
Por *Francisco José Barros
Araújo
Todo o nosso corpo pode se tornar uma expressão de louvor, adoração e reverência a Deus. A Sagrada Escritura mostra que o homem não louva apenas com palavras, mas também com gestos, posturas, silêncio, inclinações, procissões, cantos e expressões corporais que manifestam exteriormente a fé interior.
Salmo 47,1-2: “Aplaudi com as mãos, todos os povos! Cantai a Deus com voz de triunfo! Porque o Senhor Altíssimo é temível, e grande Rei sobre toda a terra.”
Louvo e adoro a Deus quando me ajoelho diante do Santíssimo Sacramento, quando ergo minhas mãos em oração, quando faço o sinal da cruz, quando me curvo em reverência, quando fecho meus olhos para rezar profundamente, quando participo das procissões litúrgicas, quando canto hinos sagrados e até mesmo quando expresso corporalmente minha alegria espiritual, como fez o rei Davi diante da Arca da Aliança (cf. 2Sm 6,14), ou quando aplaudo com reverência e solenidade o Senhor em Seu Santuário (cf. Salmo 150).
A própria liturgia católica é profundamente corporal: levantamos, sentamos, ajoelhamos, caminhamos em procissão, batemos no peito no ato penitencial, fazemos genuflexão, inclinamos a cabeça, traçamos sinais da cruz sobre nós e utilizamos todo o corpo como instrumento de culto. Isso acontece porque o cristianismo não é uma religião desencarnada. Deus criou o corpo humano e o redimiu em Cristo; por isso, também o corpo participa do culto divino.
Nesse contexto, algumas expressões simbólicas realizadas no prelúdio ou em momentos apropriados de celebrações especiais podem possuir valor catequético, contemplativo e evangelizador, quando executadas com profundo senso de sacralidade, modéstia, discrição e espírito de oração.
Não se trata de transformar a Santa Missa em espetáculo, apresentação artística ou entretenimento emocional — algo totalmente incompatível com a dignidade do Sacrifício Eucarístico —, mas de utilizar certos gestos simbólicos como linguagem visual de fé, sobretudo em contextos culturais específicos e sob discernimento prudente da autoridade da Igreja.
A Igreja sempre valorizou a beleza, a arte, a música sacra, a solenidade ritual e os símbolos visíveis como meios pedagógicos que elevam a alma a Deus. Portanto, toda expressão corporal inserida no ambiente litúrgico deve conduzir ao recolhimento, à contemplação e ao mistério do altar, jamais ao exibicionismo, à sensualidade, ao emocionalismo exagerado ou ao protagonismo humano.
Quando há reverência, ordem, humildade e verdadeiro espírito de adoração, o corpo também se torna oração. Afinal, fomos chamados a glorificar a Deus não apenas com a mente e com os lábios, mas com todo o nosso ser: corpo, mente e espírito.
*"O Micrólogo" responde sobre dúvidas da liturgia e ritos da santa missa do passado até o presente
-Por que é necessário conhecermos as ações e as cerimônias da Missa?
R. Porque, por meio das ações e das cerimônias
expressam-se mais vivamente as idéias do que por palavras. Além disso, elas
foram estabelecidas pela Igreja para nos edificar, nos instruir e despertar
nossa atenção, bem como Deus lhes atribuiu graças particulares.
-Há
exemplos bíblicos de atitudes que Deus atribuiu algum favor especial?
R. Sim; por exemplo, a Escritura nos diz que Moisés
rogou com as mãos erguidas ao céu, e, nesta cerimônia, o Senhor estabeleceu a
vitória dos judeus. (Ex 17, 11)
-Em que se fundamentam "as cerimônias" da Missa?
R. As cerimônias da Missa se fundamentam ora na
necessidade, ora na comodidade ou em outros motivos simbólicos e místicos. Na
pesquisa de todas elas, precisamos recorrer a uma infinidade de escritos em que
se acham espalhados, procurando sempre suas origens.
-Que mais devemos levar em conta para conhecer os motivos da Igreja no
uso de determinadas ações que vemos na Santa Missa?
R. Além da pesquisa aludida anteriormente, devemos
levar em conta o discernimento e bom senso que a Igreja empregou para
estabelecer as razões das ações e das cerimônias da Missa.
-Como se classificam as razões em que a Igreja se baseou para estabelecer
as ações e cerimônias da Missa?
R. Podemos classificar em "seis razões".
-Qual
é a primeira razão? Exemplifique:
R. A primeira razão é de conveniência ou
comodidade. Há costumes que só podem ter como causa, estes fatores. Exemplo: o
motivo pelo qual se cobre o cálice depois da oblação é por pura precaução, para
que nele não caia nada; e se o Micrólogo, que reconhece este motivo, acrescenta
outros, é mais por sua conta, que da Igreja.
-Qual
é a segunda? Exemplifique:
R. Há usos que se fundamentam em duas causas:
comodidade e simbolismo. Exemplo: A primeira razão do uso do cíngulo sobre a
alba é para impedir que esta caia e se arraste pelo chão; e esta razão física
não impede a Igreja de determinar aos sacerdotes de cingirem-se como símbolo da
pureza, pois S. Pedro nos recomenda a nos cingirmos espiritualmente: Succinti
lumbos mentis vestrae (1 Pet 1, 13).Outro exemplo: a fração da Hóstia se faz
também, naturalmente, para imitar a Nosso Senhor Jesus Cristo que partiu o pão,
e porque é preciso distribuí-la; mas, algumas Igrejas deram a esta fração um
sentido espiritual, dividindo a Hóstia em três partes (Itália e França), em
quatro partes (Grécia), e em nove partes (rito moçárabe).
-Qual
a terceira causa? Exemplifique:
R. Às vezes uma causa de necessidade física foi
substituída por uma razão mística.Exemplo: o manípulo, inicialmente, era um
paninho utilizado pelos que trabalhavam na igreja para enxugar as mãos. Há seis
ou sete séculos que não se o utiliza mais para aquele fim original; no entanto,
a Igreja continua a usa-lo para lembrar seus ministros que devem trabalhar e
sofrer para merecer a devida recompensa (Ut recipiant mercedem laboris).
-Qual
a quarta razão? Exemplifique:
R. Às vezes um uso estabelecido anteriormente por
uma razão de conveniência foi substituído por razão simbólica.Exemplo: até o
final do século IX, quando o diácono cantava o Evangelho, voltava-se para o
Norte, onde se encontravam os homens, porque convinha anunciar-lhes a palavra
santa preferivelmente às mulheres, que se achavam no lado oposto. Porém, desde
o final daquele século, em algumas igrejas, o diácono voltava-se ao Norte,
mesmo sem a presença masculina, por uma razão puramente espiritual, que será
exposta mais adiante.
-Qual
a quinta razão? Exemplifique:
R. As vezes uma razão baseada no asseio fez
desaparecer um costume introduzido anteriormente, como um símbolo de pureza
interior.Exemplo: Na Igreja grega o sacerdote lava as mãos no início da Missa,
enquanto que na Igreja latina ele as lava também antes da oblação. "Este
uso havia desaparecido, diz S. Cirilo de Jerusalém, não por necessidade, pois
os sacerdotes se lavam antes de entrar na Igreja, mas para salientar a pureza
interior que convém aos santos mistérios".Posteriormente, segundo S.
Amalrico e a Sexta Ordem Romana, o bispo e o sacerdote lavavam as mãos entre a
oferenda dos fiéis e a oblação do altar pois poderiam conter vestígios de pão
comum distribuído aos leigos; e, como segundo esta ordem se incensavam as
oblações, estabeleceu-se em fim a ablução dos dedos, após esta operação para
maior asseio, sem abandonar, porém, a razão espiritual primitiva.
-Qual
a sexta e última razão? Exemplifique:
R. Há usos que sempre tiveram razões simbólicas e
místicas. Alguns põem em dúvida que elas tenham sido assim desde o princípio;
porém será fácil nos persuadirmos disto, se considerarmos que os primeiros
cristãos tinham sempre por objetivo elevar suas almas e seu pensamento aos
céus, que neles tudo era simbólico, e que, como os sacramentos foram
instituídos sob símbolos, eles se acostumaram a espiritualizar todas as coisas,
como vemos nas epístolas de S. Paulo, nos escritos de S. Bernardo, de S. Clemente,
de Justino, de Tertuliano, de Orígines, etc.Exemplo: S. Paulo dá razões
místicas ao povo, quanto ao costume seguido pelos homens nas igrejas, de rezar
com a cabeça descoberta; o mesmo acontece com as explicações dos santos padres
sobre as razões de S. Paulo.Outro exemplo: Por razão simbólica, também, durante
muitos séculos os novos batizados se trajavam de branco, indicando a inocência.
Assim aconteceu com Constantino que cobriu seu leito e revestiu seu quarto de
branco depois de ter recebido o batismo.Mais um exemplo: quando os primeiros
cristãos se voltavam para o Oriente para rezar, era porque viam o Oriente como
a figura de Nosso Senhor Jesus Cristo; e, quando rezavam em lugares elevados e
bem iluminados, era porque a luz exterior representava o Espírito Santo, como
nos diz Tertuliano (Lib. adv. Valent, c. 3).Ainda: Todas as cerimônias que
precedem ao batismo são outros tantos atos simbólicos. S. Ambrósio, que as
explica para os que se preparavam para receber o sacramento, diz que se faz com
que os catecúmenos se voltem para o Ocidente, para indicar que renunciam as
obras de Satanás e as resistem de frente, e que, em seguida, voltam-se ao
Oriente para olhar a Jesus Cristo, a verdadeira luz.
-Qual a postura recomendada para a oração na Missa durante os quatro
primeiros séculos?
R. Recomendava-se a rezar em pé nos domingos e em
todo o tempo pascal, e Tertuliano diz que era uma espécie de falta rezar de
joelhos e jejuar em tais dias (Die dominico jejunium nefas ducimos vel de
geniculis adorare, Tertuliano, Lib. de Cor., c. 3).
-Por que devemos penetrar nas razões e origens misteriosas dos costumes
que envolvem as cerimônias da Missa?
R. Porque afastarmo-nos de tais razões e origens
seria um afastamento do espírito e dos objetivos da Igreja, que claramente pede
aos seus filhos que se apliquem a penetrar nos mistérios que envolvem as
cerimônias.
-Há algum exemplo concreto desse desejo da Igreja?
R. Sim, como prova a oração que se lê nos antigos
sacramentais, repetida todos os anos na cerimônia da benção das palmas:
"Fazei, Senhor, que os corações piedosos dos vossos fiéis compreendam com
fruto o que significa misteriosamente esta cerimônia".
-Por que incensa-se o altar?
R. Incensa-se o altar
como um sinal visível das adorações e súplicas a Deus, feitas por todos os
santos que estão na terra ou na glória eterna.
-Quando foi celebrada a primeira Missa?
R. Ainda que o Filho de Deus seja sacerdote eterno, por decisão que se impôs como vítima dos homens, tornando-se para sempre pontífice da Nova e Eterna Aliança; ainda que, de fato, tenha começado o sacrifício com o primeiro batimento do seu coração, no instante da Encarnação, para cumprir-se na Ceia e no Calvário e receber sua perfeição nos mistérios da ressurreição e ascensão e na efusão do Espírito Santo, pode-se e deve-se crer que a primeira Missa foi celebrada no Cenáculo, à véspera da morte do Salvador.
-Que paralelo podemos estabelecer entre o Cenáculo e a Santa Missa?
R. Podemos estabelecer o seguinte paralelo:
CENÁCULO:1 - Jesus dirige-se ao Cenáculo: acompanhado dos seus discípulos,
chega ao Cenáculo, onde estava preparada a mesa do sacrifício e da comunhão;
SANTA MISSA:1 - O sacerdote dirige-se ao altar:
precedido dos seus ministros, onde tudo está disposto para o sacrifício da
Santa Missa;
CENÁCULO:2 - Jesus deixa a mesa depois da ceia prescrita pela lei, humilha -se,
ao lavar os pés dos apóstolos, e os manda que se os lavem mutuamente, voltando,
depois, a ocupar o seu lugar à mesa;
SANTA MISSA: 2 - O sacerdote desce ao pé do altar: mesmo purificado de faltas
graves, para lavar-se e purificar-se das faltas mais leves, o sacerdote faz a
confissão mútua com os assistentes, subindo, depois, ao altar;
CENÁCULO:3 - Jesus senta-se à mesa eucarística: instrui seus apóstolos, e lhes
dá o resumo da sua doutrina, dizendo: "Eu vos dei o exemplo para que
façais como eu fiz" (Jo, 13...)
SANTA MISSA:3 - O sacerdote faz no altar a instrução pública e preparatória,
com o objetivo de explanar estes dizeres profundos de S. Justino ( Apol. 2
...): "Só pode participar da eucaristia aquele que crê que nossa doutrina
é verdadeira, que recebeu a remissão dos pecados e que vive como Jesus
ensina".
CENÁCULO:4 - Jesus toma o pão e o vinho num cálice, e os abençoa;
SANTA MISSA:4 - O sacerdote toma o pão e o vinho num cálice: eis a oblação, as
orações e bênçãos que a acompanham;
CENÁCULO:5 - Jesus deu graças, elevando os olhos aos céus: embora os
evangelistas não registrem as palavras de que Jesus se serviu nesta ação de
graças, sabemos, pela tradição, que Ele enumerou os benefícios da criação, da
providência e da redenção, que iriam se concentrar nesta vítima adorável;
depois, o Senhor partiu o pão e o deu aos seus discípulos, dizendo: "isto
é o meu corpo"; em seguido os deu também o cálice, dizendo: "isto é o
meu sangue". Eis a fórmula da consagração: "Tomai e comei, tomai e
bebei"; esta é a Comunhão do Cenáculo.
SANTA MISSA:5 - O sacerdote emprega as mesmas palavras e gestos no Cânon da
Missa, repetindo a fórmula da Consagração.:"Tomai e comei, tomai e
bebei". Esta é a comunhão na Missa.
CENÁCULO:6 - Jesus pronuncia um hino de reconhecimento (Mateus 26,30).
SANTA MISSA:6 - O sacerdote termina o sacrifício com a ação de graças.
-Quem unificou as orações acessórias e as cerimônias não essenciais?
R. Foi S. Gregório, no século VI, através do famoso
Sacramental que leva seu nome.
-O que estabeleceu o Sacramental de S. Gregório?
R. O Sacramental de S. Gregório estabeleceu:
intróitos, o Kyrie eleison, o Gloria in excelsis, as coletas, o tema da
epístola e do Evangelho, as orações para as oblações, o prefácio comum e o
cânon até o Agnus Dei, exatamente como o recitamos hoje.
-O Sacramental de S. Gregório permitia ainda alguma variedade nas orações
acessórias?
R. Sim! Como cada província tinha santos bispos que
acrescentavam algo ao acessório do sacrifício, por muito tempo se respeitou
esta variedade, pela antigüidade das orações e pela santidade dos seus autores.
-Que resultou desta variedade acessória ao sacrifício?
R. Como conseqüência daquela variedade, surgiram os
diferentes missais e sacramentais da Igreja romana e das Igrejas particulares
do Ocidente. Porém, o essencial do sacrifício para a oblação, a consagração e
comunhão, era rigoroso e invariável em todo o mundo cristão, e a regra
secundária da liturgia manteve sua variedade até o século XIII.
Que houve nesse século?
R. No século XIII foi fixado o Ordinário da Missa,
tal qual permanece em nossos dias.
Não houve alterações essenciais entre o estabelecido por Cristo e o que
é recitado hoje na Santa Missa?
R. Não!
-Essencialmente, Cristo tomou o pão e o
vinho, nós tomamos a mesma matéria de oblação;
-Cristo a abençoou, o sacerdote a
abençoa;
-Cristo deu graças, nós as damos;
-Cristo as consagrou pelas palavras
onipotentes relatadas no Evangelho, o padre repete as mesmas palavras por sua
ordem, a Ele unido, in persona Christi, e em Sua memória.
-As orações acessórias da Missa, introduzidas pelos apóstolos e pela
Igreja, não alteraram a ação de Cristo?
R. Não. As "orações acessórias", introduzidas no
decorrer dos tempos, em nada alteraram a ação de Cristo porque, em relação a
esta, tais orações somente estabeleceram:
1 - a preparação pública ao santo sacrifício, com a
introdução de salmos e do Kyrie (Senhor, tende piedade);
2 - a entoação, no altar, do hino da redenção
(Gloria), cantado pelos anjos no nascimento de Jesus Cristo;
3 - o preceder e a seqüência das leituras, com
orações e reflexões;
4 - o hino cantado pelos serafins (Sanctus), para
que ressoe no momento em que a vítima vai abrir os céus;
5 - o invocar por três vezes o Agnus Deis (Cordeiro
de Deus), com sua misericórdia e paz;
6 - os sinais exteriores de humildade, de
esperança, de respeito e de amor. Trata-se, portanto, do mesmo sacrifício de
Jesus Cristo, acompanhado de orações e ritos para expressar a piedade diante de
tão excelsa maravilha.
-O valor da Missa é finito, ou infinito?
R. O valor da Missa é infinito por se referir a
Deus vítima, à suficiência do tesouro dos seus méritos que, oferecidos por
Deus-sacerdote, serão sempre aceitos pelo Senhor, como dignos da sua majestade
e da sua justiça; o valor da Missa é de valor finito quanto ao exercício do sacerdote
secundário, que é um homem revestido de poderes divinos, e enquanto
aplicação que o Senhor nos faz dos méritos do seu Filho, proporcionalmente à
nossa fé, nossa penitência e nosso fervor.
-Quais são os frutos do sacrifício da Missa?
R. A Igreja nos ensina que:
-A Missa opera por si
mesma, e por sua virtude própria, o perdão dos pecados; mas o opera de uma
forma mediata, ou seja, que pelo próprio ato do sacrifício, e sem nenhum meio
ulterior,
-Ela obtém, para o pecador, a graça de se converter e de receber, no
sacramento da Penitência, a remissão das suas faltas.
Exemplificando:
-Uma pessoa que pede a Deus a
graça de mudar de vida e de se confessar, mas sem assistir ao sacrifício da
Missa, poderá obtê-la somente em virtude do seu fervor e das suas instâncias,
porém sempre terá dúvida se de fato a obteve.
-Contudo, se ela assiste a santa
Missa com aquela finalidade, é certo que receberá a graça pedida, de modo
eficaz, desde que não oponham obstáculos a ela, independentemente das
disposições de quem celebra e do fervor de quem assiste a celebração,
entendendo-se o mesmo quanto às demais graças para a salvação.
-Se a Missa como memorial ordenado pelo próprio Cristo de sua paixão,
morte e ressureição, produz a graça e a aplicação dos méritos do seu sangue e
da morte, em que ela se diferencia dos sacramentos?
R. A diferença é que a Missa nos concede a graça de
forma mediata, enquanto que os sacramentos nos dão a graça imediatamente; a
Missa é uma via segura que conduz à vida, à graça, e os sacramentos são a
própria vida, a própria graça, com toda a sua eficácia.
-Que podemos concluir desse conceito?
R. Podemos concluir que a assistência à Missa é uma
excelente disposição para o perdão e a conseqüente justificação, considerando
que a Missa é o tribunal de misericórdia de primeira instância, se é
permitido assim falar, e dela se passa ao tribunal de reconciliação de último
recurso.
-Haveria outra diferença entre a Missa e os sacramentos?
R. Sim. Há outra diferença mais favorável ao
sacrifício:
-Os sacramentos só aplicam o sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo aos
que são dignos dele;
-Enquanto que a Missa o aplica ao justo e ao pecador, ao
que merece e ao que nem é mesmo digno de recebê-lo.
Isso porque os sacramentos
só produzem seus efeitos para os vivos, enquanto que a Missa estende seus
frutos de salvação aos vivos e aos mortos (do purgatório somente).
-Por que o altar está sempre acima do nível do solo?
R. O altar deve ficar acima do nível do solo,
elevado pelo menos por um degrau ou base, para corresponder ao significado literal e
místico do seu próprio nome (altar) e da sua finalidade.
-Como a elevação do altar acima do solo corresponde a sua finalidade?
R. Como a oração é a elevação da alma a Deus, assim
também é o sacrifício celebrado no altar, sinal público da mais excelente
oração, que deve ser oferecido num lugar elevado para nos lembrar que devemos nos
separar da terra, e nos elevarmos para o céu, aproximando-nos espiritualmente
do trono da misericórdia de Nosso Senhor.
-Por que se acendem luminárias durante a Missa?
R. A origem deste costume se encontra no início da
era cristã, no tempo das perseguições, em que os fiéis, obrigados a celebrar os
santos mistérios em lugares escuros e antes do raiar do dia, precisavam acender
tochas que, às vezes, eram multiplicadas como sinal de alegria.
-Há referência desse costume na Escritura?
R. Sim. S. Lucas, nos Atos dos Apóstolos, 20, 7- 8,
nos revela que, no local onde S. Paulo pronunciou um extenso discurso aos fiéis
no primeiro dia da semana (domingo) havia uma grande quantidade de luminárias.
Aí lemos: "E, no primeiro dia da semana, tendo-nos reunido para a fração
do pão, Paulo, que devia partir no dia seguinte, falava com eles, e prolongou o
discurso até a meia-noite. E havia muitas lâmpadas no Cenáculo, onde estávamos
reunidos". Além disso, Eusébio nos diz que, na noite de Páscoa, além da
iluminação das igrejas, o imperador Constantino ordenava acender todo o tipo de
tochas em todas as ruas da cidade, para que aquela noite fosse mais brilhante
que o dia mais claro (Euséb., História Ecles., 1. 5, c. 7).Assim, o costume das
luzes durante a celebração da Missa é uma lembrança da mais remota Antigüidade,
e como manifestação da alegria espiritual dos fiéis naquele santo momento.
-O costume de acender luzes não surgiu, portanto, da pura necessidade
natural de iluminação?
R. Não, pois, nos séculos III e IV, apesar da
profunda paz reinante, na qual a Igreja podia celebrar livremente, e com
grandiosidade, cerimônias mais solenes, sempre se acendiam lampadários durante
o dia.
-Há alguma referência histórica sobre esse tema?
R. Sim, por exemplo, quando o herege Vigilâncio se
atreveu a acusar a Igreja de superstição porque pessoas piedosas acendiam velas
durante o dia nos túmulos dos mártires, S. Jerônimo lhe respondeu indignado,
referindo-se aos ofícios eclesiásticos:
"Nós não acendemos luzes durante o
dia senão para mesclar de alguma alegria as trevas da noite; para velar com a
luz, e evitar dormirmos como vós, na cegueira das trevas" (S. Jerônimo,
Epist. ad Vigilant).
-Por que o testemunho de S. Jerônimo é importante para esse assunto?
R. Porque ninguém como ele poderia estar melhor
informado sobre esse costume, pois ele havia visitado toda a Gália (França) e
percorrido todo o Oriente e Ocidente. Assim, podemos dizer, sob sua autoridade,
que não se acendiam luzes durante o dia porque haviam sido usadas no decorrer
da noite, mas que nas igrejas do Oriente se acendiam luzes por motivos
místicos:
"Em todas as igrejas do Oriente, diz ele, se acendem velas
durante o dia quando se lê o Evangelho, não para ver claro, mas como sinal da
alegria e como símbolo da luz divina, luz da qual diz o salmo: vossa palavra é
a luz que ilumina meus passos" (Id.)
Esse mesmo motivo místico, que levou
os fiéis a acender velas durante a leitura do Evangelho, determinou o costume
posterior de mantê-las acesas durante a celebração do sacrifício em que Nosso
Senhor, que é a verdadeira luz dos homens, está realmente presente; no qual o
pontífice e o sacerdote, em suas elevadas funções, representam esta divina e
evangélica claridade.
-Por que a Igreja sempre aprovou esses costumes?
R. A Igreja sempre aprovou esses costumes
simbólicos porque eles são ensinamentos simples e edificantes para o povo.
-Por que se fazem "procissões antes da Missa" nos domingos e festas
solenes?
R. A finalidade das procissões antes da Missas é de
abençoar os caminhos e as casas com a água santificada e, principalmente, pela
presença de Cristo, como nas solenes procissões da Páscoa. A procissão de
entrada, se deu em virtude das grandes Catedrais, em virtude do longo percurso a
ser percorrido pelo sacerdote e ministros até chegarem ao altar.
-Há "outras finalidades" nas procissões?
R. Sim; como de honrar algum mistério, como a
entrada de Nosso Senhor no templo, ou sua entrada triunfal em Jerusalém no dia
de ramos; da sua ascensão ao céu; ou atrair as bênçãos de Deus sobre os bens da
terra, etc. A finalidade principal das procissões é de mostrar que o cristão é
um viajante em desterro na terra e que o céu é sua verdadeira pátria para a
qual ele se encaminha guiado por Cristo, sob a proteção de Nossa Senhora e dos
santos patronos, cujos estandartes ele leva, iluminado pela luz da fé, pelo
exercício da oração e da penitência, para chegar ao altar visível e deste ao
altar do céu, onde está o verdadeiro repouso e a felicidade eterna: estes são
os piedosos motivos que devem animar os fiéis nas procissões.
-Como o povo acompanha a procissão?
R. Durante a
procissão cantam-se hinos, salmos, antífonas, ladainhas e mais freqüentemente
responsórios, finalizando com uma oração geral recitada pelo sacerdote que a
dirige.
Fonte: *Micrólogo
Romano
*O Micrólogo da Missa (Micrologus de Ecclesiasticis Observationibus) foi escrito por Bernoldo de Constança por volta dos anos 1085–1090, no século XI. A obra é considerada um dos mais importantes tratados litúrgicos da Idade Média e surgiu no contexto da Reforma Gregoriana. O autor foi um sacerdote, cronista e liturgista ligado à tradição romana e à defesa das reformas promovidas pelo Papa Gregório VII. O Micrologus explica detalhadamente os ritos da Santa Missa, o simbolismo litúrgico, as vestes, os gestos, as posturas corporais, os tempos litúrgicos e diversos costumes da Igreja latina medieval. A obra teve enorme influência na formação da teologia litúrgica ocidental antes mesmo do Concílio de Trento.
e SOBRE O
PRELÚDIO E A DANÇA LITÚRGICA?
“A dança litúrgica adequadamente compreendida não é um abuso na Missa, mas a sua expressão mais alta e mais bonita. Quando cada movimento litúrgico e gesto são direcionados para adorar a Deus, a Missa se torna a dança mais solene e profunda deste mistério de Cruz e Ressurreição...” (David G. Bonagura Jr. - Professor adjunto de Teologia no Seminário da Imaculada Conceição, em Huntington, NY.)
O que é um preludio?
Muitas vezes escutamos essa palavra em nossas celebrações e nos fazemos algumas perguntas: Que finalidade tem esse momento? para que serve? O que significa? Se buscarmos auxilio no dicionário veremos que:
“um preludio é um exercício preliminar, que antecede algo, geralmente uma peça musical feita de improviso para introduzir algo...Utilizando as palavras do dicionário aplicada a nossa realidade de Igreja, o preludio é um exercício piedoso que transforma a arte em oração para introduzir a sinfonia do sacrifício de Cristo e ao mesmo tempo o esplendor de sua ressurreição. Através da dança, da musica, do teatro, da repetição de uma ANTÍFONA, ou até mesmo de um texto, nas grandes celebrações introduzimos os fieis no mistério celebrado através desse recurso que se propõe a revelar aos olhos da carne aquilo que somente os olhos do espírito podem ver. Longe de ser uma apresentação artística esses momentos são verdadeiras experiências de oração e de contemplação para os que dele participam.”
Algumas passagens
bíblicas, a exemplo de Êxodos 15,20 e Juízes 11, 34;vemos que o povo Israelita
dança nas ocasiões de algumas CELEBRAÇÕES.A dança era praticada em contextos de
Guerra. Vemos isso em: I Crônicas 13,8; 15,29; em II Samuel 6, 14. O povo
dançava nas festas da colheita, uma dança harmoniosa e que contava uma história.
“Pela encarnação de Deus em nossa história, em Jesus de Nazaré, o corpo
tornou-se “sacramento de Deus” e, na liturgia, o corpo humano deve encontrar
lugar para expressar essa sua sacramentalidade. A liturgia, assim, está repleta
de posturas e gestos corporais, que realizados com decoro e simplicidade,
expressam seus significados divinos...” (Sacrosanctum Concilium, nº 30;
Instrução Geral sobre o Missal Romano, nº 42; CNBB, Documento 43 sobre a
Animação da Vida Litúrgica no Brasil, nº 83).
A dança litúrgica não
é um elemento ornamental ou decorativo, divertimento, distração ou adendo
introduzido na liturgia, mas faz parte da oração comunitária da Igreja com a
função própria de ajudar a assembleia a entrar em contato com o mistério
celebrado, bem como ser expressão desse mistério.
Para os grandes
defensores da sobriedade do rito romano e para os que podem pensar que isso tudo
pode parecer ser “POUCO ROMANO”, vejamos o que diz a Congregação para o Culto
Divino:
“Em certos povos, o
canto é instintivamente acompanhado do bater de mãos, de movimentos ritmados e
de passos de dança dos participantes. Tais formas de expressão corporal podem
ter lugar na ação litúrgica desses povos, na condição de serem sempre expressão
de uma verdadeira e comum oração de adoração, de louvor, de oferta ou e súplica
e não mero espetáculo” (4º Instrução da Congregação para o Culto Divino, A
Liturgia Romana e a Inculturação, nº 42).
Até o ritual brasileiro do Batismo de
Criança, aprovado pela mesma Congregação, aconselha as danças litúrgicas:
“pode-se também trazer até a fonte do batismo a água acompanhada com cantos e
danças” (RBC, nº 64).
Para reforçar, vale lembrar o que diz a CNBB:
“não se trata, então, de dar receitas de danças litúrgicas, mas de
incentivar uma busca de fidelidade e coerência que nos leve aos poucos com a sabedoria
e o equilíbrio do amor e da verdade a resgatar o ‘corpo’, como mediação
universal, e a ‘dança’, como instauradora de harmonia entre espírito (alma) e
corpo no indivíduo; entre pessoa e comunidade; entre o mundo visível e o
invisível” (CNBB, A Música Litúrgica no Brasil, Estudos 79 da CNBB, nº 216).
Mateus 11,16-19: "Mas, a quem assemelharei esta geração? É semelhante aos meninos que se assentam nas praças, e clamam aos seus companheiros, E dizem: Tocamo-vos flauta, e não dançastes; cantamo-vos lamentações, e não chorastes. Porquanto veio João, não comendo nem bebendo, e dizem: Tem demônio. Veio o Filho do homem, comendo e bebendo, e dizem: Eis aí um homem comilão e beberrão, amigo dos publicanos e pecadores. Mas a sabedoria é justificada por seus filhos".
Com o intuito de contribuir acrescento as seguintes
citações da Sacrossanctum Concillium:
38. Mantendo-se substancialmente
a unidade do rito romano, dê-se possibilidade às legítimas diversidades e
adaptações aos vários grupos étnicos, regiões e povos, sobretudo nas Missões,
de se afirmarem, até na revisão dos livros litúrgicos; tenha-se isto
oportunamente diante dos olhos ao estruturar os ritos e ao preparar as
rubricas.
Da autoridade competente:
SC-39. Será da atribuição da
competente autoridade eclesiástica territorial, de que fala o art. 22 § 2, determinar as várias adaptações a fazer,
especialmente no que se refere à administração dos sacramentos, aos
sacramentais, às procissões, à língua litúrgica, à música sacra e às artes,
dentro dos limites estabelecidos nas edições típicas dos livros litúrgicos e
sempre segundo as normas fundamentais desta Constituição.
§ 2. Em virtude do poder
concedido pelo direito, pertence também às competentes assembleias episcopais
territoriais de vário género legitimamente constituídas regular, dentro dos
limites estabelecidos, a Liturgia.
SC-37. Não é desejo da Igreja
impor, nem mesmo na Liturgia, a não ser quando está em causa a fé e o bem de
toda a comunidade, uma forma única e rígida, mas respeitar e procurar
desenvolver as qualidades e dotes de espírito das várias raças e povos. A
Igreja considera com benevolência tudo o que nos seus costumes não está
indissoluvelmente ligado a superstições e erros, e, quando é possível,
mantem-no inalterável, por vezes chega a aceitá-lo na Liturgia, se se harmoniza
com o verdadeiro e autêntico espírito litúrgico.
Dos dispositivos acima
citados conclui-se que a Igreja admite a adaptação da Liturgia às
particularidades de cada povo e que o episcopado pode e deve fazer essas
adaptações. Veja-se ainda a ficha 77 A Liturgia Dançada - Formação em Mutirão
da CNBB e a Carta Circular do CELAM - Conselho Episcopal Latino-americano
" e a Carta Circular do CELA:
“critérios a serem considerados para a acolhida da DANÇA LITURGICA,
nas celebrações litúrgicas"
Portanto, não se
trata de que os Documentos da CNBB, ou do CELAM, são inferior à Sacrossanctum
Concillium, mas complementar a esta e legitimar, porquanto foi aprovada pela
Conferência dos Bispos do Brasil, autoridade reconhecida pelo documento da
Santa Sé, conforme dito acima. Juridicamente falando, podemos dizer que a
Sacrossanctum é a lei geral e o Doc. 43 da CNBB é a lei complementar.
Veja também o que diz o artigo 123 da Sacrossanctum:
SC-123. A Igreja. nunca considerou um estilo como próprio seu, mas
aceitou os estilos de todas as épocas, segundo a índole e condição dos povos e
as exigências dos vários ritos, criando deste modo no decorrer dos séculos um
tesouro artístico que deve ser conservado cuidadosamente.
A Igreja "não exclui a dança como expressão de sua fé"
O Antigo Testamento
atesta que ela não estava fora do culto que Israel prestava ao Senhor:
“Davi,
cingido apenas com um efod de linho, dançava com todas as suas forças diante do
Senhor!” (2Sm 6,14).
A Constituição Litúrgica Sacrosanctum Concilium Nº 112
afirma:
“A Igreja aprova e admite no culto todas as formas de arte autêntica que
estejam dotadas das devidas qualidades” (SC 112).
A instrução sobre Liturgia e Inculturação, Varietates
legitimae [VL] (1994), da Congregação para o Culto e a Disciplina dos
Sacramentos, afirma:
“Entre alguns povos, o canto é
instintivamente acompanhado por palmas, balançados rítmicos ou movimentos de
dança, por parte dos participantes. Tais formas de expressão corporal podem ter
lugar nas ações litúrgicas desses povos, com a condição de que sejam sempre a
expressão de uma verdadeira oração comunitária de adoração, de louvor, de
oferenda e de súplica, e não um simples espetáculo” (VL 42).
Afirma ainda que:
“A diversidade de alguns elementos das celebrações litúrgicas é fonte de
enriquecimento, desde que respeite sempre a unidade substancial do Rito romano, a
unidade de toda a Igreja e a integridade da fé que foi transmitida aos santos
de todos os tempos” (cf Jd 3; VL 70).
Por outro lado, a
corporeidade é um meio natural de expressão do ser humano, de modo que também o
movimento rítmico e os passos da dança podem ser uma autêntica forma ritual.A
exemplo disso, recordamos que a dança litúrgica está contemplada em um ritual
particular africano, o Missal Romano para as Dioceses do Zaire (Congo), para
acompanhar a apresentação das oferendas.
*A partir das normas já expressadas pelo Magistério da
Igreja, há que se ter em conta os seguintes critérios, oferecidos para um
ulterior discernimento e aprovação das Conferências Episcopais:
1. Deve-se “considerar ‘com
atenção e prudência os elementos que se podem tomar das tradições e índole de
cada povo, para oportunamente incorporá-los ao culto divino’. Por vezes, se poderá admitir ‘tudo aquilo
que, nos costumes dos povos, não esteja indissoluvelmente vinculado a
superstições e erros (…), conquanto se possa harmonizar com o verdadeiro e
autêntico espírito litúrgico’” (VL 31).
2. “Os ritos devem resplandecer com nobre simplicidade; devem ser
breves, claros, evitando repetições inúteis, adaptados à capacidade dos fiéis
e, de modo geral, não devem necessitar de muitas explicações” (SC 34).
3. Quando se introduz a dança
litúrgica na celebração, deve ela partilhar da mesma finalidade de toda a ação
dentro da liturgia: ser uma expressão da participação ativa e frutuosa, fruto
da autêntica espiritualidade litúrgica de toda a assembleia, mesmo que seja
executada apenas por algumas pessoas. Evite-se, portanto, que seja mera
apresentação teatral.
4. A dança litúrgica só se justifica na celebração se é algo conatural à
cultura da assembleia. Não se pode forçar nem introduzi-la artificialmente na
liturgia.
5. A dança litúrgica não pode ser
um espetáculo, e sim que, tal como se pede ao canto litúrgico, deve acompanhar
a ação ritual e fazer parte integrante dela.
6. Há que se considerar que nem
todo momento da celebração é apropriado à introdução da dança litúrgica. Deve
haver sintonia entre a ação ritual e os movimentos da dança, tal qual sucede no
canto.
7. Mesmo assim, a dança deve
estar em sintonia com os diversos tempos do ano litúrgico, que podem ser mais
ou menos apropriados para sua inclusão.
8. Os homens e as mulheres que
executam a dança litúrgica devem estar inspirados por uma autêntica
espiritualidade litúrgica, considerando sua participação como um serviço
litúrgico que enriquece a assembleia e a ajuda a celebrar. Sua vestimenta deve ser adequada à dignidade da ação sagrada.
9. A duração da dança deve ser
proporcional à da ação ritual que ela acompanha, não se estendendo
demasiadamente.
10. Sendo o Ordinário [o Bispo]
do lugar o primeiro responsável pela liturgia da Diocese, a inclusão da dança litúrgica nas celebrações sacramentais precisa
contar com sua a provação (cf SC 39).
*Congregação para o
Culto Divino e Disciplinas dos Sacramentos - Roma, 10 de setembro de 2012.
Há quem possa
estranhar ser admitida, além da música vocal e instrumental, também, a dança na
liturgia !
Mas se formos analisar os
documentos da Igreja e as orientações litúrgicas, encontraremos amplas razões,
sobretudo históricas e culturais, para usá-la, uma vez que "nosso corpo,
sensível e dócil ao movimento, é uma fonte inesgotável de expressão. Por isso,
na liturgia têm importância os gestos, as posturas, as caminhadas e a dança",
conforme o documento 43 da CNBB, "Animação da vida litúrgica no
Brasil" (Paulinas, São Paulo, 1989, em seus números 83, 207, 241 e 297). Além
do livro "Música, dança e poesia na Bíblia", de Maria Victoria
Triviño Monrabal (Paulus, 2006), vale a pena consultar o Estudo da CNBB 79 -
"A música litúrgica no Brasil" ( Paulus, São Paulo, 1999), do nr. 206 ao 219, que faz interessantes
considerações sobre a dança litúrgica, como criadora de harmonia entre o
espírito e o corpo, entre a pessoa e a comunidade, entre o visível e o
invisível.
Porém é preciso
lembrar que a dança litúrgica, assim como o canto e a música, não é uma dança
qualquer, um simples espetáculo ou exibição para a assembleia assistir e
aplaudir, um elemento estranho à celebração, mas ela faz parte integrante da
ação litúrgica, é uma liturgia dançada, perfeitamente integrada aos ritos e
diversos momentos celebrativos. Portanto, deve ser bela, digna, sóbria, plena de harmonia e
simplicidade, e sobretudo orante, levando toda a comunidade a rezar.
Assim
sendo, a equipe da dança litúrgica (dançarinos e dançarinas) pode exercer um
verdadeiro ministério, a serviço da comunidade celebrante.Como fenômeno universal
que é, a dança faz parte da cultura dos
povos. Desde o antigo Israel, ela sempre acompanhou o canto, os salmos, o
louvor do povo diante do Senhor.
A Bíblia está repleta de passagens onde o
convite à dança e ao louvor se faz... O povo brasileiro tem fortes raízes
indígenas e africanas, portanto é também um povo dançante, que usa gestos e
movimentos, o corpo enfim como expressão litúrgica, para traduzir e ajudar a
mergulhar no mistério. Mais do que comunicação verbal, a liturgia é
ação, e como tal, usa a linguagem afetiva para expressar o Inefável.
Faz parte da cultura africana a dança litúrgica!
De modo que nas
liturgias mais solenes há sempre o grupo de dança, em geral dançarinas
(mulheres, jovens e crianças) integrando
a ação litúrgica de uma forma orante, perfeita, quase sublime, acompanhando as procissões da entrada,
oferendas, ação de graças e louvor final, além do Ato Penitencial, do Gloria,
Santo e outros. Momento muito solenizado é a ação de graças, quando a
comunidade toda, contagiada pela vibração das dançarinas, se põe a dançar e a
bater palmas, num ritmo próprio, leve e cheio de graça... Uma linguagem
privilegiada, intraduzível!... Envolvendo o corpo inteiro, desde o olhar, das
mãos aos pés, os gestos nascem suaves e delicados, numa postura de total
entrega da alma a Deus. Pode ajudar-nos saber
o que diz o "Diretório de Pastoral" da Arquidiocese de Nampula,
através do seu pastor, Dom Tomé Makkweliha,
a esse respeito:
"O canto e a dança têm um
lugar próprio nas celebrações; devem ter qualidades, e serem capazes de
exprimir o espírito de oração; serem preparados e realizados com dignidade e
devoção, de modo a criar um ambiente de oração para todos. Na Igreja, cantar e dançar é rezar. Para isso, o canto e a dança,
assim como o toque de instrumentos musicais, devem ter sentido de verdadeira
oração. Os instrumentos sejam tocados o
mais baixo possível; são simplesmente para acompanhar o canto e não para
exibições, nem devem estar acima das vozes. O ritmo dos toques e o estilo
da dança devem ser diferentes dos toques e danças profanas que se realizam no
mundo." Vale para nós!...
Também o "Guia
Litúrgico-Pastoral" da CNBB (Edições CNBB, 2007) dedica algumas páginas à
dança litúrgica, orientando como e quando deve ser feita, respeitando-se sempre
o sentido ministerial dos diferentes momentos celebrativos, e recomendando
ainda que "se usem vestes dignas e adequadas..."
Nossos Bispos sempre pedem
discernimento, sensibilidade e prudência pastoral no uso da dança litúrgica pela grandeza do significado da liturgia. Na liturgia terrestre participamos,
antecipadamente, da liturgia celeste, como podemos ler na “Sacrosanctum
Concilium”.
Na primeira constituição disciplinar promulgada pelo Concílio
Vaticano II, que trata da reforma e do incremento da liturgia, temos: “Toda
celebração litúrgica, como obra de Cristo sacerdote, e de Seu Corpo, que é a
Igreja, é uma ação sagrada por excelência, cuja eficácia, no mesmo título e
grau, não é igualada por nenhuma outra ação da Igreja” (SC 7). Buscando o sentido
etimológico, liturgia (leit, de léos-láos = povo e érgon, do verbo ergázomai =
agir ) é uma ação pública.
As Sagradas Escrituras trazem este termo de forma gradual, mostrando uma
evolução até chegar ao ponto alto que é a chamada liturgia cristã. Nesta
liturgia, todos são os celebrantes, portanto, os licurgos, os “fazedores”, e o
objetivo é atualizar o mistério pascal de Cristo em cada celebração.
O costume
ou tradição de reunir-se para comemorar é próprio do homem, assim,
religiosamente isto também acontece. O nome para essa reunião é diferente para
cada grupo, cultura ou credo. No Catolicismo, a assembléia reunida para
celebrar chamava-se “ekklesia”(grego) que passou para “ecclesia”(latim) e para
“igreja” (português).
Dessa maneira, a ação litúrgica é uma celebração pública
da Igreja, que está ali reunida e é o “sacramento da unidade” - O povo santo de
Deus é que faz a liturgia. A assembléia reunida ora a Deus e celebra cada um de
acordo com os seus dons e ofícios diversos. Todos, a seu modo, com suas
capacidades e diversidades participam desta liturgia. Este povo, nascido das
águas do batismo é um povo sacerdotal, sendo ele o protagonista do mistério
celebrativo. São duas as dimensões litúrgicas: glorificação de Deus e
santificação do homem. Uma completa a outra, uma é consequência da outra.
Enquanto glorificamos a Deus, nós nos santificamos.
A liturgia deve sempre nos
levar a uma maior aproximação com Deus, o que sempre nos levará a uma atitude
de conversão. Sendo rica em símbolos, todos se referem à realidade de Jesus
Cristo e do Reino de Deus. Toda essa rica simbologia está impregnada do
Espírito de Jesus Ressuscitado, para que esta celebração da manifestação misericordiosa
de Deus para com Seu povo, seja uma ação orante que atinge o coração,
provocando uma verdadeira relação de amor com Deus que veio fazer aliança
conosco.
Tudo deverá nos levar sempre a sentimentos de mudança, de renovação.
Não podemos jamais sair de uma celebração do mesmo modo com entramos. Ela
sempre deverá nos levar a uma vida nova em Cristo. Sendo a liturgia ação de
Deus e de Seu povo, ela não pode nunca ser ação de algumas pessoas ou de um
determinado grupo ou movimento. Quem celebra é sempre o povo de Deus, o Corpo
de Cristo, uma comunidade reunida por Cristo e em Cristo na unidade do Espírito
Santo.
Não se trata, aqui, de um povo qualquer, mas de um povo formado por
pessoas que, acolhendo o convite de Deus pela escuta da Palavra, reúne-se em assembleia
para celebrar. Fica claro que as características apresentadas não são, por
vezes, atingidas no nosso dia-a-dia comunitário.
A heterogeneidade dificulta o
trabalho eclesial, a falta de santidade de todos afasta-nos de Cristo, a
hierarquia por vezes não é bem compreendida, os motivos que levaram as pessoas
à assembléia são diversos, ou louvor ou tristeza ou súplica, tirando a
unicidade de intenções. Há, da mesma forma, uma dificuldade de se entender que
é na liturgia que se busca a fonte para o impulso missionário, mas o trabalho
de missão visa a liturgia e sua celebração, ou seja, é celebrando que se ganha
força para continuar celebrando.
Assim, conclui-se que a Igreja celebra a
liturgia para atualizar vários aspectos da vida de Jesus entre nós. É a
participação do próprio Cristo, o Emanuel, no nosso dia-a-dia, mostrando-nos
que não estamos sozinhos na nossa caminhada terrena.
CONCLUSÃO:
O louvor e a adoração a Deus jamais foram concebidos, nas Sagradas Escrituras e na Tradição cristã, como um mero exercício intelectual ou uma contemplação puramente abstrata das verdades divinas. Também não se reduzem a uma experiência emocional interior sem manifestação concreta na vida humana. O homem inteiro foi criado para glorificar a Deus: alma, inteligência, vontade, afetos e corpo. Como ensina São Paulo: “Glorificai, pois, a Deus no vosso corpo” (1Cor 6,20).
O cristianismo autêntico não professa uma espiritualidade gnóstica, desencarnada ou hostil ao corpo, como se a matéria fosse algo inferior ou incompatível com a verdadeira vida espiritual. Pelo contrário: o Verbo se fez carne (Jo 1,14), assumiu um corpo humano, santificou a matéria pelos sacramentos e redimiu o homem integralmente. Por isso, a espiritualidade cristã envolve também os sentidos, os gestos, as posturas e as expressões corporais. São Paulo exorta os fiéis a oferecerem seus corpos “como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus” (Rm 12,1), mostrando que o culto verdadeiro envolve todo o ser humano.
Nosso Senhor nos ordena amar a Deus com todo o coração, toda a alma, todo o entendimento e todas as forças (Lc 10,27). Isso inclui, evidentemente, o corpo que Ele mesmo criou e declarou bom. Não por acaso, muitas palavras bíblicas ligadas à adoração carregam consigo a ideia de movimento corporal, reverência física e expressão visível de honra diante da majestade divina.
As palavras hebraicas e gregas mais importantes para “adoração” — como hishtahawah no Antigo Testamento e proskynein no Novo Testamento — expressam justamente a ideia de prostrar-se, inclinar-se profundamente, curvar-se diante de alguém digno de honra suprema.
A própria Escritura mostra constantemente homens e mulheres de Deus adorando também com o corpo: ajoelhando-se, elevando as mãos, cantando, tocando instrumentos, inclinando-se, permanecendo de pé em reverência, prostrando-se por terra e até dançando em honra ao Senhor em contextos apropriados (cf. Jó 1,20; Sl 47,1; Sl 95,6; Sl 149,3; Ap 15,2).
As expressões corporais presentes na vida litúrgica e devocional do povo de Deus nunca foram abolidas pela Nova Aliança, como se o culto cristão devesse tornar-se puramente mental ou silenciosamente interiorizado. Em nenhum lugar o Novo Testamento ensina que o corpo deixou de participar da adoração. Pelo contrário: os cristãos continuam ajoelhando-se diante de Cristo, levantando as mãos em oração, cantando salmos e hinos espirituais, prostrando-se em reverência e utilizando sinais visíveis para manifestar uma fé invisível.
A própria liturgia católica é profundamente corporal: ajoelhamos diante do Santíssimo Sacramento, fazemos genuflexão, traçamos o sinal da cruz, caminhamos em procissão, inclinamos a cabeça, batemos no peito no ato penitencial e permanecemos de pé em honra ao Evangelho. Tudo isso demonstra que o corpo não é um elemento estranho ao culto cristão, mas participante ativo da oração da Igreja.
Por isso, certas expressões simbólicas e corporais, quando realizadas com discernimento, reverência, modéstia, sobriedade e verdadeiro espírito de oração, podem possuir valor catequético e contemplativo no contexto litúrgico ou em seus prelúdios. O problema nunca está na existência da expressão corporal em si, mas no abuso, no exagero, na banalização e na transformação da liturgia em espetáculo humano.
Em liturgia, a questão não deve ser tratada apenas na lógica simplista do “pode” ou “não pode”, mas sobretudo do “por quê?” e “para quê?”. Toda expressão corporal deve conduzir ao mistério de Deus, favorecer o recolhimento, elevar a alma ao sagrado e manifestar exteriormente aquilo que a Igreja crê interiormente.
Quando a expressão física busca chamar atenção para pessoas, produzir entretenimento, emocionalismo exagerado ou aplauso humano, ela perde completamente seu sentido espiritual e se distancia da sacralidade própria da Santa Missa.
Da mesma forma, também seria um erro forçar artificialmente manifestações corporais ou criar ambientes de pressão emocional para provocar determinadas reações externas. Deus não deseja teatralidade religiosa nem sentimentalismo fabricado. Nosso Senhor quer um culto “em espírito e verdade” (Jo 4,24), no qual os gestos externos brotem autenticamente de um coração convertido e adorador.
Ao mesmo tempo, não podemos cair no extremo oposto de imaginar que a verdadeira reverência consiste em uma frieza absoluta, numa rigidez puramente racional ou numa espiritualidade sem qualquer expressão visível. Deus criou o corpo humano e deseja ser glorificado também através dele. Como afirma a Escritura: “Meu coração e minha carne exultam pelo Deus vivo” (Sl 84,2).
Portanto, toda manifestação corporal legítima na vida litúrgica deve estar submetida à ordem, à prudência, ao discernimento pastoral e à sacralidade do culto divino. Nosso Deus é Deus de ordem e não de confusão (1Cor 14,33). Quando há humildade, reverência, equilíbrio e verdadeira intenção de glorificar a Cristo, o corpo torna-se também instrumento de oração, louvor e adoração.
Jesus Cristo é infinitamente digno de todo amor, honra, reverência e adoração. E é justamente por isso que o cristão autêntico busca glorificá-Lo não apenas com pensamentos interiores, mas com toda a sua existência: mente, alma, voz, gestos e corpo, pois tudo aquilo que Deus criou e santificou pode — quando corretamente orientado — tornar-se expressão de louvor ao Seu santo nome.
Por *Francisco José Barros
Araújo – Bacharel em Teologia pela Faculdade Católica do RN, conforme diploma
Nº 31.636 do Processo Nº 003/17
BIBLIOGRAFIA
-BERNOLDO DE CONSTANÇA. Micrologus de Ecclesiasticis Observationibus [Micrólogo das Observâncias Eclesiásticas]. c. 1085-1090. (Importante tratado litúrgico medieval que explica os ritos, símbolos, gestos e cerimônias da Santa Missa na tradição latina.)
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-CONCÍLIO VATICANO II. Lumen Gentium: Constituição Dogmática sobre a Igreja. Vaticano, 1964. Disponível em: https://www.vatican.va. Acesso em: 22 janeiro 2017. (Explica a natureza da Igreja e o chamado universal à santidade, incluindo a dimensão corporal e sacramental da vida cristã.)
-CONCÍLIO VATICANO II. Gaudium et Spes: Constituição Pastoral sobre a Igreja no Mundo Atual. Vaticano, 1965. Disponível em: https://www.vatican.va. Acesso em: 22 janeiro 2017. (Apresenta a visão cristã integral do homem, valorizando corpo e alma como realidade unificada criada por Deus.)
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-JOÃO PAULO II, Papa. Ecclesia de Eucharistia. Vaticano, 2003. Disponível em: https://www.vatican.va. Acesso em: 22 janeiro 2017. (Reflexão sobre a centralidade da Eucaristia e a dignidade, reverência e sacralidade do culto litúrgico.)
-JOÃO PAULO II, Papa. Dies Domini. Vaticano, 1998. Disponível em: https://www.vatican.va. Acesso em: 22 janeiro 2017. (Documento sobre o domingo cristão, a assembleia litúrgica e o sentido espiritual e comunitário da celebração.)
-BENTO XVI, Papa. Sacramentum Caritatis. Vaticano, 2007. Disponível em: https://www.vatican.va. Acesso em: 22 janeiro 2017. (Apresenta a relação entre beleza, reverência, ars celebrandi e participação autêntica na liturgia.)
-BENTO XVI, Papa. Introdução ao Espírito da Liturgia. São Paulo: Loyola, 2011. (Importante obra teológica sobre o verdadeiro sentido da liturgia, simbolismo, gestos e centralidade da adoração.)
-RATZINGER, Joseph. O Espírito da Liturgia. Campinas: Ecclesiae, 2019. (Análise profunda da natureza do culto cristão, criticando abusos litúrgicos e defendendo a sacralidade da liturgia.)
-PIO XII, Papa. Mediator Dei. Vaticano, 1947. Disponível em: https://www.vatican.va. Acesso em: 22 janeiro 2017. (Principal encíclica pré-conciliar sobre liturgia, reconhecendo a importância da participação dos fiéis no culto.)
-PIO X, Papa. Tra le Sollecitudini. Vaticano, 1903. Disponível em: https://www.vatican.va. Acesso em: 22 janeiro 2017. (Motu proprio sobre música sacra e participação ativa dos fiéis nas celebrações litúrgicas.)
-SÃO TOMÁS DE AQUINO. Suma Teológica. São Paulo: Loyola, 2005. v. IV. (Desenvolve a relação entre culto exterior, adoração, virtude da religião e expressão corporal da fé.)
-SANTO AGOSTINHO. Comentários aos Salmos. São Paulo: Paulus, 1997. (Interpretação patrística dos salmos de louvor, procissão, júbilo, canto e adoração corporal.)
-BASÍLIO MAGNO, São. Homilias sobre os Salmos. São Paulo: Paulus, 1998. (Apresenta a espiritualidade do louvor cristão através dos salmos e das expressões comunitárias de culto.)
-GUARDINI, Romano. O Espírito da Liturgia. Rio de Janeiro: Lumen Christi, 1942. (Clássica obra do Movimento Litúrgico que influenciou fortemente o Vaticano II na compreensão simbólica da liturgia.)
-CABASILAS, Nicolau. A Vida em Cristo. São Paulo: Cultor de Livros, 2012. (Explora a dimensão sacramental e corporal da união do cristão com Cristo na vida litúrgica.)
MARSILI, Salvatore. A Liturgia, Momento Histórico da Salvação. São Paulo: Paulinas, 1987. (Importante obra litúrgica sobre sinais, símbolos e participação do corpo no mistério celebrado.)
-VAGAGGINI, Cipriano. O Sentido Teológico da Liturgia. São Paulo: Loyola, 2009. (Explica os fundamentos teológicos da liturgia e sua dimensão espiritual e visível.)
-MARTIMORT, Aimé Georges (org.). A Igreja em Oração: Introdução à Liturgia. Petrópolis: Vozes, 1989. (Manual clássico de teologia litúrgica abordando gestos, ritos, símbolos e participação ativa.)
-CNBB. Animação da Vida Litúrgica no Brasil. Brasília: Edições CNBB, 1989. (Documento pastoral sobre liturgia, inculturação, participação comunitária e reverência celebrativa.)
-CNBB. Documentos da CNBB 43 – Animação da Vida Litúrgica no Brasil. Brasília: Edições CNBB, 1989. (Orienta a prática litúrgica no contexto brasileiro, incluindo expressões culturais e prudência pastoral.)
-JOÃO CRISÓSTOMO, São. Homilias sobre o Evangelho de Mateus. São Paulo: Paulus, 2004. (Comentários patrísticos sobre reverência, oração e atitudes corporais diante do sagrado.)
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Nós Cristãos não compactuamos com uma espiritualidade gnóstica que minimiza ou nega a importância do corpo na verdadeira espiritualidade (Rm 12,1; Flp 1,20.) Deus nos ordena a amá-lo com todo o nosso coração, alma, mente e "forças" (Lucas 10,27). Isso certamente inclui o corpo que ele nos deu. Muitas das palavras que traduzem como “adoração” em grego e hebraico contém a idéia de movimento corporal. As duas palavras mais proeminentes – histahawah no Antigo Testamento, e proskynein no grego – dão a idéia de dobrar-se na cintura ou curvar-se como uma expressão de homenagem e reverência. Além disso, a expressão física é vista e modelada de forma espontânea nas Escrituras como uma maneira de dar glória a Deus. (Jó 1,20; Sl 47,1; Sl 95,6).
Sheylla - SP
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