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Frieren e a Jornada para o Além: o anime que conquistou líderes católicos e está sendo recomendado no mundo inteiro

Written By Beraká - o blog da família on sexta-feira, 17 de abril de 2026 | 13:54




por*Francisco José Barros de Araújo 


Nos últimos meses, um fenômeno curioso — e até inédito — vem acontecendo no mundo da cultura pop: sacerdotes católicos de diferentes países estão recomendando, analisando e até produzindo séries de reflexões sobre o anime Frieren: Beyond Journey's End (Frieren e a Jornada para o Além).Não se trata de um ou outro comentário isolado. Já são dezenas de padres que enxergam na obra uma profundidade espiritual rara, algo pouco comum em produções japonesas. E isso levanta uma pergunta inevitável: como um anime sem intenção religiosa explícita consegue dialogar tão profundamente com a fé cristã?


É como se o autor seguisse, ainda que indiretamente, a mesma linha literária de obras como As Crônicas de Nárnia, de C. S. Lewis, e O Senhor dos Anéis, de J. R. R. Tolkien: narrativas que não são catequeses explícitas, mas que carregam em sua essência valores profundamente compatíveis com a visão cristã da realidade.


Antes de tudo, é importante esclarecer: não há qualquer evidência de que o diretor Keiichirō Saitō seja cristão ou católico. No entanto, isso não impediu que a obra se tornasse um verdadeiro ponto de encontro entre arte e teologia.


1. Um fenômeno inédito: padres analisando um anime


Historicamente, a relação entre Igreja e cultura pop sempre foi cautelosa. Filmes, séries e músicas raramente recebem análises teológicas aprofundadas por parte do clero antes de qualquer recomendação — e menos ainda animações japonesas.

Deus, Religiões e Salvação: Estudo Acadêmico das Principais Religiões

Written By Beraká - o blog da família on sexta-feira, 14 de novembro de 2025 | 17:03

 



por*Francisco José Barros de Araújo 



Religiões, Doutrina e Salvação: Um Estudo Comparativo Sobre Cristianismo, Judaísmo, Islamismo, Budismo, Hinduísmo e Espiritualismo

 

O debate sobre salvação, pecado, reencarnação, natureza de Deus e as divisões internas das tradições religiosas acompanha a humanidade desde seus primeiros registros. Desde as primeiras civilizações, o ser humano busca respostas para questões que transcendem a experiência sensível e tocam o sentido último da existência. 



Perguntas como “o que é salvação?”, “qual o papel da confissão ou do arrependimento?”, “existe reencarnação?”, “todas as religiões possuem divisões internas?” e “como diferentes tradições compreenderam Deus?” revelam um anseio comum: entender a própria origem, o destino final e o relacionamento com o Sagrado. Ao longo da história, cada religião elaborou caminhos para explicar a condição humana e oferecer algum tipo de libertação. Entretanto, dentro da perspectiva cristã — especialmente conforme o Magistério da Igreja — todos esses anseios encontram sua plenitude de sentido e revelação em Jesus Cristo, o Verbo encarnado, no qual Deus se manifesta de maneira definitiva e insuperável. 



Se outras tradições expressam lampejos da busca humana por transcendência, o cristianismo afirma que em Cristo essa busca encontra sua resposta última: a reconciliação plena com Deus, a revelação total do amor divino e o acesso aos meios concretos de salvação. Este artigo reúne e organiza diversos temas levantados em estudos teológicos, históricos e comparativos, estruturando-os de forma clara e didática em tópicos e subtópicos. A proposta é apresentar uma visão abrangente do panorama religioso, sem perder de vista o eixo central da fé cristã: Cristo como a revelação definitiva de Deus e a plenitude da verdade salvífica. O conteúdo é fundamentado em textos bíblicos, na tradição da Igreja e em dados históricos, oferecendo ao leitor uma leitura integrada capaz de iluminar por que tais questões continuam vivas e relevantes no imaginário espiritual da humanidade.

Dayenu: Explorando o Cântico Judaico da Gratidão e Sua Relevância em The Chosen’

Written By Beraká - o blog da família on terça-feira, 28 de outubro de 2025 | 17:01

 




por*Francisco José Barros de Araújo 




Entre os símbolos mais belos do judaísmo, poucos traduzem tão bem a essência da gratidão quanto o cântico “Dayenu” — expressão hebraica que significa “teria sido suficiente”. Essa antiga canção, entoada durante a celebração da Pessach (a Páscoa Judaica), atravessa milênios como um lembrete de que cada ato divino, mesmo o menor, é motivo de louvor.


Recentemente, o termo ganhou destaque ao aparecer na série cristã “The Chosen”, emocionando espectadores que perceberam a profundidade espiritual por trás da simples frase: “teria sido suficiente”. O cântico Dayenu, tradicionalmente associado à celebração da Páscoa Judaica (Pessach), é um hino de gratidão que celebra a libertação do povo de Israel do Egito. Embora tenha ganhado destaque recentemente em obras como a série The Chosen, não há evidências históricas de que Jesus e seus apóstolos tenham recitado o Dayenu. 



Jesus, sendo judeu, certamente participou das celebrações pascais, como indicam os Evangelhos ao descreverem a Última Ceia como uma refeição pascal. Nessas ocasiões, os judeus recitavam bênçãos e hinos tradicionais, mas o Dayenu, na forma que conhecemos hoje, só aparece em manuscritos muito posteriores, provavelmente no século XV d.C., dentro da tradição sefardita.  


A popularização do Dayenu em narrativas contemporâneas, como em The Chosen, é um exemplo de como a cultura moderna busca conectar tradições judaicas à história de Jesus, mesmo quando não há comprovação histórica direta. 



Essa reinterpretação reforça valores universais como gratidão e reflexão sobre libertação e bênçãos, aproximando o público contemporâneo da riqueza da tradição judaica.  Assim, o Dayenu se torna não apenas um canto de celebração histórica, mas também um símbolo de inspiração espiritual, mostrando como antigos hinos podem influenciar e dialogar com narrativas modernas, sem que necessariamente tenham sido parte da vida dos apóstolos. 


Mas o que realmente representa o “Dayenu” no judaísmo e por que sua mensagem continua tão atual? Desde o Êxodo até o Calvário, o povo de Deus aprendeu a agradecer mesmo quando ainda caminhava no deserto. Assim como o antigo cântico judaico “Dayenu” celebrava cada milagre do Êxodo como “suficiente”, o cristão de hoje pode olhar para a história da salvação e repetir:



“Mesmo que o Senhor tivesse feito só isso, já teria sido suficiente!”

Mártires religiosos: Yuval Harari analisa Islã, Cristianismo e o dilema entre vingança e perdão

Written By Beraká - o blog da família on segunda-feira, 25 de agosto de 2025 | 17:02

 

(foto reprodução)

 

O verdadeiro Mártir é aquele que morre perdoando e não pedindo vingança. Essa postura reflete um dos pilares da fé cristã, que é o perdão e o amor ao próximo, mesmo em meio à perseguição. Mártires, como Jesus e Estêvão, demonstram a força da fé ao perdoar os seus algozes e não buscar vingança, um exemplo que inspira outros cristãos a perseverar na fé. Nas páginas 361 a 363 da obra 21 lições para o século 21, Yuval Noah Harari discute a identidade como uma construção narrativa em constante transformação. Segundo o autor, tanto os indivíduos quanto as culturas não possuem um núcleo essencial e imutável, mas sim um conjunto de histórias que são continuamente reinterpretadas e organizadas de forma a garantir a sensação de continuidade (Harari, 2018, p. 361-363). Essa perspectiva adquire relevância especial quando confrontada com episódios de violência extrema, como os atentados de 13 de novembro de 2015 em Paris, nos quais 130 pessoas foram assassinadas. Para Harari (2018, p. 362), tais acontecimentos não podem ser legitimados pela noção de sacrifício ou martírio, uma vez que revelam o uso ideológico e manipulador das identidades coletivas.

#Menorá judaico: luz, aliança e identidade

Written By Beraká - o blog da família on quarta-feira, 16 de julho de 2025 | 19:54


(foto reprodução)


A Menorá, um candelabro de sete braços, é um símbolo judaico muito antigo. Embora a Menorá tenha um significado profundo e esteja associada à presença divina, seu simbolismo principal se relaciona à luz, conhecimento, e a relação entre Deus e seu povo. 

A Igreja como o verdadeiro Israel: reflexão do Pe. Fábio Marinho

Written By Beraká - o blog da família on quinta-feira, 19 de junho de 2025 | 14:09



 

por*Francisco José Barros de Araújo 



Gosto de muitos de  alguns posicionamentos teológicos e doutrinários do Pe. Fábio Marinho, pelos quais tenho respeito e consideração. Entretanto, como teólogo de formação acadêmica, sinto-me na obrigação de manifestar minha discordância em relação a determinados aspectos de sua interpretação sobre a relação entre a Igreja e Israel. 



Em um vídeo publicado em seu Instagram, o sacerdote apresenta sua compreensão teológica sobre o Israel do passado e do presente, estabelecendo uma aparente ruptura entre essas duas realidades, cuja consequência parece ser a negação da própria continuidade histórica e da existência do povo judeu enquanto povo ligado à história das promessas divinas. É justamente nesse ponto que considero necessária uma reflexão mais cuidadosa. 


Precisamos distinguir aquilo que constitui uma interpretação teológica pessoal daquilo que efetivamente está estabelecido pelo Magistério oficial da Igreja. 


Minha ressalva não está em reconhecer, como ensina a doutrina católica, que a Igreja é o Novo Israel e o Povo de Deus da Nova Aliança. Essa afirmação possui fundamento explícito na doutrina da Igreja. O problema surge quando essa verdade é interpretada de maneira a sugerir que o povo judeu teria sido definitivamente excluído dos desígnios salvíficos de Deus, como se a constituição da Igreja significasse a rejeição ou o descarte de Israel. 


Não podemos transformar uma interpretação particular em doutrina oficial, especialmente quando o próprio Magistério apresenta orientações que exigem uma compreensão mais equilibrada dessa relação.Nesse sentido, é indispensável recordar a declaração Nostra Aetate, promulgada pelo Concílio Vaticano II em 28 de outubro de 1965, particularmente seu número 4. Esse documento representou um marco decisivo na renovação da relação da Igreja Católica com o povo judeu, rejeitando expressamente a apresentação dos judeus como culpados coletivamente pela morte de Cristo, condenando o antissemitismo e reafirmando a profunda herança espiritual que une cristãos e judeus. Não se trata de uma concessão política, de uma mudança circunstancial ou de uma simples aproximação diplomática, mas de uma orientação conciliar que deve ser respeitada por todos os católicos, inclusive por sacerdotes e teólogos. A Nostra Aetate afirma expressamente: "Embora a Igreja seja o novo Povo de Deus, nem por isso os judeus devem ser apresentados como reprovados por Deus e malditos". Essa advertência é fundamental, pois demonstra que reconhecer a Igreja como Novo Povo de Deus não significa declarar que Deus rejeitou definitivamente Israel.


O Concílio Vaticano II, na Constituição Dogmática Lumen Gentium, n.º 9, afirma expressamente: "Assim como o Israel segundo a carne, que peregrinava no deserto, já era chamado Igreja de Deus, assim também o novo Israel [...] é chamado Igreja de Cristo". Portanto, não há qualquer dificuldade em reconhecer que a Igreja é o Novo Israel. Essa identidade não é uma invenção teológica recente, mas uma realidade presente na compreensão católica da história da salvação. Entretanto, é necessário ler o documento por inteiro e compreender o significado dessa afirmação dentro da continuidade do plano divino, e não utilizá-la isoladamente para sustentar conclusões que o próprio Magistério não autoriza.


O Catecismo da Igreja Católica, nos números 839 e 840, aprofunda essa compreensão ao afirmar que a Igreja, povo de Deus da Nova Aliança, ao contemplar seu próprio mistério, descobre o vínculo que a une ao povo judaico. Esse vínculo não é meramente histórico, cultural ou sentimental. É um vínculo profundamente espiritual, porque a história da salvação passa por Israel, pelos patriarcas, pelos profetas, pelas alianças e pelas promessas, encontrando em Jesus Cristo sua plenitude. O próprio Cristo nasceu do povo judeu, e os primeiros membros da Igreja, incluindo os apóstolos, eram judeus. Pretender compreender a Igreja como se ela tivesse surgido mediante a simples eliminação de Israel seria ignorar suas próprias raízes.


Também precisamos considerar o ensinamento de São João Paulo II, que, no encontro com representantes da comunidade judaica em Mainz, em 17 de novembro de 1980, referiu-se ao povo da Antiga Aliança como um povo cuja aliança não foi revogada por Deus. Essa compreensão está em harmonia com a reflexão posterior da Igreja e com a afirmação paulina de que os dons e o chamado de Deus são irrevogáveis (Rm 11,29). Não se trata de colocar a Antiga e a Nova Aliança em condições idênticas, nem de negar a centralidade universal de Jesus Cristo, mas de reconhecer que a fidelidade divina não pode ser interpretada como se Deus tivesse simplesmente descartado o povo ao qual primeiro confiou suas promessas.


É particularmente importante, nesse contexto, o documento publicado em 2015 pela Comissão para as Relações Religiosas com o Judaísmo, intitulado Os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis. O documento examina precisamente a relação entre a Igreja e o povo judeu, advertindo contra interpretações simplistas de uma teologia da substituição, segundo a qual Israel teria sido simplesmente rejeitado por Deus e substituído pela Igreja. Isso não significa negar que Cristo seja o cumprimento das promessas ou que a Igreja seja o Novo Povo de Deus. Significa compreender que a continuidade da história da salvação é mais profunda do que uma lógica de exclusão e descarte.


A própria Sagrada Escritura nos oferece elementos suficientes para compreender essa realidade. Em Romanos 9,6-8, São Paulo explica que nem todos os que descendem fisicamente de Israel são, por isso, automaticamente os filhos da promessa. Em Gálatas 6,16, encontramos a expressão "Israel de Deus". Em 1 Pedro 2,9-10, os cristãos são chamados de povo adquirido por Deus, nação santa e sacerdócio real. Em Efésios 2,11-22, São Paulo demonstra como judeus e gentios foram reconciliados em Cristo, formando um só povo, derrubando o muro de separação que os dividia.


Entretanto, talvez a passagem mais importante para essa discussão esteja em Romanos, capítulos 9 a 11. Ali, Paulo enfrenta justamente o mistério da relação entre Israel e a Igreja. Em Romanos 11,1, faz uma pergunta que deveria encerrar qualquer interpretação precipitada: 


"Acaso Deus rejeitou o seu povo?" E responde categoricamente: "De modo algum!" Mais adiante, utilizando a imagem da oliveira, explica que os gentios foram enxertados na árvore cujas raízes já existiam. Os ramos naturais representam Israel, enquanto os gentios participam da riqueza dessa mesma raiz pela fé em Cristo. E Paulo dirige uma advertência muito séria aos cristãos provenientes dos povos pagãos: não devem se ensoberbecer contra os ramos naturais, pois não são eles que sustentam a raiz, mas é a raiz que os sustenta (Rm 11,17-24).


Essa imagem é extremamente esclarecedora. A Igreja não aparece como uma realidade desconectada de Israel, mas como a continuidade e a plenitude da história da salvação em Cristo, na qual judeus e gentios são chamados à unidade. Não se trata de dois povos salvíficos independentes, nem de dois caminhos paralelos de salvação. A salvação é sempre obra de Jesus Cristo. Entretanto, também não podemos transformar essa verdade em uma declaração de que Deus abandonou Israel ou anulou suas promessas. É precisamente essa tensão teológica que São Paulo procura explicar e que exige de nós humildade diante do mistério divino.


É necessário, portanto, distinguir duas afirmações que não podem ser confundidas. A primeira é que Jesus Cristo é o Messias prometido, o cumprimento das Escrituras e o único Salvador, e que a Igreja é o Novo Povo de Deus da Nova Aliança. Isso pertence à fé católica. A segunda é afirmar que, por causa disso, Deus teria rejeitado definitivamente os judeus, rompido todas as suas relações com Israel ou deixado de considerar o mistério de sua vocação. Essa conclusão não pode ser apresentada como consequência automática da primeira, pois contraria a advertência expressa da Nostra Aetate e desconsidera a profundidade de Romanos 11.


Também não devemos cair no extremo oposto, como se o reconhecimento da irrevogabilidade dos dons e do chamado de Deus significasse admitir uma via de salvação independente de Cristo para o povo judeu. A Igreja não ensina dois salvadores, duas redenções ou dois caminhos salvíficos autônomos. Cristo permanece o centro e o cumprimento de toda a história da salvação. Entretanto, a maneira como o desígnio divino se realizará em relação a Israel pertence a um mistério que não nos cabe simplificar mediante conclusões particulares. O próprio documento de 2015 da Comissão para as Relações Religiosas com o Judaísmo esclarece que a Igreja não pode deixar de anunciar Cristo, mas deve fazê-lo sem desrespeitar o vínculo espiritual que a une ao povo judeu.


Minha discordância com o Pe. Fábio Marinho, portanto, não está na afirmação de que a Igreja é o Novo Israel, pois isso está claramente fundamentado no Concílio Vaticano II, no Catecismo e na Sagrada Escritura. Minha discordância está em qualquer interpretação que ultrapasse esse ensinamento para apresentar o povo judeu como definitivamente descartado por Deus, como se a Igreja precisasse negar suas próprias raízes para afirmar sua identidade. 


A teologia católica não pode ser construída mediante a seleção de textos isolados, ignorando outros que complementam, aprofundam e estabelecem os limites da interpretação. Não podemos invocar a Lumen Gentium e esquecer a Nostra Aetate, citar Gálatas 6,16 e ignorar Romanos 11, ou proclamar a Nova Aliança e silenciar sobre a irrevogabilidade dos dons e do chamado de Deus.




Para esclarecer essas diferenças, usarei alguns oportunos tópicos do missionário redentorista Padre Inácio Medeiros que é historiador, onde ele fala a respeito da história dos judeus, narrada no Antigo Testamento:




“Nós precisamos fazer uma diferença entre o povo judeu ou povo de Israel e o atual país que leva o nome de Israel. No passado, o povo judeu constituiu uma grande civilização que teve o seu auge principalmente com o período dos reis Saul, Davi e Salomão. Nós estamos falando de um período mais ou menos mil anos antes de Cristo. Após Salomão, o reino se dividiu, o povo se dividiu, criando dois reinos diferentes. O reino de Judá, que tinha como capital Jerusalém, e era formado por duas tribos dos filhos de Jacó, e também o reino de Israel, que tinha a sua capital na Samaria, nome moderno de Nablus, que ficava ao norte, sendo formado pelas outras dez tribos. A partir deste período, sobretudo do tempo do rei Salomão, nunca mais conseguiram a prosperidade de antes, até que foi sendo dominado. O povo foi sendo dominado de potência em potências até chegar ao tempo de Cristo, quando a Palestina (nome pejorativo dado aos Judeus pelas lideranças romana), formava uma das províncias do Império Romano”. No ano 70 d.C., mais ou menos 40 anos depois da ressurreição de Cristo, houve uma revolta e a cidade de Jerusalém foi destruída, sendo transformada numa cidade de característica pagã. Foi a partir daí que o povo judeu foi se espalhando pelo mundo, num movimento que é chamado de Diáspora. E em cada realidade, em cada cidade, em cada país para onde os judeus iam, eles formavam um bairro separado, chamado de gueto, porque ali eles mantinham a sua cultura, ali eles podiam manter os seus costumes."



Os Palestinos hoje em Gaza são os autênticos descendentes dos antigos Filisteus?







Sim e não! os palestinos atuais não são descendente puros e uniformes dos filisteus da bíblia, mas um amálgama de povos conquistados e conquistadores daquela região. Na realidade, se você ler qualquer livro de história neutro, do oriente médio (não somente na versão tendenciosa dos palestinos) você vai descobrir que na realidade os palestinos são em sua grande maioria, descendentes de árabes que chegaram ali após a invasão muçulmana no ano de 665 da EC. Entre eles também, há um grande número de descendentes de egípcios (principalmente em Gaza), outros são descendentes de turcos e outros até mesmo Judeus, que foram obrigados a se converterem durante a dominação muçulmana. 




Os filisteus originais, foram um povo oriundo dos cretenses (Ilha de Creta) que foram exterminados pelos Romanos e Nabateus, principalmente porque Roma conquistou a região a fim de controlar a rota do incenso, isso são fatos históricos comprováveis e não narrativas carregadas de ideologias polarizadas, como se verá a seguir. O topônimo Palestina é muito utilizado por historiadores e teólogos modernos para designar o antigo território de Israel como lugar da habitação do povo judeu e da origem do Cristianismo. No entanto, a palavra Palestina não aparece em nenhum mapa antigo se referindo ao território habitado pelo povo judeu ou pelos primeiros cristãos.O vocábulo Palestina está etimologicamente associado ao povo filisteu e à terra onde habitavam, que se chamava Filístia. Esta era uma pequena faixa costeira onde os filisteus, oriundos de Caftor, atual Creta, se estabeleceram em cinco cidades-estados após serem expulsos do Egito pelo Faraó Ramsés III. O termo Filístia nunca foi utilizado para denominar a região central daquela terra prometida a Abrão que teve, até o segundo século d.C., os sucessivos nomes de Canaã, Israel, Judá e Judeia, mas não Filístia ou Palestina. 



O nome Palestina foi dado pelo imperador romano Adriano após sufocar a segunda revolta dos judeus liderada por Bar Kochba em 135 d.C. Ele mudou o nome da província romana da Judeia para Síria-Palestina. Também mudou o nome de Jerusalém para Aelia Capitolina.  Palestina é um nome pagão, relacionado à terra e ao povo filisteu  que foi dado à Judeia, posteriormente ao tempo de Jesus, com o objetivo de anular, de maneira difamatória, a cosmovisão judaica daqueles revoltosos habitantes. Ao renomear a terra dos judeus com o nome da terra de seus piores inimigos, Adriano intencionou destruir para sempre a identidade do povo judeu adicionando a tortura psicológica aos que escaparam da morte e da deportação. 



Chamar a Terra Santa de Palestina, além de ser um equívoco histórico-temporal, é também uma questão de incoerência, pois quem assim o faz deveria também rejeitar o nome de Jerusalém e usar apenas Aelia Capitolina, pois Adriano mudou os dois nomes, mas nenhum teólogo ou historiador jamais afirmou que Jesus ensinou ou morreu em um lugar chamado Aelia Capitolina. 



Portanto, afirmar que o Cristianismo nasceu na Palestina é compartilhar a assimilação cultural de um termo pagão que não se encontra na narrativa bíblica. Na verdade, especialmente no meio acadêmico e teológico, o correto, historicamente, é afirmar que o Cristianismo nasceu na Judeia.




A partir dessas premissas, Padre Inácio também explica a criação do novo estado de Israel, em 1948:

 



"Para que Israel pudesse ocupar as terras onde ele já viveu no passado, foi muito conflituoso, porque as suas terras estavam ocupadas por outros povos. Isso explica, por exemplo, o conflito com os palestinos (que estavam ali naquela região misturados com alguns judeus remanescentes). Então, nós temos o antigo povo de Israel e nós temos o novo estado de Israel, que tem como capital religiosa a cidade de Jerusalém, e como capital política a cidade de Tel Aviv."

 







O missionário redentorista também nos orienta que alguns valores entre católicos e judeus são diferentes, mesmo o cristianismo tendo como origem o povo de Israel:

 



"...os judeus não aceitam Jesus como Filho de Deus e o Messias esperado. Para eles, é Jesus apenas um grande profeta, no mesmo pé de igualdade com os profetas do Antigo Testamento. Eles ainda aguardam a vinda do Messias Salvador. Por isso é uma confusão que as pessoas fazem, em misturar elementos do judaísmo, como é o caso da chamada estrela de Davi, que recentemente foi usada de forma errônea numa manifestação, com elementos do cristianismo. Por quê? O cristianismo nasceu, sim, no seio de Israel, no seio de Jerusalém, onde aconteceu e viveu a primeira comunidade cristã. Mas a partir, sobretudo, do Concílio de Jerusalém (Atos 15), realizado nos anos de 50 ou 51 d.C., houve este rompimento, e já não é mais possível misturar elementos do cristianismo com elementos do judaísmo, foi o que decidiu esse primeiro concílio da Igreja."

 



Padre Inácio ainda relembra que:

 



"Houve um tempo em que entre a Igreja e os judeus havia um verdadeiro estado hostil e revanchista de rompimento, especialmente no tempo da Idade Média e no começo da Idade Moderna, onde os judeus foram, inclusive, submetidos a processos inquisitórios e perseguições político-religiosas. Nesta época, os judeus contemporâneos, eram muitas vezes acusados como culpados pela morte de Jesus Cristo (seria o mesmo que acusar o atual povo Alemão pelo Holocausto Nazista). Apenas a partir do Concílio Vaticano II pra cá, é que começou um estado de reaproximação fraterna, política, e teológica, de forma concreta, iniciado por Pio XII durante a segunda guerra. Dando continuidade a esse processo, o Papa Paulo VI visitou a Terra Santa num movimento de aproximação fraterna e solidária com o povo judeu, e dando continuidade com demais papas desde então."



 






As três atuais versões, ou visões para Israel

 

 


1)-Profética: Há diferentes interpretações sobre a relação entre o Israel bíblico e o atual, com algumas correntes religiosas considerando o Estado moderno como um cumprimento de profecias bíblicas, enquanto outras enfatizam as diferenças e os desafios relacionados à ocupação da terra e aos conflitos com os palestinos.

 

 

2)-Política: A conexão entre o Israel bíblico e o atual tem sido usada por diferentes grupos para justificar suas posições políticas e territoriais, o que tem gerado tensões e debates.

 

 

3)-Espiritual: Algumas interpretações cristãs referem-se ao "Israel espiritual" como o conjunto de pessoas que creem em Jesus, independentemente da sua origem étnica, e que receberão as bênçãos prometidas a Abraão. 




A igreja católica, até esta data, ainda não deu nenhum veredito formal e oficial para essas três visões sobre Israel, permanecendo portanto, uma questão teológica "em aberto".




(foto reprodução)


O padre Paulo Ricardo, em suas reflexões, aborda a relação entre o Israel bíblico e o Israel atual, destacando a importância da fé e da promessa divina para o povo judeu e a sua conexão com a Igreja. Ele explora como a história de Israel, desde o Antigo Testamento, revela um povo escolhido por Deus, mas também sujeito a provações e desafios. Além disso, o padre analisa a importância da fé, da conversão e da busca pela verdade para todos, incluindo o povo judeu e os cristãos. 



Israel bíblico - Povo escolhido:



O padre Paulo Ricardo ressalta que Deus escolheu o povo de Israel para ser seu povo, um povo com o qual Ele estabeleceu uma aliança.



Promessas e desafios:



Essa escolha divina, no entanto, veio acompanhada de promessas, mas também de desafios, como a infidelidade e a necessidade de conversão.



Prefiguração:



O padre aponta para como a história de Israel no Antigo Testamento prefigura a vinda de Cristo e a formação da Igreja, como um novo Israel. 



Israel atual - Continuação da história:



O padre Paulo Ricardo reconhece que o povo judeu continua existindo e que sua história se estende até os dias atuais.




Relevância da fé:



A fé, a esperança e a busca pela verdade continuam sendo elementos centrais na experiência do povo judeu, tanto no passado quanto no presente.



Diálogo e compreensão:



O padre incentiva o diálogo e a compreensão mútua entre judeus e cristãos, reconhecendo a importância do respeito à fé e à história de cada um. 



O papel da fé/Conversão:



Tanto para o povo de Israel quanto para os cristãos, a conversão a Deus é um elemento fundamental na vida de fé.



Busca pela verdade:



A busca pela verdade, tanto em relação à história de Israel quanto à fé cristã, é um caminho para aprofundar a compreensão e o relacionamento com Deus.



Unidade na diversidade:



O padre Paulo Ricardo enfatiza a importância de reconhecer a unidade na diversidade entre judeus e cristãos, buscando construir pontes e promover o diálogo. O padre Paulo Ricardo, em suas reflexões, busca mostrar a relevância da história de Israel para a fé cristã e a importância da fé para todos, judeus e cristãos, na busca pela verdade e na construção de um mundo mais justo e fraterno. 



O Vaticano, através do Vatican News, frequentemente aborda o Israel bíblico em seus conteúdos, especialmente na seção "Palavra do Dia" e em documentos relacionados à fé e à moral cristã. O Israel bíblico é visto como um povo escolhido por Deus e o precursor do povo de Deus na Nova Aliança, estabelecida por Jesus Cristo. O Vaticano também enfatiza a importância da Igreja como mãe espiritual e educadora da fé, seguindo o exemplo de Maria, a mãe de Jesus.

 



Documentos do Vaticano que abordam o tema:



•Vatican News:O site oficial do Vaticano, Vatican News, publica diariamente reflexões sobre o Evangelho, muitas vezes com referências ao Israel bíblico e à sua importância para a fé cristã.



•Documentos do Concílio Vaticano II: O Concílio Vaticano II, em documentos como a Lumen Gentium e Nosta Aetete, tratam da natureza da Igreja, da sua relação com Israel e da importância da unidade entre os cristãos e o povo Judeu herdeiros das promessas irrevogáveis de Deus.


•Bíblia e Moral: O documento "Bíblia e Moral" da Congregação para a Doutrina da Fé explora as raízes bíblicas do agir cristão e a relação entre a fé e a moral, com referências frequentes ao Antigo Testamento e ao povo de Israel. O Vaticano, portanto, reconhece a importância do Israel bíblico como parte integrante da história da salvação e como um povo com o qual a Igreja Católica compartilha uma herança de fé e esperança em Deus.



O Catecismo, em diversos parágrafos, aborda a história de Israel, suas profecias e sua relação com o cristianismo, destacando a continuidade entre a Antiga e a Nova Aliança:




A Igreja prefigurada e preparada no povo de Israel



§759 "O Pai eterno, por libérrimo e arcano desígnio de sua sabedoria e bondade, criou todo o universo; decidiu elevar os homens à comunhão da vida divina", à qual chama todos os homens em seu Filho: "Todos os que crêem em Cristo, o Pai quis chamá-los a formarem a santa Igreja". Esta "família de Deus" se constitui e se realiza gradualmente ao longo das etapas da história humana, segundo as disposições do Pai. Com efeito, "desde a origem do mundo a Igreja foi prefigurada. Foi admiravelmente preparada na história do povo de Israel e na antiga aliança. Foi fundada nos últimos tempos. Foi manifestada pela efusão do Espírito. E no fim dos tempos será gloriosamente consumada".



§760 "O mundo foi criado em vista da Igreja", diziam os cristãos dos primeiros tempos. Deus criou o mundo em vista da comunhão com sua vida divina, comunhão esta que se realiza pela "convocação" dos homens em Cristo, e esta "convocação" é a Igreja. A Igreja é a finalidade de todas as coisas, e as próprias vicissitudes dolorosas, como a queda dos anjos e o pecado do homem, só foram permitidas por Deus como ocasião e meio para desdobrar toda a força de seu braço, toda a medida de amor que Ele queria dar ao mundo:Assim como a vontade de Deus é um ato e se chama mundo, assim também sua intenção é a salvação dos homens e se chama Igreja.



§762 A preparação longínqua da reunião do Povo de Deus começa com a vocação de Abraão, a quem Deus promete que será o pai de um grande povo. A preparação imediata tem seus inícios com a eleição de Israel como povo de Deus. Por sua eleição, Israel deve ser o sinal do congraçamento futuro de todas as nações. Mas já os profetas acusam Israel de ter rompido a aliança e de ter-se comportado como uma prostituta. Anunciam uma nova e eterna Aliança. "Esta Aliança Nova, Cristo a instituiu."



§1093 O ESPÍRITO SANTO PREPARA PARA ACOLHER A CRISTO Na economia sacramental o Espírito Santo leva à realização as figuras da antiga aliança. Visto que a Igreja de Cristo estava "admiravelmente preparada na história do Povo de Israel e na Antiga Aliança", a liturgia da Igreja conserva como parte integrante e insubstituível - tomando-os seus - alguns elementos do culto da Antiga Aliança:principalmente a leitura do Antigo Testamento; a oração dos Salmos; e sobretudo a memória dos eventos salvadores e das realidades significativas que encontraram sua realização no Mistério de Cristo (a Promessa e a Aliança, o Êxodo e a Páscoa, o Reino e o Templo, o exílio e a volta).



Aliança de Deus com Israel




§1611 Examinando a aliança de Deus com Israel sob a imagem de um amor conjugal exclusivo e fiel, os profetas prepararam a consciência do povo eleito para uma compreensão mais profunda da unicidade e indissolubilidade do Matrimônio. Os livros de Rute e de Tobias dão testemunhos comoventes do elevado sentido do casamento, da fidelidade e da ternura dos esposos. A Tradição sempre viu no Cântico dos Cânticos uma expressão única do amor humano, visto que é reflexo do amor de Deus, amor "forte como a morte", que "as águas da torrente jamais poderão apagar" (Ct 8,6-7).




§1612 O CASAMENTO NO SENHOR - A aliança nupcial entre Deus e seu povo Israel havia preparado a nova e eterna aliança na qual o Filho de Deus, encarnando-se e entregando sua vida, uniu-se de certa maneira com toda a humanidade salva por ele, preparando, assim, "as núpcias do Cordeiro (Cf Ap 19,7 e 9).



Amor de Deus para com Israel




§218 DEUS É AMOR Ao longo de sua história, Israel pôde descobrir que Deus tinha uma única razão para revelar-se a ele e para tê-lo escolhido dentre todos os povos para ser dele: seu amor gratuito. E Israel entendeu, graças a seus profetas, que foi também por amor que Deus não cessou de salvá-1o e de perdoar-lhe sua infidelidade e seus pecados.



§219 O amor de Deus por Israel é comparado ao amor de um pai por seu filho. Este amor é mais forte que o amor de uma mãe por seus filhos. Deus ama seu Povo mais do que um esposo ama sua bem-amada; este amor se sobrepor até às piores infidelidades; ir até a mais preciosa doação: "Deus amou tanto o mundo, que entregou seu Filho único" (Jo 3,16).



Anúncio do nascimento de Cristo a Israel




§437 O anjo anunciou aos pastores o nascimento de Jesus como o do Messias prometido a Israel: "Hoje, na cidade de Davi, nasceu-vos um Salvador que é o Cristo Senhor" (Lc 2,11). Desde o inicio Ele é "aquele que o Pai consagrou e enviou ao mundo" (Jo 10,36), concebido como "Santo" no seio virginal de Maria. José foi chamado por Deus "a receber Maria, sua mulher", grávida "daquele que foi gerado nela pelo Espírito Santo" (Mt 1,21), para que Jesus, "que se chama Cristo", nascesse da esposa de José na descendência messiânica de Davi (Mt 1,16).




§522 A vinda do Filho de Deus à terra é um acontecimento de tal imensidão que Deus quis prepará-lo durante séculos. Ritos e sacrifícios, figuras e símbolos da "Primeira Aliança", tudo ele faz convergir para Cristo; anuncia-o pela boca dos profetas que se sucedem em Israel. Desperta, além disso, no coração dos pagãos a obscura expectativa desta vinda.




§719 João é "mais do que um profeta". Nele, o Espírito Santo conclui a tarefa de "falar pelos profetas". João encerra o ciclo dos profetas inaugurado por Elias. Anuncia a iminência da Consolação de Israel, é a "voz" do Consolador que vem. Como fará o Espírito de Verdade, "ele vem como testemunha, para dar testemunho da Luz" (Jo 1,7). Aos olhos de João o Espírito realiza, assim, as "pesquisas dos profetas" e o "desejo" dos anjos: "Aquele sobre quem vires o Espírito descer e permanecer é o que batiza com o Espírito Santo Eu vi e dou testemunho de que ele é o Filho de Deus... Eis o Cordeiro de Deus" (Jo 1,33-36).




Deus salva Israel do pecado




§431 Na História da Salvação, Deus não se contentou em libertar Israel da "casa da escravidão" (Dt 5,6), fazendo-o sair do Egito. Salva-o também de seu pecado. Por ser o pecado sempre uma ofensa feita a Deus, só ele pode perdoá-lo. Por isso Israel, tomando consciência cada vez mais clara da universalidade do pecado, não poder mais procurar a salvação a não ser na invocação do Nome do Deus Redentor.




Espera e esperança de Israel




§529 A apresentação de Jesus no Templo mostra-o como o Primogênito pertencente ao Senhor. Com Simeão e Ana, é toda a espera de Israel que vem ao encontro de seu Salvador (a tradição bizantina designa com este termo tal acontecimento). Jesus é reconhecido como o Messias tão esperado, "luz das nações" e "Glória de Israel", mas também "sinal de contradição". A espada de dor predita a Maria anuncia esta outra oblação, perfeita e única, da Cruz, que dará a salvação que Deus "preparou diante de todos os povos".




§673 A partir da Ascensão, o advento de Cristo na glória é iminente, embora não nos "caiba conhecer os tempos e os momentos que o Pai fixou com sua própria autoridade" (At 1,7). Este acontecimento escatológico pode ocorrer a qualquer momento, ainda que estejam "retidos" tanto ele como a provação final que há de precedê-lo.




§674 A vinda do Messias glorioso depende a todo momento da história do reconhecimento dele por "todo Israel". Uma parte desse Israel se "endureceu" (Rm 5) na "incredulidade" (Rm 11,20) para com Jesus. São Pedro o afirma aos judeus de Jerusalém depois de Pentecostes: "Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, a fim de que sejam apagados os vossos pecados e deste modo venham da face do Senhor os tempos de refrigério. Então enviará ele o Cristo que vos foi destinado, Jesus a quem o céu deve acolher até os tempos da restauração de todas as coisas, das quais Deus falou pela boca de seus santos profetas" (At 3,19-21). E São Paulo lhe faz eco: "Se a rejeição deles resultou na reconciliação do mundo, O que será o acolhimento deles senão a vida que vem dos mortos?" A entrada da "plenitude dos judeus" na salvação messiânica, depois da "plenitude dos pagãos, dará ao Povo de Deus a possibilidade de "realizar a plenitude de Cristo" (Ef 4, 13), na qual "Deus ser tudo em todos" (1Cor 15,28).




Esperança de Israel




§64 Por meio dos profetas, Deus forma seu povo na esperança da salvação, na expectativa de uma Aliança nova e eterna destinada a todos os homens, e que será impressa nos corações. Os profetas anunciam uma redenção radical do Povo de Deus, a purificação de todas as suas infidelidades, uma salvação que incluirá todas as nações. Serão sobretudo os pobres e os humildes do Senhor os portadores desta esperança. As mulheres santas como Sara, Rebeca, Raquel, Míriam, Débora, Ana, Judite e Ester mantiveram viva a esperança da salvação de Israel. Delas todas, a figura mais pura é a de Maria.




§436 Cristo vem da tradução grega do termo hebraico "Messias", que quer dizer "ungido". Só se toma o nome próprio de Jesus porque este leva à perfeição a missão divina que significa. Com efeito, em Israel eram ungidos em nome de Deus os que lhe eram consagrados para uma missão vinda dele. Era o caso dos reis, dos sacerdotes e, em raras ocasiões, dos profetas. Esse devia ser por excelência o caso do Messias que Deus enviaria para instaurar definitivamente seu Reino. O Messias devia ser ungido pelo Espírito do Senhor ao mesmo tempo como rei e sacerdote, mas também como profeta . Jesus realizou a esperança messiânica de Israel em sua tríplice função de sacerdote, profeta e rei.




§453 O nome Cristo significa "Ungido", "Messias". Jesus é o Cristo pois "Deus o ungiu com o Espírito Santo e com poder" (At 10,38). Ele era "aquele que há de vir" (Lc 7,19), o objeto da "esperança de Israel".




Israel e a fé no Deus UNO



§212 SÓ DEUS É - Ao longo dos séculos, a fé de Israel pôde desenvolver e aprofundar as riquezas contidas na revelação do nome divino. Deus é único, fora dele não há deuses. Transcende o mundo e a história. Foi Ele quem fez o céu e a terra: "Eles perecem, mas tu permaneces; todos ficam gastos como a roupa... mas tu existes, e teus anos jamais findarão!" (S1102,27-28). Nele "não h mudança, nem sombra de variação" (Tg 1,17). Ele é "AQUELE QUE É", desde sempre e para sempre, e é assim que permanece sempre fiel a si mesmo e às suas promessas.




§587 Se a Lei e o Templo de Jerusalém puderam ser ocasião de "contradição" da parte de Jesus para as autoridades religiosas de Israel, foi o papel dele na redenção dos pecados, obra divina por excelência, que constituiu para elas a verdadeira pedra de escândalo.




§588 Jesus escandalizou os fariseus ao comer com os publicanos e os pecadores com a mesma familiaridade com que comia com eles. Contra os que, dentre os fariseus, estavam "convencidos de serem justos e desprezavam os outros" (Lc 18,9), Jesus afirmou: "Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores, ao arrependimento" (Lc 5,32). Foi mais longe ao proclamar diante dos fariseus que, sendo o pecado universal, os que pretendem não necessitar de salvação estão cegos para sua própria cegueira.




§589 Jesus escandalizou sobretudo porque identificou sua conduta misericordiosa para com os pecadores com a atitude do próprio Deus para com eles. Chegou ao ponto de dar a entender que, partilhando a mesa dos pecadores, os estava admitindo ao banquete messiânico. Mas foi particularmente ao perdoar os pecados que Jesus deixou as autoridades religiosas de Israel diante de um dilema. Foi isto que disseram com razão, cheios de espanto: Só Deus pode perdoar os pecados" (Mc 2,7). Ao perdoar os pecados, ou Jesus blasfema - pois é um homem que se iguala a Deus -, ou diz a verdade, e sua pessoa torna presente e revela o Nome de Deus.




§590 Somente a identidade divina da pessoa de Jesus pode justificar uma exigência tão absoluta quanto esta: "Aquele que não está comigo está contra mim" (Mt 12,30); assim, também, quando diz que nele está "mais do que Jonas... mais do que Salomão" (Mt 12,41-42), "mais do que o Templo"; ou quando lembra, referindo-se a si mesmo, que Davi chamou o Messias de seu Senhor, ao a firmar "Antes que Abraão fosse, Eu Sou" (Jo 8,58); e até "Eu e o Pai somos um" (Jo 10,30).




§591 Jesus pediu às autoridades religiosas de Jerusalém que cressem nele por causa das obras de seu Pai que ele realiza. Tal ato de fé tinha de passar, no entanto, por uma misteriosa morte de si mesmo em vista de um novo "nascimento do alto", sob o impulso da graça divina. Essa exigência de conversão ante um cumprimento tão surpreendente das promessas permite compreender o trágico desprezo do sinédrio ao estimar que Jesus merecia a morte como blasfemo. Seus membros agiam assim por "ignorância" e ao mesmo tempo pelo "endurecimento" da "incredulidade".




Israel e a observância do sábado




§348 O Sábado constitui o coração da lei de Israel. Observar os mandamentos é corresponder à sabedoria e à vontade de Deus expressa em sua obra de criação.



§2170 No dia do Senhor, a Escritura revela ainda um memorial da libertação de Israel da escravidão do Egito: "Recorda que foste escravo na terra do Egito e que o Senhor, teu Deus, te fez sair de lá com a mão forte e o braço estendido. E por isso que o Senhor teu Deus te ordenou guardar o dia de sábado" (Dt 5,15).



§2171 Deus confiou o sábado a Israel, para que ele pudesse guardá-lo em sinal da aliança inquebrantável. O sábado é, para o Senhor, santamente reservado ao louvor de Deus, de sua obra de criação e de suas ações salvíficas em favor de Israel.



Marcos 2,27: "Então Jesus disse: o sábado foi feito por causa do homem, e não o homem por causa do sábado"

 



Israel filho de Deus





§238 A revelação de Deus como Trindade O PAI REVELADO PELO FILHO A invocação de Deus como "Pai" é conhecida em muitas religiões. A divindade é muitas vezes considerada "pai dos deuses e dos homens". Em Israel, Deus é chamado de Pai enquanto Criador do mundo. Deus é Pai, mais ainda, em razão da Aliança, e do dom da Lei a Israel, seu "filho primogênito" (Ex 4,22). E também chamado de Pai do rei de Israel. Muito particularmente Ele é "o Pai dos pobres", do órfão e da viúva que estão sob sua proteção de amor.




§441 Filho de Deus, no Antigo Testamento, é um título aos anjos, ao povo da Eleição, aos filhos de Israel e a seus reis. Significa então uma filiação adotiva que estabelece entre Deus e sua criatura relações de uma intimidade especial. Quando o Rei-Messias prometido é chamado "filho de Deus", isso não implica necessariamente, segundo o sentido literal desses textos, que ele ultrapasse o nível humano. Os que designaram Jesus como Messias de Israel talvez não tenham tido a intenção de dizer mais do que isto.




Israel povo "dos irmãos mais velhos"




§62 Depois dos patriarcas, Deus formou Israel como seu povo, salvando-o da escravidão do Egito. Fez com ele a Aliança do Sinal e deu-lhe, por intermédio de Moisés, a sua Lei, para que o reconhecesse e o servisse como o único Deus vivo e verdadeiro, Pai providente e juiz justo, e para que esperasse o Salvador prometido.



§63 Israel é o Povo sacerdotal de Deus, aquele que "traz o Nome do Senhor" (Dt 28,10). É o povo daqueles "aos quais Deus falou em primeiro lugar", o povo dos "irmãos mais velhos" da fé de Abraão.

 



§64 Por meio dos profetas, Deus forma seu povo na esperança da salvação, na expectativa de uma Aliança nova e eterna destinada a todos os homens, e que será impressa nos corações. Os profetas anunciam uma redenção radical do Povo de Deus, a purificação de todas as suas infidelidades, uma salvação que incluirá todas as nações. Serão sobretudo os pobres e os humildes do Senhor os portadores desta esperança. As mulheres santas como Sara, Rebeca, Raquel, Míriam, Débora, Ana, Judite e Ester mantiveram viva a esperança da salvação de Israel. Delas todas, a figura mais pura é a de Maria.




§762 A preparação longínqua da reunião do Povo de Deus começa com a vocação de Abraão, a quem Deus promete que será o pai de um grande povo. A preparação imediata tem seus inícios com a eleição de Israel como povo de Deus. Por sua eleição, Israel deve ser o sinal do congraçamento futuro de todas as nações. Mas já os profetas acusam Israel de ter rompido a aliança e de ter-se comportado como uma prostituta. Anunciam uma nova e eterna Aliança. "Esta Aliança Nova, Cristo a instituiu."




Israel povo eleito




§60 O povo originado de Abraão será o depositário da promessa feita aos patriarcas, o povo da eleição, chamado a preparar o congraçamento, um dia, de todos os filhos de Deus na unidade da Igreja; será a raiz sobre a qual serão enxertados os pagãos tornados crentes.




§762 A preparação longínqua da reunião do Povo de Deus começa com a vocação de Abraão, a quem Deus promete que será o pai de um grande povo. A preparação imediata tem seus inícios com a eleição de Israel como povo de Deus. Por sua eleição, Israel deve ser o sinal do congraçamento futuro de todas as nações. Mas já os profetas acusam Israel de ter rompido a aliança e de ter-se comportado como uma prostituta. Anunciam uma nova e eterna Aliança. "Esta Aliança Nova, Cristo a instituiu."



Israel povo sacerdotal - Jesus e Israel




§539 Os evangelistas assinalam o sentido salvífico desse acontecimento misterioso. Jesus é o novo Adão, que ficou fiel onde o primeiro sucumbiu à tentação. Jesus cumpre à perfeição a vocação de Israel: contrariamente aos que provocai outrora a Deus durante quarenta anos no deserto, Cristo se revela como o Servo de Deus totalmente obediente à vontade divina. Nisso Jesus é vencedor do Diabo: ele "amarrou o homem forte" para retomar-lhe a presa. A vitória de Jesus sobre o tentador no deserto antecipa a vitória da Paixão, obediência suprema de seu amor filial ao Pai.




§574 Desde o início do ministério público de Jesus, fariseus e adeptos de Herodes, com sacerdotes e escribas, mancomunaram-se para matá-lo. Por causa de certos atos por ele praticados (expulsão de demônios, perdão dos pecados, curas em dia de sábado interpretação original dos preceitos de pureza da Lei, de pureza da Lei, familiaridade com os publicanos e com pecadores públicos), Jesus pareceu a alguns mal-intencionados, suspeito de possessão demoníaca. Ele é acusado de blasfêmia e de falso profetismo, crimes religiosos que a Lei punia com a pena de morte sob forma de apedrejamento.




§575 Muitos atos e palavras de Jesus constituíram, portanto, um sinal de contradição" para as autoridades religiosas de Jerusalém - que o Evangelho de São João com freqüência denomina "os judeus" - mas ainda do que para o comum do povo de Deus. Sem dúvida, suas relações com os fariseus não foram exclusivamente polêmicas. São os fariseus que o previnem do perigo que corre. Jesus elogia alguns deles, como o escriba de Mc 12,34, e repetidas vezes come com fariseus. Jesus confirma doutrinas compartilhadas por essa elite religiosa do povo de Deus: a ressurreição dos mortos, as formas de piedade (esmola, jejum e oração) e o hábito de dirigir-se a Deus como Pai, a centralidade do mandamento do amor a Deus e ao próximo.




§576 Aos olhos de muitos, em Israel, Jesus parece agir contra as instituições essenciais do Povo eleito:a submissão à Lei na integralidade de seus preceitos escritos e, para os fariseus, na interpretação da tradição oral;a centralidade do Templo de Jerusalém como lugar santo, em que Deus habita de forma privilegiada;a fé no Deus único, cuja glória nenhum homem pode compartilhar.




§577 Jesus fez uma advertência solene no começo do Sermão da Montanha, em que apresentou a Lei dada por Deus no Sinai por ocasião da Primeira Aliança à luz da graça da Nova Aliança:Não penseis que vim revogar a Lei e os Profetas. Não vim revogá-los, mas dar-lhes pleno cumprimento, porque em verdade vos digo que, até que passem o céu e a terra, não será omitido um só i, uma só vírgula da Lei, sem que tudo seja realizado. Aquele, portanto, que violar um só destes menores mandamentos e ensinar os homens a fazerem o mesmo ser chamado o menor no Reino dos Céus; aquele, porém, que os praticar e os ensinar, esse será chamado grande no Reino dos Céus (Mt 5,17-19).




§578 Jesus, o Messias de Israel, portanto o maior no Reino dos Céus, tinha a obrigação de cumprir a Lei, executando-a em sua integridade até seus mínimos preceitos, segundo suas próprias palavras. Ele é o único que conseguiu cumpri-la com perfeição. Os judeus, conforme sua própria confissão, nunca conseguiram cumprir a Lei em sua integridade sem violar-lhe o mínimo preceito. Esta é a razão pela qual, em cada festa anual da Expiação, os filhos de Israel pedem a Deus perdão por suas transgressões da Lei. Com efeito, a Lei constitui um todo e, como recorda São Tiago, "aquele que guarda toda a Lei, mas desobedece a um só ponto, torna- se culpado da transgressão da Lei inteira" (Tg 2,10).




§579 Esse princípio da integralidade da observância da Lei, não somente em sua letra, mas em seu espírito, era caro aos fariseus. Tomando-o extensivo a Israel, levaram muitos judeus do tempo de Jesus a um zelo religioso extremo. Este zelo extremo, se não quisesse envolver-se em uma casuística "hipócrita", só podia preparar o povo para essa intervenção inaudita de Deus que será o cumprimento perfeito da Lei exclusivamente pelo Justo em lugar de todos os pecadores.




§580 O cumprimento perfeito da Lei só podia ser obra do Legislador divino nascido sujeito à Lei na pessoa do Filho. Em Jesus, a Lei não aparece mais gravada nas tábuas de pedra, mas "no fundo do coração" (Jr 31,33) do Servo, o qual, pelo fato de "trazer fielmente o direito" (Is 42,3), se tornou "a Aliança do povo" (Is 42,6). Jesus cumpriu a Lei até o ponto de tomar sobre si "a maldição da Lei" in quod illi incurrerant "qui non permanent in omnibus, quae scripta sunt, ut faciant ea", na qual incorrerreram aqueles que "não praticam todos os preceitos da mesma, pois "a morte de Cristo aconteceu para resgatar as transgressões cometidas no Regime da Primeira Aliança" (Hb 9, 15).




§581 Jesus apareceu aos olhos dos judeus e de seus chefes espirituais como um "rabi". Com freqüência argumentou na linha da interpretação rabínica da Lei. Mas ao mesmo tempo Jesus só podia chocar os doutores da Lei, já que não se contentava em propor sua interpretação em pé de igualdade com as deles, senão que "ensinava como alguém que tem autoridade, e não como os escribas" (Mt 7,28-29). Nele, é a mesma Palavra de Deus que tinha ressoado no Sinai para a Moisés a Lei escrita, que se faz ouvir novamente sobre o Monte Bem-aventuranças. Ela não abole a Lei, mas a cumpre, fornecendo de modo divino a interpretação última dela: "Aprendestes o que foi dito aos antigos... eu, porém, vos digo" (Mt 5,33-34). Com esta mesma autoridade divina, Ele desabona certas "tradições humanas" dos fariseus que "invalidam a Palavra de Deus".




§582 Indo mais longe, Jesus cumpre a Lei a respeito da pureza dos alimentos, tão importante na vida diária judaica, revelando o sentido "pedagógico" dela por uma interpretação divina: "Tudo o que de fora, entrando no homem, não pode torná-lo impuro..." assim declarava puros todos os alimentos. "O que sai do homem, é isto que o torna impuro. Pois é de dentro, do coração dos homens, que as intenções malignas" (Mc 7,18-21). Ao dar com autoridade divina a interpretação definitiva da Lei, Jesus acabou confrontando-se com certos doutores da Lei que não aceitavam a interpretação da Lei dada por Jesus, apesar de garantida pelos sinais divinos que a acompanhavam. Isto vale particularmente para a questão do sábado: Jesus lembra, muitas vezes com argumentos rabínicos, que o descanso do sábado não é lesado pelo serviço de Deus ou do próximo, executado por meio das curas operadas por Ele.




§583 Jesus, como os profetas anteriores a Ele, teve pelo Templo de Jerusalém o mais profundo respeito. Nele foi apresentado por José e Maria quarenta dias após seu nascimento. Com doze anos, decide ficar no Templo para lembrar a seus pais que deve dedicar-se às coisas de seu Pai. Durante os anos de sua vida oculta, subiu ao Templo a cada ano, no mínimo por ocasião da Páscoa; até seu ministério público foi ritmado por suas peregrinações a Jerusalém para as grandes festas judaicas.




§584 Jesus subiu ao Templo como lugar privilegiado de encontro com Deus. O Templo é para ele a morada de seu Pai, uma casa de oração, e se indigna pelo fato de seu átrio externo ter-se tornado um lugar de comércio. Se expulsa os vendilhões do Templo, é por amor zeloso a seu Pai. "Não façais da casa de meu Pai uma casa de comércio. Seus discípulos lembram-se do que está escrito: 'O zelo por tua casa me devorará' (Sl 69)" (Jo 2,16-17). Depois de sua Ressurreição, os apóstolos mantiveram um respeito religioso pelo Templo.




§585 Contudo, no limiar de sua Paixão, Jesus anunciou a ruína desse esplêndido edifício, do qual não restará mais pedra sobre pedra. Há aqui o anúncio de um sinal dos tempos finais que vão abrir-se com sua própria Páscoa. Esta profecia, porém, pode ser relatada de modo deformado por testemunhas falsas no momento do interrogatório de Jesus diante do sumo sacerdote, sendo-lhe atribuída como injúria quando ele foi pregado à cruz.




§586 Longe de ter sido hostil ao Templo, local em que aliás, ministrou o essencial de seu ensinamento, Jesus fez questão de pagar o imposto do Templo, associando a este ato Pedro, que acabara de estabelecer como fundamento para sua Igreja futura. Mais ainda: identificou-se com o Templo ao apresentar-se como a morada definitiva de Deus entre os homens. Eis por que sua morte corporal decretada anuncia a destruição do Templo, (destruição) que manifestará a entrada em uma nova era História da Salvação: "Vem a hora em que nem sobre esta montanha nem em Jerusalém adorareis o Pai" (Jo 4,21).




§587 Se a Lei e o Templo de Jerusalém puderam ser ocasião de "contradição" da parte de Jesus para as autoridades religiosas de Israel, foi o papel dele na redenção dos pecados, obra divina por excelência, que constituiu para elas a verdadeira pedra de escândalo.




§588 Jesus escandalizou os fariseus ao comer com os publicanos e os pecadores com a mesma familiaridade com que comia com eles. Contra os que, dentre os fariseus, estavam "convencidos de serem justos e desprezavam os outros" (Lc 18,9), Jesus afirmou: "Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores, ao arrependimento" (Lc 5,32). Foi mais longe ao proclamar diante dos fariseus que, sendo o pecado universal, os que pretendem não necessitar de salvação estão cegos para sua própria cegueira.




§589 Jesus escandalizou sobretudo porque identificou sua conduta misericordiosa para com os pecadores com a atitude do próprio Deus para com eles. Chegou ao ponto de dar a entender que, partilhando a mesa dos pecadores, os estava admitindo ao banquete messiânico. Mas foi particularmente ao perdoar os pecados que Jesus deixou as autoridades religiosas de Israel diante de um dilema. Foi isto que disseram com razão, cheios de espanto: Só Deus pode perdoar os pecados" (Mc 2,7). Ao perdoar os pecados, ou Jesus blasfema - pois é um homem que se iguala a Deus -, ou diz a verdade, e sua pessoa torna presente e revela o Nome de Deus.




§590 Somente a identidade divina da pessoa de Jesus pode justificar uma exigência tão absoluta quanto esta: "Aquele que não está comigo está contra mim" (Mt 12,30); assim, também, quando diz que nele está "mais do que Jonas... mais do que Salomão" (Mt 12,41-42), "mais do que o Templo"; ou quando lembra, referindo-se a si mesmo, que Davi chamou o Messias de seu Senhor, ao a firmar "Antes que Abraão fosse, Eu Sou" (Jo 8,58); e até "Eu e o Pai somos um" (Jo 10,30).




§591 Jesus pediu às autoridades religiosas de Jerusalém que cressem nele por causa das obras de seu Pai que ele realiza. Tal ato de fé tinha de passar, no entanto, por uma misteriosa morte de si mesmo em vista de um novo "nascimento do alto", sob o impulso da graça divina. Essa exigência de conversão ante um cumprimento tão surpreendente das promessas permite compreender o trágico desprezo do sinédrio ao estimar que Jesus merecia a morte como blasfemo. Seus membros agiam assim por "ignorância" e ao mesmo tempo pelo "endurecimento" da "incredulidade".




§592 Jesus não aboliu a Lei do Sinai, mas a cumpriu com tal perfeição que revela seu sentido último e resgata as transgressões contra ela.



§593 Jesus venerou o Templo, subindo a ele nas festas judaicas de peregrinação, e amou com amor cioso esta morada de Deus entre os homens. O Templo prefigura seu próprio mistério. Se anuncia a destruição do Templo, é como manifestação de sua própria morte e da entrada em uma nova era da História da Salvação, na qual seu Corpo será o Templo definitivo.




§594 Jesus realizou atos como o perdão dos pecados - que o manifestaram como o próprio Deus Salvador. Alguns judeus, não reconhecendo o Deus feito homem e vendo nele um homem que se faz Deus", julgaram-no blasfemo.




Jesus Messias de Israel




§438 A consagração messiânica de Jesus manifesta sua missão divina. "É, aliás, o que indica seu próprio nome, pois no nome de Cristo está subentendido Aquele que ungiu, Aquele que foi ungido e a própria Unção com que ele foi ungido dado: Aquele que ungiu é o Pai, Aquele que foi ungido é o Filho, e o foi no Espírito, que é a Unção." Sua consagração messiânica eterna revelou-se no tempo de sua vida terrestre, por ocasião de seu Batismo por João, quando "Deus o ungiu com o Espírito Santo e poder" (At 10,38), "para que ele fosse manifestado a Israel" (Jo 1,31) como seu Messias. Por suas obras e palavras será conhecido como "o Santo de Deus".




§528 A epifania é a manifestação de Jesus como Messias Israel, Filho de Deus e Salvador do mundo. Com o Batismo de Jesus no Jordão e com as bodas de Caná, ela celebra a adoração de Jesus pelos "magos" vindos do Oriente. Nesses "magos", representantes das religiões pagãs circunvizinhas, o Evangelho vê as primícias das nações que acolhem a Boa Nova da salvação pela Encarnação. A vinda dos magos a Jerusalém para "adorar ao Rei dos Judeus" mostra que eles procuram em Israel, à luz messiânica da estrela de Davi, aquele que será o Rei das nações. Sua vinda significa que os pagãos só podem descobrir Jesus e adorá-lo como Filho de Deus e Salvador do mundo voltando-se para os judeus e recebendo deles sua promessa messiânica, tal como está contida no Antigo Testamento. A Epifania manifesta que "a plenitude dos pagãos entra na família dos patriarcas" e adquire a "dignidade israelítica".




§535 A vida pública de Jesus tem início com seu Batismo por João no rio Jordão. João Batista proclamava "um batismo de arrependimento para a remissão dos pecados" (Lc 3,3). Uma multidão de pecadores, de publicanos e soldados, fariseus e saduceus e prostitutas vem fazer-se batizar por ele. Jesus aparece, o Batista hesita, mas Jesus insiste. E Ele recebe o Batismo. Então o Espírito Santo, sob forma de pomba, vem sobre Jesus, e a voz do céu proclama: "Este é o meu Filho bem-amado" (Mt 3,13-17). É a manifestação ("Epifania") de Jesus como Messias de Israel e Filho de Deus.




Judeus e observância da Lei




§578 Jesus, o Messias de Israel, portanto o maior no Reino dos Céus, tinha a obrigação de cumprir a Lei, executando-a em sua integridade até seus mínimos preceitos, segundo suas próprias palavras. Ele é o único que conseguiu cumpri-la com perfeição. Os judeus, conforme sua própria confissão, nunca conseguiram cumprir a Lei em sua integridade sem violar-lhe o mínimo preceito. Esta é a razão pela qual, em cada festa anual da Expiação, os filhos de Israel pedem a Deus perdão por suas transgressões da Lei. Com efeito, a Lei constitui um todo e, como recorda São Tiago, "aquele que guarda toda a Lei, mas desobedece a um só ponto, torna- se culpado da transgressão da Lei inteira" (Tg 2,10).




§579 Esse princípio da integralidade da observância da Lei, não somente em sua letra, mas em seu espírito, era caro aos fariseus. Tomando-o extensivo a Israel, levaram muitos judeus do tempo de Jesus a um zelo religioso extremo. Este zelo extremo, se não quisesse envolver-se em uma casuística "hipócrita", só podia preparar o povo para essa intervenção inaudita de Deus que será o cumprimento perfeito da Lei exclusivamente pelo Justo em lugar de todos os pecadores.




Judeus não podem ser imputados coletivamente da morte de Jesus

 



§597 Levando em conta a complexidade histórica do processo de Jesus manifestada nos relatos evangélicos, e qualquer que possa ser o pecado pessoal dos atores do processo (Judas, o Sinédrio, Pilatos), conhecido só de Deus, não se pode atribuirá responsabilidade ao conjunto dos judeus de Jerusalém, a despeito dos gritos de uma multidão manipulada e das censuras globais contidas nos apelos à conversão depois de Pentecostes. O próprio Jesus, ao perdoar na cruz, e Pedro, depois dele, apelaram para a "ignorância" dos judeus de Jerusalém e até dos chefes deles. Menos ainda pode-se, a partir do grito do povo: "Seu sangue caia sobre nós e sobre nossos filhos" (Mt 27,25), que significa uma fórmula de ratificação, estender a responsabilidade aos outros judeus no espaço e no tempo.Por isso a Igreja declarou muito oportunamente no Concílio Vaticano II: "Aquilo que se perpetrou em sua Paixão não pode indistintamente ser imputado a todos os judeus que viviam então, nem aos de hoje... Os judeus não devem ser apresentados nem como condenados por Deus nem como amaldiçoados, como se isto decorresse das Sagradas Escrituras".




§598 No magistério de sua fé e no testemunho de seus santos a Igreja nunca esqueceu que "foram os pecadores como tais os autores e como que os instrumentos de todos os sofrimentos por que passou o Divino Redentor". Levando em conta que nossos pecados atingem o próprio Cristo, a Igreja não hesita em imputar aos cristãos a responsabilidade mais grave no suplício de Jesus, responsabilidade que com excessiva freqüência estes debitaram quase exclusivamente aos judeus.Devemos considerar como culpados desta falta horrível os que continuam a reincidir em pecados. Já que são os nossos crimes que arrastaram Nosso Senhor Jesus Cristo ao suplício da cruz, com certeza os que mergulham nas desordens e no mal "de sua parte crucificam de novo o Filho de Deus e o expõem as injúrias" (Hb 6,6). E é imperioso reconhecer que nosso próprio crime, neste caso é maior do que o dos judeus. Pois estes, como testemunha o Apóstolo, "se tivessem conhecido o Rei da glória, nunca o teriam crucificado" (1Cor 2,8). Nós, porém, fazemos profissão de conhecê-lo. E, quando o negamos por nossos atos, de certo modo levantamos contra Ele nossas mãos homicidas. Os demônios, então, não foram eles que o crucificaram; és tu que com eles o crucificaste e continuas a crucificá-lo, deleitando-te nos vícios e. nos pecados.




§599 A morte violenta de Jesus não foi o resultado do acaso um conjunto infeliz de circunstâncias. Ela faz parte do mistério do projeto de Deus, como explica São Pedro aos judeus de Jerusalém já em seu primeiro discurso de Pentecostes: "Ele foi entregue Segundo o desígnio determinado e a presciência de Deus" (At 2,23). Esta linguagem bíblica não significa que os que "entregaram Jesus" tenham sido apenas executores passivos de um roteiro escrito de antemão por Deus.




Lei de Deus e povo Judeu




§708 Esta pedagogia de Deus aparece especialmente no dom da Lei, a qual foi dada como um "pedagogo" para conduzir o Povo a Cristo. Mas sua impotência para salvar o homem privado da "semelhança" divina e do conhecimento maior que ela dá do pecado suscitam o desejo do Espírito Santo Os gemidos dos Salmos atestam isto.




§709 A Lei, sinal da promessa e da aliança, deveria ter regido o coração e as instituições do povo nascido da fé de Abraão. "Se ouvirdes minha voz e guardardes minha aliança... sereis para mim um reino de sacerdotes e uma nação santa" (Ex 19,5-6). Mas, depois de Davi, Israel sucumbe à tentação de tornar-se um reino como as demais nações. Ora, o Reino, objeto da promessa feita a Davi, ser obra do Espírito Santo; ele pertencerá pobres segundo o Espírito.




§710 O esquecimento da Lei e a infidelidade à Aliança desembocam na morte: é o Exílio, aparentemente fracasso das Promessas, mas, na realidade, fidelidade misteriosa do Deus salvador e início de uma restauração prometida, mas segundo o Espírito. Era preciso que o Povo de Deus sofresse essa purificação; o Exílio já traz a sombra da Cruz no Projeto de Deus, e o Resto dos pobres que volta de lá é uma das figuras mais transparentes da Igreja.




§1965 A Nova Lei ou Lei evangélica A Nova Lei ou Lei evangélica é a perfeição, na terra, da lei divina, natural e revelada. Ela é a obra do Cristo e se exprime particularmente no Sermão da Montanha. E também obra do Espírito Santo e, por ele, vem a ser a lei interior da caridade: "Concluirei com a casa de Israel uma nova aliança. (...) Colocarei minhas leis em sua mente e as inscreverei em seu coração; e eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo" (Hb 8,8.10).



Liturgia hebraica e liturgia cristã




§1096 Liturgia judaica e liturgia cristã. Um conhecimento mais aprimorado da fé e da vida religiosa do povo judaico, tais como são professadas e vividas ainda hoje, pode ajudar a compreender melhor certos aspectos da liturgia cristã. Para os judeus e para os cristãos, a Sagrada Escritura é uma parte essencial de suas liturgias: para a proclamação da Palavra de Deus, a resposta a esta palavra, a oração de louvor e de intercessão pelos vivos e pelos mortos, o recurso à misericórdia divina. A Liturgia da palavra, em sua estrutura própria, tem sua origem na oração judaica. A Oração das horas, bem como outros textos e formulários litúrgicos, tem seus paralelos na oração judaica, o mesmo acontecendo com as próprias fórmulas de nossas orações mais veneráveis, entre elas o Pai-Nosso. Também as orações eucarísticas inspiram-se em modelos da tradição judaica. As relações entre liturgia judaica e liturgia cristã mas também a diferença de seus conteúdos são particularmente visíveis nas grandes festas do ano litúrgico, como a Páscoa. Cristãos e judeus celebram a Páscoa; Páscoa da história, orientada para o futuro, entre os judeus; Páscoa realizada na morte e na Ressurreição de Cristo, entre os cristãos, ainda que sempre à espera da consumação definitiva.




Oração da salvação dos judeus



§2591 Deus chama incansavelmente toda pessoa ao encontro misterioso com Ele. A oração acompanha toda a história da salvação como um apelo recíproco entre Deus e o homem.




§2592 A oração de Abraão e de Jacó se apresenta como um combate da fé apoiada na confiança na fidelidade de Deus e na certeza da vitória prometida à perseverança.



§2593 A oração de Moisés responde à iniciativa do Deus vivo para a salvação de seu povo. Prefigura a oração de intercessão do único mediador, Jesus Cristo.




§2594 A oração do povo de Deus floresce à sombra da Casa de Deus, da Arca da Aliança e do Templo, sob a direção dos pastores, principalmente do rei Davi, e dos profetas.




§2595 Os profetas chamam à conversão do coração e, buscando ardentemente a face de Deus, como Elias, intercedem pelo povo.




§2596 Os Salmos constituem a obra-prima da oração no Antigo Testamento. Apresentam dois componentes inseparáveis; o pessoal e o comunitário. Estendem-se a todas as dimensões da história, comemorando as promessas de Deus já realizadas e esperando a vinda do Messias.




§2597 Rezados e realizados em Cristo, os Salmos são um elemento essencial e permanente da oração de sua Igreja e são adequados aos homens de qualquer condição e tempo.



Participação de Jesus no culto e na Lei de Israel




§527 A circuncisão de Jesus, no oitavo dia depois de seu nascimento, é sinal de sua inserção na descendência de Abraão, no povo da Aliança, de sua submissão à Lei e de capacitação para o culto de Israel, do qual participará durante sua toda a vida. Este sinal prefigura "a circuncisão de Cristo", que é o Batismo.



§531 Durante a maior parte de sua vida, Jesus compartilhou a condição da imensa maioria dos homens: uma vida cotidiana. Sem grandeza aparente, vida de trabalho manual, vida religiosa judaica submetida à Lei de Deus, vida na comunidade. De todo este período é-nos revelado que Jesus era "submisso" a seus pais e que "crescia em sabedoria, em estatura em graça diante de Deus e diante dos homens" (Lc 2,52).



§578 Jesus, o Messias de Israel, portanto o maior no Reino dos Céus, tinha a obrigação de cumprir a Lei, executando-a em sua integridade até seus mínimos preceitos, segundo suas próprias palavras. Ele é o único que conseguiu cumpri-la com perfeição. Os judeus, conforme sua própria confissão, nunca conseguiram cumprir a Lei em sua integridade sem violar-lhe o mínimo preceito. Esta é a razão pela qual, em cada festa anual da Expiação, os filhos de Israel pedem a Deus perdão por suas transgressões da Lei. Com efeito, a Lei constitui um todo e, como recorda São Tiago, "aquele que guarda toda a Lei, mas desobedece a um só ponto, torna- se culpado da transgressão da Lei inteira" (Tg 2,10).



Páscoa em Israel




§1363 No sentido da Sagrada Escritura, o memorial não é somente a lembrança dos acontecimentos dos acontecimento do passado, mas a proclamação das maravilhas que Deus realizou por todos os homens. A celebração litúrgica desses acontecimentos toma-os de certo modo presentes e atuais. É desta maneira que Israel entende sua libertação do Egito: toda vez que é celebrada a Páscoa, os acontecimentos do êxodo tomam-se presentes à memória dos crentes, para que estes conformem sua vida a eles.




Pecado na história de Israel




§401 A partir do primeiro pecado, uma verdadeira "invasão" do pecado inunda o mundo: o fratricídio cometido por Caim contra Abel; a corrupção universal em decorrência do pecado; na história de Israel, o pecado se manifesta freqüentemente e sobretudo como uma infidelidade ao Deus da Aliança e como transgressão da Lei de Moisés; e mesmo após a Redenção de Cristo, entre os cristãos, o pecado se manifesta de muitas maneiras. A Escritura e a Tradição da Igreja não cessam de recordar a presença e a universalidade do pecado na história do homem:O que nos é manifestado pela Revelação divina concorda com a própria experiência. Pois o homem, olhando para seu coração, descobre-se também inclinado ao mal e mergulhado em múltiplos males que não podem provir de seu Criador, que é bom. Recusando-se muitas vezes a reconhecer Deus como seu princípio, o homem destruiu a devida ordem em relação ao fim último e, ao mesmo tempo, toda a sua harmonia consigo mesmo, com os outros homens e com as coisas criadas.




Povo de Israel eleito por Deus




§781 "Em qualquer época e em qualquer povo é aceito por Deus todo aquele que o teme e pratica a justiça. Aprouve, contudo, a Deus santificar e salvar os homens não singularmente, sem nenhuma conexão uns com os outros, mas constituí-los num povo, que o conhecesse na verdade e santamente o servisse. Escolheu, por isso Israel como seu povo. Estabeleceu com ele uma aliança e instruiu-o passo a passo... Tudo isso, porém, aconteceu em preparação e figura para aquela nova e perfeita aliança que se estabeleceria em Cristo... Esta é a Nova Aliança, isto é o Novo Testamento em seu sangue, chamando de entre judeus e gentios um povo que junto crescesse na unidade, não segundo a carne, mas no Espírito.




§1539 O sacramento da Ordem na economia da salvação O SACERDÓCIO NA ANTIGA ALIANÇA O povo eleito foi constituído por Deus como "um remo de sacerdotes e uma nação santa" (Ex 19.6). Mas, dentro do povo de Israel, Deus escolheu uma das doze tribos, a de Levi, reservando-a para o serviço litúrgico; Deus mesmo é sua herança. Um rito próprio consagrou as origens do sacerdócio da antiga aliança. Os sacerdotes são ai "constituídos para intervir em favor dos homens em suas relações com Deus, a fim de oferecer dons e sacrifícios pelos pecados".




Relação da Igreja com o povo judeu




§839 "Os que ainda não receberam o Evangelho também se ordenam por diversos modos ao Povo de Deus." A Igreja, Povo de Deus na Nova Aliança, descobre, ao perscrutar seu próprio ministério, seus vínculos com o Povo Hebreu" a quem Deus falou em primeiro lugar". Ao contrário das outras religiões não-cristãs, a fé hebraica já é resposta à revelação de Deus na Antiga Aliança. É ao Povo Hebreu que "pertencem a adoção filial, a glória, as alianças, a legislação, o culto, as promessas e os patriarcas, dos quais descende Cristo, segundo a carne" (Rm 9,4-5), pois "os dons e o chamado de Deus são sem arrependimento" (Rm 11, 29).




Relação entre Judeus e Jesus




§581 Jesus apareceu aos olhos dos judeus e de seus chefes espirituais como um "rabi". Com freqüência argumentou na linha da interpretação rabínica da Lei. Mas ao mesmo tempo Jesus só podia chocar os doutores da Lei, já que não se contentava em propor sua interpretação em pé de igualdade com as deles, senão que "ensinava como alguém que tem autoridade, e não como os escribas" (Mt 7,28-29). Nele, é a mesma Palavra de Deus que tinha ressoado no Sinai para a Moisés a Lei escrita, que se faz ouvir novamente sobre o Monte Bem-aventuranças. Ela não abole a Lei, mas a cumpre, fornecendo de modo divino a interpretação última dela: "Aprendestes o que foi dito aos antigos... eu, porém, vos digo" (Mt 5,33-34). Com esta mesma autoridade divina, Ele desabona certas "tradições humanas" dos fariseus que "invalidam a Palavra de Deus".




Revelação de Deus aos Judeus




§201 A Israel, seu eleito, Deus revelou-se como o Único: "Ouve, ó Israel: O Senhor nosso Deus é o único Senhor! Portanto, amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com toda a tua força" (Dt 6,4-5). Por meio dos profetas, Deus chama Israel e todas as nações a se voltarem para Ele, Único: "Voltai-vos para mim e sereis salvos, todos os confins da terra, porque eu sou Deus e não há nenhum outro!... Com efeito diante de mim se dobrar todo joelho, toda língua h de jurar por mim, dizendo: Só no Senhor há justiça e força".




§228 "Ouve, ó Israel, o Senhor nosso Deus é o Único Senhor...". (Dt 6,4; Mc 12,29). "É preciso necessariamente que o supremo seja único, isto é, sem igual... Se Deus não for único não é Deus"




§287 A verdade da criação é tão importante para toda a vida humana que Deus, em sua ternura, quis revelar a seu Povo tudo o que é útil conhecer a este respeito. Para além do conhecimento natural que todo homem pode ter do Criador, Deus revelou progressivamente a Israel o mistério da criação. Ele, que escolheu os patriarcas, que fez Israel sair do Egito e que, ao escolher Israel, o criou e o formou, se revela como Aquele a quem pertencem todos os povos da terra, e a terra inteira, como o único que "fez o céu e a terra" (Sl 115,15; 124,8; 134,3).




§288 'Assim, a revelação da criação é inseparável da revelação e da realização da Aliança de Deus, o Único, com o seu Povo. A criação é revelada como sendo o primeiro passo rumo a esta Aliança, como o testemunho primeiro e universal do amor Todo-Poderoso de Deus. Além disso, a verdade da criação se exprime com um vigor crescente na mensagem dos profetas, na oração dos salmos e da liturgia, na reflexão da sabedoria do Povo eleito.




§2085 O Deus único e verdadeiro revela sua glória primeiramente a Israel. A revelação da vocação e da verdade do homem está ligada à revelação de Deus. O homem tem a vocação de manifestar Deus agindo em conformidade com sua criação "à imagem e semelhança de Deus" (Gn 1,26):Jamais haverá outro Deus, Trifão, nem houve outro, desde sempre (...) além daquele que fez e ordenou o universo. Nós não pensamos que nosso Deus seja diferente do vosso. É Ele o mesmo que fez vossos pais saírem do Egito "com sua mão poderosa e seu braço estendido". Não pomos as nossas esperanças em algum outro pois outro não existe , mas no mesmo que vós, o Deus de Abraão, de Isaac e de Jacó.




Revelação do nome de Deus aos Judeus




§203 A seu povo, Israel, Deus revelou-se, dando-lhe a conhecer o seu nome. O nome exprime a essência, a identidade da pessoa e o sentido de sua vida. Deus tem um nome. Ele não é uma força anônima. Desvendar o próprio nome é dar-se conhecer aos outros; é, de certo modo, entregar-se a si mesmo, tomando-se acessível, capaz de ser conhecido mais intimamente e de ser chamado pessoalmente.



§204 Deus revelou-se progressivamente a seu povo e com diversos nomes, mas é a revelação do nome divino feita a Moisés na teofania da sarça ardente, pouco antes do Êxodo e da Aliança do Sinai, que se tomou a revelação fundamental para a Antiga e a Nova Aliança.



§209 Por respeito à santidade de Deus, o povo de Israel não pronuncia seu nome. Na leitura da Sagrada Escritura, o nome revelado é substituído pelo título divino "Senhor" ("Adonai", em grego "Kýrios"). É com este título que ser aclamada a divindade de Jesus: "Jesus é Senhor".



§214 Deus, "AQUELE QUE É", é Verdade e Amor. Deus, "Aquele que é", revelou-se a Israel como Aquele que e rico em amor e em fidelidade" (Ex 34,6). Esses dois termos exprimem de forma condensada as riquezas do nome divino. Em todas as suas obras Deus mostra sua benevolência, bondade, graça, amor, mas também sua confiabilidade, constância, fidelidade, verdade. "Celebro teu nome por teu amor e verdade" (Sl 138,2). Ele é a Verdade, pois "Deus é Luz, nele não há trevas" (1Jo 1,5), e "Amor", como ensina o apóstolo João (1Jo 4,8).




Rito de expiação dos pecados em Israel




§433 O nome do Deus Salvador era invocado uma só vez por ano pelo sumo sacerdote para a expiação dos pecados de Israel, depois de ele aspergir o propiciatório do Santo dos Santos com o sangue do sacrifício. O propiciatório era o lugar da presença de Deus. Quando São Paulo diz de Jesus que "Deus o destinou como instrumento de propiciação, por seu próprio Sangue" (Rm 3,25), quer afirmar que na humanidade deste último "era Deus que em Cristo reconciliava consigo o mundo" (2Cor 5,19).

 

 


DECLARAÇÃO do concílio vaticano ii "NOSTRA AETATE" SOBRE A IGREJA E AS RELIGIÕES NÃO-CRISTÃS     

 


Laços comuns da humanidade e inquietação religiosa do homem; a resposta das diversas religiões não-cristãs e sua relação com a Igreja

 

 

A religião judaica



4. Sondando o mistério da Igreja, este sagrado Concílio recorda o vínculo com que o povo do Novo Testamento está espiritualmente ligado à descendência de Abraão.Com efeito, a Igreja de Cristo reconhece que os primórdios da sua fé e eleição já se encontram, segundo o mistério divino da salvação, nos patriarcas, em Moisés e nos profetas. Professa que todos os cristãos, filhos de Abraão segundo a fé (6), estão incluídos na vocação deste patriarca e que a salvação da Igreja foi misticamente prefigurada no êxodo do povo escolhido da terra da escravidão. A Igreja não pode, por isso, esquecer que foi por meio desse povo, com o qual Deus se dignou, na sua inefável misericórdia, estabelecer a antiga Aliança, que ela recebeu a revelação do Antigo Testamento e se alimenta da raiz da oliveira mansa, na qual foram enxertados os ramos da oliveira brava, os gentios (7). Com efeito, a Igreja acredita que Cristo, nossa paz, reconciliou pela cruz os judeus e os gentios, de ambos fazendo um só, em Si mesmo (8).



Também tem sempre diante dos olhos as palavras do Apóstolo Paulo a respeito dos seus compatriotas: «deles é a adopção filial e a glória, a aliança e a legislação, o culto e as promessas; deles os patriarcas, e deles nasceu, segundo a carne, Cristo» (Rom. 9, 4-5), filho da Virgem Maria. Recorda ainda a Igreja que os Apóstolos, fundamentos e colunas da Igreja, nasceram do povo judaico, bem como muitos daqueles primeiros discípulos, que anunciaram ao mundo o Evangelho de Cristo.



Segundo o testemunho da Sagrada Escritura, Jerusalém não conheceu o tempo em que foi visitada (9); e os judeus, em grande parte, não receberam o Evangelho; antes, não poucos se opuseram à sua difusão (10). No entanto, segundo o Apóstolo, os judeus continuam ainda, por causa dos patriarcas, a ser muito amados de Deus, cujos dons e vocação não conhecem arrependimento (11). Com os profetas e o mesmo Apóstolo, a Igreja espera por aquele dia. só de Deus conhecido, em que todos os povos invocarão a Deus com uma só voz e «o servirão debaixo dum mesmo jugo» (Sof. 3,9) (12).



Sendo assim tão grande o património espiritual comum aos cristãos e aos judeus, este sagrado Concílio quer fomentar e recomendar entre eles o mútuo conhecimento e estima, os quais se alcançarão sobretudo por meio dos estudos bíblicos e teológicos e com os diálogos fraternos.







Ainda que as autoridades dos judeus e os seus sequazes urgiram a condenação de Cristo à morte (13) não se pode, todavia, imputar indistintamente a todos os judeus que então viviam, nem aos judeus do nosso tempo, o que na Sua paixão se perpetrou. E embora a Igreja seja o novo Povo de Deus, nem por isso os judeus devem ser apresentados como reprovados por Deus e malditos, como se tal coisa se concluísse da Sagrada Escritura. Procurem todos, por isso, evitar que, tanto na catequese como na pregação da palavra de Deus, se ensine seja o que for que não esteja conforme com a verdade evangélica e com o espírito de Cristo.



Além disso, a Igreja, que reprova quaisquer perseguições contra quaisquer homens, lembrada do seu comum património com os judeus, e levada não por razões políticas mas pela religiosa caridade evangélica, deplora todos os ódios, perseguições e manifestações de anti-semitismo, seja qual for o tempo em que isso sucedeu e seja quem for a pessoa que isso promoveu contra os judeus.








De resto, como a Igreja sempre ensinou e ensina, Cristo sofreu, voluntariamente e com imenso amor, a Sua paixão e morte, pelos pecados de todos os homens, para que todos alcancem a salvação. O dever da Igreja, ao pregar, é portanto, anunciar a cruz de Cristo como sinal do amor universal de Deus e como fonte de toda a graça.



A fraternidade universal e a reprovação de toda a discriminação racial ou religiosa




5. Não podemos, porém, invocar Deus como Pai comum de todos, se nos recusamos a tratar como irmãos alguns homens, criados à Sua imagem. De tal maneira estão ligadas a relação do homem a Deus Pai e a sua relação aos outros homens seus irmãos, que a Escritura afirma: «quem não ama, não conhece a Deus» (1 Jo. 4,8).



Carece, portanto, de fundamento toda a teoria ou modo de proceder que introduza entre homem e homem ou entre povo e povo qualquer discriminação quanto à dignidade humana e aos direitos que dela derivam.



A Igreja reprova, por isso, como contrária ao espírito de Cristo, toda e qualquer discriminação ou violência praticada por motivos de raça ou cor, condição ou religião. Consequentemente, o sagrado Concílio, seguindo os exemplos dos santos Apóstolos Pedro e Paulo, pede ardentemente aos cristãos que, «observando uma boa conduta no meio dos homens. (1 Ped. 2,12), se ‚ possível, tenham paz com todos os homens (14), quanto deles depende, de modo que sejam na verdade filhos do Pai que está nos céus (15).

 



Roma, 28 de Outubro de 1965



PAPA PAULO VI

 

 

NOTAS:

 

6. Cfr. Gál. 3,7.

7. Cfr. Rom. 11, 17-24.

8. Cfr. Ef. 2, 14-16.

9. Cfr. Lc. 19,44.

10. Cfr. Rom. 11,28.

11. Cfr. Rom. 11, 28-29; Cfr. Conc. Vat. II, Const. dogm. De Ecclesia., Lumen gentium: AAS 57, (1965), p. 20.

12. Cfr. Is. 66,23; Salm. 65,4; Rom. 11, 11-32.

13. Cfr. Jo. 19,6.

14. Cfr. Rom. 12,18.

15. Cfr. Mt. 5,45.

 

Fonte: Vatican.va

 


 

CONCLUSÃO




Portanto, é perfeitamente legítimo, necessário e doutrinariamente correto afirmar que a Igreja Católica é o Novo Israel, o Povo de Deus constituído em Cristo, reunindo judeus e gentios na Nova Aliança. Essa verdade encontra fundamento em Gálatas 6,16, Romanos 9,6-8, Romanos 11,17-24, 1 Pedro 2,9-10 e Efésios 2,11-22, além de estar expressamente reconhecida pela Constituição Dogmática Lumen Gentium, n.º 9, e pela declaração Nostra Aetate, n.º 4. Entretanto, nenhuma dessas afirmações nos autoriza a concluir que Deus abandonou Israel, rejeitou definitivamente os judeus ou anulou suas promessas. Ao contrário, o próprio Concílio Vaticano II adverte que os judeus não devem ser apresentados como reprovados ou amaldiçoados por Deus, enquanto São Paulo proclama solenemente: "Os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis" (Rm 11,29).



É justamente por isso que volto à reflexão apresentada pelo Pe. Fábio Marinho em seu vídeo no Instagram. Se sua interpretação estabelece uma ruptura absoluta entre o Israel do passado e o povo judeu do presente, chegando a sugerir que este último perdeu qualquer lugar na continuidade das promessas divinas, considero necessário questioná-la à luz do Magistério. 



Uma opinião teológica pessoal, por mais respeitável que seja seu autor, não pode ser confundida com o ensinamento oficial da Igreja, muito menos prevalecer sobre as orientações expressas de um Concílio Ecumênico. 


A Nostra Aetate não é um documento secundário que podemos ignorar quando suas afirmações contrariam nossas interpretações particulares; ela integra o patrimônio do Magistério conciliar e deve ser considerada em sua integralidade.







Sem pretender, evidentemente, colocar um ponto final nessa discussão — pois não tenho competência nem autoridade para encerrar uma questão dessa magnitude —, gostaria de fazer uma advertência ao próprio Pe. Fábio Marinho. Se o senhor nos pede prudência diante de determinadas manifestações do chamado "sionismo cristão", considero igualmente necessário recomendar prudência diante de um antissionismo que, em determinadas circunstâncias, ultrapassa a crítica legítima a posições políticas do Estado de Israel e acaba descambando para a hostilidade contra o próprio povo judeu, sua identidade e sua herança religiosa. 


É importante distinguir as coisas: criticar políticas governamentais, decisões militares ou projetos ideológicos é perfeitamente legítimo; transformar essa crítica em preconceito religioso, hostilidade étnica ou negação da história e da identidade judaicas é outra coisa, que merece nossa mais firme rejeição. A história já nos mostrou, especialmente com o horror do antissemitismo que culminou no Holocausto durante a Segunda Guerra Mundial, aonde podem conduzir a desumanização, a intolerância e a disseminação do ódio contra os judeus.


Não podemos esquecer que foi precisamente desse povo que Deus escolheu suscitar os patriarcas, os profetas, as alianças e as promessas; foi entre esse povo que nasceu Jesus Cristo, nosso Senhor e Salvador. Foi Israel que recebeu a Lei, os mandamentos e a Revelação preparatória para a vinda do Messias. E o próprio Jesus declarou que não veio abolir a Lei e os Profetas, mas levá-los à plenitude (Mt 5,17-18). A expressão "nem um jota nem um só traço" não significa que a Antiga Aliança permaneça inalterada em todos os seus preceitos, mas evidencia que Cristo não veio desprezar ou destruir a Revelação anterior: veio cumpri-la e conduzi-la à sua plenitude. Negar ou desprezar essas raízes seria esquecer a própria origem da fé cristã.


Não precisamos diminuir a identidade da Igreja para reconhecer a fidelidade de Deus a Israel, nem precisamos negar a centralidade de Cristo para reconhecer o mistério de seu povo. 


A Igreja é o Novo Israel, mas não pode transformar essa verdade em uma declaração de que Deus descartou o Israel segundo a carne. O cristianismo não nasceu de uma ruptura com a história da salvação, mas do cumprimento das promessas de Deus em Jesus Cristo. A Igreja tem raízes judaicas e não pode negar essa herança sem comprometer a própria compreensão de sua identidade.


Portanto, padre Fábio, com todo  respeito  que  lhe cabe, prudência nunca é demais! Como diz o velho ditado popular, prudência e canja de galinha não fazem mal a ninguém. 


Fica aqui minha respeitosa advertência: não polarizemos uma temática tão delicada, não transformemos divergências políticas em disputas religiosas e não permitamos que interpretações particulares acabem alimentando preconceitos que a própria Igreja, por meio do Concílio Vaticano II, rejeitou expressamente. 


Nossa obrigação, como católicos e teólogos, é ensinar aquilo que a Igreja ensina, respeitar os limites de nossa própria compreensão e não transformar opiniões pessoais em definições doutrinárias. Afinal, como conclui São Paulo em Romanos 11,33: 


"Ó profundidade da riqueza, da sabedoria e da ciência de Deus! Como são insondáveis os seus juízos e impenetráveis os seus caminhos!"


*Francisco José Barros de Araújo – Bacharel em Teologia pela Faculdade Católica do RN, conforme diploma Nº 31.636 do Processo Nº  003/17 




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Blog formativo e apologético inspirado em 1Pd 3,15. Aqui você não vai encontrar matérias sentimentalóides para suprir carências afetivas, mas sim formações seguras, baseadas no tripé da Igreja, que deem firmeza à sua caminhada cristã rumo à libertação integral e à sua salvação. Somos apenas o jumentinho que leva Cristo e sua verdade aos povos, proclamando que Ele é “o caminho, a verdade e a vida” (João 14,6), e que sua Igreja é a coluna e o sustentáculo da verdade (1Tm 3,15). Nossa Missão: promover a educação integral da pessoa, unindo fé, razão e cultura; fortalecer famílias e comunidades por meio da formação espiritual e intelectual; proclamar a verdade revelada por Cristo e confiada à Igreja, mostrando que fé e razão caminham juntas, em defesa da verdade contra ideologias que nos afastam de Deus. Rejeitamos um “deus” meramente sentimental e anunciamos o Deus verdadeiro revelado em Jesus Cristo: Misericordioso e Justo o qual ama o pecador, mas odeia o pecado que destrói seus filhos. Nosso lema é o do salmista: “Não a nós, Senhor, não a nós, mas ao vosso nome daí glória” (Sl 115,1).

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"CONSAGRADOS A JESUS" PELAS MÃOS DE MARIA SANTÍSSIMA

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