Por *Francisco José Barros Araújo
É preciso entender que o inquestionável dogma da
Virgindade Perpétua de Maria, não trata sobre José, ou seja, se o mesmo tinha
ou não filhos anteriores a Maria. Este tema na teologia e na tradição é uma questão em aberto, ou
seja, não se chegou ainda a um veredito definitivo por parte da Igreja.
A tradição nos diz que José era já de idade avançada, quando se casou com Maria
(tradição que nasce de livros apócrifos e não dos evangelhos). Por causa disso,
sobretudo na Igreja Ortodoxa, já desde o Século III, nasceu a tradição segundo
a qual se afirma que os "irmãos de Jesus" (Tiago, José, Simão e Judas
- Veja Mateus 13,55 e Marcos 6,3), na verdade, eram filhos de um casamento de
José antes de ter sido esposo de Maria. Nesse caso José teria casado com Maria
depois de ter ficado viúvo. Esta tese foi defendida também por antigos pais da
igreja tais como: Orígenes, Eusébio de Cesaréia, Epifânio, Ambrósio e outros, segundo
a qual José era viúvo quando se casou com Maria, e os aludidos irmãos e irmãs
eram filhos de seu matrimônio anterior, com uma tal Melca ou Esca, chamada por
outros Salomé.Os
protestantes também têm sua própria lista, é melhor chamá-la de “pretensa
lista, de citações de Pais da Igreja”. Os citados quando não têm seus
textos falseados são hereges que só, por isso, não merecem nenhuma atenção! Os
mencionados são: Irineu, Tertuliano, Santo Eusébio, Santo Epifânio, Hegesipo,
Helvídeo, Vigilâncio, Joviniano e pasmem!!! Nestório. Tertuliano primeiramente
defensor assíduo da fé cristã, depois no fim da vida acaba por se tornar um herege
montanista. Santo Agostinho nos informa que Tertuliano, por fim, acaba
por fundar uma seita própria, e o próprio Santo Agostinho diz ter trazido de
volta ao seio da Igreja seus últimos adeptos. [Os Padres da Igreja - séc I – IV
/ Jacques Liébaert]
O «Protoevangelho de Tiago» afirma que José era originário de
Belém e, antes do matrimónio com a Virgem Maria, seria casado com uma mulher
com quem teve seis filhos: quatro homens (Judas, José, Tiago e Simão) e duas
mulheres (Lísia e Lídia). No entanto, teria ficado viúvo muito cedo e com os
filhos para educar. José era já de idade avançada, quando se casou com Maria (tradição que nasce de livros apócrifos e não dos
evangelhos). Por causa disso, sobretudo na Igreja Ortodoxa, já desde o
Século III, nasceu a tradição segundo a qual se afirma que os "irmãos de
Jesus" (Tiago, José, Simão e Judas - Veja Mateus
13,55 e Marcos 6,3), na verdade, eram filhos de um casamento de José antes de
ter sido esposo de Maria. Nesse caso José teria casado com Maria depois
de ter ficado viúvo. Nos escritos dos primeiros séculos
era dominante a ideia de que o pai adotivo de Jesus (São José, o justo), era já
idoso quando ficou noivo de Maria. Isso tem origem sobretudo nos relatos de
evangelhos apócrifos. O principal deles é o Protoevangelho de Tiago, em que um
diálogo mostra São José receoso de aceitar a ideia do noivado. Viúvo e
com filhos do primeiro casamento, ele temia que a grande diferença de idade
entre Maria e ele o tornasse alvo da zombaria popular. Embora comunique
sagradas verdades da tradição oral, esse texto apócrifo não é confiável em todo
o seu conteúdo. A narrativa do “José idoso” influenciou
bastante a arte cristã, como podemos ver nas numerosas imagens do santo
carpinteiro com as características físicas de um avô. Ao lado dessa
corrente, havia também os artistas que apresentavam São José como um jovem
cheio de vitalidade. Alguns dos padres antigos se
manifestaram em oposição à tese de que o padroeiro carpinteiro era velho e
viúvo, e tinha filhos de seu primeiro casamento. O mais célebre deles é São
Jerônimo (séc. IV e V), que defendia ainda que São José se casou virgem. No
século XIII, Santo Tomás de Aquino seguiria a mesma linha de Jerônimo. Santo
Epifânio de Salamina (séc. IV) não se contentou somente em descrever São José
como ancião: se empolgou na narrativa e estabeleceu que ele tinha mais de 80
anos! quando ficou noivo de Maria. Os apócrifos, por
sua vez, diziam que ele tinha 70 anos. A suposição de Epifânio nos parece-nos
improvável, já que contraria inclusive a tradição rabínica vigente naqueles
tempos: “a sabedoria dos rabinos fornecia aos pais excelentes conselhos: não
era prudente casar uma jovenzinha com um velho”. Porém, em vez proteger a honra
de Maria, o casamento com um homem tão velho poderia ter o efeito contrário:
algumas pessoas do povo poderiam duvidar que ele fosse mesmo o pai de Jesus! É
importante também, considerar que, colocando a jovem Maria sob os cuidados de
um idoso, os sacerdotes do Templo estariam expondo-a ao risco de se tornar
viúva em breve (o que era uma situação de grave desassistência social). Será
mesmo que essa teria sido uma escolha provável e prudente?










