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Trindade ou Triteísmo? A Verdade por Trás Dessa Confusão Teológica

Written By Beraká - o blog da família on quarta-feira, 19 de setembro de 2012 | 11:05



por *Francisco José Barros Araújo


A questão sobre a natureza de Deus tem sido objeto de reflexão, debate e aprofundamento teológico ao longo de toda a história do cristianismo. Entre os temas mais debatidos, encontra-se a compreensão da Trindade, frequentemente mal interpretada e confundida com o triteísmo — a ideia de três deuses distintos — por estudiosos e leigos ao longo dos séculos. Esta confusão, longe de ser um mero detalhe conceitual, desafia tanto a fé quanto a razão, exigindo uma análise que dialogue com a Escritura, a tradição patrística e o desenvolvimento do dogma ao longo da história da Igreja. O presente estudo busca oferecer uma resposta que articule fé, razão e tradição, esclarecendo os equívocos teológicos e mostrando como a doutrina trinitária preserva a unidade divina sem diluir a distinção das pessoas divinas. Dessa forma, pretende-se contribuir para uma compreensão mais sólida e equilibrada de uma questão que tem gerado dúvidas e debates contínuos na teologia cristã.



"TRINITARIANISMO": UMA INTRODUÇÃO A DOUTRINA DA SANTÍSSIMA TRINDADE





O trinitarianismo, ou doutrina da Santíssima Trindade, constitui o núcleo central da fé cristã ao afirmar que Deus é um só em essência (una substantia) e, simultaneamente, três em Pessoas (tres personae): o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Essas Pessoas são coeternas, coiguais e consubstanciais, não se confundindo entre si nem se dividindo em naturezas distintas. Tal doutrina expressa um mistério revelado, acolhido pela fé e articulado pela razão teológica, que busca preservar a unidade absoluta de Deus sem negar a distinção real das Pessoas divinas. Reconhecida como dogma fundamental pela Igreja Católica e pelas tradições cristãs históricas, a Trindade não é resultado de especulação filosófica tardia, mas fruto do amadurecimento da revelação divina, transmitida nas Sagradas Escrituras, vivida na Tradição apostólica e definida pelo Magistério da Igreja. Nesse sentido, a doutrina trinitária constitui a síntese da fé cristã, pois dela procedem todos os demais artigos do Credo e toda a compreensão cristã da economia da salvação. Do ponto de vista teológico-acadêmico, a fé trinitária é compreendida como um mistério que ultrapassa as capacidades da razão natural, mas que não a contradiz. A razão, iluminada pela fé (fides quaerens intellectum), esforça-se por formular conceitualmente aquilo que Deus revelou de si mesmo, não para esgotar o mistério, mas para defendê-lo de interpretações equivocadas. Assim, a teologia trinitária desenvolveu-se historicamente em resposta a erros doutrinais, sobretudo nos primeiros séculos do cristianismo. Os grandes Concílios ecumênicos — especialmente Niceia (325), Constantinopla (381) e Calcedônia (451) — foram decisivos para a formulação dogmática da Trindade. Contra o arianismo, que negava a plena divindade do Filho, a Igreja professou que o Verbo é consubstancial (homoousios) ao Pai. Contra o modalismo, afirmou-se a distinção real das Pessoas divinas. Do mesmo modo, a plena divindade do Espírito Santo foi solenemente confessada, reconhecendo-O como Senhor e vivificador, digno da mesma adoração e glória. 








A reflexão patrística aprofundou esse mistério por meio de dois grandes eixos complementares. No Oriente cristão, particularmente nos Padres Capadócios, destacou-se a teologia das relações de origem: o Pai como princípio sem princípio, o Filho eternamente gerado e o Espírito Santo eternamente procedente. No Ocidente, sobretudo em Santo Agostinho, enfatizou-se a unidade da essência divina, recorrendo-se a analogias psicológicas — memória, inteligência e vontade — como auxílio pedagógico para contemplar a vida íntima de Deus, sempre com a consciência de seus limites. Desde o início, a doutrina trinitária distinguiu-se claramente de qualquer forma de triteísmo. Embora confesse três Pessoas, o cristianismo permanece rigorosamente monoteísta. Essa afirmação é essencial para compreender a singularidade da fé cristã frente a outras tradições religiosas. O monoteísmo, em sentido próprio, designa a crença em um único Deus, em oposição ao politeísmo ou ao henoteísmo. O cristianismo, ao professar a Trindade, não abandona o monoteísmo, mas o aprofunda, revelando que a unidade divina subsiste como comunhão eterna de amor. Nesse contexto, compreende-se a rejeição da doutrina trinitária por parte do judaísmo e do islamismo. O judaísmo sustenta, como princípio fundamental, a fé em um Deus absolutamente uno, simples e indivisível, recusando qualquer distinção pessoal no interior da Divindade, ainda que sob a forma de mistério. De modo semelhante, o islamismo professa um monoteísmo estrito, no qual a unicidade absoluta de Alá exclui a possibilidade da Trindade, entendida como contrária à afirmação de um só Deus. Apesar das raízes históricas comuns e de determinadas aproximações culturais e morais, cristianismo, judaísmo e islamismo diferenciam-se substancialmente em sua compreensão de Deus. 




O cristianismo não propõe uma pluralidade de deuses, mas confessa um único Deus que, em sua própria vida íntima, é relação, comunhão e amor. Por isso, define-se corretamente como monoteísmo trinitário, expressão que salvaguarda tanto a unidade da essência divina quanto a distinção real das Pessoas. A teologia católica distingue ainda entre a Trindade imanente — Deus em si mesmo, na eternidade — e a Trindade econômica — Deus tal como se revela e atua na história da salvação. Essa distinção não implica separação: o Deus que se manifesta na criação, na encarnação do Filho e no envio do Espírito Santo é o mesmo Deus que existe eternamente como Pai, Filho e Espírito Santo. 



A revelação histórica manifesta aquilo que Deus é desde sempre. Por fim, a doutrina da Santíssima Trindade possui profundas consequências para toda a teologia cristã. Na antropologia, revela que o ser humano, criado à imagem de Deus, é essencialmente relacional. Na eclesiologia, fundamenta a Igreja como comunhão reunida na unidade do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Na teologia moral, apresenta a Trindade como fonte última da caridade, do amor e da vocação à santidade. Assim, a fé trinitária não é apenas um conteúdo a ser professado, mas o coração vivo do cristianismo, a partir do qual se compreendem Deus, o homem e a história da salvação.






O TRITEÍSMO É UMA PERVERSÃO DA DOUTRINA DA SANTÍSSIMA TRINDADE, SENDO INCLUSIVE, COMPREENDIDO COMO UMA FORMA DE POLITEÍSMO



O triteísmo constitui uma grave distorção da doutrina cristã da Santíssima Trindade, pois rompe com a unidade essencial de Deus ao afirmar, de modo implícito ou explícito, a existência de três deuses distintos. Por essa razão, a tradição cristã sempre o rejeitou como heresia, aproximando-o perigosamente do politeísmo, em total oposição ao monoteísmo bíblico professado pelo cristianismo. 



O dogma da Santíssima Trindade deve ser compreendido dentro de um sólido contexto histórico-doutrinal, na marcha ascendente da revelação. Ele não surge de maneira arbitrária, mas se desenvolve ao longo da história da fé cristã até ser solenemente proclamado como artigo de fé no ano de 325, durante o Concílio de Niceia — o primeiro concílio ecumênico da Igreja. Nesse concílio, foram enfrentadas controvérsias cristológicas decisivas, especialmente aquelas levantadas pelo arianismo, que negava a consubstancialidade entre o Filho e o Pai, isto é, a plena divindade de Jesus Cristo. É nesse cenário que se destacam os chamados Padres da Igreja, também conhecidos como Pais da Igreja, tradicionalmente divididos em Padres Apostólicos e Padres Apologistas. Esses homens — teólogos, mestres e líderes espirituais — exerceram papel fundamental na formulação e defesa da fé cristã autêntica. Por meio da interpretação fiel das Sagradas Escrituras, iluminada pela Tradição apostólica, eles estabeleceram distinções claras entre a doutrina ortodoxa e as diversas heresias que surgiam nos primeiros séculos do cristianismo. 


A formulação dogmática da doutrina da Trindade, ou do Trinitarianismo, estruturou-se a partir de conceitos desenvolvidos pela Tradição viva da Igreja primitiva, pela autoridade legítima do Magistério e, sobretudo, pela fidelidade à Revelação divina. Não se trata, portanto, de uma invenção tardia ou filosófica, mas de uma explicitação progressiva daquilo que já estava contido no depósito da fé. Por essa razão, para seus defensores, a Trindade é, antes de tudo, uma verdade de fé. Trata-se de um mistério que ultrapassa os limites da razão humana sem, contudo, contradizê-la. 



A razão pode reconhecer a coerência interna da doutrina, mas apenas a fé permite acolhê-la plenamente. É nesse horizonte que os cristãos trinitários respondem às críticas oriundas de diversas correntes: a visão unicista estrita que, ao defender um monoteísmo absoluto, nega qualquer distinção real em Deus; as Testemunhas de Jeová, que consideram o dogma da Trindade antibíblico; os movimentos gnósticos, que negam a verdadeira divindade de Cristo; e ainda certos ensinamentos dos pioneiros do Adventismo do Sétimo Dia, que inicialmente rejeitaram a formulação trinitária clássica. Ao longo de intensos debates teológicos e eclesiais, o Trinitarianismo consolidou-se como doutrina central do cristianismo histórico. Ainda assim, nem todos os que se identificam como cristãos a aceitam integralmente, pois alguns defendem que basta reconhecer a divindade de Jesus Cristo para a salvação, relativizando a importância do dogma trinitário em sua totalidade. 







Conclui-se, portanto, que não é possível explicar de maneira definitiva e exaustiva o mistério da Santíssima Trindade. Todas as tentativas de explicação permanecem limitadas diante da infinitude do próprio Deus. Resta ao crente, em última instância, acolher esse mistério com humildade e fé, reconhecendo que a razão humana não é capaz de abarcar plenamente a essência divina. Todas essas questões serão analisadas ao longo deste trabalho. Como qualquer empreendimento humano, ele apresenta limitações, lacunas e possíveis imprecisões limitadas à razão humana. Não houve, em momento algum, a pretensão de esgotar o tema, mas apenas de oferecer um ponto de partida sólido — um primeiro passo — para aqueles que desejarem aprofundar-se nesse mistério central da fé cristã.



PROVAS DA TRINDADE: "HÁ UM SÓ DEUS VIVO, VERDADEIRO, e indivisível!"










ATENÇÃO! A doutrina da Santíssima Trindade não é triteísta, isto é, não professa a crença em três deuses. A fé cristã afirma com absoluta clareza que Deus é Uno, único e indivisível. Em sua essência divina, Deus não se soma, não se subtrai, não se multiplica nem se divide; Ele permanece eternamente o mesmo. A Trindade não se permite introduzir a divisão no ser de Deus, mas revela que o único Deus subsiste eternamente em três Pessoas distintas — o Pai, o Filho e o Espírito Santo — consubstanciais, coeternas e coiguais.  Essa verdade supera os limites da razão humana e, por isso, é corretamente denominada "Mistério da Santíssima Trindade": não algo contraditório ou irracional, mas uma realidade divina que ultrapassa nossa plena compreensão e só pode ser acolhida à luz da fé.





O MONOTEÍSMO PRIMORDIAL "JUDAICO-CRISTÃO"









1)- “Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor” (Dt 6.4)





2)- Um Anjo foi adorado em Ex 3,5-6; se Ele não fosse o Cristo, seria blasfêmia um anjo receber adoração que é devida só a Deus (Ap 22.8-9).




3)- Em Gênesis 1,1 vemos o nome Eloim. Este Nome é plural na forma, mas singular no significado. Os versículos seguintes demonstram isso (Gn 1,26-27; 3,22); indicando então uma Trindade.




4)- Há vários versos em que Deus aparece falando consigo mesmo, e com isso demonstrando conselho dentro da Trindade. Sabemos que Deus não se aconselha e nem pede conselhos (Gn ,26-27; 3,22; 11,7; Isa 6,8); indicando assim uma Trindade. Essa auto-conversa não pode ser atribuída aos anjos, pois eles não estavam associados com Deus na criação.




5)- “Assim diz o Senhor, Rei de Israel, seu Redentor, o Senhor Deus dos Exércitos: Eu sou o primeiro, e eu sou o último, e além de mim não há Deus” (Isa 44,6)




6)- “Não terás outros deuses diante de mim” (Ex 20,3)




7)- “Eu e o Pai somos Um” (Jo 10,30)




8)- “Crês, tu que Deus é um só? Fazes bem” (Tg 2,19)




9)- “Sabemos que o ídolo de si mesmo nada é no mundo, e que não há senão um só Deus” (1Cor 8,4)




10)- “Há um só Senhor, uma só fé, um só batismo, um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, age por meio de todos e está em todos” (Efe 4,5-6)




11)-
“Eu sou o Alfa e o Ômega, o primeiro e o último, o princípio e o fim” (Ap 22,13)




No Novo testamento a Trindade é perfeitamente identificada. Por isso ela pode ser facilmente formulada pelas passagens que se seguem:

 


NA FÓRMULA BATISMAL





As instruções de Cristo de batizarem “em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo” declaram a Trindade (Mt 28,19).






NO BATISMO DE CRISTO




As Três Pessoas da Divindade são evidenciadas distintamente em Seu Batismo (Mt 3,16 -17).





NA BÊNÇÃO APOSTÓLICA




As Três Pessoas são vistas (2Cor 13,14).






O FILHO E O ESPÍRITO SANTO É DEUS!





Juntamente com o próprio Deus eles formam uma Unidade (João 6,27; 10,30; At 5,3-5).





PRINCIPAIS DECLARAÇÕES BÍBLICAS NEOTESTAMENTÁRIAS:





1. Em João 1.1 encontramos uma das maiores provas de que Cristo é Deus! No original grego diz: “e Deus era a palavra”, declarando assim explicitamente que Cristo é Deus.




2. Sabemos que Deus é o Criador das coisas! em João1,3; Hb 1,2; Cl 1, 16 - vemos que Cristo é o Criador de todas as coisas!




3. Tomé declara em relação a Cristo: “Meu Senhor e meu Deus,em adoração” (João 20,28).







AS TRÊS PESSOAS DIVINAS RECEBEM OS MESMOS ATRIBUTOS DIVINOS!






* Eternidade: Pai (Sl 90,12); Filho (Ap 1,8-17; João 1,2; Mq 5,2); Espírito Santo (Hb 9,14).




* Poder infinito: Pai (1Pe 1,5); Filho (2Cor 12,9); Espírito Santo (Rm 15,19).




* Onisciência: Pai (Jr 17,10); Filho (Ap 2,23); Espírito Santo (1Co 2,11).




* Onipresença: Pai (Jr 23,24); Filho (Mt 18,20); Espírito Santo (Sl 139,7).




* Santidade: Pai (Apoc. 15,4); Filho (At 3,14); o Espírito, o Pai e Filho são Santos, e é por isso que os anjos clamam o três vezes Santo:  “Santo, santo, santo é o Senhor dos Exércitos” (Isa 
6,3).




* Verdade: Pai (João 7,28); Filho (Ap 3,17); Espírito Santo (1Jo 5,6).




* Benevolentes: Pai (Rom 2,4); Filho (Ef 5,25); Espírito Santo (Nee 9,20).





* Comunhão: Pai (1Jo 1,3); Filho (idem); Espírito Santo (2Cor 13,14).





Definição "teológico-conceitual" da Trindade





Apesar de algumas aparentes semelhanças históricas e conceituais, as diferenças entre o judaísmo e o cristianismo são profundas e, em muitos aspectos, substanciais. 



Desde suas origens, o cristianismo trilhou um caminho próprio, distinguindo-se progressivamente do judaísmo e configurando-se como uma religião nova, plena, autêntica e completa. Por isso, constitui um equívoco teológico considerar que ambas possuam a mesma essência ou compreender o cristianismo como mera continuação natural do judaísmo. Em sentido estrito, o cristianismo representa uma ruptura decisiva com o judaísmo, especialmente no modo de compreender a identidade e a revelação de Deus. 



O fundamento central do judaísmo é o monoteísmo absoluto, entendido como a afirmação de que existe um único Deus, simples e indivisível. Dentro dessa concepção, Deus “não é composto de partes”, ainda que tais partes fossem hipoteticamente unidas de maneira misteriosa. Qualquer distinção interna em Deus é vista como uma ameaça direta à sua unicidade e simplicidade absolutas. Essa compreensão está expressa, por exemplo, no Shema Israel: “Ouve, Israel: o Senhor nosso Deus é o único Senhor” (Dt 6,4). De modo semelhante, o islamismo também professa um monoteísmo rigoroso. Para o Islã, a doutrina cristã da Trindade é rejeitada por ser considerada uma violação da unicidade divina (tawḥīd). Segundo a teologia islâmica, Deus (Allah) é absolutamente uno, sem qualquer distinção interna de pessoas ou relações subsistentes. Essa convicção é tão central que cada surata do Alcorão se inicia com a invocação: “Em nome de Deus, o Clemente, o Misericordioso”, reafirmando continuamente a unicidade divina. Em contraste com essas tradições, o cristianismo confessa que Deus é um só em essência, mas subsiste eternamente em três Pessoas distintas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Tal afirmação não compromete o monoteísmo, mas o aprofunda à luz da revelação de Jesus Cristo. A doutrina da Trindade não divide o ser divino nem introduz composição em Deus; antes, afirma que a unidade da essência divina subsiste plenamente em cada uma das Pessoas. Trata-se, portanto, de um mistério revelado, que ultrapassa a razão humana sem contradizê-la, constituindo o núcleo da fé cristã e o principal ponto de distinção teológica entre o cristianismo, o judaísmo e o islamismo.




O Monoteísmo





O que é monoteísmo? O monoteísmo vem do grego mónos = único, e théos = Deus, ou seja, Deus único. É a crença na existência de apenas um só Deus onde este é onipotente, oniciente e onipresente. 




ATENÇÃO! O monoteísmo se diferencia do politeísmo que conceitua a natureza de vários deuses, como também se diferencia do Henoteísmo por ser este a crença preferencial em um deus reconhecido entre muitos!






O monoteísmo possui quatro outras formas, como definidas a seguir:





1)- O Monoteísmo ético: Que é a afirmação de um só Deus com fundamento ético. Desde o princípio Javé foi considerado um Ser de propósito ético, que exige completa obediência. O javinismo era uma religião de vida e conduta, segundo as leis que expressam a vontade Divina. Essas leis, em que a vontade de Deus assumiu forma concreta, incluem sobretudo as normas de condutas apodicamente formuladas.





2)- Monoteísmo místico: É a afirmação de um só Deus por razões místicas. Transcende todos os reinos do ser e do sentido, e seus representantes divinos, em favor do fundamento e abismos divinos, dos quais ele provê e no qual desaparecem. Todos os conflitos entre os deuses, entre o divino e o demoníaco, entre os deuses e as coisas, são superadas naquele que é último e que transcende a todos eles.





3)- Monoteísmo monárquico: Afirmação de um só Deus com soberania absoluta. Esta concepção monoteísta está no limite entre o politeísmo e monoteísmo. O deus-monarca impera sobre os deuses inferiores e sobre os seres da natureza divina. Ele representa o poder e o valor da hierarquia. Seu fim seria o fim de todos aqueles sobre os quais ele impera. Os conflitos entre os deuses estão reduzidos através de seu poder. Ele determina a ordem dos valores. Foi isto que os estóicos, fizeram quando identificaram Zeus como última cidade ontológica.






4)- Monoteísmo trinitário: Afirmação de um só Deus em três pessoas distintas. Não é uma questão com o número três. É uma tentativa de falar no deus vivo: o Deus em que estão unidos o último e o concreto. O monoteísmo trinitário é o monoteísmo concreto, isto é, a afirmação do Deus vivo.






O que é a "heresia do Triteísmo?" Qual sua origem?





O Triteísmo é uma "heresia cristológica e trinitária" que consiste em afirmar, de forma explícita ou implícita, a existência de três deuses distintos, ainda que iguais em poder, glória ou propósito. Trata-se de uma grave perversão da doutrina cristã da Santíssima Trindade, pois rompe com o princípio fundamental do monoteísmo bíblico ao dividir a única substância divina em três seres independentes. Por essa razão, o Triteísmo sempre foi condenado pela Igreja como uma forma disfarçada de politeísmo. Historicamente, tendências triteístas surgiram em contextos de reação a outras heresias, especialmente ao arianismo e ao modalismo, quando alguns teólogos, ao tentarem preservar simultaneamente a divindade plena do Pai, do Filho e do Espírito Santo, acabaram por comprometer a unidade substancial de Deus. Entre esses debates, menciona-se Marcelo de Ancira, cuja teologia, embora originalmente voltada à defesa do monoteísmo, foi posteriormente associada a formulações confusas sobre a distinção entre as Pessoas divinas, abrindo espaço para interpretações triteístas.



Segundo a concepção triteísta, Deus seria composto por três naturezas distintas, correspondentes a três indivíduos plenamente separados, unidos apenas por uma perfeita harmonia de vontade, metas, planos e propósitos. Assim, Deus não seria um único Ser, mas uma espécie de comunidade divina, ou um “grupo” de três seres autônomos que cooperam entre si. Nessa perspectiva, a unidade divina não é ontológica (de essência), mas meramente moral ou funcional.








Essa visão contradiz frontalmente a fé cristã tradicional, expressa de modo clássico no Credo Atanasiano, que afirma:



“Nem se devem confundir as Pessoas, nem dividir a substância.”




A expressão “nem dividir a substância” dirige-se precisamente contra o Triteísmo, pois este divide a única essência divina em três substâncias independentes, resultando inevitavelmente na afirmação de três deuses. O Trinitarianismo ortodoxo, ao contrário, ensina que existe uma só substância divina (ousia) subsistindo em três Pessoas (hipóstases) realmente distintas, porém inseparáveis e consubstanciais.




Como observa Philip Schaff, ao definir a doutrina trinitária clássica:




“O termo pessoa [hipóstase] não deve ser entendido como se as três pessoas fossem três indivíduos diferentes ou três seres autoconscientes agindo separadamente. A concepção trinitária de personalidade situa-se entre dois extremos: de um lado, uma simples forma de manifestação, que conduz ao sabelianismo; de outro, a ideia de personalidades humanas independentes, que resulta no triteísmo.” (História da Igreja Cristã, vol. 3, §130).



Desse modo, o Triteísmo é corretamente definido como a crença de que Deus existe em três pessoas entendidas como três indivíduos autoconscientes e separados, chamados “um” apenas por compartilharem caráter, propósito e ação comum. Essa noção difere radicalmente da Trindade cristã, na qual a unidade é real, substancial e absoluta. É importante destacar que o Triteísmo, assim como o Modalismo, conduz a graves consequências cristológicas. Se há três seres divinos independentes, não pode haver um Filho eterno e verdadeiro, consubstancial ao Pai. A filiação divina se torna apenas um papel funcional ou representativo. Além disso, a encarnação e a morte de Cristo perdem seu valor redentor pleno, pois, segundo essa lógica, nenhum dos três seres divinos poderia verdadeiramente morrer ou sofrer, uma vez que seriam igualmente divinos e imutáveis.O resultado final é uma compreensão profundamente empobrecida e artificial do amor de Deus: não mais o mistério sublime do Pai que entrega verdadeiramente o seu Filho por amor à humanidade, mas uma encenação teológica na qual um dos “três deuses” apenas aparenta sofrer, enquanto os outros permanecem à distância. Tal concepção esvazia o drama da Cruz e compromete o núcleo da fé cristã.



Em síntese, o Triteísmo é uma heresia porque divide aquilo que a fé cristã confessa como indivisível: a única substância divina. Contra ele, a Igreja sempre proclamou que Deus é um só Ser, simples e indivisível, que subsiste eternamente em três Pessoas realmente distintas, consubstanciais e inseparáveis — Pai, Filho e Espírito Santo.




Gênese evolutiva da experiência e da reflexão reveladora trinitária:





Desde os acontecimentos pascais até a sua solene proclamação como dogma de fé, a compreensão e a formulação do mistério trinitário percorreram um longo e progressivo caminho histórico-teológico. Esse desenvolvimento não ocorreu de modo abrupto, mas como fruto de uma experiência viva da revelação, gradualmente refletida, interpretada e explicitada pela comunidade cristã primitiva. Tal processo pode ser observado a partir do anúncio fundamental da fé cristã — a morte e a ressurreição de Jesus de Nazaré — núcleo do querigma apostólico. A partir dessa experiência pascal, os primeiros cristãos passaram a reconhecer não apenas a messianidade de Jesus, mas também a sua plena divindade, conforme atestado progressivamente nos escritos do Novo Testamento. Paralelamente, foi-se afirmando a identidade pessoal do Espírito Santo, não como uma força impessoal, mas como sujeito divino atuante na vida da Igreja. Nesse contexto, surgem as primeiras formulações trinitárias implícitas, presentes na linguagem litúrgica, batismal e doxológica da Igreja nascente, que expressam a fé em um único Deus confessado como Pai, Filho e Espírito Santo. Com o amadurecimento da reflexão teológica e o enfrentamento das controvérsias doutrinais, essas intuições iniciais foram sendo progressivamente clarificadas. Todo esse itinerário culmina na formulação dogmática expressa no Credo Niceno-Constantinopolitano (325–381), no qual a Igreja, à luz da Revelação e guiada pelo Espírito Santo, definiu de modo normativo a fé na consubstancialidade do Filho com o Pai e na plena divindade do Espírito Santo. Assim, a doutrina da Santíssima Trindade não representa uma inovação tardia, mas a explicitação fiel e amadurecida da fé apostólica vivida desde as origens do cristianismo.




A Formulação Dogmática da Trindade (em distinção ao Triteísmo)




A formulação dogmática da doutrina da Santíssima Trindade, no que se refere à relação entre as três Pessoas divinas, constituiu um processo progressivo da reflexão teológica cristã, realizado à luz da Revelação e em resposta às controvérsias doutrinais surgidas nos primeiros séculos da Igreja. Essa formulação não visou introduzir uma nova concepção de Deus, mas explicitar, de modo normativo, a fé já professada desde a época apostólica, preservando simultaneamente a unidade divina e a distinção real das Pessoas — evitando tanto o triteísmo quanto o modalismo. O primeiro momento decisivo desse processo ocorreu com o Credo de Niceia, promulgado no Concílio de Niceia em 325. Tal definição dogmática teve como objetivo principal responder às teses de Ário, fundador do arianismo, que negava a plena divindade do Filho, afirmando que o Verbo seria uma criatura superior, mas não consubstancial ao Pai. Contra essa posição, o Concílio afirmou que o Filho é “Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, não criado, consubstancial ao Pai” (homoousios), garantindo assim a unidade da essência divina sem confundir as Pessoas. Em um segundo momento, o Concílio de Constantinopla, em 381, aprofundou e completou a formulação nicena ao enfrentar o erro dos pneumatômacos, que negavam a plena divindade do Espírito Santo. Esse Concílio reafirmou que o Espírito Santo é Senhor e vivificador, digno da mesma adoração e glória que o Pai e o Filho, consolidando a fé trinitária em sua estrutura essencial. A síntese dessas definições ficou conhecida como Credo Niceno-Constantinopolitano, ainda hoje professado pela Igreja. Posteriormente, por volta do século V, a doutrina trinitária recebeu uma exposição mais sistemática e pedagógica no chamado Credo Atanasiano, que, embora não provenha diretamente de Santo Atanásio, expressa com grande precisão a fé trinitária da Igreja. Nele se afirma de forma inequívoca: “Adoramos um só Deus na Trindade e a Trindade na unidade, sem confundir as Pessoas nem dividir a substância”, declaração que se opõe frontalmente a qualquer concepção triteísta. Esses credos foram progressivamente formulados e ratificados pela Igreja entre os séculos III e V como resposta às heresias que comprometiam a compreensão do mistério trinitário, tais como o arianismo, o pneumatomaquismo, o docetismo e o modalismo. Tais movimentos, ao negarem a plena divindade ou a distinção pessoal do Filho e do Espírito Santo, foram corretamente declarados heréticos por atentarem contra o núcleo da Revelação cristã. Por essa razão, os grandes Credos trinitários não permanecem restritos ao Catolicismo ou à Ortodoxia, mas são igualmente reconhecidos, ainda que com nuances interpretativas, por grande parte do Protestantismo histórico. Igrejas Luteranas e Reformadas, por exemplo, preservam e recitam liturgicamente o Credo Niceno-Constantinopolitano, testemunhando a centralidade e a continuidade da fé trinitária na tradição cristã. Assim, a formulação dogmática da Trindade representa a salvaguarda da fé cristã autêntica: um único Deus em essência, subsistente em três Pessoas realmente distintas, consubstanciais e inseparáveis — em clara oposição tanto ao triteísmo, que divide a substância divina, quanto ao modalismo, que confunde as Pessoas.




A Trindade nos escritos dos padres da Igreja





1)- Deus uno e criador nos padres apostólicos:As ideias acerca de Deus uno e criador dos padres apostólicos derivam quase que em sua totalidade da fonte bíblica e do judaismo dos últimos séculos, e raramente recorrem ao pensamento dos gregos, a eles contemporâneo. Conquanto, na primeira epístola de São Clemente aos Coríntios, ao ser feita no capítulo 20 referência a Deus como ordenador do Kósmos, pode-se perceber um eco do estoicismo.





2)- Deus uno e criador nos padres apologéticos :No entanto, nos padres apologistas a influência do pensamento filosófico ou pensamento dos gregos, se torna evidente. Aristide de Atenas fundamenta sua apologia com uma demonstração da existência de Deus retirada do argumento filosófico de Aristóteles baseado no movimento. São Justino, por sua vez, acreditava que os pensadores gregos tiveram acesso aos livros de Moisés.





3)- Justino afirmava também, que Deus era a causa de toda existência, tendo criado todas as coisas no início a partir da matéria informe - ex nillo - conforme o ensinamento do Platonismo, que justino supunha ter sido retirado do livros dos Gêneses. Embora, entretanto, Platão considerasse a matéria pré - existente como eterna, Justino, provavelmente, a interpretou como se Deus a tivesse criado primeiro e a partir dela formou o Cósmos. Assim, Justino, igualmente afirmava que criando e sustentando o Universo, Deus usou o seu Logos como instrumento.Os demais apologistas concordam com com as colocações de Justino, emboram sejam mais definidos a respeito da criação a partir do nada.





4)- Taciano coloca que a matéria a partir do qual o Universo foi feito, foi ela mesma criada pelo "Único artífice do Cósmos", que a criou através do seu Verbo. Teófilo, por sua vez, afirmou que "Deus criuo tudo do modo que ele quis, do modo que ele o quis", e que Deus era "sem início porque incriado". Criticou a noção platônica de eternidade da matéria afirmando que, se isto fosse verdade, Deus não seria o criador de todas as coisas, e nesse caso a sua posição de único e primeiro princípio não teria validade.





5)- Santo Irineu, mesmo não sendo um apologista, refutou a teoria agnóstica de uma hierarquia de Eons criados por um Deus supremo incognocível, um dos quais, o criador do restante do Universo ou Demiurgo, também seria uma criatura. Santo Irineu, ensinou ainda que Deus exercia suas atividades criativas através de seu Verbo e sua Sabedoria ou Espírito, e que a criação foi a partir do nada, afirmando que enquanto os homens não podem fazer nada a partir do nada, mas apenas a partir do material que lhes são oferecidos, Deus é em relação a isto superior aos homens, porque ele mesmo ofereceu o material para a sua criação, embora este não tivesse existência anterior. Santo Irineu procurou também expor peremptoriamente as contradições que envolviam a colocação de uma série de emanações hierarquizadas de divindades.






Funções e operações das pessoas da Trindade





As três pessoas da Trindade estabelecem uma comunhão e união perfeita, formando um só Deus, e constituem um perfeito modelo transcendente para as relações interpessoais. Elas possuem a mesma natureza divina, a mesma grandeza, a mesma sabedoria, são iguais em poder, em bondade e santidade, mas, em certas ocasiões, em algumas atividades, certas funções são mais reconhecidas em uma pessoa do que em outra. Essas funções, suas principais atividades desempenhadas ou o modo perculiar de operação de cada um, está registrado nas Escrituras Sagradas e "perimpitoriamente resumino no Credo Niceno-Constantinopolitano, o credo oficial de muitas denominações cristã".





Desse modo, o trinitarianismo ensina que há diferentes ações para as pessoas da Santíssima Trindade, mas o Pai, Filho e Espírito Santo compartilham a mesma natureza. O que é o Pai, está no Filho e no Espírito Santo, mas, sem ser a mesma pessoa (João 14,11). O trinitarianismo afirma também que o Pai é a primeira pessoa da Trindade, que o Filho é a segunda pessoa da Trindade e que o Espírito Santo é a terceira pessoa da Trindade.Ao sustentar essa afirmação,os defensores do trinitarianismo, apresentam que o significado da palavra "pessoa", na modernidade, tem uma significação bem distinta do período em que foi formulado o Dogma da Santíssima Trindade e utilizada pelos patriarcas da Igreja Primitiva.





Um só Deus, que é Pai, Filho, e Espírito Santo!






1)- Pai - Não foi criado nem gerado. É o "princípio e o fim" da vida e está em absoluta comunhão com o Filho e com o Espírito Santo. Foi o Pai que enviou o seu Filho, Jesus Cristo, para salvar-nos da morte espiritual, pelo sacrifício vicário. Isto revela o infinito amor de Deus sobre os homens e o não-abandono aos seus filhos adotivos. O Pai, a primeira pessoa da Trindade, é considerado como o pai eterno e perfeito. É atribuído a essa pessoa divina, a criação do mundo.






2)- Filho - Gerado, não criado pelo Pai, e consubstancial a Ele. Não foi criado pelo Pai, mas gerado na eternidade da substancia do Pai. Encarnou-se em Jesus de Nazaré, assumindo assim a natureza humana. O Filho, a segunda pessoa da Trindade, é considerado como o Filho eterno - filho sob a ótica no sentido de que se tornando homem, deixou sua divindade, tornando-se totalmente dependente de Deus-, com todas as perfeições divinas. A Ele é atribuída a redenção ou salvação do mundo.







3)- Espírito Santo - Não foi criado nem gerado. Esta pessoa divina personaliza o Amor íntimo e infinito de Deus sobre os homens. Manifestou-se primeiramente no batismo de Jesus e na sua Transfiguração, e foi plenamente revelado no dia de Pentecostes. Habita nos corações dos crentes e estabelece entre estes e Jesus uma comunhão íntima, tornando-os unidos num só Corpo. O Espírito Santo, a terceira pessoa a Trindade, é considerado como puro nexo de amor. Atribui-se a essa pessoa divina, a santificação da Igreja e do mundo com seus dons.






As duas principais críticas equivocadas da doutrina da Santíssima Trindade:






Outras religiões (Judaísmo e Islamismo), e várias denominações cristãs discordam da doutrina da Santíssima Trindade. A seguir abordaremos numa síntese, as duas principais visões discordantes da doutrina da Santíssima Trindade:





1ª)- visão "unicista" de Deus



A visão unicista de Deus sustenta que existe apenas um único Deus, manifestando-se em diferentes formas ao longo do tempo: como Pai na criação, como Filho na redenção e como Espírito Santo nos dias atuais. Em outra variante, defende-se que há um único Senhor, presente tanto em Jesus Cristo quanto no Pai, Criador e sustentador do Universo. Defensores dessa perspectiva citam passagens bíblicas que enfatizam a unicidade de Deus (Ex 20:2-3; 1Cr 8:6; Jo 4:21-23) e argumentam que a doutrina trinitária não encontra expressão direta nas Escrituras, sendo portanto uma construção teológica posterior.  Entre os grupos que adotam a visão unicista destacam-se as Testemunhas de Jeová, o movimento gnóstico e os pioneiros Adventistas do Sétimo Dia. As Testemunhas de Jeová, por exemplo, rejeitam a Trindade como antibíblica, afirmando que Jeová é o único Deus verdadeiro. Para eles, o termo hebraico Elohim, apesar de estar no plural, é usado de forma majestática e não indica pluralidade de pessoas na Divindade. O Filho de Deus, Jesus Cristo, é considerado divino, mas distinto de Jeová, sendo subordinado a Ele, e sua existência pré-humana é associada ao Arcanjo Miguel, atuando como agente da criação. O Espírito Santo, por sua vez, não é visto como pessoa divina, mas como a força ativa de Deus.  Do ponto de vista teológico, a doutrina da Trindade não pode ser descoberta ou provada pela razão humana, pois Deus é único em sua natureza trina e não possui equivalente no mundo criado. Tentativas de fundamentar racionalmente a Trindade exploram conceitos como autoconsciência e amor, que pressupõem um sujeito e um objeto, sugerindo analogicamente a coexistência de pluralidade dentro da unidade divina. Contudo, os unicistas interpretam essas passagens de forma a manter a indivisibilidade e a supremacia de uma única pessoa divina: o Pai.  






2ª)-Os movimentos gnósticos:






Esse movimento (neo-gnóstico) contemporâneos, que se autodenominam de cristão, afirmam por sua vez que, Jesus Cristo não é Deus como é o YHVH, pois YHVH surge ao longo do Antigo Testamento como sendo um Deus "vingativo", "cruel" e "sedento de sangue" e, Jesusn como rosto de um "falso Deus" que é amor, misericórdia e perdão. Defendem que o Espírito Santo é na realidade o "Verdadeiro Deus" que salvou a Humanidade ao ser entregue por Jesus a YHVH quando de sua morte.





AS RELAÇÕES E AS PESSOAS DIVINAS: "QUEM IRá POR NÓS?"








*Triteismo e uma perversão da doutrina cristã da Trindade que pode ser vista como uma espécie de politeismo.Visa Deus como "três Deuses iguais e distintos" (heresia do bispo Marcelo de  Ancira).A definição dogmática que parte da autêntica fé Cristã, afirma que no Deus Trino são, simultaneamente, três pessoas e um único Deus. Contudo, o termo “pessoa” se remete para além do campo trinitário e Cristológico, tocando necessariamente no campo antropológico.







Dai provem dois aspectos relevantes para compreender melhor o conceito de pessoa:






1)- A pessoa, como sujeito de relação, tema que foi amplamente trabalhando por Santo Agostinho e Santo Tomas de Aquino.





2)- Que o conceito de “pessoa” deve ser tomado como sujeito individual, irrepetível e não passível de ser comunicado.






Alem desses dois aspectos deve se levar em consideração que o conceito de pessoa evolui, tomando outras perspectivas, gerando assim uma maior complexidade, ao emprega-lo a Deus. Esse processo evolutivo do conceito de “pessoa” se tornou considerável desde o inicio da Idade Moderna, donde passou a significar “um ser que se possui a si mesmo em consciência e liberdade”.





Nesse sentido, é importante levar em conta a posição do "teólogo protestante" Karl Barth:





Ele afirma que ao atribuir o termo “pessoa” a Deus, as três “pessoas divinas”, constituiria um grave problema, pois se assim fosse em Deus o conceito de pessoa, haveria: três consciências, três liberdades, três vontades, e três indivíduos com a capacidade de se autodeterminar, desembocando inevitavelmente no "triteismo". 




A partir disso, Barth procura dar uma solução substituindo o termo “pessoa” pelo: “modo de ser”, ou Seinsweise, defendendo sua teoria de que em Deus existe uma unidade indestrutível, sendo simultaneamente, no que toca a Trindade Econômica e a Revelação, um Deus revelador e as consequências desse ato na humanidade. Ele prossegue tentando amarrar a unidade divina com a multiplicidade das pessoas, reafirmando uma unidade indestrutível seguida de atribuições desse mesmo Deus como revelador e revelado, indicando assim “três modos de ser”.




Isso significa que, segundo Barth, “Deus é Deus nessa tripla repeticao e só nessa repeticao é o unico Deus”.






Karl Rahner, outro grande teologo (católico), busca cooperar no aprofundamento da teologia trinitária, combatendo o triteismo:







Rahner toma como ponto de partida a formulação de que uma vez que Deus queira se comunicar com a humanidade, será seu Filho que ira aparecer diante dos homens, em carne e osso, assim como será o Espirito Santo que irá acolher essa dita comunicação nessa mesma humanidade, por meio das virtudes teologais: fe, esperanca e caridade. Dentro dessa atuação do Espirito Santo na humanidade, concomitantemente, a comunicação deve-se levar em consideração que a estrutura humana comporta quatro aspectos que, por sua vez possuem uma dualidade cada um - São elas:





I) origem/futuro;



II) historia/transcendencia;



III) oferta/aceitação;



IV) conhecimento/amor.







Os pontos de dualidade podem ser agrupados de dois pontos diversos:





Os primeiros elementos de cada aspecto de um lado em certa “contraposição” com os últimos elementos de cada aspecto. O primeiro grupo pode ainda se resumir como verdade e o segundo como amor. Depois de aprofundar um pouco na economia trinitaria, esse teólogo passa para o tema da Trindade Imanente. 



Assim como ele destaca, já na simplificação, em dois grandes grupos a estrutura humana que recebe e interage com a comunicação divina, apontara também, uma estrutura dividida em duas linhas no que diz respeito a comunicação interna da Trindade: a comunicação do Pai ao Filho e a comunicação do Pai também ao Espirito Santo, ou seja, o Pai da a si mesmo ao Filho e ao Espirito Santo. Semelhante também nesse âmbito, pois o Filho como “parte primeira” da autodoacao do Pai. Com esse postulado, o teologo alemao insiste em bater na tecla do perigo de se usar o termo “pessoa” para se referir a Deus no contexto em que este termo é utilizado nos tempos modernos, correndo o risco de se “multiplicar” as essências como ocorre na aplicação antropológica do mesmo termo, caindo no triteismo. 





A resolução que Rahner da para essa problematica que cerca o termo “pessoa” tem como fonte a definição que Santo Tomas apresenta para dela formular esta: 






"O Deus único subsiste em 'três modos distintos' de subsistencia, ou seja, Deus existe em três formas de subsistencia"





ANÁLISE MODERNA DO TERMO "PESSOA":





Ao analisar a evolução do termo “pessoa” atribuído a Deus nota-se que originalmente ele foi posto no intuito também, de explicitar que Deus é uma comunhão de pessoas que se relacionam entre si. Diante disso, pode-se questionar se a postura de Barth, onde a Trindade é a repetição do "eu divino", ou mesmo de Rahner, que exclui a reciprocidade intratrinitaria, seriam validas?






Em resposta a esse questionamento, nao faltaram "teólogos católicos" para se oporem a esses modelos de Trindade:




1)- Por exemplo, podemos citar Moltmann que aposta na Trindade como sendo uma “Comunhao de pessoas”, sem negar-lhe a unicidade de essencia.





2)- W. Kasper, nessa mesma linha defende a Trindade como "dialogo de amor"



3)- Heribert Muhlem, inova afirmando que o Pai seria o “Eu”, o Filho seria o “Tu” e o Espírito Santo seria o “Nós”.



4)- Por sua vez J. Ratzinger ressalta a Pessoa, sobretudo em Deus, como fenômeno de tal relatividade (relação).



5)-Por fim, Von Balthasar defende que o Espirito Santo seria o “Nós” como eterno dialogo entre Pai e Filho.





A doutrina sobre a Trindade é de cunho denso. Chamamos de denso porque traz uma linguagem com peso filosofico e teologico, e por isso mesmo, valioso, porque notamos com isso, a evolução do conceito de “pessoa” na teologia trinitaria. E tambem, como ja sabemos, os capadocios basearam sua teologia trinitaria na distincao entre ousia e prósopon, talvez aparentando em suas origens a persona dos latinos. 





Notamos não somente a evolucao, mas o aprofundamento e o aperfeiçoamento dessa tematica, aplicando o conceito de “pessoa” a Deus de modo analógico (Santo Agostinho).




Primeiramente, veremos como Santo Agostinho e Santo Tomas apresentaram as “relacoes” em Deus. Em seguida, ao tratar das pessoas divinas, veremos a noção de “pessoa” em Agostinho, posteriormente, na mesma tematica, percorreremos as definicoes de “pessoa” em Boecio a Santo Tomas de Aquino.Finalmente, acompanharemos a noção de pessoas, propriedades, e apropriacoes, e logo em seguida, entenderemos como se deu a compreensão da mutua "inabitação" das pessoas.




Ao tratar das relações divinas, temos duas autoridades, Santo Agostinho e Santo Tomas de Aquino






-O bispo de Hipona nos apresenta um problema e uma solução: O problema esta centrado na aporia  (APORIA - grego: “caminho inexpugnavel, sem saida”, defendida como uma dificuldade, impasse, paradoxo ou momento de autocontradição que independem que o sentido de um texto ou de uma proposicao seja determinado) entre substancia e acidente, a qual culmina na simplicidade de Deus. Como solução, para o santo africano, é  na simplicidade divina que indica a distinção entre o que se predica de Deus em si (ad se), e o que se predica em relacao ao outro (ad aliquid). Essas coisas nao se dizem segundo a substancia, mas segundo a relação (relativum), pois Deus e imutavel. Santo Agostinho, ao tratar das pessoas divinas, buscou utilizar uma expressão entre as varias existentes (hipostase, ousia, persona, essencia, substancia); para se referir a “pessoa”, ele achou coveniente utilizar o termo “persona”. 




O grande pastor e bispo de Hipona, nao tratou de definir diretamente o que seria a “pessoa”, mas observou e destacou que a “pessoa” é algo singular e individual, aliquid singulare atqueindividuum.






- Ja Santo Tomas, o Doutor Angelico, em sua reflexao sobre as Relacoes Reais nos mostra que ela distingue entre si, mas nao segundo a essencia e sim segundo a relacao. O “Boi Mudo” compilou e aperfeiçoou a doutrina agostiniana das relações, partindo de que tudo o que ha em Deus é absoluto ou relativo.Essas relacoes sao reais porque ha uma verdadeira paternidade e filiacao, pois, do contrario, nao haveria verdadeiramente um Pai nem um Filho, o que seria a heresia de Sabelio (Sabelio,o pai dos unitaristas -  Essa heresia afirma que o Pai e o Filho são a mesma pessoa).

 



Na Trindade há características que se referem às relações reais:




1) Geração



2) Filiação



3) Expiração Ativa



4) Expiração Passiva.




OUTRAS ANÁLISES DO TERMO PESSOA:





1)- Boecio proporcionou a definicao de “pessoa” e que o primeiro elemento da definicao é de substância, o substrato do ser, mas esta tem de ser individualizada, isto é, nao intercambiável com outra. A natureza racional e precisamente nela que nos, os homens, experimentamos a incomunicabilidade. Somente os seres humanos são, por conseguinte, “pessoa”, tem a individualidade que nos faz realmente irrepetiveis, definindo como “persona est naturae retionalis individua substantia”.




2)- Contudo, Ricardo de Sao Vitor nao ficou satisfeito com a definicao de Boecio e decidiu, por sua conta e risco, modifica-la, pois para ele a “pessoa” e a “naturae rationalis incommunicabilis existência”, ou seja, a existencia incomunicavel de natureza racional. Se na definicao de substantia ha o risco de pensar que as tres pessoas em Deus sao tres substancias ou essencias, ha ainda o risco de cair no triteismo.Em Deus ha unidade segundo o modo de ser, iuxta modum essendi, mas a pluralidade segundo o modo de existir iuxta modum existendi.






Do diverso modo de existir, em relação com a procedência ou não procedência, vem as propriedades das pessoas:






- O Pai nao procede de nenhum, existe a partir de si mesmo, as outras pessoas procedem dele.Mas, para Santo Tomas, a relação é  o que importa, pois é  ela que une e define a noção de pessoa para Deus.




- A definição de Pessoa de Boécio para o Doutor Angélico é uma base para afirmar essa relação perichorese: de está no outro. O Pai está no Filho e o Filho no Pai (João 14,10). As apropriações concorrem para a trindade econômica (o que foi revelado). Ainda no aprofundamento do pensamento tomista(Analógico), notamos que o termo “pessoa” nao se aplica a Deus como se aplica as criaturas, pois em Deus tudo deve ser de modo mais excelente. Ao falar da natureza racional significa falar da natureza intelectual em Deus, visto que Nele, razao nao se implica discurso. E no principio da individuação Deus nao é materia.E no que tange as pessoas, propriedades e apropriações nota-se que as pessoas são constituídas pelas relações opostas.Ao se falar de propriedade, falamos de algo que é próprio de cada um, inclusive de cada pessoa, ou seja, as suas características. Já as apropriacoes sao as caracteristicas que se tem em comum, apropriando-se tomando as caracteristicas de outros.A propriedade é o modo de conhecer a pessoa divina e se deduzem das relacoes de origem. O Filho vem do Pai, ou seja, a propriedade ou noção que o caracteriza é a filiação. Junto com as propriedades fala-se de apropriação, as quais se aplicam a uma determinada pessoa devido ao modo como essa pessoa se manifesta.





Quando se falou da "inabitação das pessoas", ultima noção teológica suscitada por Ladaria (Ladaria, pp. 255-275) ao tratar dos termos “perichoresis” ou “circumincessio”, os quais indicam que as pessoas divinas não estão somente em relação com as outras, que não se dá nelas somente em “esse ad” senão um “esse in”. A base dessa doutrina encontra-se no Novo Testamento. “A mutua inabitacao do Pai com o Filho e a expressao da unidade de potencia e espirito”, segundo Atenagoras.




- Ja Hilario de Poitiers afirma que a unidade da natureza do Pai e do Filho é a perfeita geração do segundo, a partir do primeiro.





- Sao Joao Damasceno foi o primeiro a utilizar, no sentido trinitario, a expressao perichoresis para expressar a realidade sobre a qual a teologia tinha refletido. Sao Joao Damasceno defende a ideia de que o Pai esteja no Filho e vice versa.





- O Concilio de Florenca considera como a conseqüência pericoresis a unidade da essência divina.





- Tanto no uso criptológico como no trinitário a circumincessao serve para exprimir a unidade na diversidade. Ela nao é  algo que se junta a uma unidade e a uma distincao ja estabelecida. A unidade e a distinção em Deus são tais que implicam ser um no outro, nao somente com ou junto ao outro. Junto a relacao (esse ad) que se distingue na unidade divina, a perichorese (esse in) une, mas, mantendo a distinção.



 

Caberá o mistério da Santíssima Trindade em nosso limitado entendimento? Sabendo que a verdade é maior que nossa inteligência?





Andando pela areia da praia, Santo Agostinho, bispo de de Hipona (atual Argélia), mergulhado em pensamentos profundos e altíssimos que se elevavam ao céu. Entre seus raciocínios, pensava ele no mistério da Santíssima Trindade. 



“Como é que pode haver três Pessoas distintas: Pai, Filho, e Espírito Santo – em um mesmo e único Deus?” 




Ele avistou, de repente, um menino com um baldinho de madeira, que ia até a água do mar, enchia o seu pequeno balde e voltava, despejando a água em um buraco na areia. Santo Agostinho, observando atentamente o menino, lhe perguntou:



– O que estás fazendo?


O menino, com grande simplicidade, olhou para Santo Agostinho e respondeu:


– Coloco neste buraco toda a água do mar!


Diante da inocência do menino, o santo lhe sorriu e disse:


– Isto é impossível, menino! Como podes querer colocar toda essa imensidão de água do mar neste pequeno buraco?


O anjo de Deus o olhou então profundamente e lhe disse com voz forte:



– Em verdade, te digo: é mais fácil colocar toda a água do oceano neste pequeno buraco na areia, do que a inteligência humana compreender os mistérios de Deus!

 

 









CONCLUSÃO



A Trindade é um mistério que a razão humana jamais poderá acolher em sua plenitude, pois a verdade de Deus é infinitamente maior do que a nossa inteligência criada. 


A fé cristã não afirma um enigma irracional, mas um mistério sobrenatural: uma realidade verdadeira, revelada por Deus, que ultrapassa — sem jamais contradizer — as capacidades da razão humana. O próprio Cristo reafirma a unidade absoluta de Deus ao declarar: “Eu e o Pai somos um” e “Eu estou no Pai e o Pai está em mim” (cf. Jo 10,30; 14,10). Deus não se divide, não se soma, não se diminui e não se multiplica; Ele permanece eternamente o mesmo, simples e indivisível em sua essência. Nesse sentido, a encarnação do Verbo não implicou qualquer ruptura ou fragmentação no seio da Trindade. 


Ao assumir a natureza humana, o Filho não se separou do Pai nem do Espírito Santo. Do mesmo modo, após a Ressurreição, a Ascensão e o envio do Espírito Santo, não se pode conceber que apenas o Pai e o Filho permaneçam na glória enquanto o Espírito atua isoladamente na história. A Trindade permanece una e indivisível, tanto em sua vida íntima quanto em sua ação salvífica. A distinção das Pessoas jamais compromete a unidade da essência divina.






Embora a Sagrada Escritura não empregue explicitamente o termo Trindade — assim como não utiliza muitos outros conceitos técnicos posteriormente formulados pela teologia — o conteúdo trinitário encontra-se inegavelmente implícito no testemunho bíblico. A revelação progressiva do Pai, do Filho e do Espírito Santo, bem como suas relações mútuas, fundamenta solidamente a fé trinitária, como se observa, entre outros textos, em João 10,30–36. A formulação dogmática não acrescenta algo estranho à Escritura, mas explicita, com rigor conceitual, aquilo que nela já está contido de modo germinal.



Todavia, quando a exegese bíblica procura oferecer uma compreensão do mistério trinitário, ela o faz de maneira necessariamente limitada e analógica. Um Deus infinito não pode, em hipótese alguma, ser plenamente descrito por um discurso finito, seja ele de natureza teológica, filosófica ou mesmo científica. Toda linguagem sobre Deus permanece verdadeira, mas sempre inadequada diante da grandeza do mistério que nos ultrapassa, o qual se procura expressar.



Resta, portanto, ao crente, não a pretensão de dominar o mistério, mas a atitude humilde de contemplá-lo, reconhecendo a transcendência absoluta de Deus e a sua infinita superioridade em relação à criatura. 




Nesse caminho, a Igreja herdou um tesouro inestimável da reflexão de grandes mestres da tradição, como Santo Agostinho, Santo Tomás de Aquino, Tertuliano, Boécio, Ricardo de São Vítor e, em tempos mais recentes, o Cardeal Luis Ladaria, entre tantos outros. Cada um, a seu modo, contribuiu para uma teologia cada vez mais apurada e sistematizada, sem jamais pretender oferecer um “veredicto final fechado”, precisamente porque se trata de um mistério inesgotável. 




Isso se manifesta de modo especial na reflexão sobre o conceito de pessoa, as relações de origem, as propriedades e apropriações divinas, bem como na doutrina da mútua inabitação (pericórese) das Pessoas divinas. Analogicamente, o Deus Uno e Trino revela-se como comunhão aberta, oferecendo à humanidade um modelo de vida relacional, comunitária e eclesial. Criados à imagem e semelhança de Deus, não podemos nos fechar em nós mesmos, em grupos, guetos ou em um individualismo estéril e autorreferencial.







A abertura trinitária exige comunicação, comunhão, unidade — um constante ad aliquid, um ser voltado para o outro. Onde há fechamento egocêntrico, não pode haver verdadeira unidade; e, como consequência, nem mesmo o ministério sacerdotal ou a vida cristã florescem autenticamente. A Trindade não se fecha em si mesma: cada Pessoa divina existe em relação, abrindo-se amorosamente para que todos nós participemos de seu grandioso mistério de vida e salvação. Por fim, é oportuno recordar a célebre afirmação atribuída a Santo Tomás de Aquino:



“Para aqueles que têm fé, nenhuma explicação é necessária; para aqueles que não têm fé, nenhuma explicação é possível.”



A fé, como ensinam as Escrituras, é o caminho privilegiado para se chegar à verdade divina: “O justo viverá pela fé” (Rm 1,17). Assim, longe de suprimir a razão, a fé a eleva, completando aquilo que os sentidos e o intelecto, por si sós, não conseguem alcançar. Nada, portanto, pode ser mais importante do que a fé viva, humilde e perseverante, que nos introduz no mistério do Deus Uno e Trino.





BIBLIOGRAFIA CONSULTADA:



-BERNARD SESBOUE, J. WOLINSKI - DEUS DA SALVAÇAO, O - (SECULOS I - VIII) - Page 251



-CASTRO, José Pereira de. Bíblia Sagrada Ave Maria. 180ª ed. São Paulo: Ave-Maria, 2008.



-HASEL, Gerhard. Teologia do Antigo e do Novo Testamento: Questões básicas no debate atual. Trad. Luís M. Sander e Jussara Marindir P. S. Arias. São Paulo: Academia Cristã, 2007.



-NICOLA, Ubaldo. Antologia Ilustrada de Filosofia: Das origens à idade moderna. São Paulo: Globo, 2005.



-AZEVEDO, Antonio C. do Amaral. Religião.In: Dicionário Histórico de Religiões. 1ª ed.Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2002.



-JAPIASSÚ, Hilton., MARCONDES, Danilo. Filosofia.In: Dicionário Básico de Filosofia. 4ª ed. Rio de Janeiro: Zarah, 2006.Introdução À Metodologia Científica. In:Instituto Teológico Shammah. São Paulo, 2010.




*Francisco José Barros Araújo – Bacharel em Teologia pela Faculdade Católica do RN, conforme diploma Nº 31.636 do Processo Nº  003/17







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5 de fevereiro de 2014 às 16:28

Então Deus seria 1 grupo de 3 indivíduos?

7 de fevereiro de 2014 às 11:41

Não caro Ton,

Pois ai conforme seu raciocínio seria TRITEÍSMO e não Trindade.


O que é Triteísmo?


O bispo Marcelo de Ancira, pai desta doutrina considerada herética, numa tentativa de defender o Monoteísmo, afirmava que havia em Deus três pessoas e três naturezas distintas, e duas forças, que saiam de Deus e a Ele retornavam.

É uma perversão da doutrina cristã da trindade (cristianismo) que pode ser vista como uma espécie de politeísmo. Essa doutrina visa Deus como três deuses iguais e distintos.

O Triteismo é o conceito de que o Deus da Bíblia é realmente composto de três seres separados, que são só um porque eles estão perfeitamente unidos nas suas metas, planos e propósitos, mas porqque eles trabalham juntos. Neste conceito, Deus não é um indivíduo, mas um grupo de três indivíduos, ou uma comunidade.

Novamente, gostaríamos de nos referir e apontar o item número 4 do Credo de Atanásio, que diz: "Nem confundir as pessoas; nem dividir a substância." A frase "nem dividir a substância" refere-se diretamente a essa compreensão triteísta de Deus.

De acordo com o Trinitarianismo Ortodoxo, o Triteísmo divide a substância de Deus conseqüentemente em três Seres separados. Assim, seriam três deuses e isto é rotulado como "Triteísmo".



O que é então monoteísmo? É a crença na existência de apenas um só Deus, o que faz com que seja diferente de crenças como, por exemplo, politeísta que acreditam em vários deuses e, do henoteísmo que aceitam preferencialmente um deus, em detrimento de outros.


Aceitando uma Divindade trina, o cristianismo é uma religião monoteísta trinitária, não sendo de forma alguma uma religião triteísta. O triteísmo é uma perversão da doutrina da trindade, inclusive, é visto como uma espécie de politeísmo. A Doutrina da Trindade não é uma forma de Triteísmo, ou seja, não é uma crença em três Deuses.No Novo testamento a Trindade é perfeitamente identificada. Por isso ela pode ser facilmente formulada pelas passagens que se seguem:



A. NA FÓRMULA BATISMAL


As instruções de Cristo de batizarem “em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo” declaram a Trindade (Mt 28.19).




B. NO BATISMO DE CRISTO


As Três Pessoas da Divindade são evidenciadas distintamente em Seu Batismo (Mt 3.16,17).


CONCLUSÃO:

Apesar da Bíblia não fazer menção direta da palavra Trindade, indiretamente este conceito, como vimos, está nas Escrituras representado. E quando a exegese bíblica nos tenta dar uma ideia sobre a Trindade, ela não o faz de forma totalmente precisa. Um Deus infinito não poderá em hipótese alguma ser descrito por completo por um discurso finito, seja ele de qual natureza for: Teológico, Filosófico ou até mesmo Científico. Resta ao crente, focalizar a grandeza Divina e sua natureza infinitamente maior que a nossa.


Por fim, vimos quão grande tesouro herdamos de pessoas como Santo Agostinho, Santo Tomas, Tertuliano, Boecio, Ricardo de Sao Vitor, Ladaria e tantos outros, os quais, de diversos modos, contribuíram para que tivéssemos uma teologia mais apurada e sistematizada, mas sem um “veredicto final fechado”, pois estamos tratando de um misterio.

Shalom !!!

6 de fevereiro de 2015 às 13:30

Os cristãos simples, com pouco estudo, não precisam dessas definições letradas e acadêmicas. Para eles, basta:
1) saber que o Pai é Deus, Jesus é Deus, que o Espírito Santo é Deus.
2) usufruir da misericórdia amorosa, da graça maravilhosa que é derramada por Deus, sejam elas identificadas como originárias do Pai, do Senhor Jesus ou do Espírito eterno.

Por que afirmo isto?

Usufruímos da tecnologia eletroeletrônica que nos está disponível, sem qualquer especulação sobre como a engenharia chegou aos avanços que hoje temos na smart TV, nos smartfones, nos microcomputadores, tablets, etc., etc. Não interessa ao leigo em eletrônica qualquer explicação sobre como funciona a transmissão de TV ou como o aparelho receptor capta áudio e vídeo. Ele quer apenas usufruir.

A gente lê sobre impulsos elétricos binários, placas disso e daquilo, mas continuamos sem entender os mistérios da tecnologia moderna.

Às vezes me pergunto: será que inclusive os engenheiros que lidam com isso poderiam mesmo dar explicações satisfatórias sobre o funcionamento de cada componente dos aparelhos eletrônicos?

A religiosidade popular de qualquer tradição tem sua teologia paralela informal, não definida em tratados. O fenômeno sociológico religioso nos alerta que é impossível mudar a teologia popular das massas . Eles continuarão triteístas ou ainda, "quatriteistas", considerando que o fenômeno marianista, na prática, cria uma religiosidade paralela ao incorporar a Virgem Maria como mais uma pessoa divina toda poderosa e concessora de todas as graças.

Quanto ao fenômeno do "quatriteismo", vide meu ensaio: 'UM DEUS EM QUATRO PESSOAS - A FORÇA POPULAR DO MARIANISMO", disponível em http://pt.calameo.com/read/00027572738de74a6afc3

6 de fevereiro de 2015 às 16:09

Prezado Protestante Marcos Antônio,

Só mesmo, uma mente doentia e querer agir e prejulgar de má fé, considerar que os Católicos consideram Maria uma deusa.Esta dedução é protestante e não Católica.Maria é criatura, e não criador, portanto não pode ser deusa. Até o católico menos informado e menos praticante sabe disto, e vou explicar-lhe porque sem precisar recorrer ao seu artigo:

1)-Em primeiro lugar, os católicos não consideram a Santíssima Mãe do Senhor como deus nem deusa nem nada do gênero,isto é mera acusação revanchista dos protestantes sem fundamentação alguma.
2)- Segundo, Maria, aquela que todas as gerações "chamarão de abençoada." (Lucas 1:48) tem um motivo legítimo para reivindicar o título de Rainha do Céu. Como cristãos, reconhecemos Cristo como o rei do céu (Mat. 19:23-24). e como Rei da linhagem real de Davi: "Ele será grande, será chamado Filhon do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai (Lucas:1:32). As Sagradas Escrituras referem-se especificamente a Maria como a mãe de Cristo mais de 25 vezes. Além disso, devemos notar que "a mãe do monarca reinante é conhecida como a Rainha Mãe,". Assim, vemos que "Rainha Mãe" denota a mãe (Maria) de um monarca reinante (O Divino Rei, Jesus Cristo).A Rainha Mãe, "Gebi Rah" em hebraico, era uma insigne honraria, e uma tradição iniciada com o filho de Davi, Salomão. As Sagradas Escrituras mostram que na Antiga Israel ou Judá a mãe do herdeiro designado gozava de um estatuto especial. Natã recrutou Betsebéia e não Salomão em seu plano de confirmar Salomão como rei (1 Reis 1:11-40). Rainha Mãe era uma posição oficial em Israel e Judá. Vemos assim que Maria tem direito ao título de "Rainha do Céu". Mas onde nas Escrituras Deus diz que terá uma Rainha? Nos Salmos 45:9,12,17 lemos: "Filhas de reis estão entre suas damas de honra: à tua direita está a RAINHA em ouro de Ofir...mesmo os povos mais ricos IMPLORARÃO TEUS FAVORES. Farei TEU NOME SER LEMBRADO EM TODAS AS GERAÇÕES: portanto os povos TE LOUVARÃO para todo o sempre."

3)- Terceiro: Seu nome será lembrado em todas as gerações. Caiu a ficha? A profecia é realizada em Lucas 1:48: "Pois considerou a humilhação de sua serva: pois sim, doravante TODAS AS GERAÇÕES ME CHAMARÃO abençoada". No Livro do Apocalipse lemos:"Um sinal grandioso apareceu no céu, uma mulher vestida de sol, com a lua sob os pés, e com uma coroa de doze estrelas na cabeça." (Ap. 12:1-2)Que espécie de mulher usa coroa? As rainhas usam coroas, mas essa mulher parece estar coroada das 'mais altas jóias' da criação, as estrelas, tendo o próprio sol como traje real:"Enfurecido com a mulher, o dragão foi guerrear contra o resto dos seus descendentes, os que observam os mandamentos de Deus e mantêm o testemunho de Jesus." (Ap. 12:17)Satã não pôde vencer a mulher [Gen 3:16) então passou a combater seus filhos espirituais, os cristãos, gente que dá testemunho de Jesus Cristo.

4)- Quarto e último:Até Martinho Lutero o FUNDADOR DOS PROTESTANTES pregou, após a ruptura com Roma, na Festa da Visitação (2 de Julho de 1532):"Ela, a Dama acima do céu e da terra, devia ter um coração tão humilde que não se envergonhava de lavar a roupa de baixo ou de preparar um banho para São João Batista, como uma moça servente. Que humildade! Com certeza teria sido mais justo ter preparado para ela uma carruagem de ouro, puxada por 4.000 cavalos, e bradar e proclamar enquanto a carruagem andasse: 'Aqui vai a mulher que está MUITO ACIMA de todas as mulheres e, com certeza, acima de TODA a raça humana”


Shalom !!!

10 de maio de 2017 às 23:15

Em apocalipse 12: 6 fala assim : E a mulher fugiu para o deserto, onde já tinha lugar preparado por Deus, para que ali fosse alimentada durante mil duzentos e sessenta dias.
(Apocalipse 12:6 )

Sabemos que pra Deus 1 dia é 1 ano (Ezequiel 4:6) (Números 14:34) Maria viveu mil duzentos e sessenta dias ?

Anônimo
5 de junho de 2023 às 18:41

"Sabemos que pra Deus 1 dia é 1 ano (Ezequiel 4:6) (Números 14:34) Maria viveu mil duzentos e sessenta dias ?"

Não, esses números não são exatos mas, analógicos, significando um longo tempo.

Anônimo
22 de janeiro de 2025 às 20:02

"Para aqueles que tem fé, nenhuma explicação é necessária. Para aqueles sem fé, nenhuma explicação é possível. A fé é a melhor forma de se chegar à verdade divina, portanto, nada pode ser mais importante do que a fé! (diz as escrituras que o Justo viverá pela fé - Romanos 1, 17).Venha a fé por suplemento os sentidos completar!"

Isso me basta!

Eduardo Trigueiro - MG

Anônimo
5 de janeiro de 2026 às 11:32

Do ponto de vista da teologia católica tradicional, é preciso responder com cuidado hermenêutico, respeitando o gênero literário da Sagrada Escritura, a Tradição da Igreja e o Magistério, para não aplicar indevidamente regras simbólicas fora do seu contexto.

Primeiro, Apocalipse 12 é um texto eminentemente simbólico e apocalíptico. A “mulher” ali apresentada possui múltiplos sentidos, reconhecidos pela tradição católica:

-Maria Santíssima, Mãe do Messias;

-Israel, de onde nasce o Cristo;

-A Igreja, perseguida ao longo da história.

Esses sentidos não se excluem, mas se completam, conforme o método clássico de leitura espiritual das Escrituras.

Em segundo lugar, a regra “um dia por um ano” não é um princípio universal que possa ser aplicado automaticamente a todos os textos bíblicos. Em Ezequiel 4,6 e Números 14,34, trata-se de atos proféticos simbólicos muito específicos, explicitamente definidos pelo próprio texto como sinais pedagógicos. A Igreja nunca ensinou que essa equivalência deva ser usada indiscriminadamente, muito menos em livros apocalípticos, que já operam com forte linguagem simbólica própria.

No caso de Apocalipse 12,6, os 1.260 dias correspondem simbolicamente a três anos e meio, número que, na Escritura, indica um tempo limitado de provação, perseguição e aparente triunfo do mal — nunca um período cronológico aplicado literalmente à vida terrena de Maria. A Igreja não ensina, nem jamais ensinou, que Maria tenha vivido “1.260 anos” ou qualquer extensão temporal desse tipo.

Quando o texto diz que a mulher foi levada ao deserto “para ser alimentada por Deus”, isso expressa a proteção divina, a providência de Deus sobre o seu plano salvífico e, no sentido eclesial, o cuidado de Deus para com a Igreja perseguida na história. Aplicado a Maria, o texto ressalta sua participação singular no mistério da salvação, não uma contagem cronológica de sua vida terrena.

Portanto, Maria não viveu mil duzentos e sessenta anos, nem o texto afirma isso. Tal leitura nasce de uma confusão entre símbolo profético e cronologia histórica, algo que a exegese católica tradicional sempre evitou. Como ensina o Catecismo da Igreja Católica, a Escritura deve ser interpretada segundo o sentido pretendido pelo autor sagrado, à luz da Tradição viva da Igreja e da analogia da fé (cf. CIC 109–114).

Assim, a interpretação correta, fiel à fé católica, reconhece em Apocalipse 12 uma mensagem teológica, não um cálculo de tempo biográfico de Nossa Senhora, que permanece exaltada não pela duração de sua vida, mas por sua obediência, santidade e íntima união com Cristo.

Everaldo - Colaborador do Apostolado Berakash

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