Em tempos de tantas discussões, polêmicas e até acusações injustas contra a Bíblia da CNBB, especialmente nas redes sociais, é importante que os católicos busquem informações em fontes confiáveis e não se deixem levar por comentários superficiais, recortes de frases ou campanhas de desinformação. Infelizmente, tornou-se comum encontrar pessoas que condenam essa tradução sem jamais tê-la lido integralmente, sem conhecer os critérios científicos utilizados em sua elaboração e, muitas vezes, sem sequer distinguir uma opção legítima de tradução de um erro doutrinário.
Nos últimos anos, alguns grupos passaram a difundir a ideia de que a Bíblia da CNBB seria "modernista", "progressista" ou até "infiel" ao texto sagrado. Tais afirmações, porém, raramente vêm acompanhadas de uma análise séria dos textos, dos manuscritos utilizados ou das normas da Igreja para a tradução da Sagrada Escritura. Em vez disso, predominam julgamentos precipitados, baseados em preferências pessoais ou em disputas ideológicas que nada têm a ver com a verdadeira exegese bíblica.
Por isso, é oportuno recordar a opinião de alguém cuja fidelidade ao Magistério da Igreja dificilmente pode ser colocada em dúvida. Trata-se do Padre Paulo Ricardo, um dos sacerdotes mais conhecidos e respeitados do Brasil, reconhecido por sua sólida formação filosófica e teológica, por sua defesa constante da doutrina católica e por seu compromisso com a Tradição viva da Igreja em plena comunhão com o Sucessor de Pedro. Justamente por sua postura criteriosa e por não hesitar em apontar problemas quando os identifica, seu parecer sobre a Bíblia da CNBB possui grande credibilidade entre os fiéis.
Quando foi publicada a segunda edição da Bíblia da CNBB, em 2018, fruto de mais de uma década de trabalho de biblistas, tradutores e especialistas em hebraico, aramaico e grego, Padre Paulo Ricardo acolheu a obra com entusiasmo e dirigiu aos católicos uma recomendação francamente positiva. Em vez de alimentar suspeitas ou preconceitos, preferiu analisar a tradução por aquilo que ela realmente é: uma obra cuidadosamente preparada, fiel aos textos originais e em conformidade com as orientações da Igreja.
Em sua apresentação, destacou que essa nova edição representa um importante passo para a Igreja no Brasil, sobretudo porque tende a se tornar a tradução de referência para a liturgia, favorecendo uma maior unidade na proclamação da Palavra de Deus. Também elogiou a qualidade editorial da obra, a linguagem acessível, a unidade alcançada pelos tradutores e a fidelidade às orientações do Concílio Vaticano II para a tradução e difusão das Sagradas Escrituras.
Essas observações são particularmente relevantes porque partem de alguém que jamais poderia ser acusado de relativizar a fé católica ou de minimizar a importância da Tradição. Pelo contrário, Padre Paulo Ricardo sempre insistiu que a interpretação da Bíblia deve estar em plena comunhão com o Magistério da Igreja e jamais subordinada às preferências ideológicas de qualquer grupo, seja ele progressista ou tradicionalista.
Sua avaliação também nos recorda uma verdade frequentemente esquecida: uma tradução bíblica não deve ser julgada pelo fato de utilizar palavras diferentes daquelas a que estamos acostumados. O texto inspirado foi escrito em hebraico, aramaico e grego; toda tradução envolve escolhas linguísticas legítimas, desde que permaneça fiel ao sentido do original e seja aprovada pela autoridade competente da Igreja. Diferenças de vocabulário ou de estilo não significam adulteração da Palavra de Deus, mas refletem o esforço de transmitir com precisão, em português, aquilo que os autores sagrados escreveram.
Antes, portanto, de repetir críticas que circulam em vídeos, grupos de mensagens ou redes sociais, convém fazer o que todo bom católico deve fazer: verificar os fatos, conhecer os critérios utilizados na tradução e ouvir aqueles que estudaram seriamente o assunto. A opinião de Padre Paulo Ricardo demonstra que é perfeitamente possível ser profundamente fiel à Tradição da Igreja, defender integralmente a doutrina católica e, ao mesmo tempo, reconhecer o valor da Bíblia da CNBB como uma tradução segura, séria, aprovada pela Igreja e extremamente útil para a oração, a catequese, o estudo e a vida litúrgica dos fiéis.
No fim das contas, esse episódio nos ensina uma lição importante: nossa adesão deve estar voltada à Igreja, que recebeu de Cristo a missão de guardar, interpretar e transmitir autenticamente a Palavra de Deus. Quando permitimos que preferências pessoais ou disputas entre grupos falem mais alto do que o discernimento do Magistério, corremos o risco de transformar uma questão legítima de tradução em motivo de divisão. A Bíblia existe para conduzir os fiéis à comunhão com Cristo e com sua Igreja, e não para alimentar polarizações entre aqueles que professam a mesma fé.
Sem dúvida, a 2.ª edição da Bíblia da CNBB deve servir para a leitura espiritual de todos os católicos!
Queremos, portanto, oferecer a nossa contribuição a essa empresa, mais como leitores cultos do que biblistas, a fim de que o público possa saborear com grande intensidade os bons frutos da Palavra de Deus.
Nessa tarefa, vamos avaliar as opções que a comissão da CNBB adotou nos textos, levando em consideração a 1.ª versão, os textos originais, a Vulgata de São Jerônimo e a Nova Vulgata!
No capítulo 1.º do Evangelho de São Lucas, a primeira edição apresentava o seguinte:
“A virgem se chamava Maria” (v. 27).
A segunda edição, entretanto, preferiu traduzir assim: “O nome da virgem era
Maria”. A princípio, essa mudança parece ocasional, mas, de fato, a nova
tradução está mais fiel ao texto grego (καὶ τὸ ὄνομα τῆς παρθένου Μαριάμ) e às Vulgatas (et nomen
virginis Maria). Desde o Antigo Testamento, o nome de uma pessoa, sobretudo o
bendito nome de Deus, tem uma densidade profundíssima. Por isso, a nova
tradução apresenta um tom mais adequado ao contexto das Sagradas Páginas e à
antiga devoção ao bendito nome de Maria, Virgem e Mãe.
Por outro lado, no versículo 28 desse mesmo capítulo não houve mudança. A comissão manteve a tradução anterior:
“Alegra-te, cheia de graça!”, apesar de a Vulgata trazer o
tradicional Ave, gratia plena. Para nossos ouvidos, a saudação “ave” tem um
apelo maior por conta dos cantos e orações tradicionais. Todavia, a comissão
procurou adequar-se mais ao sentido original do texto, que em grego diz assim:
“Χαῖρε, κεχαριτωμένη”. Esse “χαιρε” está
etimologicamente ligado à “graça” que, em grego, possui três conotações
distintas: gratuidade, beleza e alegria.
Quando, em suas cartas, São Paulo saúda as comunidades cristãs com as palavras “graça” e “paz”, ele usa “χάρις” em vez de “χαιρε”, dando uma profundidade teológica que não havia antes nessa palavra (cf. 2Cor 1, 2). Seguindo o mesmo princípio, São Lucas então traduz para o grego aquilo que certamente ouviu da Virgem Maria. Ao saudar Nossa Senhora, é provável que o anjo tenha lhe dirigido a típica saudação hebraica shalom (paz). Nas cartas paulinas há a união dessas duas saudações. Mas, no grego de São Lucas, essa saudação ganhou uma sonoridade que unida à expressão κεχαριτωμένη (cheia de graça) forma uma espécie de pleonasmo: graça, cheia de graça. É praticamente intraduzível para o português, o que mostra a profundidade da “Ave Maria”. Apenas um coração angélico poderia expressar aquilo que língua alguma consegue traduzir. A comissão, portanto, adotou a saudação “alegra-te” para se manter o mais próximo possível do texto original.
Outro versículo que merece nossa atenção é o 33, também do capítulo 1.º de São Lucas:
Na edição antiga, a tradução da CNBB era esta:
“Ele reinará para sempre sobre a descendência de Jacó”.
A nova tradução apresenta uma leve alteração:
“Ele reinará para sempre sobre a casa de Jacó”.
Tal mudança mais uma vez se justifica pela aderência ao original grego:
“καὶ βασιλεύσει ἐπὶ τὸν οἶκον Ἰακὼβ, εἰς τοὺς αἰῶνας”. A palavra “οἶκον” quer dizer casa, que a Vulgata e a Nova
Vulgata traduzem por domo ou domum. Em todo caso, a comissão preferiu apenas
traduzir o texto e deixar a exegese para as notas de rodapé.
Contudo, o versículo 37 do mesmo capítulo 1.º do Evangelho de São
Lucas talvez seja o mais complicado:
O texto grego é este: “ὅτι οὐκ ἀδυνατήσει παρὰ τοῦ Θεοῦ πᾶν ῥῆμα”. Na
tradução latina, tanto a versão de São Jerônimo quanto a Nova Vulgata
mantiveram o contexto original: Quia non erit impossibile apud Deum omne
verbum. Mas as duas traduções da CNBB não conseguiram expressar integralmente o
versículo, e as palavras finais — omne verbum, no latim, e “πᾶν ῥῆμα”, no grego — simplesmente desapareceram. As
duas edições ficaram assim: “Pois para Deus nada é impossível”.
Dito desse modo, esse versículo se torna objeto de pegadinhas lógicas, como aquela que alguns ateus sempre gostam de repetir: “Deus poderia fazer uma pedra que Ele não pudesse carregar?” O “nada”, entretanto, não está no grego nem no latim. Literalmente, a tradução mais fiel seria: porque (ὅτι) para Deus (παρὰ τοῦ Θεοῦ) nenhuma (οὐκ) palavra (ῥῆμα) é impossível (ἀδυνατήσει). Devemos notar também que, no grego, o autor sagrado usa rhema (ῥῆμα) em vez de logos (λογος). Trata-se, portanto, de uma loquela, uma verbalização, e não da palavra no sentido de λογος. É que o Anjo acaba de dirigir à Virgem uma “palavra” que a deixa embaraçada. São Gabriel então lhe responde que a “palavra” que acabou de sair de sua boca — ou seja, o anúncio da concepção de Jesus — não é impossível para Deus. Em suma, o Anjo trouxe à Virgem Maria a palavra (rhema) sobre a Encarnação da Palavra de Deus (λογος). Essa é a riqueza que na tradução se perdeu com o desaparecimento de omne verbum.
Estamos de acordo que o texto é dificilmente traduzível para o
português, mas a Nova Vulgata ousou, mantendo a originalidade, porque existe
uma série de reflexões teológicas sobre as palavras que Deus anuncia e que não
são impossíveis a Ele. Trata-se da promessa do Senhor!
A nova tradução da CNBB também, fez algumas modificações significativas no texto do Magnificat:
Logo no versículo 47, a primeira edição era assim: “E meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador”. A segunda edição, contudo, recupera o apelo mais tradicional, substituindo “alegra-se” por “exulta”. Embora o grego seja mesmo “alegra-se” (ἠγαλλίασεν), a comissão preferiu ligar-se mais à tradução latina que, apesar das pequenas variações entre a Vulgata e a Nova Vulgata, apresenta o termo “exulta” (exsultavit spiritus meus…). Isso deixou o texto mais familiar, trazendo de volta o inconsciente de nossa alma católica, que, de geração em geração, repetiu essa “exultação” de Maria.
O versículo 48, porém, necessita de algumas ressalvas. A primeira edição traduziu literalmente: “porque (ὅτι) ele olhou (ἐπέβλεψεν) para a humildade (ἐπὶ τὴν ταπείνωσιν) de sua serva (τῆς δούλης αὐτοῦ)”. Contudo, a segunda edição quis considerar um problema teológico a respeito desse discurso da Virgem Santíssima.
A virtude da humildade preza, sobretudo, pela discrição!
Não pode, portanto, uma pessoa humilde vangloriar-se pela sua
humildade, como aparentemente faz a Virgem Santíssima nesse versículo. Para
resolver esse problema, a equipe interpretou o texto a partir de uma visão
subjetiva, que se refere à “condição” humilde de Nossa Senhora. Ela era, de
fato, uma anawin, uma “pobre de Deus”. Está certo!
Todavia, existe também, na mariologia, a interpretação dada por
São João Eudes, conhecido pela sua defesa do Imaculado Coração de Maria. O
raciocínio dele é este:
Maria, ao falar de sua humildade, está, em primeiro lugar, falando
da natureza de Deus, que resiste aos soberbos e se deixa seduzir pelos humildes
(cf. Tg 4, 6). Diante de tantos corações soberbos, Deus apaixonou-se pelo
coração daquela que tanto se humilhou. Desse modo, poderíamos afirmar que a
humildade de Maria é mais sublime que a sua virgindade. A sua humildade era
vibrante e ecoava pelos céus como o cântico de São Miguel Arcanjo: “Quem como
Deus”.
Da teologia mística, aliás, vale recordar os exemplos de Santa Catarina de Sena, que era “nada” diante dAquele que é por si mesmo (Ἐγώ εἰμι), e de Santa Teresinha, cuja doutrina da pequena via consiste justamente em apresentar-se “de mãos vazias” ao Senhor. Nessa perspectiva, o caminho adotado pela comissão é correto, mas empobrece a interpretação espiritual do texto. Esse problema não se verifica no versículo 51. A nova edição aproximou-se mais do grego, trazendo de volta a ideia do “poder” (κράτος):
“Ele manifestou poder com o seu braço”. A edição anterior estava
assim: “Ele mostrou a força de seu braço”. O braço é metaforicamente o poder
(potentiam, como diz a Nova Vulgata) de Deus, com o qual Ele “dispersou os
soberbos nos pensamentos de seu coração”.
A edição antiga dizia: “dispersou os que têm planos orgulhosos no coração”. Desse modo, dá-se a ideia de uma “conspiração” ou “plano” previamente articulado. Mas a ideia original do texto — “διεσκόρπισεν ὑπερηφάνους διανοίᾳ καρδίας αὐτῶν” — fala mesmo de dispersão no sentido de esquecimento de Deus. Trata-se de um pensamento autorreferencial, que não acessa a memória espiritual, mas se restringe às sensações da carne. Por isso os soberbos ficam espalhados nos pensamentos de seus corações. A grande arte da oração é o esquecimento de si mesmo. Por essa razão, a tradução nova está mais adequada ao texto original e à espiritualidade.
Outras duas observações ainda sobre o Magnificat, com respeito aos
versículos 48 e 50:
A nova edição trocou, no v. 48, o “bendita” por “bem-aventurada”,
fazendo eco às bem-aventuranças, e, no v. 50, trouxe de volta a ideia de temor
(“sobre aqueles que o temem”). Trabalho louvável!
Agora resta saber, e os liturgistas terão muito trabalho neste
sentido, se a nova tradução é cantável. Nos Salmos, por exemplo, os textos da
nova edição estão bem mais próximos do hebraico, mas fogem, por outro lado, da
métrica anteriormente estabelecida para o canto litúrgico no Brasil.
Fonte: https://padrepauloricardo.org/episodios/a-nova-biblia-da-cnbb
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lançou a nova tradução oficial da Bíblia que servirá de referência para a Igreja no Brasil!
Como recomenda o Concílio Vaticano II, a tradução se baseia nos textos originais hebraicos, aramaicos e gregos, comparados com a Nova Vulgata – a tradução oficial católica. O projeto teve início em 2007, quando a coordenação de tradução e revisão, composta pelos padres Luís Henrique Eloy e Silva, padres Ney Brasil Pereira (in memorian) e Johan Konings, fez a revisão integral conjunta, enquanto os professores padre Cássio Murilo Dias, Paulo Jackson Nóbrega de Sousa e Maria de Lourdes Lima colaboraram em algumas partes.
Segundo a coordenação de tradução e revisão
da Bíblia da CNBB, o desejo é o de proporcionar aos católicos do Brasil uma
tradução oficial da Bíblia a ser usada nas futuras publicações oficiais da
Igreja no Brasil, como lecionários litúrgicos e documentos. Esta nova versão deve
também servir de referência para que, sempre quando preciso, se possa encontrar
uma tradução segura, reconhecida pelo Magistério não só da Igreja Católica no
Brasil, mas do mundo.
“Seguimos de perto a nova tradução que depois do Concílio Vaticano
II foi publicada, em latim, para a Igreja Católica inteira, a Nova Vulgata. Ao
mesmo tempo levamos em consideração a fluência e a beleza, para que o texto
possa entrar facilmente no ouvido e ser guardado no coração como alimento
espiritual”, afirmou a coordenação de tradução e revisão da Bíblia da CNBB.
O texto, mais fluido que o existente em
outras versões, apresenta-se simples e transparente nas narrativas, conservando
toda a riqueza dos textos originais e os ecos da tradição litúrgica e
espiritual através dos séculos. De acordo com a equipe de coordenação de
tradução e revisão da Bíblia da CNBB, essa edição se distingue da anterior,
sobretudo pela maior fidelidade aos textos originais segundo as opções adotadas
pela Nova Vulgata.
“Ao tomar por modelo a Nova Vulgata, não traduzimos do latim, mas
dos textos originais em hebraico, aramaico e grego, segundo os mesmos critérios
que tinham sido adotados para a nova tradução latina. Outro distintivo é que o
texto inteiro da Bíblia foi retomado pela equipe dos três principais
colaboradores, para garantir a homogeneidade da linguagem e do estilo”, afirma
a coordenação.
O trabalho que levou 11 anos foi oficialmente lançado no dia 21 de novembro de 2018, durante a reunião do Conselho
Permanente da CNBB, na sede provisória, em Brasília (DF). A partir daí
está disponível para venda no site da Editora da CNBB.
Fonte:
https://www.cnbb.org.br/cnbb-lanca-nova-edicao-da-biblia-sagrada/
PADRE PAULO RICARDO: "Nota de Esclarecimento sobre áudio antigo, criticando bíblia pastoral"
Por Padre Paulo Ricardo - 10.Fev.2024
Diante de uma polêmica recente em torno de um áudio de 2012 (https://www.youtube.com/watch?v=bY4rxg4hn90) - sobre a antiga edição da Bíblia Pastoral, publicada pela Editora Paulus em 1991, Padre Paulo Ricardo gostaria de fazer os seguintes esclarecimentos:
Recentemente fui surpreendido com uma polêmica envolvendo um antigo áudio meu.
No áudio, que circula em vários canais na internet, falo a respeito das notas e subtítulos da antiga edição da Bíblia Pastoral, publicada pela Editora Paulus em 1991. Confesso que tive dificuldade de identificar a origem do áudio em questão. Ajudado pela minha equipe, vasculhamos o imenso material do meu site e finalmente encontramos o vídeo de uma aula do curso de Catecismo publicada em 2012 (há 12 anos atrás!).
Como se trata de material feito para os nossos alunos, o vídeo em questão não se encontra no nosso canal de YouTube. Para encontrá-lo é necessário pesquisar no site padrepauloricardo.org.
-Sendo assim, o conteúdo que circula na internet tem sua origem em gravações artesanais feitas pelos próprios usuários, contendo apenas o áudio.
-Lamento que esse conteúdo tão antigo esteja sendo apresentado ao
grande público como polêmica recente. A questão é tão antiga que, neste
intervalo de tempo, a própria editora Paulus viu a necessidade da publicação de
uma Nova Bíblia Pastoral em 2014.
-A experiência de vida sacerdotal me levou, ao longo dos anos, a renunciar à forma polêmica com a qual tratava alguns temas. Compreendo que esse tom belicoso do passado fez com que algumas pessoas olhassem para meu apostolado com uma certa antipatia.
-De minha
parte, asseguro que as mudanças que fiz são sinceras e que, embora possa sempre
haver pontos de vista discordantes, gostaria de continuar contribuindo para um
diálogo sereno, indispensável para conservarmos a comunhão na única fé dos
Apóstolos.
Uma santa e abençoada Quaresma a todos!
Padre Paulo Ricardo de Azevedo Júnior
Fonte: https://padrepauloricardo.org/blog/nota-de-esclarecimento
CONCLUSÃO
Diante de tudo isso, torna-se evidente que muitas das críticas dirigidas à Bíblia da CNBB não resistem a uma análise séria e imparcial. É perfeitamente legítimo que um católico tenha preferência pela Bíblia de Jerusalém, pela Ave-Maria, pela Tradução Oficial da CNBB ou por qualquer outra edição aprovada pela Igreja. O que não é legítimo é transformar preferências pessoais em critérios absolutos de ortodoxia, insinuando que uma tradução oficialmente acolhida pela Igreja seja suspeita apenas porque não corresponde ao gosto de determinados grupos.
A segunda edição da Bíblia da CNBB é fruto de mais de uma década de trabalho de biblistas, exegetas e especialistas nas línguas originais da Sagrada Escritura. Seu texto foi elaborado com rigor científico, fidelidade ao hebraico, ao aramaico e ao grego, e em conformidade com as orientações do Magistério da Igreja para a tradução da Palavra de Deus. Além disso, foi preparada para servir de referência à vida litúrgica da Igreja no Brasil, favorecendo a unidade na proclamação das Escrituras e na formação dos fiéis.
Não por acaso, o próprio Padre Paulo Ricardo, reconhecido por sua fidelidade ao Magistério e por sua defesa constante da doutrina católica, manifestou publicamente sua estima por essa tradução. Longe de repetir críticas infundadas, ele elogiou a seriedade do trabalho realizado, a unidade da tradução, sua qualidade editorial e sua fidelidade às orientações do Concílio Vaticano II. Seu parecer demonstra que é possível ser profundamente comprometido com a Tradição da Igreja e, ao mesmo tempo, reconhecer o valor da Bíblia da CNBB.
Por isso, se um sacerdote tão criterioso e respeitado recomenda essa tradução, não há razão para que os fiéis se deixem influenciar por campanhas de desinformação ou por acusações sem fundamento. Antes de aceitar críticas difundidas nas redes sociais, é mais prudente confiar no discernimento da própria Igreja e na avaliação de estudiosos que conhecem profundamente a Sagrada Escritura.
A Bíblia da CNBB não pretende substituir outras boas traduções católicas, mas soma-se a elas como uma excelente opção para a leitura orante, o estudo, a catequese e a participação na liturgia. Quanto mais os católicos conhecerem a Palavra de Deus por meio de traduções fiéis e aprovadas pela Igreja, mais crescerão na fé, na comunhão e no amor a Cristo.
Assim, posso recomendá-la com tranquilidade a todo católico que deseja aprofundar-se nas Escrituras em plena sintonia com o Magistério da Igreja. E essa recomendação não se apoia apenas na qualidade objetiva da obra, mas também no testemunho de quem conquistou a confiança de milhares de fiéis brasileiros pela seriedade de seu ensino.
Se Padre Paulo Ricardo, após analisar essa tradução, a apresentou como uma obra fiel, bela e digna da estima dos católicos, isso já basta para desfazer muitos preconceitos e nos incentivar a abrir suas páginas com confiança, espírito de oração e sincero desejo de ouvir a voz de Deus.
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A Paz em
Cristo e o Amor de Maria, a mãe do meu Senhor (Lucas 1,43)
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É bom esclarecer isto!
Segundo a coordenação de tradução e revisão da Bíblia da CNBB, o desejo é o de proporcionar aos católicos do Brasil uma tradução oficial da Bíblia a ser usada nas futuras publicações oficiais da Igreja no Brasil, como lecionários litúrgicos e documentos. Esta nova versão deve também servir de referência para que, sempre quando preciso, se possa encontrar uma tradução segura, reconhecida pelo Magistério não só da Igreja Católica no Brasil, mas do mundo ( e não a polêmica e controversa EDIÇÃO PASTORAL, que nos apresenta nas NOTAS DE RODAPÉ um Jesus que veio salvar e libertar apenas os pobres e não TODOS PECADORES, sejam eles pobre ou ricos)
Zé Qualquer
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