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CNBB - As três alas: Conservadora, Moderada e Progressista buscando a UNIDADE NA DIVERSIDADE

Written By Beraká - o blog da família on terça-feira, 9 de junho de 2020 | 12:07
























O teólogo Fabio Antonio Gabriel lembra que a beleza da Igreja reside justamente nesse constante reavaliar-se e, apesar dos limites, continuar evangelizando. Para ele, as nomeações de bispos, por exemplo, acabam por conduzir a um direcionamento importante para a superação das intolerâncias. Conflitos acompanham tendências. Se o que une os cristãos é a fé em Cristo, isso pressupõe um carisma. A opinião é do especialista em sociologia da religião, Flávio Munhoz Sofiati:


“À medida que a Igreja vai se articulando em estruturas, cria mecanismos de sobrevivência que vão para além da fé em Cristo e que pressupõem elementos que ultrapassam a própria experiência de fé”, justifica. Sofiati acredita que, para estruturar uma Igreja, além do carisma são necessários outros elementos que deem sentido à sua permanência na sociedade.



No caso da Igreja Católica, em determinado período da história havia a composição com o Estado, mas hoje as estruturas estão arraigadas à sociedade civil. Em função disso, a Igreja acaba vivenciando as experiências de disputa da própria sociedade civil. Sob a ótica da sociologia da religião, Sofiati aponta uma dinâmica baseada em várias tendências, que são formadas a partir de grupos dentro da Igreja Católica e que se relacionam prioritariamente com setores específicos.


“É a partir dessa lógica que você acaba tendo um tipo de relacionamento que, em vez de priorizar a fé em Cristo, tem outros elementos.” De certo modo, isso afasta-se da perspectiva comunitária, que é a base do cristianismo.


Principais correntes do catolicismo brasileiro



De acordo com Sofiati, é possível identificar quatro tendências bem claras dentro do catolicismo brasileiro. O sociólogo explica cada uma delas:

1)-Tradicionalistas – Grupo bastante ligado à questão da hierarquia e outros aspectos voltados à experiência mais tradicional da fé católica. Tem como principais expoentes os movimentos Opus Dei, Arautos do Evangelho e a Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade (TFP).



2)-Reformistas – Grupo formado por setores que atuam na perspectiva de evangelização sob a ótica educacional. Têm uma relação estreita com aspectos relacionados aos direitos humanos. É basicamente composto por congregações de freiras e padres, como maristas, salesianos, paulinos, paulinas, entre outros.



3)-Radicais – Tendência composta por setores ligados ao cristianismo da libertação, referenciado pela teologia da libertação. Sofiati relata há certo enfraquecimento do movimento, mas admite que a presença do grupo na sociedade ainda é muito relevante. As Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), pastorais sociais e alguns setores de pastorais juvenis são tidos como principais exponentes.



4)-Modernizadores-Conservadores – Tendência predominante em parte dos meios católicos nacionais que utiliza linguagem midiática para passar a mensagem cristã. Possui conteúdo de ideias muito próximo aos tradicionalistas, mas com roupagem moderna. É composta basicamente pela Renovação Carismática Católica (RCC) e segmentos agrupados em torno dela, como as Novas Comunidades de vida e aliança.



Concílio Vaticano II impulsiona diálogo interno?



Fábio Antonio Gabriel pondera que, nos primórdios do cristianismo, conforme a fé cristã se expandia, crescia a necessidade de justificar, sempre que possível, seus pontos essenciais:


“Igualmente, à medida que se dogmatizava a fé cristã e se valorizava sobremaneira os dogmas cristãos, perdeu-se muito da experiência primeira das primeiras comunidades cristãs”, problematiza. A situação agrava-se no período dos acordos históricos entre Igreja e Estado.


De acordo com o teólogo, o Concílio Vaticano II preocupou-se em superar uma visão que acreditava que a Igreja existia como sinônimo de hierarquia:


“Passou a compreender a instituição como Povo de Deus, assim reconhecendo-a e reconhecendo também que era preciso entrar em diálogo, tanto com as demais igrejas cristãs como também com outras religiões, principalmente com as demais religiões monoteístas”, pontua.


Para Sofiati, quando se fala nas reformas dos últimos pontificados, não se pode esquecer das mudanças impulsionadas pelo Vaticano II que, de certa forma, irritaram alguns grupos mais tradicionalistas. Em relação às reformas que o Papa Francisco poderá empreender, ele acredita que cada grupo ou tendência tem uma expectativa diferente, e precisam entender que um papa não exerce seu papado para grupos, mas para a Igreja Universal, portanto, vai sempre em alguns momentos agradar e desagradar inversamente:


“Se você pegar, por exemplo, a teologia da libertação e o movimento carismático, que são hoje os grandes concorrentes no caso latino-americano, os primeiros se dizem herdeiros do Vaticano II, mas por outro lado você tem também o discurso carismático dizendo a mesma coisa, ou seja, que são os verdadeiros herdeiros do Concílio”, diz Sofiati. 


O sociólogo avalia que, por mais que haja uma tendência – no caso do papa emérito Bento XVI, mais voltada ao conservadorismo e, no caso de Francisco, mais alinhada à lógica de diálogo com a modernidade, os discursos de todos os papas são pautados na interpretação das várias correntes de pensamento da Igreja.Ainda de acordo com Sofiati, é justamente esse o segredo do catolicismo:

A capacidade de haver uma hierarquia capaz de passar uma mensagem em que todos a reinterpretam segundo a sua perspectiva e realidade.

Entre tolerâncias e intolerâncias, priorizar a dignidade da pessoa humana, imagem e semelhança de Deus apesar da desfiguração causada pelo pecado



Mesmo que as fronteiras entre as várias tendências de pensamento católico sejam muito tênues e, muitas vezes, não haja consenso entre elas próprias, Sofiati acredita que:


“É esse pluralismo de ideias que mantenha a Igreja Católica “de pé” por tantos anos”.


Com estas intolerâncias e polarizações, muitos acabam não suportando e afastando-se como estes dois referenciais opostos de pensamentos e de práxis dentro da Igreja, como Leonardo Boff expoente de destaque da teologia da libertação, e Cardeal Lefebvre, ícone do tradicionalismo.


Mas, diante de atos extremos, como deve ser a postura do verdadeiro cristão?

Para o teólogo Fábio Gabriel:

“Sempre é preciso priorizar o respeito ao outro e a valorização da dignidade da pessoa humana. Sem isso, todo discurso religioso perde-se no vácuo”, diz.


Gabriel vai além:




“Talvez o grande problema é que, diferentemente das primeiras comunidades em que as pessoas aderiam à fé cristã, hoje já nascemos cristãos e muitas vezes ‘ser cristão’ é apenas um slogan social que muitos assumem sem nenhuma prática efetiva...”



Padre Libânio também lembra que:

“O Papa Francisco tem insistido numa Igreja que saia de si para ouvir as pessoas e aproximar-se delas...”

Na avaliação do religioso, é preciso aprender a analisar esses movimentos polarizados dentro da Igreja:


“Nenhum deles tem toda a verdade. Só há portanto,o caminho do diálogo, pondera. Ele reforça a necessidade de compreensão, caridade e o desejo sincero de ajuda, sobretudo nos casos mais radicais”.

 
(Uma imagem que a CNBB precisa desfazer oriunda dos anos 70)







A MISSÃO REPARADORA DA CNBB: CONSTRUIR PONTES

Dentro de todo este contexto, cabe ao novo Colegiado dos bispos e Presidência da CNBB a Missão Reparadora, que deve esbarrar no aprofundamento da polarização dentro e fora da instituição. A eleição de Dom Walmor Oliveira, arcebispo metropolitano de Belo Horizonte, e Dom Joel Portella, bispo auxiliar do Rio de Janeiro, para os cargos de presidente e secretário-geral da CNBB deve de certa forma aprofundar a divisão entre as alas progressista e conservadora da Igreja Católica. A missão é insólita. Dificilmente eles conseguirão em definitivo, estancar os conflitos internos — e o espírito do tempo atual é um fator preponderante nesse fenômeno. Como o radicalismo borra as nuances e a Igreja é também reflexo do mundo onde atua, conservadores moderados e moderados progressistas hoje estão postos nos escaninhos de:


Bispos “bolsonaristas” e bispos “bolivarianos” — é assim que uns se referem aos outros.



Em condições normais de temperatura e pressão, a palavra de Dom Walmor, em artigo publicado no site da CNBB em outubro do ano passado, deveria ser vista como um apelo à moderação crítica:


“As eleições de 2018, mais do que simplesmente definir os que exercerão a representação política no próximo quadriênio, poderão ser o ponto de partida para superar décadas de atraso”.



Na conjuntura atual, no entanto, ouvem-se em volume mais alto as críticas que passam desde a construção modernista da catedral de Cristo Rei, em Belo Horizonte, projetada pelo “comunista stalinista” Oscar Niemeyer, à criação pela diocese mineira da Pastoral da Diversidade, considerada uma infiltração esquerdista e herética, além de acusações de interesse demasiado em política partidária.Dom Joel, por sua vez, um articulador de centro, terá de enfrentar a desconfiança dos que vocalizam em privado sua ligação com Dom Orani Tempesta, arcebispo do Rio de Janeiro. Outros sinais da difícil pacificação estão espalhados pelos demais cargos da diretoria: todos eles foram ocupados por partidários da atual direção.




















As diferentes alas que compõem a CNBB


O resultado da eleição para a direção da CNBB foi imediatamente criticado por conservadores católicos, que têm como principal porta-voz hoje o youtuber paranaense Bernardo Küster, algoz da agremiação dos bispos nas redes sociais:


"A CNBB trocou seis por meia dúzia", protestou Küster, que é simpático a Bolsonaro e incensado por grupos de direita. Na comparação feita por ele, "tiraram Lula e colocaram o Luiz Inácio da Silva".



Seguidores lamentaram a derrota dos conservadores, tacharam dom Walmor de "politiqueiro petista" e o acusaram de promover a chamada "ideologia de gênero".


 
(D. Joel)




"A eleição de Dom Joel com um perfil complementar, pode ser uma tentativa de contrabalançar a atuação da nova diretoria", afirma Rodrigo Coppe Caldeira, professor de ciências da religião na PUC Minas. "Mas, obviamente, não deixará de haver um alinhamento entre presidente, vices e secretário-geral."




Para o historiador, mesmo que as divergências com políticas do governo continuem sendo manifestadas, dificilmente a CNBB se colocará como clara antagonista de Bolsonaro. No primeiro discurso após ser eleito presidente, dom Walmor fez questão de dizer que trabalhará à margem de polarizações.



A CNBB, prevê Caldeira, "vai ter uma posição forte em relação a políticas econômicas e sociais, mas buscando o diálogo mais amplo possível. Se a igreja entra na lógica da polarização, assume uma posição de conflito".



O presidente Dom Walmor Oliveira de Azevedo, arcebispo de Belo Horizonte, que é visto como moderado e conciliador, assim como seus vices, dom Jaime Spengler (Porto Alegre) e Mário Antonio Silva (Roraima). Com a escolha do secretário-geral, a eleição da diretoria da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) para o período 2019-2023 consolidou a vitória de um grupo moderado, que indica continuidade da atual gestão, mas visto por conservadores como “esquerdizada”.Dom Joel Portella Amado, bispo auxiliar do Rio de Janeiro, exercerá a função de secretário, pela decisão de 301 bispos reunidos em Aparecida (SP).O cargo é importante porque seu ocupante é quem dita o ritmo no dia a dia da instituição, em contato com líderes da igreja em todo o país.O cardeal Sérgio da Rocha, no cargo desde 2015, e o secretário-geral dom Leonardo Steiner, eleito em 2011, terão  que deixar os cargos, foram rotulados como membros da ala progressista, apesar de ambos negarem esta caracterização.



O tom da Mensagem da CNBB ao Povo Brasileiro, divulgada logo após a eleição, é de franca oposição a temas sensíveis ao atual governo federal, como porte de armas e os cortes de recursos para a educação — além da manifestação contra a reforma da Previdência publicada na semana passada, dão pistas do tamanho do desconforto de muitos moderados. Principalmente entre aqueles que consideram terem havido excessos políticos e teológicos no processo de alinhamento ideológico com o Partido dos Trabalhadores, desde os anos 70. Á época, bases eclesiais e comitês leninistas passaram a se confundir, o que teria culminado em uma degradação recente alimentada pela corrupção.  Por outro lado, se sentem desconfortáveis e condenam com veemência a posição da ala ideológica do governo de Jair Bolsonaro contra o papa Francisco I, tido como “comunista” e “herege” por gente com assento no Planalto, açulando até mesmo movimentos mais radicais de sedevacantismo — um grupo minoritário que considera o papa um impostor.



Não podemos esquecer que em 2016, por exemplo, Dom Odilo Scherer, um insuspeito conservador moderado, foi vítima de agressão enquanto rezava a missa de Páscoa em São Paulo, aos gritos de “comunista”. Este mesmo Dom Odilo, dois anos depois, condenou com tons fortes a “instrumentalização política” da Igreja durante a missa de corpo presente da ex-primeira dama Marisa Letícia — missa a qual foi transformada em um ato político —, negando qualquer participação da diocese ou da CNBB no evento ocorrido no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. Ventilado como nome possível na disputa pela presidência da confederação dos bispos este ano, terminou fora deste páreo.



As pautas de progressistas e conservadores



Ainda é minoritária, mas crescente e cada vez mais proselitista, nos pouco mais de 300 votantes do encontro, a ala para quem aborto, união civil homoafetiva, ideologia de gênero e até autodefesa armada são temas tão urgentes quanto as reformas da Previdência ou trabalhista, desigualdade, assistência social e defesa dos direitos humanos.



Que tais pautas se confundam de antemão como reflexos da política partidária e não primordialmente como assuntos de doutrina social da Igreja é outro sinal do quão difícil será construir pontes entre os antagônicos.



Muitos dos bispos que estiveram presentes em Aparecida sentem-se entre a cruz de ver a Igreja exposta e a espada de vê-la continuamente desgastada. Supõem que sabem lidar melhor em oposição aos arroubos progressistas conhecidos do que contra a parcela que consideram autoritária em excesso, seja na Igreja ou no governo em curso. Muitos veem como claudicante os primeiros meses de Jair Bolsonaro, embora tenham em comum a base de valores conservadores. Além das questões doutrinárias internas, há as demandas exógenas. Nunca tão exposta e atacada em tantos flancos, a CNBB tem de se posicionar num país ideologicamente polarizado, que vive um levante político conservador pouco compreendido pela cúpula da Igreja Católica, num mundo hiperconectado onde as posições da instituição são dissecadas em vídeos de YouTube por fiéis ou mesmo padres, minutos depois de ser anunciadas. Admirável e ainda mais complexo mundo novo.  Outrora, a Igreja conseguia balancear sua atuação política entre lados opostos do espectro político. Na segunda metade da ditadura militar no Brasil, por exemplo, Dom Eugênio Sales, sem perder a interlocução com os generais, atuou com vigor na denúncia contra as violações humanas patrocinadas pelo regime. Dom Paulo Evaristo Arns, arcebispo emérito de São Paulo, também foi contrário à ditadura e mesmo assim a Igreja Católica saiu fortalecida nos planos político e doutrinário. A missão reparadora é uma das mais desafiadoras da história da confederação. Seu processo, seja ele bem-sucedido ou fracassado, será acompanhado com lupa dentro e fora da Sé. Os próximos quatro anos podem se igualar em importância aos 40 passados.









ALGUNS PONTOS DA ENTREVISTA DE DOM WALMOR AO JORNAL DE MINAS:




JM: O senhor assume a presidência da CNBB em uma época muito difícil no Brasil, seja na religião,seja na política,seja na sociedade,de dicotomias:esquerda/direita,liberal/conservador,progressista/tradicionalista.Como o senhor vê isso, essa divisão tanto na sociedade como dentro da própria Igreja Católica?



D. Walmor: O nosso mundo é um mundo de grandes e velozes mudanças culturais. Por isso mesmo, não estamos conseguindo como mundo e também como sociedade brasileira dar conta de administrar, na velocidade e na complexidade, todas essas mudanças. Entendo que é daí que vêm as polarizações. Não se dá conta de ver o que mudou, o que é preciso dar como nova resposta, o que é preciso, de fato, resgatar dos valores que às vezes foram negociados, perdidos ou deles distanciados. E isso afeta internamente a Igreja também, que está no coração do mundo, como afeta instituições governamentais e da sociedade, afeta a família, afeta cada cidadão. O caminho, pensando na sociedade plural, é o caminho do diálogo. O caminho, portanto, de qualquer tipo de polarização, é um desserviço à sociedade, é um distanciamento da verdade e é uma impossibilidade de construção daquilo que é preciso. Por isso, é importante o diálogo. E o diálogo para nós, cristãos, tem sua fonte e seu embasamento no Evangelho de Jesus Cristo. Por isso, gosto sempre de me referir que nós temos que pautar a nossa vida em sentimentos, em escolhas, em modos de ser e nos relacionar no horizonte do Evangelho de Mateus, capítulo 5 a 7: o Sermão da Montanha. Aí, o diálogo não é um diálogo demagógico, não é um diálogo interesseiro, mas é um diálogo marcado pela força do amor. Esse é o caminho. E eu compreendo que a Igreja está no mundo para isso. Agora, de modo muito mais especial. E como Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, essa é a nossa grande tarefa, sobretudo fecundando e fomentando entre nós, os bispos, a colegialidade afetiva, que é um coração da CNBB. As nossas diferenças se enriquecendo para ser uma grande força e nessa força missionária ajudarmos a proclamar a palavra de Deus, a anunciar o Reino de Deus. E, assim, também ajudar a sociedade por nosso testemunho a encontrar esse caminho. Por isso, somos chamados fortemente ao diálogo. Qualquer instituição, qualquer grupo, qualquer segmento, qualquer pessoa, se quiser contribuir para uma sociedade mais justa e solidária, tem que dialogar. Como nós, na nossa experiência de fé cristã, temos essa compreensão porque Deus dialoga conosco. Ele é Deus, mas dialoga com a humanidade. E dialoga de uma maneira tão profunda que envia o seu próprio filho, Jesus Cristo. Ele assume nossa condição, igual a nós em tudo, exceto no pecado, para exatamente estabelecer o diálogo entre Deus e a humanidade. Portanto, o caminho é o diálogo. Nós podemos, com a força do diálogo, fazer um novo momento na história no Brasil, um novo momento na nossa cultura brasileira. Inclusive valorizando princípios e referências muito fortes na nossa cultura brasileira, que com o tempo perdemos o contato.



JM: pouco antes da eleição do senhor, a CNBB, de certa forma, se colocou contra a reforma da Previdência, por afetar os mais pobres. A CNBB tem uma posição oficial agora, depois dessa conversa?



D. Walmor: A CNBB, como Igreja, não se coloca contra as reformas. As reformas precisam existir: previdenciária, tributária, fiscal, no âmbito do governo, no próprio Judiciário. Muitas reformas precisam acontecer. Aliás, a nossa vida só vai adiante quando nós nos dispomos a fazer reformas para dar as respostas aos novos tempos. O que compartilhamos com grande preocupação é exatamente essa (de afetar os mais pobres) e tem que ser um conceito na sociedade: fazer reformas para que a sociedade seja justa, fraterna e solidária, e nunca se penalize aqueles que são mais pobres. As reformas são necessárias, por isso, precisamos de muito diálogo, de muita luz do Espírito Santo de Deus, para que o passo dado seja um passo para o bem do conjunto da sociedade, de uma sociedade assentada sobre valores como são os valores cristãos e que são fundamentais e determinantes para um mundo novo.



JM:o papa Francisco fala muito de um novo tipo de Igreja, com os braços abertos. Isso mexe com a situação, por exemplo, dos homossexuais, que querem fazer parte da Igreja Católica. Como isso é visto dentro da CNBB?



D.Walmor: A Igreja é uma casa de portas abertas para todos os seus filhos e filhas, desde aquele que está fortalecido, aquele que tem condições de uma resposta mais próxima do que o Evangelho nos pede, até aqueles que estão caídos. Por isso, o papa Francisco usa uma expressão muito bonita: a Igreja é um hospital de campanha. Ela tem que se debruçar sobre todas as pessoas. Ao debruçar-se sobre as pessoas, é como ele mesmo diz: ‘Prefiro uma Igreja enlameada do que limpa e distante das pessoas’. A única coisa importante que nunca vai acontecer é a gente abrir mão dos valores, do ideal de santidade, de uma vida adequada, justa, na moralidade. Portanto, não se descrimina absolutamente a ninguém, mas nós estamos também nos debruçando sobre nós mesmos, sobre os outros, sobre aqueles que estão caídos pelo caminho. Mas nós não abrimos mão dos nossos valores, até porque é na força desses valores que nós nos resgatamos e encontramos a sabedoria para o caminho. Por isso, abrir mão de valores inegociáveis, de princípios morais fundamentais, não significa outra coisa senão o verdadeiro fracasso.




JM:Sobre a questão dos abusos por parte de padres e bispos, o papa Francisco está sendo cada vez mais duro. A CNBB vai seguir o mesmo caminho?



D.Walmor: Quando se trata de abuso de menores – embora, ao se considerar a porcentagem na sociedade em relação aos consagrados, ela é bem menor, quase insignificante diante de tudo o que tem acontecido, lamentavelmente, e é um cuidado que o conjunto da sociedade precisa tomar e olhar –, para nós, na Igreja, em sintonia profunda com o papa Francisco, é tolerância zero. Por isso, nós estamos em um caminho muito importante, com trabalho acelerado de uma comissão para tratar da tutela de menores, exatamente para orientar procedimentos jurídicos e canônicos, de como fazer em cada diocese, o passo a passo. E, ao mesmo tempo, tratando, ouvindo e apoiando vítimas, para que a Justiça seja feita e a recuperação e o alento às pessoas que sofreram – e que, para nós, é lamentável – possam ter, de nossa parte, uma presença solidária. É uma aposta de recompôr vidas e corações, que é uma tarefa muito importante, porque para a Igreja nada é mais importante, na sua missão, do que cada pessoa, cada homem, cada mulher, a humanidade como um todo. Por isso, tolerância zero. E nós estamos trabalhando. Esperamos concluir um trabalho acelerado, da mais alta importância, para que nós possamos agir em um horizonte das orientações e das determinações que nos vêm do papa Francisco.

















EM UM MUNDO POLARIZADO “O DIÁLOGO É O NOVO NOME DA CARIDADE”




Na manhã deste sábado (22/10/2016), o Papa Francisco realizou na Praça de São Pedro mais uma audiência jubilar, no contexto do Ano Santo da Misericórdia, desta vez centrada na misericórdia e o diálogo. Partindo do encontro de Jesus com a mulher samaritana, narrado no cap. 4 de João, Francisco ressaltou um aspecto particular da misericórdia, que é precisamente o diálogo:



“O diálogo permite às pessoas de se conhecerem  e de compreenderem  as exigências de cada um, disse o Papa, sublinhando que ele é, sinal de grande respeito, pois coloca as pessoas em atitude de escuta e em condições de se abrir aos melhores aspectos do interlocutor...o diálogo é uma expressão de caridade, porque, embora sem ignorar as diferenças, pode ajudar a encontrar e partilhar o bem comum e, além disso, o diálogo convida-nos a colocar-nos perante o outro vendo-o como um dom de Deus, que nos interpela  e nos pede para ser reconhecido. Muitas vezes – observou ainda Francisco – nós não encontramos os irmãos, apesar de vivermos ao lado deles, sobretudo quando fazemos prevalecer a nossa posição sobre a do outro, não dialogamos quando não escutamos bastante ou tendemos a interromper o outro para demonstrar que temos razão”.




E o Papa falou em seguida da importância do diálogo para humanizar as relações entre as pessoas e ajudá-las a superar incompreensões:



“Nas famílias entre marido e mulher e entre pais e filhos, mas também entre professores e alunos ou entre gestores e os trabalhadores, para descobrir as melhores exigências do  trabalho”.



E sobre a importância do diálogo na Igreja Francisco sublinhou:



“De diálogo também vive a Igreja com os homens e mulheres de todos os tempos, para compreender as necessidades que estão no coração de cada pessoa e para contribuir na realização do bem comum. Pensemos no grande dom da criação e a responsabilidade que todos temos de proteger a nossa casa comum: o diálogo sobre uma questão assim tão central é uma exigência incontornável. Pensemos no diálogo entre as religiões, para descobrir a verdade profunda da sua missão entre os homens, e para contribuir  na construção da paz e de uma rede de respeito e fraternidade”



O Papa terminou enfatizando que:


“O diálogo pode abater os muros das divisões e incompreensões; construir pontes de comunicação e não permite que alguém se isole, fechando-se no seu pequeno mundo. Como Jesus, também nós, através do diálogo, façamos crescer os sinais da misericórdia de Deus fazendo deles um instrumento de acolhimento e respeito”, concluiu Francisco.



REFERÊNCIAS DE CONSULTA



-https://epoca.globo.com/o-radicalismo-politico-divide-igreja-catolica-no-brasil-artigo-23649671


-https://www.jb.com.br/pais/2019/05/998701-cnbb-mantem-cupula-moderada-e-frustra-corrente-conservadora.html


-https://www.em.com.br/app/noticia/politica/2019/06/03/interna_politica,1058769/a-polarizacao-e-um-desservico-a-sociedade-diz-presidente-da-cnbb.shtml


-https://www.a12.com/jornalsantuario/noticias/diversidade-nao-pode-ameacar-unidade-da-igreja-diz-francisco


-https://www.comshalom.org/o-dialogo-e-uma-expressao-da-caridade-diz-papa/



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Neste Apostolado promovemos a “EVANGELIZAÇÃO ANÔNIMA", pois neste serviço somos apenas o Jumentinho que leva Jesus e sua verdade aos Povos. Portanto toda honra e Glória é para Ele.Cristo disse-nos:Eu sou o caminho, a verdade e a vida e “ NINGUEM” vem ao Pai senão por mim." ( João, 14, 6).Como Católicos,defendemos a verdade, contra os erros que, de fato, são sempre contra Deus.Cristo não tinha opiniões, tinha verdades, a qual confiou a sua Igreja, ( Coluna e sustentáculo da verdade – Conf. I Tim 3,15) que deve zelar por elas até que Cristo volte.Quem nos acusa de falta de caridade mostra sua total ignorância na Bíblia,e de Deus, pois é amor, e quem ama corrige, e a verdade é um exercício da caridade.Este Deus adocicado,meloso,ingênuo, e sentimentalóide,é invenção dos homens tementes da verdade, não é o Deus revelado por seu filho: Jesus Cristo.Por fim: “Não se opor ao erro é aprová-lo, não defender a verdade é nega-la” - ( Sto. Tomáz de Aquino) “Não a nós, Senhor, não a nós, mas ao vosso nome dai glória...” (Salmo 115,1)

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