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As duas Teologias da Libertação: Uma justa e necessária e qual é a outra ?

Written By Beraká - o blog da família on sexta-feira, 29 de janeiro de 2016 | 00:43




COMENTÁRIOS DO BLOG BERAKASH: “Manifestação e prova da atenção com que compartilha esses esforços, são os numerosos documentos publicados ultimamente, entre os quais as duas recentes Instruções emanadas pela Congregação para a Doutrina da Fé, com a minha explícita aprovação: uma, sobre alguns aspectos da teologia da libertação ; outra, sobre a liberdade crista e a libertação . Estas últimas, endereçadas à Igreja Universal, tem, para o Brasil, uma inegável relevância pastoral.Na medida em que se empenha por encontrar aquelas respostas justas – penetradas de compreensão para com a rica experiência da Igreja neste País, tão eficazes e construtivas quanto possível e ao mesmo tempo consonantes e coerentes com os ensinamentos do Evangelho, da Tradição viva e do perene Magistério da Igreja – estamos convencidos, nós e os Senhores, de que a teologia da libertação é não só oportuna mas útil e necessária. Ela deve constituir uma nova etapa – em estreita conexão com as anteriores – daquela reflexão teológica iniciada com a Tradição apostólica e continuada com os grandes Padres e Doutores, com o Magistério ordinário e extraordinário e, na época mais recente, com o rico património da Doutrina Social da Igreja, expressa em documentos que vão da Rerum Novarum à Laborem Exercens.Penso que, neste campo, a Igreja no Brasil possa desempenhar um papel importante e delicado ao mesmo tempo: o de criar espaço e condições para que se desenvolva, em perfeita sintonia com a fecunda doutrina contida nas duas citadas Instruções, uma reflexão teológica plenamente aderente ao constante ensinamento da Igreja em matéria social e, ao mesmo tempo, apta a inspirar uma práxis eficaz em favor da justiça social e da equidade, da salvaguarda dos direitos humanos, da construção de uma sociedade humana baseada na fraternidade e na concórdia, na verdade e na caridade. Deste modo se poderia romper a pretensa fatalidade dos sistemas – incapazes, um e outro de assegurar a libertação trazida por Jesus Cristo – o capitalismo desenfreado e o coletivismo ou capitalismo de Estado.(CARTA DO PAPA JOÃO PAULO II AOS BISPOS DA CONFERÊNCIA EPISCOPAL DOS BISPOS DO BRASIL -Vaticano, 9 de abril de 1986).


Partindo destes princípios, existe não apenas uma, mas várias teologias da Libertação, uma que é útil e necessária, que aquela propagada e defendida pelo magistério da Igreja e que encontra fermento e ressonância em teólogos como: Gustavo Gutierrez,Clodovis Boff, Libânio e em Dom Helder Câmara o profeta da não violência, que propõem uma Teologia mais integral, abrangendo as questões sociais com as existenciais e transcendentais.Porém temos que admitir que existe uma teologia ou teologias da libertação nem tão justa e nem tão necessária,que é aquela defendida por teólogos como: Leonardo Boff, Frei Beto,Marcelo de Barros e Dom Pedro Casaldáglia que já chegou a afirmar que “quando o povo pega em armas deve ser respeitado.”É uma teologia exclusivista e excludente, de caráter meramente imanente,portanto, não integral, pois faz uma opção não preferencial pelo pobre e as questões sociais, mas faz uma opção exclusiva e excludente por estes, não dando espaço a outros temas, considerando-os inúteis e desnecessários.








Verdades, erros e perigos nas Teologias da Libertação



Introdução




A pavorosa miséria de irmãos nossos na América Latina, suscitou o nascimento (1960-1970) e o desenvolvimento da Teologia da Libertação, entre nós, uma espécie de “teologia política”, recebida com muito entusiasmo, paixão e até fanatismo por pessoas de boa vontade que julgam ter descoberto a verdadeira face do cristianismo, com o caminho da verdadeira redenção da humanidade.



Se a causa é justa, necessária e urgente, a estrada escolhida por muitos liberacionistas é perigosa e errada e até pode ser fatal para a fé cristã e a humanidade: é o teor do recente documento da Sagrada Congregação da Doutrina da Fé sobre a Teologia da Libertação ( 06/08/1984 ) .Na verdade, a paixão é frequentemente má conselheira. Não Bastante a reta intenção e a boa vontade empregadas na difusão e implantação da Teologia da Libertação radical e de verdades que contem e propugna, peca gravemente por um unilateralismo radical, tomando apenas uma dimensão do problema humano – o social e político – como a teologia do homem e da religião, o que não só se opõe à realidade e à verdade e, consequentemente à justiça, mas prejudica a solução do mesmo objetivo desejado, de conseguir a plena libertação dos pobres e da pobreza e pagando o alto preço de uma distorção fatal da fé cristã.


Para esclarecer quanto dissemos, basta compulsar a história, mestra da vida:


Ela registra numerosas religiões, denominações e seitas que fixando-se numa dimensão ou aspecto verdadeiro mas não único, da realidade ou, então, fixando-se numa aparente verdade, forjada. na ambiguidade, obtiveram, graças a um proselitismo bem organizado, porém, em campo de deficiente formação teológica, a adesão e o apoio de muitos, inclusive de bons católicos que, honestamente, depois, confessam não mais pertencer à Igreja Católica, porque renegaram a sua doutrina e autoridade, como pode suceder com alguns que sofreram a lavagem cerebral liberacionista.



Mas tomemos os fatos da história:


Mesmo antes do cristianismo, o judaísmo professava verdades, como o puro monoteísmo (um só Deus), o livro sagrado (a Bíblia do Antigo Testamento), a esperança do Messias e da salvação. Mas apegou-se de tal forma ao Antigo Testamento e ao pacto de Deus com o povo de Israel, que não reconheceu Cristo como o Messias e o Novo Testamento, a ser pregado a todos os povos, como Aperfeiçoamento do Antigo Testamento. Nós católicos aceitamos o Antigo Testamento e a escolha do povo de Israel, como fatos verdadeiros, mas não únicos, porque foram uma preparação para a completa e mais perfeita revelação do Filho de Deus, feito homem.



É verdade, repetimos, que o Antigo Testamento é um livro sagrado, mas não é verdade que seja o único livro sagrado. É verdade que Israel foi o povo de Deus mas, depois de Cristo, Salvador da humanidade, não é mais o único povo de Deus.É preciso portanto, não converter em verdade absoluta, aquilo que só o é parcialmente, porque nenhuma realidade puramente humana realiza o absoluto, que é Deus.



Exemplifiquemos. Se digo: “Antônio é um bom estudante” afirmo algo que pode ser verdadeiro. Quando, porém, avanço e digo: “Só Antônio é um bom estudante” faço uma restrição e excluo outros, o que pode ser falso.No caso: a opção pelos pobres e mesmo a opção preferencial pelos pobres é uma afirmação verdadeira. Só a opção pelos pobres já é uma restrição ou exclusão.



Prossigamos na história:


1)- Os ortodoxos conservam doutrinas genuinamente cristãs mas as cristalizam de tal forma nos seus ritos e tradições que reduzem a Igreja às dimensões nacionais (restrição da catolicidade) e, consequentemente, assumem também uma coloração política.


2)- As ideias da “fé” em Lutero, de “predestinação” para Calvino, tomadas em sentido diverso daquele da Bíblia, graças ao livre exame (releitura da Bíblia e restrição de conceito), fizeram nascer as denominações protestantes pulverizadas dos luteranos e calvinistas, com seus diversos matizes, introduzidos pelos seus sucessores, contraditórias entre si.O mesmo se diga das seitas. Tomam uma base bíblica, como “o batismo dos adultos” para os batistas, o “sábado” para os adventistas do sétimo dia, “o juízo final” para os testemunhas de Jeová e sobre essa base única constróem depois, até com uma regular lógica, os seus sistemas e crenças.Mas todos eles não se julgam católicos. Ao contrário, se dizem anti-papistas, anti-católicos.



3)- Não sucede o mesmo, porém, com os Teólogos da Libertação, mesmo daqueles que empregam os mesmos métodos de subversão das verdades reveladas. Primam em ser católicos, dos mais genuínos, e querem continuar a ser considerados católicos, filhos da verdadeira Igreja de Cristo.


Faz-se mister distinguir. Como os cogumelos, uns são bons e outros venenosos:



Quando defendem a libertação integral, colocando a raiz de todo o mal no pecado e exigem a conversão do coração para a edificação da sociedade justa, empregando o legítimo pluralismo teológico e baseando e na opção PREFERENCIAL pelos pobres, mantém-se totalmente no campo católico. Pena quando, por razão de moda, empregam ambíguas, que seria melhor evitar.


São perigosos os que, mesmo propugnando uma justa libertação sócio-política da miséria e uma mais honrada pobreza, jogam toda a culpa do mal em algumas estruturas sociais e políticas e descarregam suas iras sobre o pecado social dos outros. Recorrem a estratagemas e práticas ambíguas para justificar biblicamente sua tese que, na prática, para ser mais eficaz, descamba na análise marxista, que envenena toda a pretensa libertação.


Para tanto, a Teologia da Libertação faz mais sociologia e política do que teologia:


A semelhança dos marxistas, erigem a economia como a norma suprema da humanidade e, assim, sacrificam na área da economia a teologia, que se despoja as sua veste espiritual para vestir o macacão proletário. Deve lutar, então, contra o capitalismo e deixando as armas da fé, assume aquelas do marxismo, que lhe quer tomar o lugar para erigir, em última análise, o capitalismo de Estado, ou melhor, da classe dominante, camuflada nas famosas e ilusórias “democracias populares ” .


Nosso grande jurista Sobral Pinto, que estudou, com seriedade, por mais de 50 anos, o marxismo, sentiu-se obrigado, em consciência, de levantar seu brado de fiel católico, impelido pelo canon 212 § 3 do Código de Direito Canônico (que vale, com maior razão para mim), para advertir que a Teologia da Libertação, que vigora entre nós, pretende desastrosamente enxertar o materialismo marxista na teologia espiritualista.



Pareceu-me, entretanto, útil para ajudar a discernir melhor a Teologia da Libertação redigir, em forma simples, concisa e popular, as verdades, os erros e os perigos da Teologia da Libertação, como a análise marxista, de que faia o já citado documento da Santa Sé.Advertimos que não se pode deixar de reconhecer o vivo e sincero desejo de muitos liberacionistas de resolver o problema da miséria na América Latina, de uma forma atual e eficiente, quanto dizem, de acordo com o Concílio e a Conferência de Puebla. Mas não bastam a boa vontade e a reta intenção, principalmente quando aliadas à ingenuidade, para enfrentar e resolver todos os aspectos de uma realidade complexa.






Por isso mesmo o Concílio Vaticano II requer a interpretação dos “sinais dos tempos”, à luz do Evangelho. Porque o Evangelho é a revelação de Deus trazida à terra por Jesus Cristo, Filho de Deus feito homem e transmitida à sua Igreja.Os problemas do homem, a sua dignidade, o seu destino, estão nas mãos de Deus, que criou o homem livre, para, da liberdade, fazer bom o meritório uso.



Veremos como para a Teologia da Libertação, em geral, não bastam a revelação de Deus e a experiência milenar da Igreja:


Em virtude de um “aggiornamento” (atualização) mal compreendido, porque exagerado e exclusivo, quer inovar, trilhar novos caminhos, encontrar novas fontes de verdade, pois, em última análise, a experiência da Igreja, segundo os Teólogos da Libertação, teria fracassado na América Latina, por não ter resolvido o problema da miséria. É necessário, portanto, barganhar o Evangelho, ou melhor, seus métodos ou espírito, a luz do Palavra de Deus pelas ciências humanas.Parece até que exageramos e pintamos um monstro para o combater mais facilmente. Oxalá estivéssemos sonhando e para melhor despertar à realidade, nesta exposição sumário, que não abrange nem aprofunda todos os aspectos da questão, vamos tratar dos seguintes pontos:


I – VERDADES DA TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO:


1. Análise realista da situação de miséria da América Latina e, concretamente, no Brasil.
2. A necessidade de uma teologia atualizada e correspondente à índole e cultura do povo.
3. Alguns bons frutos da Teologia da Libertação nas CEB's
4. Detecção de ambiguidades e um certo relativismo moral e doutrinário na Teologia da Libertação.
5. A instrução serena e verdadeira da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé sobre “Alguns aspectos da Teologia da Libertação”.


II – ERROS DA TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO


1. Pluralismo liberacionista e releitura exclusivista e não preferencial da “opção pelos pobres” do Evangelho e de Puebla.
2. A politização partidária das comunidades eclesiais de base.
3. A interpretação marxista da história e da religião.
4. A libertação no paraíso socialista.
5. Heresia Eclesiológica (Falsa concepção da Igreja).


III – PERIGOS DA TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO



1. Lavagem cerebral Não se permitem autocríticas) – Consideram-se infalíveis em suas ideias e práxis metodológica.
2. Abusos de linha pastoral muito difundida no Brasil.
3. Igreja Popular sem hierarquia (Anárquica).


Situação de miséria na América Latina e, concretamente no Brasil:



É um espetáculo desolador e inquietante a miséria e à fome num continente superdotado de possibilidades e recursos naturais, como é a América Latina. Em se tratando, então, do Brasil, país privilegiado, com terras férteis e abundantes, a miséria e a fome não deviam existir.Faltam homens dirigentes que, bem formados, saibam desfrutar dos recursos naturais em favor do bem comum, enquanto outros governantes ou elementos à eles associados se locupletam à forra, espezinhando direitos e aspirações legítimas dos subalternos e subordinados.Há, portanto, sem nenhuma divida, estruturas injustas que devem ser reparadas, tanto no campo nacional como no internacional de relações com nações mais desenvolvidas economicamente e ricas e que fazem sentir o peso do capitalismo desenfreado na sociedade latino-americana.



Vê-se logo que é mais uma questão de educação, que para nós é evangelização (no qual se deve empenhar seriamente a Igreja ), do que de guerrilhas ou revolução.



Para a evangelização são eloquentes os ensinamentos e orientações da Doutrina Social da Igreja, que tem por finalidade a implantação da justiça social, da liberdade e dignidade da pessoa humana, por meios evangélicos. Insistentemente os Papas clamam em favor dos oprimidos e reclamam uma ordem mais justa e estabeleceram e aprovaram não só inúmeras obras de beneficência, mais um dicastério dedicado à “Justiça e Paz”.Francamente não agrada aos liberacionistas essa doutrina, que apodam de reformismo. Fixam seus objetivos de luta e reivindicações contra o detestável “pecado social” que oprime os mais pobres e deserdados.


Não insistem na atuação decisiva do pecado pessoal, que existe tanto nos dirigentes que abusam do seu poder mas também nos subalternos.


A grande verdade é que por questões culturais arraigadas de dependência, nosso povo quando com saúde e trabalhando, não produzem mais e melhor e não sabem ou não procuram economizar.Evidentemente condições climatéricas (muito calor) podem não estimular o trabalho e esses fatores se verificam em todas as nações, embora o elemento local esteja mais habilitado a vencer esses rigores da região.É impressionante, porém, examinar a história dos imigrantes Europeus e orientais em nossos países e Latino Americanos.Chegaram quase todos em situação de miséria e se deram generosa e heroicamente ao trabalho, fazendo também não pequenas economias, e hoje é quase impossível encontrar um descendente de imigrantes na miséria.Nem tudo, portanto, depende unicamente das estruturas públicas.



Há situações extraordinárias de seca, inundações ou de outras calamidades (guerrilha) que podem favorecer a miséria ou a fome. Doloroso é o desemprego, hoje tão grave problema para todos os povos, principalmente quando se abandonam os campos pela cidade.Mas também existem, é mister dizê-lo, em alguns a indolência, o abandono das terras, o alcoolismo, gastos imprevidentes e exagerados, como de moradores de favelas que dispendem fartamente no Carnaval.


É fácil atribuir a culpa de todo o mal às  estruturas injustas e pecaminosas. Também lá, como na vida individual, a raiz de todos os males é o pecado.O pecado introduziu o mal no mundo e o mantém. Atacar essa raiz, com a formação e a prática da vida cristã e favorecer a virtude, é o objetivo de uma teologia da Libertação ideal ( possível e legítima), inspirada nos Evangelhos e digna de aplausos. Assim mesmo, tal Teologia seria apenas uma parte da Doutrina Social da Igreja e não, como é concebida em nosso meio, como a Teologia que abarca e interpreta toda a religião.



O discurso de João Paulo II, em Puebla, traçou as coordenadas da Teologia da Libertação autêntica:


A verdade sobre a igreja, verdade sobre Jesus Cristo e verdade sobre o homem. Nessa perspectiva a opção preferencial pelos pobres recebe seu verdadeiro significado, que é evangélico e se mostra plenamente justificado. Implantar a “civilização do amor”, tão reclamada por Paulo VI e João Paulo II, é a única Teologia de Libertação louvável.

Infelizmente não é esse, porém, o tipo de Teologia de Libertação comumente difundido na América Latina e no Brasil, que rejeita, em ultima análise, a Doutrina Social da Igreja porque a julga teórética ideologicamente (teologicamente contra o capitalismo, mas na prática, reforça o sistema dominante) e praticamente não eficiente e por isso, mesmo quando alguém não a considera erronea, é insuficiente e deve ser enriquecida pela Teologia da Libertação, com métodos mais modernos, eficazes e científicos, que são os da análise marxista.



É justa, repetimos, necessária e louvável a defesa dos pobres, não só sociologicamente como religiosamente, mas o modo de agir da Teologia da Libertação não é evangélico, porque o amor ao próximo(ricos e pobres), é a suprema norma social do Evangelho, que se aceita por convicção e não por imposição. O processo evangélico será muito mais lento, mas é mais humano e definitivo; como o operado no mundo pagão e bárbaro.



A necessidade de uma teologia atualizada e correspondente à índole e cultura do povo:




O Concílio Vaticano II foi desejado por João XXIII e confirmado por Paulo VI, mantendo a fidelidade ao sacro patrimônio da verdade revelada, para enfrentar as novas condições e formas de vida, introduzidas no mundo hodierno.Era o famoso “aggiornamento” (atualização), querido por João XXIII e a “inculturação”, auspiciada por Paulo VI, afim de apresentar aos povos de uma forma acentuadamente pastoral a doutrina da Igreja.Fazia-se também um apelo à iniciativa dos teólogos para encontrar expressões mais adequadas para a vivência cristã nos nossos dias.



Respondeu séria e corajosamente a esse desafio o Conselho Episcopal Latino-Americano na Conferência Geral do Episcopado em Puebla, no México, tendo baseado seus estudos numa ampla rede de consultas e estudos de toda a Igreja na América LatinaÉ curioso como os Teólogos da Libertação procuraram boicotar Puebla. Diziam que Puebla não era “el puebio”. Mas realmente, em Puebla, falava “el pueblo de Dios”.Organizaram, durante a Assembleia, uma Conferência paralela (anti-Puebla), da qual participaram alguns membros também do Episcopado e, curiosamente, agora, fundamentando-se em apenas algumas expressões da Conferência de Puebla, em releitura pré-fabricada, se julgam os verdadeiros protagonistas e executores de Puebla.



Para gáudio dos libertacionistas, puderam depois cantar vitória da aplicação concreta de suas ideias em Nicarágua, com os sandinistas e ministros sacerdotes e a Igreja Popular.



“Aggiornamento” da Igreja não significa uma mudança radical:


Não é reforma, mas atualização, ou seja viver Cristamente o dia atual da Igreja, fundada por Jesus Cristo e que deve atravessar os séculos, imutável na doutrina revelada, assistida pelo Espírito Santo, mas com os pés na terra, tanto quando caminha na praia, como nas montanhas ou no asfalto. É a mesma Igreja, peregrina neste mundo, que se faz viva e salvífica, adaptando-se, sem deixar de ser o que é, às circunstâncias do tempo. e do lugar.



Atualização, portanto, deve ser também inculturação, isto é, com capacidade de transmitir a – mensagem salvadora de Cristo aos diversos povos, encontrando as expressões mais adequadas para ser compreendida melhor pelos homens, que vivem em situações e ambientes os mais diversos.



Atualização e inculturação da Igreja foram interpretadas por alguns teólogos, como uma libertação da teologia tradicional para adotar, sem restrições, fórmulas novas de maior abertura cristã para o mundo e seu empenho sobre as realidades terrestres com uso das ciências humanas (psicologia, pedagogia, interpretação marxista da história etc. Assim promoveram uma revolução destruindo o passado, considerado superado, e fabricando formas modernas, alheias à teologia, e, portanto, reclamam uma nova interpretação do Evangelho de Cristo.



Nós católicos, porém, cremos na divindade de Cristo, na sua verdadeira e definitiva revelação pública, e não podemos, por conseguinte, aceitar nem as interpretações do Alcorão, dos Vedas, nem as de Marx, embora se apresentem ao mundo como as mais eficazes e atualizadas.Mesmo quando não se rejeita o passado e se julga aperfeiçoar o patrimônio cultural e artístico, é de mal gosto, fazê-lo, desfigurando suas mais belas expressões, como se para melhorar uma pintura clássica se usassem rabiscos e borrões de arte moderna,por cima da arte original.Se esta aplicação de atualização e inculturação é errônea e desastrada para uma arte, com maior razão o será para a Igreja, que não é invenção nem obra de homens, mas de Deus, criador e Redentor.



Os três principais frutos negativos da Teologia da Libertação:



Não sei como se possa, honestamente, negar a existência da árvore da Teologia da Libertação, na sua espécie mais agreste, rude, azeda e radical, quando seus frutos aparecem já abundantes aos nossos olhos, ao menos no Brasil.Acenamos aqui apenas a alguns desses produtos, pois haveria muitos outros em relação à liturgia, à vida religiosa, etc:


1)- A decadência da teologia, depreciada em sociologia e política, o vazio da espiritualidade e a militância social e política, os anseios dos futuros sacerdotes manifestados agressivamente tanto nas universidades como até nos convites para a ordenação, a indisponibilidade para o apostolado cultural e das elites, a verdadeira lavagem cerebral de seminaristas (não todos felizmente, pois seus bispos sabem preservá-los) em certos Seminários ou comunidades do Brasil, saltam à vista de quem quer ver.


2)- O que se pode esperar desses futuros e pobres sacerdotes, munidos apenas com essa “teologia da enxada”, que não tem nem sequer a exposição sistemática e orgânica da nossa fé? Pregações sólidas e doutrinárias? Já escasseiam tais práticas em igreja onde a constante é a reivindicação amarga e irritante da ordem e justiça social em moldes socialistas, como se nosso povo não tivesse o direito de saciar sua “fome e sede de Deus” com a Palavra de Deus no culto sagrado, que não se deve confundir e concursar com comícios despropositados e impertinentes.


3)- E depois, esses que negam o pão integral do Evangelho aos fiéis, não reconhecendo sua falta de responsabilidade, vão acusar outros organismos ou países como responsáveis e promotores da invasão e crescimento assustador das seitas e de outras formas de religião.


Cardeal Agnelo Rossi 19-03-1985


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