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O que é mais seguro: Seguir os ditames da Razão ou do Coração?

Written By Beraká - o blog da família on quarta-feira, 23 de setembro de 2020 | 14:49

 




Muitas vezes somos tachados de racionalistas demais, ou sentimentalistas ao extremo, agindo por impulsos, instintos e intuições. Santo Anselmo dizia que a verdade está no meio. Coloco aqui um exemplo inicial para esta reflexão: Estavam em uma capela dois frades rezando em seu turno, de repente faltou energia, então um dos frades disse: “Deus está suscitando em meu coração para intensificarmos nossas orações para que a energia volte”, o outro porém disse: “Bom, enquanto você reza de forma mais intensa eu vou ver o disjuntor, pode ter desligado por alguma sobrecarga e vou religar...” Este exemplo mostra como é preciso equilíbrio em nossas ações, não negando uma coisa lícita em detrimento de outra também, licita, colocando dicotomia onde deveria existir colaboração.

 

 

Blaise Pascal sem querer desmerecer o conjunto da obra, levou toda uma geração a basear suas decisões pelo coração (emoções). Ele dizia:

 

"A razão age com lentidão e com tantas vistas e sobre tantos princípios, os quais é preciso que sejam sempre presentes, que a toda hora adormece e se afasta por não ter todos esses princípios presentes. O sentimento não age assim: age num instante e está sempre pronto a agir. É preciso, pois, pôr nossa fé nos sentimentos do coração; de outro modo, ela será sempre vacilante".

 

 

 

Ora, todos sabemos que Pascal era um membro da seita jansenista. O Jansenismo desprezava a razão e colocava o coração acima dela. Dai Pascal ter escrito:

 

 

"O coração tem razões que a própria razão desconhece"

 

Isso é completamente falso. Deus nos fez seres inteligentes. Em nossa alma, possuímos três faculdades ou potências:

 

1)-A inteligência.

 

2)-A vontade.

 

3)-A sensibilidade.

 

 

A inteligência e a vontade são a imagem de Deus em nós, porque Deus tem Inteligência e Vontade Infinitas.

 

 

A inteligência é o maior dom natural de Deus para nós. Deus nos revelou verdades sobre Ele mesmo, e essas verdades são dirigidas a nossa inteligência, e captadas por ela. Por isso, Jesus mandou a seus Apóstolos, dizendo: "Ide e ensinai a todos". Portanto, ordenou que os Apóstolos ensinassem verdades a nossas inteligências.

 

 

Pascal nega o que Cristo afirmou. Portanto, Pascal mentiu. Também São Paulo nos diz; "A Fé vem pelo ouvido" (Rom 10, 17). Portanto, aprendemos a verdade que nos é ensinada pelo ouvido, e nunca pelo sentimento. Também São Pio X, na encíclica Pascendi, condenou a tese modernista de que a Fé é um sentimento. (Recomendamos a leitura desta encíclica que pode ser encontrada no site Vatican.va)

 

 

Por fim, é preciso fazer saber que os hereges, quando falam do "coração" não se referem propriamente ao órgão do corpo humano que tem esse nome, nem se referem propriamente aos sentimentos em sentido comum. Coração, para eles, seria uma partícula divina que existiria homem, e em todas as coisas. Essa partícula divina era o que os gnósticos chamavam de pneuma, éon, chamazinha, centelha divina, centrum, etc. Era essa partícula-centro divino do homem, que seria preciso sentir, ter um contato experimental com ela.

 

 


O CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA AFIRMA MAGISTERIALMENTE SOBRE A RAZÃO:

 

 

CIC §35: As faculdades do homem o tomam capaz de conhecer a existência de um Deus pessoal. Mas, para que o homem possa entrar em sua intimidade, Deus quis revelar-se ao homem e dar-lhe a graça de poder acolher esta revelação na fé. Contudo, as provas da existência de Deus podem dispor à fé e ajudar a ver que a fé não se opõe à razão humana.

 

 

CIC §36: "A santa Igreja, nossa mãe, sustenta e ensina que Deus, princípio e fim de todas as coisas, pode ser conhecido com certeza pela luz natural da razão humana a partir das coisas criadas". Sem esta capacidade, o homem não poderia acolher a revelação de Deus. O homem tem esta capacidade por ser criado "à imagem de Deus".

 

 

CIC §37: Todavia, nas condições históricas em que se encontra, o homem enfrenta muitas dificuldades para conhecer a Deus apenas com a luz de sua razão: "Pois, embora a razão humana, absolutamente falando, possa chegar com suas forças e lume naturais ao conhecimento verdadeiro e certo de um Deus pessoal, que governa e protege o mundo com sua Providência, bem como chegar ao conhecimento da lei natural impressa pelo Criador em nossas almas, de fato, muitos são os obstáculos que impedem a mesma razão de usar eficazmente e com resultado desta sua capacidade natural. As verdades que se referem a Deus e às relações entre os homens e Deus são verdades que transcendem completamente a ordem das coisas sensíveis e quando estas verdades atingem a vida prática e a regem, requerem sacrifício e abnegação. A inteligência humana, na aquisição destas verdades, encontra dificuldades tanto por parte dos sentidos e da imaginação como por parte das más inclinações, provenientes do pecado original. Donde vemos que os homens em tais questões, facilmente procuram persuadir-se de que seja falso ou ao menos duvidoso aquilo que não desejam que seja verdadeiro"

 

 

CIC §38: Por isso, O homem tem necessidade de ser iluminado pela revelação de Deus, não somente sobre o que ultrapassa seu entendimento, mas também sobre "as verdades religiosas e morais que, de per si, não são inacessíveis à razão, a fim de que estas no estado atual do gênero humano possam ser conhecidas por todos sem dificuldade, com uma certeza firme e sem mistura de erro".

 

 

CIC §39: Ao defender a capacidade da razão humana de conhecer a Deus, a Igreja exprime sua confiança na possibilidade de falar de Deus a todos os homens e com todos os homens. Esta convicção esta na base de seu diálogo com as outras religiões, com a filosofia e com as ciências, como também com os não-crentes e os ateus.

 

 

 

A razão nos foi dada por Deus Nosso Senhor para pesquisar e conhecer as verdades naturais

 

 

A Ciência procura conhecer as leis que Deus colocou na natureza. Sendo Deus o autor dessas leis, e sendo Deus o revelador das verdades da Fé - não sendo possível haver contradição em Deus - jamais as verdades da Fé estarão em contradição com as verdades científicas ou racionais. Se houver algum choque, só pode ser por erro da ciência dos homens, nunca, jamais da parte de Deus ou da Igreja, que são infalíveis. E é o que a História tem demonstrado. Sempre que a Ciência tentou negar a Fé ficou provado que ela errara. Veja, por exemplo, a questão da geração espontânea. Veja as falsificações dos fósseis para provar a origem simiesca do homem. Veja a confusão atual da doutrina evolucionista, que se meteu, e está hoje entalada, num pantanal de contradições.

 

Há dois erros opostos quanto ao valor da razão:

 

1)-Racionalismo: O racionalismo pretende que a razão humana é capaz de tudo compreender. Ora, isso é um absurdo.Cada homem compreende que a sua inteligência é limitada. Se todo  homen tem inteligência limitada, é impossível que a humanidade tenha razão ilimitada.Mesmo um autor insuspeito como Karl Popper confessou que: "O racionalismo é uma fé irracional na razão". Essa "Fé" irracional na razão se manifesta no marxismo, no positivismo, no cartesianismo, e na Teologia da Libertação.

 

 

2)-Irracionalismo: O irracionalismo nasce dos fracassos do racionalismo e do cientificismo. Exagerando na direção oposta, o irracionalismo nega qualquer valor à razão. Nos tempos modernos, Lutero chamou a razão de "a meretriz louca". Esse negação da luz da razão, que Deus colocou em todo homem que vem ao mundo, conduz a movimentos e filosofias anti-racionais. Exemplo típico do irracionalismo moderno foi o nazismo. Outros exemplos de irracionalismo podem ser encontrados nas seitas supostamente místicas e pentecostais, que colocam a emoção, o sentimento acima da razão. Hoje, temos exemplo claro desse irracionalismo, no movimento pentecostal que não aceita argumentos racionais, mas apenas sentimentos. Acima da Fé, da verdade e da razão os pentecostais, mesmo católicos, por falta do conhecimento pleno das verdades da fé, muitas vezes colocam a "experiência" pessoal e individual, acima da razão. Daí o irracionalismo de muitas manifestações e orientações equivocadas neste movimento, levando muitos ao fanatismo religioso que é diferente de radicalismo (com raiz).

 

Enfim, a razão tem valor sim, mas ela deve estar sempre subordinada à fé. A Fé é uma luz superior à da razão. Ela permite "ver" o que a razão não alcança, mas, por vezes, em certos problemas pode entrever. Quanto ao fato de que "como humanos somos dotados de instintos", pelo fato de sermos, por natureza, animais racionais, não há dúvida. Mas a propagação da espécie não é classificada como um instinto puramente biológico, pois, por bom senso, não é necessária à vida. A propagação da espécie, coloca Atkinson (Atkinson, Introdução à Psicologia, Artmed, Porto Alegre, 1995, p. 317), "não envolve um déficit interno que precisa ser regulado e sanado (como a fome ou a sede), para que o organismo sobreviva". Logo, ele não é necessário, muitos podem escolher abster-se dele, como fazem os religiosos e padres. Porém, numa tentação, por exemplo, há áreas no cérebro que são ativadas sem nosso consentimento que controlam, prazer, emoção e desejo. Ora, já dizia S. Agostinho, um grande "psicólogo" (Leia "As confissões") que uma coisa é sentir, outra é consentir. Ele diz que há três fases na tentação:

 

1ª)-A sugestão.

 

2ª)-O deleite.

 

3ª)-E por fim o consentimento (cf. pe. Correia "A vida espiritual", A cultural, Lisboa, 1946).

 

 

A sugestão é a apresentação do objeto apetecível, digamos, um belo bolo de chocolate. O deleite é o que me agrada nele e o que isso suscita em mim, por exemplo, a salivação. A salivação é o exemplo de comportamento que não podemos controlar racionalmente, como você colocou. Ele acontece frente a determinado estímulo.Agora, vamos supor que há arsênico neste bolo e que eu sei disso. Minha inteligência me diz para eu não comer, apesar do desejo, das emoções, etc. Então minha vontade toma uma resolução: não vou comer o bolo. Ela recusou o seu consentimento e consequentemente, o ato, evitando minha morte.

 

 

"Quanto ao deleite que pode seguir à tentação, é muito de notar que o homem tem em si como que duas partes, uma inferior e outra superior, e que a inferior nem sempre se conforma à superior. Disto decorre que a parte inferior se deleita numa tentação sem o consentimento da parte superior ou mesmo mau grado seu. Este é justamente o combate que S. Paulo descreve dizendo que " a carne deseja contra o espírito, etc." (S. Francisco de Sales diz na Filotéia - p. 371)

 

 

O que não quer dizer que não tenhamos controle racional dos nossos atos ou mesmo controle de alguns tipos de deleitações e da intensidade delas. A parte superior (a vontade) sempre dá a última palavra: sim ou não.

 

 

"o mancebo citado por S. Jerônimo (...) estava preso por cordões e foi tentado por uma mulher (...) quanto deve ter sofrido seus sentidos e sua imaginação! Entretanto no meio das tentações, ele testemunhava que seu coração não estava vencido e sua vontade não consentia de modo algum; pois sua alma, vendo tudo revoltado contra ela e até de seu corpo não tendo nenhuma parte à sua disposição exceto a língua, ele a cortou com os dentes e a lançou no rosto da mulher"(S. Francisco de Sales, op. cit., p. 373).

 

 

Nós podemos sim, enquanto humanos, sempre dominar pela razão os nossos atos, mesmo que não possamos impedir uma certa deleitação. Mas, diante de qualquer tentação, sempre existe a possibilidade de se fechar os olhos, tapar os ouvidos, virar as costas e ir embora, ou mesmo distrair-se, pensar em outra coisa. Portanto não só não é erro que nós podemos controlar-nos pela razão, como é isso que permite que sejamos responsáveis por nossos atos e não um joguete de emoções. Senão não passaríamos de macacos! É porque a vontade toma as decisões que dizemos que os homem têm vícios ou virtudes. Logo, está errado ao se colocar que “consiste em erro epistemológico dizer que racionalmente poderíamos controlar áreas específicas e inespecíficas com a razão e a consciência”. Nós controlamos a nós mesmos, nós é que deixamos os olhos abertos, os ouvidos destapados de modo que os estímulos do meio estimulem ou não as áreas do cérebro! 

 

 

Conselhos errados que as pessoas dão: “Siga o seu coração”

 

(Por Ana Paula Severiano)

 

 

 

É o clássico conselho-clichê: diante de um impasse grande, abandone a lista de prós e contras, feche os olhos e ouça o seu feeling. O fato é que não cabe a você optar por emoção ou razão. Seu cérebro se encarrega de misturar as coisas. Escrever com caneta preta ou azul? Ir de calça ou bermuda? Casar com a namorada de anos ou largar tudo para procurar a verdadeira paixão? Você provavelmente já reparou que passamos boa parte da vida tomando decisões, das mais banais às mais complexas. O que nos diferencia dos outros mamíferos é nosso cérebro com um córtex frontal altamente desenvolvido, área responsável por inteligência, moral e capacidade de analisar e comparar fatos antes de uma decisão.

 

 

Nosso poder de racionalizar e usar a lógica para fazer boas escolhas é motivo de exaltação e estudo há séculos – dos filósofos gregos aos neurocientistas, passando pela inteligência artificial, que tenta reproduzir essa capacidade racional em máquinas. Por que diabos, então, basta você se ver diante de um dilema mais profundo para alguém vir recomendar que você siga o seu coração?

 

 

 

Se quiser responder com propriedade, você pode explicar que a ciência já comprovou que a tomada de decisão não é uma dicotomia e que não dá para optar entre usar apenas a razão ou seguir seu coração. Diversas pesquisas já mostraram que cada decisão depende de um bem-bolado entre a experiência pessoal, o instinto e a razão – em combinações e intensidades desencadeadas por uma série de fatores. Ou seja, mesmo na cabeça da mais passional das pessoas ou do mais cartesiano dos sujeitos, o processo de decisão não ocorre de forma isolada.

 

 

O que acabou com a antiga divisão radical entre razão e emoção foi uma parte do cérebro descoberta na década de 1980 pelo neurocientista António Damásio, autor do livro O Erro de Descartes: o córtex orbito-frontal. Localizado atrás dos olhos, ele faz a comunicação entre o cérebro primitivo (inconsciente) e o córtex pré-frontal (consciente). Ou seja, mesmo que você se considere tão objetivo quanto um personagem da série The Big Bang Theory, seus sentimentos sempre entram em campo para dar uma força. Sem esse equilíbrio, você passaria a tarde no restaurante por quilo sem saber se deveria colocar no prato arroz integral ou branco, frango ou carne. Pior: sem essa conexão com o lado sentimental, você nem sofreria com o impasse.

 

 

“A expansão do córtex frontal durante a evolução humana não nos tornou criaturas puramente racionais. Uma parte significativa dessa área do cérebro está envolvida com a emoção”, diz o jornalista especialista no tema, Jonah Lehrer, que escreveu O Momento Decisivo.

 

 

Hoje se sabe que, quando temos que tomar uma decisão pá-pum, o que mais pesa é a experiência

 

 

Tudo o que vivemos fica registrado e catalogado em uma área do cérebro chamada centro de recompensas: se no passado você tomou uma decisão acertada, quando estiver diante de uma situação semelhante, seu cérebro vai conspirar para que você escolha o caminho de repetir o sucesso. Isso aconteceria graças à liberação de dopamina, neurotransmissor associado ao bem-estar, que avisa às demais partes do cérebro como agir. É graças a ela que um jogador sabe, sem fazer conta, qual é o melhor jeito de chutar no gol – claro que existem outras variáveis em jogo, mas o seu inconsciente terá feito a parte dele para influenciar o placar.

 

 

Quando a decisão tem a ver com a sobrevivência da espécie, quem manda mais é o instinto. Leia-se: impulsos enviados pela amídala e pela ínsula anterior (relacionada à repulsa e à raiva) e processados pelo córtex pré-frontal.Eles fazem você agir para salvar alguém de um atropelamento ou levantar a mão quando encosta numa chapa quente. Já a razão seria protagonista quando se avaliam dilemas com visão de longo prazo, do tipo casar ou comprar uma bicicleta: aí tendemos a desligar o piloto automático e caprichar na comparação de prós e contras.

 

 

 

É claro que nosso cérebro nos prega peças!

 

 

No seu mais novo livro, Thinking, Fast and Slow, o psicólogo ganhador do Prêmio Nobel de Ciências Econômicas de 2002, Daniel Kahneman, mostra como vários equívocos acontecem ao nos deixarmos levar pela confiança e pelos preconceitos – ou seja, quando damos crédito demais ao tal feeling a ponto de ignorar a lógica. Em um de seus estudos mais famosos, Kahneman apresentava aos voluntários uma personagem fictícia, a estudante Linda: solteira, franca, brilhante, preocupada com justiça social e discriminação. Ao ouvir a descrição, os participantes tinham que dizer se ela era “caixa de banco” ou “caixa de banco e ativa no movimento feminista”. Ele realizou esse estudo por décadas, com diferentes grupos, e constatou que a maioria escolhia a segunda alternativa, sem perceber que a primeira já seria uma resposta correta – e mais segura. Até mesmo alunos da Escola de Negócios de Stanford, com formação em probabilidade, ignoraram seus conhecimentos de que adicionar um detalhe só diminuiria a chance de acerto nesse caso: 85% apostaram no engajamento de Linda.

 

 

Pense duas vezes antes de escolher

 

 

Embora a tendência seja tomar decisões fáceis por impulso, estudiosos como Lehrer defendem que há escolhas cotidianas que podem se beneficiar de uma deliberação mais consciente. Em uma experiência, cientistas da Universidade de Amsterdã mostraram a pessoas que queriam comprar carros avaliações de 4 veículos, cada uma com 16 informações organizadas em 4 categorias (parte mecânica, estado de conservação etc.). Um dos carros tinha mais características positivas e, por isso, era a melhor opção de compra. Parte dos potenciais compradores teve um tempo para se dedicar a pensar sobre sua escolha depois de ler as descrições. No outro grupo, foram estimulados a se divertir com jogos de palavras cruzadas depois de ler as avaliações – até que os pesquisadores interromperam a brincadeira e os fizeram escolher o carro na lata. Triunfou a razão: perto de 60% dos participantes do primeiro grupo escolheram o melhor carro. No grupo da decisão-relâmpago, 40%. Já quando uma questão tem muitas variáveis complexas, pouco sistematizadas, viu-se que não adiantava quebrar a cabeça. Quando os carros foram avaliados em 20 categorias com 48 informações diferentes sobre cada um, a coisa mudou de figura: menos de 25% dos participantes que agiram conscientemente fizeram a escolha certa. O grupo que decidiu na lata obteve 60% de sucesso. Para os pesquisadores do time Ap Dijksterhuis, a lição para situações complexas assim é:

 

 

“Use a mente consciente para obter toda a informação que precisa para decidir. Mas não tente analisar essa informação com a mente consciente”. Em miúdos: depois de fazer a apuração cuidadosa de dados, vá se distrair e deixe seu inconsciente trabalhar.

 

 

 

O estudo holandês foi bastante questionado, mas outro experimento de 2011 divulgado na Emotion, publicação da Associação Americana de Psicologia, aponta para a mesma direção. Pesquisadores da Universidade de Cornell, no Reino Unido, refizeram o teste dos carros, mas dividindo os voluntários em dois grupos – um do sentimento e outro do detalhe. O primeiro pensava em como as características dos carros mexiam com seus sentimentos (bancos de couro fazem você se achar mais poderoso?) e o segundo tinha que se lembrar das características objetivas de cada veículo. O resultado dos holandeses se repetiu: quando a decisão era simples (16 informações diferentes sobre cada carro), as pessoas focadas nos detalhes se saíram 20% melhor do que as focadas nos sentimentos. Já quando foram postas em jogo as descrições com mais informação, 70% dos focados no sentimento escolheram o melhor carro. Estratégias afetivas parecem, sim, ajudar nas decisões complexas. Mas isso não significa que você não precisa raciocinar junto, ou que conseguirá evitar a lógica.

 

 

O instinto é necessário quando estamos em uma situação de emergência e precisamos garantir a integridade do nosso corpo. Porém, esses atalhos cerebrais que nos fazem agir por impulso são passíveis de equívocos e não servem para decisões de longo prazo. Uma experiência feita na Escola de Administração e Economia da Universidade de Maastricht mostrou que, quando o assunto é dinheiro, é melhor pensar um pouquinho mais. No teste, dois voluntários eram chamados de jogador A e jogador B. O jogador A recebia US$ 10 e podia oferecer uma parcela dessa grana ao jogador B – 1, US$ 2, 5, por exemplo. As regras estavam claras para ambos: se o jogador B aceitasse, os jogadores A e B levariam a grana que estivesse na mão de um ou outro; se rejeitasse, os dois ficariam com zero. Das 168 pessoas envolvidas no experimento, quase todas que decidiram sem tempo para pensar rejeitaram a oferta quando ela era de apenas US$ 1 – mesmo que, veja bem, ganhar US$ 1 seja melhor que nada. Quando tinham que responder a um questionário qualquer antes de dar a resposta sobre a oferta do jogador A, mais de 75% dos participantes aceitaram o mesmo US$ 1. Analisando conclusões de outros estudos de imagens do fluxo sanguíneo no cérebro quando recebemos uma proposta que não parece vantajosa, os pesquisadores associaram os resultados da pesquisa a uma ativação imediata da ínsula anterior. Dar um tempo antes de responder faz com que outras partes do cérebro entrem em ação e a lógica dê o recado: antes um pássaro na mão do que dois voando.

 

 

Um experimento de pesquisadores da Universidade da Flórida e da Universidade da Pensilvânia tentou entender por que perdemos tanto tempo, por exemplo, decidindo entre a marca A e a marca B de pasta de dente no supermercado – especialmente quando as gôndolas não estão lá muito organizadas. Eles dividiram voluntários em dois grupos: o primeiro recebeu uma lista com opções de voo escritas em um papel com letras miúdas, e o segundo, as mesmas opções em letras grandes e bastante visíveis. Não havia vantagem considerável entre os voos. Os do primeiro grupo, claro, levaram mais tempo para indicar que voo escolheriam, mas não só porque sua lista era mais difícil de ler. Aparentemente, esse esforço extra fez o cérebro cometer um equívoco e entender que essa era uma decisão do tipo importante. Por isso, a turma das letras miúdas deliberou por um tempo maior e de forma mais complexa sobre o assunto do que o grupo que recebeu o papel mais legível.

 

 

Para saber mais: “O Momento Decisivo, de Jonah Lehrer”

 

 


 











CONCLUSÃO


 

Não tem como evitar o conflito entre o que você quer e o que você deveria fazer. Devemos sim evitar os extremos, afinal se formos somente emoção iremos nos decepcionar muito, nos envolvendo em situações difíceis. Já o excesso de racionalismo pode nos privar de viver boas experiências e de aprender com os erros. É importante o equilíbrio entre ambos. Está claro que sua a maioria das decisões se refere ao afetivo, então, utilize seu lado racional para avaliar os riscos, as vantagens, se é uma relação que vale a pena viver, porque seu lado emocional deve querer viver a situação, mas tem medo de se machucar, de não ser correspondido, de dar tudo errado, mas mesmo assim, valer a pena. O trabalho do analista ou aconselhador, consiste em despertar aquilo que já existe dentro da pessoa. É a arte de despertar o sujeito para seu potencial criativo genuíno. A finalidade não é curar, e sim favorecer o crescimento interior por meio das dificuldades pessoais. No decorrer do trabalho analítico há a proposição de que pelo falar, pelo escutar e pelo fazer criativo nos confrontamos com nós próprios. Pôr-se em processo analítico é possibilitar o existir permeável a outros saberes. É despertar para o próprio caminho de vida como processo natural com sentido, finalidade e objetivo; é a experiência interior. A experiência interior se torna experiência de vida quando vivida com todas as suas implicações. O acompanhamento tem como objetivo auxiliar pessoas que sofrem ou estão com dificuldades na vida e não conseguem resolver algo sozinhas. Na terapia o analisando é convidado a, num espaço seguro e sigiloso, explorar seus afetos, pensamentos e fantasias que compõem o cenário de seu sofrimento. Este processo possibilita que o analisando se familiarize com os sintomas que produz tanto a nível INTELECTUAL como EMOCIONAL, você precisa integrar esses dois elementos, pois um diz respeito a sua capacidade intelectual e o outro a sua competência Emocional, ou seja, usando adequadamente o seu QI e seu QE, o discernimento para decidir acontecerá com mais sabedoria e eficácia.



Encerramos com esta exortação de Nosso Senhor Jesus Cristo, que apesar de em várias ocasiões nos motivar a sermos pessoas de fé, nos orienta a decidir e agir de forma prudentes e racional:



"Qual de vocês, se quiser construir uma torre, primeiro não se assenta e calcula o preço, para ver se tem dinheiro suficiente para completá-la? Pois, se lançar o alicerce e não for capaz de terminá-la, todos os que a virem rirão dele, dizendo: ‘Este homem começou a construir e não foi capaz de terminar’. "Ou, qual é o rei que, pretendendo sair à guerra contra outro rei, primeiro não se assenta e pensa se com dez mil homens é capaz de enfrentar aquele que vem contra ele com vinte mil?  (Lucas 14,28-31)

 

 

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Neste Apostolado promovemos a “EVANGELIZAÇÃO ANÔNIMA", pois neste serviço somos apenas o Jumentinho que leva Jesus e sua verdade aos Povos. Portanto toda honra e Glória é para Ele.Cristo disse-nos:Eu sou o caminho, a verdade e a vida e “ NINGUEM” vem ao Pai senão por mim." ( João, 14, 6).Como Católicos,defendemos a verdade, contra os erros que, de fato, são sempre contra Deus.Cristo não tinha opiniões, tinha verdades, a qual confiou a sua Igreja, ( Coluna e sustentáculo da verdade – Conf. I Tim 3,15) que deve zelar por elas até que Cristo volte.Quem nos acusa de falta de caridade mostra sua total ignorância na Bíblia,e de Deus, pois é amor, e quem ama corrige, e a verdade é um exercício da caridade.Este Deus adocicado,meloso,ingênuo, e sentimentalóide,é invenção dos homens tementes da verdade, não é o Deus revelado por seu filho: Jesus Cristo.Por fim: “Não se opor ao erro é aprová-lo, não defender a verdade é nega-la” - ( Sto. Tomáz de Aquino) “Não a nós, Senhor, não a nós, mas ao vosso nome dai glória...” (Salmo 115,1)

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