verdadeiro desenvolvimento de cada pessoa e da humanidade inteira. O amor — « caritas » — é uma força extraordinária, que impele as pessoas a comprometerem-se, com coragem e generosidade, no campo da justiça e da paz. É uma força que tem a sua origem em Deus, Amor eterno e Verdade absoluta. Cada um encontra o bem próprio, aderindo ao projeto que Deus tem para ele a fim de o realizar plenamente: com efeito, é em tal projeto que encontra a verdade sobre si mesmo e, aderindo a ela, torna-se livre (cf. Jo 8, 22). Por isso, defender a verdade, propô-la com humildade e convicção e testemunhá-la na vida são formas exigentes e imprescindíveis de caridade. Esta, de fato, « rejubila com a verdade » (1 Cor 13, 6) (Bento XVI, Caritas in veritate, n1).








Não existe santidade sem caridade. E não pode existir a caridade sem a verdade. Ora, assim como só se pode dar a saúde combatendo a doença, também só se pode defender e ensinar a verdade, condenando o erro oposto a ela.A caridade exige que se critique os erros do próximo e até mesmo que se os condene e que se os castigue. Pois o Catecismo ensina que ensinar os ignorantes e castigar os que erram são obras de misericórdia espiritual, portanto, obras de caridade, de amor verdadeiro. Infelizmente, a caridade de hoje, se pensa bem erradamente, que o amor proibe punir, corrigir, criticar e até castigar. O “é proibido proibir” da revolução Hippie, foi traduzido hoje como “Tudo é permitido”, menos claro, se praticar a verdade ainda que na caridade, para o mundo de hoje, basta a caridade sem verdade, pois esta última incomoda.



BIBLIOGRAFIA:

 

 

- LOCKE, John. A Razoabilidade do Cristianismo. Stanford University Press; 1ª edição (1 janeiro 1958)

 

- LOCKE, John. Carta acerca da tolerância. Tradução de Anoar Aiex.  2ª ed. São Paulo: Abril Cultural, 1978

 

- LOCKE, John. Ensaio acerca do entendimento humano. Tradução de Anoar Aiex. 2ª ed. São Paulo: Abril Cultural, 1978

 

-KELLER, Timothy. A fé na era do ceticismo: como a razão explica Deus. Trad. Regina Lyra. São Paulo: Vida Nova, 2014.

 

-GOHEEN, Michael W; BARTHOLOMEW, Craig G. Introdução à cosmovisão cristã: vivendo na intersecção entre a narrativa bíblica e a contemporânea. Trad. Márcio Loureiro Redondo. São Paulo: Vida Nova, 2016.

 

-PLANTINGA, Alvin. Crença cristã avalizada. Trad. Desidério Murcho. São Paulo: Vida Nova, 2018.

 



------------------------------------------------------

 

 

APOSTOLADO BERAKASH: Como você pode ver, ao contrário de outros meios midiáticos, decidimos por manter a nossa página livre de anúncios, porque geralmente, estes querem determinar os conteúdos a serem publicados. Infelizmente, os algoritmos definem quem vai ler o quê. Não buscamos aplausos, queremos é que nossos leitores estejam bem informados, vendo sempre os TRÊS LADOS da moeda para emitir seu juízo. Acreditamos que cada um de nós no Brasil, e nos demais países que nos leem, merece o acesso a conteúdo verdadeiro e com profundidade. É o que praticamos desde o início deste blog a mais de 20 anos atrás. Isso nos dá essa credibilidade que orgulhosamente a preservamos, inclusive nestes tempos tumultuados, de narrativas polarizadas e de muita Fake News. O apoio e a propaganda de vocês nossos leitores é o que garante nossa linha de conduta. A mera veiculação, ou reprodução de matérias e entrevistas deste blog não significa, necessariamente, adesão às ideias neles contidas. Tal material deve ser considerado à luz do objetivo informativo deste blog. Os comentários devem ser respeitosos e relacionados estritamente ao assunto do post. Toda polêmica desnecessária será prontamente banida. Todos as postagens e comentários são de inteira responsabilidade de seus autores e não representam necessariamente, a posição do blog. A edição deste blog se reserva o direito de excluir qualquer artigo ou comentário que julgar oportuno, sem demais explicações. Todo material produzido por este blog é de livre difusão, contanto que se remeta nossa fonte. Não somos bancados por nenhum tipo de recurso ou patrocinadores internos, ou externo ao Brasil. Este blog é independente e representamos uma alternativa concreta de comunicação. Se você gosta de nossas publicações, junte-se a nós com sua propaganda, ou doação, para que possamos crescer e fazer a comunicação dos fatos, doa a quem doer. Entre em contato conosco pelo nosso e-mail abaixo, caso queira colaborar:

 

filhodedeusshalom@gmail.com


Curta este artigo :

Postar um comentário

Conforme a lei o blog oferece o DIREITO DE RESPOSTA a quem se sentir ofendido(a), desde que a resposta não contenha palavrões e ofensas de cunho pessoal e generalizados.Os comentários serão analisados criteriosamente e poderão ser ignorados e ou, excluídos.

Quem sou eu?

Minha foto
CIDADÃO DO MUNDO, NORDESTINO COM ORGULHO, Brazil
Neste Apostolado promovemos a “EVANGELIZAÇÃO ANÔNIMA", pois neste serviço somos apenas o Jumentinho que leva Jesus e sua verdade aos Povos. Portanto toda honra e Glória é para Ele.Cristo disse-nos:Eu sou o caminho, a verdade e a vida e “ NINGUEM” vem ao Pai senão por mim" (João14, 6).Como Católicos, defendemos a verdade contra os erros que, de fato, são sempre contra Deus.Cristo não tinha opiniões, tinha a verdade, a qual confiou a sua Igreja, ( Coluna e sustentáculo da verdade – Conf. I Tim 3,15) que deve zelar por ela até que Ele volte(1Tim 6,14).Quem nos acusa de falta de caridade mostra sua total ignorância na Bíblia e de Deus, pois é amor, e quem ama corrige, e a verdade é um exercício da caridade.Este Deus adocicado,meloso,ingênuo, e sentimentalóide,é invenção dos homens tementes da verdade, não é o Deus revelado por seu filho: Jesus Cristo.Por fim: “Não se opor ao erro é aprová-lo, não defender a verdade é nega-la” - ( Sto. Tomáz de Aquino) “Não a nós, Senhor, não a nós, mas ao vosso nome dai glória...” (Salmo 115,1)

As + lidas!

 
Support : Creating Website | Johny Template | Mas Template
Copyright © 2013. O BERAKÁ - All Rights Reserved
Template Created by Creating Website Published by Mas Template
Proudly powered by Blogger