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A virtude Cardeal da Prudência nas escrituras e doutrina da Igreja

Written By Beraká - o blog da família on sábado, 1 de fevereiro de 2020 | 10:33

(Figuras relativas a passagem de Mateus 14,25-35)



Música: Fé E Razão


(Celina Borges)

Foi Deus quem colocou no coração do homem o desejo da verdade;
De conhecer a Ele.

Ó fé não tenhas medo da razão!
Razão, quem te criou foi Deus!

Duas asas que nos elevam para o céu.
Duas asas que nos elevam em contemplação.

Deus sempre abençoa o esforço da busca.
Crer, nada mais é pensar querendo;
Pensar crendo e pensando crer.

O Eterno entra no tempo.
O Tudo esconde-se no fragmento!
Falar de fé não é fácil!
Nem todo o que acredita crê

A fé e a razão, a fé e a razão, razão e a fé.
A fé e a razão, a fé e a razão, razão e a fé.

Deus sempre abençoa o esforço da busca.
Crer, nada mais é pensar querendo;
Pensar crendo e pensando crer
O Eterno entra no tempo,
O Tudo esconde-se no fragmento
Deus assume um rosto humano e todos têm acesso ao Pai

A fé e a razão, a fé e a razão, razão e a fé;
Duas asas que nos elevam para o céu...





VEJA A MÚSICA ACIMA NA LINDA VOZ DE CELINA BORGES:



O que é a Virtude Cardeal da Prudência?


I Tessal 5, 21: “Examinai todas as evidências, e retende apenas o que é bom. Afastai-vos de toda a forma de mal...”


“A prudência é a virtude que dispõe o espírito para discernir, em qualquer circunstância, qual é o nosso verdadeiro bem e escolher os meios para atingi-lo” (Cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 1806).

A prudência baseia-se na memória do passado, no conhecimento do presente e, até onde é possível ao homem, na previsão das consequências da decisão. Indica a medida justa das outras virtudes, entre o excesso e a falta, entre o exagero e a carência ou mediocridade. A prudência relaciona-se com a inteligência; mais ainda, radica, segundo a tradição filosófica, na razão prática, quer dizer, na razão na medida em que se orienta e se verte na práxis, na ação. Pressupõe, porém, o desejo e o amor do bem. É isto o que distingue a prudência da astúcia, e também da prudência da carne de que fala São Paulo (cfr. Rm 8, 6).

“Daqueles que têm inteligência, mas procuram não a utilizar para descobrir e amar o Senhor. Verdadeira prudência é a que permanece atenta às insinuações de Deus e, nessa vigilante escuta, recebe na alma promessas e realidades de salvação” (conf. Amigos de Deus. 87)



A virtude da Prudência na Sagrada Escritura:



“O sábio de coração será chamado prudente” (Pr 16, 21)


Na Sagrada Escritura, a prudência aparece, em primeiro lugar, como uma propriedade de Deus:

“Eu, a Sabedoria, moro com a prudência, e descobri a arte da reflexão. O temor do Senhor odeia o mal. Detesto o orgulho e a soberba, a má conduta e a boca falsa. É meu o conselho e a prudência, são minhas a inteligência e a fortaleza” (Pr 8, 12-14).


Jó exclama:


“É em Deus que está a sabedoria e a fortaleza: Ele tem o conselho e a inteligência” (Jó 12, 13).


Em consequência é Deus que concede a prudência ao homem. Esta é, antes de tudo, um dom de Deus, uma graça:


“É o Senhor quem dá a Sabedoria, e de sua boca procedem conhecimento e prudência” (Pr 2, 6)



Para alcançar a sabedoria são necessárias, em primeiro lugar, a oração e a meditação da Palavra de Deus:


“Assim implorei e a inteligência me foi dada, supliquei, e o espírito da sabedoria veio a mim” (Sab 7, 7).


“Mas consciente de não poder possuir a sabedoria, a não ser por dom de Deus, (e já era inteligência o saber de onde vem o dom), eu me voltei para o Senhor, e invoquei-o” (Sab 8, 21)



Em Cristo, a Sabedoria de Deus encarnada, encontramos a prudência perfeita e a perfeita liberdade. Com as suas obras ensina-nos que a prudência ordena que convertamos a vida em um serviço aos outros, amigos e inimigos, por amor ao Pai; com a sua morte na cruz mostra que a verdadeira prudência leva inclusive a entregar a própria vida, em obediência ao Pai, pela salvação dos homens.


Esta prudência de Cristo parece exagero e imprudência aos olhos humanos:




Quando mostra a seus discípulos que deve ir a Jerusalém, padecer e morrer, Pedro achou isto “imprudente”, começou a interpelá-lo e protestar nestes termos:



“Que Deus não permita isto, Senhor! Isto não te acontecerá! Mas Jesus, voltando-se para ele, disse-lhe: Afasta-te, Satanás! Tu és para mim um escândalo, teus pensamentos não são de Deus, mas dos homens” (Mt 16, 22-23)




O próprio Jesus dá conselhos práticos para o nosso dia a dia no sábio uso da prudência:




Mateus 10,16: “Eu vos envio como ovelhas no meio de lobos. Sede, pois, prudentes como as serpentes, mas simples como as pombas”.




Mateus 14,25-35 - O custo de ser discípulo de Cristo: “Milhares de pessoas acompanhavam Jesus; então, dirigindo-se à multidão lhes declarou: Se alguém deseja seguir-me e ama a seu pai, sua mãe, sua esposa, seus filhos, seus irmãos e irmãs, e até mesmo a sua própria vida mais do que a mim, não pode ser meu discípulo. Da mesma forma, todo aquele que não carrega a sua própria cruz e segue após mim não pode ser meu discípulo. Porquanto, qual de vós, desejando construir uma torre, primeiro não se assenta e calcula o custo do empreendimento, e avalia se tem os recursos necessários para edificá-la? Para não acontecer que, havendo providenciado os alicerces, mas não podendo concluir a obra, todas as pessoas que a contemplarem inacabada zombem dele, proclamando: Este homem começou grande construção, mas não foi capaz de terminá-la! Ou ainda, qual é o rei que, pretendendo partir para guerrear contra outro rei, não se assenta primeiro para analisar se com dez mil soldados poderá vencer aquele que vem enfrentá-lo com vinte mil? Se chegar à conclusão de que não poderá vencer, enviará uma delegação, estando o inimigo ainda longe, e solicitará suas condições de paz. Assim, portanto, todo aquele dentre vós que não renunciar a tudo quanto de mais estimado possui não pode ser meu discípulo. Portanto, bom é o sal, mas ainda ele, se perder o sabor, como restaurá-lo? Não serve nem para o solo nem mesmo para adubo; será apenas lançado fora. Aquele que tem ouvidos para ouvir, ouça!”




Mateus 7,12-29: “Assim, em tudo, façam aos outros o que vocês querem que eles lhes façam; pois esta é a Lei e os Profetas. Entrem pela porta estreita, pois larga é a porta e amplo o caminho que leva à perdição, e são muitos os que entram por ela. Como é estreita a porta, e apertado o caminho que leva à vida! São poucos os que a encontram. Cuidado com os falsos profetas. Eles vêm a vocês vestidos de peles de ovelhas, mas por dentro são lobos devoradores. Vocês os reconhecerão por seus frutos. Pode alguém colher uvas de um espinheiro ou figos de ervas daninhas?Semelhantemente, toda árvore boa dá frutos bons, mas a árvore ruim dá frutos ruins. A árvore boa não pode dar frutos ruins, nem a árvore ruim pode dar frutos bons. Toda árvore que não produz bons frutos é cortada e lançada ao fogo. Assim, pelos seus frutos vocês os reconhecerão. Nem todo aquele que me diz: ‘Senhor, Senhor’, entrará no Reino dos céus, mas apenas aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus.Muitos me dirão naquele dia: ‘Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? Em teu nome não expulsamos demônios e não realizamos muitos milagres? ’Então eu lhes direi claramente: ‘Nunca os conheci. Afastem-se de mim vocês, que praticam o mal.’ Portanto, quem ouve estas minhas palavras e as pratica é como um homem prudente que construiu a sua casa sobre a rocha. Caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram contra aquela casa, e ela não caiu, porque tinha seus alicerces na rocha. Mas quem ouve estas minhas palavras e não as pratica é como um insensato que construiu a sua casa sobre a areia. Caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram contra aquela casa, e ela caiu. E foi grande a sua queda. Quando Jesus acabou de dizer essas coisas, as multidões estavam maravilhadas com o seu ensino, porque ele as ensinava como quem tem autoridade, e não como os mestres da lei.”





Em consequência, muitas atitudes que parecem prudentes aos olhos humanos, são na verdade tolas e imprudentes, tais como: a do homem que acumula riquezas mas esquece a sua alma (cfr. Lc 12, 16-20), a do jovem que não quer seguir Cristo porque tem muitos bens (cfr. Lc 18, 18-23), ou a do servo que guarda seu talento em vez de fazê-lo frutificar para o seu Senhor (cfr. Mt 25, 24-28). São condutas imprudentes que têm a própria raiz na falta de liberdade, na escravidão voluntária com relação aos bens temporais ou à própria comodidade (Cfr. T. TRIGO, Scripta Theologica 34 (2002/1) pp.273-307).




Os três atos próprios da prudência:


1)- O conselho (consilium).


2)- O juízo prático (iudicium practicum).


3)- E preceito (praeceptum), império (imperium) ou mandato.


Os dois primeiros são cognoscitivos e o terceiro é imperativo.O primeiro passo da prudência é o reconhecimento das nossas limitações: a virtude da humildade. É admitir, em determinadas questões, que não apreendemos tudo, que em muitos casos não podemos abarcar todas as circunstâncias que não devemos perder de vista à hora de julgar. Por isso buscamos a ajuda de um conselheiro. Não de qualquer um, mas de quem for idôneo.


Depois, é necessário julgar, porque a prudência exige habitualmente uma determinação pronta e oportuna. Se algumas vezes é prudente adiar a decisão até se completarem todos os elementos de juízo, outras seria uma grande imprudência não começar a pôr em prática, quanto antes, aquilo que vimos ser necessário fazer, especialmente quando está em jogo o bem dos outros” (Amigos de Deus, n. 86)




Para ser prudentes não basta deliberar, aconselhar-se bem e julgar retamente o que se deve fazer. É preciso pôr em prática o que se julgou conveniente. Não o fazer, omiti-lo, seria imprudente. Este ato, que consiste em pôr em prática o que se deve fazer, é o ato próprio da virtude da prudência (Cfr. S. Th. II-II, q. 47, a. 8), por isso pode-se definir a prudência como “a virtude da função imperativa da razão prática que decide diretamente a ação”(M. RHONHEIMER, La perspectiva de la moral. Fundamentos de la ética filosófica, Rialp, Madri 2000, 241. Cfr. A. RODRÍGUEZ LUÑO, La scelta ética. Il raporto fra libertà & virtù, Milão 1988, 83ss).



É precisamente nisso que se pode melhor perceber a relação íntima entre a prudência e a liberdade. Para pôr em prática o que se viu que convém fazer, é necessário não se deixar prender pelo medo, pela preguiça, por nenhuma armadilha montada pelo egoísmo ou pela soberba. Se bem que pode ser conveniente saber esperar para aconselhar-se e deliberar, uma vez que se tomou uma determinação, deve-se pô-la em prática com rapidez e diligência. Aqui a palavra diligência (de diligo, amar) diz mais do que se entende na linguagem comum. Trata-se de atuar depressa levados pelo amor ao bem.


Conheça as virtudes que estão dentro de você e transforme-as em hábitos



Santo Tomás de Aquino, citando Aristóteles, diz:


“A pedra nunca se acostuma a ser dirigida para cima (in II Ethic.lect. I).


Com isso, o Doutor Angélico quer evidenciar que a nossa natureza necessita por excelência participar da natureza divina, porque Deus cria o homem para participar de Sua Vida, e, para tanto, não pode fazer o caminho inverso ou diferente daquele que é definido por Deus para que possa fazer da vida humana uma vida que participa da divindade. A natureza humana possui forças habituais, enraizadas pelo ato da criação ou adquiridas pela repetição constante e regular de atos bons ou maus. Uma pessoa que pratica o bem fará de suas ações uma correspondência do bem; de outra monta, uma pessoa que pratica o mal irá fazer de suas ações a correspondência ao mal que ela deseja praticar.


As forças que habitam a natureza humana criada são chamadas de habitus, e tais podem ser boas ou más, podem nos levar para Deus ou nos afastar d’Ele na medida em que praticamos o mal ou o bem com nosso esforço próprio e com o auxílio divino. Todo bom hábito é chamado de virtude e todo mau hábito é conhecido por vício.


Para melhor definir, a virtude é, segundo Santo Agostinho, a disposição para o amor, compreendida como a essência e finalidade suprema do espírito humano, ou, ainda, segundo o já citado Aristóteles, é uma característica própria e definidora do ser humano, cuja realização consuma a excelência ou perfeição deste ser.Esses bons hábitos (ou virtudes) são inerentes à natureza humana, e são comuns a todos os homens indistintamente, pois são naturais assim como o homem é natural, porém sem esquecer que é o Próprio Deus que mantém e sustenta a ordem natural que Ele criou.




As virtudes, então, por serem próprias da humanidade, quando praticadas irão nos levar a viver retamente e evitaremos todo o mal, mas quando não são praticadas ou são esquecidas, iremos fazer de nossas ações um grupo imenso de vícios, ou seja, de maus hábitos que nos levam ao pecado.




Estas virtudes boas, bons hábitos, essas forças de nossa natureza que estão presentes na alma, são chamadas de virtudes cardeais, quais sejam a: Prudência, Justiça, Temperança e Força. A prudência nos leva a escolher entre o bem e o mal. É dela que Nosso Senhor Jesus Cristo ensina ao dizer: “Eis que vos mando como ovelhas no meio de lobos. Sêde, pois, prudentes como a serpente e simples como as pombas” (Mt 10, 16). Cristo proclama esse ensinamento de forma profética, ou seja, deixa claro para os apóstolos e para aqueles que seguiriam o Cordeiro de Deus pela pregação apostólica que, no decorrer de toda a história da Igreja, seria árduo que o mundo compreendesse quais são os caminhos de Deus e Seus propósitos para a humanidade. Assim, seguir o Cristo não seria nada além do que à custa de suor e labor, pois o próprio Cristo foi sinal de contradição, e sendo Ele assim, aqueles que o seguem seriam emissários da contradição.


“Mas, Cristão por que continuas tentando mudar o mundo e as pessoas, se até agora nada conseguistes?... Quando, na vida de um cristão, não há contradição, é o sinal evidente de que o cristão se mundanizou” (Cf. Bíblia de Navarra, Vol I, pg. 231).


Por isso, na escolha entre o bem e o mal, que nos será possível escolher através da prudência, não será suscetível ao cristão transigir, transacionar, alienar a vida cristã por nenhuma manifestação mundana, por mais que seja aprazível ao corpo o que esteja em moda (Cf. Bíblia de Navarra, Vol I, pg.232).



“A vida cristã levará consigo, necessariamente, uma inconformidade diante de tudo o que atente contra a fé e a moral (cf. Rom 12, 2). Não se pode estranhar que a vida do cristão se mova, não poucas vezes, entre o heroísmo e a traição. Perante estas dificuldades não se deve ter medo: não estamos sós, contamos” (Cf. Bíblia de Navarra, Vol I, pg.232).








CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA E AS VIRTUDES CARDEAIS:



CIC.1803: «Tudo o que é verdadeiro, nobre e justo, tudo o que é puro, amável e de boa reputação, tudo o que é virtude e digno de louvor, isto deveis ter no pensamento» (Fl 4, 8).A virtude é uma disposição habitual e firme para praticar o bem. Permite à pessoa não somente praticar actos bons, mas dar o melhor de si mesma. A pessoa virtuosa tende para o bem com todas as suas forças sensíveis e espirituais; procura o bem e opta por ele em actos concretos. «O fim duma vida virtuosa consiste em tornar-se semelhante a Deus».


As virtudes humanas



CIC.1804: As virtudes humanas são atitudes firmes, disposições estáveis, perfeições habituais da inteligência e da vontade, que regulam os nossos actos, ordenam as nossas paixões e guiam o nosso procedimento segundo a razão e a fé. Conferem facilidade, domínio e alegria para se levar uma vida moralmente boa. Homem virtuoso é aquele que livremente pratica o bem. As virtudes morais são humanamente adquiridas. São os frutos e os germes de atos moralmente bons e dispõem todas as potencialidades do ser humano para comungar no amor divino.



DISTINÇÃO DAS VIRTUDES CARDEAIS:



CIC.1805: Há quatro virtudes que desempenham um papel de charneira. Por isso, se chamam «cardeais»; todas as outras se agrupam em torno delas. São: a prudência, a justiça, a fortaleza e a temperança. «Se alguém ama a justiça, o fruto dos seus trabalhos são as virtudes, porque ela ensina a temperança e a prudência, a justiça e a fortaleza» (Sb 8, 7). Com estes ou outros nomes, estas virtudes são louvadas em numerosas passagens da Sagrada Escritura.



CIC. 1806: A prudência é a virtude que dispõe a razão prática para discernir, em qualquer circunstância, o nosso verdadeiro bem e para escolher os justos meios de o atingir. «O homem prudente vigia os seus passos» (Pr 14, 15). «Sede ponderados e comedidos, para poderdes orar» (1 Pe 4, 7). A prudência é a «reta norma da ação», escreve São Tomás (62) seguindo Aristóteles. Não se confunde, nem com a timidez ou o medo, nem com a duplicidade ou dissimulação. É chamada «auriga virtutum – condutor das virtudes», porque guia as outras virtudes, indicando-lhes a regra e a medida. É a prudência que guia imediatamente o juízo da consciência. O homem prudente decide e ordena a sua conduta segundo este juízo. Graças a esta virtude, aplicamos sem erro os princípios morais aos casos particulares e ultrapassamos as dúvidas sobre o bem a fazer e o mal a evitar.




CIC.1807. A justiça é a virtude moral que consiste na constante e firme vontade de dar a Deus e ao próximo o que lhes é devido. A justiça para com Deus chama-se «virtude da religião». Para com os homens, a justiça leva a respeitar os direitos de cada qual e a estabelecer, nas relações humanas, a harmonia que promove a equidade em relação às pessoas e ao bem comum. O homem justo, tantas vezes evocado nos livros santos, distingue-se pela rectidão habitual dos seus pensamentos e da sua conduta para com o próximo. «Não cometerás injustiças nos julgamentos. Não favorecerás o pobre, nem serás complacente para com os poderosos. Julgarás o teu próximo com imparcialidade» (Lv 19, 15). «Senhores, dai aos vossos escravos o que é justo e equitativo, considerando que também vós tendes um Senhor no céu» (Cl 4, 1).



CIC.1808: A fortaleza é a virtude moral que, no meio das dificuldades, assegura a firmeza e a constância na prossecução do bem. Torna firme a decisão de resistir às tentações e de superar os obstáculos na vida moral. A virtude da fortaleza dá capacidade para vencer o medo, mesmo da morte, e enfrentar a provação e as perseguições. Dispõe a ir até à renúncia e ao sacrifício da própria vida, na defesa duma causa justa. «O Senhor é a minha fortaleza e a minha glória» (Sl 118, 14). «No mundo haveis de sofrer tribulações: mas tende coragem! Eu venci o mundo!» (Jo 16, 33).



CIC.1809. A temperança é a virtude moral que modera a atração dos prazeres e proporciona o equilíbrio no uso dos bens criados. Assegura o domínio da vontade sobre os instintos e mantém os desejos nos limites da honestidade. A pessoa temperante orienta para o bem os apetites sensíveis, guarda uma sã discrição e não se deixa arrastar pelas paixões do coração. A temperança é muitas vezes louvada no Antigo Testamento: «Não te deixes levar pelas tuas más inclinações e refreia os teus apetites» (Sir 18, 30). No Novo Testamento, é chamada «moderação», ou «sobriedade». Devemos «viver com moderação, justiça e piedade no mundo presente» (Tt 2, 12).«Viver bem é amar a Deus de todo o coração, com toda a alma e com todo o proceder, de tal modo que se lhe dedica um amor incorrupto e íntegro (pela temperança), que mal algum poderá abalar (fortaleza), que a ninguém mais serve (justiça), que cuida de discernir todas as coisas para não se deixar surpreender pela astúcia e pela mentira (prudência)».



O EXERCÍCIO DAS VIRTUDES E A GRAÇA




CIC.1810: As virtudes humanas, adquiridas pela educação, por atos deliberados e por uma sempre renovada perseverança no esforço, são purificadas e elevadas pela graça divina. Com a ajuda de Deus, forjam o carácter e facilitam a prática do bem. O homem virtuoso sente-se feliz ao praticá-las.



CIC.1811: Não é fácil, ao homem ferido pelo pecado, manter o equilíbrio moral. O dom da salvação, que nos veio por Cristo, dá-nos a graça necessária para perseverar na busca das virtudes. Cada qual deve pedir constantemente esta graça de luz e de força, recorrer aos sacramentos, cooperar com o Espírito Santo e seguir os seus apelos a amar o bem e acautelar-se do mal.








PAPA JOÃO PAULO II - AUDIÊNCIA GERAL


(Quarta-feira, 25 de Outubro de 1978)



A virtude da prudência


Quando na quarta-feira, 27 de Setembro, o Santo Padre João Paulo I falou aos que tomavam parte na audiência geral, ninguém podia imaginar que se tratasse da última vez. A sua morte, depois de 33 dias de pontificado, surpreendeu e encheu o mundo inteiro de luto profundo. Ele que despertou na Igreja tão grande alegria e inspirou nos corações dos homens tanta esperança, em tão breve tempo consumou e levou a termo a sua missão. Na morte que teve, verificaram-se as palavras tão repetidas do Evangelho: Estai preparados, porque o Filho do homem virá na hora em que menos pensardes (Mt 24,44). João Paulo I vigiava sempre. A chamada do Senhor não o surpreendeu. Seguiu-a com a mesma vibrante prontidão com que, a 26 de Agosto, tinha aceitado a eleição para o sólio de São Pedro.


Hoje apresenta-se a vós, pela primeira vez, João Paulo II. À distância de quatro semanas daquela audiência geral, deseja saudar-vos e falar convosco. Deseja continuar os temas já iniciados por João Paulo I. Recordamos que falou das três virtudes teologais: fé, esperança e caridade. Acabou tratando da caridade. Esta virtude — que formou o seu último ensinamento, é na terra a maior, como ensinou São Paulo ( Cor. 13, 13); é a que atravessa o limiar entre a vida e a morte. Pois, quando termina o tempo da fé e da esperança, continua o Amor. João Paulo I já passou o tempo da fé e da esperança; e também o de a caridade se expressar na terra tão magnificamente, a caridade cuja plenitude só na eternidade se revela.




Hoje devemos falar doutra virtude, porque dos apontamentos do Pontífice falecido conclui que era sua intenção tratar, não só das três virtudes teologais: fé, esperança e caridade, mas também das quatro virtudes chamadas cardeais. João Paulo I queria falar das "sete lâmpadas" da vida cristã; assim lhes chamava o Papa João XXIII.




Pois bem, hoje eu quero continuar esse esquema, que o Papa (antecessor) preparara, e falar brevemente da virtude da prudência. Desta virtude não pouco trataram já os antigos. Devemos-lhes, por isso, reconhecimento profundo e gratidão. Em certo sentido ensinaram-nos que o valor do homem deve medir-se com o metro do bem moral, que ele realiza durante a vida. É isto exatamente o que, em primeiro lugar, assegura a virtude da prudência. O homem prudente, que se aplica a tudo o que é verdadeiramente bom, esforça-se por medir todas as coisas, todas as situações e todo o seu operar, pelo metro do bera moral. Prudente não é pois aquele que, como muitas vezes se entende: sabe arranjar-se na vida e sabe tirar dela o maior proveito; mas aquele que sabe construir toda a sua existência segundo a voz da recta consciência e segundo as exigências da moral justa.



Assim a prudência constituí a chave para a realização do encargo fundamental que Deus confiou a cada um. Este encargo é a perfeição do próprio homem. Deus entregou a cada um de nós a humanidade que tem. É necessário que nós correspondamos ao encargo recebido programando-o como ele requer.



Mas o cristão tem o direito e o dever de observar a virtude da prudência, também noutra perspectiva. A prudência é como imagem e semelhança da Providência de Deus nas dimensões do homem concreto. Porque o homem sabemo-lo pelo livro do Génesis, foi criado à imagem e semelhança de Deus. E Deus realiza o Seu plano na história da criação e sobretudo na história da humanidade. A finalidade deste desígnio é como ensina São Tomás, o bem último do universo. O mesmo desígnio torna-se na história da humanidade simplesmente o desígnio da salvação, o desígnio que diz respeito a todos nós. No ponto central da sua realização encontra-se Jesus Cristo no Qual se expressou o eterno amor e a solicitude do próprio Deus, Pai, pela salvação do homem. Esta é, ao mesmo tempo, a plena expressão da Divina Providência. Pois bem, o homem que é a imagem de Deus, deve ser, como de novo ensina São Tomás, de certo modo, a providência. Mas na medida da sua vida. Ele pode participar neste grande caminho de todas as criaturas para o termo, que é o bem do que foi criado. Deve exprimindo-nos ainda mais na linguagem da fé, participar no divino desígnio da salvação. Deve caminhar para a salvação e ajudar os outros a salvarem-se. Ajudando os outros, salva-se a si mesmo.


Peço a quem me escuta que pense agora, a esta luz, na própria vida:



- Sou prudente?

- Vivo em consequência com o que sou, responsavelmente?

- O programa que realizo serve para o verdadeiro bem?

- Serve para a salvação que querem de nós, Cristo e a Igreja?


-Se hoje me escuta um estudante ou uma estudante, um filho ou uma filha, olhe a esta luz para as próprias obrigações de escola, as leituras, os interesses, os passatempos e o ambiente dos amigos e das amigas. Se me escuta um pai ou uma mãe de família, pense um pouco nos seus deveres conjugais e de progenitura. Se me escuta um ministro ou homem de Estado, olhe para a extensão dos seus deveres e responsabilidades. Procura ele o bem verdadeiro da sociedade, da nação e da humanidade?


-Ou só interesses particulares e parciais?


Se me escuta um jornalista, um publicista, um homem que exerce influxo na opinião pública, reflita sobre o valor e sobre o fim desta sua influência.


Também eu que vos falo, eu o Papa, que devo fazer para atuar prudentemente? 



Vêm-me ao espírito as cartas de Albino Luciani, então Patriarca de Veneza, a São Bernardo. Na sua resposta ao Cardeal Luciani, o Abade de Claraval, Doutor da Igreja, recorda com grande insistência que deve ser "prudente" quem governa. Que há-de fazer então o novo Papa a fim de proceder prudentemente? Sem dúvida muito deve fazer neste sentido. Deve sempre aprender e sempre meditar em tais problemas. Mas, além disso, que pode Ele fazer? Deve orar e fazer o possível por ter aquele dom do Espírito Santo que se chama dom do conselho. E todos quantos desejam que o novo Papa seja Pastor prudente da Igreja, peçam para Ele o dom do conselho. E para si mesmos, peçam também este dom, por meio da especial intercessão da Mãe do Bom Conselho. Porque deve desejar-se muito que todos os homens se comportem prudentemente e que procedam com verdadeira prudência aqueles que exercem o poder. Para que a Igreja — prudentemente, fortificando-se com os dons do Espírito Santo e em particular com o dom do conselho — participe com eficácia neste grande itinerário para o bem de todos, e para que a todos mostre o caminho da salvação eterna.






Saudações



Aos doentinhos:



“Dirijo-me aos doentinhos com todo o meu coração. Não é só palavra de consolação, mas sobretudo de conforto proveniente da fé. Caríssimos irmãos e irmãs, vós sois enfermos, humanamente falando perdestes muitas das possibilidades que se apresentam na vida às pessoas sãs, mas por outro lado sois, ousaria dizer, privilegiados no sentido sobrenatural, no sentido de uma semelhança especial com Nosso Senhor Jesus Cristo Crucificado. Deste modo, sois muito poderosos porque sois tão semelhantes a Ele. E eu apoio-me em vós.”



Aos jovens casais:



“Para vós já abençoados pela Igreja no sacramento do matrimónio, à já recebida acrescente-se hoje uma bênção especial do Papa para a vossa vida em comum, para a vida de amor e de fé que prometestes viver. Abençoo-vos de todo o coração.”



A todos:



Já vi que não basta um Papa para abraçar a todos. Mas tem que existir só um. E este não sei como multiplicá-lo. Graças a Deus os apóstolos não eram só um, mas doze. E com a colegialidade é possível abraçar a todos. Seja louvado Jesus Cristo.





Apostolado Berakash

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Neste Apostolado promovemos a “EVANGELIZAÇÃO ANÔNIMA", pois neste serviço somos apenas o Jumentinho que leva Jesus e sua verdade aos Povos. Portanto toda honra e Glória é para Ele.Cristo disse-nos:Eu sou o caminho, a verdade e a vida e “ NINGUEM” vem ao Pai senão por mim." ( João, 14, 6).Como Católicos,defendemos a verdade, contra os erros que, de fato, são sempre contra Deus.Cristo não tinha opiniões, tinha verdades, a qual confiou a sua Igreja, ( Coluna e sustentáculo da verdade – Conf. I Tim 3,15) que deve zelar por elas até que Cristo volte.Quem nos acusa de falta de caridade mostra sua total ignorância na Bíblia,e de Deus, pois é amor, e quem ama corrige, e a verdade é um exercício da caridade.Este Deus adocicado,meloso,ingênuo, e sentimentalóide,é invenção dos homens tementes da verdade, não é o Deus revelado por seu filho: Jesus Cristo.Por fim: “Não se opor ao erro é aprová-lo, não defender a verdade é nega-la” - ( Sto. Tomáz de Aquino) “Não a nós, Senhor, não a nós, mas ao vosso nome dai glória...” (Salmo 115,1)

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