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O Brasil dividido entre Coxinhas e Ptralhas

Written By Beraká - o blog da família on quarta-feira, 27 de abril de 2016 | 17:05




Estereótipos são péssimos, porém inevitáveis. É uma questão cultural e apesar de tudo tem suas utilidades – por exemplo, para nos alertar em situações potencialmente perigosas e nos instruir quanto à conduta adequada em determinado momento.


Contudo, viver em uma realidade sem perceber a existência de estereótipos é um erro – e pode tornar as coisas ainda mais insustentáveis. A convivência entre as pessoas com diferentes pontos de vista nunca é algo tão fácil. Tudo fica ainda mais difícil, porém, quando esse ponto de vista alheio é “percebido” a partir de sinais supostamente infalíveis.


Falar sobre um Brasil dividido entre petralhas e coxinhas é falar sobre uma das caricaturas que encontramos hoje: a briga constante entre pessoas com base no que elas parecem ser umas às outras. Defende a redução da maioridade penal? É Coxinha! Defende alguns corruptos e outros não ? é Petralha!




O que esquecemos muitas vezes é que nem tudo é tão dividido quanto desejamos ou esperamos que seja. Acostumados com contos de fadas, talvez, esquecemos que a divisão entre “bem” e “mal” não é concreta e que nem mesmo existe um lado sempre certo e outro sempre errado. Supor a posição política de alguém – e pior, definir o caráter desse mesmo alguém – a partir de uma opinião isolada induz ao erro tanto quanto induz a preconceitos.


Além de tudo, é também subestimar o outro enquanto se alimenta o próprio ego – afinal, se meu lado é sempre certo e o outro é sempre errado, classificar o outro como oposto nada mais é do que menosprezá-lo.



Discutir essa questão já é difícil; resolvê-la, mais ainda


Não nego a inevitabilidade de se criar e sustentar estereótipos, e em momento algum afirmo que eu mesmo não esteja sujeita a eles, tanto como autor quanto como alvo. Porém, o simples ato de perceber essa questão já colabora para melhor entender muitas das supostas contradições a que nos deparamos. Nada mais comum do que esperar determinadas opiniões de alguém cujo perfil crítico você julga conhecer. Adivinha só: essa decepção, na maioria das vezes, é puramente causada por nós mesmos ao tentarmos classificar pessoas como se fossem previsíveis e imutáveis. Felizmente não são. Nem sempre, pelo menos.



Falo de um Brasil dividido entre petralhas e coxinhas, mas bem que poderia utilizar outros exemplos. Seja esta ou seja a da bolacha e do biscoito, de polêmicas e segregações o mundo está realmente cheio. A diferença é que, entre tudo, existem os assuntos sérios e os engraçados. O que eu sei – ou melhor, penso – é que nem um nem outro deveria ser discutido com base em suposições – inclusive a suposição de que apenas dois lados existem. Nem tudo possui apenas cara e coroa e nem tudo é tão definido quanto parece, pois nem a moeda tem apenas dois lados, mas TRÊS !!!Muitos meios termos estão aí para provar como a perspectiva afeta a classificação. A cada opinião diversa somos atribuídos a um dos lados ainda que, em geral, não nos sintamos contemplados por nenhum.



Critérios: de infalíveis não têm nada

Nos anos 1970, foi elaborado o paradigma dos grupos mínimos pelo psicólogo Henri Tajfel, da Universidade de Bristol, Inglaterra. Ao serem aleatoriamente agrupados de acordo com critérios irrelevantes, como o pintor favorito, os participantes de um experimento criaram forte ligação entre aqueles que dividiam a mesma turma, exaltando suas qualidades e hostilizando os rivais. Ao final, formou-se o “nós contra eles”. Algo a ver com o Brasil atual?



Em “Psicologia das Multidões”, de 1895, o filósofo francês Gustave le Bon alertou para a bizarrice da união em grupos, que forma uma mentalidade única cega. “Nas grandes multidões, acumula-se a estupidez, em vez da inteligência. Na mentalidade coletiva, as aptidões intelectuais dos indivíduos e, consequentemente, suas personalidades se enfraquecem”, anotou.O escritor Nelson Rodrigues classificou esse comportamento como “unanimidade burra”.



Para o historiador Jaime Pinsky, autor de “Faces do Fanatismo”, o grande problema das dedicações sem limites é a convicção inabalável. “A certeza da verdade do fanático não é resultante de uma reflexão ou de uma dedução intelectual”, afirma. A guerra entre militantes de PT e PSDB, marcada pelo ódio, não é nova.


Entretanto, como disse o filósofo Vladimir Safatle, em artigo na “Folha de S. Paulo”, o discurso de conciliação não funciona na política porque é justamente ela que põe as contradições à vista. Para ele, a “rachadura” do Brasil sempre existiu. “Essa polaridade apenas permitiu que a divisão se expressasse”, escreveu.



A massa, em parte dependente de programas sociais como o bolsa família, e os intelectuais petistas, filhos políticos de pensadores como a filósofa Marilena Chaui, veem no ex-presidente Lula a santidade. O próprio messias. Ai de quem questiona Lula.


Em “Escuta, Zé Ninguém!”, o médico e psicanalista austríaco Wilhelm Reich revela seu espanto e horror, depois de longa luta consigo mesmo, diante do que o zé ninguém, o homem comum, é capaz de fazer de si próprio, de como sofre e se revolta, das honras que tributa aos seus inimigos e do modo como assassina os seus amigos. Sempre que chega ao poder como “representante do povo”, aplica-o mal e é transformado em algo mais cruel que o sadismo que outrora suportava dos elementos das classes anteriormente dominantes.


Lula era operário. Um zé ninguém. Alçado à Presidência, teve seus governos marcados pela corrupção. Ficou rico. O mensalão, ocorrido em seu primeiro mandato, foi um dos maiores casos de desvios da história. Além disso, o lulismo criou um perigoso populismo. Se estivesse no Brasil moderno, Reich certamente gritaria com a multidão silenciosa: Escuta, zé ninguém!



Leio na internet que “coxinha” é uma gíria paulista cujo significado se aproxima muito do ultrapassado “mauricinho”. Mas, desde a reeleição de Dilma, esse conceito se ampliou. Serviu para definir de forma pejorativa os eleitores de Aécio Neves. Seriam todos arrumadinhos, malhadinhos, riquinhos e votavam em seu modelo. Isso não tem nada a ver comigo. Mas, nesta briga de agora, estou do lado que é contra Lula, logo sou contra os petralhas, logo sou coxinha.






Gostaria de falar em nome da democracia. Mas não posso. A democracia agora é direito exclusivo dos meus amigos que estão do outro lado do muro. Só eles podem falar em nome dela. Então, como coxinha assumido, deixo uma pergunta. Vocês acharam muito normal o ex-presidente Lula incentivar os sindicalistas para os quais discursou esta semana a irem mostrar ao juiz Sergio Moro o mal que a Operação Lava-Jato faz à economia brasileira? Vocês acreditam sinceramente nisso? O que a Operação Lava-Jato faz? Caça corruptos pelo país. Não importa se são pobres ou ricos. Não importa se são poderosos. Não era isso o que todos queríamos, quando estávamos todos do mesmo lado, quando ainda não havia um muro nos separando, e fomos às ruas pedir Diretas Já? Não era no que pensávamos quando voltamos às ruas para gritar Fora Collor? E, principalmente, não era nisso que acreditávamos quando votamos em Lula para presidente uma, duas, três, quatro, cinco vezes!!! Não era o Lula quem ia acabar com a corrupção? Ele deixou essa tarefa pro Sergio Moro porque quis.



Como, do lado de cá do muro, me decepcionei com o ex-líder operário, o lado de lá deu pra dizer que sou de direita. Se for verdade, está aí mais um motivo para eu estar com raiva de Lula. Foi ele quem me levou pra direita. Confesso que tenho dificuldades de discutir com qualquer petralha que não se irrita quando Lula diz se identificar com quem faz compras na Rua 25 de Março. Vem cá, já faz tempo que os ternos de Lula são feitos pelo estilista Ricardo Almeida. Será que Ricardo Almeida abriu uma lojinha na rua de comércio popular de São Paulo? Por mim, Lula pode se vestir com o estilista que quiser. Mas ele tem que admitir que o discurso da 25 de Março ficou fora do contexto. A gente não era contra discursos demagógicos? O que mudou?



Meus amigos petralhas dizem que é muito perigoso tornar Sergio Moro um herói. Que o Brasil não precisa de um salvador da pátria. Mas, vem cá, não foi como salvador da pátria que Lula foi convocado para voltar ao governo? Não é ele mesmo quem diz que é “a única pessoa” que pode incendiar este país? Não é ele mesmo quem diz que é a “única pessoa” que pode dar um jeito “nesses meninos” do Ministério Público? Será que o verdadeiro perigo não está do outro lado do muro? Não é lá que estão forjando um salvador da pátria?



Há muitas décadas ouço falar que as empreiteiras brasileiras participam de corrupção. Nunca foi provado. Agora, chegou um juiz do Paraná, que investigava as práticas de malfeito de um doleiro local, e, no desenrolar das investigações, botou na cadeia alguns dos homens mais poderosos do país. Enfim, apareceu alguém que levou a sério a tarefa de desvendar a corrupção que há muitos governos atrapalha o desenvolvimento do país. E, justo agora, quando a gente está chegando ao Brasil que sempre desejamos, Lula e seus soldados querem limites para a investigação. Pensando bem, rejeito a acusação de ser coxinha, rejeito ser enquadrado na direita, rejeito o xingamento de antidemocrata, só porque apoio o juiz Sergio Moro e a Operação Lava-Jato.


É preciso apostar em um nicho. Convém ser radical e agressivo com o adversário. Chama-se assim a atenção da imprensa e da população. Falem mal, mas falem de mim. Esse é o mote. É isso que os políticos tatuam junto com "carpe diem" e "caixinha, obrigado". Jair Bolsonaro e Jean Wyllys, por exemplo, devem aparecer mais na televisão e na imprensa escrita do que muitos dos 479 atuais ministros de Dilma.



A mesma estratégia vale para os analistas políticos. Os mais famosos blogueiros e colunistas do Brasil são figuras especializadas em textos inflamados. Olavo de Carvalho, Reinaldo Azevedo, Augusto Nunes e Rodrigo Constantino são os porta-vozes do anti-petismo. Grupo heterogêneo na quantidade de sinapses, mas todos tem uma retórica bastante agressiva. Do lado dos anti-tucanos temos Paulo Henrique Amorim, Luís Nassif, o Brizolinha (que, salvo engano, foi um dos 1.348 ministros da Era petista), Jânio de Freitas e Ricardo Melo. Novamente, a estatura intelectual (na minha modesta e irrelevante opinião) é diversa neste grupo, mas a temperatura retórica os aproxima.Para uns a conspiração gramscista está em seus estágios finais. Nada dos valores liberais- democráticos-judaico-cristão-capitalistas está à salvo. É preciso denunciar com alarde todos os movimentos sorrateiros da esquerda satanista. Para outros, os udenistas do partido da imprensa golpista demo-tucana privatizadora odiadora de pobres estão em um estado de espírito tal qual o de 31 de março de 1964. Para uns o Brasil entrou para a alta idade média em 2003, para outros, foi aí que leite e mel começaram a jorrar da terra. Uns vêem sovietes no pilotis do prédio, outros vêem agentes da CIA na fila do supermercado.



É isso que os tornou famosos, amados por tantos, odiados por muitos, donos de blogs e colunas famosas, de textos vorazmente compartilhados nas redes sociais. São todos eles homens bem-sucedidos em seus trabalhos e deveriam ser o modelo para todo aspirante de escrevinhador de miudezas político-econômicas-randômicas como esse que ora vos fala.Mas eu não tenho interesse em ter seguidores. Eu sou constantemente um desertor de minhas próprias ideias. Pra mim seria muito aborrecido ser eternamente coerente. Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades e mudo ainda mais eu mesmo. E mais, estou bastante satisfeito coma repercussão dos meus textos. O texto sobre Bolsonaro, por exemplo, teve mais de 250 'likes' em dois dias. Isso pra mim é uma multidão. Minha agenda telefônica deve ter uns 30 números, 250 pra mim é um Maracanã lotado! Estou muito orgulhoso de ter sido lembrado para contribuir com o Brasil. E isso me basta. Pago minhas contas com meu modesto salário, não ambiciono jantares com ricos e famosos, aparecer nas páginas amarelas da Veja, ser entrevistado do Roda Viva. Há uma multidão de gente importante que se leva muito a sério, cheia de opiniões sobre tudo e sobre todos. Particularmente, sou da turma da feijoada e da buchada de bode.



Acredito que o debate político, especialmente por conta do comportamento das pessoas nos comentários de notícias na internet e no Facebook está deteriorado. Ou se é petralha ou se é coxinha. Ou se é ARENA ou VAR-PALMARES. Ou se é Hitler ou Pol Pot. Eu acho isso muito enfadonho. E não esperem de mim radicalismos. Estou velho demais pra acreditar que sei exatamente o que é melhor para o mundo.Não quero morar em Cuba, não quero fugir pra Miami. Acho Lula e Fernando Henrique dois chatos. Dilma tem cara de quem não te dá bom dia no elevador. Aécio tem cara de quem vai de escada pra não encontrar ninguém. O PT é um partido fuleiro e autoritário. O PSDB é clube de leitura de senhoras do Jardim Europa e também é autoritário. Nenhum desses dois paga meu salário, e muito menos  minhas contas, ou lava meus pratos depois da janta. Por isso quero que eles se explodam. Até o fato de ter que votar em um ou outro numa eleição não me obriga a militar por um ou outro.


Mas fique claro, admirar algumas posturas (Não todas) de Bolsonaro não faz de mim um Nazifacista, calma. Não sou fã de Che Guevara, nem muito menos de Donad Trump. Quero simplesmente ter a liberdade de falar mal dos dois sempre que eu quiser. E se você espera que eu cerre fileiras com petralhas ou coxinhas, sugiro que ignore meus textos. Eu nem sou famoso, nem importante, nem nada. Não gaste sua raiva, seu tempo e nem sua internet comigo.



E viva a Democracia !!!



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Neste Apostolado promovemos a “EVANGELIZAÇÃO ANÔNIMA", pois neste serviço somos apenas o Jumentinho que leva Jesus e sua verdade aos Povos. Portanto toda honra e Glória é para Ele.Cristo disse-nos:Eu sou o caminho, a verdade e a vida e “ NINGUEM” vem ao Pai senão por mim." ( João, 14, 6).Como Católicos,defendemos a verdade, contra os erros que, de fato, são sempre contra Deus.Cristo não tinha opiniões, tinha verdades, a qual confiou a sua Igreja, ( Coluna e sustentáculo da verdade – Conf. I Tim 3,15) que deve zelar por elas até que Cristo volte.Quem nos acusa de falta de caridade mostra sua total ignorância na Bíblia,e de Deus, pois é amor, e quem ama corrige, e a verdade é um exercício da caridade.Este Deus adocicado,meloso,ingênuo, e sentimentalóide,é invenção dos homens tementes da verdade, não é o Deus revelado por seu filho: Jesus Cristo.Por fim: “Não se opor ao erro é aprová-lo, não defender a verdade é nega-la” - ( Sto. Tomáz de Aquino)

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