por*Francisco
José Barros de Araújo
Antes de qualquer discordância, é justo reconhecer o mérito do artigo de Frei Betto: ele toca numa ferida real. A Teologia da Libertação e a esquerda brasileira, de modo geral, envelheceram — não apenas biologicamente, mas espiritual, intelectual e politicamente. E o primeiro passo para qualquer renovação verdadeira é aquilo que a própria tradição cristã sempre ensinou: autocrítica baseada na verdade, humildade para reconhecer erros e coragem para mudar.
Nesse ponto inicial, concordamos. A esquerda precisa, sim, fazer uma autocrítica séria se quiser voltar a dialogar com as novas gerações. Mas essa autocrítica não pode ser seletiva, nem retórica, nem sentimental. Precisa ir às raízes — inclusive às premissas ideológicas que moldaram sua ação ao longo das últimas décadas.
Faço aqui uma observação pessoal que não é irrelevante para este debate. Eu mesmo fiz essa autocrítica em 1996, dez anos após ter militado no PCdoB. Mudei. E não foi por oportunismo, ressentimento ou cansaço, mas por confronto honesto com a realidade, com a história e com a verdade — aquela verdade que dói, mas cura e liberta. É a partir dessa experiência que me proponho, com respeito, ajudar Frei Betto e seus leitores a enxergarem com mais clareza o atual contexto político, cultural e religioso do Brasil. A seguir, segue o artigo na ínegra de frei Beto e logo após respondo pontualmente aos principais trechos do mesmo, dialogando com cada argumento, sob uma perspectiva católica fiel ao Magistério e politicamente conservadora, entendendo o conservadorismo não como nostalgia do passado, mas como responsabilidade histórica diante do real.





