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A FALSA CITAÇÃO ATRIBUÍDA A VOLTAIRE: “Posso não concordar com uma só palavra sua, mas defenderei até a morte o seu direito de dize-la.”

Written By Beraká - o blog da família on domingo, 21 de outubro de 2018 | 12:32






*Por Ivan Bilheiro – Recanto das letras




François-Marie Arouet, mais conhecido pelo pseudônimo Voltaire (Paris, 21 de novembro de 1694 — Paris, 30 de maio de 1778), foi um escritor, ensaísta, deísta e filósofo iluminista francês. É uma dentre muitas figuras controversas do Iluminismo, cujas obras e ideias influenciaram pensadores importantes tanto da Revolução Francesa quanto da Americana. Escritor prolífico, Voltaire produziu cerca de 70 obras, em quase todas as formas literárias, assinando peças de teatro, poemas, romances, ensaios, obras científicas e históricas, mais de 20 mil cartas e mais de 2 mil livros e panfletos.Foi um defensor aberto da reforma social apesar das rígidas leis de censura e severas punições para quem as quebrasse. Por razões particulares, esse escritor e homem do mundo alimentava um ódio feroz em relação às religiões e particularmente à Igreja Católica à qual só se referia em seus textos com a abreviatura: "L’Inf" de L’Infâme (A Infame).




A França inteira morrendo na guilhotina




“Repleta teu cesto divino com a cabeça de tiranos... Santa Guilhotina, protetora dos patriotas, Rogai por nós. Santa Guilhotina, calafrio dos aristocratas, Protegei-nos!” - (Prece revolucionária, 1792-1794)


























Instalada a máquina da morte por um tempo na Place du Carroucel, esta logo revelou-se estreita para o grande afluxo de gente que desejava assistir as execuções. Quando se deu o guilhotinamento de Luís XVI, em 21 de janeiro de 1793, tiveram que encontrar um espaço mais amplo, fixando-a na Place de la Concorde, rebatizada como Place de la Révolution. Nela seguramente cabia uns 20 mil espectadores, se incluirmos as pessoas que acompanhavam os eventos do alto dos balcões dos prédios que cercavam a praça (os moradores costumavam alugar as sacadas para os que vinham do interior ou para gente dos outros bairros). Sempre presentes, na primeira fila do cadafalso, injuriando os condenados, estavam as tricoteuses, mulheres velhas que passavam o tempo fazendo os seus tricôs ao pé da guilhotina, lançando palavra terríveis aos que iam entregando a cabeça decepada ao cesto imundo de sangue, que ficava postado logo abaixo da lâmina caída. Quando a multidão tinha um particular ódio por um dos sentenciados, como ocorreu no caso da rainha Maria Antonieta, era praxe o carrasco erguer a cabeça dele pelos cabelos para que uma onda de impropérios o enxovalhasse no momento daquela triste despedida. No auge do terror a máquina alimentava-se com umas trinta cabeças por dia. Tratava-se de um espetáculo de vingança coletiva, no qual a massa popular encenava o seu acerto de contas com a nobreza deposta e seus adeptos. Anteciparam as grandes encenações outras que irão se repetir durante as situações revolucionárias do século XX, na Rússia comunista de 1917, na Alemanha nazista de 1933, na Itália fascista de 1922, ou nos julgamentos de massa dos seguidores da ditadura batistista feitas na Cuba revolucionária em 1959.

(Em nome da DEUSA RAZÃO foram cometidas as maiores irracionalidades durante a revolução)




Investigações afirma que a mais famosa das frases atribuídas ao filósofo francês jamais foi escrita ou proferida pelo autor de Cândido:




O pensamento filosófico, rico que é, já cunhou uma série de expressões que, bem empregadas ou não, tornaram-se largamente conhecidas. É o caso, para ficar em um só exemplo, da famosa máxima de Maquiavel: "os fins justificam os meios" (a qual figura no capítulo XVIII de sua magnum opus O príncipe). Nesta linha, no entanto, aparecem frases que, ainda tomadas como emblemáticas, não podem ser verdadeiramente creditadas aos supostos autores. É possível que existam diversas situações não esclarecidas em que isso ocorre, o que, diga-se de passagem, macula o estudo de Filosofia mais do que os próprios supostos autores. Mas há um caso ícone, o de François- Marie Arouet, mais conhecido pelo cognome Voltaire (1694-1778).



Apesar de ser frequentemente citada, inclusive em livros didáticos, como síntese de uma filosofia, a frase: "Posso não concordar com o que você diz, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-lo" (que pode aparecer escrita com algumas pequenas variações) não é fruto da sagaz pena de Voltaire. 



Todo um retrato do pensamento voltairiano, foi construído em torno a essa citação, tomando o filósofo, a partir daí, como um iluminista plena e irresolutamente comprometido com a liberdade de expressão, cuja bandeira de luta seria a tal frase, assimilada como um lema. Uma busca pelos escritos de Voltaire, entretanto, planta a dúvida: onde está a afamada afirmação? A investigação por esse caminho é, contudo, vã, pois não há, em nenhum texto do filósofo, a preciosa frase. Algo tomado quase pacificamente como o resumo do pensamento voltairiano revelando-se apócrifo é mesmo o germe de uma pesquisa, e a investigação revela-se frutífera.Nota-se, portanto, que a expressão "Posso não concordar com o que você diz, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-lo" é uma daquelas frases que muitos leram, alguns citaram e quase ninguém pesquisou de onde verdadeiramente veio (e de quem é!). Há um grande risco na falta de precisão em casos assim, porque uma falsa atribuição nem sempre enobrece um autor. Na verdade, como pode-se verificar, a tão citada frase foi elaborada por uma biógrafa de Voltaire, em uma obra do início do século 20 - portanto, bem distante do período de vida e produção do filósofo francês. 




(A Verdadeira autora da frase)



















Em um livro de 1906 chamado Th e friends of Voltaire ("Os amigos de Voltaire" - tradução livre), publicado em Londres pela Smith, Elder & Co, a escritora Evelyn Beatrice Hall (1868-c. 1939), que durante um tempo usou o pseudônimo S. G. Tallentyre, trata de dez figuras notáveis com quem seu biografado, de alguma forma, se relacionou. São eles: D'Alembert, Diderot, Galiani, Vauvenargues, D'Holbach, Grimm, Turgot, Beaumarchais, Condorcet e Helvétius. 






É na parte dedicada a este último que a biógrafa apresenta a frase "I disapprove of what you say, but I will defend to the death your right to say it" ("Eu discordo do que você diz, mas vou defender até a morte seu direito de o continuar dizendo", em tradução livre).Talvez por uma questão de estilo, Evelyn Hall colocou a frase entre aspas e a construiu em primeira pessoa, o que acabou gerando a confusão e a falsa atribuição. Mas, de fato, a intenção da escritora era resumir o posicionamento que Voltaire teria adotado com relação ao banimento de um livro de Claude-Adrien Helvétius (1715-1771), outro filósofo francês com quem ele teve certo desacordo. Em 1758, Helvétius publicou o livro De l'espirit, o qual foi condenado pela Sorbonne, pelo Parlamento de Paris e até pelo Papa, chegando a ser queimado.



Apesar do desacordo explícito com relação ao pensamento de Helvétius, Voltaire não acreditava que o banimento daquele livro fosse um ato correto. Foi a atitude de Voltaire frente a esta situação que Evelyn Hall tentou resumir com sua frase, inadvertidamente escrita entre aspas e em primeira pessoa.



Em outro livro da mesma autora, chamado Voltaire in his letters ("Cartas de Voltaire" - tradução livre aproximada), publicado em 1919, aparece a mesma ideia, ora apresentado como um "princípio voltairiano" (embora ainda grafado entre aspas e em primeira pessoa), com uma mínima alteração de redação que não resulta em conteúdo diferente. Ainda ali, Hall encerra o "princípio" em um posicionamento de Voltaire para com Helvétius.




UMA CONSTRUÇÃO TARDIA




Nota-se, portanto, é que a famosa afirmação nem é de Voltaire nem configura um resumo de sua filosofia como um todo. Ela é, precisamente, uma construção tardia de uma biógrafa, e não faz mais do que retratar uma determinada posição adotada por Voltaire em uma situação muito específica com outro filósofo, e faz com que seu poder de frase-lema da liberdade de expressão seja consideravelmente reducionista.Essa confusão involuntária chegou a ser reconhecida pela biógrafa de Voltaire. Na revista Modern Language Notes, publicada pela The Johns Hopkins University Press, em sua edição de novembro de 1943, há um texto de Burdette Kinne sobre o assunto, intitulado Voltaire never said it! ("Voltaire nunca disse isso!", tradução livre), em que consta a reprodução de uma carta de Evelyn Hall, datada de 9 de maio de 1939, em que ela afirma ser de sua própria autoria a tal frase erroneamente atribuída ao filósofo francês do século 18, chegando a apresentar desculpas por seu texto permitir a interpretação de que a fala era de Voltaire, mesmo não sendo esta sua intenção.



Ainda houve quem considerasse que Evelyn Hall teria, seja por acaso ou não, feito uma paráfrase de uma fala, esta sim, de Voltaire, menos conhecida, que se encontraria em uma carta endereçada a um certo Monsieur Le Riche, datada de 6 de fevereiro de 1770. Esse foi o caso de Norbert Guterman, editor do livro A book of french quotations ("Um livro de citações francesas", tradução livre), publicado na década de 1960. Segundo ele e os demais defensores desta linha, haveria na referida carta a frase "Monsieur l'abbé, je déteste ce que vous écrivez, mais je donnerai ma vie pour que vous puissiez continuer à écrire" ("Senhor abade, eu detesto o que escreves, mas eu daria minha vida para que pudesses continuar a escrever", tradução livre), uma espécie de variação daquela mais famosa.



CONCLUSÃO:




Nota-se, portanto, que a expressão: "Posso não concordar com o que você diz, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-lo" é uma daquelas frases que muitos leram, alguns citaram e quase ninguém pesquisou de onde verdadeiramente veio, e de quem é sua autoria. Há um grande risco na falta de precisão em casos assim, porque uma falsa atribuição, que nem sempre enobrece um autor. Nesse caso, Voltaire passou a ser tomado como ícone da luta pela liberdade de expressão, quando na realidade não foi. Mas e quando a frase acaba por denegrir um pensador? É preciso rigor na investigação. 



Daqui por diante, fica como sugestão o princípio:




"Eu posso não concordar com o que citas, e por isso requisitarei sempre suas fontes para poder checá-las".





REFERÊNCIAS




Autores franceses: Helvétius. Disponível em: <http://www.iscsp.utl.pt/~cepp/autores/franceses/1715._ helvetius.htm>. Acesso em 24 maio 2013.


CHOMSKY, Noam. His right to say it. Disponível em: <http://www.chomsky.info/articles/19810228.htm>. Acesso em: 20 mar. 2013.


GUTERMAN, Norbert. A book of french quotations: whith English translations. Garden City, N. Y.: Doubleday, 1963.


KINNE, Burdette. Voltaire never said it!. Modern language notes, v. 58, n. 7, nov. 1943.


TALLENTYRE, S. G. [HALL, Evelyn Beatrice]. The friends of Voltaire. London: Smith, Elder & Co., 1906.


Voltaire in his letters: being a selection of his correspondence. New York/London: G.P. Putnam's Sons/The Knickerbocker Press, 1919.


VOLTAIRE. Oeuvres complètes de Voltaire: correspondance générale. v. 11. Paris: Chez Th. Desoer, 1817.




* Ivan Bilheiro: é graduado em História pelo Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora (CES/ JF), graduando em Filosofia pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), instituição na qual também cursa a especialização em Ciência da Religião e pós-graduando em Filosofia, pela Universidade Gama Filho (UGF).



Fonte: https://www.recantodasletras.com.br/artigos-de-cultura/5023780




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