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Deixando o leite espiritual: uma jornada de amadurecimento na fé católica (Hb 5,11–6,1)

Written By Beraká - o blog da família on quarta-feira, 11 de março de 2026 | 14:17




A Carta aos Hebreus faz um forte apelo ao amadurecimento espiritual quando afirma:


"A esse respeito temos muitas coisas a dizer e de difícil explicação, porque vos tornastes lentos para ouvir… Com efeito, embora já devêsseis ser mestres pelo tempo, ainda necessitais de que vos ensinem os primeiros rudimentos da Palavra de Deus." (Hebreus 5,11-12)


Essa advertência continua extremamente atual. Vivemos um tempo em que muitos católicos possuem boa vontade, frequentam a Igreja, mas infelizmente não tiveram oportunidade de receber uma formação doutrinária sólida e segura. 


Como consequência, surgem dúvidas, confusões, insegurança espiritual e até perda da identidade católica diante de tantos erros doutrinários modernos.


Foi exatamente por perceber essa necessidade — e também atendendo ao pedido de muitos seguidores, especialmente os mais antigos — que decidimos criar um espaço específico para uma formação mais aprofundada, algo que nem sempre é possível desenvolver com a profundidade necessária nas postagens comuns do Instagram. Inspirados por esse chamado bíblico ao crescimento espiritual (Hb 5,11–6,1), estamos iniciando uma proposta de formação exclusiva para aqueles que desejam avançar no conhecimento integral da fé católica.

A estrutura da suma contra gentios de Tomás de Aquino: um guia de estudo

 




A obra Summa contra Gentiles, escrita por Tomás de Aquino, é uma das maiores exposições racionais da fé católica já produzidas e representa um verdadeiro monumento da filosofia cristã medieval



Diferente da Summa Theologica, que foi escrita principalmente como manual de formação teológica para estudantes cristãos, seminaristas e clérigos, a Suma contra os Gentios possui um caráter mais filosófico, apologético e missionário, voltado ao diálogo com aqueles que estavam fora da fé (os gentios).  



É importante ter muito claro a intenção e o público-alvo de cada uma dessas obras para evitar um erro comum: procurar em uma aquilo que pertence ao propósito da outra. Muitos leitores se confundem justamente por não perceberem essa distinção metodológica. 



A Suma Teológica tem uma finalidade pedagógica interna, isto é, formar a inteligência do cristão na compreensão ordenada das verdades reveladas. Já a Suma contra os Gentios possui uma finalidade externa, sendo pensada como instrumento de diálogo e defesa racional da fé diante daqueles que não partilham da Revelação cristã.  



Enquanto a Suma Teológica é dirigida principalmente aos que já creem, organizando de forma sistemática a doutrina cristã para aprofundamento teológico e espiritual, a Suma contra os Gentios foi concebida como uma ferramenta intelectual para dialogar com judeus, muçulmanos e filósofos pagãos, ou seja, com aqueles que não professavam a fé cristã, mas que podiam ser alcançados pelos argumentos da razão. Por isso, o método adotado por Tomás segue uma estratégia muito clara: primeiro ele demonstra as verdades que podem ser alcançadas pela razão natural — como a existência de Deus, sua unidade, perfeição e providência — e somente depois apresenta os mistérios próprios da Revelação cristã, como a Trindade e a Encarnação, que ultrapassam a razão mas não a contradizem.  



Essa preocupação metodológica mostra também a genialidade pedagógica de Tomás: ele parte do que é comum a todos os homens (a razão) para depois conduzir ao que é próprio da fé (a Revelação). Assim, ele constrói uma verdadeira ponte entre fé e razão, mostrando que não são inimigas, mas complementares.  



A obra está dividida em quatro tomos que seguem uma ordem profundamente lógica: primeiro Deus em si mesmo (quem Deus é), depois sua obra criadora (como tudo procede Dele), em seguida o destino do homem (para que fomos criados) e finalmente a revelação cristã (o caminho sobrenatural da salvação). Essa estrutura revela o pensamento clássico da metafísica cristã: tudo procede de Deus e tudo deve retornar a Deus. 


Podemos dizer, de forma simples, que uma obra constrói o cristão na inteligência da fé (Suma Teológica), enquanto a outra defende a fé diante do mundo racional (Suma contra os Gentios). Uma tem finalidade principalmente formativa; a outra, principalmente apologética. Uma ensina o que crer com profundidade; a outra mostra por que crer é racional.  



Compreender essa diferença evita leituras equivocadas e ajuda a perceber como as duas obras se complementam: juntas, formam talvez o maior esforço intelectual já feito para mostrar que a fé católica pode ser ao mesmo tempo crida com devoção e defendida com razão.

As lições teológicas e filosóficas do filme "O Todo-Poderoso" com Jim Carrey e Morgan Freeman dirigido por Tom Shadyac

Written By Beraká - o blog da família on terça-feira, 10 de março de 2026 | 17:16

 

 



por*Francisco José Barros de Araújo 



No filme O Todo Poderoso, Bruce Almighty, estrelado por Jim Carrey e Morgan Freeman, é geralmente visto apenas como uma comédia leve. No entanto, por trás de seu humor e de suas situações absurdas, encontra-se uma narrativa que toca em temas profundamente teológicos e filosóficos.


A história de Bruce Nolan — um jornalista frustrado que culpa Deus por seus fracassos e acaba recebendo temporariamente poderes divinos — torna-se uma espécie de experimento moral. 


Ao experimentar o que seria ter “o poder de Deus”, Bruce descobre rapidamente que governar o mundo não é apenas uma questão de poder, mas sobretudo de sabedoria, justiça e amor.


Embora não seja um tratado teológico, o filme aborda questões clássicas da tradição cristã: o problema do livre-arbítrio, a natureza da oração, a diferença entre amor possessivo e amor verdadeiro, e a necessidade de humildade diante de Deus. Curiosamente, essas ideias encontram paralelos nas reflexões de grandes pensadores cristãos, como Augustine of Hippo e Thomas Aquinas.Assim, analisado com atenção, o filme oferece um interessante ponto de partida para refletir sobre temas fundamentais da filosofia e da teologia cristã.

Três grandes modelos de grupos de oração para leigos na Igreja Católica: Pe Pio, RCC e Oficinas de Oração

Written By Beraká - o blog da família on sexta-feira, 6 de março de 2026 | 11:25

 



por*Francisco José Barros de Araújo 



Desde os primeiros séculos do cristianismo, os fiéis se reuniam para rezar, ouvir a Palavra de Deus e fortalecer a comunhão. O livro dos Atos dos Apóstolos descreve essas primeiras comunidades que perseveravam “na fração do pão e nas orações”. Ao longo da história, essa tradição permaneceu viva e, especialmente no século XX, o Espírito Santo suscitou novas formas de grupos de oração para leigos, que se tornaram instrumentos poderosos de evangelização, formação espiritual e caridade.

Escândalos na Igreja? O que Santa Catarina de Sena nos ensina sobre isso?

Written By Beraká - o blog da família on quinta-feira, 5 de março de 2026 | 14:22

 

(foto reprodução)


“Os sacerdotes são meus Cristos. A eles entreguei o Sangue do meu Filho unigênito. Quem os toca, toca a menina dos meus olhos.”

 

Por Cleiton Ramos



Em tempos de escândalos, decepções e críticas públicas a sacerdotes, muitos católicos se perguntam: Como reagir? O que fazer quando vemos erros, abusos ou fraquezas em padres — aqueles que deveriam ser pastores e exemplos? Santa Catarina de Sena, doutora da Igreja e padroeira da Itália, viveu em uma época de grande crise eclesial. Viu escândalos no clero, corrupção entre bispos e um papado dividido entre Roma e Avignon. E ainda assim... permaneceu fiel. Amou intensamente a Igreja. Rezou pelos sacerdotes. E recebeu de Deus uma visão profunda sobre como tratar os ministros, mesmo quando erram.

Sindicatos sem partidos,democraticamente com todos partidos, ou unico partido?

Written By Beraká - o blog da família on segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026 | 13:02

 


 

SINDICATOS: REPRESENTAÇÃO DOS TRABALHADORES OU meros INSTRUMENTOS DE PODER PARTIDÁRIO?


por *Franzé


Sou totalmente favorável à existência dos sindicatos como instrumentos legítimos de luta e defesa dos interesses dos trabalhadores. O sindicalismo nasceu da necessidade histórica de equilibrar relações de poder entre capital e trabalho, garantindo direitos, dignidade e proteção social à classe trabalhadora. Contudo, é necessário fazer uma distinção fundamental: defender os sindicatos não significa defender a indústria sindical.


Não defendo a proliferação excessiva de sindicatos criados muitas vezes para atender interesses estranhos e até escusos aos reais direitos dos trabalhadores. Tampouco considero saudável a existência de sindicatos dominados por pensamento único ou vinculados, na prática, a um único partido político, pois tal postura enfraquece a própria luta trabalhadora ao excluir a pluralidade existente dentro da classe. Defendo o sindicalismo de resultados — o sindicato forte não pela ideologia que impõe, mas pela pluralidade que representa, pela autonomia que preserva e pela capacidade concreta de melhorar a vida dos trabalhadores.


Vindo do meio sindical, onde iniciei minha militância política ainda em 1988 no Partido Comunista do Brasil (PCdoB), em Aracati-CE, vivi por dentro a dinâmica organizativa e ideológica que marcou grande parte do sindicalismo brasileiro nas últimas décadas. Aproximadamente dez anos depois, ao migrar gradualmente para uma visão mais liberal de sociedade, passei a experimentar não apenas divergências teóricas, mas também resistências práticas dentro do próprio ambiente sindical.



Tornou-se evidente a existência de um pensamento predominante, frequentemente marcado por forte orientação esquerdista e progressista, que, embora afirmasse publicamente que o sindicato não possui partido político e representa trabalhadores de todo espectro ideológico, na prática revelava significativa homogeneidade política entre suas lideranças.



A defesa de perspectivas distintas sobre a reivindicação de direitos trabalhistas — fora do enquadramento tradicional da esquerda política — era frequentemente interpretada como ameaça à unidade do movimento, sendo rotulada como “tumulto” ou tentativa de enfraquecimento da luta sindical. 


Essa experiência pessoal suscita uma reflexão mais ampla e necessária: até que ponto o pluralismo político é realmente admitido dentro das estruturas sindicais contemporâneas?



O debate sobre o papel dos sindicatos atravessa toda a história do movimento operário moderno. Desde o surgimento das primeiras organizações de trabalhadores no século XIX, os sindicatos foram concebidos como instrumentos de defesa coletiva diante das desigualdades produzidas pelo capitalismo industrial. 



Contudo, ao longo do tempo, muitas estruturas sindicais passaram a enfrentar uma tensão permanente: permanecer como organizações autônomas voltadas aos interesses concretos dos trabalhadores ou converter-se em extensões institucionais de projetos políticos partidários.



A questão central, portanto, não reside simplesmente no fato de sindicatos dialogarem com partidos políticos — algo legítimo e esperado em regimes democráticos —, mas em saber se devem subordinar-se a um único projeto ideológico ou preservar sua autonomia representativa diante da pluralidade real existente entre os próprios trabalhadores. Trata-se, sobretudo, de evitar a reprodução do chamado peleguismo sindical, fenômeno historicamente associado à transformação das lideranças em intermediários permanentes entre o poder político e a base trabalhadora, deixando de agir como representantes legítimos para assumir o papel de administradores do consenso e da acomodação institucional.





O risco do peleguismo surge quando dirigentes sindicais passam a confundir a sobrevivência da própria estrutura sindical e pessoal, com a defesa efetiva dos trabalhadores. 



Nesse cenário, a liderança deixa de prestar contas à base e passa a responder prioritariamente a partidos, governos, centrais sindicais ou interesses corporativos internos. O sindicato, que deveria ser espaço de mobilização crítica e participação democrática, converte-se em aparato burocrático, onde decisões são verticalizadas, assembleias tornam-se meramente formais e a divergência política é tratada como ameaça à unidade do movimento.



Historicamente, o peleguismo enfraquece a consciência coletiva porque substitui o protagonismo do trabalhador pela tutela de dirigentes profissionais. Em vez de estimular autonomia, participação e debate plural, consolida-se uma cultura política de dependência, na qual a base é chamada apenas para ratificar decisões previamente tomadas. O resultado é paradoxal: instituições criadas para combater relações de dominação acabam reproduzindo internamente práticas centralizadoras e pouco democráticas.


Além disso, o peleguismo tende a gerar distanciamento crescente entre sindicato e trabalhador comum. Quando a estrutura sindical passa a funcionar prioritariamente como espaço de projeção política de seus dirigentes — seja para carreiras partidárias, cargos públicos ou influência institucional — ocorre uma crise de legitimidade. Os trabalhadores deixam de reconhecer o sindicato como instrumento próprio e passam a enxergá-lo como entidade capturada por interesses externos.



Assim, preservar a autonomia sindical não significa negar a política, mas impedir sua captura. Um sindicalismo verdadeiramente democrático exige alternância de lideranças, transparência, participação efetiva da base e abertura ao pluralismo ideológico. Sem esses elementos, o risco do peleguismo não apenas compromete a representatividade sindical, mas também enfraquece a própria democracia social, pois retira dos trabalhadores aquilo que constitui a essência do movimento sindical: o poder que nasce da organização livre, consciente e ativa do chão de fábrica.



Em outras palavras, impõe-se uma pergunta fundamental para o sindicalismo contemporâneo: os sindicatos existem para defender trabalhadores ou para sustentar projetos de poder político? 

Do batismo de fé da consciência adulta ao de eleição da graça com crianças na Igreja Católica

Written By Beraká - o blog da família on segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026 | 20:56





Batismo: Fé, ou eleição gratuita e imerecida da Graça?


por*Francisco José Barros de Araújo 



O Batismo constitui o fundamento de toda a vida cristã, a porta de entrada na economia sacramental e o primeiro dom da graça redentora aplicado pessoalmente à alma. Por ele, segundo a fé constante da Igreja, somos libertos do pecado original, regenerados no Espírito Santo e incorporados a Cristo como membros vivos do seu Corpo Místico


Não se trata apenas de um sinal externo de pertença religiosa, mas de uma transformação ontológica real: o homem é configurado a Cristo, recebe a vida divina e passa da ordem da natureza para a ordem da graça.  À luz dessa profundidade, compreende-se que a Igreja, desde os tempos apostólicos, nunca concebeu o Batismo como privilégio reservado apenas à maturidade racional. Ao contrário, sempre reconheceu que, se a salvação é dom gratuito de Deus, não deve ser retardada àqueles que dela mais necessitam — inclusive as crianças (conforme Romanos 3,23-24), também marcadas pelo pecado original e chamadas à filiação divina.  



A Sagrada Escritura testemunha essa consciência eclesial nascente ao relatar os chamados “batismos domésticos”, nos quais casas inteiras eram introduzidas na fé: a família de Lídia, o carcereiro de Filipos, a casa de Estéfanas. Tal prática revela que o Batismo era compreendido em chave comunitária, pactual e familiar, não meramente individualista.  


A reflexão teológica posterior, desenvolvida por Padres e Doutores da Igreja como Santo Agostinho e São Tomás de Aquino, aprofundou essa compreensão ao articular a relação entre graça preveniente, fé e eleição divina. Nessa perspectiva, o Batismo de adultos manifesta a resposta consciente ao chamado de Deus, enquanto o Batismo infantil resplandece como sinal privilegiado da primazia absoluta da graça.  


Assim, longe de ser questão meramente disciplinar, a administração do Batismo a adultos e crianças toca o próprio coração da soteriologia cristã: a salvação como dom gratuito, oferecido por iniciativa divina e acolhido na fé da Igreja.

Por Quentin e Pela Europa Livre: Liberdade Religiosa, Polarização e o desafio da convivência no Século XXI

Written By Beraká - o blog da família on domingo, 15 de fevereiro de 2026 | 13:10

 


por *Franzé 


A comoção internacional provocada pelos relatos da morte brutal do jovem cristão Quentin, na França, reacende um debate urgente e necessário sobre os rumos da civilização contemporânea. Independentemente da confirmação integral dos fatos narrados nas redes ou de suas circunstâncias específicas, a repercussão global do caso revela algo maior: o crescimento da polarização ideológica, a escalada da intolerância e o temor crescente de perseguições motivadas por fé, cultura ou identidade.


A Europa — historicamente moldada por raízes cristãs, valores humanistas e instituições democráticas — encontra-se no centro dessa tensão civilizacional. O episódio atribuído a militantes antifascistas, amplamente divulgado online, não apenas gerou indignação, mas também expôs feridas abertas no debate sobre liberdade religiosa, segurança e coexistência cultural.

Crítica e análise teológica ao hino da campanha da fraternidade 2026 da CNBB



CRÍTICA teológica AO HINO DA CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2026 - Análise por estrofes e proposta de reescrita em perspectiva católica tradicional



por*Francisco José Barros de Araújo 



A Campanha da Fraternidade possui inegável valor pastoral quando harmoniza a caridade social com a finalidade sobrenatural própria da missão da Igreja: a salvação das almas. Desde sua origem, a ação social cristã autêntica nunca foi um fim em si mesma, mas fruto visível da caridade teologal, enraizada na graça e ordenada ao destino eterno do homem.  



Entretanto, o hino de 2026 apresenta forte acento horizontal, enfatizando soluções materiais, sociopolíticas e estruturais como eixo central da missão eclesial, com insuficiente referência explícita à redenção, à graça santificante, ao pecado como ruptura com Deus e à vida eterna como meta última da existência humana. Tal enfoque corre o risco de reduzir a ação da Igreja a uma agência de promoção social, obscurecendo sua identidade sobrenatural.  Convém recordar que o mistério da Encarnação e da Redenção não se limita à melhoria das condições temporais, ainda que estas sejam objeto da legítima solicitude cristã. Jesus Cristo não se encarnou nem entregou Sua vida na Cruz apenas para elevar padrões econômicos, promover inclusão social ou sanar desigualdades históricas. Sua missão primeira foi reconciliar a humanidade decaída com Deus, libertar todos os pecadores da escravidão do pecado, vencer a morte espiritual e abrir as portas da salvação eterna.  



A Cruz, portanto, não é meramente símbolo de solidariedade sociológica com os que sofrem, mas sacrifício expiatório pelos pecados do mundo. 


Sua própria forma visível já contém uma catequese teológica: a trave vertical aponta para a dimensão transcendente — a reconciliação do homem com Deus, a graça que desce do alto, o destino eterno da alma; a trave horizontal recorda a dimensão imanente — a caridade fraterna, a justiça, a vida social. Separadas, ambas se deformam: uma espiritualidade sem caridade concreta torna-se desencarnada; uma ação social sem redenção torna-se meramente filantrópica.  Uma cruz com apenas uma das traves seria estranha, mutilada, não integral — incapaz de expressar o mistério que representa. 






Do mesmo modo, uma pastoral que absolutiza o horizontal e silencia o vertical perde a plenitude do Evangelho. A síntese católica autêntica é cruciforme: une inseparavelmente salvação eterna e caridade temporal, mantendo, porém, a primazia do sobrenatural.  A autêntica doutrina católica sempre sustentou essa hierarquia das caridades: primeiro a glória de Deus e a salvação das almas; depois, como consequência necessária, a transformação moral e social das realidades humanas. A caridade material é expressão da fé viva, mas não sua finalidade última.  A análise a seguir apresenta críticas pontuais a cada estrofe do hino oficial, seguidas de uma versão reescrita em chave teológica tradicional, buscando restaurar a centralidade do mistério redentor, da graça e da vida eterna, e reordenar a ação social dentro da hierarquia clássica da missão da Igreja.

Feministas dizem que um feto ao ser abortado não sente dor porque não é um ser humano

Written By Beraká - o blog da família on sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026 | 19:36


por *Franzé



O debate sobre o aborto costuma ser apresentado, sobretudo no discurso midiático, como um embate entre religião e laicidade. No entanto, essa é uma redução indevida que empobrece a complexidade do tema. A oposição simplista entre fé e Estado secular acaba por invisibilizar uma vasta tradição de reflexão construída fora de qualquer matriz confessional. Ao longo das últimas décadas, diferentes áreas do conhecimento têm se debruçado sobre a questão com instrumental analítico próprio, produzindo argumentos que independem de dogmas religiosos e se apoiam em dados empíricos, categorias filosóficas e princípios jurídicos universalizáveis. 



Há um amplo campo de argumentação científica, filosófica, bioética e jurídica que problematiza a interrupção voluntária da gestação sem recorrer a fundamentos religiosos. A embriologia humana, por exemplo, ao investigar o início do desenvolvimento biológico do organismo humano, levanta questões objetivas sobre continuidade da vida, identidade genética e individualidade biológica desde as fases iniciais. Já a bioética contemporânea, especialmente em suas correntes personalistas e principialistas, discute os deveres de proteção, não maleficência e justiça aplicados ao ser humano em desenvolvimento, ponderando direitos, vulnerabilidades e responsabilidades. 



No âmbito da filosofia moral secular, autores de distintas tradições — do kantismo ao jusnaturalismo laico, passando pelo personalismo ontológico e por correntes do humanismo filosófico — investigam o status moral do nascituro, o conceito de dignidade intrínseca e os critérios que definem quem deve ser incluído na comunidade de sujeitos de direito. Essas análises não dependem de revelação religiosa, mas de construções racionais acerca de valor humano, potencialidade, continuidade identitária e igualdade moral. 



Do mesmo modo, o debate jurídico constitucional examina a colisão entre direitos fundamentais, como autonomia corporal, inviolabilidade da vida, proteção do vulnerável e dever estatal de tutela. Além disso, a discussão sobre os limites da autonomia corporal tem sido aprofundada em paralelo a outros dilemas bioéticos — como eutanásia, manipulação genética e experimentação em embriões — demonstrando que o tema do aborto não é isolado, mas parte de uma rede mais ampla de decisões morais envolvendo vida humana em estágios de fragilidade. 



Nessa perspectiva, o princípio do consentimento, embora central, não é absoluto, sendo frequentemente equilibrado com critérios de proporcionalidade, responsabilidade e proteção de terceiros dependentes. Diante desse panorama, torna-se possível compreender que a defesa da vida em desenvolvimento não se sustenta apenas em convicções religiosas, mas também em fundamentos racionais debatidos no espaço público secular. Esta matéria reúne 10 argumentos racionais utilizados por pensadores, juristas, médicos e filósofos que defendem a proteção da vida humana em desenvolvimento sob uma perspectiva não confessional, evidenciando que o debate, longe de ser meramente teológico, envolve questões científicas, éticas e civilizatórias de grande profundidade.

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Blog formativo e apologético inspirado em 1Pd 3,15. Aqui você não vai encontrar matérias sentimentalóides para suprir carências afetivas, mas sim formações seguras, baseadas no tripé da Igreja, que deem firmeza à sua caminhada cristã rumo à libertação integral e à sua salvação. Somos apenas o jumentinho que leva Cristo e sua verdade aos povos, proclamando que Ele é “o caminho, a verdade e a vida” (João 14,6), e que sua Igreja é a coluna e o sustentáculo da verdade (1Tm 3,15). Nossa Missão: promover a educação integral da pessoa, unindo fé, razão e cultura; fortalecer famílias e comunidades por meio da formação espiritual e intelectual; proclamar a verdade revelada por Cristo e confiada à Igreja, mostrando que fé e razão caminham juntas, em defesa da verdade contra ideologias que nos afastam de Deus. Rejeitamos um “deus” meramente sentimental e anunciamos o Deus verdadeiro revelado em Jesus Cristo: Misericordioso e Justo o qual ama o pecador, mas odeia o pecado que destrói seus filhos. Nosso lema é o do salmista: “Não a nós, Senhor, não a nós, mas ao vosso nome daí glória” (Sl 115,1).

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