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Minha família não é perfeita, e daí?

Written By Beraká - o blog da família on domingo, 4 de abril de 2021 | 23:26

 


 

 

“Desculpe o transtorno. Estamos em obras”

 

 

 

A primeira coisa que precisamos notar é que em casa ninguém é igual, e estamos em níveis de maturidade diferentes. Os pais têm mais experiência, mas entre eles há diferenças. Os filhos estão crescendo, sendo construídos em todos os sentidos: no físico, psicológico e espiritual. Aqui entra em ação o material para construir cada um, que se chama respeito e paciência com o processo do outro. Por isso, para construir a família perfeita é preciso um ambiente propício para as mudanças, para o crescimento e até para as crises. Procurar defeitos nos outros e em nossas famílias de uma coisa pode ter certeza, vamos encontrar e muitos! Eu preciso sentir o desejo de voltar para casa, ela precisa ser o meu refúgio, meu oásis no meio do deserto. Minha casa e minha família precisam ser meu porto seguro, lugar onde não importa a minha condição: eu sei que sou amado e encontrarei a porta sempre aberta.

 

 

Em matéria da Veja (edição 1847 de 31 de março de 2004) na coluna Ponto de Vista, Stephen Kanitz nos convida a uma reflexão que acredito ser pertinente, haja vista, sermos todos “vítimas” de nós mesmos e da nossa cultura de criar ídolos de vidro. Todo jovem passa por uma crise muito pouco diagnosticada. Vou chamá-la de “Crise dos Pais Imperfeitos”, que surge quando o adolescente descobre que o pai e a mãe não são as pessoas perfeitas que eles imaginavam. Embora muitos pais nunca tenham insinuado nada nesse sentido, os próprios filhos os idealizam como perfeitos. Como a maioria não o é, mais dia menos dia ocorre a grande decepção. Muitos pais pioram a situação dando a entender que nunca erram, que sabem tudo e que são, em suma, o máximo. Até o dia em que o mundo desaba, e a verdade nua e crua aparece: ninguém é perfeito. A maioria dos jovens sonha em ter pais perfeitos para sempre, um governo perfeito a cada eleição, em criar um mundo perfeito sem injustiças, onde até os grandes planos de governo funcionam porque serão sempre perfeitos.

 

 

“Essa crise traz também uma enorme insegurança pessoal. A redoma de vidro do pai herói e da mãe heroína se desfaz. Uma crise dessas mal resolvida pode se agravar e se transformar em desilusão, desânimo, o que pode levar à exclusão social e à perda de ambição. Pode também levar à depressão, às drogas e, finalmente, ao crime, já que o mundo não é mais perfeito. Pode gerar desobediência à autoridade paterna, contestação e revolta contra os pais e as instituições que eles representam...”

 

 

É uma revolta injusta contra os pais, já que ninguém é perfeito, e que se manifesta como uma recusa de fazer parte da sociedade de forma construtiva e incentiva a inserção social de forma destrutiva e violenta. Jovens se recusam a participar desta sociedade de várias maneiras, que prefiro não enumerar. Um dos sintomas é exagerar no intento de “ser diferente”, quando o normal é se inserir na sociedade sendo inovador e criativo.Por isso uma separação na família é tão devastadora para a maioria das crianças, não por causa da separação em si, mas porque antecipa em muitos anos a “Crise dos Pais Imperfeitos”. Quando ouvem o anúncio da separação, os filhos acabam tendo de lidar com duas crises ao mesmo tempo, e muitas crianças ainda são novas demais para aceitar a crise da imperfeição. Elas ainda precisam daquela imagem dos pais unidos na perfeição.

 

“Muitos brasileiros, se não a maioria, na fase adulta, projetam esse desejo de perfeição no mandatário de seu país. Muitas vezes projetamos nos nossos governantes uma imagem do pai perfeito...”

 

 

Por isso, alguns países sabiamente mantiveram as suas monarquias. O monarca encarna aquela figura do pai perfeito, e, como ele não faz absolutamente nada, não pode causar a menor decepção. É uma figura preservada, todo mundo se sente seguro e feliz, e o país cresce. Segundo a revista Economist, monarquias pagam muito menos juros e são economias bem mais estáveis que outros regimes. O Brasil está parado economicamente desde 1998, devido às sucessivas crises políticas envolvendo importantes membros do governo (não estou com isto defendendo a monarquia para o Brasil).Diga aos seus filhos que você, os políticos, o governo e nossos presidentes não são perfeitos. Eu sei que a maioria dos pais adora mostrar o contrário, adora ganhar do filho num drible de futebol, com medo de que descubram a verdade. Posso garantir que eles já o achavam perfeito muito antes de você se mostrar. O que eles precisam aprender é a verdade.

 

 


 

Quem é mãe ou pai sabe que os filhos nos surpreendem quando apresentam nos seus comportamentos as nossas melhores qualidades, mas eles também nos desafiam quando evidenciam nossos maiores defeitos! Eles tem um pouquinho do nosso lado bom, do nosso lado ruim e tem também aquilo que é só deles! Esse mix particular faz com sejam especialmente únicos, embora se pareçam muito conosco os nossos filhos não são nosso clone em miniatura, eles são eles mesmos, e por isso diferentes de nós.Precisamos aceitar as diferenças (e ajudá-los a entender isso em relação a nós e ás outras pessoas). Por isso acredito que relacionamento entre pais e filhos sem respeito, sem aceitação, sem diálogo, sem perdão, e sem amor prático inevitavelmente culminará à solidão e distanciamento no futuro. Sou firmemente convencido que não é a distância geográfica ou situação marital, por exemplo, que separa pais e filhos, mas sim as distâncias emocionais cultivadas durante os tempos em que eles estavam preparando suas asas! Lançar os filhos para o mundo me leva a pensar em “lançamento” e “esperança de retorno por acertar o alvo”. Acredito que deveríamos nos preparar para lançá-los bem. Acredito que deveríamos ter esperança no trabalho que estamos fazendo (ou fizemos). Como lançamos? Oque podemos esperar? Fico imaginando o que o Salmista tinha em mente quando escreveu o Salmo 127,3-5:


“Os filhos são herança do Senhor, uma recompensa que ele dá. Como flechas nas mãos do guerreiro são os filhos nascidos na juventude. Como é feliz o homem que tem a sua aljava cheia deles! Não será humilhado quando enfrentar seus inimigos no tribunal”.

 

 

Neste texto poético o Salmista compara filhos ás flechas que o arqueiro lança, e no versículo 5 ele diz que por causa destes filhos os pais não seriam humilhados quando estivessem perante seus inimigos. Bem, flechas são para serem lançadas, mas todos nós sabemos que uma vez lançadas as flechas não retornam, elas vão em direção a um alvo e espera-se que acertem esse alvo. O texto sugere que os pais que lançaram suas flechas encararão inimigos em um dado momento da vida (estes inimigos podem ser a velhice, podem  ser as necessidades que surgem quando o ninho fica vazio, podem ser enfermidades, carências financeiras, dificuldades físicas, e qualquer outro tipo de inimigo que uma pessoa precise lidar na vida), mas que diante de tais inimigos estes pais não serão humilhados (ou seja, terão auxilio das flechas que uma vez foram lançadas. Por isso estes pais são chamados de bem aventurados no início do texto, eles lançam muitas flechas, pois tem mais chances de uma delas acertar o alvo. Quem pratica arco e flecha sabe que do ponto de vista natural é impossivel que uma flecha lançada retorne, mas do ponto de vista bíblico, uma flecha quando bem lançada pode retornar em forma de recompensas por acertar o alvo. Entendo que devemos preparar nossos filhos para a vida, e lança-los bem. Filhos bem lançados irão aos seus alvos, mas eles não abandonarão seus pais, porque as flechas e o arqueiro estão ligados por relacionamentos de confiança, tolerância, respeito, e amor, ligados por relacionamentos que tem o compromisso com amadurecimento e bem estar mútuo, por isso não são rompidos, pois sabem por quem foram lançados(as).

 

 

Os nossos filhos crescem rápido, e nós não temos o poder de segurar eles ou o tempo nas mãos, nem tão pouco precisar quando a morte baterá à nossa porta ou à deles. Por isso, o tempo de viver nossos relacionamentos em profundidade é hoje e sempre hoje. Pais (pai e mãe) não são perfeitos, mas filhos também não são! O melhor para os dois lados é amar, aceitar as diferenças, respeitar as escolhas, perdoar as mágoas e valorizar a existência! As construções acontecem por meio do tom de voz, da presença física e emocional, do investimento pessoal, financeiro, espiritual, por meio do reconhecimento das diferenças e potenciais, por meio do encorajamento. As construções começam lá no embalar do berço, vão com os filhos quando os lançamos como “flechas” e permanecem sendo desenvolvidas quando eles voltam para lutar conosco diante dos “nossos inimigos”. Dentro de casa, eu preciso promover um clima de confiança e aceitação do outro, preciso me sentir acolhido para partilhar a minha verdade.

 

 

CONCLUSÃO

 

 

Outro dia, ouvi a experiência de um movimento que se chama ‘Equipes de Nossa Senhora’, o qual trabalha com casais. Eles têm uma prática que se chama “direito de sentar-se”. Sentar-se à cadeira, sentar-se à mesa, para falar e ouvir tudo que o outro precisa dizer. Isso é caridade. Nós não podemos esquecer que cada um tem a sua parte essencial e importante na construção da família perfeita; os pais têm seu papel de pilar de sustentação e construção da casa, mas os filhos dão sentido, vigor e alegria aos genitores. E assim vamos construindo famílias restauradas. Portanto, mostre aos seus filhos que você não é perfeito. Ensine que não há utopias perfeitas, somente imperfeições a serem corrigidas. Comece de preferência nesta semana, aos poucos, para não assustá-los. Tudo isto lembra aquela música do Belchior, em que cobramos dos outros o que nem nós somos: “Ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais...” Veja este vídeo: Os pais não são perfeitos, mas amam perfeitamente com o amor que lhes foi dado:

 

http://www.youtube.com/watch?v=0lYN4wIrzag

 

 

“Que o coração dos pais se voltem para seus filhos, e os corações dos filhos para seus pais”. Malaquias 4,6

 

 

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Neste Apostolado promovemos a “EVANGELIZAÇÃO ANÔNIMA", pois neste serviço somos apenas o Jumentinho que leva Jesus e sua verdade aos Povos. Portanto toda honra e Glória é para Ele.Cristo disse-nos:Eu sou o caminho, a verdade e a vida e “ NINGUEM” vem ao Pai senão por mim." ( João, 14, 6).Como Católicos,defendemos a verdade, contra os erros que, de fato, são sempre contra Deus.Cristo não tinha opiniões, tinha verdades, a qual confiou a sua Igreja, ( Coluna e sustentáculo da verdade – Conf. I Tim 3,15) que deve zelar por elas até que Cristo volte.Quem nos acusa de falta de caridade mostra sua total ignorância na Bíblia,e de Deus, pois é amor, e quem ama corrige, e a verdade é um exercício da caridade.Este Deus adocicado,meloso,ingênuo, e sentimentalóide,é invenção dos homens tementes da verdade, não é o Deus revelado por seu filho: Jesus Cristo.Por fim: “Não se opor ao erro é aprová-lo, não defender a verdade é nega-la” - ( Sto. Tomáz de Aquino) “Não a nós, Senhor, não a nós, mas ao vosso nome dai glória...” (Salmo 115,1)

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