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A Igreja Católica mudou a sua doutrina com relação à GUERRA JUSTA e a Pena de Morte ?

Written By Beraká - o blog da família on quarta-feira, 3 de agosto de 2016 | 14:38







Vamos responder primeiramente com a fundamentação bíblica para o tema:



Em primeiro lugar, respondendo com as palavras de Nosso Senhor Jesus Cristo a São Pedro, (dizendo que ele devia perdoar setenta vezes sete vezes aos seus ofensores), lembro que isso vale para as ofensas pessoais que nos são feitas. Devemos sempre perdoar os que nos ofenderam. Mas nós não temos o direito de perdoar as ofensas feitas injustamente e continuamente aos outros. Se alguém ofender ao senhor, cabe ao senhor perdoá-lo, e não a outrem. Ora o criminoso ofende não somente à sua vítima. Ele ofende e viola, também, o direito de Deus e da sociedade. E nós não temos direito de perdoar as ofensas feitas a Deus e à sociedade. Por isso, é que Deus aprova e recomenda em alguns casos a guerra justa e a pena de morte. Para comprovar isto, citaremos uma frase de Nosso Senhor Jesus Cristo no Apocalípse: 




"Quem matar à espada, importa que seja morto à espada" (Apoc. 13,10).


É o próprio Cristo quem nos ensina então que o assassino convicto e irredutível, deve ser punido com a morte.


E para São Pedro, Jesus disse: 



"Pedro, mete a espada na bainha (repare que Jesus não manda São Pedro jogar fora a sua espada, mas guarda-la) porque quem com ferro fere, com o ferro deverá ser ferido..." (Mt.26, 52).


Portanto, Cristo deu expressamente aberta esta possibilidade a São Pedro com o poder de condenar alguém à morte. E quando Jesus foi julgado por Pilatos, este lhe disse:


"Não me respondes? Não sabes que tenho poder de te livrar ou de te condenar [à morte]? Respondeu Jesus; "tu não terias poder algum sobre mim, se não te fosse dado pelo alto" (Jo. 19, 10-11).


Portanto, Cristo nos ensinou que a autoridade, cujo poder vem de Deus, tem poder de condenar à morte. Poderia citar muitos outros textos da Bíblia , defendendo a pena de morte. Para resumir referências: (Rom 1,32; Atos, 25,11; Rom. 13, 4; Ex. 26, 12-17; Jer. 48,10).


Prof. Orlando Fedeli - Montfort

 

MAGISTÉRIO DA IGREJA E OS PRINCÍPIOS DA GUERRA JUSTA:



SOBRE ARMAS



§2314 "Qualquer ação bélica que tem em vista a destruição indiscriminadamente nada de cidades inteiras ou de vastas regiões, com seus habitantes, é um crime contra Deus e contra o próprio homem a ser condenado com firmeza e sem hesitações." Um dos riscos da guerra moderna é dar ocasião aos possuidores de armas científicas, principalmente atômicas, biológicas ou químicas, de cometerem tais crimes.


§2316 A produção e o comércio de armas afetam o bem comum das nações e da comunidade internacional. Por isso as autoridades públicas têm o direito e o dever de regulamentá-los. A busca de interesses privados ou coletivos a curto prazo não pode legitimar empreendimentos que fomentem a violência e os conflitos entre as nações e que comprometam a ordem jurídica internacional.


Ausência de guerra e paz


§2304 O respeito e o desenvolvimento da vida humana exigem a paz. A paz não é somente ausência de guerra e não se limita a garantir o equilíbrio das forças adversas. A paz não pode ser obtida na terra sem a salvaguarda dos bens das pessoas, sem a livre comunicação entre os seres humanos, o respeito pela dignidade das pessoas e dos povos, a prática assídua da fraternidade. E a "tranqüilidade da ordem", "obra da justiça" (Is 32,17) e efeito da caridade.



Corrida aos armamentos


§2315 A acumulação de armas parece a muitos urna maneira paradoxal de dissuadir da guerra os eventuais adversários. Vêem nisso o mais eficaz dos meios suscetíveis de garantir a paz entre as nações. Este procedimento de dissuasão impõe severas reservas morais. A corrida aos armamentos não garante a paz. Longe de eliminar as causas da guerra, corre o risco de agravá-las. O dispêndio de riquezas fabulosas na fabricação de novas armas sempre impede de socorrer as populações indigentes e entrava o desenvolvimento dos povos. O superarmamento multiplica as razões de conflitos e aumenta o risco de esses conflitos se multiplicarem.



O primeiro dever de evitar a guerra


§2307 - O quinto mandamento proíbe a destruição voluntária da vida humana. Por causa dos males e das injustiças que toda guerra acarreta, a Igreja insta cada um a orar e agir para que a Bondade divina nos livre da antiga escravidão da guerra.


§2308 Cada cidadão e cada governante deve agir de modo a evitar as guerras. Enquanto, porém, "houver perigo de guerra, sem que exista uma autoridade internacional competente e dotada de forças suficientes, e esgotados todos os meios de negociação pacífica, não se poderá negar aos governos o direito de legítima defesa.


Sobre a Guerra justa


§2309 É preciso considerar com rigor as condições estritas de uma legítima defesa pela força militar. A gravidade de tal decisão a submete a condições rigorosas de legitimidade moral. É preciso ao mesmo tempo que:


1)- O dano infligido pelo agressor à nação ou à comunidade de nações seja durável, grave e certo.

2)- Todos os outros meios de pôr fim a tal dano se tenham revelado impraticáveis ou ineficazes.

3)- Estejam reunidas as condições sérias de êxito.

4)- Emprego das armas não acarrete males e desordens mais graves do que o mal a eliminar. O poderio dos meios modernos de destruição pesa muito na avaliação desta condição.



Estes são os elementos tradicionais enumerados na chamada doutrina da "guerra justa". A avaliação dessas condições de legitimidade moral cabe ao juízo prudencial daqueles que estão encarregados do bem comum.


Injustiças e desigualdades econômicas sociais como causas de guerra


§2317 As injustiças, as desigualdades excessivas de ordem econômica ou social, a inveja, a desconfiança e o orgulho que grassam entre os homens e as nações ameaçam sem cessar paz e causam as guerras. Tudo o que for feito para vencer essas desordens contribui para edificar a paz e evitar a guerra:

Pecadores que são, os homens vivem em perigo de guerra, e este perigo os ameaçará até a volta de Cristo. Mas, na medida em que, unidos pela caridade, superem o pecado, superarão igualmente as violências, até que se cumpra a palavra: "De suas espadas eles forjarão relhas de arado, e de suas lanças, foices. Uma nação não levantará a espada contra a outra, e já não se adestrarão para a guerra" (Is 2,4).


Lei moral durante os conflitos armados e a obrigação de resistir aos ataques injustos


§2312 A Igreja e a razão humana declaram a validade permanente da lei moral durante os conflitos armados. "Quando, por infelicidade, a guerra já se iniciou, nem tudo se torna lícito entre as partes inimigas."

§2313 E preciso respeitar e tratar com humanidade os não-combatentes, os soldados feridos e os prisioneiros.Os atos deliberadamente contrários ao direito dos povos e a seus princípios universais, como as ordens que os determinam, constituem crimes. Uma obediência cega não é suficiente para escusar os que se submetem a esses atos e ordens. Portanto, o extermínio de um povo, de uma nação ou uma de minoria étnica deve ser condenado como pecado mortal. Deve-se moralmente resistir às ordens que impõem um genocídio.







A IGREJA MUDOU SEU ENSINO SOBRE A PENA DE MORTE E DA GUERRA JUSTA ?



Tradicionalmente, a Igreja Católica sempre admitiu a possibilidade da aplicação da pena de morte e da GUERRA JUSTA Este posicionamento pode ser encontrado nos vários Catecismos antigos, nos documentos papais e nos escritos dos grandes teólogos da Igreja.


Diante disso, procede a afirmação de que o Papa João Paulo II, em sua encíclica Evangelium  Vitae, concluiu  e ensinou, que a pena de morte e a Guerra Justa deve ser evitada?

Nem a Igreja mudou o seu ensinamento nem o Papa João Paulo II mudou o ensinamento da Igreja. O que mudou foi a circunstância em que a Igreja pode ou não aplicar esse ensinamento moral.


Para que um ato possa ser moral ou imoral não basta que ele seja avaliado em si mesmo, é preciso levar em conta três fatores:

1)- O ato em si mesmo?

2)- A intenção?

3)- As circunstâncias ?


O ato em si mesmo pode ser bom. Ex. Rezar. Contudo, se for feito com a intenção errada, por vaidade, exibicionismo, ou interesses egoístas e prejudiciais aos outros, por exemplo, pode ser inadequado. Apesar de ser bom, o ato de comer, por exemplo, se for praticado em uma circunstância errada pode ser também inadequado. Ex. Comer dentro da Igreja. Assim, para que a moralidade de um ato seja realmente boa, é preciso avaliar também a intenção e a circunstância.


Em relação à pena de morte e à Guerra Justa, essa avaliação também se aplica. Para a Igreja, o ato da pena de morte em si mesmo é bom. Isso se dá porque por detrás dessa ação existe a realidade da legítima e proporcionada da defesa. O que vem a ser isto?


O Catecismo da Igreja Católica esclarece:



"A legítima defesa das pessoas e das sociedades não é uma exceção à proibição de matar o inocente, que constituiu o homicídio voluntário. A ação de defender-se pode acarretar um duplo efeito: um é a conservação da própria vida, o outro é a morte do agressor. Só se quer o primeiro; o outro, não. O amor a si mesmo permanece um princípio fundamental da moralidade. Portanto, é legítimo fazer respeitar seu próprio direito à vida. Quem defende sua vida não é culpável de homicídio, mesmo se for obrigado a matar o agressor: ‘Se alguém, para se defender, usar de violência mais do que o necessário, seu ato será ilícito. Mas, se a violência for repelida com medida, será lícito... E não é necessário para a salvação omitir este ato de comedida proteção para evitar matar o outro porque, antes da de outrem, se está obrigado a cuidar da própria vida.’ (Sto Tomás de Aquino)A legítima defesa pode não ser um direito, mas um dever grave, para aquele que é responsável pela vida de outros." (CIC 2263-2265).



Ou seja, numa situação em que um inocente está sendo agredido injustamente, as duas vidas: tanto da vítima, quanto do agressor, têm a mesma dignidade perante Deus, contudo, o fato de um ser vítima e outro ser um criminoso permite que a vítima use dos meios necessários para defender-se e até mesmo tirar a vida do criminoso. Assim, é um ato moralmente reto fazer uso da força para uma legítima e proporcionada defesa.


Esse mesmo pensamento pode ser aplicado entre duas sociedades. É o caso da guerra justa. Quando uma sociedade inocente está sendo agredida por uma sociedade criminosa, por legítima e proporcionada defesa, a sociedade agredida pode se defender realizando uma guerra que é justa a fim de defender seus cidadãos, seu solo, sua soberania.



E no caso de um indivíduo contra uma sociedade?


É a questão da pena de morte. Trata-se de uma situação em que uma pessoa está lesando o bem comum e não tem remissão, portanto, deve ser retirado do convívio da sociedade, seja pela prisão perpétua ou pela pena capital.Nos dias atuais, com o desenvolvimento das sociedades é possível retirar uma pessoa do convívio social de forma definitiva, sem necessariamente ter que aplicar a pena de morte. Além do mais, é preciso admitir que os sistemas judiciários não são infalíveis e que em alguns países, eles são verdadeiros instrumentos de injustiça. Assim sendo, a pena de morte não encontra no mundo real a sua aplicabilidade. É isso que o Papa João Paulo II afirma na sua encíclica Evangelium Vitae, no número 56:



"Nesta linha, coloca-se o problema da pena de morte, à volta do qual se registra, tanto na Igreja como na sociedade, a tendência crescente para pedir uma aplicação muito limitada, ou melhor, a total abolição da mesma. O problema há-de ser enquadrado na perspectiva de uma justiça penal, que seja cada vez mais conforme com a dignidade do homem e portanto, em última análise, com o desígnio de Deus para o homem e a sociedade. Na verdade, a pena, que a sociedade inflige, tem « como primeiro efeito o de compensar a desordem introduzida pela falta ». A autoridade pública deve fazer justiça pela violação dos direitos pessoais e sociais, impondo ao réu uma adequada expiação do crime como condição para ser readmitido no exercício da própria liberdade. Deste modo, a autoridade há-de procurar alcançar o objetivo de defender a ordem pública e a segurança das pessoas, não deixando, contudo, de oferecer estímulo e ajuda ao próprio réu para se corrigir e redimir. Claro está que, para bem conseguir todos estes fins, a medida e a qualidade da pena hão-de ser atentamente ponderadas e decididas, não se devendo chegar à medida extrema da execução do réu senão em casos de absoluta necessidade, ou seja, quando a defesa da sociedade não fosse possível de outro modo. Mas, hoje, graças à organização cada vez mais adequada da instituição penal, esses casos são já muito raros, se não mesmo praticamente inexistentes. Em todo o caso, permanece válido o princípio indicado pelo novo Catecismo da Igreja Católica: « na medida em que outros processos, que não a pena de morte e as operações militares, bastarem para defender as vidas humanas contra o agressor e para proteger a paz pública, tais processos não sangrentos devem preferir-se, por serem proporcionados e mais conformes com o fim em vista e a dignidade humana »." (EV)



O Catecismo da Igreja Católica trata de forma compilada o mesmo assunto, em seus números 2267 e seguintes:



"O ensino tradicional da Igreja não exclui, depois de comprovadas cabalmente a identidade e a responsabilidade do culpado, o recurso à sentença  de morte, se essa for a única praticável para defender eficazmente a vida humana contra o agressor injusto. Se os meios incruentos bastarem para defender as vidas humanas contra o agressor e para proteger a ordem pública e a segurança das pessoas, a autoridade se limitará a esses meios, porque correspondem melhor às condições concretas do bem comum e estão mais conformes à dignidade da pessoa humana."



Assim, existe uma possibilidade legítima do recurso à pena de morte. Todavia, quanto à circunstância, no mundo real ela não encontra ocasião de aplicabilidade, pois existem outros meios de se alcançar a legítima e proporcionada defesa que não a morte.Conclui-se, então, que somente tendo a noção real do valor do homem enquanto imagem e semelhança de Deus é possível defender e valorizar a vida humana. O Evangelho da vida é algo que a Igreja quer pregar e promover. É esta a ideia de João Paulo II em sua encíclica. E é por isto que a Igreja hoje, embora teoricamente aprove a possibilidade da pena de morte, já não encontra mais ocasião para a sua aplicação, pois existem outros meios incruentos para retirar o indivíduo do convívio social.






Se o uso das armas for a “única solução” contra o Estado Islâmico? A Igreja será contra?



Nas redes sociais, a guerra tem sido apontada por muitos internautas católicos como “a única solução” para “acabar com o Estado Islâmico”.


Mas será que é?


O Vaticano tem se declarado reiterada e explicitamente CONTRA uma guerra, com base no próprio conceito de “guerra justa”, cujas premissas, segundo o Catecismo da Igreja Católica (cf. CIC, §2309), são quatro e devem ser simultâneas:


1)- Que o dano infligido pelo agressor à nação ou à comunidade de nações seja durável, grave e certo.

2)- Que todos os outros meios de pôr fim a tal dano se tenham revelado impraticáveis ou ineficazes.


3)- Que estejam reunidas as condições sérias de êxito.


4)- Que o emprego das armas não acarrete males e desordens mais graves do que o mal a eliminar.


Consideremos cada uma destas condições no contexto justificativa de combate ao Estado Islâmico:




1. QUE O DANO INFLIGIDO PELO AGRESSOR À NAÇÃO OU À COMUNIDADE DE NAÇÕES SEJA DURÁVEL, GRAVE E CERTO


Esta condição se verifica. O grupo jihadista tem se expandido não apenas territorialmente, mas também capilarmente por todos os continentes mediante estratégias de guerrilha ideológica, usando desde estruturas religiosas físicas até uma vasta gama de canais virtuais para recrutar militantes e organizar atentados. Além disso, tem conseguido a adesão de outros grupos terroristas sanguinários, como o selvagem Boko Haram, da África Ocidental, atualmente mais mortífero que o próprio Estado Islâmico.


2. QUE TODOS OS OUTROS MEIOS DE PÔR FIM A TAL DANO SE TENHAM REVELADO IMPRATICÁVEIS OU INEFICAZES


Esta condição não se verifica. São imprescindíveis pelo menos três respostas alternativas não bélicas para enfraquecer e derrotar o agressor, e elas ainda não foram dadas adequadamente:

2.1. Resposta logística

O cardeal Angelo Bagnasco, presidente da Conferência Episcopal Italiana, propôs um “embargo planetário” para enfraquecer o Estado Islâmico.


“A maneira certa e mais eficaz eu não acho que sejam as armas, e sim o embargo planetário, concreto e monitorado, contra essas forças obscuras como o Estado Islâmico. Do ponto de vista político, ninguém deveria falar com essas pessoas; elas têm que se sentir isoladas. Do ponto de vista comercial, ninguém deveria comprar o petróleo barato deles nem vender armas e comida para eles. O isolamento global, monitorado, sem meios termos e estritamente controlado pela ONU, eu acredito que é firmemente possível e que é a única resposta eficaz”.



De fato, o grupo terrorista conta no mínimo com a omissão de governos de dezenas de países. O Estado Islâmico não apenas se apossou de campos de petróleo iraquianos cuja produção é facilmente vendida a compradores estrangeiros, como também está por trás de uma rede de contrabando de riquezas arqueológicas e culturais (saqueadas das cidades milenares que invadem), tráfico de drogas (como as cápsulas de captagon, que eles próprios produzem, consomem e vendem para países como a Arábia Saudita) e tráfico de mulheres e crianças (com clientela em todo o Oriente Médio). O grupo também é abastecido de armas, mantimentos e recursos tecnológicos trazidos de fora dos seus domínios, além de operar transferências bancárias internacionais com as quais mantêm agentes em dezenas de países, inclusive do chamado “primeiro mundo”.Um embargo planetário decidido e firme abalaria drasticamente a organização.



2.2. Resposta cibernética


O grupo de hackers ativistas Anonymous anunciou na semana passada que vai “caçar” os membros do Estado Islâmico e já começou derrubando 5.500 contas no Twitter ligadas ao EI. É só o primeiro passo de uma guerra cibernética focada em destruir o principal mecanismo de recrutamento do grupo terrorista, que atrai a maioria dos seus jovens militantes através de fóruns, chats e redes sociais.


Além de minar as ferramentas de recrutamento do grupo, a estratégia do Anonymous deixaria exposta a hipocrisia dos líderes jihadistas, que, enquanto declaram seu ódio ao Ocidente, não se fazem de rogados ao usar os recursos e tecnologias ocidentais que eles dizem que “afastam os fiéis de Deus”.


O Anonymous poderá ainda expor as finanças, comunicações e logística do grupo terrorista, além de informações de inteligência reunidas (mas não compartilhadas suficientemente) por várias organizações governamentais. Em anos recentes, aliás, o grupo hacker já invadiu sites de governos como o do Canadá, da Austrália, da Tunísia e da Turquia.O risco desta operação é que o Estado Islâmico leve a guerra cibernética a sério e melhore suas estratégias, tornando o combate online muito mais complexo e perigoso para um mundo que, assim como eles, também depende da internet em sua atual organização sócio-econômica.


2.3. Resposta religiosa


O mesmo cardeal Bagnasco reforçou a importância crucial de que o mundo islâmico também “levante a voz e condene esta barbárie”. Não se trata de novidade alguma, já que o papa Francisco repete este apelo aos líderes muçulmanos com notável frequência.E vários dos líderes muçulmanos mais influentes do planeta estão fazendo a sua parte e denunciando com clareza a selvageria e impiedade dos terroristas. Como o Estado Islâmico se diz seguidor do islã sunita, é particularmente veemente toda declaração feita por líderes religiosos dessa corrente, como Ahmed al-Tayeb, o grande imã da universidade egípcia de Al-Azhar, uma das instituições sunitas mais prestigiadas do planeta. Al-Tayeb tem se pronunciado com frequência, inclusive em encontros formais com outros líderes muçulmanos, contra “os crimes bárbaros cometidos em nome dos costumes desta religião” e declarando que os países muçulmanos não podem ignorar “a sua responsabilidade no aparecimento do extremismo que fez nascer organizações como a Al-Qaeda e outros grupos armados”. Ao mesmo tempo, ele denuncia que parte da responsabilidade é também do Ocidente, citando a invasão americana do Iraque e a ingerência ocidental na Síria e pedindo que a coligação antijihadista “combata os países que apoiam o terrorismo financeira e militarmente”.Iyad Madani, líder da Organização para a Cooperação Islâmica, também tem condenado com força os crimes terroristas do Estado Islâmico, atribuindo-os à “decadência intelectual, fragmentação política e abuso do islã, a grande religião da misericórdia”. Suas declarações são influentes porque a organização reúne 57 países e é o maior bloco de países muçulmanos que existe no planeta.



 


As respostas oficiais de líderes islâmicos são imprescindíveis para que os seguidores do alcorão em todo o mundo rejeitem as interpretações radicais do seu livro sagrado. Para isso, Al-Tayeb tem usado termos bastante fortes ao se pronunciar sobre a interpretação divulgada pelo Estado Islâmico: ele define o grupo jihadista como satânico.Ao mesmo tempo, o Santo Padre tem insistido muito na necessidade da convivência civilizada, respeitosa e fraterna entre as religiões, independentemente da sua discordância teológica. O Vaticano fomenta abertamente as boas relações ecumênicas e inter-religiosas desde o concílio Vaticano II. João Paulo II fez história ao organizar o primeiro encontro inter-religioso em Assis, em 1986, repetido depois por Bento XVI e seguido por Francisco ao convidar os líderes políticos de Israel e da Palestina para fazerem um impensável encontro de oração no Vaticano. O Pontifício Conselho para a Cultura vem realizando há vários anos a iniciativa Pátio dos Gentios, encontros entre crentes de diversas religiões e não crentes, para discutirem juntos temáticas culturais, filosóficas, sociais, políticas e econômicas, além de concretizarem iniciativas humanitárias em parceria. O cardeal Pietro Parolín, secretário de Estado vaticano, declarou neste mês que os muçulmanos deverão participar das celebrações do Jubileu da Misericórdia, convocado pelo papa Francisco.A resposta religiosa “oficial” é determinante para combater as manipulações sectárias dos conteúdos religiosos por interesses e objetivos particulares.



3. QUE ESTEJAM REUNIDAS AS CONDIÇÕES SÉRIAS DE ÊXITO



Esta condição está muito longe de verificar-se. Nem sequer existe acordo entre os países capazes de combater belicamente o Estado Islâmico no tocante à estratégia de ataque.Para começar, os EUA e seus aliados ocidentais têm particular interesse em derrubar o presidente sírio Bashar Al-Assad, enquanto a Rússia quer mantê-lo no poder. A Turquia está “aproveitando” a “desculpa” de combater o Estado Islâmico para bombardear os curdos. A Arábia Saudita “aproveitou” a “desculpa” do Estado Islâmico e da Al-Qaeda na Península Arábica para bombardear o Iêmen, piorando o caos que já era tétrico no país.


Quanto à “modalidade” de guerra, os EUA e seus aliados defendem ataques exclusivamente aéreos, enquanto a Rússia e a maioria dos especialistas, inclusive ocidentais, afirmam que os ataques por terra seriam imprescindíveis para destruir as bases jihadistas. Ainda que houvesse êxito inicial, o histórico da política norte-americana de armar grupos violentos contra outros grupos violentos é de reviravoltas funestas (entre as quais o fortalecimento do regime de Saddam Hussein, o surgimento da Al-Qaeda e o poderio do Taliban, todos anteriormente “ajudados” pelos EUA e depois transformados em pesadelos). As invasões e intervenções dos EUA no Oriente Médio, por fim, têm sido invariavelmente um retumbante fracasso de médio a longo prazo, sendo o Iraque o exemplo mais evidente no momento.Mais problemático ainda: o Estado Islâmico não é apenas um exército físico e pontualmente localizado, mas uma ideologia capilarmente difusa e capaz de se reestruturar em prazo curto caso não sejam dadas as respostas logística, cibernética e religiosa citadas no ponto anterior.



4. QUE O EMPREGO DAS ARMAS NÃO ACARRETE MALES E DESORDENS MAIS GRAVES DO QUE O MAL A ELIMINAR



A versão laicista da história fez questão, ao longo dos últimos 300 anos no mínimo, de tergiversar uma série de fatos relacionados com a ação secular da Igreja, em particular a Inquisição e as Cruzadas. Estas últimas, em particular, foram pintadas apenas como uma sucessão de guerras covardes e motivadas pelas ambições materiais e ideológicas da Igreja.O atual horror do Estado Islâmico tem tornado mais compreensíveis as verdadeiras raízes das Cruzadas, que, basicamente, foram uma justa reação a 400 anos de abusos sofridos pelos cristãos sob domínio muçulmano na Terra Santa (cf. este artigo da Aleteia baseado na tese do acadêmico britânico Paul Crawford).No entanto, o fato é que as Cruzadas, no fim das contas, não apenas não resolveram a situação dos cristãos na Terra Santa como a pioraram, além de acarretarem, como toda guerra, uma série inegável de abusos, covardias e degenerações em prol de interesses particulares que nada tinham nem de religioso nem de humanitário.O contexto, além do mais, era muito diferente do atual. Se na época era compreensível a concepção de uma cruzada, hoje temos uma noção mais completa do que implica uma resposta bélica e da necessidade prévia de respostas não bélicas para que seja encarado o cerne das agressões, e não apenas as suas concretizações externas.


A propósito:


Tem sido comum nas redes sociais, entre os defensores da guerra imediata contra o Estado Islâmico, a afirmação de que “foi graças às Cruzadas que a Europa se manteve cristã”. Na realidade, as três batalhas decisivas que impediram o avanço islâmico na Europa foram ou anteriores ou posteriores às Cruzadas: a de Poitiers, que barrou a invasão da França de Carlos Martel pelo Califado de Córdoba em 732; a de Lepanto, em que a Liga Santa derrotou a expansão mediterrânea do Império Otomano em 1571; e a de Viena, em 1683, em que a coalizão polaco-austro-alemã venceu o mesmo Império Otomano e reverteu sua expansão pela Europa do Leste.


É óbvio e inegável o direito à legítima defesa e é imperativo que a selvageria do Estado Islâmico seja decididamente combatida e eliminada.O que não é nada óbvio nem inegável é que a “única forma” de legítima defesa diante do horror do Estado Islâmico seja o uso das armas como defendido por certos governos e por certos comentaristas mal informados e fundamentalistas.

Fonte: Aleteia

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Neste Apostolado promovemos a “EVANGELIZAÇÃO ANÔNIMA", pois neste serviço somos apenas o Jumentinho que leva Jesus e sua verdade aos Povos. Portanto toda honra e Glória é para Ele.Cristo disse-nos:Eu sou o caminho, a verdade e a vida e “ NINGUEM” vem ao Pai senão por mim." ( João, 14, 6).Como Católicos,defendemos a verdade, contra os erros que, de fato, são sempre contra Deus.Cristo não tinha opiniões, tinha verdades, a qual confiou a sua Igreja, ( Coluna e sustentáculo da verdade – Conf. I Tim 3,15) que deve zelar por elas até que Cristo volte.Quem nos acusa de falta de caridade mostra sua total ignorância na Bíblia,e de Deus, pois é amor, e quem ama corrige, e a verdade é um exercício da caridade.Este Deus adocicado,meloso,ingênuo, e sentimentalóide,é invenção dos homens tementes da verdade, não é o Deus revelado por seu filho: Jesus Cristo.Por fim: “Não se opor ao erro é aprová-lo, não defender a verdade é nega-la” - ( Sto. Tomáz de Aquino)

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