Foi assim no seu “consultório
espiritual” que conheci o verdadeiro padre Walter Collini, um zelador e
condutor de almas, que se alegra e também, chora com os que choram. Ele aceitou
meu desafiador pedido para ser meu diretor espiritual. Sai de nosso primeiro
encontro sentindo-me uma ovelha amada, compreendida, e misericordiada para misericordiar. Padre Walter é oriundo da
Itália, da pequena cidade de Pinzolo, de apenas 2 mil habitantes, encravada nos
Alpes da região de Trento, chegou à Martins ainda jovem e conduziu este
rebanho por longos 36 anos.

Diz que casou e batizou metade de uma
geração de fieis seguidores que até hoje o reverenciam. Eu sou sua
ovelha temporão. O menino Walter nasceu em uma
família de condutores de colinas. Seu pai, Oscar Collini, também era um homem
das montanhas, assim como o avô, e o bisavô trabalharam como guias nas
cordilheiras de gelo como instrutores de esqui para turistas que se aventuravam
pelas montanhas da região gelada. Segundo o padre Walter, até hoje as montanhas
marcam sua vida, lhes dando norte, posição, tal uma bussola que lhes desafia a
alma para as grandes escaladas da sua vida. E por essa proximidade com as
colinas e as suas escaladas foi destacado para a paróquia de Martins pelo então
bispo Dom Gentil Diniz Barreto. “O bispo disse que me mandaria para uma cidade
em que eu não sentiria muita saudade da minha terra, e me mandou para Martins”,
frisa. “A montanha até na bíblia tem sentidos especiais. Elas seriam uma forma
de encontro com Deus. Por elas estaríamos mais próximo aos céus e,
posteriormente, de Deus. Foi algo que me elevou, me deu uma alma de meditação,
de introspecção e de silêncio”, frisa relembrando as montanhas de sua infância.

Padre Walter é um espirituoso franciscano. Homem sem apego as coisas terrenas e sem posse material. Só
carrega consigo sua fé inabalável em Cristo! Diz-se que durante sua estadia de
36 anos em Martins não possuiu um guarda-roupas sequer. Sua cadeira era um saco
no qual fazia de banco de trabalho. O banheiro era feito apenas de cimento, sem
cerâmica, ou qualquer outra regalia. Não possuiu televisão, e para o
carro em que fazia suas peregrinações fosse trocado, um Jipe Willys, foi
necessário uma revolução dentro da paróquia, e contra a sua vontade. Muitos
imaginavam, e ainda devem imaginar, que o padre Walter fosse, ou seja, um homem
rico. Ledo engano, vive com um salário de aposentado e seus bens e uma política
social voltada para a riqueza da alma dos mais necessitados. “Nunca quis me apegar as coisas desse mundo, e a gente vive melhor.
Minha mãe dizia: “rico não é quem muito tem, mas quem não precisa de muito”. É
uma sabedoria que aprendi e procurei vivê-la. Então, realmente, nunca tive um
guarda-roupas em Martins. O que havia era um deixado por padre Guido”, afirma o
pároco. Quando veio para o
Brasil, trouxera todos os seus pertences em uma mala de papelão e couro. “Deixei tudo para trás. Eu tinha um direito de herança sobre uma casa,
mas deixei para meu irmão. Eu não tinha pretensão de voltar a morar na Itália,
então eu não tinha o que fazer com uma casa por lá”, explica. Sobre a história do
guarda-roupas, padre Walter explica que ele mesmo construíra um num recanto da
parede. Era armado com 3 taboas, um cabo de vassoura para pendurar as camisas
e, segundo ele, não havia necessidades de portas. “Esse era meu guarda-roupas. Eu sempre gostei das coisas simples. É meu
estilo”. Sinônimo maior do seu
desprendimento sobre as coisas terrenas é que nunca comprou uma casa sequer. O
lar em que hoje habita, em Mossoró, foi doado por uma fiel.“Quando terminei meu trabalho na paróquia, eu me perguntei onde iria
morar, pois eu não tinha um lugar onde ficar. Tive várias ofertas, é verdade.
Foi então que uma senhora disse para uma pessoa que trabalhava comigo que iria
construir uma casa e me ofereceu. Então ganhei de graça um lar para morar, e
sem pegar aluguel”, diz o padre. Padre Walter hoje é
aposentado, mas não significa muita coisa, pois a cada dois meses vem a
Martins, seja para celebrar missas como convidado, seja para compromissos
pessoais, fora seu atendimento diário com uma agenda lotada, em seu consultório
espiritual (agendar um encontro não é fácil). Diz ser padre tapa-buracos, pois sempre que a Igreja solicita assume compromissos com paróquias da região.
A vocação - Aos 11 anos o menino Walter comunicou aos
pais o desejo de seguir carreira de padre!
Nascido em ambiente
totalmente católico, o menino Walter cedo despertou a vocação para a igreja. Já
aos 11 anos comunicou aos pais o desejo de seguir carreira de padre. Então
ingressou no seminário de Trento, distante 60 quilômetros de Pinzolo, sua
cidade natal. Walter entrou no Seminário no ano em que Oscar, seu pai,
falecera. Entretanto, mesmo com a morte, o patriarca havia autorizado que o
menino prestasse sua vocação, mas antes pediu que ele refletisse um ano e
se mantivesse o desejo poderia ingressar na vida religiosa: “Minha mãe expressou muita felicidade na escolha. Mas meu pai não! Ele
tinha medo de incentivar uma coisa que fosse mais uma ideia de um menino. Então
pediu que eu esperasse, só para depois ir ao seminário e me desgrudar da
família”, relembra. Padre Walter passou
15 anos no seminário de Trento, que a época era dividida entre seminário maior
e menor. Nesse tempo, entre os anos de 1964, 1965 começava na Itália o Concílio
Ecumênico Vaticano Segundo, e muitos bispos brasileiros sabiam que aquela
região havia muitos padres, desta feita, em contato com alguns bispos
brasileiros e do Nordeste, o agora seminarista Walter Collini viria para no
nordeste do Brasil.
No Brasil
Na época, 80% dos
padres brasileiros eram estrangeiros. Desse modo, os bispos do Brasil sempre
“importavam” padres de Trento, região rica em formar padres. “Eu sentia um certo chamado para atuar no Brasil. Na diocese da Itália,
de aproximadamente 500 mil habitantes, 456 paroquias, cerca de 1.200 padres, e
ordenação de 25 ou 30 padres por ano eu seria apenas mais um. Desse modo,
decidi vir para um local em que eu pudesse ajudar mais”, frisa o pároco. Eu
sabia que não teria muita dificuldade pelo português ser uma língua neolatina.
E também os costumes do latino americano que seria bem mais fácil que, por
exemplo, escolher a África”, relembra. Na época fora lançado
uma encíclica do Papa Pio XII, chamada “o don da fé” em que desafiava a Igreja
Católica a levar um maior contingente possível de padres para os países e
continentes com menos vocações, e assim muitos padres se lançaram para estes
continentes “inabitados pela fé”.
Chegada à Martins
Eu só sabia dizer duas coisas: “pão com queijo e guaraná”! Quando o bispo
destacou o padre para a paróquia de Martins, disse que essa seria uma forma de
ele lembra-se dos Alpes, e também para que o pároco não sentisse tanto a
severidade do clima nas cidades abaixo das serras. “Se eu viesse logo que fosse ordenado padre, em 1973, eu deveria passar
ainda 4 anos na Itália, porque eram padres diocesanos, portanto, apenas
‘emprestados’ a outras dioceses por um período, de 5 ou no máximo 10 anos. “Primeiro, antes de vir, era necessário fazer um estágio lá para que
quando na volta a Itália não ter a dificuldade de se inserir novamente nas
comunidades de origem. Mas como eu pensava em vir a ficar para sempre, eu quis
vir antes mesmo de ser ordenado padre para que eu “incardinar”, ou seja, “ser
enxertado”, ordenado padre na paróquia legalmente onde quer que fosse. Então, com isso, fui ao bispo de Trento e perguntei se ele
autorizava, e se havia algum pedido de algum bispo do Brasil. Então havia um
pedido de Mossoró, que tinha ido a Recife, sabendo que por lá estava um bispo
de Trento, e assim se fez chegar essa solicitação. Então rapidamente
escolhi o Nordeste, porque eu achava que podia ajudar mais por ser uma região
mais pobre, socialmente falando. E também mais carente de padres”. Eu preferi Mossoró
porque não queria ficar com outros padres Italianos para não ‘falsificar’ o meu
sotaque. Eu queria aprender rapidamente o idioma. E foi assim que decidi por
Mossoró. Escrevi para o bispo Don Gentil Diniz Barreto, de Mossoró, com uma
brincadeira, e ele permitiu que eu viesse. A viagem para o Brasil foi de navio,
porque era mais barato. Cheguei ao Rio de Janeiro, e de lá para Mossoró, de
ônibus, em uma viagem que durou 54 horas. Eu só sabia dizer duas coisas: “pão
com queijo e guaraná”. Quando bati na porta do bispo de madrugada, falei sobre
a carta e disse a ele: “eu sou o padre a quem te escreveu disse que viria
trabalhar na sua paróquia”, e assim ingressei em Mossoró. Depois da chegada a
Mossoró, Collini terminou seus estudos no Brasil e foi ordenado padre. Padre Walter chegou
ao Brasil no dia 13 de fevereiro de 1973 e foi ordenado padre em 10 de julho do
mesmo ano. Em setembro, juntamente com outro padre italiano, padre Guido, que já
tinha trabalhado no Brasil, mas há 2 anos havia retornado à Itália, assumiram
as paróquias de Martins e de Umarizal. “Padre Guido era padre Salesiano, e diretor de alguns colégios pelo
Brasil, mas estava cansado da vida de diretor de colégio. Então queria fazer
uma experiência em paróquias e escreveu para Dom Gentil, que ele já conhecia,
para fazer essa experiência de 2 anos em paróquias”, esclarece. Padre Guido havia
colocado como condição para assumir qualquer paróquia de que queria não queria
trabalhar sozinho. Então Don Gentil o colocou ao lado de Walter. No início as
pessoas diziam que eram o padre e o sacristão, pela diferença de idade entre os
dois religiosos - “Padre Guido não queria ficar somente em uma, mas que andássemos os dois
juntos, ficamos com as duas paróquias. Quando chegamos a Martins, o povo olhava
e dizia: ‘esse aí mais novo deve ser o sacristão, o padre deve ser o mais
velho, mais bonito’, riu.
Tempo em Martins
A gente sente saudade dos lugares, das pessoas...Padre Walter saiu da
paróquia de Martins em 2010, mas a paróquia saiu dele, nem o povo da paróquia
de Martins o tiraram dela. Tem uma relação eterna com a cidade, pois sua mãe
foi enterrada no solo que cobre esta terra firme e fria. Apesar de vir a cada dois meses,
a saudades dos lugares e das pessoas do lugar ainda marcam a vida do padre! “Desde criança, quando eu sentia saudade de casa aos 12 anos, tive que
criar mecanismos psicológico para endurecer o coração, que era de manteiga.
Então, apesar de sentir muita saudade, tentei não me apegar nem muito as
pessoas e nem as coisas de maneira exagerada, como nosso coração humano quer”,
lembra. Padre Walter batizou
entre 12 a 13 mil pessoas em Martins. Como realizou o casamento de outros
milhares em sua época, desse modo, em termos de gerações, assim como as
batizou, também as casou, e por ventura da vida, também fez muitas missas de
sétimo dia. “Às vezes a gente sente a falta, mas tenta superar. Claro que a gente
sente saudade dos lugares, das pessoas e nos primeiros anos eu tentava não vir
com frequência a cidade para não atrapalhar o padre que tinha assumido a
paróquia. Pelo tempo que passei aqui, eu tinha muitos laços afetivos”. Collini vem a Martins
sempre que necessário o seu chamado. “Eu agora que me sinto mais livre, sei que
não atrapalhar mais a vida de ninguém. Inclusive todos os padres que passam por
Martins me convidam para participar das missas, eventos da paróquia”,
reafirma.
Recordação dos pais
“A partida de meu pai aprofundou minha relação com Deus e minhas
orações” - Collini perdeu seu
pai ainda muito criança, com apenas 11 anos de idade, Oscar faleceu aos 42 anos
de idade, apenas. “Meu pai marcou os 11 anos da minha vida. Ele conseguiu semear a
probidade, honestidade, a firmeza na palavra dada, pontualidade e organização
das coisas. Então ele estruturou para a vida!”, lembra. Walter herdou do pai,
mesmo com a partida daquele ainda quando criança, marcaria sua vida de rigidez. “A partida de meu pai me aprofundou minha relação com Deus e até nas
minhas orações, quando no credo se diz “creio em Deus-pai”… Quando
interpretamos no que toca de interagir com quem já partiu para a dimensão
celeste”. Então, esse contato
com a morte ainda cedo trouxe a ele sentido de não se apegar com as coisas
deste mundo. “A ser mais livre, e olhar mais para o céu, mas também para a terra,
pois quem vai até a montanha tem que olhar bem o chão para não tropeçar”. Claudina Collini, sua
mãe, morreu aos 95 anos e foi enterrada em Martins. A matriarca passou
os últimos 10 anos de vida na companhia do pároco e segundo conta, era a mulher
mais feliz do mundo!
Rádio MINHA Vida FM
“No início tivemos muitas visitas da Polícia Federal, entre 9 a 12
vezes” - Segundo padre Walter,
a Rádio Minha VIDA FM nasceu de um sonho que alimentou durante 23 anos após
pensar nela. “Pensei no início, não do tamanho que ela tem hoje, mas como um meio de
formação, de chegar informação aos meios rurais da diocese”, diz. Quando nós montamos
pensamos em retransmitir alguma rádio que já existisse. Mas a empolgação foi tamanha
que tomou conta de nós. Depois pedimos a licença de uma rádio educativa e na
época havia muitas rádios comunitárias e não existia leis que abrangessem a
elas. Então nos expomos de certa maneira pela lei. Então tivemos no início
muitas visitas da Polícia Federal, entre 9 a 12 vezes. Mas nunca conseguiram
fechar, nem confiscar e nem lacrar nada. Depois a Rádio ganhou mais
profissionalismo, conseguimos dinheiro para as instalações. Depois o programa
de José Nilson deu uma seriedade para a rádio, no sentido de buscar ouvir o
povo, trazer para a sociedade uma análise feita com objetividade no sentido
educativo. Tínhamos a parte religiosa, inclusive eu cheguei a fazer preparação
de crisma através da rádio, aos sábados. Também as transmissões das missas para
aqueles que não podiam participar. A rádio oportunizou também as pessoas da
cidade entrarem no meio da comunicação como meio de vida, gerando emprego e
renda.
Os padres nas paróquias
“Hoje quem reúne o povo são as tecnologias, o celular” - Por uma política da
igreja, hoje é mais raro que os padres passem tanto
tempo em uma paróquia como o padre passou em Martins. Perguntado se a questão da rotatividade poderia
distanciar os fieis das igrejas, Walter é categórico: “Talvez não seja tão bom que os padres se fixem por muito tempo em uma
paróquia para que não nasçam alguns vícios dentro das paróquias, na
administração e até em servir ao povo de Deus”. Como também afirma
que é salutar que haja mudanças nos dirigentes administradores políticos das
cidades e dos Estados. “As mudanças trazem sempre uma riqueza sempre maior. Por outro lado, os
padres que ficam por muito tempo em uma paróquia criam mais laços de
afetividade. Por exemplo, a cada dois meses eu tenho visitado Martins, e também
nos polos pastorais”. Esses dias estive em
uma comunidade e a pessoa me lembrou que eu havia dado a ela as telhas para a
feitura da sua primeira casa. Também outra pessoa me lembrou que um dos seus
filhos havia sido mordido de cobra, e na época tinha o soro antiofídico, e eram
duas da madrugada quando vieram à minha casa e eu tinha. O remédio salvou a
vida daquela pessoa. Então, é uma proximidade entre a igreja e as comunidades. Mas
até a fisionomia das comunidades mudaram. Era mais fácil reunir o povo
antigamente. Hoje quem reúne o povo são as tecnologias, o celular. Então as
estruturas das comunidades mudaram. “Se as pessoas procurassem mais a Deus não precisariam gastar tanto
dinheiro com psicólogos” - Se eu nascesse de
novo eu seria padre de novo. Eu acho que foi Deus quem me escolheu. É Deus quem
faz a proposta e nós escolhemos ou não. Eu olhando para trás, fazendo uma
retrospectiva sou muito feliz pela minha vida. Estou aposentado, mas
trabalhando em tempo integral. Vivo apenas com o dinheiro que recebo como
aposentado. Hoje sou um padre “tapa buraco”. Mas sou um padre missionário, como os
médicos Sem-Fronteira, sou um Padre Sem-Fronteiras. A minha paróquia mora no
mundo, não está fechada em uma área geográfica! Sou um pároco do mundo onde
quer que eu chegue!
Hoje me dedico a assistência espiritual, a confissão, algo que
hoje está em desuso!
Acho que se as
pessoas procurassem mais a Deus, talvez não precisassem gastar tanto dinheiro
com psicólogos. Até mesmo porque nosso tratamento é gratuito, que é a
misericórdia Divina, que é o perdão dos pecados.Mas resumindo, eu sou muito
feliz da minha vocação. Vocação acertada é sinônimo de pessoa feliz, e eu sou uma
pessoa feliz! Aprendi isso também como a minha mãe. Ela em uma UTI, operada do fêmur,
com 92 anos, me chamaram porque as enfermeiras não estavam entendendo o que ela
estava dizendo. Então quando eu cheguei, perguntei o que era que estava
sentindo, e ela me disse que estava no céu, sendo tratada tão bem! E se dizia a
mulher mais feliz do mundo, mesmo no leito da UTI.
O céu - “Eu penso todo dia no céu! Vou dormir pensando”.

Por definição o Céu
deve ser o lugar da completa felicidade! Não é um lugar de morte, nem de
saudade, nem de separação, nem falta de nada, problemas. É a certeza de que
quando chegarmos até lá seremos recebidos pelo Deus que mandou seu filho morrer
por nós, para salvar toda a humanidade. Minha mãe me perguntava se eu tivesse um inimigo, se eu teria a coragem
de mandá-lo ao inferno por raiva, e eu sempre respondia que não teria essa
coragem. Então ela dizia: imagine Deus que é muito melhor que você. Quando eu estava em
Martins, tinha uma mala que ficava a cima do meu armário. Às vezes ela me
incomodava e eu queria retirá-la para ter mais ordem no meu quarto de dormir. Mas
também eu pensava nela como símbolo de alguém que deve estar sempre pronto para
viajar. Então a coloquei ela de frente para a minha cama e escrevi e um
pedaço de papel: "É hoje senhor? Eu estou pronto! E todo dia de manhã pode ser o
último dia." Toda madrugada, logo que acordo, sem sair do meu quarto de dormir, eu
subo à montanha, como fazia JESUS.É a minha subida cotidiana ao monte Tabor, o
monte da revelação e da transfiguração.É lá o momento da minha oração mais
intensa e da minha intimidade mais profunda com DEUS. É um encontro
silencioso com DEUS, porque as palavras se tornam inúteis, inadequadas. É
oração de pura contemplação. Simplesmente mergulho no infinito de DEUS, fico
contemplando o AMOR eterno, total e absoluto de DEUS pela humanidade toda. Me
deixo absorver por aquele AMOR divino que me diz, e diz para cada ser humano,
feito à sua imagem e semelhança: “Eu amo você mais do que seu pai, mais do que sua mãe! Eu amo você mais
do que você ama a si mesmo! EU AMO VOCÊ MAIS DO QUE EU AMO A MIM MESMO!” Como Pedro tenho
vontade de dizer: «Senhor eu quero passar toda a eternidade aqui, só ouvindo
esta palavra do senhor: “EU AMO VOCÊ MAIS DO QUE EU AMO A MIM MESMO!” - Nem
percebo o tempo passar!

Meia hora, uma hora, ou duas…Tenho a impressão que
estou dando apenas uma brechadinha pelo buraco da fechadura da porta do Paraíso
para me extasiar, só por um instante, com a visão do Céu! Experimento a verdade da carta aos Hebreus 11,1: “A fé é a certeza
daquilo que ainda se espera, a antecipação de realidades que não se vêem!” Eu preciso saborear a
antecipação do Céu para agüentar as dificuldades, os problemas, os sofrimentos,
as provações, minhas e dos outros, ao longo do dia, neste desterro forçado,
neste exílio, felizmente só temporário, gemendo e chorando neste vale de
lágrimas. Aqui no Tabor de cada dia, e só aqui, encontro o sentido e a
explicação de tudo isso. Aqui experimento como é bom morar no coração de DEUS,
da SS TRINDADE, e DEUS, a SS TRINDADE, no meu coração. Tenho uma sensação de
unidade e de unificação em DEUS. Uma fusão em DEUS ou uma efusão de DEUS? Não
sei. Só sei que a oração é o “ponto de fusão” do EU com DEUS! Nessa experiência
cotidiana me reporto a JESUS, que, em sua oração, cedo da madrugada, na
montanha, ficava a sós com o Pai, mas carregava em seu coração a humanidade
toda, principalmente a humanidade sofredora. Por um lado eu sinto que estou
sozinho com DEUS e curto pessoalmente essa intimidade. Mas também, por outro lado, percebo que não posso ir a DEUS, sem levar
toda a humanidade comigo! São todos e todas filhos e filhas de DEUS! Por isso aqui no
monte acontece uma grande celebração com toda a humanidade e com toda a
criação: é uma liturgia cósmica, onde manifestamos juntos nossos sentimentos
para com nosso DEUS: amor, adoração, louvor, agradecimento, oferta de nossa
vida, pedido de perdão. É aqui que eu unifico, harmonizo e recomponho a fragmentação e o
despedaçamento do dia anterior, preparando-me para descer para a planície onde,
mais tarde, encontrarei meus companheiros/as de humanidade na cotidianidade do
caminho, meus irmãos e minhas irmãs aos quais poderei dizer: “Hoje bem cedo falei
de você a DEUS, agora falo de DEUS a você!” No meu próximo
encontrarei o mesmo DEUS que encontrei no monte Tabor. E ao meu próximo
oferecerei o mesmo Amor de DEUS que me transfigurou em um ministro da sua
misericórdia. E assim, na companhia da Mãe de JESUS, dos Santos e Santas, dos
Anjos de DEUS, começo MAIS um dia, que é MENOS um dia, para ir morar
definitivamente no monte, na casa do Senhor!
Padre Walter Collini
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