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O resgate da beleza que salvará o mundo através da Sagrada Liturgia Cristã

Written By Beraká - o blog da família on segunda-feira, 19 de abril de 2021 | 11:46

 



O substantivo grego clássico para "beleza" era kallos, e o adjetivo para "belo" era kalos. Em grego koiné, a palavra para bonito ou belo era hōraios, um adjetivo que vem da palavra “hora”, que significa hora. No grego koiné, a beleza, então, era associada a "estar em sua hora, seu momento":

 

Cânticos 8,4: “Conjuro-vos, ó filhas de Jerusalém, que não acordeis nem desperteis o meu amor, até que Ele o queira...”

 

 

Assim, um fruto maduro (em seu tempo) era considerada bonito, enquanto uma jovem mulher que tenta parecer mais velha ou uma mulher mais velha tentando parecer mais jovem não seria considerado bonito. (Dicionário UNESP do português contemporâneo - UNESP. p. 171). Beleza é portanto, característica, particularidade, caráter ou atributo do que é belo, encantador, lindo. Essência do ser ou daquilo que pode incitar uma sensação de êxtase; que desperta admiração ou prazer por meio dos sentidos. Beleza também, é particularidade do que contém equilíbrio, simetria, grandiosidade, harmonia. A beleza de uma obra artística; a beleza de uma música; a beleza de um sorriso. Característica do que ou de quem provoca admiração e imediata identificação (moral ou intelectual) por seu conteúdo que corresponde ao que é belo, verdadeiro e justo.

 

A experiência de "beleza", muitas vezes, envolve uma interpretação de alguma entidade como estando em equilíbrio e harmonia com a natureza, o que pode levar a sentimentos de atração e bem-estar emocional. Porém, como isso pode ser em alguns casos uma experiência subjetiva (não em todos como regra, mas como exceção),  é comum ouvirmos dizer que "A beleza está nos olhos de quem vê...” (Ex.: O amor é cego; filhos com relação aos pais, e vice versa, bem como a percepção dos apaixonados).


 

Visão histórica da beleza

 

 

Embora o estilo e a moda variem amplamente, pesquisas com diferentes culturas encontraram uma variedade de pontos em comum na percepção das pessoas sobre a beleza. A mais antiga teoria ocidental de beleza pode ser encontrada nas obras dos primeiros filósofos gregos pré-socráticos, tais como Pitágoras. A escola pitagórica viu uma forte conexão entre matemática e beleza. Em particular, eles observaram que os objetos com medidas de acordo com a proporção áurea pareciam mais atraentes. O filósofo Platão considerava que a beleza era a ideia (forma) acima de todas as outras ideias. Já o filósofo Aristóteles viu uma relação entre o belo e a virtude, argumentando que:

 

“O exercício das virtudes visa à beleza, ao contrário dos vícios”

 

 

A filosofia clássica e esculturas de homens e mulheres produzidos de acordo com os princípios desses filósofos de ideal da beleza humana foram redescobertos no Renascimento europeu, levando a uma readoção do que ficou conhecido como um "ideal clássico". Em termos de beleza humana feminina, uma mulher cuja aparência está em conformidade com esses princípios ainda é chamada de "beleza clássica" ou diz-se que possui uma "beleza clássica", enquanto que as bases estabelecidas por artistas gregos e romanos também forneceram o padrão para a beleza masculina na civilização ocidental.

 

 


Durante a era gótica, o cânone estético clássico da beleza foi rejeitado como pecaminoso. Somente Deus é belo e perfeito, enquanto o homem é falho pelo pecado original e não pode alcançar nenhuma beleza em sua vida se não for através de Deus. Mais tarde, a Renascença e o Humanismo rejeitaram essa visão, e consideraram a beleza como um produto da ordem racional e da harmonia das proporções. (Artistas e arquitetos da Renascença, como Giorgio Vasari em seu "Vidas de Artistas" criticaram o período gótico por ser irracional e bárbaro. Este ponto de vista sobre a arte gótica durou até o Romantismo, no século XIX).Na época da revolução do Iluminismo francês, viu-se um aumento no interesse na beleza como um assunto filosófico. Por exemplo, o filósofo escocês Francis Hutcheson argumentava que a beleza é "unidade na variedade e variedade na unidade".Os poetas românticos também tornaram-se altamente preocupados com a natureza da beleza, com John Keats argumentando em "Ode a uma urna grega", dizendo que:

 

 

“Beleza é verdade, verdadeira beleza, isso é tudo.

Sabeis na terra, e vós todos precisam saber...”

 

 

(Gárgulas da arte Gótica nas Catedrais)



No período romântico, o conservador Edmund Burke apontou as diferenças entre a beleza em seu sentido clássico e o sublime. O conceito de sublime de Burke e Kant nos permitiu compreender que, mesmo a arte gótica e a arquitetura não sendo sempre "simétricas" ou aderentes ao padrão clássico de beleza como o outro estilo, não é possível dizer que a arte gótica é "feia" ou irracional: é apenas uma outra categoria estética, a categoria sublime.

 

 

Já no século XX, viu-se uma rejeição cada vez maior da beleza por artistas e filósofos, que culminou na antiestética do pós-modernismo. Na sequência da rejeição do padrão clássico de beleza do pós-modernismo, os pensadores voltaram a considerar a beleza como tendo um valor importante:

 

 

-O filósofo analítico americano Guy Sircello propôs sua nova teoria da beleza como um esforço para reafirmar o status da beleza como um conceito filosófico importante.

 

-Elaine Scarry também argumenta que a beleza está relacionada à justiça (Elaine Scarry. On Beauty and Being Just. Princeton University Press. p. 97)

 

 

A BELEZA LITURGICA VISTO PELA TRADIÇÃO, PALAVRA E MAGISTÉRIO DA IGREJA

 

“Enviou então dois dos seus discípulos, e disse-lhes: Ide à cidade. Um homem levando uma bilha d’água, virá ao vosso encontro. Segui-o. Onde ele entrar, dizei ao dono da casa: O Mestre pergunta: Onde está a minha sala em que comerei a Páscoa com os meus discípulos? E ele vos mostrará no andar superior uma grande sala arrumada com almofadas. Preparai-a ali para nós.” (Marcos 14,13-15).

 

 

 

Os discípulos encontraram aquilo que Jesus havia falado. Seguiram o homem da bilha, entraram na casa e o dono da casa disponibilizou uma grande sala, no andar superior da casa e ali os discípulos prepararam a última ceia. É desta ordenança de Cristo: “preparai”, que se origina toda liturgia Cristã, tendo Jesus como princípio, meio e fim, pois tudo é ordenado por Ele, por meio dele e para Ele. Temos assim com a liturgia o tripé: Meditação, celebração e oferta de vida.

 

 

Significação da palavra liturgia

 

 

§1069 A palavra "liturgia" significa originalmente "obra pública", "serviço da parte do povo e em favor do povo". Na tradição cristã. ela quer significar que O povo de Deus toma parte na "obra de Deus". Pela liturgia, Cristo, nosso redentor e sumo sacerdote, continua em sua Igreja, com ela e por ela, a obra de nossa redenção.

 

 

§1070 A palavra "liturgia" no Novo Testamento é empregada para designar não somente a celebração do culto divino, mas também o anúncio do Evangelho e a caridade em ato. Em todas essas situações, trata-se do serviço de Deus e dos homens. Na celebração litúrgica, a Igreja é serva à imagem do seu Senhor, o único "liturgo", participando de seu sacerdócio (culto) profético (anúncio) e régio (serviço de caridade): Com razão, portanto, a liturgia é tida como o exercício do múnus sacerdotal de Jesus Cristo, no qual, mediante sinais sensíveis, é significada e, de modo peculiar a cada sinal, realizada a santificação do homem, e é exercido o culto público integral pelo Corpo Místico de Cristo, cabeça e membros. Disto se segue que toda a celebração litúrgica, como obra de Cristo sacerdote e de seu corpo que é a Igreja, é ação sagrada por excelência, cuja eficácia, no mesmo titulo e grau, não é igualada por nenhuma outra ação da Igreja.

 

 

 

§1088: "Para levar a efeito tão grande obra" a saber, a dispensação ou comunicação de sua obra de salvação" Cristo está sempre presente em sua Igreja, sobretudo nas ações litúrgicas. Presente está no sacrifício da missa, tanto na pessoa do ministro, pois 'aquele que agora oferece pelo ministério dos sacerdotes é o mesmo que outrora se ofereceu na cruz', quanto sobretudo sob as espécies eucarísticas. Presente está por sua força nos sacramentos, a tal ponto que, quando alguém batiza, é Cristo mesmo que batiza. Presente está por sua palavra, pois é ele mesmo quem fala quando se lêem as Sagradas Escrituras na Igreja. Presente está, finalmente, quando a Igreja reza e salmodia, ele que prometeu: 'Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, aí estarei no meio deles' (Mt 18,20)."

 

 

§1089 "Na realização de tão grande obra, por meio da qual Deus é perfeitamente glorificado e os homens são santificados, Cristo sempre associa a si a Igreja, sua esposa direitíssima, que o invoca como seu Senhor e por ele presta culto ao eterno Pai.

 

 

Fins da liturgia

 

 

§1068 E este mistério de Cristo que a Igreja anuncia e celebra em sua liturgia, a fim de que os fiéis vivam e dêem testemunho dele no mundo: Com efeito, a liturgia, pela qual, principalmente no divino sacrifício da Eucaristia, "se exerce a obra de nossa redenção", contribui do modo mais excelente para que os fiéis, em sua vida, exprimam e manifestem aos outros o mistério de Cristo e a genuína natureza da verdadeira Igreja.

 

 

 


 

Servir à beleza do mistério da liturgia

 

 

(Por Jerônimo Lauricio)

 

    

O Papa Pio XII que em sua Encíclica Mediator Dei – sobre a Sagrada Liturgia – nos escreveu assim:

 

 

“Urge verdadeiramente que os fiéis participem das sagradas cerimônias não como espectadores mudos e estranhos, mas penetrados, intimamente, da beleza da liturgia” (177).

 

 

Mateus 27,54: “E aconteceu que o centurião e os que com ele vigiavam a Jesus, vendo o terremoto e tudo o que se passava, foram tomados de grande pavor e gritaram: “É verdade! É verdade! Este era o Filho de Deus!”

 

 

É sobre esta percepção deste mistério da Beleza Divina visto pelo centurião romano, que hoje queremos refletir, pois através dela, Deus vem ao nosso encontro todos os dias, especialmente na celebração da Eucaristia, onde o Mistério se faz presente e ilumina com sentido e beleza toda a nossa existência, nosso serviço, nossa oferta de vida. A liturgia é de fato, o meio mais belo e extraordinário pelo qual Cristo Redentor dos homens, uma vez morto e ressuscitado, compartilha sua vida conosco, tornando-nos parte de Seu Corpo como membros vivos e nos fazendo participar de Sua beleza.

 

 

1.   A CELEBRAÇÃO DA DIVINA BELEZA ESCONDIDA E REVELADA NOS SACRAMENTOS      

 

O Catecismo da Igreja Católica nos ensina que “cada Celebração Sacramental – e isto é, a Liturgia – é um lugar privilegiado de ORAÇÃO, do nosso ENCONTRO pessoal com o Mistério da Trindade” (1153). Para compreendermos a profundidade dessa relação entre mistério e celebração sacramental, precisamos nos recordar que o “SACRAMENTO” – em seu sentido cristão mais amplo e antigo – se refere à revelação do “MISTÉRIO” eterno e oculto em Deus. Em grego “mysterion” está ligado originariamente ao culto; indica o fechamento dos olhos ou da boca diante da experiência que não se pode formular em palavras. MISTÉRIO é, portanto, a única palavra que podemos articular para falar da realidade divina e invisível. Juntas, estas duas palavras, “mistério e sacramento”, se referem à dupla dimensão de uma Beleza “escondida e revelada” do plano de Deus para a humanidade. Como isso é possível?

 

 

“Os sacramentos revelam os mistérios espirituais por meio de sinais visíveis, com os quais os cristãos podem experimentar a presença de Deus” (YOUCAT pág 104). E é isso que torna a Beleza da Liturgia fascinante, atraente, redentora.

 

 

Mas o que, é no fundo, a Liturgia? O que acontece nela? Que espécie de realidade encontramos ai?

 

 

Pois bem, na tentativa de encontrarmos as respostas para essas e outras perguntas, vamos explorar, em primeiro lugar, o próprio conceito de Liturgia a partir da sua etimologia. Se abrirmos o Catecismo da Igreja Católica, poderemos ler que “originariamente, a palavra «liturgia» formada por leiton (povo) e ergon (obra, ação), significa «obra pública», «serviço por parte dele em favor do povo». Na tradição cristã, quer dizer que o povo de Deus toma parte na «obra de Deus»” (CIC 1069). De outro modo podemos dizer que a partir da etimologia e da Teologia cristã que tomou este vocábulo do mundo grego, a Liturgia é obra de Deus, e consequentemente obra de Cristo (CIC 1072), da qual a Igreja participa celebrando o seu Mistério Pascal.

 

 

Parece complicado? Veremos que não!

 

 

Quando a Igreja nos ensina que a Liturgia é obra de Deus, com isso ela está nos indicando que o primado de toda ação litúrgica é d’Ele, que é Ele quem toma a iniciativa, quem nos precede no amor (I Jo 4,10). Esta Bela Obra é de Deus porque é Ele quem age primeiro em favor da nossa redenção. É na Liturgia que vemos claramente que “quando alguém dá um pequeno passo em direção a Jesus, descobre que Ele já aguardava de braços abertos a sua chegada” (Evangelii Gaudium 3). Por isso, toda celebração litúrgica é na terra por excelência o lugar do belo encontro entre Deus e o homem.

 

 

Em uma de suas catequeses em outubro de 2012, o Papa Bento XVI de forma tão profunda nos ensinou que:

 

A liturgia “é o ato no qual cremos que Deus entra na nossa realidade e nós podemos encontrá-Lo e tocá–Lo. É o ato no qual entramos em contato com Deus: Ele vem a nós, e nós somos iluminados por Ele (como  foi aquele centurião).

 

 

Por isso, quando nas reflexões sobre a liturgia focalizamos apenas o modo como a tornar atraente, interessante e bonita, corremos o risco de esquecer o essencial:

 

 

A liturgia celebra-se para Deus, e não para nós mesmos; é obra sua; Ele é o sujeito; e nós devemos abrir-nos a Ele e deixar-nos guiar por Ele e pelo seu Corpo, que é a Igreja.” Em outras palavras: somos chamados a participar ativamente dessa obra de Deus, deixando-nos iluminar pelos raios da sua beleza redentora, escondida e, ao mesmo tempo, revelada na Graça dos Sacramentos, especialmente da liturgia eucarística, em que o céu abraça misticamente a terra!

 

 

A respeito desse abraço sacramental, é oportuna a lembrança de um discurso histórico feito pelo o então Cardeal Ratzinger durante o 23º Congresso Eucarístico Nacional Italiano. Em sua introdução ele citou a antiga lenda sobre as origens da fé cristã na Rússia:

 

 

Segundo essa lenda, o príncipe Vladimir de Kiev decidiu aderir à Igreja Ortodoxa de Constantinopla depois de ouvir seus embaixadores enviados a Constantinopla, onde estiveram presentes numa solene liturgia na Basílica de Santa Sofia. Eles disseram ao príncipe: “Não sabíamos se estávamos no céu ou na terra… Somos testemunhas: Deus fez Sua morada ali entre os homens”. E o teólogo cardeal tirou desta lenda uma conclusão: “Com efeito, a força e a beleza interna da liturgia desempenharam um papel essencial na difusão do cristianismo… O que convenceu os embaixadores do príncipe russo, que a fé celebrada na liturgia ortodoxa era verdade, não era um argumento de estilo missionário cujos elementos pareciam mais convincentes para aqueles dispostos a ouvir do que os de qualquer outra religião. Não, o que os atingiu foi o mistério em si mesmo, um mistério que, precisamente porque é mistério, vai além de toda discussão, impõe ao motivo a força e beleza da verdade.

 

 

 

2.      A DIGNIDADE DA LITURGIA APONTA PARA A BELEZA DO MISTÉRIO.

 

 

O Papa Francisco na Evangelii Gaudium nos diz que:

 

 

“No meio da exigência diária de fazer avançar o bem, a evangelização jubilosa torna-se beleza na liturgia. A Igreja evangeliza e se evangeliza com a beleza da liturgia, que é também celebração da atividade evangelizadora e fonte dum renovado impulso para se dar” (EG – 24).

 

 

Sim, a beleza da Liturgia é evangelizadora, porque ora nos atrai para o mistério de Deus, ora nos convida a aprofundar o nosso encontro e relação pessoal com esse mistério, presente entre os homens através da obra intermediária do Filho, “o mais belo dos filhos dos homens, cujo os lábios se espalha a Graça” (Sl 45,3).

 

 

Todavia, como disse o Papa Bento XVI em 2008 na Catedral de Notre Dame de Paris, ao presidir Oração das Vésperas:

 

 

“As liturgias da terra, ordenadas todas elas à celebração de um Ato único da história, não alcançarão jamais a expressar totalmente sua infinita densidade, pois a beleza dos ritos nunca será o suficientemente esmerada, o suficientemente cuidada, elaborada, porque nada é muito belo para Deus, que é a Formosura infinita. Nossas liturgias da terra não poderão ser mais que um pálido reflexo da liturgia, que se celebra na Jerusalém de cima, meta da nossa peregrinação na terra. Que nossas celebrações, entretanto, se lhe pareçam o mais possível e a façam pressentir”.

 

 

Por outro lado, isso não significa que a superficialidade, banalidade e negligência tenham algum lugar na liturgia. Ao contrário, essas atitudes não apenas não ajudam o fiel católico a progredir em seu caminho de fé, mas acima de tudo prejudicam aqueles que apenas participam da Celebração Eucarística dominical.  A Liturgia se torna bela e jubilosa quando glorifica a Deus e nos introduz na alegria do culto e do sacrifício divino. A esse respeito, é oportuno nos recordarmos do quinto capítulo sobre “A dignidade da celebração litúrgica”, na última encíclica de São João Paulo II, Ecclesia de Eucharistia:

 

 

“Tal como a mulher da unção de Betânia, a Igreja não temeu « desperdiçar », investindo o melhor dos seus recursos para exprimir o seu enlevo e adoração diante do dom incomensurável da Eucaristia. À semelhança dos primeiros discípulos encarregados de preparar a «grande sala», ela sentiu-se impelida, ao longo dos séculos e no alternar-se das culturas, a celebrar a Eucaristia num ambiente digno de tão grande mistério. Foi sob o impulso das palavras e gestos de Jesus, desenvolvendo a herança ritual do judaísmo, que nasceu a liturgia cristã. Porventura haverá algo que seja capaz de exprimir de forma devida o acolhimento do dom que o Esposo divino continuamente faz de Si mesmo à Igreja-Esposa, colocando ao alcance das sucessivas gerações de crentes o sacrifício que ofereceu uma vez por todas na cruz e tornando-Se alimento para todos os fiéis? Se a ideia do «banquete» inspira familiaridade, a Igreja nunca cedeu à tentação de banalizar esta «intimidade» com o seu Esposo, recordando-se que Ele é também o seu Senhor e que, embora «banquete», permanece sempre um banquete sacrificial, assinalado com o sangue derramado no Gólgota. O Banquete eucarístico é verdadeiramente banquete «sagrado», onde, na simplicidade dos sinais, se esconde o abismo da santidade de Deus.”

 

 


 

Padre Cristiano Pinheiro aborda mistério da Salvação e da Beleza

 

 

Na Teologia cristã do Oriente, fortemente mística e simbólica, Santidade e Beleza são praticamente sinônimos. O Instituto Parresia ministrou um curso chamado “Por uma teologia da beleza e da divinização” através de temas relacionados à Beleza, somos convidados a entrar no mistério da Salvação, da Misericórdia de Deus que vai nos “divinizando”, tornando-nos belos, novos, santos.

 

 

A beleza salvará o mundo?

 

 

O escritor russo Fiódor Dostoevskij coloca ‘Beleza’ e ‘Salvação’ em um mesmo patamar, deixando transparecer a íntima e intrínseca conexão entre o que é belo e aquilo que é capaz de resgatar, redimir e glorificar o humano. Na Teologia cristã do Oriente, fortemente mística e simbólica, Santidade e Beleza são praticamente sinônimos. Ao longo da História, até a Parusia, o Espírito Santo, Pessoa-Beleza e Pessoa-Santidade da Santíssima Trindade, levará adiante a Sua obra de Embelezamento e Santificação do cosmos e da humanidade. A “Jerusalém terrena” será recriada, transformada em “Jerusalém celeste”, uma Cidade Bela e Santa, toda iluminada, sem pecado, sem ângulos escuros. E esta é uma “parábola” da nossa própria vida, elevada, transfigurada pela Graça. Se por um lado “sair do Egito” é já uma imensa obra da misericórdia divina, por outro, nossa verdadeira e plena vocação é “alcançar a Terra Prometida”. Portanto, o caminho de Salvação da humanidade vai além do nosso “resgate” do pecado, nosso destino final é a santificação, a participação na Glória, na “vida da vida de Deus”, em uma palavra, nosso alvo é a  “divinização”.

 

 


 

Formação Shalom - A via da beleza: uma experiência de Deus que vai direto ao coração

 

 

Através da música, da dança, do teatro, com novo ardor e novos métodos, o mesmo Evangelho de Cristo é proclamado e muitas pessoas são alcançadas. O Artista divino quis, desde o princípio, revelar-Se ao homem através da beleza. Deus não quis apresentar-Se como um conteúdo doutrinal, como um conjunto de normas, porque não o é. Criando o mundo, em tudo colocou cores, formas, sons para fascinar o coração humano e para testemunhar que só nEle o homem pode encontrar a beleza que sacia todo o seu desejo.

 

Deus não quer nos “convencer”; quer nos conquistar, quer nos atrair. “Anunciar Cristo significa mostrar que crer n’Ele e segui-Lo não é algo apenas verdadeiro e justo, mas também belo, capaz de cumular a vida dum novo esplendor e duma alegria profunda”1.

 

 

Direto ao coração

 

Lucas 10,27: “Amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, toda a tua alma, com todas as tuas forças e com toda a tua capacidade intelectual...”

 

 

“Eu faço arte cristã há 29 anos. O diferencial da arte na evangelização é que esta não entra no campo do convencimento racional. Através da beleza, da estética, da emoção, dos sentidos, a arte passa uma experiência de Deus que vai direto ao coração. Não encontra filtros críticos. Quando feita com genialidade, com beleza, com unção, a arte seduz a pessoa a ponto de desarmá-la. Para públicos “vacinados” contra a fé, a arte se torna a melhor ferramenta para comunicar o Evangelho, os valores, a verdade, por esse processo de sedução, de atração”, relata Wilde Fábio, Missionário responsável pela Secretaria de Artes da Comunidade Shalom.

 

 

 

Arte e vocação

 

 

Por esse motivo, “para transmitir a mensagem que Cristo lhe confiou, a Igreja tem necessidade da arte”2. A arte está presente na Igreja desde os seus primórdios, sendo considerada uma atividade excelente, participação ao ato criador3 e quase um “sacramento”4, sinal sagrado e sensível de uma realidade invisível.

 

 

“A experiência que eu tenho é que Aquele Deus que me conhecia, que sabia quem eu era, Ele precisava encontrar um caminho para me alcançar que não fosse o caminho do discurso lógico e racional. Porque nesse discurso Ele não me pegaria nunca. E assim Ele foi me atraindo: fazendo arte. E dentro desse fazer arte, eu fui crescendo, amadurecendo, me descobrindo como homem, como pessoa, como filho de Deus, como celibatário. E hoje eu posso dizer que a pessoa que eu sou foi construída por Deus dentro das artes, dentro do fazer artístico”, revela Wilde Fábio.

 

 

A Boa Nova transmitida

 

 

A arte na Comunidade Shalom é expressão e anúncio da experiência com Cristo, o Ressuscitado que passou pela Cruz. Para o fundador, Moysés Azevedo, o palco é “terra de missão” e, portanto, lugar de oferta de vida em vista da salvação dos homens. Através da música, da dança, do teatro, com novo ardor e novos métodos, o mesmo Evangelho de Cristo é proclamado e muitas pessoas são alcançadas.

 

 

“Com certeza, a uma pregação, a um culto religioso podem haver pré julgamentos, críticas defensivas; mas a uma música bem tocada, bem cantada; a uma dança bem executada, a um teatro visceral profundo, é impossível a pessoa não se render. Vi a vida de tantas pessoas, sendo transformadas pelo encontro com Deus através da beleza, através das artes.Vi pessoas tão feridas, pobres no sentido moral, social, material, que dentro do contexto da experiência com Deus e da arte cristã encontraram sentido, dignidade, crescimento humano, afetivo. A arte não é somente uma ferramenta de evangelização, mas dentro dela acontece o processo de santificação e de divinização do homem.Os frutos que eu colho na vida das pessoas são imensos, em vários continentes. Eu sempre me impressionei quando uma arte que foi produzida aqui no Brasil vai à França, à Alemanha, à Hungria e consegue atingir aquele homem que é tão diferente de nós, mas que em sua essência possui o mesmo anseio, o mesmo desejo. Tenho um sentimento de gratidão muito grande a Deus pela arte e à arte por Deus”, conclui o missionário.

 

 

REFERÊNCIAS:

 

 

1Papa Francisco, Evangelii Gaudium, 167.

2João Paulo II, Carta aos artistas, 12.

3Cf. idem, 1.

4Cf. Cardinal Montini, Discurso aos membros da UCAI (Unione Cattolica Artisti Italiani).        

 

 

 

FONTES DE CONSULTAS:

 

 

-Wikipédia – A enciclopédia virtual        

 

-https://www.paulus.com.br/portal/servir-a-beleza-do-misterio-da-liturgia/#.YH1-m-hKjIU

 

-https://comshalom.org/curso-ministrado-pelo-pe-cristiano-pinheiro-por-uma-teologia-da-beleza-e-da-divinizacao-aborda-o-misterio-da-salvacao-e-da-beleza/

 

-https://comshalom.org/a-via-da-beleza/

 

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Neste Apostolado promovemos a “EVANGELIZAÇÃO ANÔNIMA", pois neste serviço somos apenas o Jumentinho que leva Jesus e sua verdade aos Povos. Portanto toda honra e Glória é para Ele.Cristo disse-nos:Eu sou o caminho, a verdade e a vida e “ NINGUEM” vem ao Pai senão por mim." ( João, 14, 6).Como Católicos,defendemos a verdade, contra os erros que, de fato, são sempre contra Deus.Cristo não tinha opiniões, tinha verdades, a qual confiou a sua Igreja, ( Coluna e sustentáculo da verdade – Conf. I Tim 3,15) que deve zelar por elas até que Cristo volte.Quem nos acusa de falta de caridade mostra sua total ignorância na Bíblia,e de Deus, pois é amor, e quem ama corrige, e a verdade é um exercício da caridade.Este Deus adocicado,meloso,ingênuo, e sentimentalóide,é invenção dos homens tementes da verdade, não é o Deus revelado por seu filho: Jesus Cristo.Por fim: “Não se opor ao erro é aprová-lo, não defender a verdade é nega-la” - ( Sto. Tomáz de Aquino) “Não a nós, Senhor, não a nós, mas ao vosso nome dai glória...” (Salmo 115,1)

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