
Poucos personagens da história do Cristianismo exerceram influência tão profunda e duradoura quanto Martinho Lutero. Para milhões de cristãos protestantes, ele é lembrado como um reformador corajoso, um homem que teria libertado a fé cristã dos supostos erros e abusos da Igreja Católica, restaurando o "verdadeiro Evangelho".
Contudo, uma pergunta se impõe: será que os próprios protestantes conhecem, de fato, a vida, a personalidade e os ensinamentos completos daquele que deu origem ao movimento da Reforma?
Infelizmente, na maioria dos casos, a resposta parece ser negativa. Grande parte dos fiéis protestantes conhece apenas uma versão resumida, idealizada e frequentemente romantizada da figura de Lutero.
Poucos leram suas obras originais. Menos ainda tiveram contato com seus escritos tardios, suas cartas pessoais, seus sermões e, sobretudo, os famosos Tischreden ("Colóquios de Mesa"), nos quais aparecem opiniões extremamente duras, ofensivas e, por vezes, chocantes.
As afirmações apresentadas a seguir não são invenções da apologética católica nem fruto de lendas criadas por seus adversários. Elas foram extraídas das próprias obras de Lutero e de estudos históricos baseados em documentos de sua autoria. Especial destaque merecem os Tischreden, coletânea de conversas registradas por discípulos durante os últimos anos de sua vida. Embora seja necessário considerar o contexto histórico e o gênero literário dessas conversas, elas revelam muito de seu temperamento, de sua visão teológica e de sua maneira de se expressar.
Entre essas afirmações encontra-se a seguinte declaração, frequentemente citada pelos estudiosos:
"Quem não crê como eu, é destinado ao inferno. Minha doutrina e a doutrina de Deus são a mesma coisa. Meu juízo é o juízo de Deus. Tenho certeza de que meus dogmas vêm do céu."(Extraído de Funck-Brentano, Martinho Lutero, Casa Editora Vecchi, Rio de Janeiro, 3ª ed., 1968.)
Independentemente da interpretação que se dê a essa afirmação, ela revela uma extraordinária convicção pessoal acerca da própria autoridade doutrinária. Isso levanta uma questão inevitável: como alguém que rejeitou o Magistério da Igreja por considerá-lo falível pôde atribuir tamanha infalibilidade às próprias interpretações da Sagrada Escritura?
Para compreender Lutero, entretanto, é necessário conhecer também sua história pessoal. Não se pode negar que possuía sincero desejo de servir a Deus e grande preocupação com a salvação da alma. Contudo, esse zelo foi profundamente marcado por uma personalidade angustiada, escrupulosa e por uma formação religiosa extremamente rigorosa.
Seu pai, homem severo, educou-o mais pelo temor do castigo divino do que pela confiança na misericórdia de Deus. Durante seus estudos universitários, Lutero entrou em contato com o nominalismo de Guilherme de Occam, corrente filosófica que enfatizava a absoluta liberdade da vontade divina, frequentemente em detrimento da inteligibilidade racional. Essa formação contribuiu para acentuar sua visão de um Deus cuja vontade poderia parecer imprevisível aos olhos humanos, aumentando ainda mais suas crises espirituais e seu profundo medo da condenação eterna.
Sua entrada na vida religiosa também ocorreu em circunstâncias extraordinárias. Após escapar de uma violenta tempestade, durante a qual um raio caiu muito próximo dele, "fez o famoso voto a Santa Ana": se sobrevivesse, entraria para um mosteiro. Assim aconteceu. Muitos historiadores observam que sua decisão foi motivada mais pelo impacto emocional daquele momento do que por um amadurecido discernimento vocacional.
Como monge agostiniano, Lutero entregou-se com extremo rigor às práticas ascéticas. Jejuava, fazia longas penitências, passava horas no confessionário e buscava incessantemente a paz interior. Contudo, quanto mais se esforçava, mais experimentava a angústia de jamais conseguir corresponder plenamente ao ideal de santidade.
Foi nesse contexto que julgou encontrar, em sua leitura das cartas de São Paulo, a solução definitiva para seu drama espiritual. A partir de sua interpretação da doutrina da justificação, concluiu que as obras não contribuiriam em nada para a salvação e que bastaria confiar totalmente na fé.
Essa compreensão aparece de forma particularmente contundente na célebre carta enviada a Melanchthon em 1º de agosto de 1521:
"Sê pecador e peca firmemente, mas com mais firmeza ainda crê e alegra-te em Cristo, vencedor do pecado, da morte e do mundo... Basta que pela misericórdia de Deus conheçamos o Cordeiro que tira os pecados do mundo. Dele não nos há de separar o pecado, ainda que, em um dia, cometêssemos mil fornicações e mil homicídios."
Ao longo dos séculos, muitos estudiosos protestantes procuraram contextualizar essa passagem, afirmando que Lutero pretendia enfatizar a confiança na misericórdia divina e não incentivar o pecado. Ainda assim, permanece o fato de que a linguagem utilizada é extremamente forte e suscita debates até os dias atuais.
Diante de tudo isso, cabe uma pergunta séria e honesta: seria esse o verdadeiro Lutero histórico, o homem que deu origem ao movimento que afirma ter restaurado o Cristianismo primitivo?
Outra questão igualmente importante merece reflexão: quantos protestantes comuns realmente conhecem essas passagens? Quantos pastores estudaram integralmente os escritos de Lutero, em vez de apenas reproduzir interpretações posteriores? É difícil responder com precisão, mas parece evidente que a maioria dos fiéis conhece apenas uma pequena parte da história.Há ainda declarações atribuídas a Lutero que provocam enorme perplexidade, como a registrada nos Tischreden:
"Cristo cometeu adultério pela primeira vez com a mulher da fonte... depois com Maria Madalena e depois com a mulher adúltera... Assim Cristo, tão piedoso, também teve de fornicar antes de morrer."(Tischreden, nº 1472, edição de Weimar, vol. 2, p. 107.)
Trata-se de uma afirmação gravíssima, profundamente incompatível com a fé cristã na impecabilidade absoluta de Jesus Cristo, proclamada pela Sagrada Escritura e confessada por todas as Igrejas históricas. Muitos pesquisadores discutem seu contexto, sua autenticidade textual e seu significado exato. Contudo, mesmo levando essas discussões em consideração, a simples existência de semelhante passagem demonstra que a figura histórica de Lutero é muito mais complexa, controversa e humana do que normalmente é apresentada.
Conhecer a história sem idealizações não significa atacar pessoas, mas buscar a verdade. O cristão não deve fundamentar sua fé na personalidade de qualquer reformador, por mais influente que tenha sido, mas na Revelação confiada por Cristo aos Apóstolos e preservada pela Igreja ao longo dos séculos.
Somente uma investigação honesta das fontes históricas permite distinguir entre a imagem construída posteriormente e a realidade documentada dos fatos.
A fim de evitar
possíveis alegações de que os trechos citados abaixo são tirados do contexto e,
portanto, não podem ser confiáveis como representações precisas do pensamento
de Lutero, fornecerei uma referência indicando onde cada trecho pode ser
encontrado.
Você verá que nenhuma dessas passagens dizem nada além do que
aparece aqui, pois as intenções de Lutero são todas muito claras.Uma outra
objeção é que outros escritos de Lutero podem contradizer algumas das idéias
que você encontrará aqui. Gostaríamos de responder que auto-contradição não
torna um indivíduo mais coerente, mas menos.
1)- Lutero ensina a seus
seguidores: “Seja um pecador”
“Seja um pecador, e deixe os que
vossos pecados sejam fortes, mas deixe que vossa confiança em Cristo também
seja forte, e nos glorificamos em Cristo que é a vitória sobre a morte, o
pecado e o mundo. Nós cometemos pecados enquanto estamos aqui, pois esta vida
não é um lugar onde resida a justiça … Nenhum pecado pode nos separar d’Ele,
mesmo se estivéssemos a matar ou cometer adultério milhares de vezes por dia.”
(“Que os vossos pecados sejam fortes, a partir de “O Projeto Wittenberg, ‘O
Segmento Wartburg”, traduzido por Erika Flores, de Saemmtliche Dr. Martinho
Lutero Schriften, Carta n º 99, 1 de agosto de 1521).O
que Lutero está realmente dizendo é que as nossas ações, mesmo as ações mais
pecaminosas que se possam imaginar,não importam! Ele está dizendo que podemos
cometer conscientemente e voluntariamente qualquer pecado que quisermos, intencionalmente,
presunçosamente, propositadamente, a hora que quisermos,e não vamos ofender a
Deus! Afinal, não precisamos de nada mais do que a “fé” para sermos salvos. O
que fazemos é incidental.É
claro que qualquer pessoa familiarizada com as Escrituras salientaria que esta
não é uma doutrina cristã. Por toda a Bíblia lemos que o pecado nos separa
de Deus (Isaías 59,1-2). Nenhum crente tem uma licença para pecar. Os cristãos
que voluntariamente se entregam ao pecado serão julgados no Tribunal
do Juízo de Cristo (Romanos 12,14; 1 Tessalonicenses 4,6).
2)- Lutero ensina a seus
seguidores: Fazer o bem é mais perigoso que pecar! (?).
“Estas almas piedosas que fazem o
bem para ganhar o Reino dos Céus, não só nunca terão sucesso, mas devem mesmo
ser contadas entre os ímpios, é mais importante preservá-las contra as boas
obras do que contra o pecado.” (Wittenberg, VI, 160, citado por O’Hare, em “Os
fatos sobre Lutero, TAN Books, 1987, p. 122.)Você deve estar
pensando: “O quê? Será que eu li direito?” É mais importante preservá-las
contra as boas obras do que contra o pecado?”. Sim !!! - Lutero nos adverte
contra ações retas e do bem. Ele diz para não
nos preocuparmos com o pecado – Jesus vai se ocupar deles.
Segundo ele, aquele que faz o bem é melhor ficar atento. Especialmente
aqueles que acham que ser bom e generoso e amoroso irá afetar o seu resultado
no julgamento final.Em sua
arrogância, Lutero ignora versículo após versículo da Escritura do Antigo
e Novo Testamento , onde nos é dito que a forma como vivemos a nossa fé será o
critério em que seremos julgados. Como Paulo deixa perfeitamente claro em Rom.
2,5-11: “… o justo juízo de Deus, que retribuirá a cada um segundo suas obras” - E novamente em 2 Coríntios 5,10:“Porque todos devemos comparecer
ante o tribunal … de modo que cada um receba a recompensa, de acordo com o que
ele fez na carne, seja bem ou mal.”Lutero estava
completamente e monumentalmente errado.E agora ? Acreditar no fundador do
Protestantismo e seus filhos? Ou na palavra de Deus ?
3)- Lutero ensina a seus
seguidores: “Não há nenhum livre arbítrio”
“… No que diz respeito a Deus, e
em tudo o que traz a salvação ou condenação, (o homem) não tem ‘livre
arbítrio’, mas é um prisioneiro, cativo e escravo, quer da vontade de Deus,
ou da vontade de Satanás. ” (Da redação, “Escravidão da Vontade”, “Martin
Luther:.. As seleções de seus escritos, ed por Dillenberger, Anchor Books, 1962
p. 190)
“… Nós fazemos tudo por
necessidade, e nada pelo ‘livre arbítrio’, pois o poder de ‘livre
arbítrio’ é nulo …” (Ibid., p. 188.)
“O homem é como um cavalo.
Deus por acaso salta na sela ? O cavalo é obediente e se acomoda a
todos os movimentos do cavaleiro e vai para onde ele o quer. Será que Deus
derruba as rédeas? Assim, Satanás pula no lombo do animal, que se dobra, anda
e se submete à esporas e caprichos do seu novo piloto.Portanto,a
necessidade, não o livre arbítrio, é o princípio de controle do nosso
comportamento. Deus é o autor do que é
mal, bem como do que é bom e, assim como Ele dá a felicidade àqueles que não
a merecem, Ele também maldiz aqueles que merecem o seu destino.” (“De
Servo Arbitrio”, 7, 113 seq. Citado por O’Hare, em “Os fatos sobre Lutero, TAN
Books, 1987, pp 266-267).
Todas estas passagens
vêm de um tratado que Lutero redigiu, intitulado “De Servo Arbitrio”, ou
“Cativeiro da Vontade”, no qual o grande reformador trabalha arduamente
para apresentar aos seus seguidores o caso em que o livre-arbítrio não existe.
A Escritura é clara, e discorda cabalmente, em palavras e
espírito:
Em Eclesiástico 15,11-20,
encontramos:
“Não digas:Foi por feito de Deus que eu caí: pois o que Ele odeia, Ele
não faz. Não digas: Foi ele quem me pôs perdido, pois ele não tem
necessidade de homens ímpios...Quando Deus, no início, criou o homem, ele o
fez sujeito de sua própria escolha livre. Se você escolhe, você pode guardar os
mandamentos...Há diante de ti fogo e
água; qualquer um que escolhas, estendas a tua mão".
A Escritura é
muito clara sobre o assunto:
“Quando Deus, no início, criou o homem, ele o fez
sujeito à sua livre escolha.”
Mas os filhos de Lutero rebatem não o argumento irrefutável, mas a autoria:
Eclesiástico é
“apócrifo”, Lutero o descartou, questionando a sua canonicidade.
E não é de se admirar que o tenha feito, nós respondemos,
considerando como este livro refuta diretamente seus ensinamentos.
Mas a fim de evitar polêmicas desnecessárias, também podemos apontar
para Deut. 30,19-20, onde Deus nos diz:
“Coloco diante de ti a vida e a morte, a bênção e a maldição. Escolhe a
vida, então, que tu e teus descendentes possam viver, amando o Senhor, teu
Deus, obedecendo sua voz, e apegando-te, a ele.”
Assim, vemos
que o homem tem mais do que simplesmente a liberdade de escolher, ele
é obrigado a escolher.E antes ainda, em Gênesis 4,7, Deus fala a Caim:
“Por que está tão ressentido e desapontado. Se você faz bem, você pode
manter sua cabeça erguida, mas se não, o pecado é um demônio espreita à porta:
seu impulso é para você, mas você pode ser seu mestre.”
E, finalmente, em
João 15,15, o Senhor declara seu amor por nós, seus seguidores:
“Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que seu mestre está
fazendo tenho-vos chamado amigos …”
Essas palavras dificilmente soam
como as palavras de um cavaleiro ao seu cavalo.Como muitas vezes acontece, Paulo tem a palavra final:
“Pois, se nós, que aspiramos à
justificação em Cristo, retornamos, todavia, ao pecado, seria porventura Cristo ministro do pecado? Por certo que não!(Gálatas
2,17).
Eis aqui mais uma contradição de Lutero!
A posição de Lutero não inclui nenhuma responsabilidade:Sem sentido de
aprendizagem ou de ser aperfeiçoado através do curso de nossas vidas.
Nem mesmo dignidade. Apenas a mais sombria e opressora
coerção, que rouba a vida humana de qualquer sentido.
Ou seja, o que você
faz em sua vida, até mesmo o amor que você prova para com os vizinhos, não
significa nada, de acordo com Lutero. Suas lutas, seus sofrimentos, sua
perseverança, nada disso equivale a alguma coisa. Sua vontade não está nem mesmo
em suas próprias mãos.
4)- Lutero ensina a seus
seguidores: “O indivíduo cristão não está sujeito a nenhuma autoridade”
“… Cada cristão é por
fé tão exaltado acima de todas as coisas que, por força de um poder espiritual,
ele é o senhor de todas as coisas, sem exceção, de modo que nada lhe
pode fazer mal nenhum. Por uma questão de fato, todas as coisas são
subordinadas a ele e são obrigadas a servi-lo na obtenção de salvação... A
injustiça é feita às palavras ‘padre’, ‘clérigo’, ‘guia espiritual’,
‘eclesiástico’, quando elas são transferidas de todos os cristãos para
aqueles poucos que são agora, por um uso malicioso, chamados
‘eclesiásticos.’ (Da redação, “A
liberdade de um cristão”, “Martin Luther: Seleções de seus escritos, ed por
Dillenberger, Anchor Books, 1962 p. 63 e 65).Lutero ensina que nós
não precisamos de ninguém entre nós, a comunidade dos crentes, e nosso
Salvador. Assim, ele se opõe à autoridade eclesiástica – e a
hierarquia que a exerce. Deus está com toda a congregação, ele diz, então por
que devemos se preocupar com um padre?. Parece ótimo. Até você perceber que
esta visão retoma a posição da irmã de Moisés, a profetisa Miriã, que protesta
em Números capítulo 12:“É só através de Moisés que o Senhor fala? Ele não fala através de nós
também?” Por sua rebeldia contra a autoridade estabelecida por Deus, ela
contrai lepra. Graças à oração intercessora de Moisés, ela é curada.E ela é imitada,
apenas alguns capítulos mais adiante, por Corã, que incita o povo contra Moisés
e Aarão com as palavras mais perturbadoras de todas. Eles dizem:“Basta de vocês! Toda a comunidade, todos eles são santos! O Senhor está
no meio deles. Por que então vocês devem impor-se sobre a congregação do
Senhor?” Ao que Corá e seus seguidores foram consumidos pelo fogo enviado pelo
Senhor. (Números 16).
5)- Lutero ensina a seus
seguidores:Camponeses merecem um tratamento severo
“Assim como as mulas, que não se moverá a menos que você perpetuamente
chicoteá-los com varas, de modo que o poder civil deve conduzir as pessoas comuns,
chicote decapitar, estrangular, enforcar, queimar, e torturá-los, para que
possam aprender a temer os poderes constituídos. ” (El. ed. 15, 276, citado por
O’Hare, em “Os fatos sobre Lutero, TAN Books, 1987, p. 235.)
“Um camponês é um porco, pois quando um porco é abatido é morto, e da
mesma forma que o camponês não pensa em outra vida, caso contrário ele iria se
comportar de maneira muito diferente.” (‘Schlaginhaufen’, ‘Aufzeichnungen “, p.
118, citado ibid., P. 241)
Talvez a hora mais
escura de Lutero foi sua traição dos servos de longamente abusados durante
Camponeses Münzer a Guerra de 1525. Primeiro, ele ingenuamente fomentou sua
inquietação por vias de publicação de “Sobre a Autoridade”, no qual ele
criticou a classe principesca com insultos, como “As pessoas não podem, as
pessoas não vão, aturar sua tirania e capricho por qualquer período de tempo. ”
(Ibid., p. 223.) E, “… o pobre homem, na emoção e tristeza por conta dos danos
que sofreu em seus bens, seu corpo e sua alma, foi muito tentado e tem sido
oprimido por eles além de qualquer medida, da forma mais pérfida. Doravante,
ele pode e não vai mais tolerar esse estado de coisas, e, além disso, ele tem
muitas razões para irromper com o malho e o clube como Karsthans ameaça fazer
“. (Ibid., p. 225.)No entanto, quando a
rebelião chegou, ele se virou a casaca, na publicação do folheto, “contra as
hordas de assassinos e voraz dos Camponeses”, incitou os senhores
governantes a “apunhalá-los secreta ou abertamente, como puderem, como
seria ao matar um cão raivoso. ” (Ibid., p. 235).Para ressaltar a frieza
do homem, Lutero casou-se no encalço do trágico massacre que resultou. Erasmus,
um contemporâneo, estima-se que cem mil camponeses perderam suas vidas. (Ibid.,
p. 237.)
6)- Lutero ensina a seus
seguidores: A poligamia é permitida! (?)
“Confesso que não posso proibir uma pessoa de casar com várias
esposas, pois isso não contradiz a Escritura. Se um homem deseja se casar com
mais de uma esposa que ele deveria ser perguntado se ele está satisfeito em
sua consciência de que o faz em conformidade com a palavra de
Deus. Nesse caso, a autoridade civil não tem nada a fazer sobre o assunto. ”
(De Wette II, 459, ibid., Pp 329-330).
7)- Lutero ensina a seus
seguidores:A Bíblia poderia ser melhorada
“A história de Jonas é tão
monstruosa que é absolutamente incrível.” (“Os fatos sobre Lutero, O’Hare, TAN
Books, 1987, p. 202.)
“O livro de Ester, eu lanço no
Elba. Eu sou como um inimigo para o livro de Ester, que eu gostaria que não
existisse, pois Judaíza demais e tem em si uma grande dose de loucura pagã.”
(Ibid.)
“É de muito pouco valor é o
Livro de Baruque, quem quer que seja o digno Baruque”. (Ibid.)
“… A epístola de São Tiago é uma
epístola cheia de palha, porque não contém nada evangélico.” (Prefácio ao Novo
Testamento, “Dillenberger. Ed, p. 19).Se disparate é falado em qualquer
lugar, este é o lugar. Eu passo por cima do fato de que muitos afirmaram, com
muita probabilidade, que esta carta não foi escrita pelo apóstolo Tiago, e não
é digna do espírito do apóstolo”. (“Servidão pagã da Igreja, ‘Dillenberger. Ed,
p. 352.)
Lendo essas palavras
de Lutero, é difícil imaginar que ele seja o mesmo homem que tantas vezes
disse olhar para a Bíblia “como se o próprio Deus falasse por meio dela.”
Como ele poderia ter alegado acreditar na Palavra inspirada de Deus como a
autoridade máxima em matéria religiosa, se ele mesmo se colocou
em julgamento das Escrituras? Ao fazer isso, ele claramente se colocou
como juiz sobre o próprio Deus.
Acredite ou não, em sua arrogância Lutero, presumiu
até mesmo classificar os evangelhos:
“João, conta com poucos
registros das obras de Cristo, mas uma grande parte de sua pregação, ao passo
que os outros três evangelistas registraram muitas de suas obras, mas poucos de
suas as palavras. Daqui resulta que o evangelho de João é único na delicadeza,
e de uma verdade do evangelho principal, muito, muito superior aos outros três,
e São Paulo e São Pedro estão muito além
dos três evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas. ” (Prefácio aos romanos,
“Dillenberger. Ed, p. 18-19.)E queixou-se sobre o livro do Apocalipse:“a minha mente não percebe nesse
livro nenhuma marca de um caráter apostólico ou profético … Cada um pode
formar seu próprio julgamento deste livro, quanto a mim, sinto uma aversão a ele, e para mim isso é razão
suficiente para rejeitá-lo. ” (Werke Sammtliche, 63, pp 169-170, “Os fatos
sobre Lutero,” O’Hare, TAN Books, 1987, p. 203.)E, finalmente, ele admitiu ter acrescentando a palavra
‘somente’ em Rom. 3,28 de sua própria vontade:“Se incomoda o papista a palavra
(“somente”), diga-lhe logo: o Dr. Martinho Lutero vai tê-la assim mesmo;papista
e burro são uma e a mesma coisa. Quem não quiser minha tradução, que se dê a
ele um ‘vá-se embora’.. O diabo agradece àqueles
que o censuram sem minha vontade e conhecimento. “Lutero assim o
quer, e ele, que é doutor acima de todos os doutores do papado,
assim o terá.” (Amic. Discussões, 1, 127, “Os Fatos Sobre Lutero, O’Hare, TAN
Books, 1987, p. 201.)Aqui Lutero
é condenado por sua própria boca - Para João, em Apocalipse 22,18-19, declara alguém
anátema que pressupõe a mudança, mesmo uma única palavra da Escritura:“Eu
testifico a todo aquele que ouve as palavras proféticas deste livro: se alguém acrescentar a elas, Deus lhe
acrescentará as pragas descritas neste livro, e se alguém tirar qualquer coisa
das palavras deste livro profético, Deus tirará a sua parte da árvore da vida e
na cidade santa descrita neste livro”.Lutero, é claro, não apenas acrescentou ou tirou
meras palavras, mas passagens e livros inteiros.
8)- Lutero
ensina a seus seguidores: Persiga o povo judeu
“Os
judeus são demônios jovens condenados ao inferno.” (“Obras de Lutero”, Pelikan,
vol. XX, p. 2230).
“Queime
suas sinagogas. Proibam- nos todos os que mencionei acima. Force-os a trabalhar
e tratem-nos com todo o tipo de gravidade, como fez Moisés no deserto e matou
três mil … Se isso não adianta, temos de levá-los fora como cães raivosos, de
modo que não podemos ser participantes de sua blasfêmia abominável e de todos
os seus vícios, e tendo em vista que não pode merecer a ira de Deus e ser
condenado com eles. Tenho feito o meu dever. Vamos todos nos assegurar de
que cada um faz o dele. Eu estou desculpado. ” (“Sobre os Judeus e Suas
Mentiras”, citado por O’Hare, em “Os fatos sobre Lutero, TAN Books, 1987, p.
290.)
É muito perturbador contemplar o possível fruto
nascido das sementes de ódio semeada por esse homem. Se ele foi orientado por
um espírito, é óbvio que não era santo.
Conclusão:
Depois de conhecer um pouco mais sobre a vida, a personalidade e alguns dos ensinamentos do verdadeiro Martinho Lutero, torna-se inevitável uma pergunta: os ensinamentos de Lutero são realmente os ensinamentos de Cristo e da Igreja fundada por Ele?
A resposta não pode ser dada com base em sentimentos, tradições familiares ou fidelidade a uma denominação religiosa. Ela deve ser encontrada na Palavra de Deus, na história da Igreja e na reta razão, iluminadas pelo Espírito Santo.
O objetivo deste estudo não é atacar os protestantes, muitos dos quais são homens e mulheres sinceros, que amam Jesus Cristo e procuram viver segundo a consciência que receberam. O verdadeiro problema não está nas pessoas, mas nas doutrinas. São Paulo já advertia que é possível possuir zelo religioso sem o pleno conhecimento da verdade (Rm 10,2). Da mesma forma, uma pessoa pode seguir sinceramente um caminho e, ainda assim, esse caminho estar fundamentado em interpretações humanas equivocadas.
O que leva milhões de cristãos a continuarem seguindo as doutrinas originadas na Reforma? Em grande parte, porque nunca conheceram o Lutero histórico. Conhecem apenas a imagem construída posteriormente por sua própria tradição religiosa. Se lessem suas obras completas, suas cartas, seus sermões e seus escritos mais polêmicos, perceberiam que muitas de suas posições não apenas divergem da fé católica, mas também levantam sérias dificuldades diante da própria Sagrada Escritura.
Infelizmente, muitos líderes protestantes dedicam muito mais tempo a criticar aquilo que acreditam serem erros da Igreja Católica do que a examinar cuidadosamente os escritos daquele que deu origem à Reforma. Poucos incentivam seus fiéis a estudar diretamente as fontes históricas. No entanto, a verdade jamais teme ser investigada. Quem ama a Cristo não deve recear confrontar sua fé com os documentos originais.
É igualmente importante recordar que nenhuma doutrina deve ser aceita simplesmente porque foi ensinada por um homem famoso, por um pastor carismático ou por um reformador influente. Nossa única autoridade absoluta é Deus. Todo ensinamento humano deve ser submetido ao julgamento da Revelação divina, da Tradição Apostólica e do Magistério que Cristo confiou à sua Igreja (cf. Mt 16,18-19; Lc 10,16; 1Tm 3,15).
A própria Escritura nos adverte que nem toda inspiração procede de Deus. São João escreve:
"Caríssimos, não acrediteis em qualquer espírito, mas provai os espíritos para ver se são de Deus, porque muitos falsos profetas saíram pelo mundo." (1Jo 4,1)
E São Paulo é ainda mais incisivo:
"Ainda que nós mesmos ou um anjo vindo do céu vos anuncie um evangelho diferente daquele que vos anunciamos, seja anátema." (Gl 1,8)
Essas advertências permanecem atuais. Nem toda novidade religiosa vem do Espírito Santo. Ao longo da história, muitas doutrinas nasceram da vaidade humana, do orgulho intelectual, da rebeldia contra a autoridade estabelecida por Cristo e, em alguns casos, da ação do próprio inimigo de Deus, que, como ensina a Escritura, procura semear a divisão, a confusão e o erro (Jo 8,44; 2Cor 11,13-15). Por isso, todo cristão deve exercer um saudável discernimento espiritual, examinando cuidadosamente aquilo em que acredita.
Se você é protestante e chegou até aqui, meu convite não é que abandone sua comunidade por causa deste texto. Meu convite é mais simples e, ao mesmo tempo, mais profundo: busque sinceramente a verdade, ainda que ela desafie convicções antigas.
Leia Lutero por si mesmo. Leia os Padres da Igreja. Leia os grandes Concílios. Estude a história do Cristianismo dos primeiros séculos. Compare tudo isso com a Sagrada Escritura e peça humildemente ao Espírito Santo que o conduza à plenitude da verdade prometida por Cristo (Jo 16,13).
Se, depois de uma investigação honesta e sem preconceitos, você concluir que Cristo realmente fundou uma única Igreja, edificada sobre os Apóstolos, preservada na sucessão apostólica e assistida pelo Espírito Santo ao longo dos séculos, então tenha a coragem de seguir a verdade, custe o que custar. A verdade nunca contradiz a Verdade, que é o próprio Cristo.
Por isso, deixo-lhe o mesmo apelo feito por São Paulo:
"Examinai-vos a vós mesmos, para ver se estais na fé; provai-vos a vós mesmos." (2Cor 13,5)
E também a recomendação dos cristãos de Bereia, elogiados pelo próprio Espírito Santo porque "receberam a Palavra com toda avidez, examinando diariamente as Escrituras para ver se as coisas eram, de fato, assim" (At 17,11).
Que Deus conceda a todos nós um coração humilde, livre de preconceitos e disposto a seguir a verdade onde quer que ela nos conduza. Que o Espírito Santo nos livre de todo erro, de toda falsa doutrina e de toda inspiração que não provenha de Deus, conduzindo-nos à única fé transmitida pelos Apóstolos e conservada na Igreja de Cristo. Pois somente na verdade encontramos a verdadeira liberdade: "Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará" (Jo 8,32).
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Será que você, caro amigo, acredita mesmo que os dizeres de Lutero, seriam menos hipócritas do que vender indulgências à um povo ignorante e temeroso? Do que se prostituir aos redores de Roma, com prostíbulos próprios aos clérigos, e depois se pregar sobre abstinência, inerente à função de clérigo até hoje. É muito hipócrita mesmo a abordagem dada acima. A história em nada corrobora aos dados fornecidos acima, uma péssima tentativa de difamação sem laudo em verdade. A humanidade caída desde Adão, peca mesmo desesperadamente, apesar da alegação de santidade tão defendida sem base histórica da Igreja Romana. Um pena mesmo.
Prezado Prof. papagaio de pastor Edmir Junior,
Todas as nossas afirmações como pode você e nossos internautas, comprovarem, já as suas, não passam de alguém sem conhecimento algum, além daquilo que seus falsos pastores ficam a repetir de seus púlpitos.
Obrigado pela visita e volte sempre, pois aqui vc não vai ver o que quer, mas o que você precisa para sua salvação.
Shalom !!!
Em minha reflexão particular sobre Lutero penso que, este indivíduo não tinha conhecimento da 1° coríntios 12,27.
Conhecendo a palavra saberia que se um membro do corpo onde DEUS é a cabeça está doente todos somos chamados a cura-lo.
Ao condenar estamos condenando a nós mesmo..
Mano, se isso levou a conhecermos a verdadeira Graça de Deus, Amém! A um propósito em tudo que Deus faz, e se ele USOU Lutero, Amém também!!
Afinal somos todos partes do Elenco do filme de Deus!!
E uma coisa é certa! Ele é nossa Pai, Ele nos Ama e nos perdoa...
Somos seus filhos e nosso propósito na terra é dar honra e glória a Ele!!! Para que complicar a graça Dele? Só precisamos viver uma vida que agrade a Ele e Ponto.
amem meu irmão gloria a Deus
Sr estou profundamente consternada com o exposto acima, já tinha ouvido falar sobre, e também sobre o Calvino. Que Deus nos ajude a ter paz compreensão sabedoria discernimento para suportarmos as trevas , o que vem dela. É lamentável.
Professor Edmir Junior, muito obrigado por seu comentário.
Debates respeitosos são sempre bem-vindos, pois ajudam nossos leitores a aprofundar o conhecimento histórico e a confrontar argumentos com documentos, e não apenas com narrativas.
Concordo que, no final da Idade Média, existiram graves abusos morais e disciplinares praticados por membros da Igreja. A própria Igreja jamais os transformou em doutrina e os condenou oficialmente, promovendo uma profunda reforma interna, especialmente com o Concílio de Trento.
Entretanto, faço um convite sincero ao senhor e aos demais leitores: leiam as 95 Teses de Martinho Lutero em sua íntegra. Muitos se surpreendem ao descobrir que, em 1517, Lutero ainda não era o reformador que conhecemos hoje.
Por exemplo:
Tese 5: Lutero afirma que o Papa possui autoridade para conceder remissão apenas das penas que estão sob sua jurisdição.
Tese 38: recomenda que os cristãos não desprezem as indulgências concedidas pelo Papa, pois elas são uma declaração do perdão concedido pela Igreja.
Tese 50: declara que, se o Papa soubesse dos abusos cometidos pelos pregadores das indulgências, preferiria ver a Basílica de São Pedro reduzida a cinzas do que construída à custa da exploração dos pobres.
Tese 71: chega a afirmar que quem fala contra a verdade das indulgências apostólicas seja "anátema e maldito".
Essas afirmações mostram que Lutero, naquele momento, não condenava o Papa nem rejeitava a existência das indulgências. Sua crítica dirigia-se principalmente aos abusos cometidos por alguns pregadores, algo que a própria Igreja também reconhecia e condenava.
O rompimento doutrinário veio depois, quando Lutero passou a negar ensinamentos que durante mais de quinze séculos haviam sido professados pela cristandade, como a autoridade do Magistério, vários sacramentos, o sacerdócio ministerial, o sacrifício da Missa e outros pontos fundamentais da fé católica.
Por isso, é importante distinguir duas coisas: os pecados dos homens e a doutrina da Igreja. Judas traiu Cristo, Pedro o negou e os demais Apóstolos fugiram. Nem por isso a doutrina ensinada por Cristo tornou-se falsa. Da mesma forma, os pecados de membros da Igreja não invalidam a verdade ou a falsidade de uma doutrina; apenas revelam a fraqueza humana.
A história deve ser lida por inteiro. Se criticamos, com razão, os abusos cometidos por alguns católicos, também devemos reconhecer que o Lutero de 1517 não defendia ainda aquilo que muitos protestantes defendem hoje. São os documentos do próprio Lutero que demonstram isso.
Agradeço novamente sua participação. O diálogo sério nasce quando todos nós estamos dispostos a confrontar nossas opiniões com as fontes históricas originais. Nesse sentido, recomendo fortemente a leitura das 95 Teses, pois elas revelam um Lutero muito diferente daquele apresentado tanto por alguns admiradores quanto por alguns críticos.
Everaldo - Apostolado Berakash
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