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Não se iluda, O PT NÃO TIROU NINGUÉM DA MISÉRIA, muito pelo contrário, e quer saber por que ?

Written By Beraká - o blog da família on sábado, 28 de julho de 2018 | 23:05






Bradam os Ptistas: “Condenam-nos não por nossos erros, que certamente ocorrem numa organização que reúne milhares de filiados. Perseguem-nos pelas nossas virtudes. Não suportam que o PT, em tão pouco tempo, tenha retirado da miséria extrema 36 milhões de brasileiros e brasileiras.”




É importante notar que nunca dizem que “o partido contribuiu decisivamente para a redução da miséria extrema no país, mas vão além, tomando todo o mérito, dizendo que foi única e exclusivamente o PT, enquanto organização, quem diminuiu em 36 milhões o número de brasileiros miseráveis, sendo o responsável também, único e exclusivo por este acontecimento. O mesmo discurso é repetido com frequência por quase todas lideranças do partido ou simpáticas a ele nas campanhas eleitorais de 2006, 2010 e 2014, e constituiu-se como a principal força aglutinadora da militância partidária desde então. Quase toda a metafísica que inspira corações e mentes petistas nos dias de hoje passa, necessariamente, pela narrativa que dá ao PT o mérito por um combate à miséria de sucesso extraordinário, inquestionável e “nunca antes visto na história deste país”, como dizia o ex-presidente Lula. Como consequência lógica deste discurso, tudo o que é externo ao petismo é imediatamente retratado como favorecimento a elites que não suportam a ascensão social de quem ontem era pobre “e hoje anda de avião”.


Digo isso, inclusive, com base na minha experiência pessoal: como um ex-esquerdista outrora orgulhoso (e, por alguns anos, desgostoso pela minha “conversão reacionária”), cresci nos mais diversos círculos militantes, dentro da militância sindical e partidária como membro de diretório do PCdoB, assistindo a comícios e comemorando apurações na rua.Durante todos esses anos, nenhum argumento foi mais importante para ratificar internamente o meu esquerdismo do que as estatísticas de redução da miséria e desigualdade durante o governo Lula, assim como minha futura rejeição ao partido passou necessariamente pela desmistificação deste discurso. Deixei de ser esquerdista, dentre outros motivos, justamente depois de me convencer sobre o que escrevo neste artigo:


O Partido dos Trabalhadores NÃO foi responsável, nem exclusivo e nem muito menos majoritário, pelos 36 milhões de brasileiros e brasileiras que deixaram a miséria extrema.



Técnicos do governo federal lançaram o documento “Sobre o processo de desenvolvimento inclusivo no Brasil da última década”. O mais famoso de seus autores é Ricardo Paes de Barros, um economista reconhecido por sua contribuição para a criação do Programa Bolsa Família e que, durante o primeiro mandato de Dilma, foi subsecretário de Ações Estratégicas da Presidência da República. Dentre os gráficos, há um que merece especial atenção:


Um dos gráficos mostra a evolução da desigualdade de renda no Brasil desde 1976. A medida adotada é o Coeficiente de GINI, tido como padrão internacional para mensurar a desigualdade de renda. Um coeficiente de 0.5 significa que, naquele país, a distância média entre a renda de duas pessoas de um país é igual a 50% da renda média da população. A definição pode ser complicada para os não-iniciados em economês (ou mais especificamente, em estatistiquês), mas o essencial é notar que, quanto menor o Coeficiente de GINI, menor é a desigualdade de renda dentro de um país. E em 2001 e 2002, como se sabe, Lula ainda não havia vencido as eleições para presidente do Brasil. Não me parece que, fora do governo, Lula ou o PT tenham exercido alguma influência mágica para reduzir a desigualdade por aqui. Além disso, a queda verificada nos primeiros anos de governo dificilmente pode ser vista como mérito do presidente, já que não faz sentido imaginar que as políticas de Lula tenham surtido efeito imediato como um passe de mágica, a partir do momento em que o ex-presidente chegou ao poder. Só há um jeito de combater miséria e desigualdade: crescimento econômico. Para que as pessoas melhorem de vida, e o abismo entre ricos e pobres diminua, a renda das famílias mais pobres precisa crescer, e crescer mais do que a renda das famílias mais ricas. Mas nada disso é possível se a economia brasileira não crescer como um todo. O economista Ricardo Paes de Barros, já citado neste texto, afirma que o crescimento econômico explica mais do que a metade deste processo de inclusão social. E, de fato, durante o governo Lula a economia brasileira cresceu mais do que antes de sua chegada ao poder. Mas por que?


Antes de entrar no assunto, vale um parênteses: certamente não foi por causa do petismo, enquanto conjunto de ideias econômicas. Como é de conhecimento geral, Lula começou o seu governo admitindo que, no campo da economia, ele se limitaria a fazer rodar o software econômico vindo do governo anterior.Lula começou o governo indicando Henrique Meirelles para a presidência do Banco Central, um ex-banqueiro que havia acabado de eleger-se deputado federal pelo PSDB. Um tucano legítimo. Já no Ministério da Fazenda, o titular era Antônio Palocci, conhecido dentro do PT como um rebelde quando o assunto é economia, pois discordava de quase todos os seus colegas de partido e elogiava abertamente a política econômica tucana, chegando a declarar publicamente que “A mais importante reforma dessas quatro décadas foi a adoção do regime de metas para inflação, quando aqui esteve Armínio Fraga e, na Fazenda, o colega Pedro Malan”. Armínio Fraga, neste caso, é aquele mesmo que foi escolhido por Aécio Neves como ministro da fazenda em um eventual governo. Quanto a isso, não há prova maior do que, o fato de Palocci ter escolhido Marcos Lisboa e Joaquim Levy (ele mesmo), dois economistas ideologicamente distantes do partido, para ocupar as duas das secretarias mais importantes do ministério, respectivamente as secretarias de Política Econômica e do Tesouro.


A política econômica do governo Lula, ao menos até 2008, pode ser acusada de tudo, menos de petista. Desta forma, o crescimento econômico no Brasil certamente não ocorreu pela adoção de políticas inovadoras após 2003, mas justamente pela repetição do que havia sido feito durante o governo FHC. Ainda assim, isso não é suficiente para explicar por que o Brasil cresceu. Analisando comparativamente, a situação dos dois governos é bem parecida: tanto com Lula quanto com FHC, a economia brasileira cresceu pouco mais do que a média dos vizinhos latinoamericanos. A diferença é que, durante o governo Lula, a taxa de crescimento dos países da América Latina foi 72% maior do que durante o governo tucano. Não é que Lula tenha inventado a roda com políticas públicas geniais que beneficiaram os trabalhadores. O motivo é mais simples: no início da década passada, o mundo se tornou um lugar muito mais agradável para países como o Brasil.Um dos motivos certamente foi a subida nos preços internacionais nas commodities, mercadorias primárias como comida e minérios. Para um país como o Brasil, muito forte em setores como a agricultura, isso basicamente significa que as coisas que são produzidas aqui ficaram cada vez mais caras quando comparadas com o que é produzido fora daqui. O cenário perfeito para uma economia que precisa crescer. Não é razoável imaginar que Lula ou o PT tenham exercido qualquer influência nos preços internacionais e os números são claros ao demonstrar que as condições externas melhoraram muito durante o início do governo Lula. Além do crescimento ter se acelerado de forma generalizada em toda a América Latina, desde a Colômbia governada pela direita à Venezuela bolivariana, e dos termos de troca terem melhorado consistentemente, há ainda um último fato que explica o crescimento econômico e a redução da miséria e desigualdade no Brasil.


De acordo com os dados disponíveis, nunca antes na história humana tantas pessoas saíram da pobreza em tão pouco tempo “ao redor do mundo”. Em 20 anos, 1 bilhão de pessoas saíram da pobreza. No Brasil o mesmo aconteceu, mas não por causa de uma mudança repentina nos governantes brasileiros, mas porque a mesmíssima coisa aconteceu em todos os países emergentes do mundo. O estudo elaborado pela revista The Economist com dados do Banco Mundial mostra o que digo: apenas entre 2005 e 2008, 111 milhões de pessoas saíram da pobreza ao redor do globo.



A década perdida entre 2003 a 2012


O erro mais comum de quem trata a inclusão econômica e social dos últimos anos como obra exclusiva do PT é antigo. Trata-se de uma velha falácia lógica conhecida como post hoc ergo propter hoc, que em português, seria algo como “depois disso, logo, por causa disso”. Quase todo o processo aconteceu depois da eleição de Lula, logo, simpatizantes do ex-presidente tendem a deduzir que ela aconteceu por causa da eleição de Lula.Como já vimos acima, a coisa não foi bem assim. Acontecimentos internacionais favoráveis, que o ex-presidente não poderia controlar, assim como dinâmicas internas anteriores à sua chegada ao poder (como a do controle inflacionário), foram mais influentes do que qualquer medida tomada por ele durante a presidência.


Claro que há algum mérito a ser reconhecido. A expansão do Bolsa Família, já citada, deve ser considerada. O estudo que citarei a seguir reconhece ainda outras contribuições importantes do governo Lula, como as reformas microeconômicas do primeiro mandato, em especial a Lei de Falências.



Ao reivindicar o mérito exclusivo por tudo o que aconteceu no Brasil, Lula está agindo como qualquer outro político o faria em seu lugar. Quem deve estudar economia são os economistas. Os políticos agem de outra forma, tentando acumular poder a partir dos fatos do dia. E Lula, com sua habilidade política e personalidade carismática, soube capitalizar como poucos a imagem de combatente incansável contra a pobreza. Ninguém jamais chegará ao poder mostrando gráficos complicados, discutindo dinâmicas que reduziram a desigualdade de escolaridade ou explicando o que são termos de troca. A política já era assim antes de Lula e continuará sendo assim depois dele.Existe, porém, uma forma mais sóbria de avaliar o desempenho das políticas públicas do presidente: comparar, com os melhores controles estatísticos possíveis, os avanços no Brasil com o que aconteceu em países parecidos com o Brasil, durante o mesmo período. Foi o que fizeram os economistas João Manoel Pinho de Mello (professor do Insper, Ph.D pela Stanford University), Vinicius Carrasco (professor da PUC Rio e Ph.D pela Stanford University) e Isabela Duarte (mestre pela PUC Rio) em um estudo publicado recentemente.O método foi simples:


Para que a conclusão do estudo fosse mais precisa, em cada quesito foi feita uma comparação entre o Brasil e o que se chama de “grupo de controle sintético” , que é um grupo de países que pode ser tomado como o melhor possível para uma comparação justa. A conclusão foi assustadora: o Brasil “cresceu, investiu e poupou menos; recebeu menos investimento estrangeiro direto e adicionou menos valor na indústria; teve mais inflação; perdeu competitividade e produtividade, avançou menos em Pesquisa e Desenvolvimento e piorou a qualidade regulatória; foi pior ou igual em quase todos os setores importantes; a distribuição de renda, a fração de pobres, e a subnutrição caíram em linha ou um pouco menos; a escolaridade avançou menos, a despeito de maiores gastos; a saúde andou sem grandes diferenças”. O único critério em que avançamos mais do que os países de comparação foi no mercado de trabalho, mas mesmo nele os pesquisadores julgaram que apenas “avançamos na margem mais fácil: colocar as pessoas para trabalhar”, não em manter postos de trabalho. Em tarefas mais difíceis, como a já citada produtividade, que seria capaz de garantir empregos de melhor qualidade e com salários maiores, o Brasil foi de mal a pior.



Há algo ainda mais grave: em muitos aspectos, o Brasil tinha uma tarefa mais fácil do que os países comparados. Nossa sorte foi tamanha que, mesmo dentre os emergentes, tivemos termos de troca muito mais favoráveis no período analisado e mais disponibilidade para investir a renda externa. Ainda assim, nossos resultados foram quase todos piores. Por isso, o estudo foi chamado de “A década perdida: 2003-2012”. Lembram que Lula chamou a MEGA CRISE de marolinha ?  e ainda por cima, em um atitude irresponsável, recomendou ao povo que comprasse, comprasse, comprasse....E para isto o que ele fez? Aumentou a facilidade de crédito, reduziu os juros, baixou os impostos de bens duráveis, como automóveis e eletrodomésticos, e incentivou o endividamento extremo, sobretudo dos mais carentes, que ávidos por bens de consumo que nunca possuíram, coitados,  foram iludidos pelo canto populista da sereia, e correram para o crediário com  juros acachapantes. DE PESSOAS POBRES E SEM NADA, PASSARAM ASSIM A SEREM AGORA POBRES, SEM NADA E ENDIVIDADOS, pois, ou perderam os objetos que compraram por conta da inadimplência, ou pela própria depreciação dos mesmos. O período do aumento da renda (do trabalhador) deveria ter sido aproveitado para poupar ou investir em educação, por exemplo. Mas isto deveria ter sido estimulado pelo governo, que, ao contrário, só estimulou consumo e endividamento, e o resultado é este que estamos vivendo hoje.Apoio popular e razão nem sempre andam juntos. A aprovação de Lula durante o seu período na presidência é compreensível, assim como suas vitórias eleitorais de 2002. Lula provavelmente seria igualmente popular em qualquer outro país do mundo que passasse por tudo o que o Brasil nos últimos anos, mas a voz do povo não é a voz de Deus. Dar ao povo a razão em tudo o que diz não é nada inteligente, ainda mais num país como o Brasil, onde desde Floriano Peixoto nada é impossível quando o assunto é populismo. Conceder tons divinos ao voto popular é, também, conceder uma aura divina a nossa larga tradição de políticos autoritários. Portanto, não se iluda mais com esta lorota repetida por ai pelos esquerdistas de plantão.O PT NÃO TIROU NINGUÉM DA MISÉRIA, muito pelo contrário...




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