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“Que tens tu que não tenhas recebido?” — A gratidão Cristã e a consciência de que tudo é graça

Written By Beraká - o blog da família on terça-feira, 27 de janeiro de 2026 | 13:15

 



por*Francisco José Barros de Araújo 



Não é raro ouvirmos — ou até afirmarmos com convicção — frases como: “Tudo o que conquistei foi fruto exclusivo do meu esforço”. À primeira vista, tal afirmação parece legítima, pois ninguém nega o valor do trabalho árduo, da disciplina diária, dos sacrifícios silenciosos e da perseverança diante das dificuldades. No entanto, quando essa leitura se fecha em si mesma, ela se torna um ledo engano espiritual. 



O esforço humano existe, é real e necessário, mas ele só foi possível porque antes houve graça; houve mérito, mas antes dele houve permissão, sustento e dom de Deus. Sem a vida recebida, sem a lucidez da mente, sem a saúde do corpo, sem as oportunidades concretas e até sem as circunstâncias históricas e sociais nas quais fomos inseridos, nenhum esforço teria sequer começado.  



A fé cristã não nega o valor do empenho pessoal, mas rejeita radicalmente a ilusão da autossuficiência. Quantos gostariam de trabalhar e não podem? Quantos desejariam produzir, estudar ou criar e se encontram presos a uma cama, limitados por uma enfermidade grave ou por uma condição mental que lhes impede qualquer autonomia? O simples fato de podermos agir, planejar, decidir e perseverar já é, em si mesmo, um dom imerecido. Quando esquecemos essa verdade, corremos o risco de transformar conquistas em ídolos e talentos em instrumentos de vanglória.  É nesse horizonte que ressoa com força a pergunta feita por São Paulo aos coríntios, uma pergunta que atravessa os séculos e desmonta toda pretensão de superioridade humana: “Que tens tu que não tenhas recebido?” (1Cor 4,7). 



O apóstolo não despreza o esforço humano, nem minimiza o valor do trabalho, da inteligência ou da perseverança. Ao contrário, ele apenas recoloca tudo em seu devido lugar. O próprio São Paulo reconhece isso em ao menos duas ocasiões decisivas de sua pregação. Quando, com humildade paradoxal, enumera os sofrimentos suportados por causa do Evangelho — prisões, açoites, perseguições, fadigas e perigos (cf. 2Cor 11,23-28) —, ele não o faz para exaltar a si mesmo, mas para testemunhar que sua perseverança é fruto da graça que o sustentou em meio às tribulações. Em outro momento, ao afirmar com clareza que “quem não quer trabalhar, também não coma” (2Ts 3,10), Paulo reafirma o valor do esforço concreto, da responsabilidade pessoal e do trabalho como dimensão moral da vida cristã.  



Essas afirmações não se contradizem, mas se completam. São Paulo não absolutiza o esforço humano, nem o descarta. Ele denuncia a soberba espiritual e existencial que nasce quando o homem passa a se considerar autor absoluto de si mesmo, esquecendo-se de que é criatura e dependente em tudo da graça de Deus. O trabalho, o sofrimento e a perseverança são reais e necessários, mas não são autossuficientes; só produzem fruto porque estão inseridos no desígnio gracioso de Deus que sustenta, fortalece e orienta cada passo.  



Ao recordar que tudo o que somos e temos foi antes recebido, o Apóstolo nos conduz ao núcleo da espiritualidade cristã: a gratidão. Ser grato não é um gesto acessório da fé, mas uma atitude estrutural da vida cristã. Em um mundo que exalta o mérito isolado, o sucesso individual e a autossuficiência como valores supremos, a fé cristã proclama uma verdade libertadora: tudo é dom, tudo é graça. Reconhecer isso não nos diminui, não anula nossa responsabilidade nem despreza nosso esforço; pelo contrário, nos coloca na verdade diante de Deus, cura nosso coração da soberba e nos ensina a viver com humildade, confiança e louvor contínuo.

“O Agente Secreto”: quando o cinema abandona a história para servir à ideologia - Crítica ao filme vencedor do Globo de Ouro 2025

Written By Beraká - o blog da família on segunda-feira, 26 de janeiro de 2026 | 13:10

 



por *Franzé 


Diversos intelectuais e analistas culturais vêm alertando, há anos, para um fenômeno cada vez mais recorrente no cinema contemporâneo: a transformação do cinema histórico em instrumento de pedagogia ideológica



Quando a arte abandona a tarefa de iluminar o passado em sua complexidade para se tornar veículo de afirmações políticas do presente, ela deixa de provocar reflexão e passa a formar consciências por meio da emoção e da simplificação moral. Nesse processo, a história é reduzida a narrativa edificante, e o espectador é conduzido menos a compreender do que a tomar partido.  Historiadores como Boris Fausto sempre insistiram que o regime militar brasileiro deve ser analisado com rigor crítico, contextualização histórica e equilíbrio, reconhecendo tanto seus erros graves e violações inegáveis quanto as circunstâncias políticas, institucionais e sociais que explicam sua ascensão e permanência. 



No mesmo sentido, analistas e colunistas como Elio Gaspari, Luiz Felipe Pondé e Marco Antonio Villa alertam para os riscos do maniqueísmo narrativo, do anacronismo moral e do uso da estética emocional como substituto da análise histórica séria.  É precisamente nesse cenário que se insere O Agente Secreto. Vencedor dos prêmios de Melhor Filme de Língua Não Inglesa e Melhor Ator em Filme de Drama no Globo de Ouro, o longa foi celebrado internacionalmente como uma obra “corajosa”, “necessária” e “politicamente relevante”. No entanto, por trás do verniz técnico, da direção competente e da performance elogiável de seu protagonista, o filme apresenta uma narrativa historicamente enviesada, marcada por polarização ideológica, simplificação moral e um recorte seletivo do regime militar brasileiro que mais deseduca do que esclarece.  



Não se trata, aqui, de negar os erros, abusos e violações de direitos humanos ocorridos durante o período militar — fatos amplamente documentados e que exigem crítica inequívoca. O problema é outro e mais profundo: o filme abdica da complexidade histórica para adotar uma leitura maniqueísta, alinhada ao progressismo esquerdista contemporâneo, na qual um lado é reduzido à caricatura do mal absoluto, enquanto o outro é romantizado como resistência moralmente pura, imune a contradições, responsabilidades ou ambiguidades.  Assim, O Agente Secreto se apresenta menos como uma obra de reflexão histórica e mais como uma peça de afirmação ideológica, na qual a emoção substitui a razão e a estética se sobrepõe à verdade. É a partir dessa constatação que esta crítica se propõe a analisar onde o filme mente, onde simplifica, onde deseduca — e quais cuidados o espectador precisa ter ao assisti-lo.

Resposta ao artigo “Cabelos brancos”, de Frei Betto

(foto reprodução)


por*Francisco José Barros de Araújo 


Antes de qualquer discordância, é justo reconhecer o mérito do artigo de Frei Betto: ele toca numa ferida real. A Teologia da Libertação e a esquerda brasileira, de modo geral, envelheceram — não apenas biologicamente, mas espiritual, intelectual e politicamente. E o primeiro passo para qualquer renovação verdadeira é aquilo que a própria tradição cristã sempre ensinou: autocrítica baseada na verdade, humildade para reconhecer erros e coragem para mudar.



Nesse ponto inicial, concordamos. A esquerda precisa, sim, fazer uma autocrítica séria se quiser voltar a dialogar com as novas gerações. Mas essa autocrítica não pode ser seletiva, nem retórica, nem sentimental. Precisa ir às raízes — inclusive às premissas ideológicas que moldaram sua ação ao longo das últimas décadas.


Faço aqui uma observação pessoal que não é irrelevante para este debate. Eu mesmo fiz essa autocrítica em 1996, dez anos após ter militado no PCdoB. Mudei. E não foi por oportunismo, ressentimento ou cansaço, mas por confronto honesto com a realidade, com a história e com a verdade — aquela verdade que dói, mas cura e liberta. É a partir dessa experiência que me proponho, com respeito, ajudar Frei Betto e seus leitores a enxergarem com mais clareza o atual contexto político, cultural e religioso do BrasilA seguir, segue o artigo na ínegra de frei Beto e logo após respondo pontualmente aos principais trechos do mesmo, dialogando com cada argumento, sob uma perspectiva católica fiel ao Magistério e politicamente conservadora, entendendo o conservadorismo não como nostalgia do passado, mas como responsabilidade histórica diante do real.

Por que Boris Fausto continua sempre respeitado nas bancas acadêmicas de história?

Written By Beraká - o blog da família on sábado, 24 de janeiro de 2026 | 18:43

 

(foto reprodução)

por *Franzé 


Boris Fausto nasceu em 1930, na cidade de São Paulo, em uma família de imigrantes judeus oriundos da Europa Oriental. Esse contexto familiar, marcado pela experiência da diáspora, do trabalho urbano e da valorização da educação, exerceu influência decisiva em sua sensibilidade histórica, especialmente no interesse por temas como Estado, sociedade, autoritarismo e conflito social. Embora não tenha sido um intelectual religioso no sentido confessional, Fausto manteve ao longo de sua vida uma postura humanista, laica e racional, orientada pela defesa da democracia, do pluralismo político e da análise crítica dos fenômenos históricos, sempre distante de dogmatismos ideológicos.  



Sua formação acadêmica foi relativamente tardia quando comparada a outros historiadores de sua geração. Inicialmente, Boris Fausto graduou-se em Direito pela Universidade de São Paulo (USP), exercendo a advocacia por alguns anos. Contudo, o interesse pela História acabou se impondo, levando-o a ingressar na carreira acadêmica já adulto. Realizou seu doutorado em História na USP, instituição na qual também se tornou professor e pesquisador, integrando um dos centros mais importantes da historiografia brasileira



Essa trajetória híbrida — entre o Direito e a História — contribuiu para sua escrita clara, estruturada e fortemente preocupada com causalidade, instituições e processos políticos.  Intelectualmente, Boris Fausto posicionou-se de maneira crítica em relação às leituras excessivamente economicistas ou ideologizadas da história brasileira, especialmente aquelas inspiradas em versões rígidas do marxismo. 



Sem negar a importância das estruturas sociais e econômicas, ele defendeu uma historiografia mais equilibrada, que considerasse o papel do Estado, das elites políticas, das instituições e da cultura política. Essa postura o aproximou de uma tradição historiográfica plural e analítica, influenciada por autores como Max Weber, pela história social britânica e pela renovação metodológica promovida pela Escola dos Annales, sem jamais aderir de forma acrítica a qualquer escola específica.  Entre suas obras mais importantes, destaca-se A Revolução de 1930: historiografia e história (1970), trabalho seminal que redefiniu a interpretação do evento ao desmontar mitos consolidados e analisar o movimento a partir de seus atores, limites e contradições. 



Outro marco fundamental é Trabalho urbano e conflito social (1890–1920), referência obrigatória para o estudo do movimento operário no Brasil. Sua obra mais conhecida do grande público, História do Brasil (publicada inicialmente nos anos 1990), tornou-se um clássico por sua capacidade rara de conciliar rigor acadêmico e linguagem acessível, sendo amplamente utilizada tanto no ensino superior quanto no ensino médio.  


Além disso, Fausto publicou livros e ensaios sobre o Estado Novo, o populismo, a República Velha, a ditadura militar e a formação da cidadania no Brasil. Muitas de suas obras foram traduzidas para outros idiomas, como inglês e espanhol, e utilizadas em universidades estrangeiras interessadas na história política e social da América Latina. Seu reconhecimento ultrapassou o Brasil, consolidando-o como uma referência internacional nos estudos sobre o país.  



Boris Fausto foi membro da Academia Brasileira de Letras e recebeu diversos prêmios e homenagens ao longo de sua carreira, reflexo do impacto duradouro de sua produção intelectual. Faleceu em 2023, deixando um legado que combina rigor metodológico, independência intelectual e compromisso com a verdade histórica. Sua obra permanece central não apenas por aquilo que explica sobre o passado brasileiro, mas também por representar um modelo de historiador que resiste à tentação de submeter os fatos às narrativas ideológicas do presente.

A falha do cristianismo ideológico: a ilusão de um mundo moralmente melhor antes da volta de Cristo

Written By Beraká - o blog da família on sábado, 17 de janeiro de 2026 | 12:12





Realismo profético e fidelidade evangélica diante das falsas esperanças históricas



por *Francisco José Barros de Araújo 




Ao longo da história, o cristianismo sempre conviveu com a tentação de ser instrumentalizado por ideologias que prometem um futuro terreno de progresso moral, social e espiritual contínuo. Essa tentação não é nova: ela já se manifestava nas primeiras heresias milenaristas e reaparece ciclicamente sempre que a fé cristã é deslocada de sua dimensão escatológica para servir a projetos históricos de salvação imanente. Em nossos dias, essa distorção ressurge com força sob a forma de um cristianismo ideológico, que substitui a esperança no Reino definitivo de Deus pela crença em uma suposta evolução histórica inevitável da humanidade.


Tal visão, porém, não nasce do Evangelho, nem da Tradição viva da Igreja, mas de filosofias seculares que reinterpretam a fé cristã à luz de utopias políticas, econômicas ou sociológicas. À luz das Escrituras, do Magistério e da própria experiência histórica, torna-se evidente que esperar um “mundo melhor” antes da segunda vinda de Cristo não é sinal de otimismo cristão, mas de grave confusão teológica.


É nesse contexto que, de modo específico, tanto a teologia da prosperidade quanto a teologia da libertação se afastam da mensagem integral do Evangelho de Cristo, ainda que o façam por caminhos aparentemente opostos. A primeira reduz a redenção à prosperidade material, transformando a fé em instrumento de enriquecimento pessoal e o sofrimento em sinal de falta de fé. A cruz é esvaziada, o sacrifício é silenciado e o seguimento de Cristo é substituído por uma lógica de sucesso, consumo e ostentação. Deus deixa de ser o Senhor a quem se adora para tornar-se um meio de realização individual.



A segunda, por sua vez, ainda que parta de uma legítima preocupação com os pobres e com as injustiças sociais, frequentemente absolutiza a dimensão histórica da salvação, reinterpretando o pecado como mera estrutura social opressora e a redenção como libertação política ou econômica. O resultado é a diluição da conversão pessoal, a secundarização da vida sacramental e a transformação da missão da Igreja em militância ideológica. A cruz deixa de ser lugar de expiação e reconciliação para tornar-se apenas símbolo de resistência política.


Ambas as correntes, cada uma a seu modo, cometem o mesmo erro fundamental: substituem a centralidade de Cristo por um projeto humano, prometendo o céu antes da cruz, a glória antes da conversão e o Reino sem o Rei. E, ao fazê-lo, acabam por perder o próprio céu que pretendem antecipar.

Países que melhor acolhem Refugiados Políticos: critérios jurídicos, limites e realidades do Asilo Internacional

Written By Beraká - o blog da família on quinta-feira, 1 de janeiro de 2026 | 15:03




Em um mundo cada vez mais polarizado, marcado por conflitos ideológicos intensos, alternâncias bruscas de poder e perseguições a opositores políticos, seja à direita ou à esquerda, o debate sobre asilo político e extradição tem se tornado recorrente — e, não raras vezes, envolto em confusões conceituais e narrativas simplificadoras. Expressões como “direito automático ao asilo” ou “países ideais para refugiados políticos” são frequentemente utilizadas no discurso público, mas não correspondem, em termos jurídicos, à realidade do direito internacionalNa prática, o asilo político não constitui um direito subjetivo do indivíduo, no sentido de uma prerrogativa exigível de qualquer Estado. Trata-se, antes, de um direito soberano do Estado, exercido de forma discricionária, de acordo com sua legislação interna, seus interesses de política externa e os compromissos assumidos no plano internacional. Nenhum país é juridicamente obrigado a conceder asilo político pelo simples fato de alguém se autodeclarar perseguido ou opositor de determinado regime.  Isso não significa, contudo, ausência de limites jurídicos. O instituto do asilo está profundamente vinculado ao princípio do non-refoulement (não devolução ou não repulsão), pilar do direito internacional dos refugiados. Tal princípio proíbe o Estado de devolver, expulsar ou extraditar um indivíduo para um país onde haja risco concreto e comprovável de perseguição política, tortura, tratamento desumano ou degradante, ou graves violações de direitos humanos.  Assim, o equilíbrio entre soberania estatal, cooperação internacional e proteção da dignidade humana revela-se delicado. O asilo político não é um salvo-conduto universal nem um instrumento de blindagem automática contra processos judiciais legítimos; tampouco pode ser negado de forma arbitrária quando há risco real à vida ou à liberdade do indivíduo. Em tempos de radicalização política e uso estratégico do sistema jurídico para neutralizar adversários, compreender essa distinção torna-se essencial para evitar tanto abusos retóricos quanto violações de direitos fundamentais.

Conheça as Três Guianas da América do Sul: Guiana, Suriname e Guiana Francesa

Written By Beraká - o blog da família on segunda-feira, 15 de dezembro de 2025 | 19:09

 




A América do Sul é conhecida por seus países vastos e diversificados, mas poucas regiões despertam tanta curiosidade quanto a chamada “região das Guianas”. Composta pela Guiana, Suriname e Guiana Francesa, essa área apresenta uma mistura única de culturas, línguas, religiões e histórias coloniais. Cada território possui características próprias, tornando-os destinos fascinantes para quem deseja compreender a diversidade do continente.

A Cooperação de Maria na Salvação: Fundamentos Doutrinais dos Títulos Marianos no Magistério da Igreja Católica na Mater Populi fidelis

Written By Beraká - o blog da família on segunda-feira, 8 de dezembro de 2025 | 12:48


(foto reprodução)

 


DICASTÉRIO PARA A DOUTRINA DA FÉ (Víctor Manuel Card. Fernández  Prefeito)


 

Mater Populi fidelis: Nota doutrinal "sobre alguns títulos marianos referidos à cooperação de Maria na obra da Salvação"

 

 

Apresentação

 

 

A presente Nota responde a numerosas consultas e propostas que chegaram à Santa Sé nas últimas décadas – de modo especial a este Dicastério – sobre questões relacionadas com a devoção mariana e, particularmente, sobre alguns títulos marianos. São questões que preocuparam os recentes Pontífices e que foram repetidamente tratadas nos últimos trinta anos nos diversos âmbitos de estudo do Dicastério, como Congressos, Assembleias ordinárias, etc. Isto permitiu a este Dicastério contar com um abundante e rico material que alimenta a presente reflexão.

Maria Santíssima: Medianeira de Todas as Graças, ou apenas Medianeira? Tradição, Teologia e Prudência Magisterial

 


*Francisco José Barros de Araújo




Maria Santíssima Medianeira de Todas as Graças, ou apenas medianeira? Tradição Antiga, Desenvolvimento Teológico e Prudência Magisterial



A ideia de "Maria como Medianeira de todas as graças" ocupa um lugar significativo na história da teologia católica e da piedade cristã. Longe de ser uma invenção tardia ou uma novidade moderna, trata-se de uma intuição profundamente enraizada na experiência orante e na fé viva da Igreja, que brota de modo orgânico da Tradição e acompanha, passo a passo, o desenvolvimento da reflexão teológica ao longo dos séculos. Desde os primeiros testemunhos patrísticos, Maria é contemplada em íntima associação com a obra redentora de Cristo, não como fonte autônoma da graça, mas como aquela que, por singular desígnio divino, esteve inseparavelmente unida ao mistério da Encarnação e da Redenção.  Contudo, fiel ao seu modo próprio de ensinar, a Igreja jamais se deixou levar por entusiasmos acríticos ou por formulações dogmáticas precipitadas. A prudência milenar do Magistério manifesta-se precisamente no cuidado de distinguir o núcleo revelado da fé das expressões teológicas que o procuram explicar, proteger e aprofundar. Assim, embora a mediação materna de Maria esteja amplamente atestada na liturgia, na devoção e na teologia espiritual, a formulação técnica da expressão “Medianeira de todas as graças” não surge de forma explícita e sistematizada nos primeiros séculos, sendo progressivamente elaborada sobretudo a partir da Patrística tardia, da teologia medieval e, com maior densidade conceitual, na época moderna.  Essa progressividade não deve ser interpretada como fragilidade doutrinal, mas como sinal de maturidade e sabedoria eclesial. A Igreja, consciente do risco de ambiguidades cristológicas e eclesiológicas, sempre buscou preservar a verdade central da fé: a unicidade e suficiência da mediação de Cristo (cf. 1Tm 2,5), evitando qualquer linguagem que pudesse obscurecer esse dado fundamental da Revelação. É nesse contexto que se compreendem tanto as formulações entusiásticas de santos, teólogos e fiéis, quanto as reservas cautelosas do Magistério, que prefere integrar a mediação mariana de modo subordinado, participativo e absolutamente dependente da única mediação do Redentor.  Dessa forma, a questão não se situa no simples “sim” ou “não” ao título, mas na justa hermenêutica que respeite simultaneamente a Tradição viva, o desenvolvimento homogêneo da doutrina e a prudência pastoral e teológica da Igreja. Compreender Maria como Medianeira exige, portanto, entrar nesse caminho de equilíbrio característico do catolicismo: um caminho onde a devoção não suplanta a verdade, a verdade não sufoca a piedade e o Magistério, com paciência histórica, garante a harmonia entre ambas.

Regina Duarte critica prisão de Bolsonaro e sinaliza apoio a Flávio Bolsonaro para 2026

Written By Beraká - o blog da família on segunda-feira, 1 de dezembro de 2025 | 09:21

 

(foto reprodução)


A atriz Regina Duarte, figura amplamente associada ao bolsonarismo e ao período em que atuou como Secretária Especial de Cultura, voltou a repercutir nas redes sociais ao comentar os desdobramentos da direita brasileira. Em novas publicações, a artista criticou a prisão de Jair Bolsonaro e demonstrou apoio explícito à eventual candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência em 2026, posicionamento que reacendeu debates sobre o futuro do movimento conservador no país.  As declarações reforçam a histórica ligação de Regina Duarte ao núcleo político do ex-presidente e evidenciam a estratégia de manter vivo o capital político do bolsonarismo em meio às incertezas do cenário eleitoral. O gesto também destaca como figuras públicas alinhadas à direita buscam influenciar a narrativa nacional em um momento marcado por disputas, investigações e expectativas sobre os rumos da política conservadora no Brasil.

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CIDADÃO DO MUNDO, NORDESTINO COM ORGULHO, Brazil
Blog formativo e apologético inspirado em 1Pd 3,15. Aqui você não vai encontrar matérias sentimentalóides para suprir carências afetivas, mas sim formações seguras, baseadas no tripé da Igreja, que deem firmeza à sua caminhada cristã rumo à libertação integral e à sua salvação. Somos apenas o jumentinho que leva Cristo e sua verdade aos povos, proclamando que Ele é “o caminho, a verdade e a vida” (João 14,6), e que sua Igreja é a coluna e o sustentáculo da verdade (1Tm 3,15). Nossa Missão: promover a educação integral da pessoa, unindo fé, razão e cultura; fortalecer famílias e comunidades por meio da formação espiritual e intelectual; proclamar a verdade revelada por Cristo e confiada à Igreja, mostrando que fé e razão caminham juntas, em defesa da verdade contra ideologias que nos afastam de Deus. Rejeitamos um “deus” meramente sentimental e anunciamos o Deus verdadeiro revelado em Jesus Cristo: Misericordioso e Justo o qual ama o pecador, mas odeia o pecado que destrói seus filhos. Nosso lema é o do salmista: “Não a nós, Senhor, não a nós, mas ao vosso nome daí glória” (Sl 115,1).

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