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Parte final: Anjos e demônios – A luta contra os poder das trevas

Written By Beraká - o blog da família on quarta-feira, 30 de maio de 2018 | 21:44






Homicida e mentiroso — Astuto, falso, enganador



O divino Redentor resumiu em poucas palavras essa psicologia diabólica: “Ele foi homicida desde o princípio, e não permaneceu na verdade; porque a verdade não está nele; quando ele diz a mentira,fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira" (Jo 8, 44).O demônio é homicida e o pai da mentira, o mentiroso por excelência que odeia a verdade, porque a verdade nos conduz a Deus: "Eu sou o caminho, a verdade, a vida” (Jo 14, 5); ele odeia o Criador e, tendo-se separado de Deus, separou-se para sempre da verdade e da vida. E através da mentira que ele dá a morte, a morte espiritual.Santo Agostinho, a respeito da afirmação de Jesus de que o demônio é homicida e mentiroso, comenta: “Perguntamos de onde veio ao diabo o ser homicida desde o princípio, e respondemos que matou o primeiro homem, não enterrando-lhe o punhal ou infligindo-lhe qualquer outro dano no corpo, senão persuadindo-o a que pecasse precipitando-o da felicidade do paraíso”. (Apud J. MALDONADO S.J., Comentarios a los Cuatro Evangelios, p. 563). Pe. João Maldonado, erudito exegeta jesuíta do século XVI, observa sobre essa mesma frase -  “Porque é mentiroso e pai da mentira” (Jo 8, 44): “A maior parte dos autores entendem isto daquelas palavras que o diabo disse a Eva: ‘Sereis como deuses, conhecendo o bem e o mal.’ (Gen 3, 5); palavras em que  evidentemente mentiu; quer dizer, uniu a mentira com o homicídio (espiritual), perpetrando os dois crimes ao mesmo tempo. ... Chama-se ao diabo pai da mentira porque é ele o autor e inventor da mesma, de tal modo que pode dizer-se que deu à luz a ela”  (J. MALDONADO S.J., op. cit., pp. 564-566). Quando tenta o homem, procurando afastá-lo de Deus, ele mente apresentando uma falsa imagem da realidade, escondendo seus verdadeiros fins e enredando sua vítima no engano, no sofisma e na falsidade.






É astuto, falso e enganador



“Satanás se distingue por sua astúcia — escreve Mons. Cristiani. O que quer dizer esta palavra? A astúcia é um artifício enganador. O ser que age por astúcia tem más intenções. Se ele fala, não é para dizer a verdade, mas para enganar, para conduzir ao erro, à inverdade. Satanás é falso. Não se pode confiar nele. O que falta antes de tudo nele é a eqüidade, a lealdade, a franqueza. Ele é equivoco, voluntariamente obscuro e dissimulado” (Mgr L. CRI5TIANI, Présence de satan dons le monde moderne, p. 306.)



Soberba demencial, inveja mortal


Por detrás dessa dissimulação se esconde o seu desejo oculto, assim expresso por Mons. Cristiani: “Ser como Deus! Este ato de orgulho é o fundo mesmo da psicologia de Satanás! ... ‘Vós sereis como deuses!’ Ele próprio, na sua queda, se considera como um deus. Seu orgulho não está morto. O orgulho levado até à adoração de si mesmo é o que faz o demônio voltar-se contra o Criador. É o orgulho que, tendo-o afastado de Deus, fez dele o Adversário. No livro do Eclesiástico esta conseqüência do orgulho é posta em evidência: ‘O princípio do orgulho é abandonar o Senhor e ter seu coração afastado do Criador, porque o princípio do orgulho é o pecado, aquele que se entrega a ele espalha a abominação.‘ (Ecli 10, 12-13). ... Compreendemos, então, porque Jesus Cristo, que é a Via, a Verdade, a Vida, tenha definido Satanás como o Pai da mentira,  o homicida desde o começo. E, para nós, este termo de homicida longe de ser excessivo, não diz senão um aspecto da verdade total: Satanás é, com efeito, acima de tudo, o DEICIDA!” (Mgr L. CRISTIANI, op. cit., p. 308.)


O orgulho de Satanás e seus anjos malignos não conhece limites:


"Que orgulho demencial — comenta ainda Mons. Cristiani — nessa palavra de Satanás a Cristo, mostrando-lhe em espírito todos os reinos da terra: ‘Tudo isto eu te darei se prostrado por terra me adorares!´O fundo último da ambição satânica é este: Tirar de Deus seus adoradores, fazer convergir as adorações dos homens para ele próprio!Resuimàmo-nos: o orgulho, a vontade de se fazer deus, a astúcia, a inveja e o ódio do homem, tudo isto desembocando na mentira, no homicídio, no deicídio: eis Satanás!”. (Mgr L.CRISTIANI, op. cit., p. 308.)



Não lhe importam as derrotas que sofre continuamente, nem mesmo a final e definitiva a que está condenado; sua soberba se satisfaz com os pequenos triunfos que obtém, no esforço de levar as almas à eterna perdição.



Comenta o Cardeal Lepicier sobre as vitórias e derrostas satânicas:


“Escudado na satisfação de certas vitórias parciais e na esperança de grandes triunfos e, ao mesmo tempo, não se preocupando com as vergonhosas derrotas sofridas, Satanás prossegue loucamente na sua faina de tentar arrastar as almas para a eterna perdição. O seu pendão está sempre erguido e o seu grito insensato de desafio e revolta ouve-se por toda parte: ‘Eu não quero servir! ‘ (Jer 2, 20)”. (Card. A.LEPICIER. O Mundo invisível p. 240.)



O pai da vulgaridade



Outro aspecto da psicologia maldita do demônio é a vulgaridade. Odiando a Deus, ele odeia tudo aquilo que é verdadeiro, belo, bom. Ele odeia a compostura, a dignidade, a seriedade, a serenidade.O abade João Cassiano já observava no século V: “É fora de dúvida que existe entre os espíritos impuros o que o vulgo chama espíritos vagabundos, que são antes de tudo sedutores e bufões. Eles se postam constantemente em certos lugares e se divertem em enganar, muito mais do que em atormentar, aqueles que eles encontram.  Eles se contentam em fatigá-los por seus escárnios e suas ilusões..." (Apud Mgr L. CRISTIANI, op. cit., p. 311.)São os famosos demônios bufões, que fazem talhar a manteiga, secam o leite das vacas, desencadeiam enxames de vespas ou de abelhas, etc., tudo para fazre os homens perderem a paciência, praguejarem , blasfemarem.Mons. F. M. Catherinet, demonólogo francês, analisando a ação dos demônios segundo as narrações evangélicas, traça deles o seguinte perfil:  "Medrosos, obsequiosos, poderosos, malfazejos, versáteis e mesmo grotescos... ( Mgr F. M. CATHERINET, Les Démoniaques dans l´Évangile, P.319. )Em carta a Mons. Cristiani, o Pe. Berger-Bergès, famoso exorcista, escreve:  "Vós me perguntais ... qual é a psicologia de Satanás, quando ele está submetido à ação dos exorcismos... É preciso definir e resumir a psicologia de Satanás por estas palavras:  ORGULHO, DESPREZO DE SUA VÍTIMA, TENACIDADE!" |(Mgr L. CRISTIANI, op. cit., p. 312.)



O poder dos demônios

"O próprio Satanás se disfarça em anjo de luz”.(2 Cor 11, 14)


TUDO QUANTO DISSEMOS a respeito do poder e do modo de agir dos anjos sobre a matéria aplica-se igualmente aos demônios, que são anjos decaídos, mas que conservaram a natureza angélica e os poderes a ela inerentes.



Poder dos demônios sobre a matéria



Já vimos anteriormente como a presença dos anjos em um lugar não se dá fisicamente (contato físico), pois são seres incorpóreos, e sim por meio de sua atuação (contato operativo): os anjos estão onde atuam.Em virtude de sua natureza espiritual, eles podem exercer sua atividade e tanto de fora dos corpos, como no interior deles, conforme observa São Boaventura: “Os demônios, em razão de sua sutileza e espiritualidade, podem penetrar em qualquer corpo e aí permanecer sem o menor obstáculo e impedimento”. (In II Sent., Dist. 8, p. 2, a. um., q. 1, apud Mons. C. BALDUCCI, Gli Indemoniati, p.12.)De um modo direto e imediato os demônios podem produzir na matéria apenas movimentos locais, ou extrínsecos, transferindo uma coisa de um lugar para outro, sem entretanto alterar a natureza ou substância dessa coisa; de modo indireto, através desses movimentos locais, eles podem agir sobre a própria substância da matéria, ao modificar a posição ou a quantidade dos elementos constitutivos da mesma.




Caso Deus o permitisse, os demônios, por sua natureza angélica, poderiam causar toda espécie de transtornos físicos. O Cardeal Lepicier afirma que se pode dizer que praticamente não há fenômeno no mundo que não possa ser realizado, de um modo ou outro, pelos anjos; logo, também pelos demônios.(Cardeal A. LEPICIER, O Mundo invisível, pp. 74.75.) E não raro o fazem, provocando tempestades, cataclismos, incêndios e outros desastres como também aparições fantasmagóricas, ruídos infernais e perturbações de toda ordem.



Poder dos demônios sobre o homem




Em relação ao homem, os demônios só podem operar de modo direto e imediato sobre aquilo que nele é matéria, ou está e necessária dependência dela; podem agir nas funções da vida vegetativa, enquanto ligadas à matéria, e sobre a vida sensitiva, porque esta depende de órgãos corporais. No que se refere às funções próprias da vida intelectiva, os demônios só podem chegar a elas indireta e mediatamente, quer dizer, atuando sobre a parte corpórea e sobre a vida sensitiva, das quais a alma deve servir-se para desenvolver suas atividades espirituais. Em outros termos, os demônios podem agir diretamente sobre a parte corpórea do homem, mas apenas indiretamente sobre sua inteligência e sua vontade.



Conforme ensina São Tomás,(Suma Teológico. 1-2, q. 80, a. 1-3.) o entendimento, por inclinação própria só se move quando algo o ilumina em ordem ao conhecimento da verdade. Ora, os demônios não querem conduzir o entendimento à verdade, mas, pelo contrário, entenebrecê-lo como meio de levar o homem ao pecado. Por isso, eles não conseguem mover diretamente a inteligência do homem, e procuram então influir sobre ela indiretamente, através de sua ação sobre a imaginação e a sensibilidade.



Os demônios não podem tampouco mover diretamente a vontade humana, pois isto só o próprio homem ou Deus podem fazer; mesmo que o  Maligno, por permissão divina, se assenhoreie do corpo do homem e entenebreça sua mente — como se dá na possessão — , ele não pode obrigá-lo a pecar, pois a vontade não participaria dos atos maus assim realizados, os quais seriam em conseqüência pecados apenas materiais.Para mover a vontade do homem, os demônios precisam, de algum modo, convencê-lo, persuadi-lo a praticar uma ação má, ainda que sob a aparência de um bem.


A ação persuasiva do demônio


"O demônio não força; ele propõe, sugere, persuade, alicia”



O demônio não tem o poder de obrigar os homens a fazer ou deixarem de fazer algo; por isso procura persuadi-los para que se deixem conduzir pelo seu mal.

"Ele não os força: ele propõe, sugere, persuade, alicia” escreve o Pe. J. de Tonquédec S.J., exorcista e demonólogo francês. E acrescenta: “No Éden, ele deu a Eva razões para ela transgredir a ordem divina (Gen 3, 4-5, 13); no deserto, solicitou Nosso Senhor pela atração de uma dominação universal (Mt 4, 26-27)”. (J. de TONQUÉDEC S.J., Quelques aspects de l´ation de Satan en ce monde, p. 495.)



São Tomás também se refere a essa obra de persuasão do demônio, explicando que a vontade humana só se move internamente por ação do próprio homem ou de Deus; externamente ela pode ser solicitada pelo objeto que, entretanto, não força o homem a escolher o que não quer. (Suma Teológico, 1-2, q. 80, a. 1.).O Pe. Cândido Lumbreras O.P., assim comenta essa passagem do Doutor Angélico: “Que influência pode exercer o demônio nos pecados dos homens? ... O demônio pode oferecer aos sentidos seu objeto, falar à razão, seja interiormente, seja exteriormente; alterar os humores e produzir imagens perigosas, excitar enfim as paixões que podem mover a vontade e assenhorear-se do entendimento” .(C. LUMBRERAS O.P., Tratado de los vicios y los pecados — Introducción. p. 766.)



Em comentário a outra passagem de São Tomás, explica Pe. Jesus Valbuena O.P.:


“Que os anjos possam iluminar e de fato iluminem o entendimento humano, é uma verdade que se atesta por uma multidão lugares nas Sagradas Escrituras ... Também os anjos maus são capazes de produzir, com sua virtude natural, falsas iluminações no entendimento dos homens, conforme nos admoesta São Paulo para que estejamos alerta ´pois o próprio Satanás se disfarça em luz’ (2 Cor 11, 14).



“Afirma São Tomás que nos sentidos do homem, sejam internos, sejam externos, os anjos podem influir e agir a partir de fora e a partir de dentro dos mesmos, quer dizer, extrínseca e intrisecamente; mas, em relação ao entendimento e à vontade humanas, só os podem mover e influir indireta e exteriormente, quer dizer propondo a estas potências espirituais de uma maneira acomodada a elas seus objetos, que são a verdade e o bem e influindo nelas indiretamente mediante os sentidos, as paixões, as alterações corporais sensíveis, etc., embora não possam nunca chegar a dobrar ou completamente a vontade do homem, se este se acha em estado normal” (J. VALBUENA O.P., Tratado del Gobierno del Mundo— Introduccion, p. 898.)Nos casos de Eva e de Nosso Senhor, o demônio “apresentou suas razões” tomando uma forma corpórea, produzindo sons e articulando as palavras oralmente; no geral dos casos, entretanto, o demônio, para persuadir o homem a pecar, conjuga sua ação sensibilidade, a memória e a imaginação.



As doutrinas perversas do demônio - O demônio tem uma doutrina mentirosa, que opõe-se  à doutrina de Cristo:



Em sua introdução ao Tratado sobre os anjos, de São de Aquino, comenta o Pe. Aureliano Martínez O.P.:


“O demônio tem suas doutrinas perversas, às quais o Apóstolo chama espírito do erro e ensinamentos do demônio (1 Tim 4, 1), com as quais como deus deste mundo, cega a inteligência dos homens para que não brilhe nelas a luz do Evangelho (2 Cor 4, 4); doutrinas que propala mediante falsos apóstolos e operários enganadores que se disfarçam em apóstolos de Cristo; e não é de espantar, pois o próprio Satanás se disfarça em anjo de luz (2 Cor 11, 13-14), tentando os fiéis de incontinência (1 Cor 7, 5) e de ira (Ef 4, 27)”. (A MARTÍNEZ O.P., Tratado de Los Angeles — Introducción, p. 511.)




Foi por essa razão que o Divino Salvador definiu o demônio como aquele "que não permaneceu na verdade; porque a verdade não está nele; quando ele diz a mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira” (Jo 8, 44).Por meio dessa ação de persuasão o demônio procura na tentação, não apenas induzir-nos a cometer este ou aquele pecado, mas afastar-nos completamente de Deus.


Limites à ação do demônio



Por mais poderoso que seja, com uma capacidade de ação superior à de qualquer outro ser criado, o demônio, entretanto, não é onipotente. Sendo mera criatura, ele tem suas limitações, decorrentes de três fatores: sua própria natureza, a condição particular de cada demônio e a vontade permissiva de Deus.



Limites impostos por sua própria natureza



Como toda criatura, o demônio está limitado em sua atuação pela sua própria natureza: por mais elevado que seja seu poder, este não pode ultrapassar os limites de sua natureza criada.Ele é um ser finito, contingente.


Não se deve pois de forma alguma julgar que ele é capaz de saber tudo (oniciência), de poder tudo (onipotência) e estar em todo lugar (onipresença): esses atributos são exclusivos de Deus.Sua inteligência, embora se tenha mantido intacta, está privada de todo auxílio sobrenatural. Os demônios perderam, com o pecado, toda forma de conhecimento sobrenatural; enquanto os anjos bons vêem em Deus o estado de uma alma (se ela está na graça divina ou em pecado), os demônios só podem fazer conjetura a respeito.




O mesmo se deve dizer quanto a certos acontecimentos futuros que Deus revela aos anjos.Por sua natureza, nem os anjos bons nem os demônios podem conhecer o futuro livre ou futuro contingente isto é, aquele que depende da vontade divina e do livre arbítrio humano mas apenas Deus, que o pode revelar aos seus anjos.Outro limite natural à ação do demônio é, como vimos, sua impossibilidade de agir diretamente sobre a inteligência e a vontade humanas; ele tem de usar meios indiretos: a sensibilidade, a imaginação, as paixões, e sobretudo a persuasão.



Limites devidos à condição particular de cada demônio



Outro limite à atuação demoníaca vem da diversa condição de cada demônio. Assim como existem desigualdades entre o homens, também entre os anjos e os demônios não há dois iguais.  Por isso, nem todos os demônios têm o mesmo poder.Outro fator de limitação é a posição relativa de cada demônio na escala dos anjos decaídos, e as eventuais ordens e proibições que existam entre eles.



O demônio só pode agir em detrimento do homem com a permissão de Deus



Ensina o Cardeal Lepicier: “É preciso que nos lembremos sempre de que, por muito grande que seja o poder do demônio, tem limites que lhe foram sabiamente determinados pelo Todo-Poderoso. Ele pode, sem dúvida, fazer-nos mal, mas não além daquilo que lhe é permitido, e bem conhece que o seu poder não pode durar muito. Pode ser que o conhecimento da curta duração do seu reino contribua para que redobre a sua atividade nos tempos que vão correndo; mas todos os seus esforços obedecem aos impenetráveis desígnios da Providência que só permite que a sua influência seja exercida até certo grau, de forma que nos possamos colocar debaixo da proteção de Deus e ganhar, pelos nossos méritos, a vitória final e a coroa da imortal glória que nos espera no Céu" ( Cardeal A. LÉPICIER, O.S.M., O Mundo invisível, p.242.)



No livro de Jó, no qual é nomeado pela primeira vez nas Escrituras, Satanás aparece como agente do mal, porém absolutamente subordinado a Deus.Embora tenha inveja do justo Jó e queira pôr sua virtude à prova, por meio da infelicidade, Satanás não pode agir senão com a autorização divina.  Ele tem necessidade de uma permissão, ou até mesmo de uma delegação do Senhor.  Sua ação é estritamente limitada à vontade de Deus, que permite, primeiro atacar seu servidor exclusivamente em seus bens e não em sua pessoa; depois em sua pessoa, mantendo entretanto sua vida (Jó 1, 6-12; 2, 1-7).São Paulo nos tranqüiliza:  "Deus é fiel, o qual não permitirá que sejais tentados além do que podem as vossas forças; antes, com a tentação, vos dará as forças necessárias para sair dela e para suportá-la" (1 Cor 10,13).



Por que Deus permite que o demônio tente o homem, como também o prejudique, muitas vezes, de tantos modos? 



Como fica patente em tantas passagens da Escritura e ensinamentos do Magistério eclesiástico, essa permissão divina tem como escopo santificar o homem por meio de provações, puní-lo por alguma falta grave, servir de ocasião para que se manifeste o poder divino de um modo visível, como no caso dos exorcismos de possessos.



Poder dos anjos bons sobre os demônios



Ensina São Tomás que os anjos bons, mesmo que por natureza pertençam a uma hierarquia inferior à de algum demônio ( por exemplo em ralação a Satanás), sempre têm um domínio sobre os anjos decaídos.  Pois os anjos gozam de perfeição da amizade de Deus, da qual estão privados os demônio; e esta perfeição é superior à mera excelência natural, a única que permanecesse nos demônios ( Suma Teológica, 1,q. 109,a.4. )Por isso observa o Cardeal Lepicier:  " A sabedoria de Deus torna-se ainda mais manifesta , quando consideramos que ele colocou os espíritos malignos debaixo do domínio dos anjos bons e deu a cada homem, neste mundo, um anjo bom que o ilumina, guia os seus passos e o defende contra os seus inimigos.  Por isso, os assaltos do inimigo das almas são aniquilados pela intervenção daqueles espíritos que se conservam fiéis a Deus, e o demônio acaba por contribuir para a maior glória do Criador". (Cardeal A. LÉPICIER, op. cit., p. 241. )



III - AÇÃO ORDINÁRIA E EXTRAORDINÁRIA DO DEMÔNIO



DEUS GOVERNA O MUNDO, respeitando sua ordem e suas leis; isto é, a normalidade, a simplicidade, o usual das coisas; tudo aquilo que sai desta linha e que parece maravilhoso, prodigioso, milagroso é excepcional, muito raro. Deus nos criou livres e espera de nós um livre consentimento à fé, sem que nisto sejamos influenciados por uma manifestação habitual do preternatural e do sobrenatural. Entretanto, para provar-nos, para que mereçamos a bem-aventurança eterna, como também, muitas vezes, para castigo nosso, permite Deus que o demônio nos atormente.



A inclinação para o mal nos provém de três causas: de nossa natureza, ferida pelo pecado original; do mundo e do demônio. Entretanto Satanás desperta em nós, continuamente, a tríplice concupiscência com insistentes tentações de soberba e orgulho, de luxúria, de avidez em todos os níveis.Essa é a ação ordinária, comum, corrente do demônio — ou seja, a tentação. Além dela, pode o Maligno exercer uma ação extraordinária.A ação ou atividade demoníaca extraordinária pode ser assim qualificada por duas razões: em primeiro lugar, pelo seu caráter surpreendente, sensacional, espetacular; em segundo, pela sua relativa raridade (se comparada com a ação ordinária). Estamos nos referindo à infestação e à possessão diabólica.Trataremos em primeiro lugar da tentação; a seguir, das duas formas de infestação - a local e a pessoal; no  capítulo seguinte, da possessão.


A tentação


“Bem-aventurado o homem que sofre (com paciência) a tentação. porque depois que tiver sido provado, receberá a coroa da vida, que Deus promete aos que o amam".(Tiag 1,12)


A AÇÃO MAIS COMUM e constante do demônio, em relação ao homem, é a tentação. Por esse seu aspecto comum e também por ser a mais freqüente, pode-se chamá-la de ação ordinária do demônio.



Natureza da tentação



Em seu sentido etimológico, tentar alguém significa pô-lo à prova para que se conheçam suas disposições ou qualidades.



Tentação probatória e tentação enganadora ou sedutora



Santo Agostinho estabeleceu uma distinção, que se tomou clássica, entre a tentação probatória (tentatio probationis) e a tentação enganadora ou sedutora (tentatio decepcionis vel seducionis).A tentação probatória não visa levar ao pecado, e sim tornar patente a virtude de alguém ou fortalecê-la por meio da provação.  Nesse sentido é que se pode falar de tentação de Deus, como, por exemplo, as provações que o Criador, servindo-se do demônio, enviou a Jó para provar sua fidelidade (cf. Jó 14, 1 ss).




Pode-se falar também de tentar a Deus quando se pretende pôr Deus à prova, exigindo dele um milagre ou uma ação extraordinária, com o fim de satisfazer nossa curiosidade, nossos caprichos, ou livrar-nos das conseqüências de nossas irreflexões ou imprudências. “Tentar a Deus — escreve D. Duarte Leopoldo e Silva - é expor-se ao perigo, a grandes tentações, sem necessidade, e depois pedir um milagre para não sucumbir. Deus protege no perigo, mas nem por isso devemos expor-nos temerariamente, porque, diz o Espírito Santo, quem ama o perigo nele perecerá” . (Con. Duarte LEOPOLDO E SILVA, Concordancia dos Sanctos Evangelhos, Escola Typographica Salesiana, São Paulo, I edição, 1903.)



A tentação enganadora ou sedutora visa levar o homem à ruína espiritual; ela propõe-lhe um mal sob a aparência de um bem, procurando arrastá-lo ao desejo desse mal, isto é, ao pecado. Pode, então, ser definida como uma incitação ao pecado. Consiste em um estímulo, uma solicitação da vontade para o mal.Quando procede de nós mesmos (tentação interna), pode ser indicada mais bem como inclinação, arrebatamento, estímulo; se provém de outros inclusive do demônio podemos referir-nos a ela como convite, solicitação, incitação.



Causas naturais da tentação: o mundo e a carne



Nem todas as tentações que o homem padece provém do demônio; também o mundo e a carne têm nelas uma grande parte: "Nem todos os pecados são cometidos por instigação do demônio, mas alguns são cometidos pela livre vontade e corrupção da carne” - ensina São Tomás. ( Suma Teológica, 1,q.114,a.3.)A raiz mesma da tentação está na própria natureza humana, livre porém demasiado frágil, sobretudo depois que decaiu de sua integridade, em conseqüência do pecado original. “Cada um é tentado pela sua própria concupiscência, que o atrai e o alicia” - escreve o Apóstolo São Tiago (Tiag 1, 14), que repete a mesma idéia pouco à frente: “De onde vêm as guerras e as contendas entre vós? Não vêm elas das vossas concupiscências que combatem em vossos membros?” (Tiag 4, 1).São Paulo descreve em termos dramáticos essa terrível realidade: "Sinto imperar em mim unia lei: querendo fazer o bem, eis que o mal se apresenta a mim. Segundo o homem interior, acho satisfação na lei de Deus; mas em meus membros experimento outra lei que se opõe à lei do meu espírito e me encadeia à lei do pecado que reina em meus membros” (Rom 7, 21-24)*


*“São Paulo descreve a luta que se trava no interior do homem entre a carne e o e espírito.  O homem reconhece a justiça e a bondade da lei, mas a concupiscência excita-o fortemente a desobedecer-lhe” (Pe. MATOS SOARES).  A carne, aqui, significa a natureza humana decaída em conseqüência do pecado original, que a tornou desregrada. De si, a carne ou seja, a natureza humana é boa, pois criada por Deus.



Essa a lei da carne



Também o mundo procura arrastar-nos ao pecado, pois "está  sob o jugo do maligno” (1 Jo 5, 19), e “a amizade deste mundo é inimiga de Deus” (Tiag 4, 4). Se rompermos com o mundo ele nos perseguirá, adverte o Salvador, pois não somos do mundo ( Jo 15, 19). Por isso, Jesus disse expressamente que não rezava pelo mundo (Jo 17, 9).Um homem pode ser tentador de outro homem, segundo o espírito do mundo. Foi o que fez São Pedro, procurando desviar o Senhor do caminho da Cruz: “A partir daquele momento, começou Jesus a revelar a seus discípulos que era necessário que fosse a Jerusalém, padecesse muito da parte dos anciãos, dos sumos sacerdotes e dos escribas, e fosse condenado à morte, e ao terceiro dia ressuscitasse. Pedro, tomando-o à parte, começou a admoestá-lo, dizendo: ´Deus te livre, Senhor! Isto não te pode acontecer!´Ele, porém, voltando-se, disse a Pedro: 'Retira-te de mim, Satanás! Pois és para mim obstáculo (isto é, tentação); os teus pensamentos não são de Deus, mas dos homens!' “ (Mt 16, 21-23).Somos, pois, tentados pela nossa própria fragilidade, pelo nosso temperamento, nossa índole, formação, ambiente, familiares, amigos, situações e ocasiões; em uma palavra: pela carne e pelo mundo.


A tentação demoníaca



Porém, conforme ensina o Apóstolo, “não temos que lutar somente contra a carne e o sangue, mas sim contra os principados e as potestades, contra os dominadores deste mundo de trevas, contra os espiritos malignos espalhados pelos ares.. “(Ef 6, 10-11).É fora de dúvida que muitíssimas tentações são obra direta do demônio, cujo oficio próprio — diz São Tomás — é tentar. ( Suma Teológica, 1,q. 114,a .2. )A maior parte da atividade demoníaca se concretiza na tentação. Por isso o demônio, no Evangelho, é chamado tentador (cf. Mt 4, 3).As demais causas da tentação — o mundo e a carne — podem atuar dependentemente umas das outras; entretanto, é comum que, nas tentações, a atração do mundo se una à revolta da sensualidade, e a ambas se some a ação aliciante do demônio.De tal modo que, embora os teólogos aceitem no plano teórico a possilidade de a tentação poder ter uma causa apenas natural o mundo ou a carne sem entrar necessariamente a ação do demônio, no plano prático, em geral, admitem que o Maligno, sempre à espreita, se aproveita de todas as circunstâncias para cavalgar a tentação e aumentar a sua intensidade ou malícia.De onde a advertência de São Paulo: “Se sentirdes raiva, seja sem pecar: não se ponha o sol sobre vossa ira, para não dardes oportunidade ao demônio” (Ef 4, 26-27).



O homem diante da tentação - A tentação não é pecado



A tentação, de si mesma, obviamente não é pecado. Pois o próprio salvador permitiu ser tentado pelo demônio (Mt 4, 1-11; Mc 1, 12-13; Lc 4, 1-13).Como dissemos, o demônio não pode agir diretamente sobre a inteligência ou a vontade humanas e por isso procura influenciá-las por meios indiretos, em seu escopo de fazer-nos pecar. Mesmo podendo resistir ao tentador, o homem freqüentemente se deixa seduzir.Para nos tentar, o demônio pode excitar a imaginação de modo a formar nela imagens e representações lúbricas ou perturbadoras; interferir em movimentos corporais que favoreçam os maus atos ou maus pensamentos, intensificar as paixões, procurar enredar-nos em sofismas, em erros, etc.Entretanto, o homem não é culpado das tentações que sofre, a não ser quando elas são conseqüência de imprudências, permitidas ou procuradas voluntariamente, por exemplo, com olhares indevidos, freqüência a lugares perigosos, más companhias, etc. Do contrário, ele só será culpado nos casos em que der um consentimento pleno e deliberado ás solicitações das tentações.*



*“Três coisas devemos distinguir na tentação: a sugestão, a deleitação e o consentimento.  A sugestão não é um pecado, porque não depende da nossa vontade, A simples deleitação, quando involuntária, também não é pecado. Só o consentimento é sempre criminoso, porque depende exclusivamente de nós o aceitar ou não a sugestão do pecado" (Con. Duarte LEOPOLDO E SILVA, op. cit., p. 34, n. 5).



Por mais intensa que seja uma tentação, se o homem lutou contra ela o tempo todo, não cometeu a menor falta; pelo contrário adquiriu méritos para sua santificação, segundo escreve São Tiago Apóstolo: “Bem-aventurado o homem que sofre (com paciência) a tentação, porque, depois que tiver sido provado, receberá a coroa da vida, que Deus prometeu aos que o amam” (Tiag 1, 12).



Necessidade da vigilância e da oração



Devemos estar sempre alertas para enfrentar as provocações, como nos recomendou Nosso Senhor na hora de sua Paixão: "Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito na verdade está pronto, mas a carne é fraca” (Mt 26, 41). O mesmo aconselha São Pedro: “Séde sóbrios e vigiai, porque o demônio, vosso adversário, anda ao redor como um leão que ruge, buscando a quem devorar” (1 Ped 5,8).Vigiar, porém, não basta. É preciso resistir ao demônio: "Resisti ao demônio, e ele fugirá de vós” (Tiag 4, 7) — nos assegura São Tiago. “Resisti-lhe [ao demônio] fortes na fé” — manda São Pedro (1 Ped 5,9).E São Paulo exorta: “Revesti-vos da armadura de Deus para que possais resistir às ciladas do demônio. ... tomai a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau, e ficar de pé depois de ter vencido tudo. Estai, pois, firmes tendo cingido os vossos rins com a verdade, e vestindo a couraça da justiça ... tomai o escudo da fé com que possais apagar todos os dardos inflamados do maligno, tomai também o elmo da salvação e a espada do espírito ( que é a palavra de Deus)” (Ef 6, 11-17).Devemos, entretanto, ter sempre presente esta consoladora verdade: é certo que Deus não permite sejamos tentados além de nossas forças. Este é o ensinamento de São Paulo: “Nenhuma tentação vos sobreveio que superasse as forças humanas. Deus é fiel: não permitirá que sejais tentados acima das vossas forças: mas, com a tentação, vos dará também o meio de sair dela e a força para que suportá-la” (1 Cor 10,13).



A infestação



"Não temos que lutar somente contra a carne e o sangue, mas sim contra os principados e as potestades, contra os dominadores deste mundo de trevas, contra os espíritos malignos espalhados pelos ares... "(Ef 6, 10-11)


A TERMINOLOGIA a respeito da ação extraordinária do demônio sobre os homens, as coisas e os locais, não é uniforme: alguns autores falam em obsessão, para designar essa atuação demônio, quer se trate de sua simples presença local, quer de atuação sobre o homem, mas sem possuí-lo, quer da possessão. Outros criam termos especiais como circumissessão, para designar a ação demoníaca externa ao homem.Adotamos aqui a terminologia utilizada por Mons. Corrado Balducci, por parecer-nos mais simples e direta: infestação local, infestação pessoal e possessão diabólica. (Cf Mons. C. BALDIJCcI, Gli indemoniati, p. 3; El diablo, pp. 156-158.)Trataremos em primeiro lugar das duas formas de infestação — a local e a pessoal; no capítulo seguinte, da possessão.


Infestação local



A infestação local consiste em uma atividade perturbara que o demônio exerce diretamente sobre a natureza inanimada (reino mineral, elementos atmosféricos, etc.) e animada inferior (reino vegetal e reino animal), e também sobre lugares, procurando desse modo atingir indiretamente o homem, sempre em modo maléfico.Com efeito, todas as criaturas, mesmo as irracionais, por maldição do pecado, ficaram sob o poder do demônio (cf. Rom 8, 21ss). Assim, os lugares e as coisas, do mesmo modo que as pessoas, estão sujeitas à infestação demoníaca. E preciso não esquecer a atuação dos demônios dos ares, a respeito das quais nos adverte o Apóstolo: “Não temos que lutar somente contra a carne e o sangue, mas sim contra os principados e as potestades, contra os dominadores deste mundo de trevas, contra os espíritos malignos espalhados pelos ares...” (Ef 6, 10-11).Entram nessa categoria as casas e lugares infestados: objetos que voam ou se deslocam de lugar, sons estranhos ou perturbadores (passos, pedradas nas vidraças ou no telhado, uivos, gritos, gargalhadas); impressão de presenças invisíveis, sensação de perigos inexistentes, etc.; distúrbios visíveis, estranhos e repentinos que se verificam no mundo vegetal e no mundo animal (árvores ou plantações que secam repentinamente, doenças desconhecidas nos animais, pragas, etc.).



Certos fenômenos ou calamidades de aparência e estruturas naturais (tempestades, terremotos e outros cataclismos, incêndios, desastres, etc.) podem ter igualmente o demônio como autor, senão único direto (como na possessão), ao menos parcial e dirigente.  Por exemplo, o raio que caiu do céu e consumiu os pastores e as ovelhas de Jó, do mesmo modo que o vento do deserto que fez cair a casa dos filhos do Patriarca, esmagando-os sob as ruínas, foram suscitados por Satanás (Jó 2, 16-19). Nesse caso, podem ser incluídos essas manifestações demoníacas extraordinárias.Muitas vezes, tais manifestações ocorrem em concomitância com casos de infestação pessoal ou de possessão diabólica.




Infestação pessoal




A infestação pessoal é uma perturbação que o demônio exerce, já não mais sobre o mundo material e as criaturas irracionais, mas sobre uma pessoa, diretamente, sem contudo impedir-lhe o uso da inteligência e da livre vontade. Apesar de ser excepcional, é talvez o mais freqüente dos três tipos de atividade maléfica extraordinária - isto é, infestação local, infestação pessoal, possessão.Como a infestação local, a pessoal também comporta graus de intensidade, e diversa modalidade.A infestação pessoal pode ser externa ou física e interna ou psicológica, conforme se exerça sobre os sentidos externos ou internos e sobre as paixões do homem. Com freqüência, a infestação é simultaneamente externa e interna.



Na infestação externa ou física, demônio age sobre nossos sentidos externos: a vista, provocando aparições sedutoras ou, contrário, apavorantes; a audição, fazendo ouvir rumores, palavras ou canções obscenas, blasfêmias, convites, agrados ou ameaças; o tacto, com sensações provocantes, abraços, movimentos carnais; então dores, doenças, etc.Mas o demônio pode atuar também sobre os sentidos internos (fantasia e memória) e sobre as paixões.



A infestação interna ou psicológica consiste em sugestões violentas e tenazes: idéias fixas, imagens expressivas e absorventes, movimentos profundos de emotividade e de paixão - por exemplo, desgostos, amargura, ressentimentos, ódio, angústias, desespero; ou, ao contrário, inclinação para algum objeto ilícito, ou inclinação, de si lícita, mas desregrada quanto ao modo e à intensidade.



Comenta o Pe. Tanquerey: “A pessoa se sente, embora com desgosto, invadida por fantasias importunas, tediosas, que persistem não obstante os esforços vigorosos para afastá-las; ou então por frêmitos de ira, angústia, desespero, ímpetos instintivos de antipatia; ou pelo contrário, por perigosas ternuras sem razão alguma que as justifiquem” . (Adolphe TANQUEREY, Precis de Théotogie Ascétique ei Mystique. p. 958.)Os acessos de melancolia e os transportes de furor que afligiam Saúl, por obra de um demônio e por permissão divina ( cf. 1 Reis 16, 14-23), são característicos da infestação pessoal interna, infestação psicológica.Diferentemente do possesso, o infestado guarda a disposição de seus atos exteriores, embora em muitos casos tenha sua liberdade diminuída. Ele conserva o poder de reagir contra as sugestões do interior ( por exemplo, sugestões de blasfêmias), de julgar sobre o valor moral destas sugestões, achando-as abomináveis.



Uma das modalidades de infestação pessoal, talvez das mais freqüentes são as doenças, muitas vezes desconhecidas e incuráveis, que chegam a levar à morte, se Deus o permitir. É o que, aliás, lemos no livro de Já: “Disse, pois, o Senhor a Satanás: Eis que ele (Jó) está na tua mão; conserva, porém, a sua vida” (Jó 2, 6).As escrituras apresentam vários casos de tais enfemidades de origem de diabólica. Exemplo clássico, é a lepra que cobre de chagas o justo Jó, da planta dos pés até o alto da cabeça (Já 2, 7-8).Seriam igualmente vítimas de infestação diabólica a mulher encurvada, atormentada pelo demônio havia dezoito anos, de tal sorte que não se podia endireitar, e que foi curada por Nosso Senhor (Luc 13, 11); o menino epilético (Mt 17, 14; Mc 9, 17; Luc 9, 38); o mudo (Mt 9,32); e o cego mudo (Mt 12, 22).




Mons. Balduecci se refere a doenças de origem demoníaca, por efeito de maleficios, observando que nestes casos os distúrbios são com freqüência de ordem física, sendo dificilmente diagnosticados pelos médicos; outras vezes se trata de inconvenientes que atacam a vida psíquica, a própria personalidade do indivíduo, tomando-o difícil, raivoso e até incapaz de atuar no âmbito de sua vida familiar e social.(Cf. Mons. C.BALDUCCI, El diablo, p. 184.)Convém precisar que muitas das manifestações acima descritas, embora próprias às infestações locais ou pessoais, não são exclusivas delas e nem sempre são de origem demôniaca; várias anomalias de ordem psíquica (ilusões, alucinações, delírios) podem se externar pelos mesmos fenômenos; um cuidadoso exame do indivíduo e das circunstâncias que acompanham os fatos poderá revelar a origem natural patológica ou demoníaca dos distúrbios.


Vítimas prediletas da infestação



Se bem que qualquer pessoa possa ser vítima desse tipo de tormento diabólico, Mons. Balducci indica três categorias de pessoas que estariam mais sujeitas a ele: os santos, os exorcistas e demonólogos, e os maleficiados (vítimas de malefício).Os santos, por causa do ódio que o demônio tem daqueles que de modo especial amam a Deus e procuram a perfeição; isto, do lado da intenção do demônio; do lado da permissão divina, esta é dada como provação especial a almas muito eleitas. Vários santos a experimentaram. Entre os antigos, basta lembrar Santo Antão; do mesmo modo Santa Catarina de Siena (1347-1380); São Francisco Xavier (1506-1552); Santa Teresa de Jesus (1515-1582); Santa Maria Madalena de Pazzi (1566-1607); São João Batista Vianney, o Cura d’Ars (1786-1859) São João Bosco (1815-1888); Santa Gemma Galgani (1878-1903).*

*Os exorcistas e demonólogos: a razão é tão óbvia que quase não é preciso dá-la; os primeiros, com seu ministério, fazem diminuir a presença do demônio no mundo e libertam suas vítimas; os segundos, com seus estudos, esclarecem os fiéis com relação à existência e atividade demoníacas.Os maleficiados (vítimas de malefício), por permissão de Deus, para seu castigo, ou provação, ou para manifestar o poder divino. ( Cf. Mons. C. BALDUCCI, El diablo, p. 179.)Esta Santa leiga, grande mística, recebeu os estigmas da Paixão, tinha freqüentes visões de Nosso Senhor e de Nossa Senhora, e um comércio quase contínuo com seu Anjo da Guarda. Foi muito atormentada pelo  demônio que a espancava com uma vara durante horas e horas, às vezes a noite inteira, causando-lhe profundas esquimoses no corpo, que duravam vários dias, até que Nosso Senhor as curasse. Perseguia-a por toda a parte, em casa, na rua, na igreja, com aparições, assumindo o aspecto de um cachorro, de um gato, de um macaco, de pessoas conhecidas, ou de homens ferozes e espantosos. Várias vezes um desses homens horríveis a jogou na lama quando saia de casa para ir comungar. O demônio lhe aparecia também sob a figura de seu confessor, Mons. Volpi e outras debaixo da aparência do Anjo da Guarda, chegando a confundi-la; de certa feita o Maligno assumiu a figura de Jesus flagelado, com o coração aberto e todo ensangüentado, para pedir-lhe maiores penitências, com a dupla finalidade de fazer deteriorar sua já delicada saúde e incitá-la a desobedecer o confessor que as havia proibido ( Mons. C. BALDUCCI, El diablo PP. 179-181).



A possessão

“E pela tarde apresentaram-Lhe muitos possessos do demônio".(Mt 8, 16)



A POSSESSÃO é a mais espetacular das manifestações diabólicas e a que mais impressiona as imaginações; a tal ponto, que deixa na penumbra o trabalho constante do demônio que, por meio da tentação, procura seduzir os homens ao pecado.



Realidade da possessão diabólica



No que se refere à possessão diabólica, há duas posições erradas que é preciso evitar: a primeira, consiste em acreditar com facilidade que uma pessoa está possessa, sem maior exame, pela impressão causada por sintomas que podem bem corresponder a outros estados, não sendo de si suficientes para caracterizar a possessão; a segunda posição está em negar que hoje ocorram casos de possessão; chega mesmo a negar que alguma vez se tenham dado. Esta posição extremada se choca com uma verdade claramente ensinada pela Sagrada Escritura, pela Tradição e pela prática da Igreja.Os racionalistas pretendem que os casos de possessão diabólica relatados na Escritura não passam de casos patológicos — mania, loucura, histeria e epilepsia. Dizem que Jesus não pretendia que esses infelizes enfermos, chamados endemoniados, estivessem realmente possessos, mas tratava-os de acordo com as convicções dos seus contemporâneos, os quais acreditavam na ação demoníaca.Nada mais falso, e os Evangelistas distinguem bem entre a doença e a possessão.Assim, São Marcos escreve: “E de tarde, sendo já posto o sol, traziam-lhe (a Jesus) todos os que estavam doentes e os possessos do demônio E curou muitos que se achavam oprimidos com varias doenças. e expeliu muitos demonios” (Mc 1, 32-34).E em São Mateus está escrito: “E pela tarde apresentaram-lhe muitos possessos do demônio, e ele com a (sua) palavra expelia os espíritos maus, e curou todos os enfermos” (Mt 8, 16).Do mesmo modo São Lucas: “E quando foi sol posto, todos os que tinham enfermos de diversas moléstias, traziam-lhos. E ele impondo as mãos sobre cada um, sarava-os. E de muitos saíam demônios gritando” (Lc 4,40-41).




É evidente nestas passagens que os Evangelistas se referem à cura de doentes e à expulsão de demônios como dois casos diferentes.




De resto, o próprio Salvador afirma que expulsava os demônios dos possessos. Por exemplo, aos judeus incrédulos disse Jesus: “Se eu, porém lanço fora os demônios pela virtude do Espírito de  Deus, é chegado a vós o reino de Deus” (Mt 12, 28). “Se eu, pelo dedo de Deus lanço fora os demônios, certamente chegou a vós reino de Deus”(Lc 11,20).E Ele mesmo distingue bem os casos de doença dos de possessão, ao dizer: “Eis que eu expulso os demônios e opero curas” (Lc 13, 32).



A Liturgia e a prática da Igreja, com a instituição dos exorcismos, bem como o ensinamento dos teólogos, indicam que Ela crê na possessão diabólica. Ao mesmo tempo, estabelecendo que os exorcismos sobre possessos não sejam feitos senão depois de maduro exame e mediante especial autorização, a Igreja indica que não se deve crer levianamente nos casos de possessão.Em resumo, que se tenham dado alguns casos, pelo menos de verdadeira possessão diabólica, como os relatados nos Evangelhos, é verdade de fé; que depois se tenham dado outros, é doutrina comum dos teólogos, que não pode ser negada sem temeridade.




Natureza da possessão

A possessão consiste em um domínio que o demônio exerce diretamente sobre o corpo e indiretamente sobre a alma de uma pessoa. Esta se converte em um instrumento cego, dócil, fatalmente obediente ao poder perverso e despótico do demônio.O indivíduo em tal estado é chamado justamente possesso, endemoniado, enquanto instrumento, vitima do poder demoníaco, ou energúmeno, porque mostra uma agitação insólita.



Características

A possessão se caracteriza por dois elementos:


a) presença do demônio no corpo do homem;


b) exercício de um poder por parte demônio sobre o mesmo.



Quanto â presença demoníaca, ela não significa uma presença física, como anjo (decaído), o demônio é puro espírito; sua presença se dá pelo contacto operativo, isto é, o demônio está onde atua desse modo, o demônio pode desenvolver sua atividade por toda a parte, tanto fora como dentro dos corpos humanos. Sendo assim, um indivíduo pode  estar possuído por vários demônios (os quais operam simultaneamente sobre ele, embora sob aspectos diversos), como um só demônio pode possuir várias pessoas (atuando sucessivamente sobre cada uma delas).O modo como se opera a possessão é explicado por São Tomás de Aquino:



"Os anjos bons e os maus têm o poder, em virtude de sua natureza, de modificar nossos corpos, como qualquer outro objeto material. E como eles estão presentes num lugar na medida em que operam nele, assim eles penetram em nossos corpos. Do mesmo modo, ainda, eles impressionam as faculdades ligadas a nossos órgãos: às modificações dos órgãos respondem as modificações das faculdades. Mas a impressão não chega até à vontade, porque a vontade, nem seu exercício, nem em seu objeto, depende de um órgão corporal; ela recebe seu objeto da inteligência, na medida em que esta desentranha, do que ela percebe, a noção de bondade do ser”. (In 2dum Sent., Dist. VIII, q. un. a. 5, sol. apud L. ROURE, Possession Diabolique, col.)




Em outro lugar o Santo Doutor explica que o diabo não pode penetrar diretamente na alma do homem, pois isto somente a Santíssima Trindade pode fazer. (Suma Teológica, 3,q. 8,a.8)Isto quer dizer que, na possessão, embora o demônio domine o corpo, sobretudo o sistema nervoso, e possa impedir o uso das potências da alma, ele não pode penetrar nela e obrigar sua vítima a cometer um pecado, ou aceitar as doutrinas diabólicas.O possesso não é moralmente responsável por seus atos, por piores que sejam, uma vez que não tem plena consciência deles,  nem existe colaboração da vontade.



Efeitos da ação do demônio sobre o possesso



A presença operante do demônio no endemoniado não é contínua, mas se manifesta por períodos de crise. Não falta ao demônio poder nem  vontade de atormentar ininterruptamente sua vítima, tal o ódio ao homem; Deus é que não o permite, pois a pessoa não resistiria.A influência do demônio sobre os possessos não é simplesmente indireta ou moral, como, por exemplo, nas tentações, mesmo as mais fortes; ela é uma ação direta e física, exercida pelos espírito das trevas sobre os órgãos corporais do infeliz submetido ao seu império. De onde resulta para este último um estado doentio, estranho, que sai das leis ordinárias das afecções mórbidas, embora freqüentemente acompanhado de fenômenos de ordem puramente natural, que o demônio determina nele, simultaneamente com aqueles que ultrapassam a esfera própria aos agentes físicos. Esses fenômenos são habitualmente uma superexcitação geral e profunda de todo o sistema nervoso.Outras vezes, ao contrário, o demônio comunica à sua vítima um crescimento extraordinário da força muscular. O infeliz entra em fúria a ponto de espumar de raiva, ranger os dentes, soltar gritos espantosos, precipitar-se na água ou no fogo. Ele se torna então perigoso para aqueles que se aproximam dele; destrói, como simples pedaço de palha, as cadeias de feno com as quais o querem prender; e, se ele não puder atingir os outros, volta conta si mesmo o seu furor, arranhando-se com as unhas, machucando-se com as pedras do caminho.Essa ação perturbadora e nociva do demônio sobre os órgãos corporais expande-se sobre as faculdades mistas, como a imaginação, a memória, a sensibilidade. Estende-se mesmo mais longe e mais alto no ser humano, porque ela tem sua repercussão até na inteligência.  As operações intelectuais apresentam, às vezes, um tal caráter de incoerência, que os demoníacos parecem atingidos  de alienação mental. Não é raro também ver-se produzir, no domínio do espírito, um fenômeno análogo àquele que se passa no seus órgãos. Assim como o demônio, em lugar de paralisar as energias corporais do demoníaco, aumenta seu poder, do mesmo modo, em vez de diminuir suas luzes naturais, ele comunica à sua inteligência conhecimentos que ultrapassam de muito seu poder.


PARTE 3


Magia negra ou feitiçaria: aspectos históricos



"Não vos dirijais aos magos, nem interrogueis os advinhos,para que vos não contamineis por meio deles".(Lev 19,31)



 Antiguidade da magia negra ou feitiçaria


“A magia negra ou diabólica, ou simplesmente feitiçaria, consiste em um poder oculto, que permite ao mago obter efeitos superiores à eficiência dos meios realmente empregados” — define o  Pe. Leonardo Azzolini S.J. (Pe. Leonardo AZZOLINI S.J., La Magia Secondo la Teologia Morale, col. 1832)



A feitiçaria é encontrada em todas as culturas e em todas as épocas; apresenta-se sob aspectos diversos, mas sempre com característica em comum que é o recurso a fórmulas e rituais mágicos, cabalísticos, para curar doenças, prever coisas futuras, assegurar o sucesso de empreitadas, etc. Mais particularmente, a capacidade de de fazer o mal, de prejudicar outros.A magia estava tão difundida na Antigüidade, que consistia um perigo para o Povo Eleito, o qual era tentado a imitar vos vizinhos.



A Bíblia ressalta essa prática no Egito. O livro do Êxodo (7, 11 ss), narra como, tendo Moisés e Arão feito prodígios diante do Faraó (transformação de uma vara em serpente e as águas do rio em sangue) os magos do Faraó, pela ação do demônio fizeram o mesmo. O livro de Isaías (47, l2ss) e o de Daniel (1, 20; 2, 2ss) mostram a importância da magia entre os babilônios. Também os gregos romanos nada faziam de importante sem antes consultar as pitonisas e os oráculos.Por isso Deus estabeleceu a mais severa das punições para quem recorresse a mágicos e advinhos, ou invocasse os espíritos: a pena de morte (Ex 22, 18; Lev 20,27; 19,26-31; 20,6; Deut 18, 9-14).



Mesmo aio depois da Redenção tais práticas, infelizmente, não cessaram (cf. At 13, 6-10; 16, 16-18). Aliás o próprio Divino Mestre havia predito que se levantariam falsos profetas, os quais fariam prodígios e milagres que enganariam até os bons (Mt 24, 24). Nos primeiros tempos do Cristianismo os Padres da Igreja combateram muito a feitiçaria; e na Idade Média, os grandes Doutores - como João de Salisbury (1120-1180), São Tomás de Aquino (1225-1274) e São Boaventura (1221-1274), entre outros, continuaram o mesmo combate, estudando a fundo a feitiçaria.



A época, entretanto, em que o problema se tornou mais vivo, foi o começo dos Tempos Modernos, em virtude da enorme decadência religiosa que se seguiu ao declinar da Idade Média, com a explosão de orgulho e sensualidade do Renascimento e, finalmente, a crise de revolta contra a Igreja, que deu no Protestantismo.De fato, sobretudo nos séculos XV ao XVII, inúmeros Papas e Concílios provinciais promulgaram documentos alertando contra a prática da feitiçaria.É nessa época que surge um dos documentos mais autorizados sobre a ação de bruxos e feiticeiras, a bula Summis desiderantes, do Papa Inocêncio VIII (1484-1492).



Documentos pontifícios contra a feitiçaria


1)- A bula de Inocêncio VIII



A bula Summis desiderantes, de 6 de dezembro de 1484, descreve a perversa ação dos feiticeiros em certas regiões da Alemanha.O Papa começa manifestando o seu sumo desejo de que “toda depravação herética seja varrida de todas as fronteiras e de todos os recantos dos fiéis”.A feitiçaria é aí tratada como depravação herética. E a razão é porque, em geral, as pessoas que se entregam à feitiçaria acabam por ter urna concepção herética a respeito do demônio, atribuindo-lhe qualidades divinas, ou substituindo-o ao próprio Deus.A bula passa então à descrição das muitas práticas de feitiçaria, tal como constava ocorrer na Alemanha:


“Chegou-nos recentemente aos ouvidos, não sem que nos afligíssemos na mais profunda amargura, que em certas regras da Alemanha ... muitas pessoas de ambos os sexos, negligenciando a própria salvação e desgarrando-se da Fé Católica, entregaram-se a demônios incubos e súcubos (Íncubo é a forma masculina e súcubo a forma feminina tomada pelo espírito das trevas para manter relações com feiticeiros de um e outro sexo.) e pelos seus encantamentos, pelos seus malefícios e pelas suas conjurações, e por outros encantos e feitiços amaldiçoados e por outras também amaldiçoadas monstruosidades e ofensas horríveis, têm assassinado crianças ainda no  útero materno, além de novilhos, e têm arruinado os produtos da terra, as uvas da vinha, os frutos das árvores, e mais ainda: têm destruído homens, mulheres, bestas de carga, rebanhos, animais de outras espécies, parreirais, pomares, prados, pastos, trigo e muitos outros cereais; estas pessoas miseráveis ainda afligem e atormentam homens e mulheres, animais de carga, rebanhos inteiros e muitos outros animais com dores terríveis e lastimáveis e com doenças atrozes, quer internas, quer externas; e impedem os homens de realizarem o ato sexual e as mulheres de conceberem, de tal forma que os maridos não vêm a conhecer as esposas e as esposas não vêm a conhecer os maridos; porém, acima de tudo isso, renunciam de forma  blasfema à Fé que lhes pertence pelo Sacramento do Batismo, e por instigação do Inimigo da Humanidade, não se escusam de cometer e de perpetrar as mais sórdidas abominações e os excessos mais asquerosos para o mortal perigo de suas próprias almas, pelo que ultrajam a Majestade Divina e são causa de escândalo e de perigo para muitos”. (In H. KRAMER-J. 5PRENGER, O Martelo das feiticeiras, pp. 43-46.)



Em seguida, o Papa se refere aos dois inquisidores que nomeou para essa região, professores de teologia e membros da Ordem dos Dominicanos, os Padres Henrique Kramer (também conhecido pelo seu sobrenome latinizado, Institoris) e Jacó Sprenger, aos quais pede todo o apoio para que “as abominações e atrocidades  em questão não permaneçam sem punição”. Sendo necessário, recomenda a busca do auxílio do braço secular, isto é, das autoridades civis.Têm-se comentado que esta bula não tem valor doutrinário, mas apenas de constatação de fatos. Mas é significativo que tanto ela como as demais bulas de outros Papas tomam com toda a naturalidade a existência de feiticeiras e os resultados de suas artes mágicas.


2)- Outros documentos



Em 1500, o Papa Alexandre VI escreveu ao Prior de Klosterneubourg e ao inquisitor Kramer para se informar dos progressos da feitiçaria na Boémia e Morávia.


Alguns anos mais tarde, o Papa Júlio II ordenava ao inquisitor de Cremona que tomasse medidas contra aqueles que abusavam da Eucaristia num sentido maléfico ou que adoravam o diabo.


O Papa Leão X, pela Bula Honestis petentium votis, de 1521, elevava um protesto contra a atitude do Senado veneziano, que se opunha à ação dos inquisitores de Brescia e de Bérgamo contra os feiticeiros. O Papa fazia ameaças de excomunhão e de interdito.


Pouco depois, Adriano VI adotava atitude semelhante com a Bula Dudum uti nobis, dirigida ao inquisitor de Cremona. Seu sucessor Clemente VII escreveu no mesmo sentido ao governador de Bolonha.


É verdade que Urbano VIII (1623-1644), chamou a atenção dos juízes para que não se deixassem levar por uma repressão inconsiderada em relação à feitiçaria. (Cf. Émile BROUTTE, La Civilisation Chrétienne du XVI siècle devant le problème satanique, pp. 365-366.)


O número de documentos de Concílios provinciais, sobretudo da Alemanha, nos séculos XVI e XVII é excessivo para ser citado aqui. Em todos eles as autoridades eclesiásticas insistem na repressão das práticas de feitiçaria e no julgamento dos culpados.


As leis civis


As leis civis da época proibiam igualmente tais práticas e os magistrados leigos instruíam os processos de feitiçaria:


“Os juristas opuseram a rigidez do Direito ao fanatismo da superstição, a serenidade da legislação ao ódio dos camponeses cheios de prevenção. Os processos se fazem cuidadosamente, com um desejo profundo de conhecer a verdade. Sua duração não é, com freqüência, senão um sinal a mais do desejo de evitar todo erro judiciário. O feiticeiro tido como culpado é condenado ao fogo. E a única pena que conhece a lei. Mas essa sentença tem numerosas suavizações". (Émile BROUTTE ,po. cit., p. 379.)


Que possa ter havido excessos e erros judiciários, não há dúvida. Mas estamos muito longe do quadro arbitrário pintado pelos historiadores românticos e anticlericais do século passado, de um fanatismo cego, fruto de uma ignorância estúpida. É preciso lembrar que os magistrados dos séculos XVI e XVII eram conhecidos pelo seu espírito de erudição verdadeira universal, abarcando quase todos os campos do saber, e sua independência de julgamento.
As campanhas desencadeadas contra a bruxaria no começo dos tempos modernos, em uma época de grande tensão religiosa, que culminou com a explosão protestante, não foram privilégio das regiões católicas, mas, se deram — e até com mais intensidade -  nos países que passaram para a heresia.Porém, mais do que o problema histórico, sempre difícil de precisar, o que importa aqui é a questão de doutrina: a possibilidade, segundo a teologia católica, da existência de feiticeiras e bruxos.



Consenso dos teólogos e moralistas católicos



A referida bula de Inocêncio VIII deu ocasião a que dois teólogos, nomeados inquisidores pelo Papa — os já citados Padres Henrique Kramer e Jacó Sprenger — escrevessem um livro para analisar, do ponto de vista teológico, a prática da feitiçaria: Malleus Malleficarum — O Martelo das Feiticeiras, continuamente traduzido e publicado nas várias línguas do Ocidente. (Heinrich KRAMER e James SPRENGER, O Martelo das Feiticeiras Malleus Maleficarum, tradução de Paulo Fróes, Editora Rosa dos Tempos, Rio de Janeiro, 2° edição,1991. Cf. J. Paquier, Inocent VIII, DTC, VII, 2ême partie, cols. 2002-2005.)



Numa argumentação escolástica, eles recorrem aos grandes Doutores da Igreja — em especial a Santo Agostinho e São Tomás de Aquino — para mostrar como Deus pode permitir ao demônio que atenda às solicitações de homens e mulheres pérfidos que recorram à sua ajuda; que os fatos extraordinários, atribuídos em geral aos bruxos e feiticeiras, não estão acima da capacidade angélica do demônio sobre a matéria.


A existência de bruxos e feiticeiras tem sido aceita pacificamente por todos moralistas católicos. Ademais de todas as provas que se podem tirar das Sagradas Escrituras e do Magistério da Igreja, a prática da bruxaria é confirmada “pela opinião de todos os teólogos, cuja unanimidade traz uma certeza absoluta em matéria de doutrina. Ora, não existe um manual de teologia moral que não fale da magia e da feitiçaria como tendo sempre existido e existindo ainda”. ("L´Ami du clergé”, Le demonisme, n°44 (1902) p. 978.)



Magia - Espiritismo - Macumba



"Não se ache entre vós, quem seja encantador, nem  quem consulte os pitões ou advinhos,ou indague dos mortos a verdade.   Porque o Senhor abomina  todas estas coisas, e, por tais maldades exterminará estes povos".  (Deut 9,10-12)



Magia


A Magia geralmente é definida como a arte de operar prodígios por meios ocultos. Aqui não nos referimos às artes dos prestigiadores, impropriamente chamada de magia, nem a outros tipos de magia natural, que não são outra coisa que a arte de operar prodígios e coisas insólitas por meios naturais; ocupamo-nos só da magia propriamente dita, magia supersticiosa, ou simplesmente feitiçaria que se define como a arte de operar prodígios por obra do demônio.Desde que se trate de magia propriamente dita, isto é, de prodígios alcançados com o auxílio do demônio, não vem muito ao caso que se trate da chamada magia branca (que obteria vantagens, sem prejudicar terceiros), ou a chamada magia negra, que operaria o mal contra terceiros. Pois, todo o recurso ao Maligno é condenável em si mesmo, não importando os efeitos que se quer alcançar.Como nas outras formas de superstição, também a magia pode dar-se por invocação explícita ou implícita do demônio.



A magia à qual se recorre para prejudicar outros chama-se malefício (encantamento, feitiço), que podemos definir como a arte de prejudicar outros por obra do demônio. Os Autores costumam distinguir dois tipos de malefícios: amatório (filtros de amor) - se a ação do demônio excita em alguém veementíssimo sentimento de amor ou de  ódio em relação a determinada pessoa; e venéfico (envenamento) — se provocar dano em pessoas ou em seus bens.



Não se pode negar que o demônio, seja por si mesmo, seja por meio dos homens maus — desde que Deus assim o permita — pode prejudicar, por vários modos, o corpo ou os bens de certas pessoas visadas. Deus, em seus insondáveis desígnios, é certo que assim algumas vezes o permite, como testemunha o exemplo de Jó (cf. Jó 1, 12, Ex 22, 18). Embora não se deva crer facilmente na existência de maleficio, seria entretanto imprudente negá-lo sempre. Convém ressaltar entretanto que o malefício amatório  não elimina a liberdade, e a ação demoníaca pode ser resistida com a ajuda da graça divina; mas quando se cede a ele, o pecado cometido será mais grave ou menos em razão da deliberação e do grau de liberdade. O malefício contém dupla malícia, uma contra a religião, outra contra a caridade e a justiça, uma vez que prejudica o próximo.



Constitui um pecado gravíssimo, contra a virtude da religião, que nos prescreve prestar culto somente a Deus, e só a Ele recorrer e nunca ao poder das trevas — ‘Adorarás ao Senhor teu Deus, e só a êle servirás‘ (Lc 4, 8).O malefício (também conhecido em nosso país por despacho, trabalho, feitiço, etc.) é uma das causas muito comuns da ação extraordinária do demônio sobre pessoas (infestação e possessão).



Espiritismo



Uma das formas de superstição mais difundida em nossos dias, e que coloca as pessoas em risco de se pôr em contacto com o demônio são as práticas espíritas.


Superstição herética, contrária à fé


Trata-se de superstição, porque as almas dos que morreram estão sob a especial tutela de Deus, não podendo entrar em comunicação com os vivos a não ser por uma permissão especial concedida por Ele.*


*Os teólogos discutem se Deus permite que a alma de um defunto entre em contato direto com um vivo, ou se, nos casos de aparições, se trata de um anjo (ou, conforme o caso, um demônio) que representa aquela alma.


Ora, os espíritas querem utilizar meios puramente naturais - como a ação de outros homens, os médiuns - para obter que essas almas apareçam ou se manifestem. Há então aqui uma desproporção entre os meios empregados, meios naturais, e uma ação sobrenatural, como é a aparição ou manifestação das almas dos defuntos.(Esse efeito é sobrenatural porque está acima da natureza humana fazer com que as almas dos defuntos se manifestem ou não aos vivos, o que depende exclusivamente de Deus.)



Ensinam os moralistas que a única relação que deve haver entre as almas dos defuntos e nós é uma relação espiritual, baseada na recordação e na oração.(Cf. Mons. Antonio LANZA - Mons. Pietro PALAZZINI, Princípios de Teologia Moral, p. 129.)  Deus não pode consentir em nossos caprichos, curiosidades mórbidas e fantasias; não pode, portanto, permitir que as almas, que só a Ele estão submetidas, se manifestarem quando evocadas para satisfazer a nossos desejos de temerária presunção de penetrar nos mistérios do Além. Por isso, dizem os mesmos moralistas, se é verdade que às vezes essas evocações às almas do outro mundo recebe resposta, tais respostas não podem senão do Maligno. (O Cardeal Lepicier explica como o demônio pode formar um boneco, com elementos da natureza ou mesmo de outros homens, e fazê-los aparecer sob a figura da pessoa falecida, cujo espírito é evocado para que se manifeste na sessão espírita.



“Assim escreve ele , considerando que um anjo tem inteiro conhecimento das feições e de outras qualidades de cada individuo, vivo ou morto, facilmente se pode conceber que ele seja capaz, pelo seu próprio poder, de reproduzir a forma, feições, altura,cor e vestuário de certo individuo que nós possamos conhecer, a ponto de que aqueles que mais intimo trato tiveram com esse indivíduo sejam iludidos, julgando tratar-se da própria pessoa” (Cardeal A. LEPICIER, O Mundo Invisível, pp. 76-77).)



A Igreja repetiu com insistência ser pecado de heresia o querer aplicar meios puramente naturais com o fim de obter efeitos não-naturais, preternaturais. Portanto, o Espiritismo, em sua pretensão de querer chamar ou evocar espíritos do Além, é herético além de impossível. Essa superstição é condenada não apenas como ilícita ou contrária à moral cristã, mas também como herética e contrária à fé.



Atuação do demônio no Espiritismo



"Os vivos, do lado de cá”, comenta Dom Boaventura Klopenburg "não dispõem de meios eficientes que possam causar a manifestações de espíritos do lado de lá, isto é, do mundo para além da natureza humana ou para além da morte. Do lado de lá, porém,  existem espíritos malignos que teriam muito interesse em perturbar , transtornar e perverter os do lado de cá. Não o podem fazer à vontade, porque sua liberdade é limitada pela permissão divina, e Deus não o permite facilmente”.Espiritismo faculta ao demônio o ambiente mais propício para que o espírito satânico possa se manifestar: “Todas as disposições objetivas e subjetivas aí estão. Nada, absolutamente nada falta para que o demônio se sinta á vontade e em casa própria. Dir-se-ia que o centro espírita e principalmente o terreiro de Umbanda é o domicílio de Satanás, como o templo cristão é a casa do Senhor”, conclui o mesmo prelado. (Frei Boaventura KLOPPENBUJRG O.F.M., Atuação do Demônio no Espiritismo, pp. 113-122.)



Não há, pois, dúvida de que as práticas supersticiosas espíritas o homem sob a influência de Satanás e podem conduzir até possessão. “O demônio — observa o Cardeal Alexis Lepiquando um homem colabora com ele em práticas supersticioimente exerce sobre esse indivíduo a mais ornei e implacável E chama a atenção pan as práticas espíritas: “Não pode balda de que atuar como médium é o mesmo que expor-se aos da obsessão diabólica ... Recorrer a um médium é, pois, equia cooperar na obsessão de uma pessoa” (Cardeal A. LEPICIER, O Mundo invisível, pp. 287, 222-223.)



Por isso o próprio Deus, no Antigo Testamento, condenou a indos mortos: “Não se ache entre vós ... quem consulte pitonisas adivinhos, ou indague dos mortos a verdade. Porque o Senhor abomina todas estas coisas e por tais maldades exterminará estes povos à tua entrada” (Deut 18 , 10-12).Tudo isto mostra o perigo extremo em que se colocam aqueles que recorrem a práticas espíritas.



Macumba, Candomblé, Umbanda...



Juntamente com o espiritismo, a macumba, o candomblé, a umbanda, estão amplamente difundidas no Brasil; nelas é freqüente o recurso ao demônio, sob nomes africanos de supostas entidades espirituais.A macumba, o candomblé e a umbanda são diferentes formas de sincretismo de ritos e crenças pagãs africanas com elementos externos do Cristianismo (imagens, invocações), do espiritismo reencarnacionista e de cultos indígenas brasileiros. Essas formas superticiosas de religião baseiam-se em princípios dualistas: elas admitem a existência de entidades boas e entidades más igualmente poderosas; acreditam que estas últimas, embora inimigas do homem, devem entretanto ser cultuadas, para evitar que se vinguem, fazendo o mal. Daí deriva o mais completo amoralismo, pela negação da distinção entre o bem e o mal, fundamento de toda a moralidade.*


*A antropólogo Vagner Gonçalves da Silva, que apresentou uma tese na Universidade de São Paulo sobre o Candomblé discorrendo sobre as religiões afro-brasileiras, afirma: “Nessas religiões não existe o conceito de bem e de mal e por isso são mal-compreendidas” (“Folha de S. Paulo”, 29-7-92).



Infelizmente, o número de pessoas — mesmo católicas — que recorrem a trabalhos, despachos (ou seja sacrifícios oferecidos ao demônio sob a invocação de divindades pagãs) para solucionar seus problemas, satisfazer suas paixões ou ambições, e mesmo prejudicar outros, é cada vez maior. E isso em todas as classes sociais; por exemplo, nos últimos anos, por ocasião das eleições para preenchimento de cargos políticos em todos os níveis, grande número de candidatos recorreu publicamente a pais-de-santo, médiuns videntes, etc., conforme noticiou a imprensa.



Exú, entidade à qual se oferecem os sacrifícios nesses cultos, não é outro senão o próprio demônio conforme demonstra Dom Boaventura Kloppenburg, citando livros umbandistas: “Toda e qualquer reunião de Umbanda inicia com um presente oferecido ao Exu ‘agente mágico universal, por cujo intermédio o mundo dos vivos se comunica com o mundo espiritual, em seus diversos planos’ (Doutrina e Ritual de Umbanda, Rio, 1951, p. 117).... E não se diga que o culto de Exu é exclusivo da Quimbanda, da Macumba, do Candomblé ou do Batuque.” E faz descrição do livro O Espiritismo e a Lei de Umbanda, de A. Fontenelle, sacerdote de umbanda, o qual afirma: “Na Umbanda os Exus são constantemente invocados e trabalho algum é começado sem que sejam salvadas (isto é reverencidas) essa entidades” (p. 12).



Prossegue o bispo de Nova Hamburgo: “O Sr. Aluísio Fontenelle ... e outros doutrinadores de Umbanda, identifica sem mais os exus com o que nós católicos denominamos demônios (p. 93, 103-116) onde descreve a história da revolta dos anjos, chefiadas por Lúcifer: estes anjos revoltados são os exus”).**Frei Boaventura KLOPPENBURG, A Demonolatria nos Terreiros de Umbanda, pp. 139-I40.



Até mesmo um dicionário corrente da língua portuguesa, o chamado Dicionário Aurélio, assim define: “Exú (Do ioruba) S.m. 1. Bras. Orixá que representa as potências contrárias ao homem, e assimilado pelos afro-baianos ao Demônio dos católicos, porém cultuados por eles, porque o temem; 2. Bras. NE. v. Diabo.”As pessoas que se envolvem com as práticas de macumba, candomblé e umbanda podem estar certas de que é ao próprio demônio a quem estão recorrendo, sob nomes exóticos. E não poderia ser de outro modo, visto que os únicos seres inteligentes que existem no Universo são — além do próprio Deus, obviamente — os anjos, os demônios (que são anjos decaídos) e o homem. Se o homem recorre a outros seres inteligentes superiores a ele e que não são nem Deus nem os anjos, só pode estar recorrendo aos demônios.



Outras práticas supersticiosas



Outras práticas supersticiosas também muito correntes em nossa pátria são: a adivinhação, a astrologia, a quiromancia, o uso de amuletos e as simpatias.



Adivinhação, Astrologia, Quiromancia



Pela adivinhação procuram-se conhecer as coisas ocultas, que por meios naturais não se poderiam saber, tanto atuais quanto passadas ou futuras. O característico da adivinhação é o querer chegar ao conhecimento de algo, não por um esforço racional, mas pelo emprego de um artifício, de um meio extraordinário não bem explicado. Em última análise, pela ajuda de forças extrínsecas e superiores ao homem. Essas forças, como é lógico, só poderiam provir de Deus e dos anjos; ou, por permissão divina, dos demônios.  Como isto equivale a querer obrigar a Deus a satisfazer a curiosidade ou o capricho do homem, é certo que Ele não atende a tais pedidos, nem diretamente, nem por meio dos anjos. Logo, essas forças sobre-humanas só podem provir do demônio.: “A essência da adivinhação consiste no comércio com os demônios” — ensinam os teólogos jesuítas Noldin e Schmitt. (H. NOLDIN S.J. - A. SCHMITT S.J. - G. HEINZEL S.J., Summa Theologiae Moralis, II, pp. 138-155 (Quest. terceira: Pecados contra a religião ). Neste capitulo seguimos de perto estes respeitados teólogos-moralistas cuja obra goza de merecido prestigio entre os especialistas.)
A adivinhação pode ser realizada com a invocação expressa dos demônios (pacto explícito) ou pela invocação implícita ou tática (pacto implícito).A expressa invocação ocorre quando se invoca diretamente o demônio ou se faz com ele um pacto formal mediante o qual, postos certos sinais, se produzirão certos efeitos; para que se estabeleça este pacto divinatório, não é necessário que o demônio de fato responda, mas basta que seus efeitos se sigam. Ou seja, que se chegue ao conhecimento daquilo que se pretende adivinhar.



Entende-se que ocorreu invocação implícita ao demônio quando alguém, para conhecer algo, usa de meios ineptos para essa finalidade, os quais — como ficou acima explicado — nem pela natureza, nem por instituição divina ou eclesiástica têm a força d produzir os efeitos desejados.( ‘As Gnoses modernas que seguem teósofos e antropósofos e as técnicas de meditação e concentração induístas (Ioga, budismo) que buscam conhecer coisas superiores à natureza humana não estão isentas de influxo demoníaco, especialmente quando diretamente buscadas" ( NOLDIN-SCHMITT-HEINZEL, loc,. cit).)



Bem entendido, os demônios não têm poder de conhecer o futuro propriamente dito — o chamado futuro contingente ou futuro livre, isto é, os fatos cuja ocorrência depende da vontade de Deus e do livre arbítrio dos homens. Estes, nem os anjos do céu o conhecem (cf. Mc 13, 32). Mas, sendo seres superiormente  inteligentes podem deduzir qual será o desfecho de acontecimentos causas, uma vez postas, chegarão a seu termo de determinado modo: é o chamado futuro necessário. Ele prevê este futuro do modo que um cientista que conhece as leis da sua ciência - as quais são como que mistérios para o comum dos homens, e mesmo para homens instruídos, porém não especialistas naquelas matérias — e sabe o que ocorrerá de acordo com essas leis. Assim, lançada urna semente à terra, ela cumprirá seu ciclo germinativo em determinadas condições e, se não houver fatores adversos, produzirá necessariamente a planta correspondente, no tempo certo; o mesmo quanto ao desenvolvimento de certas doenças, etc.



Sempre, naturalmente, Deus pode intervir para frustrar os cálculos do demônio, mas normalmente Ele permite que as causas naturais produzam seus resultados. Daí o acerto das previsões do demônio.Sem falar que o Pai da mentira pode anunciar um fato extraordinário que ele mesmo vai produzir e que por isso prevê com tanta segurança...Porém, aquilo que depende da vontade de Deus ou da liberdade dos homens escapa inteiramente de suas capacidades de previsão.



Toda forma de adivinhação constitui uma superstição e uma invocação ao menos implícita ao demônio; por isso sua utilização é mesma ilícita; em outro termos, constitui — segundo a Moral católica — um pecado, de si grave.”**"Aqueles que consultam adivinhos ou ciganos, pecam gravemente se o fazem com firme fè ou com escândalo de outros, venialmente se apenas por curiosidade.” (NOLDIN-SCHMITTl-HEINZEL, loc. cit.).



A astrologia, através do horóscopo, pretende deduzir da conjunção dos astros, no momento do nascimento de determinada pessoa, seu destino e seu comportamento. Não há proporção entre as causas invocadas (a conjunção dos astros), e os efeitos que se quer obter, ou seja a predição de fatos relativos a uma pessoa que dependem da vontade livre e da providência divina.O mesmo deve-se pensar da quiromancia — adivinhação pelo exame das linhas da palma das mãos — como de qualquer outro tipo de práticas divinatórias: cartomancia, tarô, búzios, etc.



Amuletos, mascotes, simpatias



Amuletos são pequenos objetos que alguém traz consigo ou guarda, por acreditar em seu poder mágico de dar sorte ou proteger contra perigos: figas, trevos, pés de coelho, ferraduras, etc.; mascotes são animais aos quais se atribui o mesmo poder: cachorrinhos, gatinhos, etc.; simpatias são certas práticas supersticiosas,* ou objetos usados supersticiosamente, para proteger o homem de doenças ou para curá-las.


*São Francisco de Sales, bispo de Genebra, diz em suas Constituições e Instruções sinodais, que “há superstição todas as vezes que se põe toda a eficácia nas palavras, por santas que sejam, ou em qualquer circunstância vã e inútil, como crer que, para curar um doente, seja preciso dizer três Padre Nossos antes de o sol se levantar (cf. L. ROU RE, Superstition, cols. 1563-1569).


Como nos casos anteriores, não se pode esperar séria e racionalmente que esses objetos, esses animais ou essas práticas possam impedir males, curar doenças ou dar sorte na vida. Se se der um crédito real a essa pretensa ação protetora dos amuletos e mascotes e à eficácia das simpatias (não por mera brincadeira, por sinal perigosa, pois o demônio pode infiltrar-se nela) teremos mais um caso de invocação implícita ao demônio.


“Corpo fechado”
Outra prática supersticiosa consiste no recurso a feiticeiros (ou pais-de-santo) para obter aquilo que se chama corpo fechado, isto é, a invulnerabilidade a agressões com armas brancas ou armas de fogo.Essas pessoas, mesmo que não tenham inteira consciência disso, estão recorrendo ao demônio, de forma pelo menos implícita, conforme já ficou explicado. E o demônio pode atendê-las (se Deus o permitir para castigo dessas mesmas pessoas), desviando os golpes e tiros ou impedindo seu efeito.À maneira de ilustração, transcrevemos a consulta feita por um missionário francês no Oriente, no começo deste século, a "L´- Ami du Clergé” — conceituada revista eclesiástica — e a respectiva:


"O que os Srs. pensam do seguinte fato, do qual fui testemunhar ocular?"


"Um pagão desferia golpes de sabre sobre um de seus correligionários. O sangue deveria brotar em abundância; ora, o pagão assim golpeado tinha apenas algumas manchas negras sobre o corpo, a lâmina do sabre não conseguia penetrar na carne."


"Os pagãos presentes atribuíram isto aos numerosos amuletos levados por aquele que recebeu os golpes."


"O demônio teria, em certos casos, recebido permissão de proteger seus adeptos neste mundo, com a condição de torturá-los no outro?"


A revista, depois de dizer que é difícil se pronunciar sobre o caso concreto, assim à distância, dá entretanto a solução em doutrina:
"O fato em questão, por mais extraordinário que seja, não nos espanta, e nós seríamos levados a crer que ele vem do demônio, porque não ultrapassa de modo algum seu poder. A História nos mostra que o demônio conservou, sem dúvida com a permissão de Deus, nas nações ainda pagãs, o poder que ele tinha outrora no mundo idólatra; em conseqüência, ele teria, em certos casos, poder e permissão de proteger seus adeptos, que lhes são fiéis, e também de punir aqueles que se deram a ele, quando eles desobedecem a seu senhor. Como o homem é composto de um corpo e de uma alma, Deus se serve de Sacramentos e de sinais exteriores para lhe dar sua graça e o proteger: do mesmo modo o demônio, que por orgulho e por ódio e vingança quer imitar ou ao menos macaquear os sinais exteriores, usa de amuletos, etc. para chegar aos seus fins” . ( “L’Ami du Clergê”,n° 35 (1902), p. 763.)



O uso de cruzes e medalhas



Caso muito diferente é o uso de cruzes, medalhas, escapulários e outros objetos bentos, assim como a prática de exercícios piedosos, como novenas, etc.Aqui não se está atribuindo a esses objetos e práticas uma eficácia que eles de si não têm, nem se pretende atrair o divino por meio de procedimento meramente natural. Trata-se de confiança nas orações da Igreja, que benzeu esses objetos e aprovou essas práticas, como também na proteção de Nossa Senhora ou do Santo cuja medalha se usa e cuja novena se faz, em sinal de devoção. Não se atribui ao uso desses objetos nem a essas práticas um valor infalível e imediato, mas apenas se deposita neles uma confiança razoável, que a fé em Deus e na Igreja permite, relacionando tudo com a salvação eterna, que é o que mais importa.



“Será que o malefício pega?”



Os meios preventivos contra o malefício são os mesmos antes indicados em relação à tentação, à infestação e à possessão: vida sacramental, vida de piedade, uso de objetos bentos, etc.Uma vez produzidos os efeitos do malefício, é preciso aumentar as orações, sacrifícios e pode ser que seja necessário, em certos casos, recorrer aos exorcismos.


Frei Severino Gisder O.F.M. indica o estado de espírito que devemos ter diante das maldições e dos malefícios:


“Não se tenha medo da maldição injustificada ou gratuita.  Ela não atinge sua meta! Pelo contrário, não raras vezes tal maldição recai sobre quem a proferiu. Leia o Salmo 9, 16: “Pereceram no fosso que eles mesmos abriram, e na armadilha que armaram prenderam os próprios pés. “ Ou veja o Salmo 7, 15-17: “Eis que o (ímpio) concebeu iniqüidade e está cheio de malícia e dá a luz à fraude. Abriu e cavou urna cova, e caiu na própria cova que fez. Sobre sua própria cabeça recairá a sua maldade, e sobre a sua fronte voltará a sua violência...” Os assim chamados despachos da macumba incluem, via de regra, uma maldição em termos de querer fazer mal a alguém. Tais despachos ou feitiços de bruxaria, será que podem fazer mal ou prejudicar? Deles vale o que dissemos da maldição gratuita: Procura viver na graça santificante, isto é, na intimidade de Deus e nada sofrerás. Quem não deve, não teme”. (Fr. S.GISDER O.F.M., Bênção e Maldição, pp. 10-11.)



Se a regra geral é esta apontada pelo piedoso franciscano — que a maldição ou o malefício não atingem a pessoa em estado de graça — no entanto, muitas vezes Deus permite que a pessoa virtuosa seja atingida por tais práticas maléficas para sua provação. Aí é o caso de recorrermos às bênçãos e aos exorcismos: “A maldição pode ser neutralizada ou desfeita pela bênção!” — explica Frei Severino.


Sabás e Missas negras


“Que o seu sangue caia sobre nós e sobre nossos filhos".(Mt 27,25)



Sabás: descrições



Pelo nome de sabás se designavam as reuniões de magos, bruxos, feiticeiras — bem como daqueles que queriam consagrar-se ao demônio — sob a presidência do próprio príncipe dos infernos.(Seguimos aqui de perto o capitulo VII (Le demonisme dans les sabbats) da série de artigos sobre demonismo, publicada pela conceituada revista eclesiástica france,"L´Ami du Clergé" (nº 45 [1902] pp. 993-997).



Não existe acordo quanto à origem do nome sabá: uns dizem que foi tomado do hebráico shabbath, que designava o dia repouso dos judeus, porque o demônio gosta de macaquear as obras de Deus; outros procuram a etimologia no grego sabadzios, que em latim deu Bacchus - Baco, o deus do vinho e das orgias. Os sabás seriam então a continuação dos abomináveis e vergonhosos mistérios do paganismo.Muitos são os pontos obscuros e misteriosos em torno dos sabás, que os seus participantes (e o próprio demônio) tinham interesse em que não fossem conhecidos.



Essas reuniões se realizavam no meio das florestas, no alto dos montes, numa planície ou praia deserta e outros lugares ermos inóspitos, na noite de quarta para quinta-feira, ou de quinta para sexta-feira ou, enfim, mais freqüentemente, da sexta-feira para o sábado. Vigias eram colocados para evitar que algum profano se aproximasse, mas aconteceu algumas vezes de serem interrompidos por pessoas vindas de fora, que faziam o sinal da cruz e jogavam água-benta, produzindo-se então uma algazarra indescritível e em poucos instantes os participantes desapareciam do mesmo modo como tinham vindo: voando pelos ares montados em um cabo de vassoura, ou a cavalo sobre um bode ou algum outro animal imundos; outro a pé, mas numa velocidade vertiginosa que ninguém podia acompanhar.



As descrições variam um pouco quanto ao cenário onde se realizavam essas reuniões e quanto ao cerimonial observado, mas são concordes nas linhas gerais: no centro do local armava-se um altar sobre o qual colocavam um ídolo (em geral um demônio com forma humana e cabeças e pés de bode, ou de um sapo imenso). Todos vinham prestar-lhe homenagem, adorá-lo, beijar-lhe os pés, as mãos, e outras partes do corpo menos honrosas; outras vezes não era um ídolo, e sim o próprio Satanás — sob forma visível — que se sentava em um trono sobre o altar. Todos tinham que trazer-lhe uma oferenda. Esses atos de culto e vassalagem eram prestados no terror e no tremor e aqueles que assim se entregavam ao diabo sabiam que se quisessem se subtrair à sua tirania, seriam cruelmente castigados por ele.


Havia nos sabás prazeres destinados a satisfazer os mais baixos instintos — especialmente a gula e a sensualidade — por meio de banquetes, orgias, danças e luxúria.



Np banquete eram servidos pratos repugnantes: carne de cavalo, de cachorro, de gato e, às vezes, até carne humana, sobretudo de crianças ainda não batizadas, cujos sangue era chupado ou bebido.As danças começavam ao som de músicas dissonantes, barulhentas, agitadas, arrancadas de instrumentos bizarros (um pedaço de pau qualquer, uma queixada de cavalo, ossos humanos ou de animal, etc), que imitavam flautas agudas, tambores ensurdecedores, guitarras estridentes, aos quais se juntavam as vozes roucas ou penetrantes dos demônios e dos bruxos e bruxas, tudo num ritmo frenético, alucinante. Quanto mais a música era discordante, mais as danças se tomavam voluptuosas, fazendo girar os dançarmos num turbilhão incontrolável, como nas danças giratórias sagradas dos dervixes turcos. Muitos estavam completamente nus e outros sumariamente vestidos. Em suma, tudo se assemelhava a um moderno show de Rock’ n ‘Roll, em especial de Hard Rock.Seguiam-se as mais asquerosas práticas de depravação sexual, de bruxos e bruxas entre si, em ligações hetero ou homossexuais, e também com animais e com os próprios demônios, que para tal assumiam formas humanas.



Essa explosão da luxúria era acompanhada de uma explosão inaudita de impiedade, com a paródia mais sacrílega das práticas e devoções cristãs. Em lugar da água-benta, aspergia-se os assistentes com urina;* crianças não recebiam o batizadas satânico, sendo-lhes imposto, sendo-lhes imposto um nome luciferino e dados padrinhos que garantissem sua educação no mal e sua fidelidade ao demônio; se já eram batizadas, o demônio procurava raspar com suas garras o caráter do Batismo e as rebatizava. Faziam-nas jurar fidelidade ao demônio, e renunciar a Deus, a Jesus Cristo, à Virgem Santíssima, aos anjos e santos; prometiam jamais se confessarem, a não ser que fosse para o fazerem sacrilegramente, nem comungar, senão para profanar a hóstia consagrada ou levá-la escondida consigo para rituais satânicos; mais tarde, o iniciado era confirmado, recebendo novos padrinhos e prometendo trazer novos adeptos ao culto de Satanás.


*O demônio, em seu desespero de anjo réprobo, é um ser apalhaçado, debochado, que não recua nem diante dos maiores prosaismos ou obscenidades, para aviltar o homem, a quem despreza, e ofender a Deus, a quem odeia.


Os Mandamentos eram assim recitados: “Adorarás Lúcifer como verdadeiro deus e não amarás a ninguém senão a ele. Blasfemarás assiduamente o nome de Jesus. Cometerás sem dificuldade a fornicação e o adultério. Cobiçarás a mulher do próximo e também as coisas alheias”, etc. A Saudação angélica (Ave-Maria) era dirigida ã futura mãe do Anticristo.Nos sabás, o demônio ensinava aos magos, bruxos e feiticeiras os segredos da fabricação de beberagens para os mais diversos efeitos mágicos: provocar a morte ou a loucura nas pessoas, nos antimais; filtros de amor e outros malefícios.Freqüentemente o sabá se encerrava com uma Missa negra, da qual os ocuparemos adiante.


Exame doutrinário - Há discussão entre os Autores sobre vários desses pontos:



1º Se as bruxas se transportavam pelos ares e participavam fisicamente desses sabás.



No que diz respeito a se de fato as bruxas se transportavam realmente pelos ares para essas assembléias, depois de aplicarem ao corpo um ungüento mágico, argumentam alguns que esse ungüento era composto de ervas alucinógenas, que produziam nelas a sensação de estarem voando e de praticarem o que acima ficou descrito; tudo não passaria, nesse caso, de uma alucinação provocada por essas substâncias.Tanto mais, dizem eles, que muitas bruxas confessaram ficar em dúvida sobre se de fato tinham tido uma participação física no sabá, ou apenas em imaginação. Muitas bruxas, também, foram encontradas em suas camas, no momento em que deviam estar nos sabás. Em sentido contrário, foi verificado que outras realmente tinham desaparecido após untarem seus corpos com o ungüento, e mesmo, um inquisitor, prometendo a uma feiticeira o perdão, obteve que ela voasse, em sua presença e na de diversas testemunhas, por uma janela afora, após induzir-se com o ungüento e invocar o demônio. Ela foi encontrada caída em um campo léguas adiante.


Egon vou Petersdorf (que foi ocultista, antes de sua conversão ao Catolicismo), falando sobre os sabás, explica em seu livro Demonologia que a finalidade para a qual as bruxas utilizavam os unguentos e poções alucinógenas era justamente essa de facilitar, por meio do transe alucinatório, um contacto mais rápido com o demônio.* Com efeito, o alucinógeno perturba o funcionamento da inteligência e da vontade, potências que garantem a liberdade interior do homem e assim oferecem uma barreira a ação do Maligno. Por isso, o uso de alucinógenos é muito comum em meios ocultistas, para facilitar o contacto com o demônio. E aqui fica uma pista muito curiosa sobre um aspecto pouco divulgado do consumo e tráfico de drogas, mas que revela a que profundidades conduzem, ou seja, sua ligação com o satanismo. (No próximo capítulo veremos uma noticia ligando diretamente o tráfico de drogas ao satanismo a propósito de crimes rituais na cidade de Matamoros, no México.)
*Cf. E. von PETERSDORF, Demonologia, p. 143.



Do ponto de vista teológico, nada impede que o demônio transporte bruxos e feiticeiras pelos ares até o local da infame reunião.  Pois, como anjo (decaído, é verdade, mas que não perdeu os poderes próprios à sua natureza), o demônio tem capacidade para isso.  E a prova está na própria Escritura, onde se narra como o profeta Habacuc foi levado pelos ares por um anjo, desde a Judéia até a Babilônia, para alimentar o profeta Daniel, que tinha sido lançado em uma cova de leões (Dan 14, 32-35); e como o próprio Salvador deixou-se transportar pelo demônio, do deserto onde jejuava, até Jerusalém e ser depositado sobre o pináculo do Templo, para ser tentado (Mt 4, 1-5).



Ademais, a opinião de que as feiticeiras voavam corporalmente por obra do demônio foi tida como certa durante séculos por homens sérios e cultos para que se possa pôr em dúvida. Santo Afonso de Ligório (1696-1787), em sua Teologia Moral, escreve o seguinte: “Advirta-se que é opinião comum de que há feiticeiras que com a ajuda do demônio são transportadas corporalmente de um lugar para outro: a opinião contrária, que defenderam Lutero, Melanchton e alguns católicos, é muito perniciosa para a Igreja". (Santo AFONSO, Teologia Moral, in D. NEYRAGUET, Compendio Moral de S. Alfonso Maria de Ligorio, p. 130.)As duas opiniões, entretanto, podem conciliar-se.Os frades dominicanos H. Kramer e J. Sprenger julgam, com base em sua experiência de inquisidores, que umas vezes os bruxos e feiticeiras são fisicamente transportados pelos ares para os sabás, e outras vezes participam deles apenas em espírito, por meio de alucinações que o demônio provoca em sua imaginação e ação sobre seus sentidos.(Cf. H. KRAMER - J. SPRENGER, O Martelo das Feiticeiras, pp. 223-231. )



2º Comércio carnal com os demônios



Segundo a conceituada revista eclesiástica francesa “L’Ami du Clergé" não se pode negar a possibilidade do comércio carnal entre homens e demônios: “Digamos mesmo que é impossível negar esse gênero de fatos, após o testemunho tão numeroso, claro e convincente dos Santos Padres. Baste-nos citar as palavras de Santo Agostinho: ‘Os fatos de demônios íncubos ou súcubos são tão múltiplos que não se poderia negá-los sem imprudência: a autoridade de tantos personagens graves, as narrações de fatos indiscutíveis tanto entre os povos civilizados quanto entre os bárbaros, as confissões, enfim, de vários milhares de pessoas devem ser tomadas em consideração’ (De Civit. Dei, XV)”. ("L ´ Ami du Clergé”, Le Demonisme, 1902, p. 1065.) Ainda no século XVIII — o chamado Século das Luzes... — tal prática é confirmada por autores sérios e doutos como Fr. Charles-René Billuart, O.P. (1685-1757), célebre teólogo francês, e Santo Afonso Maria de Ligório (1696-1787),Doutor da Igreja. (Cf. F. C.-R. BILLUART, Soturno Sancti Tornae, V, p. 264; Santo AFONSO, Teologia Moral, in D. NEYRAGUET, op. cit., p. 248.)



Quanto ao modo como se pode dar esse comércio carnal com o demônio, é certo que este, sendo puro espírito, não pode cometer atos de luxúria. Entretanto, nada impede que ele faça bonecos aos quais dê aparência de vida, apresentando-os ora sob de aspecto de homem (o chamado demônio íncubo), ora de mulher(súbubo). para que sirvam de objeto de satisfação da luxúria dos que ele se entregam.*


* Um grande conhecedor dessas matérias, o sábio Cardeal Alexis Lepicier, explica o modo como um anjo (ou um demônio, que é anjo decaído) procede para fabricar tais bonecos de aparência viva: ‘Há, na natureza uma tão abundante variedade de elementos um anjo pode, por uma hábil combinação e condensação desses elementos, dar-lhes a forma e até a cor dum corpo humano. De mais a mais, não está fora do seu poder ir buscar nos animais, e até mesmo em certos casos em pessoas vivas, esses elementos, ainda que eles estejam distantes do lugar onde tais fenômenos se produzem” (Cardeal A. LEPICIER, O Mundo Invisível, pp. 76-77).Era com um boneco assim fabricado pelo demônio que as feiticeiras e os bruxos praticavam o ato carnal. E uma das razões para isso é que o demônio despreza a natureza humana e procura aviltá-la de todos os modos.*


* Segundo os moralistas, o pecado daí resultante, sendo cometido com um ser que não é da mesma espécie que o homem (pois se trata de um mero boneco animado artificialmente pelo demônio), é o pecado de bestialidade, análogo ao que é cometido com animais (cf. Santo AFONSO, Teologia Moral in NEYRAGUET, op. cit., p. 248; BILLUART, Summa Sancti Tomae, t. V, p. 264).



São Tomás de Aquino indaga se pode nascer prole da união uma de mulher com um demônio.(Cf. De Potentia, q. 6, art 8; Suma Teológico, 1, q. 51, a, 3, apud “L’Ami du Clerge", nº 48 (1902),p. 1065, n. 1.) E responde que este, não tendo potência divina, não pode criar, e, sendo um espírito, não pode criar, e, sendo um espírito, não pode engendrar. Mas, conclui que parece que ele pode gerar, não com sêmem seu, é evidente, mas indo buscá-lo em algum homem e infudindo-o na mulher. Dessa forma, diz o Doutor Angélico, a criança assim concebida não é gerada pelo demônio, mas sim por um homem, indiretamente e de modo artificial.(As modernas experiências de fecundação artificial (obviamente desconhecidas do Santo Doutor medieval) mostram que sua hipótese está perfeitamente conforme com a ciência.)



Missas negras



Durante os sabás, freqüentemente havia uma paródia da Santa Missa, oficiada por um demônio ou por de seus sacerdotes ou sacerdotisas; ou então uma Missa sacrílega, celebrada por um infeliz padre pervertido às práticas satânicas, chamada correntemente Missa negra.Todas as orações e ritos eram invertidos ou deturpados blasfemamente. No Credo, por exemplo, dizia-se: “Creio em Lúcifer e em seu filho Belzebú, concebido por Leviatã, o Espírito Santo”. Na elevação da hóstia, quando um padre havia realmente consagrado,* fazia-se uma algazarra terrível, e se aspergia os assistentes com o sangue de Cristo, e todos gritavam como os judeus na Paixão: “Que o seu sangue caia sobre nós e sobre nossos filhos” (Mt 27, 25). Às vezes um punhal era enfiado dentro do cálice e saía gotejando sangue; ou então cravava-se uma hóstia na cruz, e todos os participantes vinham transpassá-la, e acontecia às vezes de jorrar sangue dela.


* Quanto à validade da consagração das espécies eucarísticas no contexto de uma Missa negra, os teólogos discutem; alguns afirmam, outros negam que se opere realmente a transubstanciação.


Em certas ocasiões, na Semana Santa, crucificavam-se meninos que eram seqüestrados, ou levados pelas próprias mães, elas mesmas feiticeiras, cravando-lhes cravos nos pés e nas mãos, coroando-os de espinhos e transpassando-lhes o lado. Arrancavam-lhes o coração e outras vísceras, e com freqüência também os membros genital, que eram utilizados para malefícios.*



* Um dos casos históricos mais famosos, dos tempos modernos, envolvendo bruxaria e Missa negra, foi o chamado Caso Voisin, no qual esteve envolvida nada menos do que a amante do rei Luis XIV, Madame de Montespan. Essa favorita entrou em contato com a feiticeira Voisin e participou de uma Missa negra, oficiada por um padre desviado, o Pe. Guibourg, com a finalidade de assegurar a paixão adúltera do Rei.  Em depoimento ao magistrado e chefe de polícia La Reynie, a filha da feiticeira declarou o seguinte: “O Pe. Guibourg apresentou na missa de Madame de Montespan, por ordem de minha mãe, um menino parecendo ter nascido antes do termo. Ele o pós numa bacia, o degolou, derramou o sangue no cálice, consagrou-o juntamente com a hóstia, acabou a missa e depois tomou as entranhas do menino; no dia seguinte, minha mãe levou tudo à Dumesnit [outra bruxa], para ele destilar o sangue e, juntamente com a hóstia, preparar um filtro que Madame de Montespan levou consigo”.  Esse fato terrível foi muito bem documentado, tendo em vista a importância das pessoas envolvidas e, a partir de 1679, durante dezesseis meses, foi analisado pelos magistrados franceses, redundando na condenação à morte de várias pessoas e no afastamento de Madame de Montespan da Corte. (Bernardette de CASTELBAJAC, Les Messes Noires au Grand Siècle, in “Historia” Hors Série n°35, 1974, p. 105).  O sacrifício de crianças em cerimônias demoníacas é uma das constantes das práticas de bruxaria; hoje, continuam a ocorrer, realizadas, em geral, no contexto da macumba, umbanda, etc., conforme veremos mais adiante, ao narrar os fatos passados em Guaratuba (Paraná), em 1992.



Até aqui, referindo-nos aos sabás, utilizamos sempre o verbo no passado. Uma pergunta, porém, se põe inevitavelmente: uma vez que continuam a existir bruxos e feiticeiras (embora quase não em esses nomes), não continuarão a existir hoje também os sabás?Há notícias de que sim: em vários lugares da Europa e dos Estados Unidos têm ocorrido reuniões de feiticeiros, que se apresentam como tais, e chamadas por eles mesmos com o nome de sabás. Se tudo quanto ficou acima descrito se passa nessas reuniões, não há dados para responder. Entretanto, muitas dessas práticas inegável que se dão em contextos de bruxaria, macumba e outros ritos satânicos. E mesmo fora desses contextos passam-se coisas semelhantes, conforme se verá adiante.Sendo assim, parece que se pode responder sem hesitar pela afirmativa: continuam a ocorrer sabás, com todo, ou quase todo o seu horror.



Destruição de colheitas, impedimento da geração, doenças



Entre os poderes atribuídos às feiticeiras está o de causarem danos materiais e físicos aos homens e animais, ou desencadearem os elementos da natureza por meio de artes mágicas e demoníacas.Ao tratarmos da magia e do malefício, já dissemos que se Deus o permitir (o que Ele faz com parcimônia) nada impede que demônio, atuando sobre os elementos físicos e atmosféricos ou fisiológicos e psicológicos do homem, provoque efeitos como a destruição de colheitas, impedimento da geração, doenças desconhecidas, e outros. Isso ele opera para provocar impaciência no homem e fazê-lo revoltar-se contra a Providência divina. O caso de Jó é muito ilustrativo a este respeito. Outras vezes, porém, de provoca esses fenômenos extraordinários para atender à solicitação que recebe de feiticeiros, através dos malefícios (também chamados despachos, trabalhos, arranjos, feitiços).Os historiadores registram em diversas épocas casos pessoas de todas as condições — Reis e nobres, simples burgueses ou camponeses - que se viram impossibilitados de manter relações conjugais, por efeito de malefícios. Em muitos desses casos, pode-se supor tratar-se de fenômenos puramente naturais (doenças desconhecidas, estados psicológicos anômalos, etc.); em certo número de vezes poderá ter havido ação demoníaca.



Lobisomem e outros seres fantásticos



Tema correlato com o que acabamos de expor é o relacionado com a realidade ou fantasia a respeito do alegado poder das bruxas de transformarem pessoas em animais. Desde a Antigüidade fala-se da possibilidade de homens serem transformados em bichos por artes mágicas. Assim, na Odisséia. Homero (séc. IX a.C.) conta que os companheiros de Ulisses foram transformados em porcos pela feiticeira Circe. Já em tempos cristãos mencionam-se casos de homens que, em consequência de pacto com o demônio ou por efeito de algum feitiço, transformam-se ou são transformados em animais. Em relatos de missionários europeus na África, no século passado e ainda neste século, e também na selva amazônica, aparecem menções a feiticeiros pagãos que se transformavam em animais para aterrorizar os padres e os neo-conversos.



Essa questão é estudada por São Tomás e outros Doutores, os quais negam a possibilidade de o homem ser transformado em animal. E isto por uma razão fundamental, de natureza filosófica: a alma humana não pode unir-se a um corpo como o de um bicho, que não é adeqüado a ela.Os testemunhos entretanto são numerosos e dignos de crédito para que se possa duvidar da realidade dos fatos.Como explicá-los, então, à luz da filosofia e da teologia católica?



O mesmo São Tomás assevera que o demônio pode deformar ao máximo os traços e os membros de um homem, dando-lhe uma aparência fantástica. Não mais do que isso. Contudo, ele pode agir também sobre a fantasia e os sentidos, quer da própria pessoa, quer daqueles que a vêem, de modo a que, por ilusão, tanto ela se sente transformada em bicho, como os demais têm a impressão de estar vendo um animal, ou um ser fantástico, meio homem meio animal: um lobisomem, por exemplo. (Cf. Suma Teológica, I,q.91; 105,a. ad 1; 114,a.4 ad 2.)Os inquisidores Henrique Kramer e Jacó Sprenger analisam a questão e contam o caso de um homem que julgava transformar-se em lobo: de fato ele caía em sono profundo, e por ação do demônio sobre sua fantasia e sua sensibilidade, julgava que corria com os lobos, atacava e devorava crianças, satisfazia seus instintos com as lobas, etc. Na realidade, o demônio entrava em um lobo que fazia todos esses estragos, de maneira a deixar vestígios daquela alucinações.Relatam ainda outro caso, de uma jovem que, tendo sido enfeitiçada por uma bruxa, era vista por todos como uma potranca, e ela própria se via assim. Levada à presença de São Macário, este sofria a ilusão dos demais e a via como ela era: uma bela moça. Rezando sobre ela, o Santo fez com que cessasse o encantamento e a jovem voltasse a se sentir e a ser vista normalmente. (H. KRAMER - J. SPRENGER, O Maneio das Feiticeiras, pp. 153-154.)



Às vezes o demônio pode possuir um animal (um lobo por exemplo), e fazê-lo realizar coisas fantásticas. Ele pode, ainda, para obter seus desígnios perversos, formar um boneco de animal ou ser fantástico, do mesmo modo que, como vimos, pode fazer o boneco de um homem. ( Esta poderia ser uma explicação para certos seres fantásticos como dragões, mulas- sem-cabeça, sacis-pererês, caiporas e outros tantos, assim corno fantasmas e assom brações que, mesmo deixando de lado os exageros e fantasias da imaginação popular exaltada, não há dúvida de que de vez em quando se manifestam realmente.)



Há inúmeros casos históricos de animais misteriosos, que assolam certas regiões dizimando o rebanho e aterrorizando as  populações, sem que jamais se conseguisse capturá-los por meio de armadilhas, nem matá-los com armas de corte ou de fogo: as lâminas não penetravam em seus corpos e as balas de grosso calibre não lhes causavam o menor dano.Um dos casos mais famosos foi o da besta feroz de Gévaudan (região da França) no reinado de Luiz XV (séc. XVIII), que até hoje intriga os historiadores; supõem alguns que se tratasse de um lobo possesso pelo demônio.



O Satanismo moderno



“Tremei, tremei, as bruxas estão de volta".(Palavra de ordem de um desfile feminista)


"Dez milhões de americanos praticam magia negra”.(B. Wenisch, Satanismo)



Vazio e frustração levam ao satanismo



Parece inacreditável que o homem moderno seja capaz de fazer pactos com o demônio. Dir-se-ia que ele considera tudo isso como histórias de épocas de trevas, nas quais a ignorância e o atraso teriam levado alguns à ilusão de terem estabelecido um comércio com seres supostamente superiores aos homens e a procurar deles aquilo que a ciência do tempo não lhes permitia alcançar por outros meios. Do mesmo modo, aliás, como outros se voltavam para Deus, para a Virgem, os anjos e os santos do céu. Uns e outros se auto-sugestionariam e acreditariam ter obtido o que almejavam, por concessão de seres ou forças sobrenaturais.Mas o homem atual, homem quase já do terceiro milênio, não teria necessidade nem de uma coisa nem de outra: bastar-lhe-iam a ciência e a técnica, as quais, somadas ao seu trabalho, garantir-lhe-iam os elementos para a completa felicidade nesta terra: máquinas e aparelhos para lhe reduzirem os esforços; remédios e tratamentos para conservarem a saúde para o trabalho, e a disposição, para o prazer.



Essa concepção materialista (e ingenuamente otimista) contrasta com os fatos que se passam diariamente sob os olhos até do observador menos atento: ai estão nas páginas dos jornais e nos noticiários da televisão, as notícias de crimes hediondos, praticados fim de conseguir de forças extra-naturais uma vantagem para si próprio, ou para terceiros, ou um mal para algum inimigo.Na realidade, ao mesmo tempo em que a ciência e a técnica vão desvendando os segredos da natureza e despertando forças que o homem já quase não consegue controlar (basta mencionar aqui a engenharia genética, com a planejada produção em laboratório de seres humanos que se pretende perfeitos e se receia sejam monstruosos). Ao mesmo tempo em que isso se passa, uma imensa sensação de vazio espiritual deixa sem sentido todo esse processo, e faz o homem voltar-se de novo para algo que seja mais do que a prosaica realidade concreta. Na mesma época em que a ciência e a técnica parecem não ter limites para progredir, as manifestações de recurso a forças extra-naturais parecem maiores do que em qualquer outra época precedente.



O neo-satanismo - Satanismo literário



Já no século passado e começos deste o movimento literário teve um filão satanista ou ao menos demonófilo, no qual  se destacaram os poetas franceses Victor Hugo (1802-1885), Paul Valéry (1871-1945) e Charles Baudelaire (1821-1867), o último dos quais chegou a escrever ladainhas satânicas.*   Na Itália, o literato Giosué Carducci (1835-1907), compôs uma Ode a Satã que se tornou muito conhecida.  O escritor Joris Karl Huysmans (1848-1907), em seu livro Là-bas descreve um ambiente ocultista-satanista que havia nos círculos literários e artísticos de Paris, inclusive com celebração de Missas negras.



*“O romantismo ama a infelicidade, celebra as ilustres vítimas da fatalidade ... quer se persuadir de que o mal e a infelicidade vão ser vencidos.  Satanás, nessa literatura falaciosa e angustiada, torna-se uma figura simbólica, figura na qual se reflete o esplendor do Mal, mas figura que um dia deve ser reintegrada numa luz negra. Vigny alimentou longamente o projeto de um Satã perdoado, que será escrito muito mais tarde por Victor Hugo no poema O Fim de Satã” (Albert BEGLIN, Balzac et la fin de Satan, p. 540).Em nossos dias, mais do que a literatura (que perdeu muito de sua força de atração), o satanismo é difundido pela música, pelo cinema e pela televisão.



Bruxas na televisão



Bernhard Wenisch, demonólogo alemão, traz dados interessantes a propósito do papel da televisão na difusão do satanismo, em especial, mas não exclusivamente, sobre a juventude:



"Para a propagação do satanismo que, de modo algum, só atinge a juventude e nem mesmo preponderantemente, colaboraram, nos últimos tempos, os meios eletrônicos."..."Assim, por exemplo, apareceu na TV alemã, em 1984, e na TV austríaca, em 1985, a satanista Ulla von Bernus que declarou poder matar pessoas através de rituais mágicos. O ritual que mostrou consistia na queima de um boneco com a aparência da vítima, invocando Satanás e pronunciando repetidas vezes o esconjuro: 'Você precisa queimar! Você precisa morrer lentamente’! Na discussão da TV austríaca, a mulher se mostrou comprometida também com a prática da Missa negra. Algum tempo depois, a TV austríaca apresentou Ela Hard, que se declarou bruxa e afirmou que também dominava a capacidade de matar por mágica. Em seus livros descrevia minuciosamente sua iniciação na magia negra por um aborígene australiano e seus rituais coroados com êxito. Ela Hard morreu em inícios de 1988”.Continua o mesmo autor:"É possível observar a onda satanista em toda parte do mundo ocidental. Em muitas cidades alemãs são celebradas Missas negras. A TV alemã mostrou em 1984 o modo pela qual uma jovem mulher era consagrada a Satanás como bruxa — inclusive era submetida, nua, a uma flagelação ritual. Já aconteceu que nessas cerimônias pessoas fossem sacrificadas ao diabo. Em 1986, um desses rituais de assassinato, planejado contra duas jovens de Dortmund, pôde ser impedido pela polícia.  Há satanistas que se sentem inspirados pelo demônio para simplesmente eliminar pessoas que julgam perigosas”.Passa em seguida a tratar do fenômeno em outros países do Ocidente:"Também em outros países o satanismo vem ganhando terreno. Em 1985, a TV francesa não só informou sobre a crença nas bruxas, que continua persistindo entre o povo, mas também apresentou um bruxo que, com a ajuda de forças demoníacas, produziu feitiços. Uma especialista norueguesa em ciências da religião, que participou como observadora de várias Missas negras na cidade de Bergen, informou que, nessas missas, trata-se principalmente de sexo e homicídio. E que os próprios satanistas estão convencidos de que em suas reuniões estão presentes forças sobrenaturais, das quais têm medo. Não assumiam qualquer responsabilidade por seus atos porque já não possuíam controle sobre si mesmos. As Missas negras terminavam com sexo grupal ritual. Da Suécia há informes sobre roubo de cadáveres e violação de túmulos em conexão com o satanismo.  O Satã floresce também na Inglaterra”. (Bernhard WENISCH, Satanismo, pp. 29-30.)



Igrejas satanistas nos Estados Unidos



Segundo Wenisch, onde o satanismo se tem espalhado mais são os Estados Unidos, onde existem várias Igrejas Satânicas conhecidas. Ele afirma: “Milhares de crianças são vítimas anualmente do culto a satanás; dez milhões de americanos praticam magia negra; aproximadamente cem milhões sucumbiram a práticas ocultismo - esses números chocantes foram publicados há pouco nos EUA”. (B. WENISCH, Satanismo, p. 31.)



Uma das mais ativas dessas Igrejas Satânicas é a que tem por Sumo Sacerdote Anton Szandor LaVey, com mais de 8.000 membros.LaVey foi o consultor técnico do produtor cinematográfico Roman Polansky, para a produção do seu filme satanista O bebê de Rosemary (história de uma criança que seria filha do Diabo). Em agosto de 1969, alguns meses depois de lançado esse filme, a mulher de Polansky, a atriz Sharon Tate (dada ela mesma a práticas de feitiçaria), foi horrivelmente assassinada, junto com mais três amigos, num crime que teve todas as características de ritual satânico.  Os assassinos eram adeptos de uma seita satanista chefiada por Charles Manson, um admirador de LaVey, cujo livro de cabeceira era a Bíblia satânica de autoria deste último. (Cf. Jean-Claude FRÉRE, Crime rituel à Cielo Drive, pp. 130-135.)



Em 1986, o Secretário do Tesouro dos EE.UU, James Baker, informou o senador Jesse Helms sobre a existência de várias organizações satanistas e para a prática da bruxaria, que são reconhecidas oficialmente como religião pelo governo americano, gozando de isenção de impostos. Houve uma polêmica a respeito e vários dirigentes dessas organizações satanistas enviaram cartas ao Congresso americano. De uma delas, assinada por um Reverendo Doutor Sidney Gavin Frost, de 11 outubro de 1985 tiramos alguns significativos:



"Somos bruxos, e praticamos uma religião minoritária, mas bem atestada e documentada. ... Estamos reconhecidos como religião pelo governo federal no seu Manual de Capelães; em dita publicação, os capelães recebem instruções a respeito dos serviços a serem dados aos bruxos nas Forças Armadas e no campo de batalha. ...  Somos uma Igreja oficialmente reconhecida nos Estados Unidos desde l968”. (M. A. COSTA, Quando Jesus Crista é expulso... p. 15.)



Na cidade de Matamoros, no México a polícia, que estava à procura de um jovem universitário desaparecido, encontrou em uma propriedade rural 14 cadáveres de homens. Estes apresentavam sinais de terem sido vítimas de um ritual satânico, (o órgão genital de todos havia sido amputado, o que é uma característica de certo tipo de ritual). A polícia conseguiu identificar os criminosos: tratava-se de um grupo de contrabandistas de maconha, que confessaram crime e se disseram adeptos do vodu (um tipo de macumba haitiana, muito semelhante ao candomblé). A razão do crime ritual foi o desejo de obter proteção para seu comércio criminoso. (Péricles CAPANEMA, Satanismo, drogas e moda, in "Catolicismo”, nº 471, março 19 90 p. 22.)



Feminismo, ecologismo e satanismo




“Magia e ocultismo se alastram cada vez mais nos movimentos feministas" - comenta B. Wenish.Os feministas” — comenta B. Wenisch. (B. WENISCH, Satanismo, p. 38.)


“Tremei, tremei, as bruxas estão de volta”


Foi na Itália, em 1977, que a palavra bruxa foi empregada pela primeira vez no movimento feminista. Uma jovem havia morrido em conseqüência de estrupo violento. Os jovens culpados foram condenados a penas relativamente leves.  Isto ocasionou uma colossal demonstração feminista de protesto. Aproximadamente 100 mil mulheres se reuniram à noite nas ruas de uma importante cidade italiana fazendo grande alarido e gritando em coro: “Tremei, tremei, as bruxas estão de volta!”. (Ibidem, p. 35.) Certas militantes do movimento feminista consideram as bruxas como símbolo adequado de seu anseios. Para elas as bruxas teriam sido perseguidas porque eram entendidas em medicamentos, parteiras que conheciam métodos abortivos e de prevenção da gravidez; mulheres que tentavam libertar-se do domínio masculino rompendo com a ordem religiosa e social dominante. Segundo ainda as feministas, é a memória dessas mulheres (as bruxas) que serve de inspiração para sua própria luta contra as estruturas patriarcais da sociedade atual. Além disso algumas feministas se dedicam a práticas magico-ocultistas, como meio de obter a sua suposta emancipação.


O movimento Wicca



É o caso do poderoso movimento feminista — na realidade uma verdadeira seita satanista — que se apresenta a si mesmo como uma forma de continuação das bruxas e feiticeiras medievais. Trata-se do movimento Wicca palavra inglesa arcáica da qual deriva o moderno vocábulo witch, bruxa. A seita Wicca se define decididamente como pagã e se coloca conscientemente contra o Cristianismo.  Venera a Grande Deusa donde provém toda a vida e para onde tudo retorna. Ao lado, ou antes, abaixo dessa Grande Deusa está o poderoso deus cornudo, derivado do princípio feminino, o qual dizem elas, na época de perseguição às bruxas, era identificado com demônio bíblico. Trata-se de um panteísmo de cunho feminino, e não é de admirar que a seita procure vinculações com o movimento feminista e se considere parte integrante e militante dele, por razões religioso-filosóficas.


As adeptas dessa nova bruxaria se reúnem em grupos de, no máximo, 13 pessoas para praticar a magia. Insistem em que não há magia negra e, portanto, feitiçaria prejudicial, mas que a força mágica só é usada para fins positivos. Seja como for, quem criou rituais para grupos Wicca foi nada menos que o notório satanista inglês Aleister Crowley. Outro ocultista britânico, Alex Sanders, dirigente de um ramo dessa seita, declarava-se, no melhor estilo de Crowley, The Devil Incarnate (o Demônio Encarnado); ele descreve um ritual para a conjuração de um demônio, que consistia na prática de um ato mágico-sexual de incesto com a própria irmã.(Cf. B. WENISCH, Satanismo).Em uma publicação francesa encontramos outros dados sobre as feitiçeiras do movimento Wicca:


"Conhecem-se atualmente os ritos do movimento Wicca, celebrados na ilha de Man (Inglaterra), ou na floresta de Fontainebleau (França). A grande sacerdotisa Monique Maria Mauricette Wilson, que se faz chamar  Lady Olwen, oficia nua, como nos antigos sabás..."Sobre o altar são colocados recipientes para sal e água, hervas, um incensador, velas, um cálice e outros objetos. A feiticeira-chefe, enquanto todos se ajoelham em círculo em torno dela, ajoelha-se por sua vez, benze o sal e a água e os mistura com um punhal de punho negro, símbolo do poder luciferino, que toda feiticeira possui..."A Missa negra, que é difícil de se distinguir do sabá, comporta um ritual litúrgico análogo ao das missas comuns (católicas) com exceção de certas orações, recitadas ao contrário por espírito de profanação. A elevação é o momento esperado para a profanação suprema. A hóstia é ora uma fatia de pão negro, ora uma rodela de rábano.* O oficiante a eleva em geral sobre o corpo de uma jovem nua sobre um altar, proferindo injúrias; ele atira depois a hóstia para as feiticeiras e bruxos, os quais se precipitam para calcá-la aos pés. A missa termina com uma frase ritual: Ide ao diabo" (Claude PETIT-CASTELLI, Les Sectes enfer ou paradis, p. 154.)


*Aqui se faz uma paródia sacrílega da Santa Missa.  Entretanto, sempre que conseguem, os satanistas preferem que um sacerdote católico, que esteja num grau de apostasia suficiente para se prestar a tal abominação, celebre uma Missa durante uma cerimônia dessas, na qual ocorra verdadeira consagração; ou, senão, procuram obter hóstias verdadeiramente consagradas em Missas válidas, para serem profanadas nesses rituais satânicos. Quanto à validade da consagração das espécies eucarísticas no contexto de uma Missa negra, os teólogos discutem; alguns afirmam, outros negam tal validade.


Ecologismo e ocultismo



B. Wenisch continua na sua análise do movimento feminista-ocultista: “A onda esotérica aparece também nos grupos alternativo-ecológicos.” E se refere a uma autora feminista-ecologista que “pratica rituais mágicos, sente-se em contacto com seres espirituais, e baseada em supostas experiências de vida terrena pregressa, acredita na reencarnação. Considera-se a reencarnação de uma bruxa executada nos inícios da Idade moderna”. (B . WENISCH, Satanismo).


“Ofensiva da bruxaria — Alerta aos brasileiros"



No Brasil, devido à espantosa decadência religiosa que presenciamos e à descatolicização que se opera em todas as classes sociais, o caminho está aberto para todas as formas de satanismo desde as aberrações sonoras e blasfemas do Rock Heavy Metal, ao ocultismo difundido por autores como Paulo Coelho, discípulo do satanista inglês Aleister Crowley. (Cf. “Folha de S. Paulo”, 2-8-92, caderno Maiss, p. 6, Glossário).



De modo especial, cresce o recurso ao demônio por meio da macumba, a qual passou a ser aceita com normalidade; mais do que isso, a receber o apoio das autoridades. Por exemplo, na cidade de São Paulo, durante a gestão da Prefeita Luiza Erundina (PT), foram criados “macumbódromos” — espaços para a prática de rituais de macumba — em vários cemitérios paulistanos. (Sob o titulo Erundina cria 4 ‘macumbôdromos “, o jornal “Folha de S. Paulo,” de 19 de ju lho de 1992, informa que se trata de “espaços sem teto, com muros altos e trancados.  Dentro, haverá um cruzeiro, uma cruz simulando encruzilhada e estátuas dos orixás e Iansã".)


Com chamada de capa que serve de título a este tópico, o mensário "Catolicismo” trouxe reportagem sobre o avassalador progresso de feitiçaria no Brasil, da qual ressaltamos — a título de amostra — algumas citações tiradas da imprensa diária: (Gregório LOPE5, Bruxaria: os antros se abrem, in “Catolicismo”, nº 491, novembro 1991. pp. 6-9.)

— "Nada de vassoura, chapéu, nariz ou verruga .... Os bruxos modernos estão chegando às pencas. ... vestem-se com roupas absolutamente comuns” (“Jornal da Tarde”, São Paulo, 22-5-91).

— “O bruxo Erik assegura que ‘brotará uma nova consciência', e que passaremos então para uma nova era” (“Jornal da Tarde", 22-5-91).

— Foi realizado em Florianópolis, um Festival da Magia, com velas, defumadores, estandartes de orixás e pessoas vestidas de demônio. O festival foi aberto com discurso do Prefeito da cidade, na presença de “místicos, médiuns, dráculas, ufólogos e cartomantes” (“Tribuna da Bahia”, 21-7-91; “Estado”, de Florianópolis, 13-8-91).

— Em São Paulo a 4ª ª Conferência Internacional de Metafísica, ocorre nos salões do Anhembi onde “bruxos de todo o mundo se reúnem” (“ Jornal da Tarde”, 22-5-91).

— Na mesma cidade foi fundada uma Escola de Iniciação à Alta Magia, para “magia branca” e “magia negra”. Segundo um vespertino, “as escolas de bruxaria no passado deixaram de existir por perseguição do Cristianismo” (“Jornal da Tarde", 8-7-91).

— No Rio de Janeiro foi anunciado para o Planetário da Gávea o 1º Encontro de Magos, com 11 dias de duração e a presença de bruxos, espíritas e cavaleiros de Lúcifer (“Jornal Janeiro", 18 e 21-9-90; “Jornal da Tarde”, 27-9-90).

Com tudo isso vemos a que ponto a descristianização está levando nosso Brasil, jogando-o nos braços de Satanás; longe de serem fenômenos do passado, o satanismo e a feitiçaria ressurgem em nosso país descristianizado, sob a forma de ocultismo, esoterismo, de certo ecologismo, cultos de origem africana (macumba, vodu, etc.) e outros.



 O Rock Satânico

“Canto para inca doce satã. Quero ir para o inferno". (Canção do conjunto Led Zeppelin)

"Prazer em conhecê-la.Chame-me apenas Lúcifer”.(Da canção Rock Simpatia pelo demônio)

O Rock’ n’ Roll não é somente um tipo de música popular; mais do que isso, é uma cultura, com um modo próprio de vestir-se, de falar, de comportar-se; trata-se de uma atitude diante da vida, empanada de anarquismo, de uma postura religiosa que se caracteriza pela revolta contra Deus e a religião. Em última análise, constitui uma espécie de contra-religião, uma religião satanista.



Rock, um dos meios mais poderosos para a difusão do satanismo

Muitos especialistas têm visto nas canções e letras do Rock um dos meios mais poderosos para a difusão do satanismo. (Cf. Bernhard WENISCH, Satanismo, p. 29; W. S. DIAS, Por detrás do Rock in Rio: presença do satanismo? pp. 4-6.; C. A. MEDEIROS, Rock and Roll e satanismo, pp. 1-7.)

Influência de Crowley, "o personagem mais imundo e  perverso da Grã-Bretanha”



Para melhor compreendermos essa afirmação, devemos recordar, ainda que rapidamente, um dos inspiradores confessos desse movimento Rock, sobretudo do Rock pesado (Hard Rock), onde as características satanistas são mais marcantes. Trata-se do satanista inglês Sir Aleister Crowley (1875-1947) considerado pela justiça inglesa como “o personagem mais imundo e perverso da Grã-Bretanha”, que morreu amaldiçoando seu médico por ter-lhe negado mais uma dose de morfina. Sobre sua tumba, após o enterro, foram realizadas cerimônias satanistas, com o cântico da Ode a Satã, de Carducci, o que provocou o protesto da Câmara dos Vereadores de Brighton.Ele foi fundador ou participante de várias ordens ocultistas inicíaticas, entre as quais a Astrum Argentium (AA) que, em 1920, se transferiu para Cefalú, na Sicília. Em conseqüência de uma morte suspeita na comunidade (falou-se de morte ritual), a policia interveio e a AA foi expulsa do país.


“Em definitivo, comenta um autor a respeito de Crowley, o mago suscitou muitas devoções, mas — corolário ou contrapartida — numerosos discípulos, sobretudo mulheres, se suicidaram tornaram-se dementes ou ficaram reduzidos a meras ruinas” (Serge HUTIN, On l’appelait ‘la Grande Bête’, p. 121, nota 1.)


A doutrina de Crowley, de maneira mais insinuada do que explicita, foi popularizada pelos Beatles e difundida por meio dos movimentos hippie e Rock a partir dos anos 1960. Tal doutrina se resumia na seguinte frase: “Faça o que quiser, esta é toda a lei” (Cf. B. Wenisch, op. cit., p. 27..O próprio Crowley considerava esse programa anárquico como algo satânico. Numa referência ao Capítulo 13 do Apocalipse, ele se autodenominava “a grande besta — 666”. (Este número do Apocalipse provavelmente contém uma alusão a Nero como instrumento do demônio e costuma ser utilizado para designar o anti-Cristo.).  Crowley se considerava uma encarnação de Satanás, e sua religião poderia ser qualificada como um panteísmo satânico.O culto proposto por Crowley é todo permeado de orgia sexual, que para ele é a “meta final, divina e absoluta, forma mais elevada da vida satânico-divina”. (B. WENI5CH, Satanismo, p. 27.)


Rolling Stones: “Simpatia pelo demônio”



Bernhard Wenisch escreve em seu livro Satanismo: “Uma fonte que esclarece em parte a difusão das idéias satanistas entre a juventude é o Rock pesado (Hard-Rock). A onda já começou no final dos anos 60, quando foi lançada, por exemplo, a música dos Rolling Stones — Simpatia pelo demônio (Sympathy for the Devil). Desde 1970, o conjunto musical Black Sabbath — Sabá Negro apresentou continuamente temas satânicos. Em 1980 foi sucesso mundial a música Sinos do inferno (Hell’s Bells) de AC/DC. Outro sucesso, em 1982 foi O número da besta (The Number of the Beast), do Iron Maiden. Atualmente quase todos os grupos de Hard-Rock/Heavy Metal-Band apresentam o tema satânico. Que o pensamento de Crowley esteja apadrinhando essas canções não é apenas demonstrável históricamente, mas é possível percebê-lo claramente no conteúdo das letras”.(B.WENI5CH, Satanismo).



Essa ligação é atestada, por exemplo, por um ex-roqueiro americano, Charles Gugel, que, tendo abandonado o movimento Rock, declarou o seguinte: “Jimmy Page, autor das músicas e líder do grupo Led Zeppelin, admitiu abertamente, por diversas vezes, sua fascinação por magia negra e feitiçaria. Ele possui uma livraria ocultista em Londres, chamada The Equinox e vive num castelo infestado pelo demônio, que pertenceu a Aleister Crowley”. (W.S. DIAS, Por detrás do Rock in Rio: presença do satanismo?, p. 5.)



Canções satânicas



Quanto à influência satanista nas letras das canções Rock, basta tomar algumas delas para fazer a constatação: as mais explícitas, como as que citaremos a seguir, chegam a evocar diretamente o demônio e a execrar Nosso Senhor Jesus Cristo e sua Igreja, como o fariam canções compostas pelo próprio demônio. Outra característica que chama a atenção, e que está bem de acordo com a psicologia de Satanás, é o desespero que domina essas canções, a nota de uma condenação irremissível ao inferno.


Sinos do inferno


Vejamos, em primeiro lugar a canção Hell’s Bells - Sinos do Inferno, do conjunto australiano o AC/DC

“Você é ainda muito moço. mas vai morrer. Eu te levarei ao inferno. Satanás vai te pegar! Sinos do inferno,sinos do inferno...”



Auto-estrada do inferno


Outra canção desse conjunto apresenta a mesma nota de desespero satânico. Ela se intitula significativamente Auto-estrada do inferno:

Eu estou indo para baixo.
É hora de festa.
Meus amigos estarão lá também.
Estou na auto-estrada para o inferno
Não há sinais de ‘pare’, nem velocidade limitada.
Ninguém vai me frear...
Ei Satanás, estou pagando minha dívida
tocando num conjunto Rock.....
Estou no meu caminho para a terra prometida.
Estou na auto-estrada para o inferno.
Canto para meu doce satã — Quero ir para o interno.



A nota de desespero blasfemo e luciferismo é ainda mais acentuada na letra abaixo do conjunto Led Zeppelin:



Deus me abandonou,
Não há escapatória.
Canto para meu doce satã.
Todo poder é de meu satã,
que nos dará o 666 [o Anti-Cristo].
Quero ir para o inferno.

Meu nome é Lúcifer

Agora você está comigo em meus pensamentos. sp;
Nosso amor a cada momento se torna mais forte.
Olhe dentro de meus olhos.
Você verá quem eu sou.
Meu nome é Lúcifer.


Simpatia pelo demônio


Os Rolling Stones, um dos mais famosos conjuntos Rock, não hesitam em cantar a música com o título inteiramente explícito de Simpatia pelo demônio, na qual também é o próprio Satanás quem fala, numa soberba demencial:

Peço licença para me apresentar......
Eu estava por perto quando Jesus Cristo
teve seu momento de dúvida e de dor.
Assegurei-me amaldiçoadamente de que
Pilatos lavaria as mãos e decidiria seu destino.
Prazer em conhecê-lo.
Espero que advinhe meu nome...Chame-me apenas Lúcifer.(C. A. MEDEIROS, Rock and Roll e satanismo, p. 6.)


O Deus do Trovão


Talvez a canção mais explicitamente satanista seja God of Thunder — Deus do Trovão, do conjunto Kiss, que a apresentou a uma platéia de milhares de jovens no Estádio do Morumbi, eu São Paulo, em junho de 1983. Segundo algumas interpretações, o nome do conjunto, Kiss (palavra que significa beijo, em inglês), seria de fato uma sigla formada pelas iniciais de Knights In Satan Service — Cavaleiros a serviço de Satanás. Eis a sua tradução:

Eu fui criado por demônios.
E cheguei a reinar como o Senhor porque eu sou
o Deus do Trovão e do Rock´n ‘Roll...
Eu fui criado por um demônio.io.
Fui treinado para reinar como um deles.
Eu sou o Senhor da terra desolada.
Eu não gosto de Cristo... Eu não gosto da Igreja
Já o conjunto brasileiro Titãs faz uma profissão de fé anarquista-religiosa, explode numa revolta satânica contra Deus:us:
Eu não gosto de padre.
Eu não gosto de madre.
Eu não gosto de frei.
Eu não gosto de bispo,
Eu não gosto de Cri sto...
Eu não gosto do terço,
Eu não gosto do berço
de Jesus de Belém.
Eu não gosto do Papa,
eu não creio na graça
do milagre de Deus.
Eu não gosto da Igreja,
Eu não entro na Igreja.
Não tenho religião.


Nós destruiremos o altar-mor


Outro conjunto brasileiro, Sepultura, na música intitulada Crucifixão, faz também profissão anarquista-religiosa e nega diretamente a divindade de Nosso Senhor:

Nós negamos os deuses e suas leis.
Desafiamos seu supremo poder,
crucificado pelo poder das trevas...
Ele deixou as igrejas para nos atormentar.
Nós destruiremos o altar-mor...
Mostraremos ao mundo nosso ódio.
Os padres terão seu tormento final.
Romperemos as igrejas, nós temos um ideal...
O gênero humano ruma para o suicídio
Eles têm fé no falso Deus
se chamam Cristo.
que prega o bem e a beleza. (Ibidem,p.7.)



Diante desse satanismo explícito do movimento Rock’ n’ Roll, que reúne dezenas e às vezes centenas de milhares de jovens em shows-monstro — autênticas orgias anti-cristãs — que proporções tomam os sabás de séculos passados, contra os quais lutou tanto a Igreja? Por que o silêncio em relação a esses sabás modernos?



VI - CASOS DE INFESTAÇÃO E POSSESSÃO — CENAS DE EXORCISMO — CULTO IDOLÁTRICO AO DEMÔNIO



APRESENTAMOS alguns casos de infestação ou possessão e algumas cenas de exorcismo, que ilustram quanto foi dito sobre a ação extraordinária do demônio.



O primeiro caso, de uma jovem do Interior de São Paulo, sujeita a uma infestação pessoal em conseqüência de um malefício, revela como não devemos temer o demônio, mas antes enfrentá-lo com coragem e, sobretudo, com muita fé.Outro caso relatado, ocorrido na Itália, de possessão de um menino de onze anos, é muito ilustrativo quanto ao valor da oração fervorosa e de outros meios ordinários para a libertação de um possesso, mesmo sem o recurso aos meios extraordinários, como os exorcismos solenes.




A história de Madalena não é muito diferente da de inúmeras pessoas em nossa triste época:


Bem casada e com filhos já criados, sem preocupações financeiras, parecia uma pessoa feliz. Na realidade ela se sentia frustrada por uma vida vazia e aparentemente sem sentido. Essa frustração levou-a a procurar algo diferente, que preenchesse o vazio de sua vida. Assim, deixou-se envolver por um ambiente ocultista, onde a droga e as iniciações a conduziram ao pacto com o demônio, e a urna frustração e desespero maiores ainda. Movida pela graça, submeteu-se a uma séria terapia religiosa, constante de exorcismos, orações e catequese, conseguindo sair de sua triste situação.



A comovente história de Anneliese Michel constitui impressionante exemplo de possessão penitencial ou oblativa. Por desígnios insondáveis de Deus a jovem vítima sofreu essa dura provação como vítima expiatória de pecados alheios e para obter graças espirituais de santificação e de reavivamento da fé, para si e para outras pessoas. Esse caso é muito revelador quanto à incapacidade do demônio de penetrar no fundo da alma. Pois mesmo tendo obtido de Deus permissão para possuir o corpo da jovem alemã, e para atuar em suas faculdades inferiores, o demônio jamais conseguiu fazê-la pecar, nem impedi-la de continuar unida a Deus, de progredir na virtude e se santificar.



Não menos impressionante é a história da jovem noviça vietnamita Maria Catarina Dien, perseguida pelo demônio para que desistisse da vida religiosa, a pedido de um pagão que queria casar com ela. Apesar de todos os tormentos físicos e morais a que foi submetida pelo demônio, a jovem não só perseverou na sua vocação, mas ainda se serviu desse sofrimento para santificar-se.
Todos esses casos nos levam a recordar o que dizem os santos: “deve-se temer antes o pecado do que o demônio”.



Terminamos esta secção com o relato de casos impressionantes de sacrifícios humanos em honra do demônio, ocorridos recentemente no Brasil, os quais mostram o grau de apostasia e entrega ao Maligno a que se chegou em nossa pátria. Eles nos levam à pergunta sobre se esta não é a causa mais profunda da grave crise que a sacode em todos os planos.


A moça infestada e o menino possesso

“Desgraçado! Maria Santíssima já te esmagou a cabeça!” (Irmã Maria Teresa dirigindo-se ao demônio - Glória: infestação diabólica por malefício - A vigilância e a ação decidida de uma freira, livrou uma moça dos efeitos de um malefício).



Sintomas estranhos


Os fatos se passaram anos atrás em Marília, simpática e pujante cidade do Interior de São Paulo. (Reletado pelo Pe. Gabriele AMORTH, Nuovi racconti, pp. 105-108. Os nomes dos protagonistas são fictícios, mas o caso é real).



Glória era aluna interna da Escola Normal dirigida por freiras. Oriunda da zona rural, ela era órfã de pai; o avô materno custeava seus estudos para que ela, uma vez formada professora primária, ajudasse na educação de seus irmãos menores.De volta de casa ao fim das férias, a moça começou a manifestar sintomas estranhos. Até então a jovem tinha sido a melhor aluna de sua classe, sempre fôra respeitosa, obediente, e de conduta exemplar. Irmã Maria Teresa, de nacionalidade italiana, notou que a moça estava mudada; outras professoras se queixaram dela, sobretudo quanto à falta de atenção às aulas.


O lencinho misterioso


A zelosa Irmã chamou-a para conversar, alegando um pretexto qualquer. Durante o colóquio, Glória abriu maquinalmente um de seus livros de aula e, para espanto da freira, um lencinho de cores muito vivas esvoaçou de dentro dele e embora ambas tentassem agarrá-lo, desapareceu completamente.Aterrada, a moça exclamou: “Pobre de mim! Não posso perdê-lo”. Como tocasse o sinal das aulas, a Irmã Maria Teresa mandou depressa a aluna para a classe, desconfiada já do que se tratava.  Em seguida, dirigiu-se ao dormitório das educandas e começou a examinar os livros e cadernos de Glória. Depois de muita busca, encontrou o lencinho dentro de um caderno!



Como teria ido parar lá?



Cheia de fé, a Irmã dirigiu-se ao lencinho como se fosse o próprio demônio, exclamando: “Desgraçado! Maria Santíssima já te esmagou a cabeça!". E agarrando-o com força, correu à cozinha e o lançou ao fogo. A reação do Maligno não se fez esperar: Glória começou a se sentir mal e a não conseguir reter nenhum alimento. Estava claro que se tratava de um caso de malefício.


Feitiço de uma vizinha



A Irmã Maria Teresa chamou a moça para nova conversa e conseguiu que ela contasse tudo o que se tinha passado com ela quando estivera em casa nas últimas férias. Glória contou que uma vizinha a havia procurado num dia em que ela estava só na casa e lhe havia dito: “Logo que tirar o diploma, você vai se casar meu filho!”. Deu-lhe então o lencinho colorido, acrescentando: “Você deve guardar este lencinho e não pode perdê-lo em hipótese alguma; do contrário você não poderá mais estudar e morrerá!A pobre moça havia ficado tão aterrorizada com as ameaças da vizinha (ao que tudo indica, uma feiticeira) que, em vez de pedir conselho às Religiosas, procurou obedecer-lhe, com medo de não poder terminar o curso e com isso prejudicar seus irmãos mais novos, que dependiam dela para poderem também estudar.Irmã Teresa, Religiosa experiente e que tinha muita fé, disse à moça: “Tenha confiança em Nossa Senhora que tudo se resolverá". Como primeira medida, levou Glória para fazer uma boa Confissão - remédio ideal nos casos de perseguição diabólica, pois a alma em estado de graça tem muito mais possibilidade de resistir às vexações do demônio.  Em seguida, foi com a moça examinar seu dormitório; tomou o travesseiro e pediu-lhe que o abrisse para ver se havia algo anormal dentro dele. Glória tremia de medo ao descosturar o travesseiro e jogar as penas na cama; apareceu então um objeto estranho, uma bolota envolta em pano; ao abrir o embrulho a moça exclamou aterrada: “Meus cabelos!”De fato, a vizinha, ao mesmo tempo que dirigia ameaças á jovem cortara-lhe um chumaço de cabelos, levando-os consigo. Este é dos feitiços ou malefícios mais correntes: oferecer ao demônio cabelos ou unhas da própria pessoa a ser prejudicada; ou, então, uma fotografia dela, pedaços de sua roupa, etc.
Como esse objeto teria ido parar naquele lugar?



O demônio — sempre que Deus o permita — pode mover os objetos de um lugar para outro como, neste caso, primeiro o lencinho, que foi parar no meio de um caderno; depois a bolota de cabelos, encontrada dentro do travesseiro.



Malefício desfeito



Continuando nas buscas, descobriram outro lencinho igual ao primeiro. A Irmã pegou os objetos com precaução — sem tocá-los diretamente com as mãos, o que é perigoso —, jogou gasolina sobre eles e ateou fogo; apesar da intensidade das chamas, o pequeno lenço não se queimava.  A freira começou então a rezar fervorosamente e a bradar: "Os pés de Maria Santíssima continuam a te esmagar a cabeça, espírito maldito!",  até que finalmente os bruxedos se consumiram pelas chamas. Depois que os bruxedos foram queimados, Glória voltou a levar vida normal e aplicar-se nos estudos.Tais casos, quando bem aproveitados, servem para afervorar religiosamente as pessoas, e esta é uma das razões pelas quais Deus permite que eles sucedam.



Na Itália: valor da oração e dos sacramentais

O Pe. Gabriel Amorth, exorcista da diocese de Roma, relata o seguinte caso, ocorrido na Itália:



Em 1987 um casal procurou seu pároco pedindo-lhe que desse uma bênção a seu filho, o qual apresentava um comportamento estranho.  Tratava-se de um menino de onze anos, de aparência calma e amável. O pároco pediu a um confrade que o ajudasse; apenas os sacerdotes começaram a rezar, o menino passou a espumar, a blasfemar, e proferir ameaças. Os padres (talvez por não terem licença do seu bispo ou por não estarem seguros de que se tratava de caso de possessão diabólica) não procederam aos exorcismos solenes que se fazem sobre possessos, mas mantiveram-se em oração, dando repetidas bênçãos ao menino, ao mesmo tempo que recorriam ao uso de sacramentais, como velas, água-benta, incenso, etc. Por quinze dias seguidos o menino foi trazido à presença dos padres, que prosseguiram nas mesmas orações, bênçãos e uso dos sacramentais. No décimo-quinto dia, precisamente, o demônio começou a dar sinais de raiva impotente e de exaustão até que —  ao ser pedido o auxílio da Mãe de Deus e ser invocado o Espírito Santo — pôs-se a gritar pela boca da pequena vítima: “Nossa Senhora não!” — “A pomba branca não!” Após este último grito, o menino caiu por terra e um silêncio completo se fez na igreja. Tudo indicava que o demônio havia sido expulso. Com efeito, nos dias seguintes o menino não apresentou mais os sintomas de possessão. Entretanto, começou a manifestar sinais de infestação pessoal, tendo visões aterradoras.(O Pe. Amorth, com sua experiência de exorcista, afirma que isto acontece com fre qüência após as possessões, o que é muito perigoso, sendo necessária a assistência do exorcista ainda por algum tempo depois da expulsão do demônio.) Pela atuação prudente e zelosa dos dois sacerdotes, esse estado de infestação também foi vencido, e o menino passou a gozar de excelente saúde e a ter boa vida de piedade. (Cf. J. AMORTH, Nuovi racconti, pp. 108-109.).



Madalena: da frustração ao pacto com o demônio

“Recusar obediência a Deus é dizer sim a Satanás, a Lúcifer, a Belzebú".(Do pacto com o Demônio)



O CASO QUE SE SEGUE passou-se França, na década passada, e é relatado pela Dra. Marie-Dominique Fouqueray, psiquiatra que participa da equipe que auxilia o exorcista diocesano. (Relatório transcrito pelo Pe. Gabriele AMORTH, Nuovi raconti di un esorcista, pp. 151-155.)



Organista na paróquia e  sacerdotisa do Diabo!



"Um dos primeiros casos que tivemos que enfrentar foi o de uma senhora de seus quarenta anos, casada e mãe de quatro filhos, que trabalhava como educadora especializada. A causa dos seus males devera-se ao fato de que, por mais de dez anos, freqüentara uma seita satânica. Quando se dirigiu a nós, era a terceira vez que tentava sair daquela seita.Contrariamente a tudo o que se podia supor, esta senhora era muito próxima a sacerdotes; e foi um deles que a conduziu a nós. De fato, ela levava uma vida dupla: conhecia muitos sacerdotes e todos os domingos tocava o órgão na Missa, embora jamais se aproximasse dos sacramentos; mas, ao mesmo tempo, era grande-sacerdotisa de uma seita chamada Wicca, (Trata-se de uma seita satanista de caráter feminista, da qual já nos ocupamos pouco acima (cf. Parte V, Cap. 5).), cujo chefe é o próprio Lúcifer.  Ela tinha sido iniciada progressivamente, e quem ingressava na seita só poderia deixá-la por efeito de uma morte violenta, á qual ela era destinada: o suicídio. Ela sentia muito medo e queria sair, mas conhecia os riscos que isto comportava.Quando a encontramos pela primeira vez, apresentava sinais de uma pessoa deprimida, atormentada, emagrecida; dormia mal, mas não tinha antecedentes psiquiátricos. O exorcista, depois de ter examinado bem o caso, decidiu proceder aos exorcismos: primeiro de quinze em quinze dias, depois toda semana”.

A seguir a Dra. Fouqueray, narra como Madalena (nome fictício que ela usa para designar a infeliz mulher) se aproximou da seita e nela ingressou.


Pacto com o demônio e “batismo” satânico!



Nada levaria a supor que Madalena chegasse um dia a fazer um um pacto com o demônio e a se tomar sacerdotisa de uma seita satanista.Educada em colégio de freiras, casada e mãe de família, sem preocupações financeiras, parecia uma pessoa feliz. No entanto, seu catolicismo era superficial e ela foi-se deixando levar por certo desencanto, aborrecimento com a vida de família e um vazio que não conseguia preencher.

“Num jornal secular ela leu um convite para uma jornada de lazer."

“Freqüentou esse ambiente, embora percebesse que se tratava de um ambiente muito particular, aumentando cada vez mais o consumo de bebidas alcóolicas e drogas, e os convites para a iniciação numa seita. Mas, ao mesmo tempo, encontrou gente prestimosa, cujas atenções compensavam as carências que sentia em casa. E passou  a ser cada vez mais envolvida: renegou o batismo e aceitou um novo 'batismo’ da seita, no qual lhe foi imposto um novo nome. Recebei uma marca secreta na coxa e assinou com seu sangue um pacto com Satanás, depois de ter queimado a sua certidão de batismo cristão”.



Missas negras e escárnio da Paixão



“Foi iniciada nas as Missas negras e em celebrações de triunfo satânico pela morte de Cristo, todas as sextas-feiras às três horas da tarde. Viu claramente que os nossos ritos e as nossas orações eram transformados, diabolizados. A Missa negra era uma paródia da Eucaristia e, no momento da comunhão, se transformava em orgia.  É importante conhecer os diversos pontos do pacto satânico porque, durante os exorcismos, é preciso convidar a própria pessoa a renegá-lo com plena renúncia a Satanás: Renego-te, demômio X não quero mais saber de ti e renuncio ás práticas que tu me inspirastes".


Os doze pontos do pacto maldito:


1. Abjurar o batismo.
2. Abjurar a fé na Eucaristia.
3. Recusar obediência a Deus e dizer sim a Satanás, a Lúcifer, a Belzebú.
4. Repudiar Nossa Senhora.
5. Renegar os sacramentos.
6. Pisotear a cruz.
7. Pisotear imagens de Nossa Senhora e dos Santos.
8. Jurar fidelidade eterna ao príncipe das trevas; fazer juramento sobre as escrituras diabólicas.
9. Fazer-se batizar em nome do diabo, escolhendo novo nome apropriado para si.
10. Receber na coxa a marca do diabo, como sinal de filiação à seita.
11. Escolher um padrinho e uma madrinha na seita.
12. Profanar hóstias (não violando o Tabernáculo, mas indo comungar e conservando a partícula sagrada para depois profaná-la na Missa negra)".

Olhar de fera e repulsa do crucifixo


"Descobri esses pontos pouco a pouco, no decurso dos exorcismos.A possessa, durante os exorcismos, tinha o olhar de uma fera e rejeitava com força o crucifixo que mantínhamos diante dela; no final vomitava (às vezes somente água) e a sua temperatura chegava até 41º e baixava somente com o uso da água de São Sigismundo (conhecida em nossa região por curar febres inexplicáveis).

“Madalena demos-lhe este nome — tinha participa de um grande número de Missas negras...”



Madalena não era crismada



“Permito-me sublinhar um fato. Em um caso como este, não basta únicamente a ação do exorcista: já por duas vezes dois exorcistas tinham falhado, por não terem levado em conta o que dizia a própria infeliz, e por terem minimizado as pressões e ameaças dos membros da seita. Na terceira vez Madalena foi libertada graças ao auxílio que a equipe deu ao exorcista. Por exemplo, era necessária uma reeducação na fé cristã e manter uma assistência contínua quando a possessa era assaltada por impulsos de suicídio e febres inexplicáveis. Nós não a deixamos nunca sozinha, e nos mantivemos sempre perto dela.Tudo isto durou três anos...  Os exorcismos foram suspensos quando Madalena pôde conduzir por si mesma a luta espiritual, rezar, confessar-se, comungar; ou seja, quando pôde utilizar os meios ordinários de luta. Acrescento um dado importante: Madalena nunca tinha sido crismada; depois de adeqüada preparação, ela mesma pediu esse sacramento, que lhe foi ministrado pelo Vigário Geral, na presença do marido, dos filhos e dos membros da equipe que auxiliam o exorcista”.


Anneliese: possessão penitencial



"O demônio abominaina água-benta e objetos consagrados.Ele tem medo do nome de Jesus e da oração".(Do Exorcismo de Anneliese Michel)



O CASO RELATADO a seguir constitui impressionante exemplo de possessão penitencial ou oblativa, na qual a vítima sofre essa dura provação para, segundo os desígnios insondáveis de Deus, expiar pecados alheios e obter para si própria, ou para outras pessoas, graças espirituais de santificação e de reavivamento da fé.



Um caso muito bem documentado



A razão da escolha deste caso deve-se a que os fatos se passaram praticamente em nossos dias (de 1974 a 1976), e alcançaram grande repercussão na imprensa, estando muito bem documentados, uma vez que os exorcismos foram gravados em fitas magnéticas e o caso foi parar nos tribunais alemães.Seguimos aqui o livro da Dra. Felicitas D. Goodman, antropóloga americana não-católica, que estudou o caso por interesse acadêmico, aplicando ao exame do mesmo o rigor científico. Ela reuniu toda a documentação a respeito, inclusive as fitas magnéticas com a gravação dos exorcismos. (Felicitas D. GOODMAN, The Exorcism of Anneliese Michel, Doubleday, New York, 1981, 255pp.   A Dra, Goodman utilizou 42 fitas cassete com a gravação dos exorcismos, fornecidas pel o Pe. Ernst Alt, um dos exorcistas, e um dossier de mais de 800 páginas de documentos, proporcionados pela advogada da família Michel, Dra. Marianne Thora (depoimentos, cartas, laudos periciais, etc).



Menina inteligente, alegre e piedosa



Anneliese Michel nasceu em 21 de setembro de 1952 em Leiblfing, na Baviera, sendo a mais velha das quatro filhas do casal Josef e Ana Michel, católicos praticantes. Ainda na infância, a família mudou-se para a pequena cidade vizinha de Klingenberg.Anneliese era inteligente e piedosa, embora sua infância tenha sido marcada por contínuas doenças, o que preocupava muito sua mãe, que já havia perdido uma filha em baixa idade. Ela fez Primeira Comunhão com todo o fervor. Terminado o curso primário em sua cidadezinha, passou a viajar de trem com outras meninas, para cursar o ginasial numa cidade vizinha.

Era uma menina alegre, tocava acordeon e aprendia piano.


Quando completou dezesseis anos, entretanto, começaram a manifestar-se os sintomas de uma doença de caráter neuro-psiquiátrico, que os médicos diagnosticaram como epilepsia, prescrevendo o tratamento correspondente.


Incontrolável repulsa pelas coisas sagradas


Ao mesmo tempo, surgiram outros sinais mais inquietadores: uma estranha e incontrolável repulsa pelas coisas sagradas, dificilmente de entrar em igrejas.A jovem fazia esforços para vencer essa estranha repugnância, esses impulsos veementes, porém nem sempre obtinha êxito.  Certa vez, ao tentar entrar em uma capela dedicada a Nossa Senhora, na Itália, onde tinha ido em peregrinação, não conseguia avançar um passo, pois o chão lhe queimava os pés, como se estivesse em brasas. Em diversas ocasiões, quando pretendia levantar-se do lugar para ir comungar, seus membros pareciam pesados como chumbo e ela não conseguia mover-se. Um dia sua mãe a surpreendeu fazendo caretas de ódio e arreganhando os dentes para um crucifixo.Apesar dessas manifestações anormais, que iam se tornando cada vez mais intensas, a moça foi-se tomando mais religiosa e ligada a outras moças igualmente piedosas; ao mesmo tempo mantinha um namoro casto e bem intencionado com um colega de classe.



Exame cuidadoso revela possessão



A partir de 1974, Anneliese, por causa das perturbações acima referidas, principiou a procurar o Pe. Emst Alt, seu pároco, o qual lhe dava uma simples bênção, com o que ela se sentia aliviada.A falta de melhora com o tratamento médico, ao contrário do alívio que experimentava com as bênçãos, e a presença de sinais estranhos que aumentavam dia a dia, levaram Anneliese, seus parentes, amigos e igualmente o sacerdote que a assistia, Pe. Alt, à convicção de que se tratava de alguma influência diabólica. Vários sacerdotes doutos examinaram a moça, entre eles o Pe. Adolph Rodewyk S.J., conhecido especialista em demonologia e possessão, com importantes obras publicadas sobre a matéria.O pároco fez então vários pedidos ao bispo de Würzburg, Dom Joseph Stangl, no sentido de obter a devida licença para a realização dos exorcismos solenes. Depois de muito hesitar, o bispo, por fim, em setembro de 1975, deu autorização para que se procedesse a eles, nomeando exorcistas para aquele caso o Pe. Arnold Renz, salvatoriano, antigo missionário na China e Superior Religioso, e o própio pároco da moça, Pe. Ernst Alt.



Vítima expiatóriaria



De fins de 1975 a junho de 1976 foram realizados inúmeras sessões de exorcismos, durante as quais ficou claro que os demônios não tinham licença para abandonar sua vítima, pois se tratava de uma possessão oblativa, em que a moça sofria como vítima expiatóriaria.Simultaneamente, o tratamento médico prosseguia, porém se mostrava ineficaz, pois os médicos se apegaram ao diagnóstico de epilepsia, sem que os exames de eletroencefalografia fossem concludentes.Por fim, os demônios foram expulsos, porém, quando os presentes entoavam cânticos de ação de graças, eles se manifestaram de novo, dizendo que tinham recebido licença para voltar.  Os exorcismos recomeçaram, mas os demônios diziam que não tinham licença de Deus para sair, e essa situação ainda iria durar algum tempo.Finalmente, em meio ao exorcismo do dia 30 de junho, repentinamente, Anneliese, com sua voz normal, gritou: “Por favor, absolvição”. O sacerdote imediatamente atendeu o apelo e encerrou os exorcismos.Na manhã seguinte a moça foi encontrada morta em sua cama.


Vingança do demônio



Apesar de todos os esforços da família e dela própria, a moça passara longos períodos sem conseguir alimentar-se, caindo em um estado de desnutrição e fraqueza generalizada. Em vista disso, o médico negou-se a dar o atestado de óbito e foi aberto um processo judicial contra os pais e os exorcistas, por omissão de socorro médico. Em 21 de abril de 1978 eles foram condenados a seis meses de prisão, notícia essa que foi amplamente divulgada pela imprensa  em todo o mundo.Toda aquela dolorosa e humilhante provação foi muito útil para o aperfeiçoamento espiritual de Anneliese e de sua família, bem como dos próprios sacerdotes exorcistas.Após a morte da moça, seu túmulo no cemitério de Klingenberg passou a ser local de peregrinação, para o qual afluem pessoas não só da Alemanha, mas do Exterior, para rezar e pedir graças.


Gritos roucos, guinchos e grunhidos furiosos: a voz do Inferno


As transcrições de trechos das gravações dos exorcismos que a Dra. Goodman faz em seu livro permitem-nos formar uma pálida idéia da luta dos exorcistas com o poder das trevas.Não cabe transcrevê-los todos aqui, de maneira que damos alguns excertos como amostra, terrível amostra da voz do próprio demônio. Eis o que diz a Dra. Goodman:



“Na fita original nós sentimos, como os que cercavam Anneliese, algo dessa presença autônoma e alienígena que, no sentido do dogma católico, estabeleceu sua residência no corpo da moça, que usa para os seus propósitos demoníacos.Há os gritos ondulados e roucos e os guinchos e grunhidos furiosos que caracterizam o demônio - conforme os ensinamentos da Igreja - alienígena das profundidades, emissário das trevas, de tudo aquilo que é amedrontador e poluído. Os sons infernais fervem e chocam-se formando de vez em quando algumas palavras ou frases. E quando isso acontece, quando o demônio fala, a força do mal transforma-se numa pessoa. Não porém uma pessoa qualquer, porque fala no dialeto da Floresta Bávara, no linguajar de mercado, ele o demônio medieval nas obscenidades de seus assaltos verbais contra o padre”.



Malefício feito por inveja


"Ele toma as palavras latinas do sacerdote, e responde a elas com revolta: Immaculata (Imaculada) ... ‘Você com suas porcas palavras...nem você acredita nisso’. Saecula saeculorum (Pelos séculos dos séculos)...’Não é verdade, nem se devia falar isso aqui.’  Educto (Retira-te)... ‘Pode falar o dia todo, eu não vou sair’. Ut discedas ab hac famula dei Anneliese (Para que abandones esta serva de Deus Anneliese) ... ‘Não, não, ela pertence a mim, dê o fora daqui velha carcaça”.

"É a aldeia que vive e respira na resposta da questão de porque Anneliese estava possessa: ‘Ela não havia nascido ainda quando foi amaldiçoada’ — revela um dos demônios. Uma mulher fez o malefício por inveja. Quem era ela? ‘Uma vizinha de sua mãe em Leiblfing´— responde o demônio.”



A moça está possuída por vários demônios. Em determinado momento um deles deixa escapar seu lamento infernal, no qual não entra nenhum arrependimento, apesar da intensidade do sofrimento:



"Danados por toda a eternidade, o-oooh!”.Demônios abominam água-benta, têm medo do nome de Jesus, e de que lhes lembrem o fim que lhes aguarda.


De uma outra sessão de exorcismo:



"O padre pode também obrigar o demônio a dizer o que é nocivo para ele e encurralá-lo como o faria um senhor contra seus súditos rebeldes....Os assistentes do exorcismo descobrem que o demônio abomina água-benta e objetos consagrados. Eles têm medo do nome de Jesus, da imitação por alguém da vida de Jesus, da oração. 'Reze, diz um dos demônios, e nada pode realmente acontecer de mau com você, seu porco imundo! ... Mas felizmente não muitos acreditam mais nisso’. Eles não toleram as súplicas a São Miguel. cuja missão é a de expulsar para o inferno os espíritos vagando pelo e tentando as almas...Eles temem o o Anjo da Guarda e gritam de horror quando a Ladainha das Cinco Chagas de Jesus é entoada: ‘Eu saúdo a adoro a chaga sagrada de vossa mão direita, oh Jesus’. Deixam-se levar por um verdadeiro furor quando chega a invocação da Quinta Chaga: ‘Eu saúdo e adoro a chaga do vosso Sagrado Coração, e nessa chaga eu escondo a minha alma’. Então essas orações são repetidas continuamente, como uma potente ameaça...“Estou condenado porque não quis servir a Deus!”...A arma mais efetiva que os padres têm contra o demônio é o interrogatório, submetê-lo a questões. Aqui os demônios estão em desvantagem, pois eles não podem fazer o mesmo e interrogar o padre. O padre faz um uso agressivo do interrogatório durante todo o exorcismo. Suas questões martelam o demônio incessantemente, voltando sempre ao mesmo ponto: Porque eles estão naquele corpo? Quantos e quais são os demônios presentes? Quando eles sairão? Que mensagens da parte da Mãe de Deus eles têm? Porque eles caíram no Inferno?”



Em um dos exorcismos, obrigado pelo sacerdote, um dos demônios explica a causa de sua danação:


“Eu estou danado porque eu não quis... eu não quis servir.., a Deus!. Eu queria ser a regra para mim mesmo, embora eu fosse uma mera criatura”.


De outro exorcismo:


“Eu... vou dizer algo”, diz um demônio. Segue-se uma série de gritos e blasfêmias, e ele prossegue: "Ela (Nossa Senhora) está feliz com vocês todos” e seguem-se mais gritos. “Porque vocês continuam a rezar. Vocês devem continuar o quanto vocês puderem” — novos gritos e blasfêmias.


"Fui para o inferno porque me desesperei”



O padre impôs como sinal de que os demônios sairiam que eles, ao sair dissessem: Ave Maria! Cheia de graça. Eles relutaram de todo modo mas, pela força do poder exorcístico, foram obrigados a aceitar. Quando chegou a vez de sair o demônio que se chamava a si mesmo de Judas, deu-se o seguinte diálogo:

"Judas Iscariote, você está aí?...” Gritos. O Pe. Renz repete a fórmula exorcística de autoridade, ouvem-se gritos do demônio. E depois a confissão: "Eu fui para o inferno porque eu me desesperei”. (O demônio fala como se fosse o próprio Apóstolo traidor.)



- “Desespero porque você traiu o Salvador?

"Sim ... mas eu não vou sair?". Ele continua resistindo até que o Pe. Henz repete três vezes mais a fórmula exorcística e lembra ao demônio a ordem dada por Nossa Senhora para que ele saísse.: ‘Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, em nome da Santa Mãe de Deus...”. Judas continua desafiador: “Não... não... não... não..."Em nome de...”

Judas tenta negociar:


‘Para onde eu devo ir?’
"Para o Inferno."
"Não”
"É lá que é o seu lugar!"
"Não!"
"Você deve ficar lá! Você não quis servir ao Senhor!"


Judas não pode mais resistir. Seus gemidos e gritos são mais assustadores do que antes. Uma vez mais o Pe. Renz repete a ordem, e então diz enfadado: ‘Vamos, sáia’. Judas saúda a Virgem e sai.  Renz se distende um pouco”.



"Muitas almas estão sendo salvas por este sofrimento”



O caráter penitencial dessa possessão se depreende de todo o conjunto da história e da atitude da moça, e foi posto em relevo por um dos exorcistas, o pároco Pe. Alt, em uma carta de 24 de junho de 1976 ao bispo de Würzburg:


 “Nós não estamos conseguindo forçar o demônio a falar novamente. Isto, me parece, se deve ao fato de que nós estamos lidando com um caso típico de possessão penitente. Em várias conversas que eu tive com a moça recentemente, ela me deixou entender que as coisas ainda ficarão piores para si. Estava muito amedrontada triste com isso. Mas disse que deve passar por isso também.  No caso de uma possessão penitente, as coisas ficam muito difíceis para o exorcista, porque é muito difícil entender o significado da penitência. Isso foi o que o Pe. Rodewyk S.J. de Frankfurt, me disse. A única consolação que temos é que muitas almas estão sendo salvas por este sofrimento”.



Este caso ilustra bem como o exorcismo, apesar de seu poder sobre os espíritos infernais, está condicionado à vontade de Deus, que muitas vezes pode retardar a saída do demônio segundo algum desígnio seu, como o da provação e santificação da pessoa. É igualmente muito revelador quanto ao que foi dito anteriormente, sobre à incapacidade do demônio de penetrar no fundo da alma. Pois mesmo quando tem permissão de Deus para possuir o corpo de uma pessoa, e de atuar em suas faculdades inferiores, o demônio jamais tem o poder de fazê-la pecar, de impedi-la de continuar unida a Deus, de progredir na virtude e se santificar, como foi o caso de Anneliese Michel. Por isso cabe bem lembrar aqui o que dizem os santos: deve-se temer a pecado do que o demônio.



O Diabo no Convento


“Eu não a deixarei em paz enquanto você não sair do convento”.(Ameaça do Diabo a Maria Dien)
O DIABO NO CONVENTO: não se trata de título de alguma novela.  É o relato real de um impressionante caso de infestação e possessão coletivas, narrado pelo próprio exorcista que fez os exorcismos e expulsou os demônios: Dom Louis de Cooman M.E.P., antigo bispo no Vietnã. Ele publicou mu livro com esse título, no qual relata de modo objetivo a ação extraordinária do demônio em um convento desse país, onde foi missionário por muitos anos.’ (Mgr Louis de COOMAN, Le Diable au Couvent et Mère Marie-Catherine Dien, Nouvelles Éditions Latines, Paris, 1962.)



Pagão invoca os demônios para tirar moça do convento:



Os fatos se passaram de 1924 a 1926 em Phat-Diêm, no então protetorado francês do Tonkin (hoje Vietnã), no convento e noviciado das Irmãs Amantes da Cruz.Por permissão de Deus, o demônio começou a agir nesse convento, pela seguinte causa:


Minh, era um moço pagão, havia-se apaixonado por uma jovem católica, Maria Dien; a jovem, entretanto, queria ser freira e ingressou na Congregação das Irmãs Amantes da Cruz. Inconformado, Minh dirigiu-se ao célebre pagode budista de Den Song e ali conjurou os gênios (na verdade demônios) a que fizessem a moça abandonar sua vocação religiosa e casar-se com ele.  O demônio, para atendê-lo, passou a infestar o convento, procurando tornar a vida nele impossível, de maneira a obrigar Maria Dien a abandoná-lo ou então ser expulsa por suas companheiras, que percebiam que a jovem estava no centro dessa ação diabólica.


Surrada pelo demônio



Apesar de todos os tormentos físicos e morais a que foi submetida pelo demônio, a jovem noviça não só perseverou na sua vocação, mas ainda se serviu desse sofrimento para santificar-se.As primeiras manifestações extraordinárias do demônio foram de infestação local e pessoal; vozes noturnas e pedradas que impediam as noviças de dormir. Maria Dien, às vezes, era surrada por mão invisível durante toda a noite. Isto se deu em meados de setembro de 1924.O então Pe. Louis de Cooman, jovem missionário a quem estava subordinado o convento, foi chamado pelas freiras que o informaram do que estava ocorrendo. De início, o padre não deu muito crédito àquelas histórias. Tomou, entretanto, algumas medidas de prudência: proibiu as freiras de conversar com as vozes misteriosas e de falar entre si sobre esses fatos extraordinários. Ele esperava que em pouco tempo os fenômenos cessassem, caso fossem de origem meramente natural, por sugestão coletiva ou algum distúrbio nervoso das noviças.Pelo contrário, as coisas não fizeram senão se agravar. Na noite de 21 para 22 de setembro, enquanto o demônio atormentava Maria Dien - o que todas as noviças testemunhavam — uma delas levou um crucifixo e o apresentou à jovem freira para oscular, surpreendentemente, a imagem de Cristo desapareceu e só encontrada no dia seguinte.



Pedradas no telhado, ruídos espantosos e fantasmas



Quase todas as noites continuava a cair sobre o convento misteriosa e aterrorizadora chuva de projéteis — pedras, tijolos, paus, batatas, garrafas vazias, etc.tc.Mais impressionantes eram os ruídos, que duraram dois anos:  piados de pássaros, relinchos de cavalos, buzinas de carro, sirenes de barco, choros dilacerantes, risos sardônicos, ranger batidas, batidas de porta, toque de tambores, etc. Isso tornava as noites terríveis e submetia os nervos das freiras a uma prova tremenda.  Sem o auxílio da graça divina, elas não teriam resistido: ou teriam abandonado convento, ou ficado loucas.O demônio havia dito à Irmã Maria Dien:


“Já vieram quatro vezes ao meu pagode (de Den Song) pedir-me que eu a faça voltar ao mundo; eu não a deixarei em paz enquanto você não sair do convento".



Começaram então as aparições de fantasmas: seres fantásticos, de tamanho extraordinário e aspecto amedrontador. Outras vezes, o demônio tomava a aparência do confessor e dava conselhos que confundiam as jovens noviças. A única coisa que as salvava era cumprirem fielmente com a obediência de tudo relatar às superioras, que desfaziam as tramas do demônio.


Possessão contagia outras freiras



Uma noite Maria Dien foi levantada nos ares pelo demônio, o qual lhe disse que ia levá-la para a casa do seu apaixonado. Após ser carregada por cerca de 17 metros, até o extremo do dormitório das noviças, a freira conseguiu oscular uma relíquia de Santa Terezinha do Menino Jesus, que trazia consigo, e o Maligno a soltou. Ela caiu de uma altura de três metros sem se machucar.Aos poucos, várias das noviças foram manifestando sinais estranhos de forte infestação demoníaca e mesmo de possessão.  Demonstrando agilidade fora do comum para moças sem nenhum treinamento físico, saltavam sobre os galhos das árvores e subiam aos cimos mais inacessíveis. Ou, então, deitavam-se sobre galhos muito finos que deveriam vergar e quebrar-se com seu peso e nada acontecia. Para fazê-las descer era preciso rezar muito, jogar-lhes àgua-benta.


Certa vez, uma das noviças, na presença do então Pe. Louis de Cooman, deu um pulo para o alto, sem tomar impulso, conseguindo agarrar-se à trave do teto na altura de quase três metros do chão. Depois, erguendo-se nos braços alçou o corpo para cima e deitou-se sobre a trave, onde permaneceu por longo tempo, jogando-se depois ao solo. O ruído da queda foi forte, mas a noviça levantou-se rindo e sem ter sofrido nada.



Demônio semeia discórdia na comunidade



Uma outra provação — talvez mais terrível do que todas - foi a discórdia que o demônio conseguiu introduzir na comunidade: todas as freiras ficaram com uma profunda antipatia em relação a Maria Dien, a qual só não foi expulsa do convento graças à prudência dos superiores, que perceberam tratar-se de infestação diabólica. Com efeito, depois de algum tempo essa antipatia cessou por completo e as freiras reconheceram que haviam sido injustas com ela.Após um período de estudo da situação,  os superiores encarregaram o próprio Pe. Louis de Cooman de proceder aos exorcismos sobre as irmãs atingidas pela infestação ou possessão diabólica.



Exorcismos, novenas e penitências


Ao todo foram nove noviças que passaram por inúmeras sessões de exorcismos. Elas tinham que ser arrastadas à força. até o local dos exorcismos, sendo necessárias várias freiras para levar cada uma delas.Pouco a pouco, graças aos exorcismos, às novenas, penitências, etc., as possessões foram cessando, e em 1926 terminaram completo. As infestações locais e pessoais ainda duraram por alguns anos, até cessarem inteiramente.


Piedosa vida e santa morte de Maria Catarina Dien


Apesar de todo o esforço demoníaco, nenhuma postulante ou noviça deixou o convento; mais tarde, três delas abandonaram a vida religiosa, mas por outras razões.Quanto à Irmã Maria Catarina Dien, ela não somente perseverou na vida religiosa, mas foi ainda agraciada por Deus com graças místicas: colóquios com o Divino Salvador e assistência especial e visível de sua padroeira, Santa Catarina de Siena. Nos últimos anos de sua vida ela foi Mestra de Noviças e guiou os passos de inúmeras freiras na vida religiosa. Faleceu santamente no dia 16 de agosto de 1944.



Sacrifícios humanos em honra do demônio


"Este menino foi vítima de um crime satânico". (Revista "Manchete")

ALGUMAS NOTÍCIAS, publicadas na grande imprensa nacional nos anos de 1992-1993* demonstram a que ponto o satanismo homicida, vai se expandindo no Brasil, sem que nos demos conta. E o satanismo homicida é apenas o aspecto mais brutal de um culto ao demônio que se difunde como uma mancha de azeite em nossa pobre pátria.
*Não foi feita uma pesquisa exaustiva, nem aproveitado todo o material recolhido, pois isso tornaria este capítulo por demais extenso.



Menino oferecido em sacrifício a Exu em 3 de abril 1992: estranho ritual à beira-mar


Na noite de 3 de abril de 1992, por volta das 23:45 horas, o Sr. AB estava passeando na praia em Guaratuba, cidade balneária do Paraná, quando um carro Escort com as lanternas acesas chamou-lhe a atenção. Perto dali, bem próximo ao mar, quatro pessoas faziam um despacho de macumba. O Sr. AB parou e ficou a espreitá-los a pequena distância. Eram duas mulheres e dois homens. Uma aparentava cinquenta anos, e a outra mais ou menos trinta. Um dos homens era barbudo, alto, moreno, magro; o outro usava cavanhaque, estatura média e era mais claro.Havia velas acesas, e aquelas pessoas dançavam de uma forma bem estranha: os quatro seguravam-se nos braços uns dos outros, e davam juntos os sete passos para traz, sete para a frente, sete para o lado esquerdo e sete para o lado direito. Repetiram a sequência de passos sete vezes.Diziam muitas coisas estranhas e sem nexo; às vezes não se entendia uma única palavra do que diziam; outras vezes falavam claramente. O Sr. AB, de onde estava, ouvia o que eles diziam:


"A sua encomenda está sendo providenciada. Logo seu presente vai chegar. Tenha confiança, não vamos falhar! Você tem que nos ajudar a encontrá-lo! Será um presente muito lindo! Pode acreditar! Também temos pressa! É questão de dias. Tenha paciência!"



A mulher mais velha balançava fortemente a cabeça, girava-a com força, dava corcovas como um cavalo bravo, jogava-se no chão, parecia que estava possessa. Ajoelhava-se e erguia os braços para o alto e gritava:


“Meu querido, já vou te dar o que você quer. Tenha paciência! Te amo, te amo muito! Você vai ficar surpreso com o meu presente, meu querido, vida da minha vida, meu eterno amor! Já estamos providenciando. É questão de dias. Tenho e certeza, você vai gostar, meu adorado!”


Dizia muitas outras coisas que o Sr. AB não entendia.Os quatro às vezes se abraçavam e ficavam girando em círculos, caindo depois de joelhos. Era assustador o que eles faziam.Depois de uns vinte minutos, foram embora, saindo naquele carro Escort que estava com as lanternas acesas.O Sr. AB aproximou-se daquele local e ficou muito assustado com o que viu:


Havia sete velas vermelhas e sete pretas; um desenho feito na areia representava uma casinha e no seu interior havia duas mãos pequenas, talvez de cera ou de plástico; havia também sete bonecos vermelhos e pretos, com chifres, talvez representando Satanás. Um pouco mais abaixo estava o desenho de um coração tendo um punhal feito de madeira, nas cores vermelha, preta e amarela, cravado em seu meio. Mais abaixo estava escrito na areia: “É o nosso juramento. Será dia 6”.Inexplicavelmente, uma enorme onda veio, quase derrubando o Sr. AB, e levou tudo para dentro do mar. O que mais o assustou é que o mar estava calmo, não havendo explicação de como surgiu aquela enorme onda, assim tão de repente. (Depoimento de Testemunha no inquérito policial, in G. PONTÓGLIO, Ritual satânico. O sacrifício de Evandro, pp. 69-71. (O depoente é chamado “Sr. AB” no livro do Delegado Pontóglio porque não autorizou divulgar seu nome).



7 de abril 1992: Sacrifício de criança em honra ao demônio



Na noite de 7 de abril de 1992, na cidade balneária de Guaratuba - Paraná, o menino Evandro Ramos Caetano, de seis para  sete anos de idade, foi sacrificado ritualmente a Exu. Participaram do ritual satânico sete* pessoas: dois pais-de-santo — Vicente de Paula Ferreira e Osvaldo Marceneiro; três outros homens, também ligados a práticas de macumba — Davi dos Santos Soares, Francisco Sérgio Cristofolini e Airton Bardelli dos Santos; mais a mulher e a filha do prefeito da cidade — Celina Cordeiro Abage e Beatriz Cordeiro Abage.
*Segundo uma das testemunhas, foram sete os participantes do ritual macabro, por ser este o número do Exú, de acordo com as crenças cabalísticas da macumba. Por isso, o número 7 aparece repetido muitas vezes nesta história.



O menino fora sequestrado na véspera por Celina e sua filha Beatriz, no carro Escort desta última, e levado para um galpão da serraria de propriedade do prefeito Aldo Abage, onde se realizaria o macabro ritual.Depois de estrangular a criança, fizeram-lhe um talho no pescoço para que o sangue escorresse em uma vasilha; o peito foi aberto e o coração retirado; abriram também o ventre e extraíram as vísceras; depois, deceparam o órgão genital do menino; em seguida, retiram o couro cabeludo com uma navalha e cortaram as orelhas; por fim, amputaram-lhe as mãozinhas e os dedinhos do pé. Tudo foi recolhido em alguidares (tigelas de barro)."O sacrifício da criança seria oferecido a ‘Exu’ que é um espírito que tanto faz o bem como o mal” — declarou posteriormente um dos macumbeiros-assassinos.  Osvaldo Marceneiro. (G. PONTÓGLIO, op. cit., p. 90.)...“O local onde o ato foi realizado era escuro, iluminado somente por sete velas brancas, sete velas pretas e sete velas vermelhas.  Durante o ritual, Osvaldo cantava hinos de umbanda em louvor a ‘Exú”. (Depoimento do pai-de-santo Vicente de Paula Ferreira, in G. PONTÓGLIO. op. cit., p. 81.)...“A medida que iam sendo retirados os órgãos da criança, Celina ia fazendo pedidos de proteção e vitória, ou seja, proteção no comércio e ‘abrir’ o lado financeiro e ‘força’ na política. Celina agia normalmente, não tendo sentido nenhum tipo de repulsa durante todo o ritual”. (Depoirneoto do pai-de-santo Osvaldo Marceneiro, in G. PONTÓGLIO. op. cit., p. 91.)



Ao final deste, as tigelas de barro ou alguidares contém os órgãos e o sangue do menino sacrificado foram colocados numa casinhanha, do tamanho de uma casa de cachorro, construída no quintal para essa finalidade (trata-se de uma espécie de pequeno templo dedicado a Exu, existente em todos os terreiros de umbanda).No interrogatório policial, às perguntas — “Por que foi feito isso? Por que foi sacrificada a criança?” — a filha do prefeito respondeu:


“E prá vir mais fortuna, justiça... pra minha família”. (“O Estado de S. Paulo”, 10-7-92; G. PONTÓGLIO, op. cit., p. 135.). Vicente de Paula disse que o trabalho foi realizado com o objetivo de salvar da falência a serraria pertencente à família de Celina. (G. PONTÓGLIO, op. cit., pp. 80-82.)

A revista “Manchete” (Edição de 18-7-92.) publicou ampla reportagem sobre esse crime satânico.Ali aparece um comentário sobre uma das autoras do crime - a mulher do prefeito — muito ilustrativo da situação de apostasia que vai se generalizando cada vez mais em relação à Igreja Católica:


“Celina era católica, mas a sua fé em Cristo, ao que parece, desde que o marido se tornou prefeito, começou a falhar. Afastou-se aos poucos da Igreja, em compensação, podia ser vista com freqüência em terreiros de macumba. Obcecada por saídas mágicas, Celina decidiu levar para Guaratuba o o pai-de-santo Osvaldo Marceneiro, também conhecido por Bruxo.Quando sentiu que a situação financeira e política da família ameaçava degringolar. Ela já o conhecia de Curitiba, pois havia recorrido aos seus trabalhos quando o marido estava em campanha (eleitoral) em 1988”.Toda a família do prefeito, aliás, participava com freqüência de rituais de macumba. Um dos feiticeiros, Osvaldo, declarou “que Beatriz (a filha do prefeito) lhe contou que esteve juntamente com o seu pai em um terreiro de candomblé ... onde tomou alguma coisa parecida com sangue, durante um ‘trabalho’ que ali se realizava". (G.PONTÓGLIO. op. cit., p. 93. )



Outros casos


"Jovem mata menino em Magé, atendendo a ordens de Exú”



"Em cumprimento a ordens que disse ter recebido do Exu Tranca-Rua — uma entidade de umbanda que teria incorporado antes de cometer o crime — Roberto Silva Teixeira, de 18 anos, matou Carlos Eduardo dos Santos, de 2, atirando-o, assim como sua irmã, Vanessa dos Santos, de 4, num poço”. ("O Globo”. 31-12-92.)


Menino é morto em magia negra



"Um garoto negro não identificado, com aproximadamente 13 anos, foi encontrado morto ontem, entre recipientes de barro e de ágata com oferendas para orixás, num terreno baldio na Zona Oeste ( do Rio de Janeiro).Pelo menos 21 crianças e adolescentes morreram e outras foram gravemente feridas nos últimos 14 anos em casos de grande repercussão, por praticantes de magia negra ou por pessoas que diziam ter recebido mensagem do além”.("O Globo”. 8-2-93.)



“Balneário de Camboriú. — A polícia ainda não havia conseguido prender o principal suspeito do assassinato do pescador Romy Smillaanitch, de 60 anos .... O principal suspeito é um pai-de-santo que morava em um barraco próximo do pescador. ... O suspeito trabalhava com sacrifício de animais, fazia macumba, usava muita cachaça, vela, cigarro e muitas vezes [os vizinhos] viram cachorros sangrando e galinhas com facas atravessadas no corpo. Disseram também que havia um grande movimento de carros, à noite, em direção do barraco do pai-de-santo. Segundo eles, eram canos novos, de ‘figurões’ ".  ("Jornal de Santa Catarina”, 27-3-93.)



Num ritual de magia negra, rapaz seqüestra, estupra, queima e mata garotinha



“O operário desempregado Jorge Paulo da Silva Teixeira, de 22 anos, seqüestrou, estuprou e matou, num ritual de magia negra, Luana da Conceição da Silva, de 6 anos. O crime ocorreu em Campos, no Estado do Rio.Na casa de Teixeira, os policiais apreenderam um livro sobre ocultismo, roupas sujas de sangue e cartuchos da pólvora utilizada para queimar a menina”. (“O Estado de S. Paulo”, 2-4-93.)



Mãe e filha mortas em ritual a Exú



“Salete Fátima de Azevedo, de 32 anos, e sua filha, Daniela Batista de Azevedo, de 3 anos, foram mortas num ritual de magia negra, realizado na tarde da última terça-feira, em Criúva, distrito de Caxias do Sul. Os responsáveis pelo assassinato, um menor, de 17 anos e sua esposa, de 15 anos,declararam que a sessão de magia negra foi realizada por intermédio do pai-de-santo João Claudionir Anastacio, de 19 anos. Segundo a menor, ela está grávida de três meses, e o pai-de-santo havia afirmado que o feto só sobreviveria caso ela matasse uma criança e um adulto...O pai-de-santo nega ser o mentor do assassinato: ‘Não tenho culpa, foi a entidade Exu que mandou matar a mulher e a criança. Isto não é comum, mas eventualmente a entidade determina este tipo de ritual’ afirmou Anastácio”. ("Correio do Povo”, Porto Alegre, 17-6-93. )



PF investiga rede nacional de magia negra



Em Altamira, Pará, três pessoas - 2 médicos e um fazendeiro - são acusados de matar cinco meninos e cortar seu órgão genital.  Segundo o Superintendente da Polícia Federal “existe a suspeita de que os acusados façam parte de uma rede nacional de magia negra que promoveria o sacrifício de crianças”. ("Folha de S. Paulo”, 16-7-93.)



O demônio está solto no Rio



A jornalista Ellenice Bottari, em “O Globo”, do Rio de Janeiro, escreve sobre a disseminação do satanismo na ex-Capital Federal e Baixada Fluminense: “Rituais satânicos e cerimônias de magia negra crescem e assustam o carioca ... O juiz Antonio Meirelles, da 3ª Vara Criminal de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, decretou a prisão preventiva do pai-de-santo: Carlos Alberto Justino Pessoa, que há um mês estuprou uma menina de 11 anos num ritual de magia negra. Também em Caxias, Lucy Magalhães da Conceição, condenada a 25 anos de prisão por ter matado a filha de 6 anos durante um ritual desses, será levada a novo julgamento..."O pai-de-santo Marcos Fabian Vieira não tem medo do capeta.  Diz que é em noite de lua cheia que invade os cemitérios para roubar crânios para seus rituais de magia negra, para o bem ou para o mal, depende só do gosto do freguês. ... Se apresenta como Marcos Diabo e incorpora o Exú Tiriri — para os leigos, o próprio diabo em pessoa” ("O Globo”, 23-8-92.)



"Caseiro tenta estrangular a filha para um ritual satânico”



"O caseiro Marconi Fraga Magalhães, de 29 anos, foi preso ... depois de tentar estrangular sua filha de um ano e sete meses.  Segundo a polícia, Marconi queria oferecer o sangue da criança ao demônio”. (“O Globo”, 11-9-92.).  “Marconi Fraga Magalhães contou ontem que há um ano teria feito um pacto com o demônio e desde então não consegue viver em paz ... A partir dai resolveu abrir seu próprio templo e fazer rituais de magia negra, duas vezes por semana. A cada 15 dias, sempre às sextas-feiras, os rituais atraíam dezenas de pessoas, muitas personalidades importantes.Durante os rituais,costumava sacrificar bodes, gatos, galos pretos, por exigência das entidades”. (“O Globo”, 12-9-92.)





CONCLUSÃO - A RAINHA DOS ANJOS, TERROR DOS DEMÔNIOS


ENCERRAMOS AQUI o estudo que nos conduziu da maravilhosa realidade dos anjos de luz, à tenebrosa dos anjos decaídos; da fidelidade e amor enlevado a Deus dos primeiros, à revolta desesperada dos segundos; da solicitude dos anjos por nós homens, ao ódio implacável que nos têm os demônios.Vimos os cuidados que devemos ter em relação a toda forma de supertição, que é uma porta de acesso do Maligno, e a que grau de sujeição ao anjo do mal pode chegar o homem, passando de um pacto implícito, da mera superstição, ao pacto explícito, a um verdadeiro contrato com o demônio. E aí se abre o abismo terrível da possessão voluntária, da feitiçaria, do malefício, das Missas negras, dos ritos sacrílegos, os sacrifícios humanos.Vimos também o renascer do satanismo, conseqüência do tremendo processo de descristianização e de decadência moral pelo qual passa a Humanidade.


Não devemos esquecer que: Deve-se temer mais o pecado do que o demônio



Não devemos, entretanto, ter um medo cheio de pânico do demônio. nem exagerar supersticiosamente seus poderes (os quais, de lhe valem se Deus não consentir que os utilize); mas guardar dele toda a distância, evitando qualquer forma de superstição; evitando sobretudo o pecado: é o pecado que nos torna vulneráveis à ação do Maligno.Como dizem os santos, mais do que o demônio e suas artes, devemos temer o pecado.A grande Santa Teresa de Jesus relembra esta verdade com tal fogo e tal lógica, que convém transcrever suas próprias palavras:


"Se este Senhor (Jesus Cristo) é tão poderoso, como sei e vejo; se os demônios não são senão seus escravos, como a fé não permite duvidar, que mal me podem fazer eles, se eu sou a serva deste Rei e Senhor? Antes, por que não me sentir tão forte que seja capaz de enfrentar o inferno inteiro?...Tomando a cruz às mãos me parecia que Deus me dava coragem. Em breve espaço de tempo me vi tão transformada, que não teria temido sair em luta com todos os demônios, que me parecia que com aquela cruz facilmente venceria a todos; e lhes gritava...E me pareceu que eles me temiam, pois fiquei tranqüila e sem temor de todos eles e se me esvaíram todos os medos que tinha até agora; verdadeiramente, pois, me deixaram tranqüila. Porque, embora algumas vezes os visse ainda, não lhes tive mais quase medo, pelo contrário, parecia que eles é que tinham medo de mim. Ficou-me um tal senhorio contra eles, a mim conferido pelo Senhor de todos, que não tenho mais medo deles do que de uma mosca. Parecem-me tão covardes que, vendo que eu os desprezo, perdem a força...Estes inimigos não sabem atacar senão aqueles que lhes entregam suas próprias armas, ou quando o permite Deus para maior bem de seus servos, que os atormentem. Aprouvesse a Sua Majestade que nós temêssemos a quem devemos temer e compreendêssemos que nos pode vir maior dano de um pecado venial que de todo o inferno junto; os demônios só nos perturbam porque nós nos perturbamos com aquilo que deveria nos aborrecer, como questões de honra, de negócios e deleites. Porque assim eles nos combatem com as nossas próprias armas que nós pomos em suas mãos, em vez de usá-las para nos defender...Não entendo estes medos: as pessoas gritam 'demônio! demônio!', enquanto poderiam gritar: ‘Deus! Deus!’ e fazê-lo tremer. Sim, pois sabemos que eles não podem se mover se o Senhor não o permite”. (Santa TERESA, Livro de la Vida, Cap. 25, na. 20-22 in Obras Completas, pp 115-116.)


As armas da luta


Temos ao nosso alcance os meios de nos defender, quer da ação ordinária quer da extraordinária do demônio: a oração, a Confissão e os demais Sacramentos, os sacramentais, as medalhas bentas, água-benta; mas sobretudo uma vida de piedade autêntica e de fé sincera.Quando Deus permite uma ação mais intensa do Tentador, uma infestação, ou mesmo, em casos extremos, a possessão, temos nos exorcismos, realizados com fé e devoção por quem de direito, uma forma segura de libertação.Devemos recorrer especialmente ao nosso Anjo da Guarda, aos três gloriosos Arcanjos, São Miguel, São Gabriel e São Rafael.A São José, Patriarca da Sagrada Família, ao qual Deus nada recusa.Devemos sobretudo ter uma devoção sincera e enlevada para a Rainha dos Anjos, Terror dos demônios.Uma luta efetiva contra a ação demoníaca não pode ser realizada sem a especial ajuda e patrocínio da Santíssima Virgem. Por sua dignidade de Mãe do Redentor, seu grau de união com Deus, sua participação ativa na Paixão do Salvador, como verdadeira Co-Redentora e Medianeira de todas as graças, Ela é nosso apoio decisivo contra os anjos malditos que se revoltaram contra seu Criador.


Maria, a mais terrível inimiga que Deus preparou contra o demônio



O grande apóstolo da devoção marial, São Luís Grignion de Montfort, no seu célebre Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssíma Virgem, sintetiza de modo admirável o papel único de Maria na luta contra Satanás:



"Maria deve ser terrível para o demônio e seus sequazes, como um exército em linha de batalha, principalmente nesses últimos tempos, pois o demônio, sabendo bem que lhe resta pouco tempo para perder as almas, redobra cada dia seus esforços e ataques. Suscitará, em breve, perseguições cruéis e terríveis emboscadas aos servidores fiéis e aos verdadeiros filhos de Maria, que mais trabalho lhe darão para vencer.

“É principalmente a estas últimas e cruéis perseguições do demônio, que se multiplicarão todos os dias até o reino do Anticristo, que se refere aquela primeira e célebre predição e maldição que Deus lançou contra a serpente no paraíso terrestre. Vem a propósito explicá-la aqui, para glória da Santíssima Virgem, salvação de seus filhos e confusão do demônio...Porei inimizades entre ti e a mulher, e entre a tua posteridade e a posteridade dela. Ela te pisará a cabeça, e tu armarás traições ao seu calcanhar...Uma única inimizade Deus promoveu e estabeleceu, inimizade irreconciliável, que não só há de durar, mas aumentar até ao fim: a inimizade entre Maria, sua digna Mãe, e o demônio; entre o filhos e servos da Santíssima Virgem e os filhos e sequazes de Lúcifer; de modo que Maria é a mais terrível inimiga que Deus armou contra o demônio.”



O calcanhar que esmaga a cabeça da serpente



“Ele lhe deu até, desde o paraíso, tanto ódio a esse amaldiçoado inimigo de Deus, tanta clarividência para descobrir a malícia dessa velha serpente, tanta força para vencer, esmagar e aniquilar esse ímpio orgulhoso, que o temor que Maria inspira ao demônio maior que o que lhe inspiram todos os anjos e homens e, em certo sentido, o próprio Deus. Não que a ira, o ódio, o poder de Deus não sejam infinitamente maiores que os da Santíssima Virgem, pois as perfeições de Maria são limitadas, mas, em primeiro lugar, Satanás, porque é orgulhoso, sofre incomparavelmente mais, por ser vencido e punido pela pequena e humilde escrava de Deus, cuja humildade o humilha mais que o poder divino; segundo, porque Deus concedeu a Maria tão grande poder sobre os demônios, que, como muitas vezes se viram obrigados a confessar, pela boca dos possessos, infunde-lhes mais temor um só de seus suspiros por uma alma, que as orações de todos os santos; e uma só de suas ameaças que todo outros tormentos."



Invoquemos Maria Santíssima, a Rainha dos Anjos e Terror dos demônios. Que Ela nos assista de um modo especial para que, revestidos da armadura de Deus, possamos resistir às ciladas do demônio (Ef6, 11-17).

“E mandará os seus anjos com trombetas e com grande voz, e juntarão os seus escolhidos dos quatro ventos, duma extremidade dos céus, até à outra...” (Mt 24, 31)
      


Veja mais em:

http://www.arcanjomiguel.net/livro_anjos_demonios.html#ixzz50fbhvFJQ



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Neste Apostolado promovemos a “EVANGELIZAÇÃO ANÔNIMA", pois neste serviço somos apenas o Jumentinho que leva Jesus e sua verdade aos Povos. Portanto toda honra e Glória é para Ele.Cristo disse-nos:Eu sou o caminho, a verdade e a vida e “ NINGUEM” vem ao Pai senão por mim" (João14, 6).Como Católicos, defendemos a verdade contra os erros que, de fato, são sempre contra Deus.Cristo não tinha opiniões, tinha a verdade, a qual confiou a sua Igreja, ( Coluna e sustentáculo da verdade – Conf. I Tim 3,15) que deve zelar por ela até que Ele volte(1Tim 6,14).Quem nos acusa de falta de caridade mostra sua total ignorância na Bíblia e de Deus, pois é amor, e quem ama corrige, e a verdade é um exercício da caridade.Este Deus adocicado,meloso,ingênuo, e sentimentalóide,é invenção dos homens tementes da verdade, não é o Deus revelado por seu filho: Jesus Cristo.Por fim: “Não se opor ao erro é aprová-lo, não defender a verdade é nega-la” - ( Sto. Tomáz de Aquino) “Não a nós, Senhor, não a nós, mas ao vosso nome dai glória...” (Salmo 115,1)

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