por*Francisco José Barros de Araújo
Uma reflexão teológica à luz da filosofia tomista, da angelologia e da demonologia católica
A LIBERDADE COMO PRIMEIRO ATRIBUTO DAS CRIATURAS RACIONAIS
Quando falamos em liberdade, geralmente pensamos na condição humana, na capacidade de raciocinar, deliberar e escolher entre diferentes possibilidades.
Entretanto, na perspectiva filosófica de Santo Tomás de Aquino, a liberdade deve ser compreendida a partir da natureza de cada criatura e de suas respectivas faculdades. Deus criou uma hierarquia de seres, visíveis e invisíveis, cada qual com sua própria constituição e modo de participar da ordem da criação.
Não podemos, portanto, atribuir a todos os seres o mesmo grau de consciência, inteligência ou liberdade
-Entre as criaturas visíveis, encontramos os vegetais, dotados de vida vegetativa, mas desprovidos de conhecimento e vontade; os animais, que possuem sentidos, percepção, instintos e apetites sensitivos, mas não deliberam moralmente como os seres humanos; e nós, seres humanos, constituídos de corpo e alma espiritual, dotados de inteligência e vontade, capazes de conhecer, raciocinar, ponderar, deliberar e escolher conscientemente.
-Nossa liberdade, portanto, não é simplesmente a capacidade de fazer o que desejamos, mas a possibilidade de orientar racionalmente nossa vontade, assumindo a responsabilidade moral pelas escolhas realizadas.
Entretanto, existe uma realidade superior à nossa condição natural de Criaturas:os seres espirituais, os anjos
Diferentemente dos animais irracionais, que possuem sentidos, instintos, apetites sensitivos e certa capacidade de escolha condicionada à sua natureza, mas não dispõem de inteligência racional para deliberar conscientemente sobre princípios morais e distinguir o bem e o mal mediante juízos éticos, os anjos são criaturas puramente espirituais, desprovidas de corpo material, dotadas de inteligência superior, vontade e livre-arbítrio. Sua natureza intelectual permite-lhes conhecer, compreender e escolher sem depender dos sentidos ou do raciocínio discursivo próprio dos seres humanos. Por isso, são capazes de decisões voluntárias com maior responsabilidade moral, podendo aderir livremente à ordem divina ou rebelar-se contra ela.









