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Me sinto chamado(a) a Vida Monástica - O que devo fazer?

Written By Beraká - o blog da família on domingo, 4 de abril de 2021 | 17:47

 



É realmente necessário estar em um mosteiro para levar uma vida monástica? Não posso viver como um monge no mundo?

 

 

Primeiro, você deve perceber que a graça de Deus está presente em toda parte, mas é sentida especialmente em um mosteiro, pois a clausura traz graças específicas. Quando as pessoas visitam um mosteiro, sentem que é um lugar sagrado onde Deus está presente. Paradoxalmente, os monges que moram em um determinado mosteiro mais frequentemente sentem a intensa guerra espiritual que o maligno está travando contra eles.

 

Quando os visitantes chegam a um mosteiro e dizem a um dos monges: “É tão pacífico aqui”, ele respondeu: “Você sente a paz, nós vemos a guerra”.

 

Qualquer um que se esforce para cumprir os mandamentos do Evangelho, que tenta viver verdadeiramente de acordo com os ensinamentos da Igreja, sente esses dois aspectos se digladiando (conf. Rom 7,19-21):

 

-A graça de Deus operando gratuitamente em suas vidas.

 

-A intensa batalha que travam contra suas concupiscências, o mundo e o diabo.

 

Quanto mais intensamente nos esforçamos para servir a Deus, mais o maligno procura nos impedir de seguir nosso caminho estreito. Isso é mais verdadeiro na vida de quem renuncia ao mundo e procura viver completamente para Cristo.

 


Isso não pode ser feito enquanto se vive no mundo?

 

 

Sim e não. Certamente, com a ajuda de Deus, é possível viver de acordo com os mandamentos do Evangelho e os ensinamentos da Igreja no mundo, trabalhando pela nossa salvação (conf. Filip2,12-13),sendo fiel à Igreja, em intimidade com Deus pela oração, o jejum e a esmola, lendo a vida dos santos e outros livros que edificam a alma. Isto é tudo o que a Igreja pede de todos os seus fiéis. Isso tudo está de acordo com os mandamentos. Da mesma maneira, a pessoa pode participar de algumas atividades “mundanas” que não são prejudiciais: Eventos culturais que não sejam mundanos, mas pelo ao menos profanos, tais como apresentações culturais (teatro, música, danças...) esportivas, entretenimento saudável etc., sem perder o foco em Deus.

 

A vida monástica compreende o que os Padres chamam de “conselhos evangélicos”. Lembre-se do jovem rico que perguntou ao Senhor: O que devo fazer para herdar a vida eterna? O Senhor disse-lhe para guardar os mandamentos, que o homem declarou que ele tinha feito desde a juventude. Então o Senhor disse: "se você quiser o caminho da perfeição, vai vende tudo o que tens e dá-o aos pobres. Depois, vem e segue-me..." (Marcos 10,21).

 

Se você quiser! Em outras palavras, não é obrigatório para a salvação, pois para isto basta praticar os dez mandamentos como o próprio Jesus assegurou ao jovem rico. Para a salvação não é necessário que você desista de tudo, apenas, “se você sentir e quiser seguir o caminho de perfeição”.

 

 

Alguns dos prazeres da vida não são ruins e são até recomendados por Deus, pois casar e ter filhos são certamente abençoados por Cristo, que realizou Seu primeiro milagre público no casamento de Caná na Galileia.

 

 

Estar com outras pessoas – mesmo aquelas que não são da nossa fé, ou descrentes, não é ruim por si só, mas pode levar a pessoa a seguir um caminho errado, se não for cuidadoso(a), as escrituras nos alertam quanto a isto:

 

I Cor 15,33: “Não se deixem enganar: As más companhias corrompem os bons costumes".

 

 

Certos entretenimentos, como mencionamos acima, não são ruins em si mesmos, desde que não se tornem vícios, ou paixões obsessivas (conf. I Cor 6,12). Portanto, o monge é aquele que escolhe o caminho mais estreito. Para seguir esse caminho, ele deve contar com outras pessoas que tenham experiência nos perigos e armadilhas ao longo do caminho, do contrário será cego conduzindo cego e ambos cairão no precipício (conf Mateus 15,14). No mosteiro, você não apenas tem os mais experientes que podem guiá-lo e repreendê-lo quando você se desvia, está enfraquecido e sendo tentado, auxiliando-o com a prática das virtudes a graça de Deus que não pressupõe a nossa humanidade, ajudando-nos nessas lutas. O próprio hábito monástico é um sinal de pertença a Deus que guarda o monge, salvando-o de si mesmo.


Há uma outra armadilha que pega todos que tentam viver a vida monástica no mundo, o orgulho. Isso não quer dizer que o orgulho não atinja os que estão no mosteiro! Certamente, porém, no cenário monástico, quando alguém começa a se orgulhar, há anciãos que rapidamente procuram eliminar esse pecado no novato. Você não é alguém no mosteiro porque está jejuando e rezando – todo mundo está fazendo isso! Você não é considerado “piedoso” porque luta para obter as virtudes – é o que se espera. Mas quando você diz:

 

“Eu posso levar a vida monástica do mundo e não preciso em entrar no mosteiro”, você já está declarando com bastante orgulho carregado de pelagianismo, de que não precisa de nada disto para trilhar o caminho de perfeição proposto por Jesus. 



Não descartemos a graça específica que trabalha invisivelmente no mosteiro, como já foi tentado em vários momentos na história da Igreja, principalmente durante e após a revolução francesa. Sem o auxílio da graça, ninguém dentro, ou fora do mosteiro seria salvo. Se você deseja ser salvo estando no mundo, siga os mandamentos; se você sentir este doce e suave chamado, e quiser livremente trilhar um caminho de perfeição mais próximo a Cristo como monge, vá a um mosteiro e submeta-se ao superior desse mosteiro e às suas regras e veja em sua vida o cumprimento desta promessa:

 

“Em verdade vos digo, quem tiver deixado casa, irmãos, irmãs, mãe, pai, filhos, campos, por causa de Mim e do Evangelho, receberá cem vezes mais agora, durante esta vida” (Marcos 10, 29-30).



Para começar: Qual a diferença entre Padre, monge e frade(frei)?


Padre, monge e frade, uma breve e clara explicação sobre a diferença entre estes três termos tão confundidos pela linguagem popular.As palavras “sacerdote” (padre), “frade” e “monge” são termos ambíguos e flexíveis. Na linguagem popular, são aplicados sem propriedade, como se os três fossem equivalentes. No entanto, não querem dizer a mesma coisa.

 


1)-Um sacerdote (padre), na Igreja Católica, é um homem que recebeu o sacramento da Ordem Sacerdotal e que, em virtude de tal sacramento, pode celebrar o sacrifício da Missa e realizar outras tarefas próprias do ministério pastoral.Um padre pode pertencer a uma ordem ou família religiosa, ou a uma diocese. Todos os padres, diocesanos ou religiosos, são celibatários e devem obediência a seus superiores:

 

 

a)-Um padre diocesano promete obediência solene a seu bispo.

 

b)-Um padre religioso (como um dominicano ou franciscano) promete obediência ao seu superior, geralmente chamado de “provincial”.

 

c)-Um sacerdote monástico promete obediência a seu abade (se estiver morando em uma abadia) ou ao prior (em um priorado).

 

 

Os padres diocesanos não fazem voto de pobreza e podem possuir e herdar propriedades. Os padres pertencentes a uma ordem religiosa (como os franciscanos, dominicanos, etc) ou a uma comunidade monástica (como os beneditinos ou os cistercienses) fazem votos de pobreza, renunciando em favor de sua comunidade qualquer renda que geram através de suas obras.

 

 

Assim, um escritor dominicano que lucra com seus livros transfere seus ganhos para a Ordem dos Pregadores. Um escritor trapista entregará seus ganhos para o benefício de toda sua comunidade.

 

 

Monges e frades

 

 

Um monge ou frade, no entanto, é uma pessoa que fez os votos de pobreza, castidade e obediência e pertence a uma congregação ou família religiosa concreta (franciscanos, jesuítas, dominicanos etc.). Pode coincidir, além disso, de que tal religioso seja um sacerdote, mas não necessariamente. Sua vocação não é obrigatoriamente ao sacerdócio.

 

 

Mas qual é a diferença entre um monge e um frade?

 

 

Isso tem a ver com a origem de cada palavra: “monge” vem do latim tardio “monachus”, palavra para designar os anacoretas, e que já em sua raiz tinha implícito o significado de “solidão”.Isso se relaciona ao surgimento das primeiras experiências de vida contemplativa (nos séculos IV-VI d.C.), como, por exemplo, os Padres do Deserto, eremitas que abandonavam o mundo e viviam no deserto, ou São Bento de Núrsia, fundador da ordem religiosa mais antiga do Ocidente, os beneditinos.



Um monge, portanto, é um termo mais adequado para referir-se a homens consagrados que vivem em conventos, dedicados inteiramente à oração e à penitência. É o caso das ordens contemplativas, como a dos Cartuxos.

 

 

 

Frade, por outro lado, é um termo mais moderno, que procede da Idade Média (do provençal “fraire”) e significa “irmão”. A palavra “frade” é empregada para ordens dedicadas à vida ativa, como os franciscanos ou hospitalários. O uso desta palavra se relaciona ao surgimento das ordens mendicantes na Baixa Idade Média, que supuseram uma grande mudança na vida religiosa: estes novos religiosos já não se fechavam em conventos afastados das pessoas para se dedicar à oração, senão que estavam nas cidades, dedicados aos pobres, ao ensino, aos doentes etc.

 

 

 

APROFUNDAMENTO

 

 

 

A vida religiosa não é uma “carreira”, como outra qualquer, e para a qual por vezes se opta por motivos humanos (bom salário, vida aprazível, mercado de trabalho, etc).

 

 

O problema é discernir uma autêntica de uma falsa vocação, um chamado autêntico de um falso, ainda mais nos dias atuais, em que há muita falta de perseverança, muita inconstância. Hoje se quer entrar no Mosteiro, amanhã não se quer mais; entra-se no Mosteiro, mas logo vem o cansaço, o desejo de mudança, e se sai dele com enorme facilidade.Muitos também têm uma falsa ideia do que é um Mosteiro.

 

 

Há uma ideia romântica da vida monástica – vida puramente “contemplativa”, vida calma e tranquila - que não corresponde em nada à realidade.

 

 

-Tem-se dificuldade em viver o cotidiano.

 

-A levantar cedo todos os dias.

 

-A rezar sempre os mesmos salmos.

 

-Viver uma vida recolhida, sem grandes acontecimentos, sem grandes passeios, sem televisão.

 

-Uma vida também de trabalho sério (é conhecido o lema beneditino, “Ora et labora”, “Reza e trabalha”).

 

-Esquecem-se também a dimensão penitencial que sempre tem a vida cristã, ainda mais a vida religiosa e a vida monástica.

 

Deve-se entrar no mosteiro por um chamado de Cristo e para viver com ele, a procurá-lo sempre mais, a amá-lo, servi-lo. Outras motivações (ou fugas), são insuficientes para se perseverar.

 

 

Como saber se há um real chamado de Jesus Cristo para segui-lo?

 

 

Infelizmente não se ouve uma voz do céu, convidando-o a segui-lo em determinado lugar, então vem a pergunta: Como é que Deus nos fala? Aqui começa o mistério. Deus fala uma linguagem que só o coração compreende. Mas ele fala-nos e chama-nos. Fala ao nosso coração, se ele for puro, aberto, disponível. Fala através de nossa consciência. Ele pode falar-nos através de encontros e acontecimentos os mais diversos. Fala-nos também através de nossas inclinações (p.ex., gosto pela leitura de livros religiosos, gosto pela liturgia...), de nossos dons, de nossas qualidades. Até nossos limites e decepções podem ser um sinal do chamamento divino.

 

 

Quem se preocupa com a pergunta: “Será que Deus me chama?”, poderia refletir sobre alguns sinais de reconhecimento da vocação:

 

-Inquietação interior sobre a atual situação de vida, sem motivo exterior concreto.

 

-“Onde está meu coração? Nas coisas da terra, ou nas coisas espirituais, em Deus?”

 

-Amor a Cristo e alegria na oração (amor à Santa Missa, de que participa com frequência, não só aos domingos, gosto pela leitura da Bíblia, especialmente dos Evangelhos e dos Salmos).

 

-Alegria no serviço à Igreja (p.ex., pertença a um movimento de Igreja, colaboração numa pastoral paroquial).

 

-Passando alguns dias no Mosteiro, examinar depois os seus sentimentos: saudades, desejo de voltar, ou receio, temor, interrogações diversas?


 

CONDIÇÕES PARA A ADMISSÃO

 

 

Para admitir um candidato no Mosteiro, além de se exigir a idade mínima de 18 anos e como estudos o ensino médio completo, temos que verificar (e o próprio candidato deve procurar se autoavaliar com honestidade):

 

-Se ele é maduro – maduro psicologicamente, maduro espiritualmente.

 

-Não tem distúrbios psicológicos?

 

-Não tem problemas familiares? Aliás, tem condições de viver longe da família? Não é demasiado apegado a ela?

 

-Não é inconstante? Dá indícios de saber o que quer?

 

-Se não é mais estudante, tem algum trabalho, uma atividade profissional?

 

-Tem condições para a vida comunitária, vida esta que exige caridade, perdão, paciência, equilíbrio?

 

-Tem condições de cumprir efetivamente os votos de pobreza, obediência e castidade?

 

-A vida monástica é uma vida de afastamento do mundo, de silêncio. O candidato está imbuído disto tudo?

 

-Qual a vida cristã que leva? Será recém convertido?

 

-Missa e comunhão diária ou frequente? Confissão frequente? Reza?

 

-Gosta de ler? Lê a Sagrada Escritura?

 

-Pertence a algum movimento da Igreja ou tem algum apostolado paroquial?

 

-Conhece o Catecismo?

 

-Foi crismado?

 

-Tem um diretor espiritual ou confessor habitual?

 

-Já não entrou em outro instituto religioso ou foi seminarista?

 

-É fiel ao Papa?

 

-Vive a castidade?

 

 

 

Enfim, o candidato tem que se interrogar sobre estas questões e manter uma correspondência com o monge encarregado das vocações. Oportunamente será convidado a passar alguns dias no Mosteiro, para conhecê-lo de perto e ele próprio ser conhecido. Se morar no Rio de Janeiro poderá vir aqui várias vezes, frequentando a nossa igreja aos domingos e outros dias. Cada caso é um caso, mas normalmente se pede um discernimento de aproximadamente um ano. Candidatos com mais de 35 anos são admitidos com muito discernimento, pois tem normalmente dificuldade em se adaptar à nova vida, a mudar hábitos antigos. Ele terá que conviver no dia-a-dia com postulantes e noviços com menos idade que ele, talvez apenas com o ensino médio, e não com os monges de sua idade. Para isso é necessária muita humildade.

 

A vocação beneditina não comporta necessariamente o ministério sacerdotal, em si o ministério sacerdotal é um serviço  ao povo de Deus sendo que a vocação beneditina é mais ampla que o ministério sacerdotal, tanto é assim que nem todos serão sacerdotes, mas somente aqueles que forem escolhidos pela comunidade, conforme a necessidade, a desempenhar esse ofício para o bem comum  no nosso mosteiro especificamente nos dedicamos a vida mais contemplativa, não atuamos em paróquias, mas existem mosteiros que tem parte de sua atuação em paróquias e santuários. No entanto, em nossa comunidade, todos são convidados a fazer o estudo da Filosofia e da Teologia para o conhecimento da Fé e para edificação do povo de Deus, mas isto não significa necessariamente que serão ordenados ao ministério sacerdotal pois assim diz a Regra de São Bento no Capítulo 62:

 

 

“Se o Abade quiser pedir que alguém seja ordenado presbítero ou diácono para si escolha, dentre os seus quem seja digno de desempenhar o sacerdócio. Acautele-se o que tiver sido ordenado contra o orgulho da soberba e não presuma fazer senão o que for mandado pelo Abade, sabendo que deverá submeter-se muito mais a disciplina regular. E não se esqueça, por causa do sacerdócio, da obediência e da disciplina da Regra, mas progrida sempre mais para Deus, atente sempre para o lugar em que entrou no Mosteiro, exceto no ofício do altar mesmo que, pelo mérito da vida o quiserem promover a escolha da comunidade e a vontade do Abade”.

 

 

 

Pequeno resumo histórico sobre a Regra de São Bento:

 

Primeiramente cabe perguntar-se o que é uma Regra, que por definição é um conjunto de normas que buscam ordenar o modo de vida de uma determinada sociedade, uma instituição ou um grupo de pessoas. A Regra de São Bento mais do que isso, ela tenta dar uma direção à nossa maneira de viver que deve estar orientada para o ideal do Evangelho. São Bento se refere a ela:

 

 

“Tu, pois, quem quer que sejas, que te apressas para a pátria celeste, realiza com o auxílio de Cristo esta mínima Regra de iniciação aqui escrita e, então, por fim, chegarás, com a proteção de Deus, aos maiores cumes da doutrina e das virtudes de que falamos acima”.(RB Cap. 73).

 

 

A Regra é composta de 73 capítulos, ela engloba desde um convite inicial à escuta dos preceitos do Mestre, passando pela descrição de como deve funcionar o mosteiro, na oração e no trabalho cotidiano, a recepção dos irmãos, pelo ordenamento da liturgia até a Ordem da Comunidade.

 

 

Falar sobre a Regra de São Bento não é falar de um tratado espiritual tal como fizeram os grandes autores da Igreja, mas expressa de viver o Batismo de uma maneira mais radical, de homens que buscam viver para Deus. São Bento não se preocupou tanto com Teologia, mas, quis viver simplesmente o ideal que Deus o inspirou a levar adiante.

 

 

É importante dizer aqui que outras expressões monásticas anteriores já existiam no tempo de São Bento, todas elas se preocuparam igualmente em viver o Evangelho de Jesus Cristo. Entre as muitas estão os Padres do Deserto, A Regra de São Basílio, a de São Pacômio, no Egito, que antecederam a própria Regra de São Bento. Podemos dizer que a Regra bebeu destas fontes.A Regra de São Bento não foi escrita de uma só vez, mas, foi o resultado de uma larga experiência vivida dentro dos mosteiros, além disso ela procurou condensar textos, tradições, dentro da riqueza que a própria Igreja possui.

 

 

Acompanhamento dos Candidatos

 

 

 

O acompanhamento vocacional dos jovens que se sentem chamados a buscar a Deus na vida monástica pode ser iniciado via e-mail, carta ou mesmo procurando o mosteiro pessoalmente. O monge responsável pelas vocações acompanhará o candidato para discernirem a vontade de Deus na vida dele. Havendo disponibilidade de ambas as partes, o candidato é convidado a passar alguns dias na hospedaria do mosteiro para conhecer a rotina da comunidade. Para o ingresso, o jovem candidato deverá ter no mínimo 18 anos de idade e no máximo 35 anos, ser solteiro ou viúvo e sem compromissos afetivos ou financeiros. Deve ter boa saúde física, equilíbrio emocional e psicológico. Precisa ter o Ensino Médio completo. Não pode ser arrimo de família. Acima de tudo deve ter grande desejo de “buscar verdadeiramente a Deus” através da vida monástica.

 

 

Período de experiência

 

 

Após algumas visitas, o candidato pode ser convidado para o período de experiência, de aproximadamente três meses. Terminado esse período de experiência, o candidato pode, se desejar, pedir o ingresso no Postulantado. Ele então retorna a sua casa a fim de tomar as providências necessárias para o ingresso.

 


Tornar-me eu mesma no Mosteiro!



 


 

Por: Irmã Maria Terezinha Bezerra dos Santos, OSB - Mosteiro do Encontro (Brasil)

 

 

 

Pediram-me para dar um testemunho sobre minha experiência monástica, porém, acho que mais que um testemunho, gostaria de partilhar o quanto a vida consagrada monástica me ajuda em minha caminhada humana, cristã e espiritual.Sou monja beneditina do Mosteiro do Encontro, localizado em Mandirituba, Paraná, nasci em Palmeira dos Índios, Alagoas. Estou na vida monástica há 15 anos, sou professa solene há 9 anos.

 

Sabemos que a vida cristã é determinada por verbos de movimento, mesmo quando é vivida na dimensão monástica e contemplativa claustral, é uma contínua busca[1]. Bem sabemos que para São Bento a procura de Deus é o primeiro critério para se receber alguém que deseja entrar no Mosteiro[2]. Procurar a Deus no Ofício Divino: temos aí nosso primeiro serviço e, a partir dele, toda a nossa vida no mosteiro é organizada. Aprendi com esta organização, que meu trabalho não seria “visto”, nem apreciado pelas pessoas, não iria receber elogios e reconhecimento pelo que viria a fazer. No começo, devo reconhecer que não foi fácil aceitar isso, mas depois percebi que meu, nosso serviço, no Mosteiro do Encontro, não é um trabalho para ser reconhecido, mas recebido. Sei que nossa vida entregue à oração, por toda Igreja e por todo o mundo, dá frutos. A diferença é que estes frutos é o próprio Senhor quem os colhe!

 

 

Devo ser sincera em afirmar que nunca pensei em ser religiosa, menos ainda em ser monja! Mas Deus foi conduzindo a minha vida de tal modo que foi impossível dizer não ao seu chamado.

 

 

Eu não conhecia a vida monástica, mas tinha um amigo que era monge beneditino, fui ao seu Mosteiro, em Santa Rosa, Rio Grande do Sul, fazer um retiro de preparação para entrar em uma congregação de vida apostólica. Quando participei das vésperas pela primeira vez com os monges, não sei explicar o que aconteceu, só sei que ali tive a certeza que Deus tinha me chamado para esta vida. Voltei decidida a entrar em um mosteiro, mas não sabia onde. Este mesmo amigo me indicou alguns mosteiros, entre eles o Mosteiro do Encontro.

 

 

Quando cheguei ao Mosteiro do Encontro meu primeiro desejo foi ir embora, achei que não era o meu lugar, mas fiquei o tempo que tinha me proposto a ficar e no final da estadia, (uma semana), pedi para fazer um tempo de experiência de 3 meses. Desde então passaram-se 15 anos. Meu sim passou e continua a passar por muitas purificações. Graças a Deus! Quando cheguei ao Mosteiro, pensava que entrando na vida religiosa a santidade era “automática”, eu era muito fechada em mim mesma, achava que o mosteiro me daria a oportunidade de ficar em meu lugar, tranquila, devo reconhecer que não foi fácil aceitar que a vida monástica não é só rezar e viver em meu próprio mundo. Pouco a pouco, entendi que a vida monástica é justamente um contínuo sair de mim mesma, e ir ao encontro do outro, seja na oração, na comunidade ou na acolhida dos que chegam ao Mosteiro.

 

 

O Mosteiro do Encontro tem um nome sugestivo, levando em consideração o que nosso Papa Francisco vem a todo o momento pregando sobre a cultura do encontro. Posso afirmar que fiz esta experiência do Encontro, de várias maneiras, mas vou limitar-me a três áreas onde pude viver e vivo continuamente este mistério do Encontro. Meu primeiro encontro foi comigo mesma. Quando cheguei ao Mosteiro me deparei com uma irmã Maria Terezinha, que nunca havia percebido antes, não que ela não existisse, mas eu dava um jeito de deixá-la de lado, escondida nas aparências.

 

Sempre vivi meus sentimentos e relações de maneira o mais superficial possível, tinha medo de tocar minhas fragilidades e que as pessoas conhecessem uma Terezinha com sentimentos muitas vezes reprovados. Não me permitia tocar minha raiva, ciúmes, medo, evitava olhar para uma Terezinha com limites ou simplesmente humana; em verdade, encontrei-me com minha humanidade. Este encontro foi indispensável para que eu pudesse começar a fazer um caminho de autoaceitação e reconciliação com minha própria história de salvação!

 

 

No Mosteiro fiz a experiência de sentir-me amada na situação em que me encontrava, não precisava mostrar ser uma pessoa que não era, podia ser eu mesma como sou, com qualidades e limites e isto me deu e dá coragem para continuar o caminho de conversão. Experimentei a paciência de minhas irmãs, que mesmo no silêncio diziam que acreditavam em mim. Aí se deu o meu segundo Encontro, com minha comunidade. Esta experiência de aceitação e acolhida por parte de minha comunidade me fez perceber o quanto eu precisava de pessoas que me confrontassem, que me ajudassem a sair de meu comodismo. Na vida comunitária descobri e pude desenvolver dons que nunca imaginei ter.

 

 

Minha experiência na vida comunitária foi como se eu tivesse a oportunidade de “renascer”. Sinto que cada dia, no “útero” de minha comunidade, o Senhor me recria, me ensina a recomeçar, cura minhas feridas, demonstra seu amor, por meio de pessoas que nunca imaginei encontrar na minha vida. Claro que constantemente tenho que aprender a relacionar-me com pessoas diferentes de mim, que nem sempre estão de acordo com minhas ideias, nem eu com as delas, mas tenho que aprender a respeitá-las como são, não é um caminho fácil, mas este processo tem me ensinado a buscar o verdadeiro sentido de estar e permanecer no Mosteiro.

 

 

Com a vida comunitária aprendo sempre mais que não posso caminhar sozinha, que preciso de relações verdadeiras para viver minha consagração como Deus me pede. Só quando entendi que não podia viver minha consagração em meu próprio mundo de reservas, que tinha que caminhar com minhas irmãs, muitas vezes morrendo à minha própria vontade, pude entender o que é ser consagrada pelo Reino, para construir o Reino de Deus já aqui e agora vivendo e servindo em comunidade a caminho, mas com desejo verdadeiro de responder e ser fiel ao seguimento do único Senhor.

 

A terceira experiência de Encontro foi com as pessoas que chegam ao Mosteiro. Sabemos que para São Bento todos os que chegam ao Mosteiro devem ser acolhidos como o próprio Cristo[3]. Na prática e na vivência do cotidiano, esta acolhida não é tão simples assim. No começo não entedia por quê tinha que dar atenção para todos os que chegavam ao mosteiro, às vezes, humanamente falando, em horas inconvenientes... Muitas vezes não entendia porque deixamos os trabalhos, ou mesmo a oração, para ir ao encontro das pessoas que chegam até nós. Mas aos poucos fui me dando conta que as pessoas que chegam ao Mosteiro buscam a paz, querem ser acolhidas e escutadas, querem sentir-se amadas, valorizadas como pessoas. Muitas pessoas que chegam a nós têm tudo o que mundo e o dinheiro podem oferecer, mas não encontram o essencial. Então entendi que as pessoas buscam Aquele que é o único capaz de saciar esta busca e preencher o vazio, que nada nem ninguém poderia preencher. Elas procuram a Deus, e o modo como acolho estas pessoas pode proporcionar lhes este encontro. Hoje posso afirmar que cada vez que acolho uma pessoa, neste encontro, posso ser instrumento de Deus para esta pessoa, mas estas pessoas são sempre mais instrumentos de Deus em minha vida. Isto me faz perceber o quanto Ele pode realizar por nós, e em nós, utilizando-se de nossos irmãos e irmãs, que se tornam verdadeiramente manifestação de sua graça e presença em nossas vidas!

 

Não poderia terminar esta partilha, sem expressar minha gratidão à toda equipe da AIM, que desde o inicio de minha vida monástica esteve presente com sua ajuda para minha formação monástica, seja no período da formação inicial com a escola de formadores que também me proporcionou continuar meu encontro comigo mesma e minha humanidade, seja na continuação em minha formação permanente -, agora estou terminando o curso de formação monástica dos cistercienses em Roma. Sei que o Senhor age em nós com sua graça, mas bem sabemos que também nós precisamos abrir-nos ao que Ele tem a nos oferecer! Ficam aqui os meus sinceros agradecimentos a nossos irmãos e irmãs da AIM que não medem esforços para nos ajudar em nossa formação, proporcionando-nos ferramentas para vivermos de modo mais coerente nossa vida monástica! Que o Senhor nos sustente a cada dia em nosso sim, e com Ele sigamos com nosso desejo de em tudo glorificá-lo! Assim Seja!

 

REFERÊNCIAS:

 

[1] Ano da vida consagrada, Alegrai-vos: Carta circular aos consagrados e às consagradas do magistério do Papa Francisco, São Paulo, Ed. Paulinas, p.23.

[2] Regra de São Bento 58,7.

[3] Regra de São Bento 53,1.

 

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Neste Apostolado promovemos a “EVANGELIZAÇÃO ANÔNIMA", pois neste serviço somos apenas o Jumentinho que leva Jesus e sua verdade aos Povos. Portanto toda honra e Glória é para Ele.Cristo disse-nos:Eu sou o caminho, a verdade e a vida e “ NINGUEM” vem ao Pai senão por mim." ( João, 14, 6).Como Católicos,defendemos a verdade, contra os erros que, de fato, são sempre contra Deus.Cristo não tinha opiniões, tinha verdades, a qual confiou a sua Igreja, ( Coluna e sustentáculo da verdade – Conf. I Tim 3,15) que deve zelar por elas até que Cristo volte.Quem nos acusa de falta de caridade mostra sua total ignorância na Bíblia,e de Deus, pois é amor, e quem ama corrige, e a verdade é um exercício da caridade.Este Deus adocicado,meloso,ingênuo, e sentimentalóide,é invenção dos homens tementes da verdade, não é o Deus revelado por seu filho: Jesus Cristo.Por fim: “Não se opor ao erro é aprová-lo, não defender a verdade é nega-la” - ( Sto. Tomáz de Aquino) “Não a nós, Senhor, não a nós, mas ao vosso nome dai glória...” (Salmo 115,1)

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