Empreendedorismo nas Comunidades: mais lucrativo e seguro que que trabalhar para o tráfico e crime organizado?
por *Franzé
Sim — essa afirmação encontra respaldo em estudos econômicos e sociais de grande relevância acadêmica, embora a comparação direta com o “churrasquinho de esquina” funcione mais como uma metáfora didática do que como um dado estatístico isolado. Trata-se de uma imagem popular justamente porque traduz, de forma simples e visual, uma realidade complexa: a de que a base operacional do tráfico costuma ser muito menos lucrativa — e infinitamente mais arriscada — do que o imaginário coletivo supõe.
O senso comum, alimentado por narrativas
midiáticas, músicas e pela estética da ostentação nas redes sociais, frequentemente
associa atividades ilegais a enriquecimento rápido, ascensão social e poder.
Carros importados, joias, festas e consumo de luxo acabam funcionando como
vitrine de um topo extremamente restrito da pirâmide criminosa. Entretanto,
quando se desloca o olhar para a base dessa estrutura — onde está a esmagadora
maioria dos envolvidos — o cenário é de precarização, exploração laboral,
endividamento com facções e altíssimo risco de morte ou prisão.
Diversos estudos sociológicos e econômicos, incluindo pesquisas clássicas sobre mercados ilícitos urbanos, demonstram que o chamado “soldado do tráfico” ou pequeno varejista da droga recebe remunerações modestas, muitas vezes equivalentes ou inferiores a um salário mínimo.
Há levantamentos históricos em outras localidades
que estimaram ganhos próximos de US$ 3,30 por hora, abaixo inclusive do piso
legal à época. Além disso, diferentemente de um emprego formal ou de um negócio
próprio, esses rendimentos não oferecem qualquer proteção trabalhista,
estabilidade, previdência ou possibilidade segura de acumulação patrimonial.
Soma-se a isso o risco permanente de violência armada, repressão estatal e
punições internas das próprias organizações criminosas.
Quando se observa o outro lado da equação — o das atividades informais lícitas e do microempreendedorismo comunitário — a realidade econômica se mostra surpreendentemente mais favorável. Um vendedor de comida de rua, como um ambulante de cachorro-quente ou churrasquinho, mesmo quando empregado sob regime CLT, pode alcançar média salarial em torno de R$ 2.011,96 mensais. Já no caso de empreendedores autônomos, os rendimentos podem ultrapassar R$ 3.000 por mês, variando conforme localização, clientela, qualidade do produto e capacidade de gestão.
Mais importante do que o valor absoluto é a
natureza desse ganho: trata-se de uma renda construída com possibilidade real
de crescimento, formalização como MEI, acesso a microcrédito, compra de
equipamentos, expansão do ponto comercial e até abertura de estabelecimento
fixo. Ou seja, diferente do dinheiro ilícito — volátil e interrompido pela
repressão ou pela violência — o lucro do pequeno empreendedor pode se
transformar em patrimônio, mobilidade social e melhoria concreta das condições
de vida familiar.
Portanto, a comparação entre o “churrasquinho de esquina” e o varejo do tráfico não pretende romantizar a informalidade, mas evidenciar um contraste econômico e social relevante: muitas vezes, o trabalho honesto de baixa barreira de entrada, mesmo simples e árduo, revela-se mais rentável, sustentável e seguro no médio e longo prazo do que a inserção na base de mercados ilegais altamente violentos.
Os principais pontos que sustentam essa tese são:
-Rendimentos de "Salário Mínimo" para pequenos e médios traficantes: O economista Steven Levitt (autor de Freakonomics) demonstrou, em um estudo clássico em Chicago, que a maioria dos traficantes de rua (os "soldados") ganhava cerca de US$ 3,30 por hora, valor abaixo do salário mínimo americano da época. No Brasil, pesquisas indicam que a renda do pequeno traficante frequentemente se assemelha à de um trabalhador informal de baixa qualificação.
-Trabalho por "Status" e Ascensão: Muitos jovens aceitam ganhos baixos no tráfico pela perspectiva (raramente alcançada) de subir na hierarquia para se tornarem chefes, que são os únicos que realmente lucram alto. É o que os autores chamam de "vender um sonho".
-Comparação com o Mercado Informal: Enquanto um vendedor ambulante (como o de churrasquinho) pode lucrar, em média, R$ 2.011,96 mensais com autonomia e menor risco de morte, o pequeno traficante vive sob constante ameaça policial e de facções rivais, muitas vezes sem conseguir cobrir sequer seus custos básicos de vida.
-A "Porta de Saída": Estudos recentes da Data Favela sugerem que a maioria dos envolvidos no tráfico deixaria a atividade se tivesse uma oportunidade real de renda digna no mercado formal ou empreendedorismo honesto.
Para aprofundar, você pode ler o capítulo "Por que os traficantes de drogas ainda moram com suas mães?" no livro Freakonomics, que detalha como a estrutura do tráfico imita empresas capitalistas com extrema desigualdade salarial. Você gostaria de saber mais sobre como o empreendedorismo em comunidades tem sido uma alternativa ao crime? Leia o texto a seguir, pois este é um tema fascinante que cruza economia, sociologia e realidade urbana. Abaixo, preparei uma estrutura de post para blog otimizada, seguida pelas referências e uma sugestão de imagem.







