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#Terêncio: um eterno e sempre "atual humanista"

Written By Beraká - o blog da família on domingo, 31 de março de 2019 | 09:32



por*Francisco José Barros de Araújo 





Ao percorrermos a longa história do pensamento ocidental, percebemos que certos autores não envelhecem: atravessam épocas, regimes políticos, crises culturais e mutações morais sem perder atualidade. Públio Terêncio Afro é um desses raros nomes. Dramaturgo romano nascido na África Proconsular, ex-escravo alforriado e profundamente integrado à vida intelectual de Roma, Terêncio transformou o teatro em um espaço privilegiado de reflexão ética, psicológica e social. Suas comédias, longe de serem meras farsas destinadas ao riso fácil, constituem verdadeiros tratados dramáticos sobre a condição humana.




Inserido no contexto do chamado Círculo de Cipião, Terêncio foi um dos principais mediadores do humanismo helenístico em solo romano. Sua obra revela a fusão entre a humanitas romana e a paideia grega, elevando o teatro a um instrumento de formação moral. Diferentemente de seus contemporâneos mais populares, ele preferiu o refinamento da linguagem, a análise dos conflitos interiores e o retrato das relações humanas em sua complexidade. Por isso, foi incompreendido por parte do público romano de seu tempo, mas amplamente valorizado por educadores, filósofos e humanistas da Idade Média e da Renascença.



O traço mais marcante de seu pensamento é a centralidade da empatia, da compreensão do outro e do reconhecimento da dignidade humana, condensada na célebre máxima “Homo sum: nihil humani a me alienum puto”. Essa afirmação não é apenas literária; é uma tomada de posição moral e antropológica. Terêncio compreende o homem como um ser relacional, portador de luzes e sombras, virtudes e vícios, cuja humanidade só se realiza plenamente no encontro com o outro. Em tempos marcados pela desumanização, pelo endurecimento moral e pela redução do homem a números, funções ou identidades fragmentadas, a leitura de Terêncio se impõe como um exercício de reencontro com o essencial.Assim, refletir sobre Terêncio é revisitar as bases do humanismo romano e reconhecer que, mesmo após mais de dois milênios, sua visão do homem continua a iluminar dilemas éticos, sociais e culturais do presente.




Públio Terêncio Afro, em latim Publius Terentius Afer (Cartago: 195/185 a.C. — Lago Estínfalo: 159 a.C.), foi um dramaturgo e poeta romano, negro, e  autor de pelo menos seis comédias:




1)-Andria (A moça de Andros): Uma comédia sobre amor, identidade e convenções sociais, em que Terêncio expõe com delicadeza o conflito entre sentimentos pessoais e expectativas familiares.


2)-Hecyra (A sogra): Talvez sua obra mais ousada: um drama doméstico disfarçado de comédia, que aborda casamento, honra e incompreensão familiar de forma surpreendentemente moderna.


3)-Heautontimorumenos (O Punidor de Si Mesmo): Aqui nasce uma das frases mais célebres da Antiguidade: “Sou humano, nada do que é humano me é estranho”. A peça explora culpa, severidade paterna e autoconhecimento.


4)-Eunuchus (O Eunuco): A comédia mais popular de Terêncio em vida, mesclando engano, desejo e ironia social, ao mesmo tempo em que questiona moralidade e hipocrisia.


5)-Phormio (Formião): Um personagem astuto e provocador conduz a trama, usando a inteligência contra a autoridade rígida, numa crítica sutil às estruturas de poder e à falsa virtude.


6)-Adelphoe (Os Dois Irmãos): Um confronto entre dois modelos educativos — severidade versus indulgência — que convida o leitor a refletir sobre liberdade, moral e formação do caráter.




Terêncio nasceu na África Proconsular, em meados do ano 185 a.C. - era de cor negra. Foi vendido como escravo ao senador Terêncio Lucano, que percebendo sua inteligência, deu-lhe educação e, tempos depois, o libertou. Por ser muito amigo de Cipião, muitos atribuíram a esse último a autoria de várias comédias de Terêncio. 




Pouco apreciado pelo público romano, que preferiam as farsas mais vivas e coloridas de Plauto, foi mais apreciado na Idade Média e na Renascença, sendo muito imitado até os tempos de Molière. Foi tão grande a preferência por Terêncio na Idade Média que suas peças eram representadas nos colégios, e na Renascença foram traduzidas em várias línguas. 



Seus personagens pertencem em sua maioria às classes sociais mais altas. Suas obras são escritas em verso, e seu estilo é "puro". Apesar disso, ele hoje é considerado um autor menor que seu contemporâneo Plauto.Falar sobre a vida de Publius Terentius Africanus (Publius Terentius Afer) é inevitavelmente fazer referência à Vita Terenti de Suetônio,1 Então, bem como as conjecturas que surgiram da leitura de seu prólogos e as informações fornecidas por seus comentaristas Donato2 e Eugrafio.3 



Alguns aspectos são duvidosos e controversos: o data de seu nascimento e morte (185 - 159 a.C.) e sua origem cartaginesa ou númida.4 A esse respeito, Conte (2002:79) diz:“A tradição figurativa, presente em todos os originais púnicos e no sobrenome Afer, confere a Terêncio uma imagem tipicamente cartaginesa: esta não tem.” Obviamente é preciso valorizar a documentação histórico biográfica. 





No entanto, seu status servil não é discutido, e foi aceito pela crítica. 




Depois de ser escravo do Senador Terence Lucanus Ele se liberta disso e passa a se dedicar à atividade teatral, o que permite que você sobreviva economicamente. Dessa forma, acrescenta à lista de escravos alforriados e estrangeiros consagrados para dramaturgia.5   Entre 166 e 160 AC. estreia suas seis comédias, apoiadas por um grupo de jovens aristocratas liderados por Cipião Emiliano. 



Este grupo, conhecido sob o nome de Círculo de Cipião, permanece como o primeira geração de romanos educados em ideais culturais Gregos que acolheram os representantes mais proeminentes da cidade. A educação filelênica e seu desejo de aperfeiçoar sua formação intelectual e a língua grega, são os motivos que justificam a sua viagem para a Grécia ou para o Oriente helenizado, de onde nunca mais regressou.






O pensamento humanista de Terêncio continua atual, o qual podemos resumir nesta sua máxima basilar:






"Homo sum: nihil humani a me alienum puto" - (sou homem: nada do que é humano considero alheio a mim); diz Terêncio, o poeta negro e orador romano, nascido na magnífica Cartago.





O Humanismo Romano de Terêncio, vinha da Humanitas. Esta significava "o ato de tornar o homem mais humano, mais útil aos outros". Tal dito, segundo Sêneca, deve estar  in pectore et in ore, “no coração e na boca.” Essa máxima, retomada na idade média, por João de Salisbury, pensador católico, clamava por conduzir o homem a solidariedade. Não apenas para lembrar, mas fundamentalmente para resgatar a humanidade do homem que vagabundeia confuso entre a bestializarão de agir com o instinto  animal e a frieza da máquina. Basta um olhar atento ao hodierno para observarmos a constante desumanização do ser humano. O longo curso da história tem registrado uma constante violação da natureza, destruição do homem pelo próprio homem, que levou o filósofo inglês Thomas Hobbes a resgatar Plauto, dramaturgo romano, com a sentença: “Homo homini lupus” – “o homem é lobo do homem.” Mas Terêncio primorosamente, como aquele sábio e fiel a seus princípios humanistas, que está sempre a se colocar no lugar do outro, nos alerta:






Tu si hic sis, aliter sentias” – (Se estivesses no lugar dele, pensarias de modo diferente?)





Sócrates, o sábio grego, já havia observado que o homem faz o que julga ser bom dentro do seu ponto de vista, e frequentemente o ponto de vista do ego. De modo que cada homem carrega em si uma constelação de claridades e obscuridades, uma gruta de pedras brutas e diamantes em potencial. Em suma, um microcosmo. Vejamos um pouco essa constelação. Cecílio, o dramaturgo romano disse: 





“Homo homini deus” – (O homem é deus para o homem) ou seja, afirmando que o homem que contribui para o crescimento do outro, é divino.





Libânio, o filósofo grego, dizia que essa capacidade de coparticipar na criação da realidade humanitas, portanto, participando para a felicidade do outro, é o que distingue o homem das feras. E ainda encontraremos em Plínio





deus est mortali iuvare mortalem, et haec ad aeternam gloriam via” - (é divino para o mortal ajudar outro mortal, e esse é caminho para a glória eterna).




Em Plínio é significativo que ele diz ajudar outro mortal, não apenas o humano, mas o mortal, abarcando os animais e as plantas, ou seja, o planeta terra. E Plínio ainda dirá que: 






“Virtutes habet abunde qui alienas amat” – (Tem virtudes em abundância aquele que ama as virtudes alheias). 




Esse pensamento humanista é compartilhado por João Crisóstomo, um dos patronos do cristianismo primitivo, ao dizer: 





“Quem honra os outros honra a si mesmo!”





Um dos pontos fundamentais do humanismo é o olhar que trata de alargar o horizonte humano, transformando-o em sol. Não do ponto de vista do egocentrismo, mas sim, refletidor de alegria, felicidade, sabedoria e o verdadeiro amor (ágape). Cada ser humano como uma semente, cada ser humano como uma flor do imenso jardim da humanidade a desabrochar numa dialética individual e coletiva, uma dança de formas e diversidades de aromas humanitário. Por isso o poeta John Donne disse:






no man is an island” – (nenhum homem é uma ilha).






Temos que lembrar como diz Guimarães Rosa, de que: 







“É de fenômenos humanamente sutis que estamos tratando: A sutileza de despir-se das máscaras e descobrir a si mesmo! Que possamos enquanto humanidade despertar para a graça que habita dentro de cada um de nós".






Terêncio é autor das frases:







-“Sou um homem, e nada do que é humano me é estranho...”



-“Enquanto há vida, há esperança.”



-“O mais próximo desconhecido de mim, sou eu...”



-“A justiça inflexível é frequentemente a maior das injustiças...”



-“Conheço o caráter das mulheres: não querem quando queres; quando não queres, são as primeiras a querer!”



-“Quanta injustiça e quanta maldade não fazemos por hábito?”






Conclusão 





Terêncio permanece atual porque fala de algo que nunca deixa de ser urgente: o drama de ser humano. Seu teatro não oferece heróis idealizados nem vilões absolutos, mas homens e mulheres reais, marcados por contradições, paixões, medos e esperanças. 



É justamente nessa abordagem realista e compassiva que reside a força de seu humanismo. Ao invés de julgar, Terêncio convida a compreender; ao invés de condenar, propõe o exercício da empatia; ao invés de reduzir o outro, chama a ampliá-lo dentro de nós.



Em um mundo frequentemente governado pela lógica cartesiana da exclusão, do utilitarismo e da despersonalização, sua máxima humanista soa como um antídoto moral. Reconhecer que “nada do que é humano me é estranho” significa admitir que o sofrimento, o erro e a fragilidade do outro também nos pertencem. 



Trata-se de uma ética da alteridade que atravessa o estoicismo, ecoa no cristianismo primitivo, inspira pensadores medievais e renascentistas e chega até as reflexões modernas sobre dignidade humana. O humanismo de Terêncio não nega os conflitos, mas os humaniza. Ele entende que cada indivíduo carrega em si um microcosmo de grandezas e misérias, e que a verdadeira civilização não se mede apenas pelo progresso técnico ou institucional, mas pela capacidade de cultivar a humanitas: tornar o homem mais humano, mais solidário e mais consciente de sua responsabilidade para com os outros e com o mundo.



Por isso, Terêncio não é apenas um autor do passado, nem um nome restrito às salas acadêmicas. Ele é um clássico vivo, um humanista permanente, cuja obra continua a interpelar consciências e a lembrar que a grandeza do homem não está na dominação, mas na compreensão; não na força, mas na empatia; não na exclusão, mas no reconhecimento mútuo. 



Enquanto houver humanidade em crise, Terêncio continuará sendo atual.




*Francisco José Barros de Araújo – Bacharel em Teologia pela Faculdade Católica do RN, conforme diploma Nº 31.636 do Processo Nº  003/17 - Perfil curricular no sistema Lattes do CNPq Nº 1912382878452130.





REFERÊNCIAS

 


1 Caio Suetônio Tranquilus. Historiador que viveu na segunda metade do s. I. O texto da Vita Terenti, composta por volta do ano 100, pertence à sua obra De uiris illustribus, seção De poetis, e chega até nós como uma introdução ao comentário de Donato.


2 Élio Donato. Gramática na língua latina do século XIX. IV, autor de obras gramaticais e exegéticas: uma gramática (Ars gramatica), considerada uma das obras mais completas do gênero no Antiguidade e alguns comentários às obras de Terêncio (Commentum Terenti) e Virgílio.


3 Comentador do século V/VI, autor do Commentum in Terentium.


4 Segundo Rubio (1966)


5 Fontana Elboj (2010:282) diz: “Estrangeiros e libertos compõem a lista dos dramaturgos Latinos até o s. eu AC O grego Lívio Andrônico, o capuano Nevius, o Úmbria Plauto, o celta.


 




BIBLIOGRAFIA:





-WIKIPEDIA. Terêncio. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Ter%C3%AAncio. Acesso em: 31 mar.2019

-BIBLIOTECA APOSTÓLICA VATICANA. Manuscritos latinos clássicos. Cidade do Vaticano. Disponível em: https://www.vaticanlibrary.va. Acesso em: Acesso em: 31 mar.2019

-INSTITUTO DE FILOLOGÍA CLÁSICA (IFC/UBA). Estudios sobre literatura latina y humanismo clásico. Buenos Aires: Universidad de Buenos Aires. Disponível em: https://ifc.institutos.filo.uba.ar. Acesso em: Acesso em: 31 mar.2019

-FAUSTO, Boris. História do pensamento humanista. São Paulo: Edusp, 2001.

-FUNARI, Pedro Paulo. Roma: vida pública e vida privada. São Paulo: Contexto, 2003.

-FUNARI, Pedro Paulo; GARRAFFONI, Renata Senna. História antiga: contribuições brasileiras. Campinas: Unicamp, 2008.

-HADOT, Pierre. O que é a filosofia antiga? São Paulo: Loyola, 1999.

-JAEGER, Werner. Paideia: a formação do homem grego. São Paulo: Martins Fontes, 2001.

-MARTINS, Paulo Sérgio de Vasconcellos. Teatro latino: comédia e sociedade. São Paulo: Edusp, 2012.

NOGUEIRA, Carlos Roberto Figueiredo. Humanismo clássico e cultura medieval. São Paulo: Alameda, 2007.

-PEREIRA, Maria Helena da Rocha. Estudos de história da cultura clássica. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1990.

-TERÊNCIO. Comédias. Tradução e introdução de Paulo Sérgio de Vasconcellos. São Paulo: Martins Fontes, 2007.

-ALBRECHT, Michael von. Historia de la literatura romana. Madrid: Gredos, 1997.

-GRIMAL, Pierre. El amor en la Roma antigua. Barcelona: Paidós, 1991.

-GRIMAL, Pierre. La civilización romana. Madrid: Paidós, 2005.

-HOBBES, Thomas. Leviatán. Traducción española. Madrid: Alianza, 2011.

-VIRGILIO. Obras completas. Madrid: Cátedra, 2003.

-SUETÔNIO (Gaius Suetonius Tranquillus).SUETÔNIO. A vida dos doze césares. Tradução de Matheus Trevizam. Belo Horizonte: Autêntica, 2014. (Especialmente a Vita Terenti, tradicionalmente atribuída a Suetônio)

-DONATO (Aelius Donatus). DONATO. Comentário às comédias de Terêncio. In: KEIL, Heinrich (org.). Grammatici Latini. Leipzig: Teubner, 1864. v. 4.

-EUGRÁFIO (Eugraphius). EUGRÁFIO. Comentário às comédias de Terêncio. In: KEIL, Heinrich (org.). Grammatici Latini. Leipzig: Teubner, 1864. v. 4.

-CONTE, Gian Biagio. CONTE, Gian Biagio. Literatura latina: uma história cultural. Tradução de João Batista Toledo Prado. São Paulo: Martins Fontes, 2002.

-PLAUTO (Titus Maccius Plautus). PLAUTO. Comédias. Tradução de Jaime Bruna. São Paulo: Cultrix, 1996.

-SÊNECA (Lucius Annaeus Seneca). SÊNECA. Cartas a Lucílio. Tradução de J. A. Segurado e Campos. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2014.

-JOÃO DE SALISBURY (Johannes Saresberiensis). JOÃO DE SALISBURY. Policraticus. Tradução parcial de José Meirinhos. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1995.

-HOBBES, Thomas. Leviatã. Tradução de João Paulo Monteiro e Maria Beatriz Nizza da Silva. São Paulo: Martins Fontes, 2003.

-PLATÃO. Apologia de Sócrates. Tradução de Maria Helena da Rocha Pereira. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2001.

-CECÍLIO ESTÁCIO (Caecilius Statius). CECÍLIO ESTÁCIO. Fragmentos. In: WARMINGTON, E. H. (org.). Remains of Old Latin. Cambridge: Harvard University Press, 1936.

-LIBÂNIO (Libanius). LIBÂNIO. Discursos. Tradução de A. F. Norman. Cambridge: Harvard University Press, 1969.

-PLÍNIO, o Velho (Gaius Plinius Secundus). PLÍNIO. História Natural. Tradução de Antônio da Silveira Mendonça. São Paulo: Cultura, 1948.

-JOÃO CRISÓSTOMO (Ioannes Chrysostomus). JOÃO CRISÓSTOMO. Homilias. Tradução de Maria Helena da Rocha Pereira. São Paulo: Paulus, 2002.

-DONNE, John. Meditações. Tradução de Paulo Henriques Britto. São Paulo: Companhia das Letras, 2008.

-ROSA, João Guimarães.ROSA, João Guimarães. Grande sertão: veredas. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2006.



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4 de janeiro de 2024 às 16:07

Juro que eu queria saber de onde tirou que Terêncio era filósofo, ou mesmo que ele tinha pele negra. Na verdade nem mesmo podemos atestar se de fato ele nasceu na África. Ainda assim, não há negros nó norte do continente africano. Os berberes são um povo aparentado com o oriente médio.

Anônimo
5 de janeiro de 2024 às 10:30

“Juro que eu queria saber de onde tirou que Terêncio era filósofo, ou mesmo que ele tinha pele negra. Na verdade nem mesmo podemos atestar se de fato ele nasceu na África. Ainda assim, não há negros nó norte do continente africano. Os berberes são um povo aparentado com o oriente médio.” (Maycon – 04 de janeiro de 2024)


Esse tal de Maycon tentando se passar por sábio, fez papel de idiota (printei para que se ele se envergonhar e retirar, vai ficar registrado) – bom, pelo ao menos as afirmações do blog tem fontes, e as dele? Deve ter retirado de sua alta e infalível ACHOLOGIA kkkkkkk!

Everaldo – Colaborador do Apostolado Berakash

8 de janeiro de 2025 às 16:01

Senhor Everaldo, segue uma fonte sobre o que falei:
Norte Africanos, do Marrocos ao Egito são mais próximos do Oriente Próximo:
https://www.science.org/doi/10.1126/science.aar8380

Sobre o resto, basta fazer uma pesquisa sobre Terêncio e parar de inventar moda. Eu realmente queria saber qual é o preconceito que se tem com o Norte da África e porque essa necessidade de botar todos os africanos como negro. Isso me parece o velho discurso racista do século XIX, onde tudo que não é branco é necessariamente preto. Os Norte africanos tem sua própria história, mas no geral são parte da dinâmica das civilizações do mediterrâneo. Essa região interagiu pouco com a África Subsaariana. O único lugar que o contato foi real, é na Núbia. Um egípcio do Sul tem uma proporção elevada de genes subsaarianos, minoritária, mas significativa, mas os do Norte tem uma taxa muito menor. Os egípcios ao representar os povos que conheciam, se representavam marrons nas artes, os nubios como pretos, e os povos libios como brancos, isso ainda no auge da era do bronze. Em nenhum momento falo que houve zero contato, mas que foi pequeno e quase insignificante.
Sobre as fontes do blog, não vi nenhuma listada, apenas dizendo que tem uma visão alternativa e concreta.
A prova disso, Terêncio foi um dramaturgo ligado a gens Cornelia, do ramo dos Cipioes. Não foi filósofo, fazia comédia , a fonte não pode ser mais clara, suas 6 peças.
Por fim eu não sou sábio, mas busco a honestidade e a verdade. Atualmente chegaram a representar a Cleópatra, grega até no último fio de cabelo, como alguém da África subsaariana. Nem mesmo como uma egípcia. É realmente ruim olhar as coisas por meio de raças. A verdade é que tirando o Norte da África e o vale so Nilo, essa região foi sempre atrasada. Você não verá um Aristóteles, ou um nem um Confucio, ou mesmo um poema épico como Gilgamesh, perdido. Assim os que buscam afirmar as conquistas daquilo que chamam sua raça ficam perdidos. Mas se olhar todaca humanidade como uma, isso poico importa. Mas existe um outro viés. Por haver escrita, há autores, e podemos ler e imaginar um passado glorioso. Se não há, não significa que esses povos não progrediram. Um povo evolui até ond seu ambiente deixa. Muitas histórias são contadas oralmente,e se preservam na cultura. Por fim, algo triste dizer, mas não importa qual é sua raça, no Brasil a cultura determinante é aquela derivada da portuguesa. Os elementos indígenas e africanos são acessórios. Não determinam a forma de governo, a língua, a escrita e a religião. Na arte é limitada a música, e mesmo assim minoritária. Muito da cultura africana brasileira, não é encontrada na África, mas se encontra em Portugal

Anônimo
8 de janeiro de 2025 às 17:41

Sua fonte não diz qual era a cor de Terêcio, tudo que se afirmar é mera dedução. Portanto, continua valendo sobre sua achologia a fonte original. Simples assim!

Everaldo – Colaborador do Apostolado Berakash

Anônimo
8 de janeiro de 2025 às 17:47

E pelo visto quem está sendo preconceituoso aqui é esse Maycon, que não aceita a raça originária de Terência e quer pinta-lo de branco a todo custo !kkkkkkkkkkkkkkk

10 de janeiro de 2025 às 18:51

Terêncio não era nem branco e nem negro, não havia esse conceito na época antiga. Mas, hoje, se usa negro, preto, e etc para povos com origem subsaariana, não os norte-africanos, ninguém fala que um argelino ou um marroquino é negro. Nestes países soaria como desrespeito, como ocorreu no Egito e Cleópatra Negra . Ele era cidadão ROMANO. Mas se quiser falar de sua origem étnica, ele era Berbere, ou Fenício. As fontes antigas, tardias e provavelmente erradas, como quase sempre, indicam seu nascimento em Cartago, uma antiga colônia fenícia, com origem em Tiro, mas vizinha da Líbia, região dos berberes. Assim ele não era negro no sentido que usamos hoje. Eu poderia
falar que ele era descrito como alguém de pele escura, mas sabe por que nem comento isto? A pele escura era o mesmo que dizer que ele era bronzeado, inclusive é a descrição dada a várias figuras romanas, inclusive Júlio César. Observe com cuidado os afrescos de Pompéia, os homens quase sempre são ilustrados com a pele escura, as mulheres com a pele clara, porque os homens ficavam mais no Sol, em trabalhos pesados. Então você não pode sair interpretando textos de milênios atrás com sentidos dado hoje.Isso é coisa de fundamentalista religioso.Houve vários berberes famosos na época romana. Santo Agostinho e o Imperador Macrino, são exemplos. Inclusive Macrino assustou com um homem de pele negra, achando aquilo algo estranho.
Outro detalhe, o que chamamos de África é uma convenção européia. Os povos lá estão separado a milênios por uma geografia complicada. Os berberes são povos muito antigos, estão lá desde quando o Saara era uma floresta. Na antiguidade África só indicava a região não egípcia da continente e também não era usada para a Etiópia ou para Núbia.
Por isso teimo, tratar Terêncio como negro é reforçar um preconceito desnecessário com os povos do Norte da África. Ele não era "branco" no sentido que usamos também. Mas podemos dizer que ele era romano. Primeiro por ter escrito em latim, segundo por ter virado cidadão, terceiro, porque a romanidade não diferenciava raças, ou mesmo etnias. Rona acolhia todos

Anônimo
11 de janeiro de 2025 às 11:17

Prezado Maycon,

Todas as "opiniões" são respeitadas nesse espaço, desde que sejam feitas com educação. Isso não quer dizer que serão acatadas indiscutivelmente como FATO, é apenas sua opinião. Ficamos com as fontes históricas originárias.

Everaldo – Colaborador do Apostolado Berakash

25 de janeiro de 2026 às 13:28

Agradeço as manifestações de todos os envolvidos e faço apenas alguns esclarecimentos necessários, com espírito de respeito acadêmico e histórico.

Sobre Terêncio e a filosofia
É correto afirmar que Terêncio (Publius Terentius Afer) não foi um filósofo no sentido técnico estrito (como Platão ou Aristóteles), mas é plenamente legítimo — e comum na tradição clássica — considerá-lo um autor de conteúdo filosófico e moral.
Suas comédias dialogam diretamente com a ética estoica e helenística, especialmente nos temas da natureza humana, da moral, da educação e da convivência social. A famosa máxima “Homo sum, humani nihil a me alienum puto” é frequentemente citada em obras de filosofia moral desde a Antiguidade. Portanto, chamá-lo de “filósofo moral” ou “autor de reflexão filosófica” não é erro histórico, mas uma classificação interpretativa consagrada.

Sobre cor da pele e etnia
De fato, não há como determinar com precisão moderna a “raça” de Terêncio, até porque tais categorias não existiam no mundo romano. As fontes antigas apenas indicam sua origem norte-africana (possivelmente Cartago), e o cognome Afer refere-se à província, não à cor da pele.
Qualquer afirmação categórica — seja para “embranquecê-lo” ou “negrificá-lo” — é anacrônica. A historiografia séria reconhece isso.

Sobre o Norte da África
Também é correto afirmar que os povos do Norte da África estavam historicamente ligados ao mundo mediterrâneo, com forte interação fenícia, romana e helenística. Isso não diminui nem exalta ninguém, apenas descreve fatos históricos amplamente documentados.

Sobre o tom do debate
Críticas são bem-vindas; ataques pessoais, ironias ofensivas e insinuações não contribuem para o esclarecimento histórico. Este espaço valoriza fontes, argumentos e civilidade.

Em síntese:
– Terêncio não foi filósofo sistemático, mas foi um autor profundamente filosófico no plano moral;
– Sua origem africana não autoriza classificações raciais modernas;
– O debate é legítimo, desde que feito com rigor histórico e respeito mútuo.

Encerramos aqui reafirmando nosso compromisso com a verdade histórica, a seriedade intelectual e o diálogo respeitoso.

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