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Se Eclesiastes 9 diz que "os santos estão mortos" por que rezar a eles?

Written By Beraká - o blog da família on domingo, 21 de agosto de 2016 | 16:47


(foto reprodução)


por*Francisco José Barros de Araújo 



João 16,12-15: “Ainda tenho muito que vos dizer, mas vós não o podeis suportar agora.Mas, quando vier aquele Espírito da verdade, ele vos guiará em toda a verdade, porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará o que há de vir.Ele me glorificará, porque há de receber do que é meu e vo-lo há de anunciar.Tudo quanto o Pai tem é meu; por isso, vos disse que há de receber do que é meu e vo-lo há de anunciar.”




Uma das dificuldades mais comuns quando se lê a Bíblia fora do seu contexto completo é tomar afirmações parciais como se fossem a revelação definitiva sobre determinado tema. É precisamente por isso que o próprio Cristo advertiu em João 16,12-15: 




“Ainda tenho muito que vos dizer, mas não o podeis suportar agora”, mostrando que a compreensão plena das verdades divinas seria progressiva e guiada pelo Espírito Santo ao longo da história da Igreja.




Essa passagem nos introduz numa realidade fundamental da teologia cristã: Deus não revelou tudo de uma só vez, mas conduziu a humanidade pedagógica e gradualmente, respeitando os limites culturais, intelectuais e espirituais de cada época. 




Os teólogos chamam isso de "desenvolvimento ou marcha ascendente da Revelação", ou seja, uma revelação que não muda em sua essência, pois Deus não muda nem a verdade divina evolui como se fosse algo imperfeito, mas a compreensão humana dessa mesma verdade vai se tornando mais clara com o tempo, à medida que Deus vai educando espiritualmente a humanidade e a Igreja, assistida pelo Espírito Santo, vai aprofundando aquilo que já estava contido implicitamente no depósito da fé.  



É muito importante destacar que isso não é uma invenção do Concílio Vaticano II, como alguns imaginam, mas uma doutrina muito anterior, já presente nos Padres da Igreja, nos grandes teólogos medievais e em documentos do Magistério muito antes do século XX. 



O Vaticano II apenas retomou e sistematizou algo que sempre fez parte da tradição católica.  Já no século V, São Vicente de Lérins formulava o princípio clássico do desenvolvimento homogêneo da doutrina ao afirmar que o verdadeiro progresso da fé acontece “no mesmo dogma, no mesmo sentido e na mesma compreensão” (eodem sensu eademque sententia), ou seja, há crescimento na explicitação, mas não mudança na substância da fé recebida dos Apóstolos.  No século XIX, o então beato (hoje São) John Henry Newman desenvolveu magistralmente esse tema em sua obra sobre o desenvolvimento da doutrina cristã, mostrando que o crescimento doutrinal da Igreja se assemelha ao desenvolvimento de uma semente que já contém em si toda a árvore em potência. A árvore não é diferente da semente em natureza, mas é o seu desdobramento natural.  




O próprio Magistério já tratava disso oficialmente antes do Vaticano II. O Concílio Vaticano I (1869-1870), na constituição Dei Filius, já ensinava que a inteligência da fé deve crescer ao longo do tempo na Igreja, afirmando que a compreensão dos dogmas pode progredir “tanto pela contemplação e estudo dos crentes, como pela inteligência que experimentam das coisas espirituais, como pela pregação daqueles que receberam a sucessão apostólica”.  





Da mesma forma, o Papa Pio XII, na encíclica Humani Generis (1950), também abordou o desenvolvimento doutrinal, explicando que a Igreja pode aprofundar a formulação das verdades reveladas para responder a novos erros ou esclarecer melhor aquilo que sempre foi crido, sem jamais alterar o conteúdo essencial da fé.  





Isso explica, por exemplo, por que certas doutrinas hoje claramente definidas — como a formulação precisa da Trindade, a natureza das duas naturezas de Cristo, o cânon bíblico, ou mesmo a explicitação mais sistemática da doutrina do purgatório — não aparecem com a mesma linguagem técnica nos primeiros séculos. Elas já estavam presentes na fé apostólica, mas foram sendo esclarecidas diante de controvérsias e heresias.  



Portanto, quando a Igreja explica melhor uma verdade, ela não está “inventando” uma nova doutrina, mas cumprindo aquilo que Cristo prometeu em João 16,13: “O Espírito da verdade vos guiará a toda a verdade.” Esse “guiar” indica precisamente um processo histórico de aprofundamento, não uma mudança da verdade revelada.  



Assim, a chamada marcha ascendente da Revelação mostra justamente a pedagogia divina: Deus não revelou tudo de forma imediata e sistemática como um manual de teologia, mas entrou na história humana e foi conduzindo progressivamente o seu povo até a plenitude da Revelação em Cristo, cuja compreensão continua a ser aprofundada pela Igreja até o fim dos tempos.




Por exemplo, no Antigo Testamento mais antigo, a compreensão sobre a vida após a morte ainda era pouco desenvolvida. Em muitos textos aparece a visão do Sheol, uma espécie de estado obscuro dos mortos, onde não havia ainda a clara distinção que depois encontramos no Novo Testamento sobre céu, inferno e purificação. É dentro desse contexto que Eclesiastes afirma que “os mortos nada sabem”, não como uma definição dogmática definitiva sobre o estado das almas, mas como uma descrição da perspectiva humana limitada daquele momento da revelação.Com o passar do tempo, Deus foi revelando verdades mais profundas: a esperança da ressurreição (como em Daniel 12,2), a consciência da alma após a morte (como em 2 Macabeus 15, onde Jeremias aparece intercedendo pelo povo), a superação da antiga teologia da retribuição automática e, finalmente, no Novo Testamento, a revelação plena da vida eterna em Cristo, da comunhão dos santos e do Deus Uno e Trino.



Dentro dessa revelação mais plena também se esclarece a doutrina das realidades últimas, chamadas na teologia de novíssimos do homem: morte, juízo, céu, inferno e purgatório.



-O Céu é o estado de felicidade eterna daqueles que morrem na graça e amizade de Deus. Mais do que um lugar físico, é a comunhão perfeita com Deus, a chamada visão beatífica, como descreve Apocalipse 21,4: “Deus enxugará toda lágrima dos seus olhos, e não haverá mais morte, nem luto, nem dor.” É nesse estado que se encontram os santos, vivos em Deus e intercedendo pela Igreja peregrina na terra.

-O Inferno, por sua vez, é o estado de separação eterna de Deus escolhido livremente por aqueles que morrem em pecado mortal sem arrependimento. Não se trata de uma condenação arbitrária, mas da consequência definitiva da recusa da graça divina, como o próprio Cristo ensina em Mateus 25,46 ao falar do castigo eterno em contraste com a vida eterna.

-Já o Purgatório é frequentemente mal compreendido. A Igreja ensina que ele não é uma “segunda chance”, mas um estado de purificação para aqueles que morreram salvos, porém ainda necessitados de purificação das consequências do pecado. Essa doutrina aparece implicitamente em 1 Coríntios 3,15 (“será salvo, porém como através do fogo”) e claramente na prática judaica descrita em 2 Macabeus 12,44-46, onde se rezava pelos mortos — algo que só faz sentido se eles puderem ser beneficiados por nossas orações.



É justamente dessa doutrina que nasce a prática cristã antiquíssima de rezar pelas almas e pedir a intercessão dos santos. Se os que estão no céu vivem em Deus, podem interceder por nós; se os que estão em purificação podem ser ajudados por nossas orações, então existe uma verdadeira solidariedade espiritual entre os membros do Corpo de Cristo.





Outro ponto essencial é compreender a diferença entre a prática condenada pela Bíblia chamada necromancia (Deuteronômio 18,10-12), que consiste em tentar evocar os mortos para obter conhecimento oculto ou poder, e a intercessão dos santos, que é algo completamente diferente. A Igreja nunca ensinou que se deve “consultar os mortos” como faziam os pagãos, mas sim pedir a intercessão daqueles que vivem em Deus, assim como pedimos orações aos irmãos que ainda estão nesta vida.Quando um católico pede a intercessão de um santo, ele não está tentando obter revelações secretas nem praticando magia, mas apenas vivendo a realidade da Comunhão dos Santos, professada no Credo, que ensina que a Igreja é uma só: militante na terra, padecente no purgatório e triunfante no céu. Trata-se da mesma lógica espiritual de Apocalipse 5,8, onde os santos no céu apresentam a Deus as orações dos fiéis como incenso agradável.




Também é importante esclarecer, para evitar confusões comuns, que práticas ou devoções populares relacionadas às almas do purgatório, como as exposições do chamado Museu das Almas do Purgatório em Roma, não constituem definições dogmáticas obrigatórias da Igreja. Trata-se de iniciativas devocionais privadas e não de um órgão oficial do Vaticano, embora o tema do purgatório em si faça parte da doutrina católica definida em concílios como Florença e Trento.





Portanto, a questão não é se os mortos estão “inconscientes”, mas sim que tipo de mortos estamos falando. Para a fé cristã, aqueles que morrem na amizade de Deus não estão mortos no sentido absoluto, mas vivos em Cristo, como ensina São Paulo: “Se vivemos, vivemos para o Senhor; se morremos, morremos para o Senhor” (Romanos 14,8). Por isso, a oração aos santos não é um diálogo com mortos, mas um pedido de intercessão àqueles que vivem plenamente em Deus.




Dessa forma, longe de contradizer a Escritura, a veneração dos santos só pode ser corretamente compreendida à luz da totalidade da Revelação, da Tradição apostólica e do ensinamento constante do Magistério da Igreja, que, assistido pelo Espírito Santo prometido por Cristo, continua a nos guiar “a toda a verdade” (João 16,13).







Esta prática (necromancia) é condenada pelas escrituras na seguinte passagem:





"Quando tiveres entrado na terra que o Senhor teu Deus te há de dar, guarda-te de querer imitar as abominações daquelas gentes...não consultarás os necromantes, ou advinhos ou indague dos mortos a verdade. Porque o Senhor abomina todas estas coisas e por tais maldades exterminará estes povos à tua entrada" (Deuteronômio, 19, 9-13).






 



Após a morte, através da comunhão dos santos e pelas orações, e missas pelos almas dos falecidos, pode haver uma comunicação de méritos para as almas dos que estão no purgatório. Nunca uma comunicação direta com falecidos pela invocação das almas, pois o que a Igreja e a Sagrada Escritura condenaram como pecado, nunca deixa de ser pecado. Nenhum padre, Bispo ou mesmo Papa pode aprovar o que o próprio Deus condenou. São Paulo ensinou que, “se um anjo do céu viesse ensinar algo diferente do que está no Evangelho, que seja amaldiçoado. (Gálatas 1,8)”. 



O que a Igreja ensina é que Deus por iniciativa d’Ele (e não nossa por evocações em mesas brancas, pretas, ou seja lá de qualquer cor) pode permitir o aparecimento de uma alma do purgatório, ou até mesmo já da glória celeste, em condições especialíssimas e muito raramente, como já aconteceu na história da Igreja e na própria sagrada escritura (como na transfiguração com Moisés e Elias).A Igreja Católica também, defende a sã doutrina da intercessão dos santos junto a Cristo e por Cristo, pelos méritos dos santos, através da permanente comunhão dos santos, que não se interrompe com a morte. 



O que a Igreja e as escrituras proíbem simultaneamente é a consulta direta por evocação às almas dos mortos (isto é o que a Bíblia chama, e condena, como necromancia), pois é uma abominação "indagar dos mortos a verdade" (Deuteronômio 18, 11). 



A Igreja nos adverte ainda que, em tais circunstâncias, o demônio, por ser anjo, facilmente pode iludir a quem segue essa prática:“Isso não é de admirar, pois o próprio Satanás se disfarça de anjo de luz...” ( II Cor 11,14)












O ENSINO DA IGREJA SOBRE A COMUNHÃO DOS SANTOS







Diversas espiritualidades e comunhão dos santos






§2684: Na comunhão dos santos, desenvolveram-se, ao longo da história das Igrejas, diversas espiritualidades. O carisma pessoal de uma testemunha do Amor de Deus aos homens pôde ser transmitido, como "o espírito" de Elias a Eliseu" e a João Batista, para que alguns discípulos tenham parte nesse espirito. Há uma espiritualidade igualmente na confluência de outras correntes, litúrgicas e teológicas, atestando a inculturação da fé num meio humano e em sua história. As espiritualidades cristãs participam da tradição viva da oração e são guias indispensáveis para os fiéis, refletindo, em sua rica diversidade, a pura e única Luz do Espírito Santo.O Espírito é de fato o lugar dos santos, e o santo é para o Espírito um lugar próprio, pois se oferece para habitar com Deus e é chamado seu templo.






A Intercessão expressão da comunhão dos santos





§1055 Em virtude da "comunhão dos santos", a Igreja recomenda os defuntos à misericórdia de Deus e oferece em favor deles sufrágios, particularmente o santo sacrifício eucarístico.



§2635: Interceder, pedir em favor de outro, desde Abraão, é próprio de um coração que está em consonância com a misericórdia de Deus. No tempo da Igreja, a intercessão cristã participa da de Cristo; é a expressão da comunhão dos santos. Na intercessão, aquele que ora "não procura seus próprios interesses, mas pensa sobretudo nos dos outros" (Fl 2,4) e reza por aqueles que lhe fazem mal.






Significação da comunhão dos santos






§1331: Comunhão, porque é por este sacramento que nos unimos a Cristo, que nos toma participantes de seu Corpo e de seu Sangue para formarmos um só corpo; denomina-se ainda as "coisas santas: ta hagia (pronuncia-se "ta háguia" e significa "coisas santas"); sancta (coisas santas), este é o sentido primeiro da "comunhão dos santos" de que fala o Símbolo dos Apóstolos, pão dos anjos, pão do céu, remédio de imortalidade, viático.






Intercessão dos santos





§956: A intercessão dos santos. "Pelo fato de os habitantes do Céu estarem unidos mais intimamente com Cristo, consolidam com mais firmeza na santidade toda a Igreja. Eles não deixam de interceder por nós ao Pai, apresentando os méritos que alcançaram na terra pelo único mediador de Deus e dos homens, Cristo Jesus. Por conseguinte, pela fraterna solicitude deles, nossa fraqueza recebe o mais valioso auxílio": Não choreis! Ser-vos-ei mais útil após a minha morte e ajudar-vos-ei mais eficazmente do que durante a minha vida.






§1434 As múltiplas formas da penitência na vida cristã A penitência interior do cristão pode ter expressões bem variadas. A escritura e os padres insistem principalmente em três formas: o jejum, a oração e a esmola, que exprimem a conversão com relação a si mesmo, a Deus e aos outros. Ao lado da purificação radical operada pelo batismo ou pelo martírio, citam, como meio de obter o perdão dos pecados, os esforços empreendidos para reconciliar-se com o próximo, as lágrimas de penitência, a preocupação com a salvação do próximo, a intercessão dos santos e a prática da caridade, "que cobre uma multidão de pecados" (1Pd 4,8).







Intercessão pelos falecidos






§958: A comunhão com os falecidos. "Reconhecendo cabalmente esta comunhão de todo o corpo místico de Jesus Cristo, a Igreja terrestre, desde os tempos primeiros da religião cristã, venerou com grande piedade a memória dos defuntos (...) e, `já que é um pensamento santo e salutar rezar pelos defuntos para que sejam perdoados de seus pecados' (2Mc 12,46), também ofereceu sufrágios em favor deles." Nossa oração por eles pode não somente ajudá-los, mas também tornar eficaz sua intercessão por nos.






§2636 As primeiras comunidades cristãs viveram intensamente esta forma de partilha. O Apóstolo Paulo as faz participar assim de seu ministério do Evangelho, mas intercede também por elas. A intercessão dos cristãos não conhece fronteiras: "Por todos os homens, pelos que detêm a autoridade" (1 Tm 2,1), pelos que perseguem pela salvação daqueles que recusam o Evangelho.








“Porque os vivos, esses sabem pelo menos que hão de morrer! Mas os mortos não sabem nada; nem sequer têm memória. Tudo o que fizeram em vida: os seus amores, ódios, rivalidades, tudo se foi com eles, e já não têm participação de espécie alguma naquilo que se passa aqui na Terra.” (Eclesiastes 9,5-6)





Em primeiro lugar, temos que ter muito cuidado ao definir o que a palavra “mortos” significa neste contexto. Como sabemos, os que se mantém fiéis ao Evangelho de nosso Senhor são garantidos a “Vida Eterna”, tal e qual assegurou Jesus à Marta diante da morte de seu irmão Lázaro:“Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim viverá, ainda que morra, e quem vive e crê em mim nunca morrerá .”(João 11,24-25). Note que por esse motivo Jesus se referiu à morte de Lázaro como ‘sono’, causando confusão na mente de seus discípulos naquele tempo, e ainda hoje, na mente de muitos Cristãos que não entenderam o que Jesus tentava lhes dizer. 




COMO INTERPRETAR CORRETAMENTE ECLESIASTES 9,5-6?



Uma das maiores causas de confusão na interpretação da Bíblia é retirar um versículo do seu contexto histórico, teológico e da totalidade da Revelação. Eclesiastes 9,5-6 frequentemente é usado para afirmar que os mortos estariam inconscientes ou inexistentes, porém essa leitura ignora tanto o contexto bíblico quanto o ensinamento completo das Escrituras. Para entender corretamente essa passagem, precisamos considerar alguns pontos fundamentais.





1. O contexto histórico e teológico no tempo de Jesus - No tempo de Nosso Senhor existiam dois grandes grupos religiosos entre os judeus:



Os Fariseus:

-Acreditavam na ressurreição dos mortos

-Acreditavam na existência dos anjos

-Acreditavam na vida após a morte






- Apesar crerem e serem tementes a Deus,negavam a ressurreição

-Negavam a vida após a morte

-Acreditavam que a morte era o fim da existência consciente




A própria Escritura registra essa diferença: (Marcos 12,18) “Os saduceus, que dizem não haver ressurreição…”



É dentro desse debate religioso que muitas passagens devem ser compreendidas. A interpretação materialista e fundamentalista da morte se aproxima mais da posição dos saduceus do que da fé cristã.




2. Jesus corrige o erro dos que negavam a vida após a morte



Cristo rejeitou explicitamente a doutrina dos saduceus e reafirmou a vida após a morte:


-Mateus 22,31-32: “Deus não é Deus dos mortos, mas dos vivos.”

-Lucas 20,38: “Porque para Ele todos vivem.”

-João 5,28-29: “Vem a hora em que todos os que estão nos túmulos ouvirão sua voz.”



Ou seja, Jesus ensina claramente que a morte não é o fim da existência da alma.



3. O sentido correto de Eclesiastes




Eclesiastes pertence à literatura sapiencial e muitas vezes descreve a realidade do ponto de vista humano e terreno, não como definição dogmática absoluta.



Quando o texto diz que os mortos nada sabem, o autor está descrevendo:



-A incapacidade dos mortos participarem da vida terrena

-A ruptura com as atividades deste mundo

-A perspectiva humana limitada antes da Revelação plena



O texto não está negando a existência espiritual da alma, mas descrevendo a morte do ponto de vista “debaixo do sol”, expressão repetida várias vezes no próprio livro.



4. A morte física não significa morte espiritual




Sabemos que todos morrem fisicamente, justos e pecadores. Porém a Escritura distingue:



-morte física

-morte espiritual

-vida eterna



São Pedro confirma isso em 1 Pedro 4,6: “Por esta razão o Evangelho foi anunciado também aos mortos, para que vivam em espírito segundo Deus.”




Isso mostra claramente que existe vida espiritual após a morte corporal.




5. A Igreja como Corpo Místico de Cristo




A Igreja sempre ensinou que ela não é apenas uma instituição visível, mas o Corpo Místico de Cristo, formado por:


-os fiéis na terra (Igreja Militante)

-as almas em purificação (Igreja Padecente)

-os santos no céu (Igreja Triunfante)




Essa união espiritual é chamada: A COMUNHÃO DOS SANTOS - Como professamos no Credo:



“Creio no Espírito Santo, na Santa Igreja Católica, na comunhão dos santos e na vida eterna.”



Isso significa que a morte não quebra a união dos membros do Corpo de Cristo.



6. A Bíblia mostra os santos vivos em Deus. Diversas passagens mostram claramente que os justos continuam vivos em Deus.



-A Transfiguração: Mateus 17,2-3: Moisés e Elias apareceram conversando com Jesus. Ora, Moisés havia morrido séculos antes. Isso demonstra que os justos vivem em Deus.


-Cristo pregando aos espíritos de falecidos no passado: 1 Pedro 3,18-19. Cristo pregou aos espíritos em prisão, mostrando a continuidade da existência espiritual.



-Os santos vivem em espírito: 1 Pedro 4,6 - Os mortos podem viver em espírito diante de Deus.



7. O que realmente significa rezar aos santos



Os católicos não rezam aos mortos como se fossem divindades. Eles:

-Não adoram os santos
-Não os consideram deuses
-Não pedem graças diretamente como fonte própria



O que fazem é:


-Pedir intercessão junto a Cristo (sem necromancia). Exatamente como pedimos oração a um amigo.



A diferença é apenas que os santos:


-já estão na presença de Deus em espírito e em verdade

-estão plenamente unidos a Cristo

-participam da glória eterna





8. A diferença entre adoração e veneração




A Igreja distingue claramente três tipos de honra:


1)-Latria: Adoração exclusiva de Deus

2)-Dulia: Veneração dos santos

3)-Hiperdulia: Veneração especial de Maria Santíssima



A Igreja proíbe qualquer adoração aos santos. Adoração pertence somente a Deus.



9. O verdadeiro sentido da oração



A palavra "rezar" vem do latim recitare e "orar" vem do latim orare. Ambas significam:


-Pedir
-Suplicar
-Interceder



Portanto pedir a intercessão dos santos significa apenas: pedir que rezem por nós



Nada diferente do que a Bíblia manda fazer:


-Efésios 6,18: “Orai uns pelos outros.”

-Romanos 8,27: “O Espírito intercede pelos santos.”




10. A oração dos "justos" é poderosa



A Escritura ensina: Tiago 5,16: “A oração do justo tem grande eficácia.”



Ora, se a oração dos justos na terra já é poderosa, quanto mais daqueles que já estão perfeitos no céu junto a Jesus!



11. A intercessão já aparece no Antigo Testamento



Mesmo antes de Cristo vemos intercessão celestial:


-Daniel 12,1: Miguel protege o povo de Deus.

-Daniel 10,13: Miguel auxilia na batalha espiritual.



Isso mostra que Deus permite a intercessão dos seus servos celestes.Portanto, Eclesiastes 9 não pode ser usado para negar a vida após a morte ou a intercessão dos santos, pois:


-Jesus ensinou que Deus é Deus dos vivos

-A Bíblia mostra santos conscientes após a morte

-A Igreja sempre ensinou a Comunhão dos Santos

-Pedir intercessão não é necromancia

-Os santos vivem em Cristo


O erro está em ler um versículo isolado sem considerar toda a Revelação.Os católicos não rezam a mortos, mas pedem a intercessão daqueles que vivem em Cristo. Pois como diz Nosso Senhor:




“Quem crê em mim, ainda que morra, viverá.” (João 11,25)




CONCLUSÃO


À luz de tudo o que foi exposto, torna-se claro que a interpretação de Eclesiastes 9,5-6 não pode ser feita de maneira isolada, literalista ou descontextualizada do conjunto da Revelação divina. A própria Escritura deve ser interpretada à luz da própria Escritura, da Tradição viva da Igreja e do ensinamento constante do Magistério, conforme sempre ensinou a Igreja Católica.



Quando o autor de Eclesiastes afirma que os mortos “nada sabem”, ele não está definindo uma doutrina definitiva sobre o estado das almas após a morte, mas descrevendo a condição humana sob a perspectiva limitada da vida terrena, antes da plena revelação trazida por Cristo. 



O próprio progresso da Revelação bíblica mostra claramente que Deus foi elevando gradualmente a compreensão do seu povo até a manifestação plena da vida eterna em Jesus Cristo.







O Novo Testamento dissipa qualquer dúvida ao mostrar que:



-Deus é Deus dos vivos e não dos mortos (Mateus 22,32)

-os justos continuam vivos em Deus (Lucas 20,38)

-existe consciência após a morte (Lucas 16,19-31)

-os santos participam da glória celestial (Apocalipse 6,9-11)

-os fiéis formam um só corpo em Cristo (Romanos 12,5)



Dessa forma, a doutrina católica sobre a intercessão dos santos não é uma invenção tardia nem uma corrupção do cristianismo primitivo, mas uma consequência lógica da doutrina bíblica da vida eterna e da unidade do Corpo de Cristo.

Se a morte não destrói nossa união com Cristo, também não destrói nossa união com aqueles que pertencem a Cristo. Pelo contrário, como ensina São Paulo, nada pode nos separar do amor de Deus (Romanos 8,38-39), nem mesmo a morte.

A Comunhão dos Santos é justamente essa realidade sobrenatural: a Igreja não é apenas a comunidade dos vivos na terra, mas a família completa de Deus, formada pelos que ainda peregrinam neste mundo, pelos que estão sendo purificados e pelos que já contemplam Deus face a face.

Por isso, pedir a intercessão dos santos não diminui a mediação única de Cristo (1 Timóteo 2,5), mas manifesta sua eficácia, pois é precisamente porque Cristo é o único mediador que todos os membros do seu Corpo podem participar secundariamente dessa mediação por intercessão, assim como participamos quando rezamos uns pelos outros. Assim como pedimos oração aos irmãos na terra, também podemos pedir a oração dos irmãos que já estão na glória. A única diferença é que estes já chegaram à meta que nós ainda buscamos.



Portanto, rezar pedindo a intercessão dos santos:



-não é necromancia

-não é idolatria

-não é consulta aos mortos

-não substitui Cristo

-não contradiz a Bíblia



É simplesmente viver plenamente a realidade da Igreja como Cristo a fundou: uma comunhão viva que nem a morte pode destruir.



Negar essa realidade implicaria reduzir a vitória de Cristo sobre a morte, pois o cristianismo não é a religião dos mortos, mas da vida eterna. Como ensina São Paulo: “Se morremos com Cristo, cremos que também viveremos com Ele.” (Romanos 6,8)



E como afirmou Nosso Senhor: “Quem vive e crê em mim nunca morrerá.” (João 11,26)



É por isso que os católicos não rezam aos mortos, mas aos vivos em Cristo, aqueles que já participam da Jerusalém Celeste e que, unidos a Cristo, continuam amando, intercedendo e participando do mistério da salvação.




*Francisco José Barros de Araújo – Bacharel em Teologia pela Faculdade Católica do RN, conforme diploma Nº 31.636 do Processo Nº  003/17 - Perfil curricular no sistema Lattes do CNPq Nº 1912382878452130.




BIBLIOGRAFIA 




-AQUINO, Tomás de. Suma Teológica. Tradução brasileira. São Paulo: Loyola, 2005.

-NEWMAN, John Henry. Ensaio sobre o desenvolvimento da doutrina cristã. Campinas: Ecclesiae, 2015.

-RATZINGER, Joseph (Bento XVI). Escatologia: morte e vida eterna. São Paulo: Molokai, 2018.

-CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA. Catecismo da Igreja Católica. São Paulo: Loyola, 2000.

-SHEEN, Fulton J. A vida de Cristo. São Paulo: Ecclesiae, 2014.






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