SINDICATOS:
REPRESENTAÇÃO DOS TRABALHADORES OU meros INSTRUMENTOS DE PODER PARTIDÁRIO?
por *Franzé
Vindo do meio sindical, onde iniciei
minha militância política ainda em 1988 no Partido Comunista do Brasil (PCdoB) em Aracati-Ce, vivi
por dentro a dinâmica organizativa e ideológica que marcou grande parte do
sindicalismo brasileiro nas últimas décadas. Aproximadamente dez anos depois,
ao migrar gradualmente para uma visão liberal de sociedade, passei a
experimentar não apenas divergências teóricas, mas também resistências práticas
dentro do próprio ambiente sindical.
Tornou-se evidente a existência de um pensamento predominante, frequentemente marcado por forte orientação esquerdista e progressista, que, embora afirmasse publicamente que o sindicato não possui partido político e que representa todos os trabalhadores de todo espectro partidário, na prática revelava significativa homogeneidade ideológica esquerdista entre suas lideranças.
A defesa de perspectivas distintas sobre a reivindicação de
direitos trabalhistas — fora do enquadramento tradicional da esquerda política
— era frequentemente interpretada como ameaça à unidade do movimento, sendo
rotulada como “tumulto” ou tentativa de enfraquecimento da luta sindical. Essa
experiência pessoal suscita uma reflexão mais ampla e necessária: até que ponto
o pluralismo político é realmente admitido dentro das estruturas sindicais
contemporâneas?
O debate sobre o papel dos sindicatos atravessa toda a história do movimento operário moderno. Desde o surgimento das primeiras organizações de trabalhadores no século XIX, os sindicatos foram concebidos como instrumentos de defesa coletiva diante das desigualdades produzidas pelo capitalismo industrial. Contudo, ao longo do tempo, muitas estruturas sindicais passaram a enfrentar uma tensão permanente: permanecer como organizações autônomas voltadas aos interesses concretos dos trabalhadores ou converter-se em extensões institucionais de projetos políticos partidários.
A questão central, portanto, não reside simplesmente no fato de sindicatos dialogarem com partidos políticos — algo legítimo e esperado em regimes democráticos —, mas em saber se devem subordinar-se a um único projeto ideológico ou preservar sua autonomia representativa diante da pluralidade real existente entre os próprios trabalhadores. Trata-se, sobretudo, de evitar a reprodução do chamado peleguismo sindical, fenômeno historicamente associado à transformação das lideranças em intermediários permanentes entre o poder político e a base trabalhadora, deixando de agir como representantes legítimos para assumir o papel de administradores do consenso e da acomodação institucional.







