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O filósofo negro Terêncio - Um eterno e sempre atual humanista

Written By Beraká - o blog da família on domingo, 31 de março de 2019 | 09:32

(Frontispício do Codex Vaticanus Latinus 3868 - Biblioteca Vaticana -  com o retrato de Terêncio)




Públio Terêncio Afro, em latim Publius Terentius Afer (Cartago, ca. 195 a.C.-185 a.C. — Lago Estínfalo, ca. 159 a.C.), foi um dramaturgo e poeta romano, negro, e  autor de pelo menos seis comédias:


1)- Andria (A moça de Andros).

2)- Hecyra (A Sogra).

3)- Heaautontimorumenos (O Punidor de Si Mesmo).

4)- Eunuchus (O Eunuco).

5)- Phormio (Formião).

6)- Adelphoe (Os Dois Irmãos).



Terêncio nasceu na África Proconsular, em meados do ano 185 a.C. era de cor negra. Foi vendido como escravo ao senador Terêncio Lucano, que percebendo sua inteligência, deu-lhe educação e, tempos depois, o libertou. Por ser muito amigo de Cipião, muitos atribuíram a esse último a autoria de várias comédias de Terêncio.




Pouco apreciado pelo público romano, que preferiam as farsas mais vivas e coloridas de Plauto, foi mais apreciado na Idade Média e na Renascença, sendo muito imitado até os tempos de Molière. Foi tão grande a preferência por Terêncio na Idade Média que suas peças eram representadas nos colégios, e na Renascença foram traduzidas em várias línguas. Seus personagens pertencem em sua maioria às classes sociais mais altas. Suas obras são escritas em verso, e seu estilo é "puro". Apesar disso, ele hoje é considerado um autor menor que seu contemporâneo Plauto.


O pensamento humanista de Terêncio continua atual, o qual podemos resumir nesta sua máxima basilar:


Homo sum: nihil humani a me alienum puto.” “Sou homem: nada do que é humano considero alheio a mim”, diz Terêncio, o poeta negro e orador romano, nascido na magnífica Cartago.



O Humanismo Romano de Terêncio, vinha da Humanitas. Esta significava o ato de tornar o homem mais humano, mais útil aos outros. Tal dito, segundo Sêneca, deve estar  in pectore et in ore, “no coração e na boca.” Essa máxima, retomada na idade média, por João de Salisbury, pensador católico, clamava por conduzir o homem a solidariedade. Não apenas para lembrar, mas fundamentalmente para resgatar a humanidade do homem que vagabundeia confuso entre a bestializarão de agir com o instinto  animal e a frieza da máquina. Basta um olhar atento ao hodierno para observarmos a constante desumanização do ser humano. O longo curso da história tem registrado uma constante violação da natureza, destruição do homem pelo próprio homem, que levou o filósofo inglês Thomas Hobbes a resgatar Plauto, dramaturgo romano, com a sentença: “Homo homini lupus” – “o homem é lobo do homem.” Mas Terêncio primorosamente, como aquele sábio e fiel a seus princípios humanistas, que está sempre a se colocar no lugar do outro, nos alerta:



“Tu si hic sis, aliter sentias” – “Se estivesses no lugar dele, pensarias de modo diferente?...”



Sócrates, o sábio grego, já havia observado que o homem faz o que julga ser bom dentro do seu ponto de vista, e frequentemente o ponto de vista do ego. De modo que cada homem carrega em si uma constelação de claridades e obscuridades, uma gruta de pedras brutas e diamantes em potencial. Em suma, um microcosmo. Vejamos um pouco essa constelação. Cecílio, o dramaturgo romano disse: “Homo homini deus” – “O homem é deus para o homem”, ou seja, afirmando que o homem que contribui para o crescimento do outro, é divino.


Libânio, o filósofo grego, dizia que essa capacidade de coparticipar na criação da realidade humanitas, portanto, participando para a felicidade do outro, é o que distingue o homem das feras. E ainda encontraremos em Plínio: 



“deus est mortali iuvare mortalem, et haec ad aeternam gloriam via” - “é divino para o mortal ajudar outro mortal, e esse é caminho para a glória eterna.Em Plínio é significativo que ele diz ajudar outro mortal, não apenas o humano, mas o mortal, abarcando os animais e as plantas, ou seja, o planeta terra. E Plínio ainda dirá que: “Virtutes habet abunde qui alienas amat” – “Tem virtudes em abundância aquele que ama as virtudes alheias.” Esse pensamento humanista é compartilhado por João Crisóstomo, um dos patronos do cristianismo, ao dizer: “Quem honra os outros honra a si mesmo.”Cultivar a si é cultivar o outro.



Um dos pontos fundamentais do humanismo é o olhar que trata de alargar o horizonte humano, transformando-o em sol. Não do ponto de vista do egocentrismo, mas sim, refletidor de alegria, felicidade, sabedoria e amor. Cada ser humano como uma semente, cada ser humano como uma flor do imenso jardim da humanidade a desabrochar numa dialética individual e coletiva, uma dança de formas, e diversidade de aroma humanitário. Por isso o poeta John Donne disse: “no man is an island” – “nenhum homem é uma ilha...”


Temos que lembrar como diz Guimarães Rosa, de que “é de fenômenos humanamente sutis que estamos tratando.” A sutileza de despir-se das máscaras e descobrir a si mesmo. Que possamos enquanto humanidade despertar para a graça que habita dentro de cada um de nós.


Terêncio é autor das frases:


“Sou um homem, e nada do que é humano me é estranho...”

“Enquanto há vida, há esperança.”

“O mais próximo desconhecido de mim, sou eu...”

“A justiça inflexível é frequentemente a maior das injustiças...”

“Conheço o caráter das mulheres: não querem quando queres; quando não queres, são as primeiras a querer.”

“Quanta injustiça e quanta maldade não fazemos por hábito...”



BIBLIOGRAFIA:



- Wikipedia

- Biblioteca Vaticana



Apostolado Berakash

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Neste Apostolado promovemos a “EVANGELIZAÇÃO ANÔNIMA", pois neste serviço somos apenas o Jumentinho que leva Jesus e sua verdade aos Povos. Portanto toda honra e Glória é para Ele.Cristo disse-nos:Eu sou o caminho, a verdade e a vida e “ NINGUEM” vem ao Pai senão por mim." ( João, 14, 6).Como Católicos,defendemos a verdade, contra os erros que, de fato, são sempre contra Deus.Cristo não tinha opiniões, tinha verdades, a qual confiou a sua Igreja, ( Coluna e sustentáculo da verdade – Conf. I Tim 3,15) que deve zelar por elas até que Cristo volte.Quem nos acusa de falta de caridade mostra sua total ignorância na Bíblia,e de Deus, pois é amor, e quem ama corrige, e a verdade é um exercício da caridade.Este Deus adocicado,meloso,ingênuo, e sentimentalóide,é invenção dos homens tementes da verdade, não é o Deus revelado por seu filho: Jesus Cristo.Por fim: “Não se opor ao erro é aprová-lo, não defender a verdade é nega-la” - ( Sto. Tomáz de Aquino) “Não a nós, Senhor, não a nós, mas ao vosso nome dai glória...” (Salmo 115,1)

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