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Renovação Carísmática Católica e Novas Comunidades - Teologia da Libertação e CEB’s: Espiritualidades Universais que servem para NOVA EVANGELIZAÇÃO de Toda Igreja ? Ou movimentos Particulares de Igreja ?

Written By Beraká - o blog da família on sábado, 31 de agosto de 2013 | 14:54



A Nova Evangelização e a Renovação Carismática



1. Na história da experiência cristã, vivemos uma nova época:

Foi o próprio Concílio que declarou, na Constituição Pastoral sobre a Igreja e o Mundo: «as condições de vida do homem moderno sofreram tão profunda transformação no campo social e cultural, que é lícito falar duma nova era da história humana» (GS 54; cfr. ainda 4-10). Um grande teólogo dos tempos do Concílio Vaticano II, Heribert Mühlen, iniciou um dos seus melhores livros, dedicado à «renovação da fé cristã», precisamente com uma importante reflexão sobre o que vem a ser «o início de uma nova época na história da fé» . 


2. Uma nova época, uma renovação, uma Nova Evangelização:

Dentro da Igreja, a nossa época manifesta-se em movimentos de renovação. O próprio Concílio foi o maior destes movimentos, colocado pelo Papa João XXIII sob a súplica de «um Novo Pentecostes sobre a Igreja e o Mundo». Os chamados "novos movimentos e as novas comunidades eclesiais", alguns anteriores e outros posteriores ao Concílio, são sinais de renovação. E a Nova Evangelização é, de certo modo, uma recapitulação do anseio de renovação espiritual e apostólica. 

A esta luz, a presente Medita(cita)ção será feita pela leitura de alguns excertos do já citado livro de Heribert Mühlen; a que apenas se acrescentar breves referências extraídas das lições do Padre Jesus Castellano Cervera O.C.D., professor na Pontifícia Faculdade Teológica Teresianum, onde rege duas importantes cadeiras.

A primeira, intitulada: "Espiritualidade Contemporânea. O dinamismo do Espírito na Igreja e no mundo do século XX antes e depois do Concílio Vaticano II". E a segunda, intitulada: "Movimentos Eclesiais Contemporâneos. Actualidade, características, discernimento". 


3. Aspecto da mudança epocal: do "eu" para o "nós"

Procurando identificar aspectos desta mudança epocal, no respeitante à história da fé, Mühlen escreve:

«numerosos movimentos, no nosso século XX, indicam claramente que, e em que sentido, terminou certa época. Todos eles têm em comum a passagem do "eu" para o "nós", de uma espiritualidade individualista, centrada no sujeito, para a descoberta da comunidade eclesial, da Igreja como grandeza social (e já não, meramente, como sociedade composta de muitos indivíduos). (...) Se o início do chamado "tempo moderno" se caracterizou pela centração no sujeito, no "eu", os movimentos do nosso século XX anunciam uma orientação para o "nós".

Esta sofreu certamente a influência do processo universal da socialização... Daí brotou, por sua vez, um novo interesse pelas formas de comunidade da Igreja primitiva, e particularmente pela estrutura fundamental carismática das primeiras comunidades e pelas suas formas de oração. Em alguns desses movimentos, irrompe assim, novamente, a vitalidade pentecostal da Igreja, e isso de um modo imprevisto: a força missionária de comunhão espiritual manifesta-se sob uma forma que já se pode chamar de característica epocal» . 


4. Associações eclesiais e movimentos espirituais:


Heribert Mühlen continua a sua apreciação da espiritualidade do nosso tempo de mudança epocal, chamando a atenção para uma importante distinção. Escreve ele:


«de um ponto de vista de sociologia religiosa, devemos distinguir entre, por um lado, associações eclesiásticas e, por outro lado, verdadeiros movimentos, que põem algo em acção até se chegar efectivamente à "segunda conversão" do indivíduo, capaz de libertá-lo para um testemunho intensivo da fé. Estas duas formas de socialização eclesial são estruturalmente distintas, muito embora sejam possíveis coincidências mútuas» .


«As associações eclesiais apelam para o direito natural do homem e, de acordo com regras que são constitucionais para o funcionamento da vida global da sociedade, pretendem intervir para servir os interesses religiosos ou eclesiásticos. (...) Nos movimentos, pelo contrário, trata-se de uma renovação que vai além do que existe e que rejeita mais ou menos claramente o que já era».

Ora hoje são inegáveis a evidência e a relevância dos novos movimentos eclesiais que precisamente correspondem a uma acentuação do segundo dos dois tipos daquela distinção. 


5. Os movimentos espirituais de renovação 

«Seja qual for a classificação que se dê à mensagem pentecostal de Lucas (como "tradição particular", como ilustração simbólica de uma experiência fundamental, etc.), o conteúdo doutrinal é sempre este: a Igreja Cristã é um movimento que se baseia no testemunho missionário. Por isso, os movimentos de renovação que surgem em tempos de estagnação e decadência, ou também em tempos de transformações conjunturais, pertencem constitutivamente ao ser mais íntimo da Igreja como Igreja. A origem pentecostal da Igreja deve reactualizar-se sempre através de movimentos, se ela não quiser vir a ser mera associação de defesa do estabelecido» .

«Logo na segunda e terceira gerações cristãs, já os profetas ambulantes são expressão dessa estrutura fundamental. Igualmente, na Antiguidade cristã e na Idade Média, os grandes pregadores da penitência. Aqui se deve mencionar o apostolado da pregação das Ordens Mendicantes e a pregação da reforma da Renascença, bem como as Missões populares que nasceram depois do Concílio Tridentino. Foi principalmente S. Vicente de Paula (cerca de 1650), que lhes deu a forma que elas conservaram até ao século XX. Em 1918, foram até prescritas pelo direito canónico da Igreja Católica (ao menos de dez em dez anos: CIC, c. 1349)» . 

«Certamente, a Missão Popular tradicional tinha um cunho pronunciadamente individualista ("salva a tua alma"). No nosso século XX, porém, ela centra-se nas mudanças estruturais, internas e externas, da Igreja actual, e procura também ressaltar certas coisas que estão ausentes da vida da Igreja. Cuida, por conseguinte, de chegar a uma "liturgia missionária" mais conforme a 1Cor 14,23. (...) ... essa liturgia missionária vive hoje, de modo espantoso, na renovação carismática católica. (...) 

Tal renovação pressupõe que cada cristão esteja consciente dos carismas que, segundo a doutrina unânime do Novo Testamento, lhe são dados para o serviço e edificação da Igreja; e pressupõe, também, que se ultrapasse o individualismo da salvação, tendo em vista uma experiência eclesial do "nós". Ora, estas condições realizam-se ambas em grande escala na renovação carismática católica, e podem ser compreendidas como uma continuação da Missão Popular tradicional. Mas (...) também em outros movimentos se anuncia a transição do "eu" para o "nós"; e assim se torna possível a experiência da presença do Espírito Santo na "assembleia", sob uma nova forma» . 

Nesta linha de espiritualidade renovadora, Heribert Mühlen refere alguns exemplos, desde os anos 30:

O Opus Deis, depois os Focolares, o Movimento dos Casais de Nossa Senhora, os Cursilhos , Schoenstatt, o Caminho Neocatecumenal, o Renovamento Carismático Católico . 


6. O fenómeno da renovação: o Batismo do Espírito Santo


«O fenómeno muito complexo desta renovação [que se pode verificar desde os anos pré-Concílio e irrompe nos chamados "novos movimentos e comunidades eclesiais"], não pode ser descrito em algumas poucas proposições: abrange, com efeito, a Igreja inteira em todas as suas dimensões.


As finalidades e os elementos essenciais dos [novos] movimentos (...) estão igualmente agindo nessa renovação. Mas o que nela se destaca mais é o apelo a cada um em particular para que se entregue nova e totalmente a Deus, num acto de fé inteiramente pessoal, e numa decisão de fé amadurecida num longo processo de preparação. Este acto e este processo pode-se também chamar de "baptismo do Espírito Santo", no sentido de Act 1,8; 11,16; Mt 3, 11. A pessoa abre-se para todos os dons de Espírito que Deus lhe queira conceder e que depois deverá usar ao serviço da Igreja» . 


7. Os carismas


«O dom carismático primordial é, segundo Paulo, a caridade (1Cor 13). Porém, o primeiro é a eclosão exuberante de um novo louvor a Deus, por causa d'Ele mesmo, o qual tem simultaneamente - por ser proclamado em público e perante testemunhas - o carácter de uma anunciação, possuindo assim uma dimensão essencialmente social (Act 2,4; 11,33).
O que mais caracteriza essa renovação é a experiência da poderosa presença de Deus na assembleia dos fiéis e, consequentemente, também na vida quotidiana (cfr. 1Cor 14,25).O abismo entre fé e experiência, característica da crise universal da fé, é aqui transposto de um modo que tem todos os indícios do começo de uma nova época. A finalidade última é uma Igreja carismaticamente renovada. Já o disse o Concílio Vaticano II, certamente com bastante reserva porém com clareza suficiente:
O Espírito Santo não apenas santifica e conduz o povo de Deus, mas além disso distribui, entre os fiéis de todas as classes, dons especiais que os tornam aptos e dispostos a tomar diversas obras e encargos proveitosos para a renovação e edificação da Igreja (cfr. Lumen Gentium, 12)» . 


8. Necessidade de renovação dos carismas, apesar dos perigos


Ainda se não reflectiu suficientemente sobre a relação entre a "auto-experiência" e a "experiência do Espírito". Muitas inspirações, acontecimentos e casos cotidianos são atribuídos, por vezes com exagerada facilidade, à actividade directa e imediata do Espírito Santo de Cristo (desta maneira, nasceram historicamente muitas seitas).

No entanto, não se pode pôr em dúvida que se impõe urgentemente uma renovação dos carismas.


No projecto "Ministérios e Serviços Pastorais na Comunidade", preparado para o Sínodo das Dioceses alemãs, lemos o seguinte: "Comunidades vivas em que colaboram multiformes dons do Espírito e em que todos os membros juntos são portadores da responsabilidade pela salvação, eis o que constitui uma das finalidades principais da renovação eclesial".


E o Papa Paulo VI disse, por sua vez, numa alocução de 23 de Maio de 1973, que devia nascer na humanidade fiel um "movimento verdadeiramente pneumático e, portanto, carismático"» . «... o Renovamento Carismático está reactivando formas de oração e de vida que tinham morrido desde o século IV, ou se haviam mantido insuladas dentro de uma tradição mística isolada» . 


9. A Nova Evangelização e os novos movimentos


Nas suas múltiplas manifestações, a Nova Evangelização só pode visar uma renovação; mas, por sua vez, tem de partir de uma renovação. Esta renovação não é exclusivo dos novos movimentos; pelo contrário, é o movimento de renovação que, tudo renovando, também se exprime por «novos movimentos e comunidades». 

Apesar de tudo, sobre a renovação e os novos movimentos tem havido uma questão em que, reconheça-se claramente, se manifestou alguma divergência. Talvez o Congresso Internacional para a Nova Evangelização tenha contribuído para minorar dificuldades a este respeito.

No seu conhecido curso, na Pontifícia Faculdade de Teologia Teresianum, sobre «Movimentos eclesiais contemporâneos. Actualidade, características, discernimento», o Padre Jesus Castellano Cervera O.C.D. ensina: «Numa Igreja sempre em movimento, existem necessariamente movimentos sob a acção do Espírito Santo» .

Para isso contribuiu muito o histórico discurso do Papa João Paulo II aos participantes do 1º Encontro Internacional dos Movimentos, em 1981. Disse o Papa João Paulo II:


«Os Movimentos no seio da Igreja, Povo de Deus, exprimem aquele múltiplice movimento que é a resposta do homem à Revelação, ao Evangelho; o movimento em direcção ao próprio Deus vivo, que tanto se aproximou do homem; o movimento em direcção ao próprio íntimo, à própria consciência e ao próprio coração, o qual, no encontro com Deus, desvela a profundidade que lhe é própria; o movimento em direcção aos homens, nossos irmãos e irmãs, que Cristo coloca na estrada da nossa vida; o movimento dos filhos de Deus» . 

Ainda de acordo com o Padre Jesus Castellano Cervera, «uma primeira característica que nos permite caracterizar o significado do fenómeno (dos movimentos eclesiais contemporâneos) é a prevalência da experiência espiritual, a vida vivida quer pessoalmente quer em grupo com um sério empenhamento apostólico. Um segundo aspecto é o da agregação, ou formação de grupo ou grupos, com acento sobre a comunidade e a comunhão, que é característica da espiritualidade contemporânea na Igreja. Uma terceira nota é o facto da sua contemporaneidade, a sua experiência na vida da Igreja hoje, enquanto se trata de movimentos ou grupos nascidos no nosso tempo» . 


A terminar a sua introdução ao Curso dos Novos Movimentos, escreve o Padre Jesus Castellano Cervera:

«No caminho da Igreja de hoje, com as novas necessidades missionárias e com a necessidade de uma qualificada presença laical, não há dúvidas de que os movimentos, chamados a viver intensamente a comunhão e a missão da Igreja, e a maturar dentro da Igreja os caminhos da história, são uma providencial presença do Espírito, que sempre vem em auxílio da sua Igreja, segundo as necessidades do momento histórico para a plenitude do Evangelho» .


E a terminar o seu Curso sobre a Espiritualidade Contemporânea, escreveu: «além disso, a Igreja deve, em toda as suas instâncias e realizações, ser mais agressiva e ofensiva, como o próprio Jesus na sua humildade e mansidão, na proposta dos valores essenciais do Evangelho. E isso exige uma Igreja mais mistagógica, mais plasmada no Espírito da palavra vivida no quotidiano, mais em comunhão, mais dependente nos projectos e nas suas realizações do mistério que tem dentro de si, sem ceder à tentação de se adequar às modas e aos princípios deste mundo» .

Por: Mário Pinto

Renovamento Carismático Católico: movimento ou espiritualidade ?



Vamos reflectir sobre o que é o Renovamento e a que é chamado pelo Espírito Santo hoje, na Igreja.
O Renovamento Carismático Católico não é uma inovação - é uma renovação. Como definiu o Papa Paulo VI:

"o Renovamento é uma graça do Espírito de renovação da Igreja, na Igreja". É uma espiritualidade original da Igreja, para favorecer a renovação da vida cristã em todas as suas dimensões, dentro desta mesma Igreja.


Fazendo com que os corações se renovem profundamente, na sua vida cristã, no seu sacerdócio, na sua vida consagrada, no seu episcopado, vai se renovando a Igreja, porque ela é composta de pessoas. À medida que os membros da Igreja se renovam numa vida cristã mais sólida, forte, radical, profunda, iluminada, movida pelo Espírito, a Igreja vai se renovando.



Dado que existem muitos movimentos, a dificuldade está em compreender que o Renovamento não é um movimento na Igreja, mas sim uma espiritualidade renovadora. Alguns Bispos, mesmo alguns de maior autoridade na Igreja Católica, e sacerdotes, usaram o termo "movimento". O Cardeal Suenens, da Bélgica, foi uma grande autoridade e fez uma importante intervenção no Concílio Vaticano II sobre a teologia dos carismas. Logo que ouviu dizer que nos Estados Unidos havia um jorro do Espírito, foi ver para conhecer. Sentiu que o que estava a acontecer ali era o início de uma resposta que o Espírito Santo estava a dar à oração de João XXIII. João XXIII orava para que houvesse um novo Pentecostes na Igreja, para renovar a Igreja na força do Espírito e torná-la ao modo da Igreja primitiva (não em termos históricos), que era essencialmente carismática. Não carismática por causa dos carismas, mas carismática porque movida e dirigida vigorosamente pelo Espírito.


O Cardeal Suenens escreveu que se considerarmos o Renovamento como mais um movimento como outros que existem na Igreja, estamos a tirar-lhe todo o significado, estamos a quebrar a espinha dorsal, estamos a mudar a sua essência. O Renovamento não é para ser melhor nem pior, porque não é um movimento, não se pode comparar.



O Renovamento é uma espiritualidade renovadora na força do Espírito, para renovar a vida cristã em todas as suas dimensões:

em relação a Deus, ao próximo, a si mesmo e ao mundo. A finalidade do Renovamento é renovar a vida cristã, que está no fundamento do papado, do episcopado, do sacerdócio, da vida religiosa, da consagração, de todas as formas de vida. A partir do momento em que se renova vigorosamente a vida cristã, renova-se o episcopado, o sacerdócio, a vida religiosa e a vida dos leigos.



As diversas espiritualidades


Existem diversas espiritualidades católicas, no sentido de espiritualidades universais. Por exemplo, as espiritualidades Eucarística, Mariana, Litúrgica, Bíblica e também Ecuménica.


A espiritualidade Mariana é para todos os católicos e, mesmo que muitos não a cheguem a viver, é também para eles. A espiritualidade Eucarística é para todos os católicos, mesmo que muitos não venham a vivê-la. O mesmo se passa com a espiritualidade Bíblica e a espiritualidade Litúrgica. E aqui se situa a espiritualidade do Renovamento no Espírito Santo, é uma espiritualidade católica, universal, para toda a Igreja, porque toda a Igreja precisa de estar em permanente e constante renovação no Espírito, pois não podemos extinguir o Espírito ( I Tessal 5,19).


Mesmo que não seja no estilo do Renovamento que nós vivemos. Hoje, na nossa Igreja, sentimos que há uma tremenda necessidade de renovação da vida cristã.


Existem espiritualidades que chamaria parciais, que são para uma parcela da Igreja: as espiritualidades do Coração de Jesus, Franciscana, Beneditina, Jesuíta, Inaciana ou Comboniana.


Cada uma é para uma parte dos cristãos. O Senhor Jesus, ao chamar para o sacerdócio pelo Espírito, dá um carisma de acordo com a Sua vontade, para uma espiritualidade.

Não se pode viver a Espiritualidade do Coração de Jesus e ao mesmo tempo a espiritualidade Franciscana ou a espiritualidade Beneditina.


Mas pode e deve viver-se, como Dehoniano, a espiritualidade Bíblica, a Litúrgica, a Mariana, a Eucarística e a do Renovamento.

Religiosos e superiores de religiosos dizem, por vezes, que já têm a sua espiritualidade, que não precisam dessa outra espiritualidade.


Acontece que a espiritualidade do Renovamento é uma espiritualidade eclesial, é uma renovação da Igreja, na Igreja, e ela é universal: o Beneditino torna-se mais Beneditino com a espiritualidade do renovamento, o Jesuíta torna-se ainda mais Jesuíta, o Franciscano torna-se ainda mais Franciscano, a irmã do Coração de Jesus torna-se ainda mais do Coração de Jesus, pelo Renovamento. Porque o mesmo Espírito Santo que suscitou o Renovamento para fazer um sopro na Igreja, para renovar a vida cristã em todas as dimensões, é o mesmo Espírito que deu o carisma fundacional e que dá o carisma específico a quem Ele chama para uma determinada Congregação.


Não há nenhuma contradição, pelo contrário, há uma complementaridade maravilhosa. Assim como se produz um enriquecimento através das espiritualidades Litúrgica, Bíblica e Mariana, também a espiritualidade do Renovamento enriquece tremendamente.


Só se compreende bem o carisma, a espiritualidade da nossa Congregação, depois da graça do baptismo no Espírito.


Porque o mesmo Espírito que chama para a vida cristã, é o mesmo Espírito que nos chama para uma Congregação e é o mesmo que dá a graça do Renovamento no coração. O renovamento é o fermento na massa e esse fermento forte é o Espírito.



O verdadeiro carismático


Quando usamos o termo carismático não se deve essencialmente aos carismas. Uma pessoa pode ter carismas e não ser carismática! Alguém pode ter carismas, orar em línguas, até ter palavras de ciência, discernimento dos espíritos e não se deixar conduzir pelo Espírito!


Quem é o verdadeiro carismático? Aquele que é movido e dirigido pelo Espírito Santo. Movido e dirigido:


Primeiro: Movido como um motor do carro. De que adianta um carro sem motor ou com o motor avariado? Na vida cristã, na vida no Espírito, o motor que impulsiona é o Espírito. E, ao mesmo tempo, Ele é o motorista. Um carro que tenha um motor forte mas não tenha motorista, é um desastre, vai bater noutro carro e atropelar pessoas! O verdadeiro carismático (e aí entra o Renovamento Carismático) é-o, em primeiro lugar, no sentido em que é o Espírito Santo quem o move e dirige; em segundo lugar, é carismático no sentido de desenvolver carismas.


O Renovamento não e um movimento para fazer grupos de oração. Os grupos de oração são necessários e importantes para que as pessoas que despertam para esse renovamento tenham um local, um ambiente onde possam viver essa espiritualidade, crescer e amadurecer.


Feliz o dia em que a paróquia não precise de grupo de oração. Feliz o dia em que nas paróquias as missas sejam tão vividas, tão ungidas, tão profundas, que as pessoas saiam da missa cheias de Deus, com força para viver santamente a sua semana. Feliz o dia em que os baptismos sejam feitos com tanta unção, que as pessoas (os pais, os padrinhos, os parentes) saiam daquela cerimónia com o seu baptismo renovado, com vontade de ir viver a vida cristã com radicalidade. Feliz o dia em que os casamentos nas igrejas não sejam aquele acontecimento de vaidade que se verifica tantas vezes, que é uma profanação do Santíssimo, mas que sejam celebrados de tal maneira que os noivos, os parentes, toda a gente esteja ali com uma fé profunda, e que todos os casais saiam da igreja renovados no seu matrimónio, com vontade de viver a santidade do seu casamento.



No dia em que as coisas acontecerem assim, não precisaremos mais de grupos de oração.


Os grupos de oração são importantes neste momento e necessários para que as pessoas que estão a despertar para a vida nova no Espírito, essa vida cristã vivida em profundidade, tenham um local, um ninho quente onde se possam encontrar uma vez por semana para ao seu modo rezarem, cantarem, louvarem a Deus, ouvirem a palavra de Deus, crescerem na sua conversão, buscarem a cura dos seus problemas, para poderem viver melhor a sua vida. Portanto, o Renovamento é, antes de tudo, a renovação da vida cristã em todas as vertentes.


Os casais que estão verdadeiramente no Renovamento precisam de se renovar na vida matrimonial. A sua vida matrimonial tem de ser transformada para ser vivida na santidade do sacramento do matrimónio.


Os jovens do Renovamento são chamados a renovarem-se para viverem uma vida cristã e de juventude como autênticos cristãos, vivendo a beleza, a grandeza e os seus ideais de juventude em santidade.

O Renovamento existe para fazer acontecer a ressurreição interior das pessoas, de modo que passem a viver a vida cristã com radicalidade, com profundidade, na unção do Espírito, no poder da graça do Espírito. Mas, claro, em relação profunda com o Pai, com Jesus Ressuscitado, com o Espírito, com Maria, em grande amor e comunhão como todos os irmãos e vivendo uma vida santa.

Se as pessoas que estão no Renovamento não entrarem nesse processo de renovação permanente das suas vidas, é inútil a sua participação.


É fundamental fazer uma distinção entre estar no Renovamento e estar em renovamento:


Estar no Renovamento não é importante, pode não significar nada. Se uma pessoa está no Renovamento mas a sua vida cristã não está a melhorar, então não adianta estar no Renovamento. Cada um de nós precisa de se renovar cada dia mais e mais.


O Renovamento é um sopro do Espírito, é uma graça para a Igreja de hoje, na tentativa do Espírito ajudar a Igreja a renovar-se na vida cristã, a todos os níveis. É para renovar a vivência dos sacramentos, a vivência dos sacramentais, para melhorar a vida de oração, com maior amor à palavra de Deus, para experiências cada vez mais maravilhosas com Deus Pai, com Jesus Ressuscitado, com o Espírito, com Maria; para que os casados vivam mais maravilhosamente o seu matrimónio, a vida familiar e a educação dos filhos, para que os jovens vivam a sua juventude em santidade e na castidade, para que nós os sacerdotes vibremos mais com o nosso sacerdócio, com espiritualidade profunda, para realmente sermos pastores e levarmos esse sopro para os nossos irmãos, para que as religiosas se renovem cada vez mais na vivência do seu carisma, da sua vida em comunidade, dos seus votos, no entusiasmo da missão.

Este é o projecto, esta é a finalidade do Renovamento carismático, esta é a vontade do Espírito. E vemos que em todo o mundo está a acontecer assim. Com muitas dificuldades, tropeços e abusos! Mas o Renovamento foi chamado a existir na Igreja Católica para renovar a vida cristã, em todas as dimensões, em todos os relacionamentos.


Há muitos anos que viajo pelo Brasil inteiro e fico impressionado com o que acontece na vida de casais e adultos do Renovamento. Como tudo se transforma nas suas vidas. Continuam a ter dificuldades, problemas, sem dúvida nenhuma! Mas tudo se renova nas suas vidas. Passam a viver uma vida diferente, uma vida de Fé impressionante, com uma enorme abertura aos irmãos e trabalho para os outros.



Os jovens impressionam-me! Pela quantidade de jovens que vejo nos encontros, nos cenáculos, nos grandes encontros, imagino que no Brasil, dos seis milhões de católicos do Renovamento1, pelo menos um milhão são jovens. Há jovens nas grandes cidades que abrem um bar/café com música ao vivo. Atrás da sala do café têm uma ou duas salinhas, uma capelinha, e ficam ali, eles próprios a servir, a tocar para atrair os jovens, e sentam-se nas mesas a evangelizar. E quando um jovem começa a vacilar, vão com ele para trás e vão evangelizar, impõem as mãos e oram por ele, e há conversões impressionantes. Nunca vi tantos jovens e namorados fazerem voto de castidade até ao casamento como estou a ver hoje! É impressionante! Quantos me têm procurado, perguntando-me como devem fazer? É o Espírito que revela todas as coisas!


Num encontro com 1680 jovens, no qual preguei durante três dias, pediram-me que falasse sobre afectividade e sexualidade:


Quando comecei a colocar as coisas claras sobre a sexualidade cristã que deveria ser assumida por eles, fiquei impressionado! Quando dizia as coisas mais sérias eles começavam a bater palmas, porque o Espírito, que despertou neles, revela toda a verdade sobre a beleza da sexualidade, da virgindade, da castidade e do matrimónio.

No Brasil há uma explosão de vocações. É pena que nos seminários Diocesanos, nas Congregações, as portas estejam quase fechadas.


O Espírito está a fazer uma obra incrível. Temos dez congregações masculinas e femininas que estão a nascer nesta espiritualidade carismática! Um cónego diocesano recebeu inspiração para fazer uma fraternidade com quatro ramos: sacerdotes, religiosas, leigos consagrados e casais de aliança.


Quando abriu o seminário no 1º ano tinha 75 rapazes para fazer Filosofia e Teologia. No 2º ano não conseguiu receber ninguém porque já não tinha lugar. É o Espírito que se está a manifestar ali. Há uma comunidade de leigos consagrados, no Nordeste do Brasil, da qual a última notícia que possuo é que já existem seiscentos jovens consagrados que fazem dois anos de noviciado para entrarem na comunidade.


O Espírito está a renovar a Igreja! Padres e irmãos, temos de estar atentos a isso. Não podemos bloquear o Espírito. Procuremos, sim, compreender essa maravilha do Espírito.


Reparem que, ao falar em Renovamento, não falei de que renovamento era. Orar em línguas, levantar os braços, ter palavras de ciência; é isso também, mas tudo isso, sendo importante, é periférico.


O essencial do Renovamento e a sua finalidade é uma vida cristã que se renove até à medula dos ossos, para ser vívida realmente com radicalidade. É uma espiritualidade renovadora. E se essa renovação não estiver a acontecer, não adianta estar no Renovamento. Estar no Renovamento ou estar em renovamento, aí está a diferença.



Num seminário de aprofundamento de fim-de-semana onde estavam 700 pessoas, quando comecei a explicar o que era estar no Renovamento e estar em renovamento, uma senhora começou a chorar. Quando terminou, consegui chegar junto dela e perguntei-lhe. "A senhora teve uma gripe muito forte nestes dias, não foi?" Ela sorriu e depois disse: "Padre, quando o senhor começou a falar em estar em renovação, eu caí do cavalo. Estou há seis anos no Renovamento mas percebi, agora, que não estou em renovação. Na minha vida ainda não mudou nada". Só então ela compreendeu! E foi uma grande graça porque a partir daí, com certeza, tudo começou a mudar. Porque se alguém está no Renovamento e a sua vida não se está a renovar, não adianta estar lá.

A finalidade é exactamente ser esse poder vigoroso de renovação do coração, da interioridade e da espiritualidade para que, renovando-se as pessoas, se renovem as comunidades, as paróquias, as dioceses e toda a Igreja.

É um processo de renovação permanente.


Extracto do livro: "Espírito Santo, Sopro de Vida Nova"
Pe. Alírio Pedrini
Edições Pneuma

O Renovamento Carismático Católico no Pensamento do Cardeal Leon Joseph Suenens:




Este pequeno artigo tenta realçar os aspectos do ministério pastoral do Cardeal Suenens directamente relacionados com o seu papel de elo de ligação do Papa com o Renovamento Carismático Católico a nível mundial, quer no tempo de Paulo VI, quer no de João Paulo II.

Entre outras iniciativas nesta área, o Cardeal Suenens começou por criar uma Consultoria Teológica e Pastoral que foi o ponto de partida para incremento dos famosos documentos de Malines, por nós já referidos em números anteriores do Boletim do ICCRS.

Recentemente, tive a honra e a alegria de conhecer, em Buenos Aires, o Pe. Carlos Aldunate, jesuíta, um dos famosos teólogos que trabalharam nos documentos de Malines.

Informou-me que, nessa época, uma das principais preocupações do Cardeal Suenens era que o Renovamento se arriscava a não ser visto de acordo com a sua verdadeira identidade e natureza, isto é, como um impulso do Espírito Santo capaz de renovar múltiplos aspectos da Igreja.


O Cardeal advertia aqueles responsáveis da Igreja contra a tentação de transformar o Renovamento Carismático num “movimento” entre tantos outros (cf “Memórias e Esperanças”, Card. Suenens).


As palavras do Pe. Aldunate voltaram a trazer à minha mente outra convicção que o Padre Jesuíta Paul Lebeau, teólogo particular do Cardeal Suenens, atribuía ao Cardeal: o Renovamento Carismático Católico não é um “movimento entre outros movimentos”, não é “uma manifestação exclusiva, que substitui tudo o mais”, mas sim “uma corrente de graça que passa, levando a uma consciência muito mais profunda da dimensão carismática inerente à Igreja” (cf “Um Novo Pentecostes”, Card. Suenens, e “Carta Pastoral do Episcopado Belga”).

A sua própria força dinâmica leva o Renovamento a dissolver-se “como as águas de um rio que perde o seu nome quando desagua no mar” (“Memórias e Esperanças”).



À luz de tais afirmações, talvez não seja demasiado arriscado pensar num Renovamento Carismático da Igreja, não apenas referido a um “movimento eclesial” específico. Melhor, designaria uma corrente espiritual ou “movimento” da Igreja Católica análogo àqueles “ecuménicos”, “bíblicos”, “litúrgicos”, “monásticos” e outros movimentos que propõem de novo, nos nossos dias, a redescoberta da pessoa do Espírito Santo e a actualidade da doutrina e do uso dos carismas como se indicava no Concílio Vaticano II (Lumen Gentium 12).


Esta dimensão carismática também existe,e muito notavelmente - fora dos limites visíveis da Igreja Católica, na maioria das confissões cristãs:


É um acontecimento espiritual muito prometedor em termos de um maior avanço para a unidade cristã. Hoje, mais de 600 milhões de crentes de todas as denominações cristãs experimentaram a graça da Efusão do Espírito Santo (cf “Ecumenismo e Renovamento Carismático”, Card. Suenens).


Por esta razão, o Renovamento Carismático não é e nunca será prorrogativa de uma elite ou propriedade exclusiva de um “movimento apostólico” específico. É uma graça que se encontra na Igreja e é, sem qualquer excepção, para todo o mundo que deseje recebê-la de coração sincero .

Esta preocupação encorajou recentemente outros dirigentes da Igreja a evitar a tentação de institucionalizar a experiência carismática da “Efusão do Espírito” em movimento específico da Igreja, tornando-a assim acessível a qualquer cristão, o que está de acordo com o pensamento original do Cardeal Suenens.


Algumas destas considerações foram reunidas num livro intitulado “Reavivar a Chama”, elaborado em 1990 pela Comissão de Teólogos e Operários Pastorais “The Heart of the Church” (“O Coração da Igreja”) em Techny, Illinois, com o apoio do Comité “ad hoc”de Bispos para o Renovamento Carismático; também aparecem num livro (escrito pelo Pe. Kilian McDonnell, beneditino, e pelo Pe. George T. Montague) chamado “Iniciação Cristã e Efusão do Espírito Santo: Testemunhos dos Primeiros Oito Séculos” (The Liturgical Press, Collegeville, Minnesota, A Michael Glazier Book, 1991).

Durante a minha estadia na Argentiva, o Pe. Aldunate também me deu uma cópia de um discurso do Pe. Peter-Hans Kolvenbach, Superior Geral da Companhia de Jesus, dirigido aos jesuítas do Renovamento Carismático.

Em determinada passagem, o Pe. Kolvenbach diz que, para o Cardeal Suenens, “o seu principal desejo para o Terceiro Mundo era que se deixasse de falar do Renovamento como um movimento ao lado de outros movimentos e se começasse a mostrar como a Igreja encontra no sopro do Espírito a sua fonte inesgotável de luz e de vida, de verdade e de amor.


Se alguns em Igreja vivem esta realidade de um modo mais explícito, não é para constituirem, à parte, uma organização paralela, mas sim para manifestarem o que a Igreja é na sua essência e estarem inteiramente ao seu serviço.


Muitas vezes o Cardeal chamou a minha atenção para a maneira de pensar dos altos responsáveis da Igreja:


Segundo estes, tudo deve articular-se e organizar-se em “movimentos”. Para melhor sublinhar que a efusão do Espírito tem necessidade de irradiar em e para toda a Igreja, ele preferia usar, em vez da palavra “carismático” (em sua opinião, demasiado estreita e um pouco ambígua), a palavra “pentecostal”, que evoca e promete a actualização do Espírito na Igreja como um todo, carismas incluídos.


Pouco importa se o encontro internacional dos carismáticos é, todavia, considerado e tratado como um movimento entre outros. Mais importante é o facto de que cristãos, entre eles jesuítas, dão testemunho de que este dom foi feito para todos: a experiências de reviver o Pentecostes com todo o seu vigor e gratuidade, de receber como novo este baptismo no Espírito Santo, que não cessou de construir e vivificar a Igreja e de lhe dar a verdadeira vida em abundância, Ele, o Vivificador” (3 de Maio de 2000).

O perigo da institucionalização excessiva do “movimento” carismático foi discutido durante a última Reunião de Dirigentes Carismáticos, realizada perto de Roma no passado mês de Setembro (e cujos documentos vão ser publicados). O recentemente criado Comité Teológico Internacional do ICCRS não deixará de reflectir sobre este tema, para bem e para futuro do Renovamento Carismático.

Os dirigentes carismáticos têm a mesma preocupação de Paulo VI quando disse:


“Sendo assim, como é que esta “renovação espiritual” pode ser outra coisa senão uma oportunidade para a Igreja a para o mundo? E neste caso, como podemos deixar de fazer tudo o que pudermos para que o continue a ser?” (Discurso do Papa Paulo VI ao RCC por ocasião da Terceira Assembleia Internacional de Dirigentes, Roma, 19 de Maio de 1975).

A experiência mundial de hoje demonstra que o RCC é, desde logo, um “movimento da Igreja” mas um movimento especial. Não pode associar-se com as origens, a natureza, as estruturas que são próprias de outros movimentos apostólicos na Igreja Católica, como se costuma fazer.

Um documento pastoral recente dos bispos do Canadá deixou isto muito claro quando diz:


“O que é especialmente notável na história e rápido crescimento do Renovamento Carismático é a maneira, ao mesmo tempo espontânea e sistemática, como surgiu entre os fiéis para muito depressa se transformar num fenómeno espiritual nacional da Igreja Católica do Canadá. Isto é muito mais notável porque o Renovamento Carismático não deve a sua origem a qualquer fundador inspirado ou figura carismática. Não tem listas de membros e não está amarrada a estruturas internas ou a regras. O Renovamento Carismático é, sobretudo, uma assembleia diversificada de fiéis, grupos de oração, comunidades e actividades. Contudo, todos eles partilham e perseguem as mesmas metas, isto é, uma conversão pessoal e contínua a Jesus Cristo, uma receptividade à presença, poder e dons do Espírito Santo, um amor profundo pela Igreja e pela sua obra de evangelização, uma fraternidade forte e um zelo gozoso pelo Evangelho. Pode dizer-se que o Renovamento Carismático foi e continua a ser obra soberana de Deus, realizada através do Espírito Santo. Toca as vidas de homens e mulheres de todos os estratos sociais, renova a sua fé e reaviva neles um amor e um zelo gozosos pelo serviço a Deus e ao Seu povo. Estes fiéis laicos, sacerdotes e religiosos deixaram-se surpreender por Deus, conhecendo a experiência e a acção do Espírito Santo nas suas vidas. Ao rever a nossa história de trinta e cinco anos de Renovamento Carismático, temos de elevar os nossos corações em acção de graças pelos muitos dons espirituais e bençãos que o Renovamento trouxe para a vida da Igreja no Canadá” (Pentecostes 1993).

Para além de qualquer explicação, o que importa realmente é constatar que as pessoas neste “movimento”, e muito especialmente os seus dirigentes, têm um equilíbrio espiritual são, avançam num caminho autêntico de santidade e manifestam os dons do Espírito (cf Gal 5, 22): isto é maturidade eclesial! (cf Christifideles laici 1997)

Estamos agradecidos ao Cardeal Suenens por mostrar ao RCC o verdadeiro caminho para o seu apostolado eclesial.

A herança de discernimento espiritual, sabedoria pastoral e autoridade teológica que nos legou (e que o ICCRS incluiu, como um tesouro, nos seus Estatutos aprovados pela Santa Sé em 1993) será sempre relevante.

Matteo Calisi
(Publicado no Boletim do ICCRS de Novembro/Dezembro 2003)
Traduzido e adaptado por Isabel Moraes Marques
(Pneumavita)

Natureza, Essência, Vocação e Missão



Não é fácil de se compreender, em profundidade e com propriedade, o Renovamento Carismático Católico.


Existem dois motivos principais que dificultam uma boa compreensão:

1)-Primeiro: a existência de muitos e bons movimentos de Igreja, como o Encontro de Casais com Cristo, o Cursilho de Cristandade, o Emaús, o Shalom e muitos outros. Por causa da existência e atuação abençoada dos movimentos, a tendência natural e simplista é de se classificar o Renovamento como mais um “movimento eclesial”.


2)- Segundo motivo: a pouca intimidade ou, até mesmo, a ausência de conhecimentos a respeito de “espiritualidades eclesiais”. Não passa de forma alguma, pela mente das pessoas, que o Renovamento possa ser uma espiritualidade e não um movimento.

Para clarificar, perguntamos: O que é um movimento de Igreja? O que é uma espiritualidade?


Ao colocar esta questão, não se quer fazer qualquer comparação de qualidade, como por exemplo: a espiritualidade é melhor do que o movimento, ou vice-versa. São duas realidades tão diversas, e ao mesmo tempo tão interactivas, que é preciso distingui-las com toda a clareza, a fim de não macular nem os movimentos, nem as espiritualidades.


Já foram referidos acima alguns dos muitos e bons movimentos que o Espírito Santo suscitou na Igreja. Refiro, agora, algumas espiritualidades. Possuímos, no tesouro da Igreja, espiritualidades universais, isto é, destinadas a todos os católicos, e espiritualidades particulares, destinadas a uma parcela maior ou menor de fiéis.


Dentre as espiritualidades universais, citamos:

A litúrgica, a bíblica, a eucarística, a mariana, a trinitária, a do Sagrado Coração de Jesus, e por última agora a Ecumênica.Estas destinam-se a todos os católicos. Mesmo que nem todos venham a assumi-las, a encarná-las e a vivê-las, destinam-se a todos. São óptimas para todos e a todos enriquecem.


Dentre as muitas espiritualidades particulares, podemos citar:


A franciscana, a beneditina, a teresiana, a jesuítica, a redentorista e a focolariana. Estas não se destinam a todos os fiéis, mas a uma parcela maior ou menor, de acordo com a inspiração do Espírito Santo no coração dos fiéis.


Se prestarmos atenção, perceberemos que as espiritualidades universais enriquecem as particulares. Por exemplo: as espiritualidades litúrgica, eucarística ,bíblica e ecumênica enriquecem a espiritualidade franciscana, ou a teresiana, ou a redentorista.

Eis agora a pergunta que mais nos interessa: onde devemos colocar o Renovamento Carismático? Entre os movimentos? Entre as espiritualidades particulares? Entre as espiritualidades universais?


Eis a questão. Aliás, questão importantíssima, se quisermos compreender e conhecer o Renovamento Carismático. Ou então, se não quisermos desfigurá-lo, descaracterizá-lo, empobrecê-lo.


O Renovamento Carismático deve ser colocado entre as espiritualidades universais. Por ser “um sopro renovador do Espírito Santo na Igreja”; por ser “um novo Pentecostes”para a Igreja; por ser “uma corrente de força espiritual” dinamizada pelo Espírito de Deus na Igreja, como aliás o definiram teólogos que o estudaram; ou mais ainda, sendo uma renovação “da” Igreja “na” Igreja, como o definiu o nosso Papa, o Renovamento Carismático é, por vontade divina, por determinação do Espírito Santo, uma espiritualidade universal. Portanto, destinada a todos: hierarquia, religiosos e leigos.


O grande comandante mundial do Renovamento Carismático Católico, Cardeal Suenens, exactamente para nos auxiliar na compreensão desta espiritualidade, escreveu:


“Esta graça de renovação espiritual não é restrita, pois é destinada e dirigida a toda a Igreja. O Espírito Santo não é monopólio de ninguém. Nem de uma pessoa, nem de grupos. E classificar o Renovamento Pentecostal como se fosse um daqueles movimentos especiais que existem na Igreja, seria o mesmo que negar o seu significado”. Percebamos a forma como o Cardeal define o Renovamento: “graça de renovação espiritual...destinada e dirigida a toda a Igreja”. Depois chama-lhe “Renovamento Pentecostal”. É claríssimo como ele o compreende e o define como uma “espiritualidade”. Trata-se de uma “graça” de renovação, dada e incrementada pelo Espírito Santo no coração dos fiéis, para os renovar na sua vida cristã. Renovando os corações, o Espírito renova a própria Igreja. Atenção: trata-se de uma “graça” renovadora e não de uma estrutura ou organização!


Precisamos de perceber que, quando o Cardeal Suenens diz que “o Espírito Santo não é monopólio de ninguém:


Nem de uma pessoa e nem de grupos”, está a demonstrar que esta renovação, por ser dinamizada pelo próprio Espírito Santo, é uma espiritualidade universal, para todos os fiéis na Igreja: hierarquia, religiosos e leigos.


Percebamos, ainda, como o Cardeal Suenens faz questão de salientar, que não se trata de mais um movimento. Ele escreve:

“Classificar o Renovamento Pentecostal como se fosse um daqueles movimentos especiais que existem na Igreja, seria o mesmo que negar o seu significado”. Considerá-lo um movimento, tratá-lo como tal, seria descaracterizá-lo; seria quebrar a sua espinha dorsal; seria negar e trair a sua natureza e essência, a sua vocação e missão.


Alguém poderia perguntar: Mas o que muda se o Renovamento for considerado um movimento eclesial? Muda tudo. Tudo mesmo:


Deixa de ser o Renovamento Carismático. Muda a sua natureza e essência. Deixa de ser fermento para tornar-se massa. Deixa de ser sal para tornar-se carne que precisa do sabor do sal.

Pergunto: Qual a diferença entre massa e fermento? Qual a diferença entre sal e carne? Estão a perceber?


Movimento eclesial é massa, é carne. Espiritualidade é fermento para a massa, é sal para o alimento.

Na prática, sabemos que qualquer movimento eclesial precisa de uma espiritualidade, assim como a massa precisa de fermento. Por sua vez, a espiritualidade suscita, dá origem, faz nascer movimentos. Basta analisar a vida eclesial para se perceber quão verdadeiro é isto que aqui afirmamos.


O Renovamento Carismático, portanto, é uma torrente de espiritualidade; é um sopro renovador perene do Espírito Santo; é um novo Pentecostes, destinado a renovar a vida cristã católica em todos os seus níveis e manifestações, quer em relação ao Deus vivo, quer em relação aos irmãos, quer em relação a si mesmo, quer em relação a toda a criação.


O Renovamento é uma espiritualidade “do” Espírito Santo. O Renovamento tem, como fonte da energia renovadora, como centro de convergência e como meta, a Pessoa do Espírito Santo.


Penetrando no íntimo do Renovamento, percebemos que:


A sua “natureza” constitutiva é ser espiritualidade universal;a sua “essência” é ser graça renovadora do Espírito Santo;a sua “vocação” é tornar presente a acção poderosa do Espírito, a fim de tudo renovar: “Eis que faço novas todas as coisas”;
a sua “missão” é desencadear a efusão do Espírito Santo, é levar os corações ao Baptismo no Espírito Santo, é fazer acontecer um pentecostes pessoal nos corações, a fim de que a vida cristã se renove vigorosamente e, desta forma, toda a Igreja se renove.


Para uma correcta definição do Renovamento, podemos dizer que:


Não é apenas um “movimento de renovação de oração”. Essa tarefa é somente uma pequeníssima parte da sua missão.Não é apenas uma tentativa de renovação dos carismas. Renovar os carismas também é somente uma pequena parcela da sua missão.Não é apenas um movimento para formar grupos de oração. Os grupos são ninhos de crescimento.Não tem fundadores humanos. O seu fundador é o Espírito Santo.
Por ser uma espiritualidade, não tem hierarquia própria. A sua hierarquia é a da Igreja.


Os organismos criados para o fazer acontecer, difundir ou firmar são organismos ou equipes de “serviço”. Jamais hierarquias.


Por ser espiritualidade, não pode ser manietado, aprisionado ou sufocado por estruturas. O Espírito sopra onde quer...Não onde nós queremos...Menos ainda, onde pretensos “donos” do RCC querem que Ele sopre.


Náo é uma espiritualidade nem um movimento exclusivamente laical, só para leigos. O Espírito Santo é a alma da Igreja. Para a renovar, precisa de renovar todos: hierarquia, religiosos e leigos. Mas o RCC só terá cumprido integralmente a sua missão se acontecer a renovação da hierarquia.



A condução do RCC não pode levar a fazer uma caminhada pastoral paralela à acção pastoral da Igreja. Porque é fermento, porque é sal, o RCC precisa de permear, penetrar, fermentar, salgar toda a acção pastoral da Igreja, levando-lhe a força da graça e da acção do Espírito Santo com todas as Suas manifestações renovadoras.


Pe. Alírio Pedrini, SCJ
(Adaptado por Isabel Moraes Marques)
O Renovamento Carismático e a Igreja


O POTENCIAL EVANGELIZADOR DA ESPIRITUALIDADE DA RCC NA IGREJA:


“Estamos sumamente interessados no que estais a fazer. Regozijamo-nos com o muito que ouvimos falar sobre o que acontece entre vós. Alegramo-nos convosco, queridos amigos, pela renovação da vida espiritual que hoje em dia se manifesta na Igreja, sob diferentes formas e em diferentes ambientes”.


Foi com estas palavras que o Papa Paulo VI acolheu um grupo de coordenadores do Renovamento Carismático Católico (RCC) em Outubro de 1973. Mais tarde, por ocasião do III Congresso Internacional do RCC, afirmou: “Para um mundo assim, cada vez mais secularizado, é fundamental o testemunho desta renovação espiritual que o Espírito Santo suscita hoje nas regiões e ambientes mais diversos”. Na verdade, “sem Deus” o homem nada pode e, com Ele, pelo contrário, tudo é possível. Daí essa necessidade de O louvarmos, de Lhe darmos graças, de celebrarmos as maravilhas que Ele realiza por toda a parte, em torno de nós e em nós mesmos.


Na mesma linha, o actual Papa observou: “Nós sabemos que devemos à efusão do Espírito Santo uma experiência cada vez mais profunda da presença de Cristo, graças à qual podemos crescer cada dia no conhecimento amoroso do Pai.(...) O Renovamento Carismático presta particular atenção à acção misteriosa, mas real, que a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade desenvolve na vida do cristão” (Outubro de 1980).



Poderíamos lembrar outras observações papais ou de conferências episcopais a respeito do RCC que, no início da sua actuação, foi visto por muitos sectores da Igreja com certa desconfiança. Aos poucos, à medida que se integrou nas organizações pastorais diocesanas, foi conquistando a simpatia e o apoio de bispos e padres.



“É função da hierarquia discernir as verdadeiras moções do Espírito, incentivando tudo aquilo que contribui para o crescimento da Igreja e a realização da sua missão” ( Conferência Nacional dos Bispos Brasileiros (CNBB), Orientações Pastorais sobre o RCC, Documento 53, 2). Por isso, também a CNBB julgou oportuno dar orientações ao RCC, constatando, por um lado, que ele “tem trazido novo dinamismo e entusiasmo para a vida de muitos cristãos e comunidades” (id., 2); por outro lado, que é preciso evitar “deturpações e atitudes parciais que dificultam a comunhão eclesial”. Para atingir os seus objectivos, essas orientações precisam de ser lidas, aprofundades e aceites com um “ponto de referência” no diálogo “dos pastores com os fieis nos vários níveis da vida da Igreja” (nº 6).



O RCC tem um grande potencial evangelizador na medida em que:


Se inserir na caminhada pastoral de cada diocese;contribuir para a busca do dom mais importante, que é a caridade (cf. 1 Cor 13);acentuar a dimensão social da fé, à luz da Doutrina Social da Igreja;assumir projectos de promoção humana e social, especialmente dos pobres e marginalizados (cf. Doc. 53, 50).


Por sinal, é inegável que já deu passos significativos no campo social, passos que nem sempre são devidamente conhecidos.


No restante, o RCC não foge aos problemas enfrentados por pastorais e movimentos, tanto assim que as orientações que a CNBB lhe deu “são válidas e necessárias também... para os demais movimentos e organismos da Igreja” (Doc. 53, 4).


Quem participa do RCC precisa de conhecer, sempre mais e melhor, a doutrina cristã (e aí está o Catecismo da Igreja Católica para isso); precisa de superar a tentação da vaidade ( o ciúme, a discórdia e a divisão, por exemplo, são filhos da vaidade); finalmente, precisa de ter a ousadia de enfrentar os modernos “areópagos” que desafiam a missão do povo de Deus: o mundo das comunicações, a promoção do menor, o mundo da cultura, o meio universitário, etc. (cf. João Paulo II, Rmi, 37).



Como pastor de uma Igreja Particular, tendo diante de mim os trabalhos do RCC na Arquidiocese de Maringá/PR, faço minha a oração que o Papa João XXIII compôs no início dos anos sessenta, para ser rezada em preparação do Concílio Vaticano II:

“Digne-se o divino Espírito escutar de forma mais consoladora a oração que a Ele sobe de todas as partes da terra. Que Ele renove no nosso tempo os prodígios como de um novo Pentecostes e conceda que a Santa Igreja, permanecendo unânime na oração com Maria, a Mãe de Jesus, e sob a direcção de Pedro, dilate o Reino do Divino Salvador, Reino de Verdade e de Justiça, Reino de Amor e de Paz!”

D. Murilo Krieger, SCJ - Arcebispo de Maringá/PR

 

 

Palavras de João Paulo II sobre o Renovamento Carismático Católico:




Por ocasião do 4º Congresso Internacional de responsáveis do Renovamento, celebrado em Roma de 4 a 10 de Maio de 1981, o Papa recebeu alguns dos seus membros e, inclusivamente, participou na Assembleia de oração que teve lugar nos jardins do Vaticano, na quinta-feira 7 de Maio, das oito às nove e meia da noite.

Ali o Papa disse muitas coisas aos delegados de quase cem países:

“O Papa Paulo VI descreveu o movimento para a Renovação como ‘uma sorte para a Igreja e para o mundo’ e os seis anos que passaram desde aquele congresso vieram confirmar a esperança do vosso zelo pela oração num compromisso de santidade e de amor pela palavra de Deus. Temos constatado com alegria a forma como os dirigentes do Renovamento têm desenvolvido uma cada vez mais ampla visão eclesial, esforçando-se ao mesmo tempo por fazer desta visão uma realidade crescente para quantos dependem da sua orientação. Igualmente temos visto os sinais da vossa generosidade na comunicação dos dons recebidos de Deus com os desamparados deste mundo, na justiça e na caridade, de maneira que todos podem descobrir a excelsa dignidade que têm em Cristo. Oxalá esta obra de amor começada já em vós consiga ser levada à sua plenitude! A propósito disto, recordai-vos sempre das palavras dirigidas por Paulo VI ao vosso congresso no Ano Santo: “Não há limites para o repto do amor: os pobres, os necessitados, os aflitos e os que sofrem no mundo e ao vosso lado, todos dirigem o seu clamor como irmãos e irmãs de Cristo, pedindo-vos a prova do vosso amor, pedindo a palavra de Deus, pedindo pão, pedindo vida...”

Noutros momentos e perante outros auditórios, o Papa expressou-se também sobre o Renovamento:

“Através do Espírito a Igreja conserva uma vitalidade sempre jovem. E o Renovamento é a manifestação eloquente desta vitalidade hoje, é uma expressão vigorosa do que o Espírito está a dizer às Igrejas. Por outro lado, o dinamismo e a generosidade destes grupos não deveria impedir outras iniciativas na animação das comunidades paroquiais. Mas, com o discernimento que convém, pode-se falar de uma graça destinada a santificar a Igreja, a renovar nela o gosto pela oração, a fazer redescobrir, com o Espírito Santo, o sentido da gratuidade, do louvor alegre, da confiança na intercessão, e a converter-se numa nova fonte de evangelização...”


O Papa tem dirigido palavras de incentivo ao Renovamento, mas também indicou alguns perigos que podem rodeá-lo. Em 23 de Novembro de 1980, João Paulo II recebeu 18 000 membros do Renovamento italiano e, entre muitas outras coisas, pronunciou as seguintes palavras:

“Que perspectivas tão amplas se abrem, filhos queridos, diante dos nossos olhos! Certamente não faltam perigos, porque a acção do Espírito Santo se desenrola em vasos de barro (2Cor 4,7), que podem reprimir a sua livre expansão. Vós conheceis quais são: uma excessiva importância dada, por exemplo, à experiência emocional do divino; a busca desmedida do “espectacular” e do “extraordinário”; a cedência a interpretações apressadas e desviadas da Escritura; uma viragem intimista que evita o compromisso apostólico, a complacência narcisista que se isola e se fecha. Estes e outros são os perigos que assomam ao vosso caminho, e não só ao vosso. Digo-vos como S. Paulo: ‘Examinai tudo e retende apenas o que for bom’ (1Tes 5,21)...”

João Paulo II insistiu muito para que os dirigentes do Renovamento tomem iniciativas para criar laços de confiança e de cooperação com os bispos, a quem incumbe a responsabilidade pastoral de guiar o corpo de Cristo, incluindo o Renovamento. E incentivou os sacerdotes a prestar os seus serviços aos grupos do Renovamento.


Pe. Vicente Borragán Mata, OP
in “Como um Vendaval... O Renovamento Carismático”, ed. Pneuma


Fonte:www.pneuma-rc.pt

A ESPIRITUALIDADE DA TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO E DAS CEB’s:


O objetivo principal deste texto e dos outros que virão é explicar, é esclarecer, para a juventude que participa das comunidades eclesiais de base o que é a Espiritualidade da Libertação (EdL) e a Teologia da Libertação (TdL), quem são seus principais teóricos e pensadores, e como elas e eles ajudam na caminhada e na construção da Civilização do Amor.


A EdL e a TdL se originaram da e na experiência das primeiras comunidades cristãs na divulgação do Evangelho do Moreno de Nazaré, passando pela iniciativa da Ação Católica Geral e Especializada até se tornarem um movimento extraordinário na segunda metade do século XX na América Latina.


Começam a germinar de fato nos desdobramentos do Concílio Ecumênico Vaticano II (1962 – 1965), com a abertura da Igreja Católica à modernidade, se afirmavam termos como: a Igreja dos Pobres, aggiornamento, sinais dos tempos.


O grande nome do Concílio Vaticano II foi o arcebispo de Recife e Olinda: D. Hélder Pessoa Câmara, que alguns anos antes havia criado a CNBB e o CELAM; o arcebispo não fez nenhum discurso, seu trabalho era de articulação e organização nos bastidores, ou melhor, nas catacumbas. D. Hélder foi um dos mentores do Pacto das Catacumbas, uma declaração de extrema beleza, ternura e despojamento, assinado por bispos, que tinham como maior objetivo servirem humildemente, sem nenhuma pompa, honrarias ou benefícios o Povo Santo de Deus.

Assim pensam os Teólogos da Teologia da Libertação:

“Na América Latina, o ateísmo nunca foi o principal problema. O problema de ontem e de hoje é a pobreza institucionalizada (econômica e politicamente), que é uma afronta ao Deus Abbá de Jesus de Nazaré; a vivência religiosa irá exigir nos anos seguintes ao Concílio uma gradual e radical transformação da sociedade.”

Os novos ares soprados pelo Concílio chegaram na América Latina e deram frutos saborosos com a Conferência dos Bispos em Medellín (1968 – Colômbia). Estava jogada no chão adubado com sangue de Nossa América, as sementes da EdL e da TdL.

Em 1971, o padre Gustavo Gutiérrez escreve a obra fundante: Teologia da Libertação – Perspectivas; dando início a uma série de novos e intensos escritos a partir e sobre a EdL e a TdL.


Do lado protestante, os primeiros escritos nesta direção brotam do coração de Rubem Alves.


Em 1972, o franciscano Leonardo Boff escreve Jesus Cristo Libertador, iniciando no Brasil todo o debate em torno da EdL e de sua TdL.

Em 09 de abril de 1986, o Beato João Paulo II escreveria a CNBB uma carta com estas palavras:

“Na medida em que se empenha por encontrar aquelas respostas justas,penetradas de compreensão para com a rica experiência da Igreja neste País, tão eficazes e construtivas quanto possível e ao mesmo tempo consonantes e coerentes com os ensinamentos do Evangelho, da Tradição viva e do perene Magistério da Igreja,estamos convencidos, nós e os Senhores, de que a Teologia da Libertação é não só oportuna mas útil e necessária. Ela deve constituir uma nova etapa, em estreita conexão com as anteriores ,daquela reflexão teológica iniciada com a tradição apostólica e continuada com os grandes padres e doutores, com o magistério ordinário e extraordinário e, na época mais recente, com o rico patrimônio da Doutrina Social da Igreja, expressa em documentos que vão da Rerum novarum à Laborens exercens.”




*Emerson Sbardelotti - Estudante de Teologia, Historiador, Turismólogo -Coordenador Teológico do Instituto João Maria Vianney - Teologia para Leigos e Agente de Pastoral Leigo da Paróquia Nossa Senhora da Conceição Aparecida – Cobilândia, Vila Velha - ES
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Neste Apostolado promovemos a “EVANGELIZAÇÃO ANÔNIMA", pois neste serviço somos apenas o Jumentinho que leva Jesus e sua verdade aos Povos. Portanto toda honra e Glória é para Ele.Cristo disse-nos:Eu sou o caminho, a verdade e a vida e “ NINGUEM” vem ao Pai senão por mim." ( João, 14, 6).Como Católicos,defendemos a verdade, contra os erros que, de fato, são sempre contra Deus.Cristo não tinha opiniões, tinha verdades, a qual confiou a sua Igreja, ( Coluna e sustentáculo da verdade – Conf. I Tim 3,15) que deve zelar por elas até que Cristo volte.Quem nos acusa de falta de caridade mostra sua total ignorância na Bíblia,e de Deus, pois é amor, e quem ama corrige, e a verdade é um exercício da caridade.Este Deus adocicado,meloso,ingênuo, e sentimentalóide,é invenção dos homens tementes da verdade, não é o Deus revelado por seu filho: Jesus Cristo.Por fim: “Não se opor ao erro é aprová-lo, não defender a verdade é nega-la” - ( Sto. Tomáz de Aquino)

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