Em julho de 1979, o Brasil recebeu pela primeira vez a visita de Santa Madre Teresa de Calcutá. Em um país marcado por tensões políticas, regime militar e forte polarização ideológica dentro de setores da própria Igreja, sua presença causou impacto imediato.
Pequena em estatura, mas gigante em coerência espiritual, Santa Madre Teresa trouxe consigo uma mensagem simples e profundamente contracultural:
"A centralidade absoluta de Cristo, da oração e da caridade concreta, sem instrumentalizações ideológicas". Nesse contexto, compreende-se também uma preocupação litúrgica e doutrinária fundamental. Se determinados setores ligados à Teologia da Libertação passaram, em alguns casos, a tratar a Eucaristia sobretudo como símbolo comunitário — e não como a presença real, substancial e sacramental de Cristo, conforme a doutrina católica — seria plenamente justificável que Madre Teresa evitasse homilias ou celebrações que descaracterizassem o sagrado mistério eucarístico.
Ao longo dos anos, consolidou-se o relato — transmitido sobretudo por testemunhos orais — de que, naquela ocasião, ela teria recomendado às suas irmãs de congregação a evitar padres ligados à Teologia da Libertação em celebrações eucarísticas. Ainda que tal pedido específico não esteja documentado de forma oficial (o que seria imprudente e constrangedor), o conjunto de suas atitudes, escritos e exigências internas confirma de maneira inequívoca sua fidelidade ao Magistério da Igreja e sua rejeição a qualquer relativização do caráter sacramental, sagrado e central da Eucaristia.
1. A visita ao Brasil e o contexto eclesial de 1979
Madre Teresa esteve no Brasil em julho de 1979, passando por Salvador (BA), onde fundou a primeira casa das Missionárias da Caridade no país e encontrou-se com Santa Dulce dos Pobres. A visita ocorreu em um momento em que a Teologia da Libertação exercia forte influência em setores do clero latino-americano, frequentemente associando a missão da Igreja a categorias políticas como luta de classes, militância social e engajamento ideológico. Era um contexto no qual a ação pastoral, não raramente, se confundia com ativismo político.
2. Fidelidade doutrinária e obediência ao Magistério
Madre Teresa nunca foi uma teóloga acadêmica, mas foi uma mulher de fé profundamente enraizada na doutrina da Igreja. Seu pensamento era simples, porém firme. Diversos relatos jornalísticos e testemunhos de religiosos que conviveram com ela confirmam que, embora respeitasse pessoas de diferentes correntes, não compactuava com leituras teológicas que deslocassem Cristo do centro da missão. Para ela, a Igreja não existia para promover projetos políticos, mas para salvar almas e amar os pobres como expressão concreta do amor a Deus.
3. Caridade sem ideologia: pobres, não militância
Um dos pontos mais claros da espiritualidade de Madre Teresa é sua recusa absoluta em transformar a caridade em instrumento político. Ela insistia que suas irmãs servissem os “pobres entre os mais pobres” sem discursos, sem slogans e sem análises sociológicas. O sofrimento humano, para ela, não era matéria-prima para projetos revolucionários, mas um lugar sagrado de encontro com Cristo crucificado. Essa visão a colocava, naturalmente, em contraste com a Teologia da Libertação, que frequentemente interpretava a pobreza a partir de categorias marxistas.
4. Relação com padres e exigência espiritual
Os relatos existentes sobre sua relação com sacerdotes mostram que Madre Teresa exigia deles, sobretudo, vida espiritual profunda, fidelidade à doutrina e zelo sacramental.
Não há documentação oficial que comprove um pedido formal, o que seria imprudente e desnecessário, em 1979, para evitar padres ligados à Teologia da Libertação em missas de sua congregação no Brasil. Contudo, há ampla coerência entre esse relato oral e sua prática constante em outros países: ela evitava qualquer influência ideológica que pudesse desviar suas irmãs da oração, da adoração e do serviço silencioso.
5. Um testemunho que permanece atual
A postura de Madre Teresa não era de confronto agressivo, mas de firmeza serena. Ela não atacava pessoas, mas delimitava claramente o caminho espiritual de sua missão.
Sua obediência à Igreja e sua recusa em politizar o Evangelho não nasceram de rigidez, mas de profunda humildade e amor à verdade. Nesse sentido, sua atitude no Brasil — documentada em atos, ainda que não em decretos — confirma seu alinhamento com uma visão teológica tradicional, centrada em Cristo e no Magistério.
Conclusão
Madre Teresa de Calcutá permanece como um dos maiores testemunhos de fidelidade à Igreja no século XX, não apenas por aquilo que disse, mas sobretudo pelo modo como viveu. Sua santidade não se construiu em discursos elaborados nem em posicionamentos políticos, mas na obediência silenciosa, na oração constante e na entrega total aos mais pobres, vistos sempre como presença viva de Cristo.
Sua visita ao Brasil, em 1979, evidenciou com clareza essa compreensão profundamente evangélica da missão cristã. Em um contexto eclesial fortemente marcado por leituras ideológicas da pobreza e por tentativas de instrumentalização da ação pastoral, Madre Teresa reafirmou, com gestos mais do que com palavras, que a verdadeira caridade não nasce da ideologia, mas da oração; não se sustenta na militância, mas na cruz; não busca, em primeiro lugar, transformar estruturas políticas, mas converter corações. Para ela, toda ação exterior só tinha sentido se brotasse da adoração, da fidelidade sacramental e da comunhão com a Igreja.
Ainda que não exista prova documental escrita — permanecendo o fato no âmbito do testemunho oral — há relatos consistentes, confirmados verbalmente por irmãs mais antigas da congregação na Bahia, de que Madre Teresa teria feito uma recomendação, e não uma ordenança formal, para que se evitassem padres ligados à Teologia da Libertação na celebração das missas da congregação nascente naquele contexto. Tal atitude, longe de representar rejeição pessoal ou espírito de confronto, expressava sua preocupação em preservar o caráter sagrado da liturgia, a centralidade da Eucaristia e a identidade espiritual de sua obra desde os seus primeiros passos no Brasil. Mesmo sem documentação escrita desse episódio específico ( o que seria imprudente), sua vida, seus escritos e sua prática cotidiana falam com absoluta clareza:
Madre Teresa escolheu, de modo consciente e coerente, a fidelidade tranquila à doutrina da Igreja, recusando qualquer tentativa de transformar a fé em instrumento político ou a caridade em veículo ideológico.
Seu testemunho, precisamente por ser simples, firme e profundamente evangélico, continua a incomodar — não por agressividade, mas porque permanece atual e exige, ainda hoje, uma tomada de posição interior entre a cruz e a ideologia, entre a oração e o ativismo, entre a fidelidade e a adaptação ao espírito do tempo. Se quiser, posso:
Fontes jornalísticas e documentais da visita em 1979
-Folha de S.Paulo — Madre Teresa visita Salvador e funda casa das Missionárias da Caridade, julho de 1979.
-Jornal do Brasil — Madre Teresa reforça missão de caridade sem envolvimento político, cobertura da visita ao Brasil, 1979.
-Vatican News / L’Osservatore Romano — Reportagens e perfis biográficos sobre Madre Teresa, destacando sua obediência ao Magistério e rejeição à politização da caridade.
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