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Dossiê do Vaticano II: análise das ambiguidades e hermenêutica da continuidade

Written By Beraká - o blog da família on domingo, 22 de março de 2026 | 11:58

 



por*Francisco José Barros de Araújo 



O Papa Bento XVI ofereceu a chave interpretativa essencial ao afirmar que o Vaticano II deve ser lido segundo a "hermenêutica da continuidade", isto é, dentro da mesma Tradição viva da Igreja.


O Concílio Vaticano II foi um dos acontecimentos mais importantes da história recente da Igreja Católica, convocado por João XXIII com a intenção de promover uma renovação pastoral e concluído sob o pontificado de Paulo VI. Seu objetivo nunca foi alterar a doutrina católica, mas torná-la mais inteligível ao homem contemporâneo, mantendo plena continuidade com a Tradição apostólica.



Contudo, como ocorreu com praticamente todos os Concílios da história da Igreja, o Vaticano II também se tornou objeto de debates, questionamentos e diferentes interpretações. Isso não constitui uma novidade histórica, mas faz parte do próprio dinamismo da vida eclesial. A história eclesiástica mostra que praticamente todos os grandes documentos da Igreja enfrentaram dificuldades interpretativas em algum momento.



Isso ocorre por uma razão muito simples: a linguagem humana é sempre limitada, condicionada pelo tempo, pela cultura e pelas circunstâncias históricas em que os textos são escritos. Nenhum documento eclesial, por mais preciso que seja, consegue escapar completamente dessa limitação natural da linguagem.



Nesse sentido, a existência de possíveis ambiguidades não significa necessariamente erro doutrinal, mas muitas vezes apenas a necessidade de desenvolvimento posterior da interpretação, algo que sempre aconteceu na história da teologia.Esse princípio vale inclusive para a própria Sagrada Escritura. Diversas passagens bíblicas exigiram séculos de reflexão teológica para sua correta compreensão. Um exemplo clássico é a afirmação de Cristo no Evangelho de Evangelho de João:


"O Pai é maior do que eu" (Jo 14,28)


Essa passagem foi usada por hereges arianos para negar a divindade de Cristo. No entanto, a Igreja, especialmente no Concílio de Niceia, esclareceu sua correta interpretação: Cristo é igual ao Pai em natureza divina, mas na Encarnação assume condição humana, na qual se coloca em atitude de obediência ao Pai.Outro exemplo são as aparentes tensões entre fé e obras nas cartas de São Paulo e São Tiago, que durante séculos exigiram aprofundamento teológico para evitar interpretações erradas.



Esses exemplos mostram uma verdade fundamental:



-Ambiguidades aparentes sempre existiram nos textos religiosos e sempre existirão, porque a linguagem humana nunca consegue esgotar-se explicando "completamente a amplitude" dos mistérios humanos e divinos 


O ponto central, portanto, não é a existência de dificuldades interpretativas, "mas quem possui a autoridade legítima para resolvê-las"?



E aqui está um princípio essencial da eclesiologia católica:



A interpretação autêntica não pertence a indivíduos isolados, nem a grupos particulares, nem mesmo a clérigos agindo por conta própria, mas ao Magistério da Igreja, a quem Cristo confiou a guarda e interpretação do depósito da fé.



Como afirma a constituição Dei Verbum, a interpretação autêntica da Palavra de Deus foi confiada exclusivamente ao Magistério vivo da Igreja.Isso significa que nem teólogos individualmente, nem movimentos, nem grupos tradicionalistas ou progressistas possuem autoridade para declarar um Concílio inválido ou contraditório. Essa autoridade pertence somente à própria Igreja docente.Foi exatamente nesse contexto que Bento XVI apresentou o princípio da hermenêutica da continuidade, mostrando que eventuais dificuldades devem ser resolvidas dentro da Tradição viva e não através da rejeição.

Catecismo de São Pio X: por que existem o primeiro, segundo, terceiro e o catecismo maior?

Written By Beraká - o blog da família on sábado, 21 de março de 2026 | 09:37

 


por*Francisco José Barros de Araújo 



O Papa São Pio X foi um dos grandes papas catequistas da história da Igreja. Profundamente preocupado com a ignorância religiosa dos fiéis — que ele considerava uma das maiores causas da crise espiritual de seu tempo — promoveu uma verdadeira reforma catequética no início do século XX, insistindo que a fé precisava ser conhecida, compreendida e vivida, e não apenas herdada culturalmente.


Dentro desse esforço pastoral surgiu o famoso Catecismo Maior de São Pio X, bem como outros catecismos organizados por níveis pedagógicos. Isso explica por que encontramos edições chamadas Primeiro Catecismo, Segundo Catecismo, Terceiro Catecismo e Catecismo Maior, o que muitas vezes gera confusão entre os fiéis, quando na verdade se tratam de graus progressivos do mesmo ensino.



Entretanto, é importante compreender algo essencial: assim como o Catecismo Romano (fruto do Concílio de Trento) respondeu aos desafios da Reforma Protestante, o catecismo de São Pio X respondeu aos problemas pastorais do início do século XX, especialmente o analfabetismo religioso e o avanço do secularismo.

Entre o direito penal e a segurança nacional: o debate sobre a classificação de facções criminosas como organizações terroristas

Written By Beraká - o blog da família on sábado, 14 de março de 2026 | 10:25



OS PRÓS E CONTRAS DE CLASSIFICAR O CRIME ORGANIZADO COMO TERRORISMO NO BRASIL: UMA ANÁLISE JURÍDICA, POLÍTICA E SOCIAL


por *Franzé Araújo


O crescimento do crime organizado no Brasil nas últimas décadas tem provocado um intenso debate entre juristas, especialistas em segurança pública e atores políticos sobre a necessidade de endurecimento da legislação penal e dos instrumentos de combate às facções criminosas. Organizações como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) ampliaram sua atuação para além do tráfico de drogas, passando a influenciar setores econômicos, políticos e até estruturas institucionais do Estado.


Esse cenário levanta uma questão sensível: deveriam essas organizações ser classificadas juridicamente como grupos terroristas?


O debate não é meramente semântico ou retórico. 



A classificação como terrorismo permitiria o uso de instrumentos jurídicos mais severos, como cooperação internacional ampliada, sanções financeiras mais rígidas e mecanismos especiais de investigação. 


Por outro lado, especialistas alertam que essa ampliação conceitual poderia gerar riscos institucionais e ameaças às garantias democráticas. Enquanto setores mais conservadores defendem o endurecimento das leis como resposta proporcional à sofisticação do crime organizado, setores progressistas e moderados alertam para os riscos de ampliação excessiva do poder punitivo estatal.

Deixando o leite espiritual: uma jornada de amadurecimento na fé católica (Hb 5,11–6,1)

Written By Beraká - o blog da família on quarta-feira, 11 de março de 2026 | 14:17



por*Francisco José Barros de Araújo 




A Carta aos Hebreus faz um forte apelo ao amadurecimento espiritual quando afirma:


"A esse respeito temos muitas coisas a dizer e de difícil explicação, porque vos tornastes lentos para ouvir… Com efeito, embora já devêsseis ser mestres pelo tempo, ainda necessitais de que vos ensinem os primeiros rudimentos da Palavra de Deus." (Hebreus 5,11-12)



Essa advertência continua extremamente atual. Vivemos um tempo em que muitos católicos possuem boa vontade, frequentam a Igreja, mas infelizmente não tiveram oportunidade de receber uma formação doutrinária sólida e segura. Vivemos um tempo em que muitos católicos possuem boa vontade, frequentam a Igreja, mas infelizmente não tiveram oportunidade de receber uma formação doutrinária sólida e segura. Como consequência: 



-Surgem dúvidas, confusões, insegurança espiritual e até uma progressiva perda da identidade católica diante de tantos erros doutrinários e modismos ideológicos. Nesse cenário de fragilidade formativa, não é raro ver pessoas debandando para os extremismos, tanto no campo político quanto no religioso, buscando falsas seguranças em posições radicais. No campo religioso, isso se manifesta, de um lado, no progressismo sem freios, que relativiza verdades da fé e adapta o Evangelho ao espírito do mundo; de outro, em um tradicionalismo desequilibrado, que acaba simpatizando com posições como o cisma, o sedevacantismo ou uma visão da Igreja presa ao passado, como se a ação do Espírito Santo tivesse cessado na história. 



-Também, aparecem outros extremos: alguns optam por um modelo de Igreja marcado por um "pietismo emocional, reduzido ao sentimentalismo religioso, centrado apenas em louvores, experiências subjetivas, promessas de curas e libertações", como se a fé se resumisse a sensações, uma fé meramente epidérmica, baseada apenas nas  emoções.





-Já enquanto outros, defendem uma visão meramente imanente, e materialista da fé, que reduz a missão da Igreja a uma prática social libertadora limitada às questões materiais e estruturais, sem ir à raiz mais profunda dos males humanos. Esquecem que "a verdadeira raiz do mal é o pecado e a falta de uma conversão autêntica" que leve a uma vida cristã coerente. 






A ausência de uma formação autêntica, fiel ao Magistério e à tradição viva da Igreja, acaba empurrando muitos fiéis para esses polos, quando na verdade o caminho católico sempre foi o da fidelidade equilibrada: nem a ruptura com a tradição, nem a rebelião contra a autoridade legítima, nem um emocionalismo vazio, nem um ativismo puramente social, mas a continuidade viva da fé transmitida pelos Apóstolos, vivida na Igreja, iluminada pela reta doutrina e confirmada por uma verdadeira conversão do coração.



Foi exatamente por perceber essa necessidade — e também atendendo ao pedido de muitos seguidores, especialmente os mais antigos, no instagran @teologia.leigos1 — que decidimos criar um espaço específico para uma formação mais aprofundada, algo que nem sempre é possível desenvolver com a profundidade necessária nas postagens comuns do Instagram. Inspirados por esse chamado bíblico ao crescimento espiritual (Hb 5,11–6,1), estamos iniciando uma "proposta de formação exclusiva" e mais aprofundada para aqueles(as) que desejam avançar no conhecimento integral da fé católica.

A estrutura da suma contra gentios de Tomás de Aquino: um guia de estudo

 




A obra Summa contra Gentiles, escrita por Tomás de Aquino, é uma das maiores exposições racionais da fé católica já produzidas e representa um verdadeiro monumento da filosofia cristã medieval



Diferente da Summa Theologica, que foi escrita principalmente como manual de formação teológica para estudantes cristãos, seminaristas e clérigos, a Suma contra os Gentios possui um caráter mais filosófico, apologético e missionário, voltado ao diálogo com aqueles que estavam fora da fé (os gentios).  



É importante ter muito claro a intenção e o público-alvo de cada uma dessas obras para evitar um erro comum: procurar em uma aquilo que pertence ao propósito da outra. Muitos leitores se confundem justamente por não perceberem essa distinção metodológica. 



A Suma Teológica tem uma finalidade pedagógica interna, isto é, formar a inteligência do cristão na compreensão ordenada das verdades reveladas. Já a Suma contra os Gentios possui uma finalidade externa, sendo pensada como instrumento de diálogo e defesa racional da fé diante daqueles que não partilham da Revelação cristã.  



Enquanto a Suma Teológica é dirigida principalmente aos que já creem, organizando de forma sistemática a doutrina cristã para aprofundamento teológico e espiritual, a Suma contra os Gentios foi concebida como uma ferramenta intelectual para dialogar com judeus, muçulmanos e filósofos pagãos, ou seja, com aqueles que não professavam a fé cristã, mas que podiam ser alcançados pelos argumentos da razão. Por isso, o método adotado por Tomás segue uma estratégia muito clara: primeiro ele demonstra as verdades que podem ser alcançadas pela razão natural — como a existência de Deus, sua unidade, perfeição e providência — e somente depois apresenta os mistérios próprios da Revelação cristã, como a Trindade e a Encarnação, que ultrapassam a razão mas não a contradizem.  



Essa preocupação metodológica mostra também a genialidade pedagógica de Tomás: ele parte do que é comum a todos os homens (a razão) para depois conduzir ao que é próprio da fé (a Revelação). Assim, ele constrói uma verdadeira ponte entre fé e razão, mostrando que não são inimigas, mas complementares.  



A obra está dividida em quatro tomos que seguem uma ordem profundamente lógica: primeiro Deus em si mesmo (quem Deus é), depois sua obra criadora (como tudo procede Dele), em seguida o destino do homem (para que fomos criados) e finalmente a revelação cristã (o caminho sobrenatural da salvação). Essa estrutura revela o pensamento clássico da metafísica cristã: tudo procede de Deus e tudo deve retornar a Deus. 


Podemos dizer, de forma simples, que uma obra constrói o cristão na inteligência da fé (Suma Teológica), enquanto a outra defende a fé diante do mundo racional (Suma contra os Gentios). Uma tem finalidade principalmente formativa; a outra, principalmente apologética. Uma ensina o que crer com profundidade; a outra mostra por que crer é racional.  



Compreender essa diferença evita leituras equivocadas e ajuda a perceber como as duas obras se complementam: juntas, formam talvez o maior esforço intelectual já feito para mostrar que a fé católica pode ser ao mesmo tempo crida com devoção e defendida com razão.

As lições teológicas e filosóficas do filme "O Todo-Poderoso" com Jim Carrey e Morgan Freeman dirigido por Tom Shadyac

Written By Beraká - o blog da família on terça-feira, 10 de março de 2026 | 17:16

 

 



por*Francisco José Barros de Araújo 



No filme O Todo Poderoso, Bruce Almighty, estrelado por Jim Carrey e Morgan Freeman, é geralmente visto apenas como uma comédia leve. No entanto, por trás de seu humor e de suas situações absurdas, encontra-se uma narrativa que toca em temas profundamente teológicos e filosóficos.


A história de Bruce Nolan — um jornalista frustrado que culpa Deus por seus fracassos e acaba recebendo temporariamente poderes divinos (sem a sabedoria) — torna-se uma espécie de experimento moral. 


Ao experimentar o que seria ter “o poder de Deus”, Bruce descobre rapidamente que governar o mundo não é apenas uma questão de poder, mas sobretudo de sabedoria, justiça e amor.



Embora não seja um tratado teológico, o filme aborda questões clássicas da tradição cristã: 


-O problema do livre-arbítrio.


-A natureza da oração, sincera e verdadeira. 


-A diferença entre amor possessivo e amor verdadeiro


-E a necessidade de humildade diante de Deus. 


Curiosamente, essas ideias encontram paralelos nas reflexões de grandes pensadores cristãos, como Augostinho  e Tomas Aquino.Assim, analisado com atenção, o filme oferece um interessante ponto de partida para refletir sobre temas fundamentais da filosofia e da teologia cristã.

Três grandes modelos de grupos de oração para leigos na Igreja Católica: Pe Pio, RCC e Oficinas de Oração

Written By Beraká - o blog da família on sexta-feira, 6 de março de 2026 | 11:25

 



por*Francisco José Barros de Araújo 



Desde os primeiros séculos do cristianismo, os fiéis se reuniam para rezar, ouvir a Palavra de Deus e fortalecer a comunhão. O livro dos Atos dos Apóstolos descreve essas primeiras comunidades que perseveravam “na fração do pão e nas orações”. Ao longo da história, essa tradição permaneceu viva e, especialmente no século XX, o Espírito Santo suscitou novas formas de grupos de oração para leigos, que se tornaram instrumentos poderosos de evangelização, formação espiritual e caridade.

Escândalos na Igreja? O que Santa Catarina de Sena nos ensina sobre isso?

Written By Beraká - o blog da família on quinta-feira, 5 de março de 2026 | 14:22

 

(foto reprodução)


“Os sacerdotes são meus Cristos. A eles entreguei o Sangue do meu Filho unigênito. Quem os toca, toca a menina dos meus olhos.”

 

Por Cleiton Ramos



Em tempos de escândalos, decepções e críticas públicas a sacerdotes, muitos católicos se perguntam: Como reagir? O que fazer quando vemos erros, abusos ou fraquezas em padres — aqueles que deveriam ser pastores e exemplos? Santa Catarina de Sena, doutora da Igreja e padroeira da Itália, viveu em uma época de grande crise eclesial. Viu escândalos no clero, corrupção entre bispos e um papado dividido entre Roma e Avignon. E ainda assim... permaneceu fiel. Amou intensamente a Igreja. Rezou pelos sacerdotes. E recebeu de Deus uma visão profunda sobre como tratar os ministros, mesmo quando erram.

Sindicatos sem partidos,democraticamente com todos partidos, ou unico partido?

Written By Beraká - o blog da família on segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026 | 13:02

 


 

SINDICATOS: REPRESENTAÇÃO DOS TRABALHADORES OU meros INSTRUMENTOS DE PODER PARTIDÁRIO?


por *Franzé


Sou totalmente favorável à existência dos sindicatos como instrumentos legítimos de luta e defesa dos interesses dos trabalhadores. O sindicalismo nasceu da necessidade histórica de equilibrar relações de poder entre capital e trabalho, garantindo direitos, dignidade e proteção social à classe trabalhadora. Contudo, é necessário fazer uma distinção fundamental: defender os sindicatos não significa defender a indústria sindical.


Não defendo a proliferação excessiva de sindicatos criados muitas vezes para atender interesses estranhos e até escusos aos reais direitos dos trabalhadores. Tampouco considero saudável a existência de sindicatos dominados por pensamento único ou vinculados, na prática, a um único partido político, pois tal postura enfraquece a própria luta trabalhadora ao excluir a pluralidade existente dentro da classe. Defendo o sindicalismo de resultados — o sindicato forte não pela ideologia que impõe, mas pela pluralidade que representa, pela autonomia que preserva e pela capacidade concreta de melhorar a vida dos trabalhadores.


Vindo do meio sindical, onde iniciei minha militância política ainda em 1988 no Partido Comunista do Brasil (PCdoB), em Aracati-CE, vivi por dentro a dinâmica organizativa e ideológica que marcou grande parte do sindicalismo brasileiro nas últimas décadas. Aproximadamente dez anos depois, ao migrar gradualmente para uma visão mais liberal de sociedade, passei a experimentar não apenas divergências teóricas, mas também resistências práticas dentro do próprio ambiente sindical.



Tornou-se evidente a existência de um pensamento predominante, frequentemente marcado por forte orientação esquerdista e progressista, que, embora afirmasse publicamente que o sindicato não possui partido político e representa trabalhadores de todo espectro ideológico, na prática revelava significativa homogeneidade política entre suas lideranças.



A defesa de perspectivas distintas sobre a reivindicação de direitos trabalhistas — fora do enquadramento tradicional da esquerda política — era frequentemente interpretada como ameaça à unidade do movimento, sendo rotulada como “tumulto” ou tentativa de enfraquecimento da luta sindical. 


Essa experiência pessoal suscita uma reflexão mais ampla e necessária: até que ponto o pluralismo político é realmente admitido dentro das estruturas sindicais contemporâneas?



O debate sobre o papel dos sindicatos atravessa toda a história do movimento operário moderno. Desde o surgimento das primeiras organizações de trabalhadores no século XIX, os sindicatos foram concebidos como instrumentos de defesa coletiva diante das desigualdades produzidas pelo capitalismo industrial. 



Contudo, ao longo do tempo, muitas estruturas sindicais passaram a enfrentar uma tensão permanente: permanecer como organizações autônomas voltadas aos interesses concretos dos trabalhadores ou converter-se em extensões institucionais de projetos políticos partidários.



A questão central, portanto, não reside simplesmente no fato de sindicatos dialogarem com partidos políticos — algo legítimo e esperado em regimes democráticos —, mas em saber se devem subordinar-se a um único projeto ideológico ou preservar sua autonomia representativa diante da pluralidade real existente entre os próprios trabalhadores. Trata-se, sobretudo, de evitar a reprodução do chamado peleguismo sindical, fenômeno historicamente associado à transformação das lideranças em intermediários permanentes entre o poder político e a base trabalhadora, deixando de agir como representantes legítimos para assumir o papel de administradores do consenso e da acomodação institucional.





O risco do peleguismo surge quando dirigentes sindicais passam a confundir a sobrevivência da própria estrutura sindical e pessoal, com a defesa efetiva dos trabalhadores. 



Nesse cenário, a liderança deixa de prestar contas à base e passa a responder prioritariamente a partidos, governos, centrais sindicais ou interesses corporativos internos. O sindicato, que deveria ser espaço de mobilização crítica e participação democrática, converte-se em aparato burocrático, onde decisões são verticalizadas, assembleias tornam-se meramente formais e a divergência política é tratada como ameaça à unidade do movimento.



Historicamente, o peleguismo enfraquece a consciência coletiva porque substitui o protagonismo do trabalhador pela tutela de dirigentes profissionais. Em vez de estimular autonomia, participação e debate plural, consolida-se uma cultura política de dependência, na qual a base é chamada apenas para ratificar decisões previamente tomadas. O resultado é paradoxal: instituições criadas para combater relações de dominação acabam reproduzindo internamente práticas centralizadoras e pouco democráticas.


Além disso, o peleguismo tende a gerar distanciamento crescente entre sindicato e trabalhador comum. Quando a estrutura sindical passa a funcionar prioritariamente como espaço de projeção política de seus dirigentes — seja para carreiras partidárias, cargos públicos ou influência institucional — ocorre uma crise de legitimidade. Os trabalhadores deixam de reconhecer o sindicato como instrumento próprio e passam a enxergá-lo como entidade capturada por interesses externos.



Assim, preservar a autonomia sindical não significa negar a política, mas impedir sua captura. Um sindicalismo verdadeiramente democrático exige alternância de lideranças, transparência, participação efetiva da base e abertura ao pluralismo ideológico. Sem esses elementos, o risco do peleguismo não apenas compromete a representatividade sindical, mas também enfraquece a própria democracia social, pois retira dos trabalhadores aquilo que constitui a essência do movimento sindical: o poder que nasce da organização livre, consciente e ativa do chão de fábrica.



Em outras palavras, impõe-se uma pergunta fundamental para o sindicalismo contemporâneo: os sindicatos existem para defender trabalhadores ou para sustentar projetos de poder político? 

Do batismo de fé da consciência adulta ao de eleição da graça com crianças na Igreja Católica

Written By Beraká - o blog da família on segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026 | 20:56





Batismo: Fé, ou eleição gratuita e imerecida da Graça?


por*Francisco José Barros de Araújo 



O Batismo constitui o fundamento de toda a vida cristã, a porta de entrada na economia sacramental e o primeiro dom da graça redentora aplicado pessoalmente à alma. Por ele, segundo a fé constante da Igreja, somos libertos do pecado original, regenerados no Espírito Santo e incorporados a Cristo como membros vivos do seu Corpo Místico


Não se trata apenas de um sinal externo de pertença religiosa, mas de uma transformação ontológica real: o homem é configurado a Cristo, recebe a vida divina e passa da ordem da natureza para a ordem da graça.  À luz dessa profundidade, compreende-se que a Igreja, desde os tempos apostólicos, nunca concebeu o Batismo como privilégio reservado apenas à maturidade racional. Ao contrário, sempre reconheceu que, se a salvação é dom gratuito de Deus, não deve ser retardada àqueles que dela mais necessitam — inclusive as crianças (conforme Romanos 3,23-24), também marcadas pelo pecado original e chamadas à filiação divina.  



A Sagrada Escritura testemunha essa consciência eclesial nascente ao relatar os chamados “batismos domésticos”, nos quais casas inteiras eram introduzidas na fé: a família de Lídia, o carcereiro de Filipos, a casa de Estéfanas. Tal prática revela que o Batismo era compreendido em chave comunitária, pactual e familiar, não meramente individualista.  


A reflexão teológica posterior, desenvolvida por Padres e Doutores da Igreja como Santo Agostinho e São Tomás de Aquino, aprofundou essa compreensão ao articular a relação entre graça preveniente, fé e eleição divina. Nessa perspectiva, o Batismo de adultos manifesta a resposta consciente ao chamado de Deus, enquanto o Batismo infantil resplandece como sinal privilegiado da primazia absoluta da graça.  


Assim, longe de ser questão meramente disciplinar, a administração do Batismo a adultos e crianças toca o próprio coração da soteriologia cristã: a salvação como dom gratuito, oferecido por iniciativa divina e acolhido na fé da Igreja.

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Blog formativo e apologético inspirado em 1Pd 3,15. Aqui você não vai encontrar matérias sentimentalóides para suprir carências afetivas, mas sim formações seguras, baseadas no tripé da Igreja, que deem firmeza à sua caminhada cristã rumo à libertação integral e à sua salvação. Somos apenas o jumentinho que leva Cristo e sua verdade aos povos, proclamando que Ele é “o caminho, a verdade e a vida” (João 14,6), e que sua Igreja é a coluna e o sustentáculo da verdade (1Tm 3,15). Nossa Missão: promover a educação integral da pessoa, unindo fé, razão e cultura; fortalecer famílias e comunidades por meio da formação espiritual e intelectual; proclamar a verdade revelada por Cristo e confiada à Igreja, mostrando que fé e razão caminham juntas, em defesa da verdade contra ideologias que nos afastam de Deus. Rejeitamos um “deus” meramente sentimental e anunciamos o Deus verdadeiro revelado em Jesus Cristo: Misericordioso e Justo o qual ama o pecador, mas odeia o pecado que destrói seus filhos. Nosso lema é o do salmista: “Não a nós, Senhor, não a nós, mas ao vosso nome daí glória” (Sl 115,1).

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