Na lógica e na retórica,
uma falácia é um argumento logicamente inconsistente, sem fundamento, inválido
ou falho na capacidade de provar eficazmente o que se alega. Argumentos que
se destinam à persuasão podem parecer convincentes para grande parte do público
apesar de conterem falácias, mas não deixam de ser falsos por causa disso.
Reconhecer
as falácias é por vezes difícil para uma pessoa comum!
Os argumentos falaciosos
podem ter validade emocional, íntima, psicológica, mas não validade lógica. É importante
conhecer os tipos de falácia para evitar armadilhas lógicas na própria
argumentação e para analisar a argumentação alheia. É importante
observar que o simples fato de alguém cometer uma falácia não invalida toda a
sua argumentação.
ATENÇAO! Ninguém pode
dizer:
"Li um livro de
Rousseau, mas ele cometeu uma falácia, então todo o seu pensamento deve estar
errado"
A falácia
invalida imediatamente o argumento no qual ela ocorre, o que significa que só
esse argumento específico será descartado da argumentação, mas pode haver
outros argumentos que tenham sucesso.
Por exemplo, se alguém diz:
"O fogo é quente e
sei disso por dois motivos”:
1. Ele é
vermelho.
2. Medi sua
temperatura com um “termômetro".
A premissa 1
deve ser descartada, pois é falaciosa, mas a argumentação não está de todo
destruída, em virtude da premissa 2.
1)- Falácia do Acidente:
Quando se
considera essencial o que é apenas acidental.
Ex.: “A maior parte dos
políticos são corruptos. Então a política é corrupta.”
2)- Falácia Inversão do acidente:
Tomar uma
exceção como regra!
Ex.: Se deixarmos os
doentes terminais usarem heroína, devemos deixar todos usá-la.
3)- Falácia da Afirmação do consequente:
Essa falácia
ocorre quando se tenta construir um argumento condicional que não está nem do
modus ponens (afirmação do antecedente) nem do modus tollens (negação do
consequente). A sua forma categórica é:
Se A, então B...B, então A!
Ex.: Se há carros, então
há poluição. Há poluição. Logo, há carros.
Carros é uma
causa necessária para poluição, não a única causa.
4)- Falácia da Negação do antecedente:
Essa falácia
ocorre quando se tenta construir um argumento condicional que não está nem do "modus ponens" (afirmação do antecedente) nem do modus tollens (negação do
consequente). A sua forma categórica é:
Se A, então B.
Não A
Então não B.
Ex.: Se há carros, então
há poluição. Não há carros. Logo, não há poluição.
Carros, como
já foi provado, são uma causa necessária para poluição, não a única causa.
5)- Falácia da Anfibologia ou ambiguidade:
Ocorre quando
as premissas usadas no argumento são ambíguas devido à má elaboração sintática.
Exemplo:
1. Venceu o Brasil a Argentina.
-Quem venceu?
2. Ele
levou o pai ao médico em seu carro.
-Carro
de quem ?
6)- Falácia do Apelo à autoridade anônima:
Fazer
afirmações recorrendo a autoridades sem citar a fonte.
Ex.: “Os peritos” dizem
que a melhor maneira de prevenir uma guerra nuclear é estar preparado para ela.
Que peritos?
7)- Falácia do Apelo à emoção:
Recorrer à
emoção para validar o argumento.
Ex.: Apelo ao júri para
que contemple a condição do réu: um homem pobre e sofrido que agora passa pelo
transtorno de ser julgado em tribunal.
8)- Falácia
do Apelo à novidade:
Argumentar que
o novo é sempre melhor.
Ex.: Na filosofia,
Sócrates já está ultrapassado. É melhor Sartre, pois é mais recente.
9)- Falácia do Apelo à vaidade:
Provocar a
vaidade do oponente para vencê-lo.
Ex.: "Não acredito que
uma pessoa culta como você acredita nisto!"
10)- Falácia do Apelo ao preconceito:
Associar
valores morais a uma pessoa ou coisa para convencer o adversário!
Ex.: Uma pessoa
religiosa como você não é capaz de argumentar racionalmente comigo.
Ora, a pessoa e não
o argumento é estigmatizada, e o argumento em si não é refutado.
11)- Falácia do Apelo ao ridículo:
Ridicularizar
um argumento como forma de derrubá-lo.
Ex.: "Se as teorias da
evolução e Criação fossem verdadeiras, significaria que o seu tataravô seria um
gorila, e os jarros de barro nossos
parentes"
12)- Falácia
do Apelo à antiguidade ou tradição:
Afirmar que
algo é verdadeiro ou bom porque é antigo, ou "sempre foi assim".
Ex.: Se o meu
avô diz que Garrincha foi melhor que Pelé, e que a Maçonaria é coisa totalmente
boa, deve ser verdade!
13)- Falácia do Apelo à força:
Utilização de
algum tipo de privilégio, força, poder ou ameaça para impor a conclusão.
Ex.: "Acredite no que eu
digo, e não se esqueça de quem é que paga o seu salário, portanto, saiba com
quem está falando!"
14)- Falácia do Apelo à consequência:
Considerar uma
premissa verdadeira ou falsa conforme sua consequência desejada.
Exemplos:
1. Se Deus existe, então temos direito à vida
eterna. Cobiçamos a vida eterna. Então Deus existe, e nem tudo é permitido.
2. Se Deus não existe, não precisamos temer
punições no pós-vida. Não cobiçamos penas no pós-vida. Então, Deus não existe,
portanto, tudo é permitido.
Nestes dois
exemplos a premissa é válida apenas
porque a conclusão nos agrada de forma pessoal.
15)- Falácia do Apelo à riqueza:
Essa falácia é
a de acreditar que dinheiro é fator de estar correto. Aqueles mais ricos são os
que provavelmente estão certos.
Ex.: O Barão é um homem
vivido e conhece como as coisas funcionam. Se ele diz que é bom, há de ser!
16)- Falácia do Ataque ao argumentador:
Em vez de o
argumentador provar a falsidade do enunciado, ele ataca a pessoa que fez o
enunciado.
Ex.: Se foi (alguém de direita, esquerda, ateu, ou religioso) quem disse isso, certamente é engodo.
17)- Falácia do Apelo à ignorância:
Tentar provar
algo a partir da ignorância quanto à sua validade.
Ex.: Ninguém conseguiu
provar cientificamente que Deus existe, logo, Ele não existe!
18)- Falácia do Argumentum ad lapidem:
Desqualificar
uma afirmação cabal como absurda, mas sem provas em contrário.
Ex.: João, ministro da
educação, é acusado de corrupção e defende-se dizendo: "Esta acusação é um
disparate, é mera intriga infundada da oposição"
Baseado em
quê sua inocência?
19)- Falácia do Apelo à pobreza – (Oposto ao ad
Crumenam):
Essa é a
falácia de assumir que, apenas porque alguém é mais pobre, então é mais
virtuoso e verdadeiro.
Ex.: Joãozinho é pobre e
deve ter sofrido muito na vida. Se ele diz que isso é uma inverdade, eu
acredito!
Desde quando pobreza condição sine-qua-non para ser a pura expressão da verdade?
20) Falácia do Apelo ao medo:
Apelar ao medo
para validar o argumento.
Ex.: Vote no candidato
tal, pois se o candidato adversário vencer vai trazer a ditadura e todas as
mazelas do passado de volta.
21)- Falácia do Apelo à misericórdia (ou ad infantium):
Consiste no
recurso à piedade ou a sentimentos relacionados, tais como solidariedade e
compaixão, para que a conclusão seja aceita, embora a piedade não esteja
relacionada com o assunto ou com a conclusão do argumento. Do argumento ad
misericordiam deriva o argumentum ad infantium.
Exemplo:
"Faça isso pelas crianças".
A emoção é
usada para persuadir as pessoas a apoiar (ou intimidá-las a rejeitar) um
argumento com base na emoção, mais do que em evidências ou razões.
22)- Falácia da Repetição nauseante:
É a aplicação
da repetição constante e a crença incorreta de que, quanto mais se diz algo,
mais correto está.
Ex.: Se fulano de tal diz tanto que sua ex-namorada é uma
mentirosa, então ela é!
23)- Falácia do Apelo ao povo ou à maioria:
É a tentativa
de ganhar a causa por apelar a uma grande quantidade de pessoas.
Ex.: A maioria o elegeu,
portanto, é porque ele(a) é incorruptível.
24)- Falácia do Apelo à temperança:
Recorrer ao
meio-termo sem razão.
Ex.: Não temos relógio, mas alguns estão dizendo que são dez
horas e outros dizem que são seis horas, então é mais acertado supor que são
oito horas.
25)- Falácia do Apelo à autoridade ou Magister
dixit (Meu mestre disse):
Argumentação
baseada no apelo a alguma autoridade reconhecida para comprovar a premissa.
Ex.: Se Aristóteles disse isto, então é uma verdade
incontestável!
26)- Falácia do Argumentum verbosium (prova por
verbosidade):
Tentativa de
esmagar os envolvidos pelo discurso prolixo, apresentando um enorme volume de
material. Superficialmente, o argumento parece plausível e bem pesquisado, mas
é tão trabalhoso desembaraçar e verificar cada fato comprobatório que pode
acabar por ser aceite sem ser contestado.
27)- Falácia da Bola de neve:
Elaborar uma
sucessão de premissas e conclusões que conduzem ao absurdo.
Ex.: Se
aprovarmos leis contra as armas automáticas, não demorará muito até aprovarmos
leis contra todas as armas e então começaremos a restringir todos os nossos
direitos, e acabaremos por viver num estado totalitário.
28)- Falácia do Bulverismo:
Argumentar
partindo do pressuposto de que o oponente já está comprovadamente errado.
Exemplos:
1. Você está dizendo que a Bíblia é correta?
Nem vou discutir com você, parei. Sabemos que a ciência comprovadamente explica
tudo corretamente e sem falhas, a bíblia não.
2. Se você não acredita que a Bíblia é infalível,
já perdeu o argumento, pois é óbvio que ela é.
Nos dois
exemplos acima, é mero egocentrismo ideológico.
29)- Falácia da Causa complexa:
Supervalorizar
uma única causa, quando há várias causas envolvidas.
Exemplos:
1.Sei que ele estava embriagado, mas o acidente não teria
ocorrido se não fosse a má localização do arbusto.
2.Ao longo da história
da humanidade, houveram muitas guerras por causa de religião, portanto, se não
houvessem religiões, não haveria guerras e o mundo viveria em Paz.
Houve muitas
outras causas envolvidas no acidente e nas guerras.
30)- Falácia da Causa diminuta:
Apontar uma
causa irrelevante.
Ex.: Fumar causa a
poluição do ar em Edmonton.
Ora, a causa
maior é a poluição industrial e dos automóveis e não de cigarros.
31)- Falácia do Complexo do pombo enxadrista:
Proclamar
vitória, dando a entender que venceu a discussão, sem ter conseguido realmente
apresentar bons argumentos que refutassem o adversário.
32)- Falácia da Conclusão irrelevante:
Obter uma
conclusão genérica com que todos possam concordar!
Ex.: A lei
deve estipular um sistema de cotas para negros e gays ocupar empregos e universidades, pois percebemos que estes postos são ocupados por brancos e héteros, portanto, não fazer
algo para mudar essa situação é inaceitável. Necessitamos de uma sociedade mais
igualitária.
Ora, esta falácia é clara! As cotas deveriam ser sociais, e não raciais, ou de gênero, pois nem todo branco e hétero nascem ricos.
33)- Falácia da Definição circular:
Definir um
termo usando o próprio termo que está sendo definido.
Ex.: O Comunismo é científico, pois todo comunista diz que é, portanto, deve ser e ponto final!
34)- Falácia da Definição contraditória:
Definir algo
com termos que se contradizem.
Ex.: Governos ditatoriais de esquerda ou direita, assim se definem: "Para
serem livres, submetam-se as minhas diretrizes!"
35)- Falácia da Definição muito ampla:
Ex.: Uma maçã é
um objeto vermelho e redondo. O planeta Marte também é vermelho e redondo,
portando, ambos são muito semelhantes.
36)- Falácia da Definição muito restrita:
Ex.: Uma maçã é
um objeto vermelho e redondo. Há maçãs que não são vermelhas, portanto, as maçãs
não são semelhantes.
37)- Falácia da Definição obscura:
Definir algo
em termos imprecisos ou incompreensíveis.
Ex.: "A vida é a borboleta
sublime que bate suas asas dentro de nós..."
38)- Falácia do Argumento das lacunas:
Responder a
questões sem solução com explicações sobrenaturais, e ou, que não podem ser
comprovadas.
Exemplos:
1.Os passageiros do avião sobreviveram porque Deus interveio
no acidente.
2.Se Deus é bom é permite o mal e o sofrimento, então, ou
Ele é mal, ou então não existe!
39)- Falácia do Dicto simpliciter (regra geral):
Ocorre quando
uma regra geral é aplicada a um caso particular onde a regra não deveria ser
aplicada.
Ex.: Se você matou alguém, deve ir impreterivelmente para a cadeia.
Esta sentença não se aplica
a certos casos, quando há legítima defesa, ou quando acidentalmente não houve intenção de matar, por exemplo: Dois policiais irmãos, ao estarem limpando suas armas, um acaba disparando mortalmente no outro que tanto amava, e já havia lhe doado até um de seus rins.
40)- Falácia da Generalização apressada (falsa
indução):
É o oposto do
Dicto simpliciter. Ocorre quando uma regra específica é atribuída ao caso
genérico - (Do particular para o Universal):
Ex.: Minha namorada me traiu. Logo, todas as mulheres são traidoras!
41)- Falácia da Distorção de fatos:
Mascarar os
verdadeiros fatos.
Ex.: O segredo da minha beleza é tomar um copo de água todas
as manhãs.
É pura omissão
de mais informações.
42)- Falácia do Egocentrismo ideológico:
Realizar um
argumento de forma parcial e tendenciosa.
Ex.: O comunismo é o sistema de governo ideal, pois meu professor que é muito honesto e PHd em história, nos garantiu isso!
Ora, a sinceridade e honestidade não são os dois únicos critérios da verdade, pois uma pessoa honesta, pode estar sinceramente equivocada.
43)- Falácia da Ênfase (SQN):
Acentuar uma
palavra para sugerir o contrário.
Ex.: Hoje o capitão estava "sóbrio" (sugerindo embriaguês).
44)- Falácia do Equívoco:
Usar uma
afirmação com significado diferente do que seria apropriado ao contexto.
Ex.: Os assassinos de crianças são desumanos. Portanto, humanos
não matam crianças!
Joga-se com os
significados equivocados das palavras, neste caso: humanos que mataram.
45)- Falácia do Estilo sem substância:
Validar um
argumento por sua beleza estética ou pela elegância do argumentador.
Ex.: Hitler sabia se dirigir as massas e convencê-las. Ele devia ter então, muita razão no
que falava!
46)- Falácia da Evidência anedótica:
Refere-se a
uma evidência informal na forma de anedota (conto, episódio, derivado do grego
anékdota, significando 'coisas não publicadas'), ou de "ouvir falar".
A evidência anedótica é chamada de testemunho.
Ex.: “Há provas abundantes
de que os Extras Terrestres existem. Na semana passada, li sobre uma pessoa que
teve um contato de primeiro grau com um deles, e vi pelas suas palavras e
expressões que seu testemunho era verdadeiro.”
47)- Falácia da Explicação incompleta:
Ex.: As
pessoas tornam-se esquizofrênicas porque as diferentes partes dos seus cérebros
funcionam separadas.
Baseado em que esta afirmação?
48)- Falácia da Explicação superficial:
Usar
classificações para tirar conclusões.
Ex.: A minha
gata Elisa gosta de atum porque afinal toda mulher gata gosta de Atum!
49)- Falácia da Expulsão do Grupo (falácia do
escocês):
Fazer uma
afirmação sobre uma característica de um grupo e, quando confrontado com um
exemplo contrário, afirmar que este exemplo não pertence realmente ao grupo.
Exemplo:
- Nenhum escocês coloca açúcar em seu mingau.
- Ora, eu tenho um amigo escocês que faz isso!
- Ah sim, mas nenhum escocês de verdade coloca...
50)- Falácia da divisão (tomar a parte pelo todo):
Oposto da
falácia de composição. Supõe que uma propriedade do todo é aplicada a cada
parte.
Ex.: Você deve ser rico, pois estuda em um colégio de ricos.
Ora, a pessoa pode
simplesmente ter conseguido uma bolsa de estudos, ou alguém resolveu patrocinar apenas seus estudos.
51)- Falácia da questão falaciosa negativista
Consiste na
inclusão de uma questão não necessária no contexto para desqualificar uma pessoa ou argumento:
Ex.: Você já parou de trair sua esposa para poder dizer que não roubou isto?...
É uma pergunta
maliciosa.
52)- Falácia do espantalho(ou demonização) Proselitista:
Consiste em
criar ideias reprováveis ou fracas, atribuindo-as à posição contrária.
Exemplos:
1. Deveríamos
abolir todas as religiões do mundo. Só assim haveria paz verdadeira.
2. Meu adversário,
por ser de um partido de direita não é confiável, pois todos que são da direita são a favor do
Liberalismo, privatizações, do Capitalismo Selvagem, e não tem escrúpulos, "pois
para eles os fins justificam os meios".
O outro é
convertido num demônio monstruoso, um espantalho, para angariar as simpatias dos demais em seu favor. Todos sabemos que existem inescrupulosos tanto na direita como esquerda, incluindo lideranças religiosas, os quais defendem que os fins da causa justificam os meios mais inescrupulosos possíveis.
53)- Falácia genética:
Consiste em
aprovar ou desaprovar algo baseando-se unicamente em sua origem.
Ex.: Você
gosta de chocolate porque seu antepassado do século XVIII também gostava.
Aponta-se a
causa remota como o fator da validade presente.
54)- Falácia nomotética:
Consiste na
crença de que uma questão pode ser resolvida simplesmente dando-lhe um novo
nome, quando na realidade, a questão permanece sem solução.
55)- Falacia non causae ut causae (falácia da
falsa proclamação de vitória ou tratar como prova o que não é prova):
Consiste na
declaração de vitória, servindo-se de respostas fracas ou incompletamente
respondidas pelo adversário, quando efetivamente os argumentos próprios não
provaram logicamente a contestação. É semelhante à do pombo enxadrista.
56)- Falácias tipo "A" baseado em
"B" (outro tipo de conclusão sofismática):
Ocorrem dois
fatos. São colocados como similares por serem derivados ou similares a um
terceiro fato.
Exemplo:
1. O islamismo é baseado na fé.
2. O cristianismo é baseado na fé.
3. Logo, o islamismo é igual ao
cristianismo!
É uma falsa
aplicação do princípio do silogismo.
57)- Falácia da Falsa causa:
Afirma que,
apenas porque dois eventos ocorreram juntos, eles estão relacionados.
Ex: Nota-se
uma maior frequência de erros de português em sala de aula desde o início das
redes sociais e o uso do internetês. O advento das redes sociais vem
degenerando o uso do português correto.
Falta mostrar com
fatos e dados uma pesquisa que realmente o comprove.
58)- Falácia da Falsa dicotomia (bifurcação):
Também
conhecida como falácia do branco e preto ou do falso dilema. Ocorre quando
alguém apresenta uma situação com apenas duas alternativas, quando de fato
outras alternativas existem ou podem existir.
Ex.: Se você não é de
Esquerda, e não acredita em Deus, então não presta, e não é confiável politicamente e nem moralmente!
Opção politica, religiosa e "areligiosa-política", não define caráter!
59)- Falácia da Ignoratio elenchi (conclusão
sofismática) ou falácia da conclusão irrelevante:
Consiste em
utilizar argumentos que podem ser válidos para chegar a uma conclusão que não
tem relação alguma com os argumentos utilizados.
Ex.: Os
astronautas do Projeto Apollo eram bem preparados, todos eram excelentes
aviadores e tinham boa formação acadêmica e intelectual, além de apresentarem
boas condições físicas. Logo, foi um processo natural os EUA ganharem a corrida
espacial contra a União Soviética, pois o povo americano é superior ao povo
russo!
As premissas
são verdadeiras, porém, a conclusão é discutível.
60)- Falácia da Invenção de fatos:
Consiste em
mentir ou formular informações imprecisas.
Ex.: Segundo
os Ocidentais, a causa da gripe é o consumo do arroz vindo do Oriente.
61)- Falácia da Inversão de causa e efeito:
Considerar um
efeito como uma causa.
Ex.: A
propagação da A I D S foi provocada pela educação sexual.
62)- Falácia do Inversão do ônus da prova:
Quando o
argumentador transfere ao seu opositor a responsabilidade de comprovar o
argumento contrário, eximindo-se de provar a base do seu argumento(É sair pela
tangente).Lembrando que
o ônus da prova inicial cabe sempre a quem faz a afirmação primeira (Tanto afirmando
como Negando), pois ninguém pode afirmar ou negar que é inocente ou culpado,
sem que prove sua afirmação.
Exemplos:
1.Deus existe,
porque ninguém consegue provar que Ele NÃO existe.
No caso 1 acima,
o ônus da prova recairá sobre quem fez primeiramente a afirmação de que Deus
existe.
2.Deus não
existe, porque ninguém consegue provar que Ele existe.
No caso 2 acima,
o ônus da prova recairá sobre quem fez primeiramente a afirmação de que Deus não
existe.
Ausência de
evidência não significa evidência de ausência, no entanto, o ônus da prova permanece
atrelado a quem afirma primeiramente e categoricamente que Deus existe ou não.
63)- Falácia da Pergunta indutiva:
Insinuação por
meio de pergunta.
Ex.: Por que não apoias a liberdade
e o direito de todo cidadão ter a posse e andar armado?
São duas
perguntas numa só: Ter a posse é uma coisa, já andar armado, já é outra.
64)- Falácia do Plurium interrogationum:
Ocorre quando
se exige uma resposta simples a uma questão complexa.
Ex.: O que faremos com esse criminoso? Matar ou prender?
É um falso
dilema, pois em todos os casos se quer justiça e não vingança!
65)- Falácia simplista do Depois disso, por causa
disso:
Consiste em
dizer que, pelo simples fato de um evento ter ocorrido logo após o outro, eles
têm uma relação de causa e efeito. Porém, correlação não implica causalidade.
Ex.: O Japão
rendeu-se logo após a utilização das bombas atômicas por parte dos EUA.
Portanto, o final da segunda guerra foi alcançado devido unicamente à utilização das armas nucleares.
66) Falácia do Red Herring:
Falácia
cometida quando material irrelevante é introduzido no assunto discutido para
desviar a atenção e chegar a uma conclusão diferente, ou genérica.
Ex.: Será que
o palhaço deste circo é o assassino? No ano passado, um palhaço matou uma criança.
67)- Falácia da Redução ao absurdo:
Consiste em
averiguar uma hipótese, chegando a um resultado absurdo, para depois tentar
invalidar essa hipótese. É um jogo de raciocínios para tentar fazer o primeiro
contraditório.
Exemplos:
1.Você deveria
respeitar a crença de fulano(a) porque todas as crenças são de igual validade e não
podem ser negadas.
2.Eu recuso
que todas as crenças sejam de igual validade. De acordo com sua declaração,
essa minha crença é válida, como todas as outras crenças. Contudo, sua
afirmação também, contradiz e invalida a minha, sendo exatamente o oposto dela.
Caiu
em contradição.
68)-
Falácia da Redução ao nazismo:
Invalidar um
argumento pela comparação com Hitler ou o nazismo.
Ex.: Hitler acreditava
em Deus, então os religiosos não devem ser boas pessoas...
69)- Falácia da Terceira causa:
Ignorar a
existência de uma terceira causa não levada em conta nas premissas.
Ex.: Estamos vivendo uma fase de elevado desemprego, que é
provocado por por um baixo consumo.
Há uma causa
tanto para o desemprego como para o baixo consumo.
A FILOSOFIA DA ARGUMENTAÇÃO:
1)- a dicto secundum quid ad dictum simpliciter
Expressão
latina que significa "da asserção qualificada para a não
qualificada"; trata-se de uma FALÁCIA informal. Por exemplo: "Todo o
deus omnipotente pode fazer tudo; logo, todo o deus pode fazer tudo".
2)- a dicto simpliciter ad dictum secundum quid
Expressão
latina que significa "da asserção não qualificada para a
qualificada"; defende-se por vezes que se trata de uma FALÁCIA informal.
Por exemplo:
"Nenhum
cavalo pode voar; logo, nenhum cavalo alado pode voar".
3)- a fortiori
Expressão
latina que significa "por maioria de razão".
Se todas as
opiniões são inúteis, então a fortiori a sua opinião também o é.
4)- a priori / a posteriori
4.1. Uma
distinção entre modos de conhecimento. Conhecemos a prioriuma dada proposição
quando não recorremos à experiência para a conhecer. Por exemplo, uma pessoa
sabe a priori que 23 + 12 = 35 quando faz um cálculo mental, não recorrendo à
experiência. Conhecemos a posterioriuma dada proposição quando recorremos à
experiência para a conhecer. Por exemplo, uma pessoa sabe a posteriori que o
céu é azul quando olha para o céu e vê que é azul. Considera-se,
tradicionalmente, que a lógica, a matemática e a filosofia são disciplinas a
priori porque têm por objecto problemas cuja solução implica recorrer ao
pensamento puro. A história, a física e a economia, por exemplo, são
disciplinas a posteriori porque têm por objecto de estudo fenómenos que só
podem ser conhecidos através da experiência; por exemplo: para saber em que ano
Buzz Aldrin e Neil Armstrong foram à Lua é necessário consultar documentos
históricos; para saber qual a taxa de inflação em Portugal em 2003 é necessário
consultar dados económicos.
4.2. Diz-se
que um ARGUMENTO é a priori quando todas as suas premissas são conhecíveis a
priori; e diz-se que é a posteriori quando pelo menos uma das suas premissas só
pode ser conhecida a posteriori. Não se deve confundir o a priori / a
posteriori com o ANALÍTICO/SINTÉTICO, nem com NECESSÁRIO/CONTINGENTE.
5)- absoluto/relativo
Diz-se que é
absoluto o que depende apenas de si próprio, não se submete a quaisquer
condições e não tem restrições. Pelo contrário, o que tem uma natureza
dependente e não existe por si mesmo é relativo. Por exemplo, dizer que há
normas morais absolutas é dizer que essas normas não dependem da época, da
sociedade, da opinião das pessoas, etc. Por sua vez, ao dizer que as normas
morais são relativas, estamos a afirmar que tais normas dependem de algo que,
neste caso, devemos especificar, sendo por isso variáveis. O termo
"absoluto" é também utilizado por alguns filósofos como substantivo,
para referir uma espécie de ser supremo, espiritual, único e autoconsciente. Um
exemplo disso encontra-se na filosofia idealista de HEGEL.
6)- abstração
O processo
psicológico que consiste em isolar as características comuns a um dado conjunto
de objectos. Também se costuma chamar abstracção ao resultado deste processo.
Segundo John LOCKE, trata-se do processo através do qual adquirimos os
conceitos de homem, árvore, azul, etc. Isso implica que, de
entre a variedade de características que cada objeto exemplifica, se retenham
apenas as que são comuns a todos os objectos da mesma classe. Assim, o conceito
de árvore inclui apenas as características que se podem observar em todas as
árvores, sejam elas pinheiros, oliveiras, laranjeiras, etc., e não
características particulares como o tamanho, a forma da copa, o textura do
tronco, ou a cor e a quantidade de folhas de cada árvore. Para Locke, os
animais não são capazes de abstracção; apenas os seres humanos, residindo aí a
principal diferença entre ambos. Por sua vez, BERKELEY nega a existência da
abstração, pois considera que isso nos leva a conceber coisas que não existem
em lado algum, como objectos sem cor, etc. Para este filósofo não há ideias
abstractas, defendendo que todas as ideias são concretas. Ver também
ABSTRACTO/CONCRETO.
7)- abstracto/concreto
Muitas pessoas
utilizam o termo "abstrato" para referir algo impreciso, vago, sem
conexão com a realidade e sem objectividade. Mas isso é incorreto. Um termo
refere algo abstracto se aquilo que é referido por esse termo não tem
existência espácio-temporal, isto é, se não existe num lugar qualquer nem num
determinado momento. Por exemplo, a justiça é uma entidade abstrata, pois não
tem localização espácio-temporal, não se podendo confundir com os casos
concretos de situações justas, que têm localização espácio-temporal. As
propriedades são, pois, exemplos típicos de "coisas" abstractas; a
propriedade de ser árvore, por exemplo, não se confunde com as próprias
árvores. Cada árvore em particular é concreta, dado que existe no espaço e no
tempo; mas a própria propriedade de ser árvore é abstracta dado que não existe
no espaço nem no tempo.Supostamente,
os números e as proposições (ver PROPOSIÇÃO) também não têm existência
espácio-temporal, pelo que são exemplos comuns de entidades abstractas. Por sua
vez, diz-se que uma entidade é concreta se tem uma existência espácio-temporal,
ou seja, se existe ou existiu numa dada ocasião, num certo sítio. Assim, a
árvore que está neste momento à entrada do portão principal da minha escola é
uma entidade concreta. Exemplos de entidades concretas são também a dor de
dentes que tive hoje à tarde, o suspiro de Pedro ao ver Inês, a ponte Vasco da
Gama, a Marisa Cruz, etc. Esta distinção nem sempre é pacífica: os
nominalistas, por exemplo, rejeitam a existência de entidades abstractas.
8)- absurdo
1. Em lógica e
filosofia, uma afirmação absurda é uma afirmação sem sentido; por outras
palavras, sem VALOR DE VERDADE, como "As ideias verdes dormem furiosamente
juntas". Não basta desconhecer o valor de verdade de uma afirmação para
ela ser absurda; é preciso que a afirmação não tenha realmente valor de
verdade. Por exemplo, desconhece-se se a afirmação "Há vida microscópica
em Marte" é verdadeira, mas a afirmação não é absurda, dado que tem um
valor de verdade, apesar de ser desconhecido.
2. Diz-se que
a vida ou a existência é absurda quando não tem sentido (ver SENTIDO DA VIDA).
3. Diz-se que
uma afirmação é absurda quando é disparatada, ou evidentemente falsa.
9)- absurdo – *(Ver REDUÇÃO AO ABSURDO)
10)- ação
Aquilo que é
feito intencionalmente por alguém; um acontecimento que resulta diretamente da
VONTADE de um AGENTE. Uma pessoa pode causar um acontecimento sem que o tivesse
previsto, desejado ou controlado (como quando chuta uma pedra involuntariamente
e esta acerta num carro). Neste caso, não se trata de uma ação. Apenas aos
acontecimentos causados por alguém de forma intencional (ver INTENÇÃO), e que
têm em vista obter algum resultado, se pode apropriadamente chamar
"ações" (como atirar uma pedra a um cão para o afastar do meio da
estrada). O movimento corporal não é necessário nem suficiente para assinalar a
existência de uma acção: é vulgar alguém fazer a acção de se defender de um cão
feroz permanecendo imóvel; e há movimentos quando espirramos sem que isto
represente qualquer acção.
11)- ação afirmativa - (Ver DISCRIMINAÇÃO POSITIVA).
12)- ato de fala
J. L. AUSTIN,
no seu célebre livro "Como Fazer Coisas com Palavras", notou que as línguas humanas
contêm frases gramaticalmente assertóricas que, tipicamente, não
são usadas pelos falantes para fazer asserções genuínas. Assim, se eu disser
"prometo chegar a horas amanhã", não estou a descrever uma situação
futura, nem a descrever a minha intenção de cumprir a promessa, nem a descrever
o acto de fazer a promessa, mas antes a fazer a própria promessa. O mesmo
acontece se eu disser "agradeço as tuas palavras" (caso em que estou
a agradecer, e não a descrever um agradecimento). Nestes, como em casos
semelhantes, não se está a descrever um estado de coisas e, portanto, a
elocução respectiva não é candidata a ser classificada como verdadeira ou falsa
mas antes como "feliz" ou "infeliz", consoante se satisfaça
ou não certas condições para o sucesso de um acto de fala. Na influente
teorização que John SEARLE fez dos actos de fala, é apresentada uma tipologia
das acções praticáveis através do uso da linguagem humana, onde os actos
assertivos (aqueles que consistem em descrever, veridicamente ou não, estados
de coisas) correspondem apenas a uma das categorias contempladas. Outras
categorias são as dos actos compromissivos (como os de prometer ou ameaçar),
expressivos (como os de agradecer ou lamentar), directivos (como os de ordenar
ou perguntar), declarativos (como os de baptizar ou celebrar um matrimónio) ou
declarativo-assertivos (como os de demitir alguém ou declarar aberta uma
cerimónia).
13)- acidente - (Ver SUBSTÂNCIA/ACIDENTE)
14)- ad baculum, argumentum
Expressão
latina que significa apelo à força. Ver FALÁCIA DO APELO À FORÇA.
15)- ad consequentiam, argumentum
Expressão
latina que significa apelo às consequências. Ver FALÁCIA DO APELO ÀS
CONSEQUÊNCIAS.
16)- ad hoc
Expressão
latina que significa literalmente "para isso". Por exemplo, quando se
introduz uma hipótese numa teoria em dificuldades para a salvar, diz-se que a
hipótese é ad hoc.
17)- ad hominem, argumentum
Expressão
latina que significa ataque pessoal. Ver FALÁCIA AD HOMINEM.
18)- ad hominem, falácia - (Ver FALÁCIA AD HOMINEM).
19)- ad ignorantiam, argumentum
Expressão
latina que significa apelo à ignorância. Ver FALÁCIA DO APELO À IGNORÂNCIA.
20)- Falácia do Apelo ao ad infinitum
Expressão
latina que significa literalmente "até ao infinito".
21)- ad misericordiam, argumentum
Expressão
latina que significa apelo à piedade. Ver FALÁCIA DO APELO À PIEDADE.
22)- ad populum, argumentum
Expressão
latina que significa apelo ao povo. Ver FALÁCIA DO APELO AO POVO.
23)- ad verecundiam, argumentum
Expressão
latina que significa apelo à autoridade. Ver ARGUMENTO DE AUTORIDADE.
24)- afirmação
O mesmo que
ENUNCIADO.
25)- afirmação da consequente, falácia - (Ver FALÁCIA DA
AFIRMAÇÃO DA CONSEQUENTE)
26)- agente
Aquele que
age; a pessoa que faz uma ACÇÃO. Na tradição filosófica são apontadas pelo
menos duas exigências para que se considere que alguém tem a propriedade de ser
um agente: a primeira, ser capaz de avaliar e escolher entre as várias opções
de ação disponíveis; a segunda, ser capaz de concretizar a escolha que fizer.
O problema filosófico da agência consiste em saber se as ações são apenas
acontecimentos que envolvem pessoas (ou seres racionais em geral), ou se são
acontecimentos causados pelos agentes e, nesse caso, como se dá tal
causalidade. Ver CAUSA/EFEITO e LIVRE-ARBÍTRIO.
27)- Falácia do agnosticismo
A suspensão da
crença em relação à existência de DEUS. O agnosticismo radical é a ideia de que
nunca poderemos descobrir se Deus existe ou não.
Situação
imaginada por PLATÃO no Livro VII de A República (trad. 2001, Gulbenkian) para
representar os diferentes tipos de ser que, segundo ele, existem e a condição
em que nos encontramos em relação ao seu CONHECIMENTO. Vários prisioneiros
estão amarrados de pés e mãos numa caverna e só podem olhar para a parede
diante deles. Por detrás existe um fogo e entre eles e o fogo passam pessoas
transportando vários objetos, cuja sombra se reflete na parede diante dos
prisioneiros, o que os leva a pensar que as sombras são a verdadeira REALIDADE.
Só os prisioneiros que são capazes de se libertar (os filósofos), sair da
caverna (MUNDO SENSÍVEL) e contemplar a realidade e o Sol (mundo inteligível
e IDEIA de Bem) são capazes de compreender como até essa altura viveram num mundo
de aparências e ignorância.
29)- aletheia
Termo grego
que significa "verdade" e de onde deriva o adjectivo
"alético".
30)- alienação
Conceito que
se refere a um conjunto de situações em que um ser não se reconhece porque
perdeu algo da sua essência:
-Em HEGEL a alienação era uma condição necessária
da realização do Absoluto como o Espírito que tudo governa.
-Em MARX o sujeito da
alienação é o homem e a alienação é uma degradação física e moral de que urge
salvá-lo. Para Marx a alienação fundamental é a económica: o trabalhador é
obrigado a vender o seu trabalho para satisfazer necessidades que são
especificamente humanas (comer,beber,etc). Para Marx a exploração do trabalho aliena o
trabalhador, isto é, desumaniza-o. Na raiz da degradação está a propriedade
privada dos meios de produção. Segundo Marx,só o comunismo, ao abolir esta situação, poderá
salvar o homem.
31)- ambiguidade
Uma frase é
ambígua quando exprime mais de uma proposição. Por exemplo, a frase "O
João está no banco" é ambígua porque tanto pode querer dizer que o João
está numa instituição financeira como que o João está sentado num banco. Podemos
distinguir dois tipos de ambiguidades: semântica e sintáctica. O exemplo dado é
uma ambiguidade semântica.
-As ambiguidades semânticas resultam da ambiguidade
do significado das palavras que ocorrem na frase; no exemplo dado, resulta dos
diferentes significados da palavra "banco".
-A ambiguidade sintática
não resulta da ambiguidade do significado das palavras que ocorrem na frase,
mas antes do modo como as palavras estão encadeadas. Por exemplo, a frase
"O João viu a Maria com os binóculos" pode exprimir duas proposições:
que quando o João olhou para a Maria ela estava com binóculos, ou que o João
viu a Maria através de binóculos.
-Algumas ambiguidades são consideradas
sintáticas na lógica clássica, mas híbridas ou até semânticas em linguística.
É o caso das ambiguidades que dependem da ordem dos QUANTIFICADORES, como a
presente em: "Toda a moça gosta de um ator" (que pode querer
dizer que há um só ator de que todas as moças gostam, ou que, cada moça gosta de um ator diferente).
32)- âmbito
O âmbito de um
operador (por exemplo "alguns" ou "não") ocorrente numa
expressão linguística é a parte da expressão a que ele se aplica. Por exemplo,
na frase "Alguns estudantes gostam de filosofia mas detestam
estudar", o QUANTIFICADOR "alguns" tem por âmbito toda a
sequência que se lhe segue (está a dizer-se, de alguns estudantes, que gostam
de filosofia e, além disso, que detestam estudar); pelo contrário, na frase
"Alguns estudantes gostam de filosofia mas o Paulo não" o âmbito do
quantificador "alguns" não abrange a oração que começa por
"mas". A noção usa-se tanto no estudo da linguagem corrente como no
da lógica. Na LÓGICA, o âmbito dos operadores é assinalado por meio de
parêntesis, impedindo a ocorrência de AMBIGUIDADES. A linguagem corrente, porém,
é rica em ambiguidades de âmbito. Por exemplo, a frase "Todos os
estudantes amam uma atriz americana" tem duas interpretações: a de que
todos os estudantes amam alguma atriz americana, e a de que há uma atriz
americana específica que é amada por todos eles; cada uma destas interpretações
corresponde à atribuição de âmbitos diferentes aos quantificadores
"todos" e "uma". Para representar uma ambiguidade de âmbito
é necessário analisar o papel dos operadores da linguagem corrente por meio de
uma linguagem formal (como a do CÁLCULO DE PREDICADOS), onde os diferentes
significados das frases ambíguas possam distinguir-se claramente.
33)- analítico/sintético
Uma distinção
SEMÂNTICA, isto é, baseada no significado dos termos usados. Uma frase é
analítica se, e só se, o seu valor de verdade é conhecível unicamente com base
no significado dos termos usados. Por exemplo, "Nenhum solteiro é
casado" é uma frase analítica porque para saber que é verdadeira basta
saber o significado dos termos usados. Uma frase é sintética se, e só se, o seu
valor de verdade não é conhecível unicamente com base no significado dos termos
usados. Por exemplo, a frase "Nenhum solteiro é feliz" é uma frase
sintética porque para saber se é verdadeira ou falsa não basta saber o significado
dos termos usados. KANT definia estas noções de forma diferente. Partindo do
falso pressuposto de que todas as frases têm uma estrutura sujeito-predicado
(como "Sócrates é mortal"), defendeu que uma frase é analítica quando
o predicado está "contido" no sujeito. É evidente que por este
critério uma frase evidentemente analítica, como "Chove ou não chove"
não seria analítica; nem uma frase como "Se Sócrates é grego, é
grego", que é evidentemente analítica, pode contar como analítica segundo
a definição de Kant. Não se deve confundir o analítico/sintético com o A PRIORI
/ A POSTERIORI, nem comNECESSÁRIO/CONTINGENTE.
34)- analogia
Fazer uma
analogia é estabelecer uma relação de semelhança entre coisas distintas. Por
exemplo, quando se diz que tal como qualquer ARTEFACTO também a natureza mostra
sinais de um criador, estamos a estabelecer uma analogia entre a natureza e os
artefactos.Ver ARGUMENTO POR ANALOGIA.
35)- anamnese
O processo
que, segundo PLATÃO, nos leva a recordar o que já tínhamos aprendido num estado
de existência anterior e que estava como que adormecido na nossa alma (ou nos genes da memória). No seu
diálogo Ménon, um jovem sem qualquer tipo de instrução consegue mostrar
conhecimento de noções geométricas, respondendo apenas às perguntas que lhe são
feitas por SÓCRATES. Platão pretende mostrar com isso que o conhecimento não se
adquire neste mundo, mas se alcança por anamnese, salientando assim o seu
carácter inato. Ver também, IDEIAS INATAS.
36)- anamnêsis
Termo grego
que significa ANAMNESE ou reminiscência.
37)- antecedente
Numa
condicional com a forma "Se P, então Q" chama-se antecedente a P.
Por
exemplo:
-Antecedente de: Se Sócrates é um homem
-Então é mortal
-É: "Sócrates é um homem".
38)- antinomia
CONTRADIÇÃO ou
PARADOXO, aparente ou real, entre dois princípios (ver PRINCÍPIO) ou conclusões
(ver CONCLUSÃO) de raciocínios que parecem igualmente justificados. Em KANT, na
Crítica da Razão Pura (trad. 1997, Gulbenkian), as antinomias são contradições
em que a RAZÃO PURA cai necessariamente quando procura o incondicionado nos
fenómenos e trata o mundo da experiência (ver EXPERIÊNCIA) como se tivesse
realidade em si. Cada antinomia tem uma TESE e uma ANTÍTESE mutuamente
contraditórias, para as quais existem aparentemente razões convincentes. Para
além das antinomias da razão pura, existem uma antinomia da RAZÃO PRÁTICA,
respeitante ao CONCEITO de soberano bem; uma antinomia do juízo teleológico,
respeitante ao mecanismo e à FINALIDADE; e uma antinomia do gosto.
39)- antítese
De um modo
geral, a oposição entre dois termos ou proposições (ver PROPOSIÇÃO). Mas a
palavra tem também um uso mais específico. Em KANT designa o segundo termo da
oposição DIALÉCTICA que constitui as ANTINOMIAS (sendo o primeiro a TESE). Na
dialéctica de HEGEL e no materialismo dialéctico (ver MATERIALISMO), da
oposição entre TESE e antítese resulta uma síntese que supera ambas.
40)- apeiron
Termo grego
que significa "ilimitado". O filósofo pré-socrático Anaximandro de
Mileto (610-656 a.C.) defendia ser o apeiron a origem do universo, e concebia o
apeiron como algo infinito e sem ordem. Ver FINITUDE/INFINITUDE.
41)- aporia
Um problema ou
situação aparentemente sem saída. Diz-se por vezes que os chamados diálogos
socráticos de PLATÃO são aporéticos porque neles SÓCRATES discute problemas para
os quais não se consegue encontrar uma solução.
Argumento
indirecto a favor da existência de DEUS da autoria de Blaise Pascal (1623-62),
segundo o qual acreditar em Deus é a melhor aposta. Na ausência de argumentos
decisivos a favor ou contra a existência de Deus, o melhor que temos a fazer é
decidir se acreditar Nele é ou não uma boa aposta. O melhor resultado possível
é Deus existir e termos apostado em acreditar Nele, o que implica a felicidade
eterna — o Paraíso. O pior resultado possível é Deus existir e não acreditarmos
Nele, o que implica a infelicidade eterna — o Inferno. Logo, o apostador
racional deverá apostar em acreditar em Deus. Um dos problemas apontados a este
argumento é o facto de partir da ideia de que nada podemos saber acerca de
Deus, mas presumir, em contradição com esta ideia, que Deus irá reagir bem a um
crente oportunista e mal a um descrente racionalmente íntegro. Chega-se a conclusão que quem acredita, tem mais ganhos e menos perdas.
43)- arché
Termo grego
que significa origem, princípio ou ponto de partida. A palavra foi introduzida
no vocabulário filosófico para referir a substância de que são feitas todas as
coisas, ou a partir da qual todas surgiram, e que constituiu o objecto de
estudo dos primeiros filósofos PRÉ-SOCRÁTICOS.
44)- aretê
Termo grego
que significa "virtude", "excelência moral" ou "bem
humano". A tradução é problemática porque não existe um termo português
que corresponda exactamente ao conceito grego original. PLATÃO usava o termo
para falar das virtudes ou bens essenciais para uma vida boa, e distinguia
quatro virtudes cardinais: sabedoria (phronêsis),moderação (sôphrosynê),
coragem (andreia) e justiça (dikaiosynê). ARISTÓTELES ligava o termo à
satisfação da função correcta do ser humano, e portanto à eudemonia ou felicidade.
45)- argumento
Um argumento é
um conjunto de afirmações de tal modo estruturadas que se pretende que uma
delas (a conclusão) seja apoiada pelas outras (as premissas).
Por exemplo:
"A vida tem de fazer sentido porque Deus existe" é um argumento; a
premissa é "Deus existe" e a conclusão é "A vida tem de fazer
sentido". Mas "Ou Deus existe, ou a vida não faz sentido" não é
um argumento, dado ser apenas uma afirmação que não está a ser apoiada por
outras afirmações. Os argumentos podem ser válidos ou inválidos, mas não podem
ser verdadeiros ou falsos.
Um argumento é válido quando as suas premissas
apoiam a sua conclusão (ver VALIDADE/INVALIDADE). Há dois grandes grupos de
argumentos: os dedutivos e os não dedutivos (ver DEDUÇÃO e INDUÇÃO).Não se deve
confundir argumentos com explicações (ver EXPLICAÇÃO CIENTÍFICA). Para que um
argumento seja bom, a conclusão não pode ser mais plausível do que as
premissas. Mas esta exigência não existe numa explicação: a
"conclusão" das explicações é quase sempre mais plausível do que as "premissas".
Por exemplo:
"Existem estações do ano nas latitudes elevadas porque o eixo
da Terra está inclinado, o que provoca, juntamente com o movimento em torno do
Sol variações na intensidade com que os raios do Sol chegam à Terra". Se
pensarmos que estas afirmações formam um argumento, cuja conclusão é
"Existem estações do ano nas latitudes elevadas", trata-se de um
argumento muitíssimo mau, dado que as premissas são muitíssimo menos evidentes
do que a conclusão. Contudo, esta é uma boa explicação da razão pela qual há
estações do ano. Assim, num argumento procura-se persuadir alguém da verdade de
uma conclusão, ao passo que numa explicação procura-se explicar a alguém a
razão pela qual uma dada afirmação é verdadeira. Por isso, num bom argumento
parte-se geralmente de premissas mais plausíveis ou evidentes do que a
conclusão, o que não acontece numa boa explicação.
46)- argumento bom
Um ARGUMENTO
válido, dedutivo ou não, que tem premissas verdadeiras e é racionalmente
persuasivo. Ver VALIDADE/INVALIDADE, ARGUMENTO FORTE.
47)- argumento cosmológico
Tipo de
argumento a favor da existência de DEUS segundo o qual se tudo na natureza tem
uma causa, então tem de existir algo que não dependa de nada que seja a causa
de tudo. A conclusão é que esse algo é Deus. A versão mais discutida deste
argumento é a de S.TOMÁS DE AQUINO. A ideia é a de que dado que as cadeias
causais (Ver CADEIA CAUSAL) não podem regredir infinitamente, tem de existir
algo de natureza distinta das coisas naturais que seja a causa de tudo. O maior
problema que este argumento enfrenta é o de que, no máximo, apenas mostraria
que existe algo responsável pela existência de tudo, mas não que esse algo seja
Deus.
48)- argumento de autoridade
Um ARGUMENTO
baseado no testemunho de outras pessoas, em geral com uma FORMA LÓGICA "X
disse que P; logo, P", sendo X uma pessoa ou grupo de pessoas e P uma
afirmação qualquer. Por exemplo: "Einstein disse que nada pode viajar mais
depressa do que a luz; logo, nada pode viajar mais depressa do que a luz".
Não há regras de inferência precisas para argumentos de autoridade, mas ao
avaliar um argumento de autoridade devemos ter em mente os seguintes
princípios:
1) O especialista invocado (a autoridade) tem de ser um bom
especialista da matéria em causa.
2) Os especialistas da matéria em causa (as
autoridades) não podem discordar significativamente entre si quanto à afirmação
em causa.
3) Só podemos aceitar a conclusão de um argumento de autoridade se
não existirem outros argumentos mais fortes ou de força igual a favor da conclusão
contrária.
4) Os especialistas da matéria em causa (as autoridades), no seu
todo, não podem ter fortes interesses pessoais na afirmação em causa.
Precisamente porque em questões filosóficas disputáveis, por definição, os
especialistas não concordam entre si, em filosofia os argumentos de autoridade
são quase sempre falaciosos. Contudo, a maior parte do conhecimento de cada ser
humano baseia-se em argumentos de autoridade, no sentido em que se baseia no
testemunho de outras pessoas. Murcho, Desidério, O Lugar da Lógica na
Filosofia, Cap. 9 (Lisboa: Plátano, 2003).
49)- argumento do desígnio (por analogia):
Argumento por
analogia a favor da existência de DEUS. A premissa da analogia é a de que os
objetos naturais se assemelham a artefatos. Como tal, do mesmo modo que os
artefatos têm um criador (um desígnio) responsável pela sua existência, também
os objetos da natureza têm de o ter. Dada a complexidade e ordem da natureza,
o criador por detrás da natureza tem de possuir uma inteligência divina. A conclusão
é que esse criador é Deus. O argumento foi criticado por David HUME nos
Diálogos sobre a Religião Natural. Um dos problemas é que a analogia entre
artefactos e objectos naturais parece fraca.
50)- argumento forte
1. Um
argumento não dedutivo é forte quando as suas premissas são verdadeiras e a
verdade destas torna muito baixa a probabilidade de a conclusão do argumento
ser falsa.
Por exemplo, o argumento indutivo seguinte é forte:
"Todos os
corvos observados até hoje são pretos; a cor dos corvos está geneticamente
determinada; só poderia alterar-se em condições ambientais diferentes das
geralmente escolhidas pelos corvos para viver; logo, todos os corvos são
negros".
2. Quando não
sabemos se as premissas de um argumento dedutivo válido são verdadeiras mas
achamos que são plausíveis dizemos que o argumento é forte. Por exemplo, muitas
pessoas consideram que o seguinte argumento dedutivo válido é forte, pois
consideram que a única premissa que não é evidentemente verdadeira (a primeira)
é fortemente plausível: "Se os animais sentem dor, é imoral maltratá-los;
dado que os animais sentem dor, é imoral maltratá-los". ARISTÓTELES
chamava "dialécticos" a este tipo de argumentos. Note-se que a força
de um argumento válido é precisamente igual à plausibilidade da sua premissa
menos plausível: é por isso que para argumentar bem a favor de algo é uma boa
ideia partir de premissas menos discutíveis do que a sua conclusão. Ver
ARGUMENTO SÓLIDO, VALIDADE/INVALIDADE, INDUÇÃO.
51)- argumento fraco
1. Um argumento
não dedutivo é fraco quando a verdade das suas premissas não torna elevada a
probabilidade de a sua conclusão ser verdadeira.
Por exemplo, o seguinte
argumento indutivo é fraco:
"Todos os corvos que vi até hoje nasceram
antes do ano 2100; logo, todos os corvos nasceram antes do ano 2100".
2. Quando não
sabemos se as premissas de um argumento dedutivo válido são verdadeiras mas
achamos que são implausíveis dizemos que o argumento é fraco. Por exemplo,
muitas pessoas podem considerar que o seguinte argumento dedutivo válido é
fraco porque pensam que a única premissa que não é evidentemente verdadeira (a
segunda) é implausível: "Os animais não têm deveres; quem não tem deveres,
não tem direitos; logo, os animais não têm direitos". Por vezes, diz-se
também que um argumento dedutivo inválido é fraco. Ver ARGUMENTO SÓLIDO,
VALIDADE/INVALIDADE, INDUÇÃO.
52)- argumento ontológico
Argumento a
priori a favor da existência de DEUS; isto é, um argumento cujas premissas são
todas a priori (ver A PRIORI / A POSTERIORI). Uma das versões mais discutidas
do argumento é a de S. Anselmo, que parte da definição de Deus como "o ser
maior do que o qual nada pode ser pensado". A ideia é que se Deus não
existisse, então não seria o ser maior do que o qual nada pode ser pensado, o
que contradiz o ponto de partida; logo, Deus existe. O argumento foi criticado
pelo monge Gaunilo, contemporâneo de Anselmo, que argumentou que através do
mesmo tipo de argumento se poderia provar a existência de uma ilha perfeita, o
que seria absurdo.
53)- argumento por analogia
Argumento em
que uma das premissas consiste numa ANALOGIA entre coisas semelhantes em alguns
aspectos para se concluir que também são semelhantes em relação a outros
aspectos específicos. Por exemplo, se os animais, tal como as pessoas, reagem
quando sentem dor, então, por analogia, também eles devem sentir emoções. Um
dos argumentos por analogia mais famosos é o ARGUMENTO DO DESÍGNIO a favor da
existência de DEUS.
54)- argumento sólido
Um ARGUMENTO
válido com premissas verdadeiras. Por exemplo, o argumento "Se Sócrates
era francês, era europeu; ele era francês; logo, era europeu" é válido (é
um MODUS PONENS) mas não é sólido, porque a segunda premissa não é
verdadeira. ARISTÓTELES chamava "demonstrações" aos argumentos sólidos
e "argumentos dialécticos" aos argumentos válidos baseados em
premissas cuja verdade não é conhecida.Ver VALIDADE/INVALIDADE, ARGUMENTO
FORTE.
55)- argumentos - Dedutivos e não dedutivos:
Há dois tipos
gerais de argumentos: os dedutivos e os não dedutivos. Nos argumentos não
dedutivos, a validade ou invalidade não depende exclusivamente da forma lógica;
por exemplo: "Todos os corvos observados até hoje são pretos; logo, todos
os corvos são pretos". Há dois tipos de argumentos dedutivos: aqueles cuja
VALIDADE ou invalidade depende exclusivamente da sua FORMA LÓGICA, como
"Se Deus existe, a vida faz sentido; logo, se a vida não faz sentido, Deus
não existe"; e aqueles cuja validade ou invalidade é de carácter
conceptual, como "O céu é azul; logo, é colorido". Pode chamar-se aos
primeiros "argumentos formais" e "argumentos conceptuais"
aos segundos. Os argumentos formais podem dividir-se em dois grupos: os que são
estudados pela LÓGICA CLÁSSICA (como o exemplo dado acima) e os que são
estudados pelas lógicas não clássicas (como "A água é necessariamente H2O;
logo, a água é possivelmente H2O"). Finalmente, todos estes tipos de
argumentos são de carácter proposicional (como "Sócrates e Platão são
mortais; logo, Sócrates é mortal") ou predicativo (como "Sócrates é
mortal; logo, há seres mortais").
56)- Aristóteles
(384-322 a.
C.) Um dos mais influentes filósofos de sempre. Nasceu em Estagira, no norte da
Grécia. Foi discípulo de PLATÃO em Atenas e mestre de Alexandre Magno, na
Macedónia. Depois da morte de Platão, fundou em Atenas a sua própria escola, a
que deu o nome de Liceu. Os seus interesses eram os mais variados. Não houve
quase nenhum domínio do conhecimento sobre o qual não tivesse escrito e
atribuía uma grande importância à observação da natureza. Ele próprio procedeu
a estudos minuciosos nos domínios da física, biologia, psicologia e linguagem.
Como é típico nos melhores filósofos, era muito rigoroso na justificação das
suas opiniões e meticuloso na ponderação dos argumentos contrários, evitando chegar
a conclusões precipitadas. Entre as disciplinas filosóficas que desenvolveu
contam-se a LÓGICA, a METAFÍSICA, a ÉTICA, a FILOSOFIA POLÍTICA, e a ESTÉTICA.
Pode mesmo dizer-se que foi o fundador da Lógica, começando o seu estudo
praticamente do nada. Se bem que limitada e com várias deficiências, a teoria
lógica aristotélica foi o resultado de um trabalho notável de inteligência, de
tal modo que, no essencial, se manteve incontestada e estudada até ao final do
séc. XIX. Aristóteles procurou determinar as formas válidas de inferência, isto
é, as inferências cuja forma nos impede de chegar a uma CONCLUSÃO falsa a
partir de premissas verdadeiras (verPREMISSA). E estabeleceu um conjunto de
regras para identificar as boas e evitar as más inferências (ver LÓGICA
ARISTOTÉLICA). Organon é o nome dado ao conjunto das suas obras de lógica. Na
Metafísica, uma das suas obras mais marcantes (assim chamada apenas porque foi
publicada a seguir à Física), Aristóteles descreve esta disciplina como o
estudo do "ser enquanto ser", isto é, o estudo do ser em geral,
independentemente do modo particular como as coisas são. Muitos dos conceitos
metafísicos ainda hoje utilizados foram introduzidos por si. Em Ética a
Nicómaco (assim chamada por ter sido dedicada a seu filho Nicómaco),
Aristóteles argumenta, entre outras coisas, a favor da ideia de que as virtudes
morais, como a generosidade e a honestidade, não são inatas. Só o hábito de
evitar excessos de qualquer tipo nos pode tornar pessoas virtuosas. Por isso, a
virtude adquire-se com a prática. Sobre filosofia política escreveu a Política
e sobre estética a Poética, entre outros livros.
57)- artefato
Os objectos
que são construídos ou manufacturados, como martelos, livros, filmes, casas,
esculturas, etc. Distinguem-se das coisas naturais, como as ondas do mar, as
nuvens e as árvores. Em geral os filósofos da arte consideram que as obras de
arte são artefactos. Daí que um belo pôr-do-sol não seja uma obra de arte.
Contudo, visto que os movimentos que constituem uma peça de bailado, ou os sons
que um cantor produz são frequentemente considerados arte, o termo
"artefacto" tem sido interpretado de modo a incluir também esse tipo
de acontecimentos. Ainda assim, podem encontrar-se outros casos na arte
contemporânea que desafiam a ideia de que uma obra de arte tem que ser um
artefacto.
58)- asserção
Ato
linguístico que consiste na produção de uma frase declarativa com valor
assertórico, ou seja, um ato linguístico através do qual o seu autor se
compromete com a veracidade da PROPOSIÇÃO expressa. Muitas vezes uma frase
declarativa parece ter valor assertórico mas não é susceptível de ser
classificada como verdadeira ou como falsa, não fazendo qualquer asserção (por
exemplo, "Prometo chegar às horas da manhã"). Ver também PRAGMÁTICA.
59)- ataraxia
Termo grego que
significa "imperturbabilidade da alma" ou "tranquilidade
interior". Os epicuristas e estóicos consideravam-na o mais perfeito
estado de felicidade. Ver EPICURISMO e ESTOICISMO.
60)- ateísmo
Em sentido
fraco, descrença na existência de uma entidade sobrenatural particular (oDEUS
teísta), omnipotente, omnisciente, perfeitamente boa, criadora do mundo, mas
distinta deste e dotada de auto-existência (não existe por causa de outra
coisa). Em sentido forte, é a crença na inexistência do divino em geral. A distinção
é importante, pois muitas pessoas religiosas não são teístas (ver TEÍSMO) nem
ateístas, ou seja, acreditam em entidades sobrenaturais que não correspondem à
ideia do Deus teísta, que é basicamente a ideia de Deus presente nas grandes
tradições religiosas do Ocidente: judaísmo, cristianismo e islamismo. Os
argumentos ateístas dividem-se em:
a) argumentos que visam demonstrar a
inexistência de Deus
b) contra-argumentos aos principais argumentos teístas a
favor da existência de Deus.
Apesar de a popularidade da crença teísta sugerir
o contrário, o ateísta considera que não está obrigado a apresentar argumentos
do primeiro tipo — embora alguns filósofos ateístas procurem fazê-lo —, dado
que o ÓNUS DA PROVA recai, neste caso, sobre a afirmação e não sobre a negação:
cabe a quem propõe uma dada crença fundamentá-la racionalmente. Alguns dos
principais argumentos ateístas do primeiro tipo são o chamado "PROBLEMA DO
MAL", o problema da incompatibilidade dos atributos divinos, o problema da
diversidade de religiões e o problema da descrença. O primeiro é um argumento
que procura negar a existência do Deus teísta a partir da incompatibilidade
entre a existência de mal ou sofrimento intenso no mundo e o atributo da
perfeita bondade divina; o segundo tem diferentes versões, a mais conhecida das
quais foi apresentada por Michael Martin (n. 1932), e consiste em mostrar que a
incorporeidade é incompatível com a omnisciência: um ser incorpóreo não poderia
ter conhecimento por contacto nem conhecimento performativo, mas apenas
proposicional, logo, haveria seres corpóreos não omniscientes que saberiam
coisas que Deus não sabe; o terceiro procura recusar a crença teísta com base
na existência de múltiplas pretensões absolutas à verdade religiosa, sem que
tenhamos qualquer razão forte para escolher uma delas em particular; o quarto
consiste em mostrar que os atributos do Deus teísta são incompatíveis com a
existência de descrentes: um Deus infinitamente bom e poderoso, que nos ama
infinitamente, não deixaria de dar provas inequívocas da sua existência e
impedir-nos-ia de acreditar que não existe. A partir daqui a crença teísta tem
duas linhas de sustentação:
1) argumentos a favor das afirmações teístas
fundamentais
2) argumentos para proporcionar "imunidade epistémica"
às afirmações teístas.
Um destes últimos argumentos consiste em negar que as
crenças deste tipo (a fé, as crenças com conteúdo religioso) possam ser
avaliadas racionalmente como as outras crenças (ver FIDEÍSMO). Outra defesa
consiste em afirmar que a crença teísta é "apropriadamente básica"
(Alvin PLANTINGA), ou seja, é o tipo de crença que o agente não sabe justificar
adequadamente mas que é racionalmente aceitável.
61)- atitude estética
Disposição
para nos relacionarmos com as obras de arte (e também com certos objectos ou
aspectos da natureza) de forma meramente contemplativa e desinteressada. Esta
caracterização sugerida por KANT significa que a apreciação das obras de arte
não tem qualquer intuito prático, sendo isso que distingue a EXPERIÊNCIA
ESTÉTICA de qualquer outro tipo de experiência. A atitude estética é, assim, a
forma peculiar como encaramos a arte e as coisas belas, pelo que não deve ser
confundida com outras atitudes como a religiosa, prática, moral, etc. Há,
contudo, filósofos que rejeitam a existência de uma atitude peculiar que
caracterize o modo como encaramos a arte em geral. O filósofo americano George
Dickie (n. 1926) é autor de um ensaio intitulado O Mito da Atitude Estética
(1964), onde argumenta que o desinteresse diz-nos mais acerca dos motivos de
quem observa uma obra de arte do que acerca do modo como, em geral, nos
relacionarmos com ela.
62)- autonomia/heteronomia
Um agente é
autónomo quando as suas acções são autodeterminadas. Segundo KANT é a
característica de uma vontade que cumpre o dever, não sendo condicionada por
qualquer inclinação sensível (interesses, temores, desejos). A vontade autónoma
consideraIMPERATIVO CATEGÓRICO ou incondicional a obediência à lei moral. Esta
exige que ao cumprir o dever apenas sejamos influenciados pela intenção de o
cumprir (cumprir o dever pelo dever). À autonomia opõe-se a heteronomia. A
vontade heterónoma pode cumprir o dever mas com a intenção, por exemplo, de
agradar, de obter recompensas ou de evitar castigos (não cumpre o dever pelo
dever). A vontade autónoma "dá a lei a si mesma". Dá a si mesma a
forma como cumpre o dever e encontra no cumprimento da lei moral a razão
suficiente das suas decisões. Autodetermina-se. Liberta de qualquer influência
das inclinações sensíveis, a vontade autónoma é a vontade de um sujeito que
toma decisões enquanto ser racional e se submete unicamente à lei da sua razão.
Deus, os interesses, a sociedade podem ser fonte de normas morais concretas mas
não da lei moral, lei puramente formal que não nos diz o que devemos fazer mas
de que forma devemos cumprir o dever. É a autonomia da vontade que torna a
vontade boa. "Vontade autónoma" e "VONTADE BOA" são termos
equivalentes.
63)- auto-refutação
Uma afirmação
é auto-refutante se o próprio fato de ser produzida implica a falsidade do que
está a ser afirmado. Quem produzir afirmações como "Eu não estou
aqui" - "Paulo Dantas é ambicioso mas eu não acredito nisso" e,
provavelmente, "O significado de uma frase ou de um texto escapa-se-nos
infindavelmente" está a auto-refutar-se.
64)- axiologia
Teoria dos
valores. A axiologia é o ramo da filosofia que estuda a natureza dos valores.
Alguns filósofos consideram que o problema central da axiologia é a
justificação dos juízos práticos em geral, confundindo-se em grande parte com a
filosofia da ação e, mais recentemente, com a teoria da decisão. Outros acham
que se trata da justificação dos juízos morais em particular.
65)- axioma
Em lógica e
matemática, um axioma é uma proposição que não se demonstra, mas que serve de
base para se demonstrar outras proposições, a que se chama
"teoremas". Os teoremas são demonstrados partindo dos axiomas e
usando regras de inferência. Por exemplo, partindo dos axiomas (P ∧
Q) → P e P → (P ∨
Q) podemos derivar o teorema (P ∧ Q) →
(P ∨ Q), com base na regra conhecida pelo
nome de "silogismo hipotético".
Figurativamente, chama-se "axioma", no discurso corrente, a qualquer
afirmação dada como evidente e com base na
qual se podem fazer outras afirmações. Contudo, não se deve pensar que os
axiomas, quer em sentido figurado, quer no sentido rigoroso da lógica e
matemática, são Verdades monolíticas arbitrárias que não podem ser colocadas em
causa nem discutidas. Um bom axioma não pode ser arbitrário e tem de resistir à
discussão crítica: tem de ser realmente indisputável, ou pelo menos muitíssimo
plausível. Caso contrário, tudo o que se disser com base nesse
"axioma" será tão implausível, ou mais, do que o próprio "axioma".
DM
66)-FALÁCIA DA PERSISTÊNCIA DA IDÉIA, OU PARÁBOLA DA JANELA
QUEBRADA
Essa é, essencialmente, uma remodelagem da “parábola da janela
quebrada”. Essa falácia é conhecida desde pelo menos 1850, quando o
teorista francês Frédéric Bastiat publicou um panfleto intitulado “Aquilo que é
visto e aquilo que não é visto”. Ele foi popularizado em 1946, pelo economista
Henry Hazlitt em um importante livro chamado “Economia em Uma Lição”.O autor dessa
parábola O francês Frédéric Bastiat (1801 — 1850). Defensor do
ultraliberalismo, insistia que o papel do Estado seria proteger a vida, a liberdade e a
propriedade, evitando-se qualquer forma de política protecionista nacional.Essa
parábola foi popularizada no livro Economia numa
única lição do jornalista norte-americano Henry Hazlitt (1894 –
1993) no argumento contra qualquer forma de intervencionismo estatal. Paradoxalmente, inspira a Teoria das Janelas
Partidas do politólogo James Q. Wilson, do criminologista George L.
Kelling e da antropóloga jurídica Catherine Coles. Essa teoria postula que a
depredação acontece, mas o ônus coletivo de não a reparar seria o aumento dos
custos sociais na forma de criminalidade. Ainda mais paradoxalmente,
esse estudo serviu para subsidiar a política criminal de “tolerância zero”.
A PARÁBOLA DA JANELA QUEBRADA:
Você já testemunhou a fúria do
bom cidadão João-Ninguém[1],
quando seu filho pestinha quebrou uma vidraça? Se você assistiu a esse
espetáculo, certamente notou que todos os presentes, mesmo que fossem trinta,
foram unânimes para oferecer ao desafortunado proprietário da vidraça esse
consolo uniforme:“Há
males que vêm para o bem. Tais acidentes fazem a indústria funcionar. Todo
mundo tem que viver. O que seria dos vidraceiros se nunca quebrassem as
vidraças? ” - Ora, há nessas fórmulas de
condolência uma teoria completa, que é bom atentar-se ao flagrante delito,
neste caso muito simples, a qual é exatamente
a mesma que infelizmente governa a maioria de nossas instituições econômicas. Supondo-se
que se deva gastar seis francos para reparar o dano, pode-se dizer que o
incidente aporta seis francos à indústria vidraceira, aumentando seu
crescimento em seis francos. Concordo com o fato, eu não discordo de forma
alguma, somente pela razão.O
vidraceiro virá, fará um trabalho, receberá seis francos, esfregará as mãos e,
em seu íntimo, abençoará o terrível moleque. Isso é o que vemos.Mas se, pela dedução, chegarmos
à conclusão, como fazemos muitas vezes, que é bom quebrarmos as vidraças, pois
assim circula o dinheiro, que resulte em um encorajamento para a indústria em
geral, sou obrigado a exclamar: alto lá! Essa teoria
compreende o que se vê, não leva em consideração o que não se vê:
a)-Não se vê, uma vez que nosso
cidadão gastou seis francos em uma coisa, assim não poderá mais gastá-lo em
outra.
b)-Não se vê que, se ele não
tivesse nenhuma vidraça para substituir, ele teria trocado, por exemplo, seus
sapatos gastos ou adicionar mais um livro à sua biblioteca.
c)-Em suma, ele teria investido
seus seis francos em um trabalho que ele não faria.
Então, vejamos a indústria em geral:
1º)-Sendo a vidraça quebrada, a
indústria do vidro foi estimulada em seis francos. É o que se vê.
2º)-Se a vidraça não tivesse sido quebrada, a indústria de calçados (ou qualquer outra) teria sido encorajada
na proporção de seis francos. É o que não se vê.
E se levarmos em consideração o
que não vemos, porque é um fato negativo, bem como o que vemos, porque é um
fato positivo, entenderíamos que não há vantagem para a indústria em geral, nem
para todos os trabalhos nacionais, para o fato de vidraças serem quebradas o ou
não. Façamos agora as contas do João-Ninguém:
1)-Na primeira hipótese, a da
vidraça quebrada, ele gasta seis francos, e tem, mais ou menos do que antes, o
benefício de uma vidraça.
2)-Na segunda hipótese, quando
o incidente não aconteceu, ele teria gasto seis francos com sapatos e
teria desfrutado de um par de sapatos e de uma vidraça.
3)-Agora, como João-Ninguém é parte da
sociedade, deve concluir-se que, considerado como um todo, e qualquer
equilíbrio de seus trabalhos e benefícios, perdeu-se o valor do vidro quebrado.
4)-Consequentemente, pode-se
generalizar com a conclusão inesperada: “a sociedade perde o valor dos
objetos desnecessariamente destruídos” — e esse aforismo arrepiará o
cabelo na cabeça dos protecionistas: “Quebrar, destruir, dissipar, não é
estimular o trabalho nacional”, ou ainda sucintamente, “Destruição
não é lucro”.
O que dirão vocês do Monitor
Industrial?[2] o
que dirão seguidores deste bom Sr. de Saint-Chamans[3],
que calculou com tanta precisão o que a indústria ganharia com o incêndio de
Paris, por causa das casas que devemos reconstruir? Lamento refutar seus
cálculos engenhosos, especialmente porque ele influenciou em nossa legislação.
Mas insisto que se refaça os cálculos novamente, levando em consideração
o que não vemos ao lado daquilo que vemos!
O leitor deve ter o cuidado de ver que não
há apenas dois personagens, mas três no pequeno drama que trouxe à sua atenção:
1)-Um, o João-Ninguém, representa o
consumidor, reduzido seu poder financeiro pela destruição de um
benefício em vez de dois.
2)-O outro, na
figura do vidraceiro, mostra-nos o produtor a quem o incidente incentiva a
indústria.
3)-O terceiro é o sapateiro (ou
qualquer outro industrial), cujo trabalho é desencorajado pela mesma causa.
É essa
terceira personagem que está sempre nas sombras e que, personificando o que não
vemos, é uma parte necessária do problema. É ele quem logo nos ensina o quanto não é menos
absurdo ver lucro em uma restrição protecionista, o que é, afinal, apenas uma
destruição parcial. Então, se ver no fundo de todos os argumentos apresentados
a seu favor, você encontrará apenas a paráfrase deste popular ditado: “O
que seria dos vidraceiros, se as vidraças nunca se quebrassem?”
NOTAS
[1] Jacques Bonhomme: expressão francesa para
retratar o “cidadão de bem”, o homem médio.
[2] Jornal que defendia interesses
protecionistas.
[3] Auguste, visconde de Saint-Chamans
(1777-1861) conselheiro de Estado durante a Restauração, defensor do protecionismo e da
balança comercial positiva.
67)- FALÁCIA DO PARTICULAR PARA O UNIVERSAL
(COLETIVO) E VICE VERSA
Exemplo: ”Todos os filósofos são pessoas com
espírito crítico”
Na premissa maior é particular porque dizer que todos os
filósofos são pessoas com espírito crítico, equivale a dizer que algumas
pessoas com espírito crítico são filósofos. Lembre-se que predicado de
proposição afirmativa é, regra geral, particular. Na premissa menor o
quantificador alguns indica – nos que o termo médio – pessoas com espírito
crítico – está quantificado particularmente, tem extensão particular. Assim,
vemos que o termo médio é particular em ambas as premissas. Ora devia ser
universal pelo menos em uma. Este silogismo é
inválido ou falacioso. O termo
médio não está distribuído ou não tem extensão universal em nenhuma premissa. O termo médio não passou no teste.Assinalemos agora esse fato:“Todos os filósofos são pessoas com espírito crítico. Algumas pessoas com espírito crítico são cientistas.
Logo, alguns cientistas são filósofos”.O
termo médio pode ser universal nas duas premissas. O que não pode é ser
particular nas duas. Tem de ser universal – estar distribuído – pelo menos em
uma delas.Aristóteles
chamava
o raciocínio dedutivo de silogismo e o considerava um modelo de rigor lógico.
Entretanto, é importante notar que a dedução não traz conhecimento novo, uma
vez que a conclusão sempre se apresenta como um caso particular da lei geral. Assim,
a dedução organiza e especifica o conhecimento que já temos.
Ela tem como ponto de partida o plano do inteligível, ou seja, da verdade
geral, já estabelecida. A Lógica estuda o Silogismo ou argumento. Este possui
formas próprias capazes de evidenciar que uma conclusão é derivada daquilo que
fora estabelecido nas premissas ou proposições dadas anteriormente. Há
duas formas de se proceder quando se pretende formar uma argumentação, são
elas:
1ª)-
O silogismo ou argumento dedutivo é aquele que procede de proposições
cada vez mais universais para proposições particulares, proporcionando o que
chamamos de demonstração, pois que sua inferência (a conclusão é extraída das
premissas) é a inclusão de um termo menos extenso em outro de maior extensão.
Os seguintes exemplos podem elucidar melhor:
Todo homem é mortal.
Todo brasileiro é mortal.
João é homem.
Todo paulista é brasileiro.
Logo, João é mortal.
Logo, todo paulista é mortal.
a)-Vê-se que no
primeiro exemplo o argumento parte de uma premissa universal
para uma conclusão com proposição particular (porque a segunda premissa é
também particular).
b)-Já no segundo
argumento, todas as premissas, bem como a conclusão, são universais.
No entanto, em
ambos ocorrem a inferência, pois que os termos dados (mortal, homem e
João – primeiro argumento, mortal, brasileiro e paulista – segundo argumento)
possuem uma relação de extensão entre si que vai do maior termo, passando pelo
médio (através do qual há mediação) e chegando, por fim, ao termo menor.
2ª)-O segundo tipo de
argumento é o indutivo. Este procede de
proposições particulares ou com termos relativamente menores do que os que
estão na conclusão, e chega a termos mais universais ou mais extensos. Veja os
exemplos abaixo:
O ferro é um metal que conduz
eletricidade.
O ouro é um metal que conduz
eletricidade.
O chumbo é um metal que
conduz eletricidade.
A prata é um metal que conduz
eletricidade.
Logo, todo metal conduz
eletricidade
Todo animal cão é
mortal.
Todo animal peixe é
mortal.
Todo animal gato é
mortal.
Todo animal pássaro é
mortal
Logo, todo animal é
mortal.
...
Assim como nos
dedutivos, os termos têm entre si uma relação de extensão que permite a
inclusão um no outro, ainda que no primeiro argumento as proposições das
premissas sejam particulares e no segundo sejam universais. No
entanto, a inclusão ocorre devido a menor extensão fazer parte das premissas e
não da conclusão, que deverá ser sempre mais extensa ou universal que as
premissas.
É importante salientar que os lógicos preferem trabalhar
com os argumentos dedutivos!
Isso ocorre por dois
motivos básicos: um de cunho ontológico, já que se questiona o valor
substancial dos termos universais (os argumentos indutivos são muito usados por
filósofos e cientistas empíricos que entendem que o universal nada mais é que
um nome que se dá para um conjunto de coisas). Outra razão seria o fato de que
na indução nada autoriza que a conclusão tenha relação com as premissas, porque
se trata de um termo que não foi dado anteriormente.A vantagem da dedução é
que todos os termos envolvidos nas premissas estabelecem relações que podem ser
encontradas na conclusão. No entanto, suas premissas são indemonstráveis, pois
que isso nos levaria a uma regressão ao infinito (a dedução é muito usada por
matemáticos). Mesmo que se tenha a discussão sobre a substancialização dos
universais, o modo como os termos se relacionam proporciona uma demonstração.Portanto, são duas as
formas de se fazer argumentos: por dedução ou por indução. Cada uma é aplicada
segundo as necessidades da investigação e a natureza do problema suscitado pela
razão humana.
FONTES
BIBLIOGRÁFICAS:
-CABRAL, João Francisco Pereira. "Argumentos dedutivos e indutivos"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/filosofia/argumentos-dedutivos-indutivos.htm. Acesso em 12 de maio de 2020.
-BASTIAT, Frédéric Bastiat - Ce qu’on voit et ce qu’on ne voit pas I. La Vitre cassée (1850)
-WILSON, James Q.; KELLING, George. “Broken Windows The police and neighborhood safety”. The Atlantic. Março de 1982.
-Wikipédia - a enciclopédia livre
-Defnarede.com
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+ Comentário. Deixe o seu! + 12 Comentário. Deixe o seu!
Excelente amparo filosófico para nos servir de guia diante das imensas falácias em nossa volta.
Eu mesmo fiz um guia, resumido e simplificado, de como reconhecer uma falácia (para pessoas sem tempo para verificar).
Mas este tem exemplos bem mais incisivos.
Prezado Investigador,
Ficamos gratos por sua visita e elogios, e ajude nosso apostolado na divlgação da verdade.
Shalom !!!
Incrível esta análise das FALÁCIAS. Ao dominarmos o que foi aqui exposto, teremos maiores condições de bugar o cérebro dos que corrompem os inocentes.
Todo este artigo é falso por que tem como fonte o wikipedia.
Cometi uma falácia :) haha Bom artigo!
oLÁ, NÃO CONSEGUI ACHAR OS TIPOS DE FALÁCIA PELO PARTICULAR, COLETIVO, NÃO CITADO, DO SUCESSIVO E POR PERSISTÊNCIA DE IDEIA
Kris Ribeiro,
FALÁCIA DO PARTICULAR PARA O UNIVERSAL (COLETIVO):
Na premissa maior é particular porque dizer que todos os filósofos são pessoas com espírito crítico equivale a dizer que algumas pessoas com espírito crítico são filósofos. Lembre – se que predicado de proposição afirmativa é, regra geral, particular.Na premissa menor o quantificador alguns indica – nos que o termo médio – pessoas com espírito crítico – está quantificado particularmente, tem extensão particular.Assim, vemos que o termo médio é particular em ambas as premissas. Ora devia ser universal pelo menos em uma. Este silogismo é inválido ou falacioso. O termo médio não está distribuído ou não tem extensão universal em nenhuma premissa.O termo médio não passou no teste. Assinalemos esse facto a vermelho. Todos os filósofos são pessoas com espírito crítico. Algumas pessoas com espírito crítico são cientistas. Logo, alguns cientistas são filósofos. O termo médio pode ser universal nas duas premissas. O que não pode é ser particular nas duas. Tem de ser universal – estar distribuído – pelo menos em uma delas.
A dedução é um tipo de raciocínio que parte de uma proposição geral (referente a todos os elementos de um conjunto) e conclui com uma proposição particular (referente a parte dos elementos de um conjunto), que se apresenta como necessária, ou seja, que deriva logicamente das premissas. Veja dois exemplos:
Todo metal é dilatado pelo calor. (Premissa maior)
Ora, a prata é um metal. (Premissa menor)
Logo, a prata é dilatada pelo calor. (Conclusão)
Todo brasileiro é sul-americano. (Premissa maior)
Ora, todo paulista é brasileiro. (Premissa menor)
Logo, todo paulista é sul-americano. (Conclusão)
Aristóteles chamava o raciocínio dedutivo de silogismo e o considerava um modelo de rigor lógico. Entretanto, é importante notar que a dedução não traz conhecimento novo, uma vez que a conclusão sempre se apresenta como um caso particular da lei geral.Assim, a dedução organiza e especifica o conhecimento que já temos. Ela tem como ponto de partida o plano do inteligível, ou seja, da verdade geral, já estabelecida.
FALÁCIA DA PERSISTÊNCIA DA IDÉIA:
Essa é, essencialmente, uma remodelagem da “parábola da janela quebrada”. Essa falácia é conhecida desde pelo menos 1850, quando o teorista francês Frédéric Bastiat publicou um panfleto intitulado “Aquilo que é visto e aquilo que não é visto”. Ele foi popularizado em 1946, pelo economista Henry Hazlitt em um importante livro chamado “Economia em Uma Lição”.
As demais falácias também não as encontrei, as quais deixo para que os internautas aqui as compartilhem.
Shalom !!
Amigo, estou fazendo um trabalho sobre falácias, essas mesmo que a Kris Ribeiro pediu, gostaria de saber a sua fonte ou referência para o meu trabalho, poderia ajudar?
Prezado Ruan Mike,
Como você pode ver ao final da postagem, as duas fontes consultadas foram:
FONTES BIBLIOGRÁFICAS:
1)- Wikipédia - a enciclopédia livre
2)- defnarede.com
Shalom !!!
Muito bom
Parabéns pelo artigo, compilou muitas tipos de falácias com exemplos bem simples.
Uma dúvida, vi um meme que dizia mais ou menos assim "se o Straz conseguiu fazer um véu de marmore você consegue aprender matemática e física", sei que é brincadeira mas soou como uma falácia de lógica, mas não consigo identificar exatamente qual. Alguém sabe se é? E se sim, qual?
Prezada Renata,
Está parecendo a Falácia do Apelo à vaidade, que consiste em provocar a vaidade do oponente para convencê-lo a algo.
Ex.: "Não acredito que uma pessoa culta como você acredita nisto!"
Um abraço!
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