Dimensão da "Missão Pessoal" na Vida Consagrada
Não trato aqui especificamente de estado de vida ou ministério (esse último pode mudar dependendo das circunstâncias). A
vida consagrada é um chamado de Deus, um dom de Deus. É um dom para a
construção da fraternidade. Aqueles que são chamados a uma vida consagrada são
chamados a construir juntos a unidade , a comunhão, a família de Deus, pois
além da vocação à salvação, à santidade, ao amor, Deus escolhe algumas pessoas
para uma vida de maior intimidade com ele e as destina a cumprir uma missão em
favor dos demais.A
vocação possui um carisma específico pata transformar a realidade temporal. Por
exemplo: A vocação Shalom tem a missão de promover a paz, por isto ser Shalom é
ser discípulo da paz. Para os que pertencem à uma família religiosa sua missão
no mundo coincide com o carisma desta. O ser humano é criado único,
irrepetível, e por isto tem um papel único no mundo e na família religiosa.
Cada pessoa tem uma contribuição, tem uma missão na família religiosa e no
mundo. A
missão está irrevogavelmente ligada aos outros. Ninguém pode construir a sua
história sozinho. O projeto de vida de um vocacionado não é separado do projeto
de vida da comunidade. Cada vocacionado tem uma missão única dentro do carisma
da comunidade religiosa. Esta missão dá sentido à sua história pessoal e deve
construir seu futuro.
É vivendo a vocação
com fidelidade que se descobre a missão pessoal:
É
trabalho de Deus e da escuta do homem. Nós não somos acostumados a ler os
acontecimentos da nossa vida e interpretá-los à luz da vocação.Assim o chamado
de Deus:
1-
Faz ver Deus na nossa história;
2-
Faz encontrar o sentido da nossa história de vida;
3-
Cura as nossas lembranças;
4-
Torna úteis os sofrimentos, nos fazendo chegar ao ponto de achá-los
imprescindíveis para a descoberta e desenvolvimento da nossa missão.
Quando uma pessoa assume o carisma de seu fundador, isso significa
que essa pessoa nega sua própria missão pessoal?
“Eis uma boa pergunta. O carisma do fundador, por natureza, traz a
amplitude necessária para que cada um, com sua própria missão, com sua própria
identidade, enriqueça esse carisma. O
carisma do fundador ou da fundadora é um bem, uma graça. É um modo de
viver a relação com Deus, que foi própria dele, e que nos foi transmitida em
forma de Vocação. Mas, eu contribuo com esse carisma, o atualizo, o vivo com
minha própria identidade pessoal. Obviamente, que quando tratamos de penetrar no
espírito do Fundador, há sempre o perigo de absorver-se. Se eu sinto que tenho
vocação para esta Família, (neste caso à Família de Schoenstatt), eu participo,
com minha riqueza, com minha missão pessoal, com minha identidade, dentro do
carisma do Fundador.” (Ir. M. Elizabet
Parodi estudou a relação e o vínculo das comunidades religiosas aos seus
fundadores).
Descobrir a própria
vocação implica em viver o seu mistério de modo autêntico:
“O mistério de cada pessoa é
concomitantemente aberto ao infinito e encarnado no tempo e no espaço por meio
de formas e limites que a história original de cada indivíduo contribui para
traçar e fixar” (Amedeo Cencini – Redescobrindo o Mistério p. 10).
Viver
o mistério de modo autêntico é, na verdade, decifrá-lo no decorrer do progresso
da própria vida, a partir dos pontos fundamentais da nossa história de forma a
aceitar a própria missão dentro de uma vocação, como Santa Teresinha que
descobriu sua missão pessoal na Vocação Carmelita (Serei o amor). Quem não sabe
se abrir para o mistério contido em si, fecha-se também para algo que
proporciona o conhecimento pleno de si (das suas aspirações e vulnerabilidades)
e da própria vocação.
Para descobrir a
própria "MISSÃO PESSOAL" é preciso trilhar um caminho de discernimento!
É preciso entender que a missão
pessoal não se dá por acaso na vida de alguém e também não é uma escolha
aleatória que se faz diante de várias alternativas, mas está escrita no coração
de cada pessoa desde o momento no qual Deus a criou. Por isso para encontrar a
própria missão é preciso cavar dentro da sua própria história e ir descobrindo
o fio que liga os fatos da sua vida, as intervenções e manifestações de Deus
que apontam para algo específico. É reconhecer, dentro da própria história, o
projeto de Deus que lhe chama para uma missão.
Colocar-se diante do
próprio mistério é o primeiro passo para o discernimento de sua missão pessoal
no mundo, em um carisma, enfim, na Igreja:
Significa
ler o Mistério do amor de Deus dentro do mistério da própria existência. Mas
para isso é preciso identificar as formas pelas quais o mistério pessoal se
serve para revelar-se. Nossa vida está repleta de sinais e de símbolos que nos
introduzem no mistério de nós mesmos, ou que apontam para ele.
O "mistério da missão
pessoal" está sempre dentro de nós e se torna perceptível de vários modos:
a)-
Nos atos informais, como um jogo, um momento de descontração, a forma de
relacionar-se, de rir, etc;
b)-
Nos momentos em que nos deparamos com a dor, o sofrimento, a perda, o luto que
podem despertar atitudes de fuga, resignação, distância, luta, aceitação,compaixão,
etc;
c)-
Nos momentos de solidão e no modo de vivermos a intimidade e a relação conosco
e com os outros;
d)-
E principalmente nos critérios que cada um estabelece para sua satisfação ou
insatisfação naquilo que nos plenifica, mesmo de forma dolorosa, e naquilo que
é de certo modo a inconcretude do não ser, pois a missão pessoal mais que fazer
é ser, pois mesmo sem podermos fazer a missão pessoal continua.
Há também uma atitude
existencial muito significativa que ajuda a revelar o mistério da própria
missão pessoal:
Deixar
emergir aquela pergunta que habita e ressoa no seu íntimo, mas que nem sempre
se sabe formular de modo adequado. Identificar essa pergunta, que cada um traz
dentro de si significa entender o porquê de certo caminho ou de certa busca.
Ela revela o o que realmente que realmente nos inquieta. Diante disso num processo
de descoberta de nossa missão pessoal é muito importante se questionar, sabendo
fazer as perguntas certas e dando a elas uma relação de continuidade, formando
uma cadeia de interrogações que conduzam a raiz daquilo que se está procurando,
que no fundo é fazer a vontade de Deus.
Saber
isso é fundamental para o discernimento de nossa missão pessoal, essa é a
primeira pergunta que devemos responder a Deus quando começamos a buscar a
nossa missão: O que procuramos?
Foi a pergunta de
Jesus para André e Felipe que o seguiam: “O que procurais”, e eles responderam
“Rabi, onde moras?” (João 1,38).
A
descoberta da missão pessoal é um trabalho de construção de si mesmo, da sua
própria identidade. Um trabalho que exige atenção, escuta, paciência,
docilidade para acolher a palavra de Deus, sensibilidade e também a ajuda de um
orientador ou diretor espiritual. O orientador é quem ensina distinguir a voz
de Deus e também a responder ao chamado que Ele faz, assim como foi a ajuda de
Heli para Samuel (cf Sm 3, 3-19). Neste
processo, para ouvir o chamado é preciso estar atento como Samuel que repousava
junto a arca. Faz-se necessário estar na presença de Deus, o que acontece por
uma vida de oração fecunda. Também é preciso desejar acolher a vontade
de Deus para poder ouvi-lo: “Fala, Senhor, que teu servo
escuta”. A
missão pessoal como podemos ver na Vida dos Santos é entendida e decifrada a
partir de uma “experiência pessoal com Deus”. Nessa experiência Ele revela o
seu projeto para nós, assim como fez com Moisés (cf Ex 3; 4),Pedro (Jo
21,15-19), e com Paulo a Caminho de Damasco. Para acolher o mistério da missão
pessoal, querida e proposta pelo próprio Deus, que nos confia de forma pessoal
esta missão, é preciso tirar as sandálias, ou seja, se despir dos próprios
medos, incertezas, preconceitos, inseguranças e também da vontade de querer
controlar e conduzir a própria vida por si mesmo. É preciso despir-se da lógica
humana para entender as coisas de Deus pela sabedoria do Espírito.
Diante de uma missão
que nos é pedida, é natural ter dúvidas, medo das conseqüências e tentar
esquivar-se, ou mesmo negar:
Moisés
também passou por isso! É a força da experiência de Deus que dá coragem para
vencer o medo e responder ao chamado. Pedro também teve medo das conseqüências
de seguir Jesus e por isso o negou três vezes (Jo 18,17. 25-26), mas depois da
experiência do olhar de Jesus entendeu o Seu amor e, então, deu sua resposta
assumindo sua missão (Jo 21, 15-19).
A
missão pessoal autêntica nasce no terreno da gratidão a Deus por nos confiá-la,
pois a missão é uma proposta de Deus, não é uma iniciativa da pessoa. O trabalho
de leitura da própria vida deve levar precisamente, a essa atitude interior de
gratidão. Pois deve levar a pessoa a reconhecer todo bem que recebeu ,bens e
dons dados por Deus e também benefícios recebidos por tantas mediações humanas
que são utilizadas por Deus, e chegar a consciência de que (em qualquer caso ou
situação da sua vida, por pior que tenha sido) esse bem é sempre muito maior
que tudo aquilo de negativo que faz parte da sua própria história!
Essa
descoberta desperta a pessoa a conceber a oferta de si própria dentro da missão
a ser abraçada como uma conseqüência lógica e inevitável, como um ato livre
porque é determinado pelo amor, mas também como um dever porque se posiciona
diante do amor de Deus que a chama e a impele a dar uma resposta: o dom de si.
UM EXEMPLO DE MISSÃO PESSOAL DENTRO
DE UM CARISMA: "AS ALMAS VÍTIMAS"
“Também
nesse mesmo momento vi certa pessoa e, em parte, o estado da sua alma assim
como as grandes provações que Deus lhe envia. Esses sofrimentos reportavam-se à
sua mente, e de forma tão aguda que fiquei com pena e disse ao Senhor: Porque procedeis assim com ela? O
Senhor respondeu-me: Pela sua tríplice
coroa - mas também me deu a conhecer que uma incalculável glória aguarda a alma que imita a Jesus sofredor aqui
na Terra: essa alma será semelhante a Jesus na glória. O Pai Celeste
admira e reconhece as nossas almas, na medida em que vê em nós a imagem de Seu
Filho. Compreendi que essa similitude com Jesus nos é concedida enquanto aqui
na Terra. Mas também vejo almas puras e
inocentes sobre os quais Deus exerce a Sua Justiça; são as almas vítimas que
sustentam o mundo e completam o que faltou à Paixão de Jesus (Colos 1,24);
porém, elas não são muitas. Alegra-me imenso que Deus me haja permitido
conhecer tais almas.( Santa Faustina - D.604)
“As almas vítimas gostam de
se esconder! As almas vítimas gostam de dialogar Comigo, numa oração
ininterrupta...” (Jesus, ao Padre Otavio Michelini).
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Eu fazia muito essa pergunta, e agora encontrei a resposta! Obrigada!
Quando uma pessoa assume o carisma de seu fundador, isso significa que essa pessoa nega sua própria missão pessoal?
“Eis uma boa pergunta. O carisma do fundador, por natureza, traz a amplitude necessária para que cada um, com sua própria missão, com sua própria identidade, enriqueça esse carisma. O carisma do fundador ou da fundadora é um bem, uma graça. É um modo de viver a relação com Deus, que foi própria dele, e que nos foi transmitida em forma de Vocação. Mas, eu contribuo com esse carisma, o atualizo, o vivo com minha própria identidade.Obviamente que quando tratamos de penetrar no espírito do Fundador, há sempre o perigo de absorver-se. Se eu sinto que tenho vocação para esta Família, (neste caso à Família de Schoenstatt), eu participo, com minha riqueza, com minha missão pessoal, com minha identidade, dentro do carisma do Fundador.” (Ir. M. Elizabet Parodi estudou a relação e o vínculo das comunidades religiosas aos seus fundadores)
Maria José - Crateús - CE.
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