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A problemática da Psicanálise Freudiana para o Cristão - Confessionário ou Divã?

Written By Beraká - o blog da família on sábado, 8 de maio de 2021 | 12:54


 


 

 

A Psicanálise já se incorporou ao nosso dia-a-dia. Palavras como inconsciente, libido, Id, ego, superego, histeria, ou neurose viraram de uso comum, embora nem sempre se saiba que querem dizer.

 

 

Quando a psicanálise surgiu, no final do século XIX, essa teoria foi combatida ferozmente e seu autor, Sigmund Freud, submetido a pesadas acusações. Mas não desanimou. O que aparentemente o movia era a vontade de explicar, antes de tudo, a si mesmo e vencer os demônios que o atormentavam. A pandemia e o isolamento social nos recolocaram velhas questões filosóficas e psicanalíticas ligadas ao cotidiano humano e ao significado na cultura e no conjunto da natureza. Indignações seletivas, gabinete do ódio x ódio do bem, polarizações aliadas ao universo de informações falsas, especialmente, força-nos a pensar o papel da racionalidade nesse contexto, e as razões pelas quais as pessoas inteligentes e até normais, que apesar de toda informação disponível, ainda pensam e agem mais baseadas nos impulsos das emoções que no equilíbrio da razão.

 

 

Em Freud, essa ambiguidade do pulsional precisa ser pensada de modo mais preciso, em seus diversos planos de concepção. Freud quer entender não apenas a dinâmica pulsional, mas também,aquilo que se articula ao fundo dessa dinâmica e, nesse sentido, encontra a tendência de retorno aos impulsos primitivos. Isso nos conduz ao terreno da especulação filosófica mais profunda acerca da vida e de uma possível entropia ao fundo de todo o processo, que nos conduziria a dois resultados possíveis, um de caráter teleológico, no sentido histórico, e outro de caráter intemporal, cíclico. De um ponto de vista teleológico, o alvo da vida seria a morte. E não se fala aqui da morte individual, mas, se considerarmos a sério essa hipótese, a vida poderia ser entendida de forma muito reducionista, como uma simples forma de resistência à tendência à desordem e de exaustão dos recursos energéticos que acomete o mundo físico.

 

 

Há um escrito de Freud que analisa extensamente o fenômeno da horda humana e a oposição que podemos supor existir baudelaireanamente entre massa e indivíduo. Trata-se de Massenpsychologie und ich-analyse (Psicologia de massas e análise do eu [1921]). Nesse texto, Freud escreve que o indivíduo absorvido pela massa tende a se submeter cegamente à emoção em meio à multidão e ter a sua capacidade intelectual reduzida por efeito de sua aproximação aos outros indivíduos e pela organização coletiva que prepondera sobre a sua individualidade.

 

 

Nesse sentido, o que une a massa, como foi dito acima, são laços libidinais. Se comumente há sempre certa hostilidade nas relações humanas, mesmo entre as pessoas queridas, esta se dissolve completamente na adesão à massa que, na opinião de Freud, reproduz o comportamento gregário das comunidades totêmicas primitivas descritas em Totem e Tabu e em Psicologia de Massas. Nesse sentido, a Humanidade ainda responderia às mesmas tendências antigas que um dia prevaleceram na horda primitiva.

 

 

Nesse sentido, se pensarmos não no conteúdo das fantasias coletivas ou no esvaziamento dessas fantasias, mas na lógica pulsional inerente a elas, veremos sempre o mesmo drama sendo encenado em sua dantesca circularidade, sendo esta baseada, por um lado, na afirmação da vida e, por outro, na destrutividade. O indivíduo efêmero desaparece e, ao fundo dele, emerge o leviatã coletivo, seja ele racial, corporativo ou nacional. Também as questões morais e de gênero merecem ser pensadas sob essa perspectiva.

 

Como afirma Mezan, "o olhar severo de Freud paira sobre nós todos, advertindo-nos que o enigma e a esfinge não desaparecem pelo expediente de voltar a cabeça e sonhar que eles não existem." (Mezan, R. Freud: a trama dos conceitos. São Paulo. Perspectiva, 1998 - p.15)

 

 

Seu interesse pela mente humana manifestara-se anos antes da autoanálise que acabaria abrindo as portas para um novo território do conhecimento—com certeza em 1882, quando era médico-residente no Hospital Geral de Viena e tornou-se assistente do anatomista Theodor Meynert, o todo-poderoso chefe do Departamento de Neuropatologia. A trajetória de Freud havia sido, até ali, uma seqüência de brilhantes sucessos.

 

 

Freud com apenas 9 anos, ingressara no ginásio, para logo se tornar o primeiro da classe e se graduar “com louvor”. Aos 17 anos, já estava na Universidade de Viena, como estudante de Medicina, movido por uma enorme vontade de saber. Não fora fácil escolher a Faculdade de Medicina: seus interesses intelectuais puxavam-no para vários lados. Também dentro da faculdade foi difícil escolher uma especialização. Decidiu-se finalmente pelo curso de Fisiologia, de Ernst von Brücke.

 

 

Outro fator influenciava também a ambição do jovem Freud. A consciência de ser judeu num mundo anti-semita. Isso era sinônimo de um esforço sem trégua: se o judeu não pudesse provar que estava entre os melhores, diriam automaticamente que era o pior.

 

 

Mas, quando concluiu o curso de Medicina, aos 22 anos, em 1882, um fato veio alterar os planos que tinha traçado para si mesmo: a súbita paixão e a perspectiva de casamento com Martha Bernays. A necessidade de fazer dinheiro rapidamente para sustentar uma futura família o levou a trocar a pesquisa científica pela residência médica, com vistas a montar uma clínica particular.Nesse meio tempo, a vontade de saber e o desejo de notoriedade voltaram a empurrar Freud para os braços da ciência. Como assistente de Meynert e logo livre-docente em Neuropatologia, fez importantes pesquisas sobre a medula e também sobre os efeitos do uso da cocaína. Freud contava com a própria experiência: numa época em que a droga não era proibida nem sofria qualquer tipo de interdição, ele era um consumidor habitual.

 

 


Um dos grandes méritos de Freud foi ter levado pelo ao menos a princípio, a histeria a sério, dispondo-se a ouvir as pacientes com atenção e respeito. Por alguma estranha intuição, ele sabia que o desvendamento dos conflitos íntimos que atormentavam a si próprio dependia da compreensão do que se passava com aquelas infelizes mulheres. Quando decidiu mergulhar de cabeça no estudo da mente humana, adotou como lema a célebre inscrição gravada no pórtico do templo de Apolo em Delfos, Grécia: “Conhece-te a ti mesmo”.

 

 

Antes de partir para o decisivo estágio em Paris, Freud estudara a histeria em Viena, em intima colaboração com Josof Breuer, que vinha tratando, com excepcional dedicação, um caso de histeria que se tornou clássico na história da Psicanálise—o de Fraulein (senhorita) Anna O., pseudônimo de uma jovem de 21 anos, de altos dotes intelectuais, que após a morte do pai passou a apresentar variados sintomas psicossomáticos, como sérias perturbações de visão e audição, freqüentes paralisias nos membros, incapacidade de comer e beber, estados de ausência etc. Utilizando-se da hipnose, Breuer conseguiu que sua paciente recordasse as cenas traumáticas que haviam desencadeado a neurose, todas elas relacionadas com o estado de extrema tensão emocional vivida durante a longa doença e a morte do pai. Verificou também, espantado, que o simples fato de narrar as cenas produzia em Anna um alivio imediato dos sintomas psicossomáticos. Esse procedimento, adotado repetidas vezes, num tratamento persistente e prolongado, levou supostamente à eliminação de praticamente todos os sintomas. Mais tarde, Freud mostraria que os traumas psicológicos como os vividos por Anna eram apenas os elementos deflagradores da neurose, cuja verdadeira origem deveria ser buscada muito atrás, na mais remota infância do doente.Quando voltou de seu estágio em Paris, Freud publicou juntamente com Breuer os Estudos sobre a Histeria, uma espécie de marco inicial da Psicanálise.

 

 

A capacidade de trabalho de Freud era verdadeiramente espantosa. Ele acordava às 7 horas e, depois do café da manhã e de uma rápida olhada nos jornais, começava a atender seus pacientes pontualmente às 8 horas. Cada sessão durava exatamente 55 minutos. Nos cinco minutos que restavam para fechar a hora, ele subia a escada que ligava o andar em que se encontravam o consultório, a sala de espera e o escritório particular ao andar superior, onde vivia a família.As sessões se prolongavam até as 13 horas, quando a família se reunia para o almoço. Freud era um pai carinhoso e proporcionou a seus filhos uma formação bastante livre, pelo menos em comparação com os rígidos padrões germânicos do começo do século.

 

 

Quando havia convidados para o almoço, porém, seu silêncio e introspecção costumavam criar situações extremamente embaraçosas. Depois do almoço, um curto passeio a pé pelas tranqüilas ruas de Viena e a compra dos charutos favoritos. Freud chegava a fumar até vinte charutos longos por dia. Mas, quando seus seguidores lhe propuseram uma explicação psicanalítica para o vício, ele a recusou bem-humorado.

 

 

Freud conhecia a fundo os clássicos da literatura: os gregos, Shakespeare, os grandes poetas alemães (principalmente Goethe), os romancistas franceses Balzac, Flaubert e Maupassanp e os russos Dostoievski e Gogol. Ao lado dos interesses intelectuais, tinha também grande prazer nas atividade físicas: nadava bem, patinava, caminhava muito e rápido. Aos 65 anos, participando de excursão pelas montanhas do Harz, na Alemanha, vence facilmente colegas 25 anos mais moços, tanto em resistência quanto em velocidade. Freud havia se fixado a meta de produzir pelo menos três linhas por dia, mas nem sempre era fácil vencer o branco do papel. Outras vezes, porem, as idéias jorravam fácil e ele era capaz de produzir uma importante obra científica em apenas alguma semanas. Escreveu dezessete livros e dezenas de artigos.

 

 

Seu estilo literário é brilhante, mas dependia daquilo que ele chamava uma “moderada quantidade de miséria” pessoal: ou seja, Freud supunha que quando tudo ia bem demais na sua vida o texto não saia bom.

 

 


 

DOS COMPLEXOS E NEUROSES

 

 

Na mitologia grega, o rei de Tebas, Édipo, matou Laio, sem saber que este era seu pai, e casou com Jocasta, sem saber que era sua mãe. Esse trágico triângulo amoroso, segundo Sigmund Freud, seria revivido na fantasia de todas as crianças, geralmente antes dos 5 anos de idade, quando, de alguma forma, elas experimentariam desejo sexual em relação ao genitor do sexo oposto, além de fortes sensações de rivalidade e hostilidade em relação ao genitor do mesmo sexo.A expressão complexo de Édipo só foi empregada, pela primeira vez, em 1910; seu conceito se formou, porém, mais de dez anos antes, no bojo da auto-análise de Freud. A sexualidade infantil se manifestaria já nos primeiros momentos de vida e passaria por várias fases — oral, anal, fálica e genital. Esse processo, porém, nem sempre transcorreria de modo perfeito; as inibições em sua trajetória caracterizariam muitos distúrbios da vida sexual. A fixação da líbido ou energia erótica em fases infantis do desenvolvimento sexual seria responsável pelas perversões sexuais dos adultos, entre as quais Freud inclui o homossexualismo.

 

 

As distorções no desenvolvimento sexual do indivíduo seriam, segundo Freud, a principal causa da neurose — desordem mental caracterizada por ansiedade, mal-estar psicológico, sensação de infelicidade desproporcional às circunstâncias reais da vida da pessoa. As neuroses, formadas geralmente por volta dos 6 anos de idade, seriam justamente uma resposta da mente consciente ao conflito inconsciente entre os impulsos instintivos e os padrões de comportamento impostos pela sociedade.

 

 

Essa ideia de uma atividade mental inconsciente é um dos pressupostos fundamentais da Psicanálise

 

 

O inconsciente com o qual conversamos com nosso consciente, e às vezes imaginado como uma espécie de porão da mente ou psique, seria o depósito das tendências reprimidas do indivíduo— as quais, como o desejo incestuoso do menino em relação à mãe, seriam banidas da vida consciente devido a sua ameaça potencial à ordem civilizada. A repressão, porém, nunca é completa, dizia Freud:

 

 

O reprimido no inconsciente estaria sempre forçando sua passagem ao plano consciente; as mensagens cifradas transmitidas pelo inconsciente permitiriam ao analista buscar a explicação da neurose e, daí, sua possível cura. A técnica psicanalítica teria, dessa maneira, muito a ver com a atividade do detetive nos romances policiais, que vai remontando, num árduo e cuidadoso trabalho de interpretação, a trama oculta.



Em suas primeiras investigações da mente, Freud empregou a hipnose para trazer à luz as cenas traumáticas do passado. Abandonou-a, porém, não só porque muitos pacientes não se deixavam hipnotizar, mas principalmente porque, embora a hipnose permitisse o acesso a memórias correspondentes a determinada região do inconsciente, criava, nas fronteiras dessa mesma região, barreiras ainda mais difíceis de serem transpostas. Freud substituiu então a hipnose pelo método da livre associação, em que o paciente, deitado num divã, de costas para não ser inibido pelo olhar e expressão facial do terapeuta, passaria a falar tudo o que lhe viesse à cabeça. Nesse trabalho de garimpagem do inconsciente seriam importantíssimas também as interpretações dos sonhos e dos atos falhos. Os sonhos, através de sua linguagem simbólica, dariam acesso direto ao material inconsciente. E os atos falhos, tais como os lapsos de linguagem que cometemos freqüentemente, seriam forças adotadas pelas tendências reprimidas para forçar a passagem ao plano consciente.

 

 

O que são Id, Ego e Superego?

 

 

Em 1954, pesquisadores da Universidade McGill, no Canadá, descobriram que ratinhos podiam se matar de tanto perseguir sensações de prazer. Os cientistas introduziram eletrodos em algumas partes do cérebro dos animais e, quando um rato batia a pata numa alavanca, ele recebia um estímulo elétrico nessas regiões. O estímulo tanto podia ser prazeroso como repulsivo, ou não provocar reação nenhuma no bichinho. A surpresa veio quando a escolhida foi a área septal do sistema límbico – uma parte responsável pelas nossas emoções.

 

 

Os ratos gostaram tanto dos choquinhos nessa área do cérebro que não pararam mais de bater na alavanca, sem dar bola para mais nada. Mais nada mesmo: esqueceram-se de comer e beber, e morreram de cansaço.

 

 

Essa área, sabe-se hoje, está relacionada às nossas sensações de prazer, principalmente prazer sexual – é onde fica nosso centro de orgasmo.

 

 

E o estudo canadense revelava ali, mais de 60 anos atrás, a evidência de que temos um centro de recompensa no cérebro e que ele incita comportamentos inconsequentes de autoestimulação – que podem ser muito destrutivos, levando à morte até. Funcionou assim para o tesão dos ratinhos, funciona assim para o vício em drogas dos seres humanos.

 

 

Décadas antes dessa descoberta, Sigmund Freud já tinha afirmado que temos uma instância psíquica que só quer saber de ir atrás de prazer, como se não houvesse amanhã.

 

 

É o que ele chamou de id, uma espécie de subpersonalidade tarada, agressiva, egoísta e mimada, que vive brigando com duas outras instâncias: o superego e o ego.

 

 

A primeira é repressora, um avesso do id, enquanto a segunda é conciliadora, tenta encaixar as doideiras do id nas exigências do mundo real. Curiosamente, a neurociência também descobriu mecanismos cerebrais que freiam nosso impulso de só agir por prazer. Em 2012, a Universidade de Iowa, nos Estados Unidos, comprovou por ressonância magnética que temos uma área no cérebro, o córtex pré-frontal dorsolateral, que entra em ação sempre que precisamos de autocontrole – diante da quarta fatia de pizza, por exemplo.



O paralelo existe, mas os anjinhos e diabinhos da mente humana são muito diferentes dependendo de o ponto de vista ser freudiano ou da neurociência.

 

 

O sistema límbico tem suas autorregulações, está longe de ser algo como o id caótico de Freud, incitador de barbaridades e comportamentos imprevisíveis. Mas o denominador comum é um fato que tanto a ciência moderna quanto a psicanálise identificaram:

 

 

Nossa mente é um território em eterno conflito, onde se digladiam a busca do prazer e mecanismos inibitórios.

 

 

 

ENTENDENDO O “ID”

 

 

Movido pelo princípio do prazer, o id é a parte da mente que quer gratificação imediata de todos os seus desejos e necessidades. Imagine-se vivendo uma eterna primeira infância, quando você chorava se tinha fome, arrancava um boneco das mãos do amigo porque queria o brinquedo, dava um pontapé no gatinho da sua avó só porque achou o miado dele engraçado. Bebês estão sempre com o id no controle, já que é a única instância psíquica que, segundo Freud, está presente desde o nascimento. Mas há muitos exemplos de id desgovernado também na vida adulta, como o tarado que coloca o pênis para fora no ônibus, mesmo sabendo que haverá consequências, ou a pessoa que, diante de uma promoção no site de vinhos, gasta muito mais do que sua condição financeira recomenda – aliás, o cartão de crédito é uma incrível ferramenta para colocar o id atropelando o que vier na frente.E preste atenção à ideia de a gratificação ter de ser imediata – como o neném faminto que chora horrores exigindo o peito materno, não querendo saber se a mãe está numa videoconferência ou dirigindo na estrada.

 

 

No caso do tarado, ele não espera estar trancado num banheiro para se masturbar – faz em público mesmo, na hora que dá vontade. E o consumidor impulsivo não consegue esperar o salário entrar no começo do mês seguinte – acha que precisa comprar agora.

 

 

 

Freud apresentou o id como a única parte da nossa personalidade que é totalmente inconsciente, onde se escondem nossos pensamentos mais ogros. Assim como um vilão de história em quadrinhos, o id não conhece freios morais nem dá bola para a ética da sociedade. Só quer buscar satisfação. Se fôssemos guiados só pelo princípio do prazer, sairíamos pela rua estuprando – para satisfazer um desejo sexual momentâneo –, roubando – a versão adulta do bebê que pega o brinquedo do colega sem autorização –, agredindo, rindo em horas impróprias, comendo e bebendo até vomitar, ingerindo drogas até a overdose. Seríamos violentos e tarados.

 

 

Deu para pescar que o id é um lado psicopata da nossa personalidade. Mas há um bom motivo para ele existir. Imagine alguém sem impulsos de atender às próprias necessidades e desejos. Esse alguém morreria de fome. E a espécie humana não iria para a frente se os primeiros hominídeos não respondessem aos seus desejos sexuais, já que não existiria reprodução.

 

 

O que o id faz é tentar diminuir aquela ansiedade criada pelo princípio do prazer. Por exemplo, se você sente fome, começa a ficar tenso, pensando “preciso comer”. O id então chega e diz “cara, se está com fome, come logo e para de sofrer por causa disso”. Bom, né? O problema é que ele não conhece medida, e também pode soprar no seu ouvido algo assim: “Cara, a fome é grande. Pede logo esse sanduba de picanha com provolone, maionese, catupiry e cebola empanada. Melhor: pede dois”. Ah, mas você está de dieta, precisa perder 10 quilos. O id não está nem aí para esse detalhe. Só quer recompensa imediata. Quem tenta ajustar esse desejo às circunstâncias da vida real é a próxima instância teorizada por Freud.

 

 

 

Entendendo nosso Ego

 

 

 

Enquanto o id é guiado pelo princípio do prazer, o ego se baseia no princípio da realidade. É uma espécie de mediador entre a impulsividade do id e as condições externas, fazendo a interação entre a sua personalidade e as leis do seu país, a cultura do seu tempo, as regras de etiqueta e as normas do bom convívio. Dependendo do livro de Freud que você encontrar, o ego pode ser traduzido por “Eu”, o que dá bem a ideia de que essa instância, adequando as suas vontades ao mundo em volta, acaba sendo quem você é de fato aos olhos das outras pessoas. E essa parte da nossa personalidade não existiria sem o id – é dele que o ego tira suas forças.

 

 

 

Nessa condução do cavalo selvagem que existe dentro de cada um, o ego pesa os custos e benefícios dos desejos do id antes de liberar este ou aquele comportamento. E ele também possui um agudo senso de timing. Em diversas situações, vai acabar permitindo a gratificação exigida pelo id, mas só na hora certa. Por exemplo:

 

 

Um rapaz está no meio do público de um show de rock, dançando de pé no setor pista, e dá vontade de fazer xixi. Só que o banheiro mais próximo fica a 10 minutos de muito empurrão em meio a uma massa de fãs do Guns N’Roses. Isso gera uma tensão que o id vai querer eliminar na hora – “abre a braguilha e manda brasa aqui mesmo”. É então que o princípio da realidade faz o ego disparar um pensamento mais senhor da razão: “calma, se fizer isso você vai revoltar toda essa galera, além de molhar a própria calça; o show já está no bis, a vontade ainda é administrável, dá para esperar numa boa o vocalista vai parar de cantar, aí você vai ao banheiro sossegado”.

 

 

 

Em outras situações, o ego vai ter de negar mesmo a gratificação. Naquele mesmo show, o rapaz vê uma garota bonita cantarolando “Sweet Child O’ Mine” com a camiseta molhada de suor e de chuva. O id logo lhe dá a ideia pouco inteligente de ir correndo se atracar àquele corpo que o pano mal consegue esconder. O ego então rebate com o mundo real: levando em consideração que a satisfação desse desejo renderia:

 

a)-Um grito de “tarado” por parte da moça.

 

b)- A possibilidade de um linchamento por parte da galera.

 

c)-Provavelmente prisão… Portanto, que tal só puxar conversa com ela, respeitosamente?

 

 

Também, vale dizer que, antes da elaboração da segunda tópica, o ego era confundido com a própria consciência humana. E contribui para essa identificação a ideia de ele lidar com as percepções conscientes que adquirimos pelos sentidos – e que vão nos dar o contexto do mundo externo.

 

 

“A percepção tem, para o ego, o papel que no id cabe ao impulso”, afirma Freud.

 

 

Apesar dessa identificação com a consciência, a batalha interna para refrear os estímulos cheios de tesão do id deixou claro para Freud que grande parte desse nosso “eu” ainda opera nas trevas do inconsciente.

 

 

 

Entendendo o Superego

 

 

 

Já vimos as instâncias guiadas pelos princípios do prazer e da realidade. Agora vamos tratar daquela que segue o que poderíamos chamar de “princípio do dever”.

 

 

O superego se baseia nos valores da sociedade e nas regras de conduta que herdamos dos nossos pais para agir como um juiz das nossas intenções – um tipo de árbitro de futebol cheio de cartões vermelhos no bolso.

 

 

Essa é a parte moral da nossa personalidade, a fonte dos nossos pensamentos de autocontrole que vão servir para empatar o jogo contra os impulsos “vamos que vamos” do id.Diferentemente do ego, que tenta adiar a gratificação do id para momentos e locais mais adequados, o superego tenta barrar mesmo qualquer satisfação. Vê sempre o lado vazio do copo.

 

 

Outra diferença essencial é que, mesmo que o ego e o superego cheguem à mesma conclusão sobre alguma coisa – afinal, ambos têm funções de censura –, o superego tem esse raciocínio por motivos morais, enquanto o pé atrás do ego tem base nas consequências que a ação pode acarretar. “Meu deus, o que os outros vão pensar?” é o ego questionando o id. Não vai fazer isso nem a pau, essa ação é errada e indecente”, diria o superego.

 

 

Segundo Freud, o surgimento dessa instância repressora tem tudo a ver com o complexo de Édipo. Num primeiro momento da nossa infância, quando esse complexo está a todo vapor, nossos impulsos são contidos pela autoridade dos pais, que estão sempre alternando suas provas de amor com advertências e punições – a menininha acha graça em jogar o iogurte no chão, e lá vem uma reprimenda para acabar com a alegria. Quando, então, a criança supera o complexo de Édipo – e seu universo passa a se estender para além da relação com os pais –, essas proibições são internalizadas. Você mesmo assume os “não pode”, “não deve”, “para com isso”, que antes vinham só da boca do papai e da mamãe – para Freud, principalmente do papai.

 

 

Segundo Freud, “o superego conservará o caráter do pai, e quanto mais forte foi o complexo de Édipo, tanto mais rapidamente (sob influência de autoridade, ensino religioso, escola, leituras) ocorreu sua repressão, tanto mais severamente o superego terá domínio sobre o ego como consciência moral, talvez como inconsciente sentimento de culpa.”

 

 

A fase edipiana do menino termina quando, sob a ameaça de castração representada pelo pai, o moleque renuncia ao desejo pela mãe, passando a se identificar com as proibições e regras das quais o pai é o portador – ou era, nos tempos de Freud, quando o homem seria sempre o chefe da casa. É assim que a internalização de um sistema de obrigações e ideais, ligado à figura paterna, gera essa parte da personalidade no menino. Ou seja, o medo de perder o pinto por causa dos seus desejos faz nascer o superego.

 

 

E no sexo feminino? Afinal, menina não tem pinto para perder!

 

 

O complexo de Édipo funciona de forma diferente aqui: a garota se revolta com a mãe, achando que ela é a culpada pela sua ausência de pênis, e volta seu desejo na direção do pai – já que ele tem o que ela inveja. Assim, enquanto o medo da castração faz o menino sair do complexo de Édipo, é a constatação de que “é castrada” que faz a menina entrar nesse complexo. Freud não descobriu direito por que a menina uma hora acaba deixando a fase edipiana para trás. Mas o que importa agora é algo que ele acha que descobriu: se a menina já “é castrada”, e assim não tem um pênis para colocar em risco, ela é um tipo de ser humano sem nada a perder. O superego, por isso, seria frágil nas mulheres, o que explicaria a visão de que “mulher é tudo louca”:

 

 

Segundo Freud, elas falham na sua moralidade, falham na tomada de decisões racionais, são impulsivas e precisam de alguém – um homem, claro – que as contenha.

 

 

 

E a comparação negativa para o lado das mulheres não para aí. O superego, além de fazer papel de censor e agente da moral e dos bons costumes, é a principal instância de aperfeiçoamento do indivíduo – tem funções educativas, é transmissor dos valores da sociedade e da ética dos pais. Assim, busca a construção de um ideal de pessoa. Já a mulher, com seu superego subdesenvolvido, teria problemas de caráter. A ponto de Freud acreditar que, devido à bissexualidade inerente a todo indivíduo, o homem nunca atingirá uma condição de suprassumo da humanidade. Afinal, tem em si uma porção feminina estragando tudo. Um superego dominante tanto em homens como em mulheres gera uma pessoa extremamente moralista.

 


 

Sim, o conflito entre essas três instâncias é uma verdadeira luta de VALE TUDO no nosso ringue psíquico!

 

 

E quem toma porrada é sempre o ego. De um lado, precisa dar uma chave de braço no id para conter seus impulsos agressivos e sexuais –, mas não com tanta força que o impeça de aliviar a tensão que um desejo impõe. De outro, precisa suportar os cruzados do superego, que quer construir o indivíduo mais certinho da humanidade, criado à base de leite com pera.

 

 

“Vemos esse ego como uma pobre criatura submetida a uma tripla servidão”, diz Freud, “que sofre com as ameaças de três perigos: do mundo exterior, da libido do id e do rigor do superego”.

 

 

 

Com golpe vindo de todo lado, não é de se estranhar que haja tanto remédio para ansiedade!

 

Nossos sentimentos de culpa, que geram uma baita tensão, nascem desse conflito entre o ego e o superego, entre aquilo que somos e o que a parte mais moralista da nossa personalidade gostaria que fôssemos – na nossa mente, o nosso eu está sempre sendo julgado. Transferindo para um exemplo do cotidiano, essa tensão se manifesta sempre que você termina de raspar uma lata de leite condensado. Muita gente com problema de peso tem de encarar essa briga de foice entre um id devorador e um superego fazendo cara de “que absurdo” diante da balança.

 

 

Como, então, sair inteiro desse ringue psíquico?

 

 

 

Freud usou a expressão força do ego para se referir à capacidade de a mente lidar com instâncias em conflito. Um ego forte permite administrar bem essas pressões, impedindo que uma das instâncias seja tão dominante que resulte em uma personalidade desequilibrada.

 

 

Alguém que tenha o id hiperativo tende a ser excessivamente impulsivo e incontrolável na busca por satisfazer seus desejos. É o perfil clássico do psicopata, a pessoa que não pensa duas vezes em pisar nos outros para atingir o que quer. O traficante colombiano Pablo Escobar, responsável por cerca de 4 mil assassinatos, é um bom exemplo. Quando soube que um garçom havia roubado prataria da sua casa, Pablo ordenou que seus jagunços amarrassem os pés e as mãos do rapaz e o jogassem na piscina – onde, claro, o garçom morreu afogado. Além da desproporção do corretivo – “você rouba uns garfos meus, eu te mato” –, não havia, na mente de Pablo, força do ego suficiente para deixar a ação para outra hora, até o momento em que a raiva passasse. Com o id a toda, Escobar assassinou o garçom bem no meio de uma festa, na frente dos seus próprios convidados.



Já um superego dominante gera um indivíduo moralista, paralisado pelos impedimentos que sua mente impõe a vida toda. É um perfil que se encaixa bem nos fanáticos religiosos, que guiam suas condutas tendo como ponto de partida sempre um conjunto de proibições.

 

 

 

A boa notícia é que esse conflito é produtivo também. As três instâncias trabalham juntas na formação do seu comportamento:

 

a)-O id cria as demandas.

 

b)-O ego acrescenta os conflitos e necessidades da realidade.

 

c)-O superego incorpora a moral à ação.

 

 

Segurando a onda dos elementos mais radicais dessas influências, o resultado pode ser um indivíduo em paz consigo mesmo – ainda que, às vezes, sua mente tenha de recorrer a compensações e disfarces para chegar lá.

 

 

 

Mecanismos de Defesa do Ego

 

 

 

Sobreviver a essa guerra exige que a psique tenha suas armas. São estratégias mentais que disfarçam pensamentos inconscientes com potencial de dano.

 

 

O objetivo: suportar a ansiedade da briga entre id e superego, os traumas que querem vir para a consciência e as pressões da realidade externa.

 

 

 

Projeção (compartilhamento da culpa):

 

 

 

Está se sentindo culpado por um desejo proibido, um comportamento impróprio ou um mau-caratismo da pior espécie? Seus problemas acabaram: é só jogar a batata quente dessa culpa no colo de outra pessoa – uma transferência de responsabilidade que pode acontecer dentro da sua cabeça, via projeção. Esse mecanismo faz com que o indivíduo projete em outras pessoas as suas inseguranças e sentimentos desagradáveis. Assim, ele consegue tirar a carga emocional das próprias costas – botando a culpa em alguém. Pode acontecer quando, intimamente, a pessoa se acha um peso morto na empresa. Em vez de reconhecer o problema, ela começa a comentar com os outros que um novo colega está querendo mostrar serviço demais, e vai queimar o filme de todo mundo. É uma forma que a mente encontra de avisar a consciência que o próprio indivíduo não está fazendo jus ao emprego, mas sem ir direto ao assunto – e, portanto, sem provocar as dores dessa culpa.

 

 


 

Formação reativa

 

 

É agir da maneira oposta ao seu desejo oculto – e exagerando nessa inversão, este é o mais fácil e simples de explicar e entender, é aquele(a) famoso(a) “do contra”.É aquela pessoa que quando íamos juntos a escola, acalentávamos grandes projetos, mas, com o tempo, a realidade foi se impondo e nem tudo saiu como imaginávamos. No entanto, você ainda sonha em fazer coisas novas e alcançar objetivos, enquanto ele(a) já se rendeu. Segundo Freud, são pessoas que só sabem ver as dificuldades do que pode ser feito. Semeiam dúvidas e temores, criam insegurança, desmotivam e podem chegar a convencer você de que aquilo que você considerava bastante possível alguns tempo atrás, agora é exatamente o contrário. É bom que existam pessoas que nos façam enxergar os possíveis riscos de alguma decisão a ser tomada ou de levar adiante um projeto complicado, porém, este tipo de pessoa acabam nos desgastando porque exalam negativismo: tudo, para elas, é um problema, vivem com medo. Não saem da sua zona de conforto e não deixam que os outros o façam.

 

 

Sublimação

 

 

Basicamente transforma pensamentos ruins em atos bons, construtivos, generosos – no mínimo, em comportamentos socialmente aceitáveis. Um campeão internacional dos games de luta pode estar sublimando uma agressividade que, se dependesse só dos seus impulsos originais, tornaria o indivíduo um criminoso. E alguns esportes também permitem essa transformação regeneradora. Se você descer a porrada no seu vizinho barulhento, a polícia vai aparecer na sua casa. Mas, se você der golpes no seu adversário num torneio de judô, sua vocação para o confronto físico não apenas será aceita como pode lhe render uma medalha olímpica.

 

 

Regressão

 

 

 

Você já levou um ursinho para o trabalho novo? Essa volta a um comportamento infantil é a maneira que a psique encontra para lidar com aflições da vida adulta que o indivíduo não quer encarar. É o caso da pessoa que, diante da morte de alguém querido, só consegue um pouco de conforto dormindo na sua antiga cama, na casa dos pais. Na regressão, a mente se apega a formas de gratificação do seu passado, geralmente ligadas à infância, para contornar questões dolorosas.Outro exemplo existe nos desenhos do Snoopy: o personagem Lino, amigo do Charlie Brown, tem um “cobertor de segurança” que ele não larga, como se fosse bebê. O garoto fica paranoico e não consegue lidar com as interações do dia a dia sem a manta – remanescente de um tempo em que o berço era o lugar mais seguro do mundo.

 

 

Anulação

 

 

 

É um tipo de atitude que busca o cancelamento de uma experiência desagradável, tenha sido ela real ou apenas em pensamento. Por exemplo, um indivíduo tem ímpetos de dar uma surra numa criança – uma violência que ele mesmo considera repugnante. Aí o mecanismo mental o protege dessa autoimagem de agressor de menores fazendo com que ele se comporte de modo a remediar esse ato – ainda que, no caso, ele nunca tenha partido mesmo para as vias de fato. De uma hora para outra, o homem vira um doce de pessoa com a molecada: faz esculturas de balões nas festinhas, vê o mesmo desenho repetidas vezes com a paciência dos santos penitentes.

 

 

Negação

 

 

Esse é perigoso! Ao fazer com que o indivíduo se recuse a aceitar que algum evento traumático ocorreu de verdade – ou ainda ocorre –, o sistema de defesa pode se transfigurar em alienação ou delírio. Mas essa negação pode acontecer em vários níveis. Nesse grau mais extremo, o mecanismo atinge o inconsciente, e a pessoa realmente acredita que o fato não aconteceu. Como a mãe que arruma o quarto do filho morto e fica esperando que ele volte para casa à noite. Mas a negação também opera no nível da consciência, como quando uma mulher que sofre violência do marido fala às amigas sobre como ele é carinhoso, negando os maus-tratos. Ela pode não saber por que mente para as amigas, mas sabe que apanha.

 

 

Racionalização

 

 

Pode ser a justificativa para um ato que a pessoa no fundo condena ou a tentativa de uma explicação positiva para uma situação difícil. No primeiro caso, quando a pessoa faz algo que a moral do superego desaprova, o ego dá um jeito de arrumar razões que atenuem essa desaprovação. Por exemplo, a pessoa não resiste à impulsividade do id e compra um apartamento de bacana num dos bairros mais caros da cidade – uma aquisição acima de suas posses. Ela racionaliza esse ato dizendo para os outros – e para si mesma – que o próximo ano deve ser de boas notícias no trabalho, um aumento de salário é quase certo, a economia está melhorando. Como se vê, a necessidade de manter uma coerência entre ação e pensamento é forte nesse mecanismo. Até as próprias vítimas agem assim. Mulheres abusadas tentam achar razões para a violência que sofreram. Já no segundo caso, é quando uma pessoa sozinha à noite ouve barulhos no quintal. Diante da ansiedade que esses ruídos provocam, o indivíduo começa a buscar explicações que ofereçam uma versão positiva às suas piores suspeitas. “Não deve ser um ladrão tentando invadir a casa porque vi uma notícia no jornal dizendo que nosso bairro é dos mais seguros. Deve ser o gato da vizinha, ele pode ter fugido.” Tudo fica mais “racional” e factível que o revólver do ladrão diante do rosto.

 

 

Deslocamento

 

 

O deslocamento é a substituição de um alvo desejado – e proibido ou inacessível – por um alvo substituto. Um exemplo é o policial subordinado, ou comerciante que ouve um tanto de absurdos do cliente e engole os sapos – afinal, o cliente é a fonte dos seus rendimentos. Aí, quando chega em casa, desconta sua raiva, até então contida, nos filhos. O id queria gratificação imediata – dar um murro na cara do cliente –, mas o superego proibiu – seu trabalho depende de uma boa relação com a clientela, e isso não envolve socos no queixo. Então o ego encontrou uma hora e lugar para essa energia psíquica transbordante: brigar mais tarde, com alguém que não vá colocar em risco a sua capacidade de pagar boletos.

 

 

Repressão

 

 

 

Mais do que um mecanismo de defesa, falamos agora de um dos próprios alicerces da psicanálise. A repressão impede que conteúdos psíquicos incômodos cheguem à consciência, criando um tipo de amnésia, que pode ser temporária ou permanente. Até aí, parece bom. Esquecer pensamentos que nos fazem sofrer tem o jeitão de uma panaceia contra nossas piores angústias. Mas você viu o filme Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças? As recordações dolorosas, que deveriam ter sido eliminadas, sempre voltam. O problema é que, por mais poderosa que seja, a repressão nunca faz o serviço completo: as memórias reprimidas não são deletadas pela mente – só estão escondidas. No caso das histéricas do século 19, esses pensamentos insuportáveis se transformavam em sintomas físicos. Aqui no século 21, surgem na forma de ansiedade ou comportamento disfuncional. Uma pessoa que tenha sofrido bullying na pré-escola pode não ter lembrança desses abusos, mas “ganha” uma enorme dificuldade de se relacionar na vida adulta. Outro indivíduo pode ter fobia de aves – ornitofobia é o termo técnico –, ainda que uma amnésia misteriosa o impeça de ter a mais vaga ideia de quando esse medo besta começou. Para quem vive em centros urbanos, e não em fazendas com galinheiros, lidar com esse transtorno não é tão terrível: basta adquirir habilidade para driblar o zigue-zague das pombas na calçada. Mas, se o dia a dia com essa fobia pode ser administrável, o trauma que a provocou talvez não fosse – e teve de ser banido da consciência pela repressão.

 

 

Uma nova biografia de Freud, escrita por Frederick Crews , põe em xeque a própria psicanálise ao criticar duramente a imagem mitológica de seu fundador: Freud

 

 

O livro, calcado em evidências documentais, baseia-se também em cartas do austríaco que foram divulgadas posteriormente. Qualquer análise de um fato passa, necessariamente, pelo filtro interpretativo de quem o reporta. Essa observação, popularizada pela psicanálise, também se aplica a seu fundador: o mito de Sigmund Freud foi construído pelo próprio austríaco e por seus admiradores. Frederick Crews tem um ponto de vista diferente e lançou no ano passado "Freud: The Making of an Illusion" (Freud: a construção de uma ilusão).

 

 

Crítico de longa data da psicanálise, Crews fez carreira na literatura —é professor emérito da Universidade da Califórnia em Berkeley—, mas desde cedo se interessou pelo campo psicanalítico. Em 1980, publicou o primeiro artigo no qual rejeitava completamente o legado de Freud, criticando sua metodologia falsa, sua ineficiência terapêutica e o dano causado aos pacientes.

 

 

Sua obra mais recente é resultado de anos de pesquisa, mas tem ponto de partida na recente divulgação das versões originais de cartas de Freud inicialmente censuradas por seus biógrafos oficiais. Usando evidências antigas e outras que só se tornaram disponíveis recentemente, Crews faz um ataque incessante à vida pessoal e profissional do "pai da psicanálise", acusando-o de ser egoísta, preconceituoso, infiel e, acima de tudo, um charlatão que mentiu com frequência em suas obras. Em sua vida íntima, Freud traía a esposa com sua cunhada Minna Bernays —fato que o livro documenta em abundância por meio de cartas e testemunhos de terceiros. Tudo indica que ele a engravidou em 1900, e o aborto que se seguiu o teria marcado profundamente. Para Crews, as cartas de Freud também demonstram que ele não tinha sempre o bem-estar de seus pacientes em grande estima. Após o suicídio de Viktor Tausk, um promissor estudante que havia se analisado com ele, o psicanalista confessa, em missiva cruel a uma ex-namorada do morto: "Não sinto a falta dele; eu tinha percebido há muito que ele não poderia mais ser útil". As correspondências apontam, ainda, para o interesse específico do psicanalista em seus pacientes. Ele identifica uma cliente rica como peixe de ouro; escreve que dinheiro é seu gás hilariante; num outro momento, relata que decidiu adiar uma viagem porque uma de suas pacientes mais ricas estava tendo algum tipo de crise nervosa e pode melhorar em sua ausência.

 

 

O conteúdo mais chocante do livro diz respeito à vida profissional de Freud. Há inúmeras evidências de que o austríaco teria fraudado casos notórios. Segundo Crews, documentos mostram que a técnica psicanalítica consistia em nada mais que uma imposição de opiniões aos pacientes e que estudos publicados eram ficção.

 

 

 

O famoso "Homem dos Lobos", por exemplo, foi declarado curado de suas fobias e obsessões após quatro anos e meio. Freud sempre destacou esse como um dos primeiros e maiores sucessos da psicanálise. No entanto, sabe-se hoje que o paciente continuou em tratamento por 60 anos —fato que era do conhecimento de Freud— e declarou que não havia sido curado de nada.Outro caso notório foi o de Emma Eckstein, tratada por Freud como histérica que padecia de "neurose nasal reflexa". Ele a induziu a fazer cirurgia nasal para curar os sintomas, mas a operação só agravou a situação: a paciente desenvolveu um quadro de infecção e hemorragias, provavelmente causado pelo erro grosseiro de Fliess —como cirurgião, ele deixou um pedaço de gaze de meio metro dentro do nariz da operada.

 

 

Nem mesmo o erro do médico e amigo impediu Freud de criar outra justificativa para as complicações: "Os seus episódios de sangramento eram histéricos, causados por desejo, e provavelmente ocorreram em períodos sexualmente relevantes", escreveu meses depois.

 

 

A verdade é que algumas das transgressões apontadas por Crews já eram conhecidas no meio psicanalítico. Sempre predominou, porém, a ideia de que a falibilidade do fundador não põe em dúvida a credibilidade da técnica como um todo. No entanto, diferentemente do que ocorre com disciplinas científicas como a biologia e a física, a psicanálise depende substancialmente da confiança na figura de Freud.

 

 

 

Se amanhã descobríssemos que Charles Darwin forjou a viagem no Beagle, a teoria da evolução permaneceria intacta, pois existem milhares de evidências independentes que a corroboram. Mas a psicanálise carece de evidências científicas que possam ser observadas ou replicadas independentemente. Ela é, antes de tudo, um modo de pensamento autorreferente, não é uma ciência exata.

 

 

Se hoje sabemos que casos famosos foram manipulados e falsificados em vários pontos importantes, como identificar o que é legítimo e verdadeiro no que sobra? Para um campo que ainda trata os textos de Freud como obras praticamente sagradas, a confirmação de que a fraude foi um recurso recorrente de seu fundador cai como uma bomba —pondo em xeque não só a própria figura do austríaco, mas também a técnica psicanalítica como um todo.

 

 



CONCLUSÃO:

 

 

Por um lado, Freud aponta em seu artigo de 1923 que não se pode aceitar a existência do demônio enquanto uma entidade pertencente ao “mundo externo”; por outro, é uma mesma relação entre desejo e fantasia que torna possível tanto a interpretação medieval da possessão divina quanto sua ressignificação enquanto um caso clínico de neurose. Acredito que sob o ponto de vista ideológico todas as pessoas que se tornam psicanalistas tragam em si forte desejo, às vezes até messiânico, de ajudar pessoas que sofrem psiquicamente. Podemos falar que somos produtos direto das ideias e dos ideais humanistas, os quais marcaram uma faceta da chamada "modernidade", característica do final do século XIX e de quase todo o do século XX. Além da paixão pela humanidade, temos nossa própria necessidade de nos tratarmos e superarmos estranhezas e sofrimentos, os quais, provavelmente, nos causem dores que acreditamos resolver por meio da aproximação com a psicanálise, e não somente de nos submetermos a um tratamento analítico.

 

“Examinai tudo. Retende apenas aquilo que for bom. (1 Tessalonicenses 5,21)

 

E a forma mais simples e efetiva de fazer isso é examinando todas as coisas e retendo o bem, ou seja, mantendo toda informação, conhecimento e aprendizado que for útil para nossa edificação completa e rejeitando tudo o que não for, e que não nos acrescente nada.



Atire a primeira pedra quem nunca pecou. O arrependimento dos pecados é uma prerrogativa de todo cristão. A reconciliação está entre os sete sacramentos da Igreja Católica, mas antes é preciso confessar as faltas diante de um sacerdote, uma prática que parecia em desuso, mas para surpresa da própria Igreja cada vez mais jovens têm procurado revelar suas falhas diante de um padre e pedir um aconselhamento e direção espiritual. Eles veem no religioso alguém em que podem confiar plenamente, uma  vez que o sacerdote é rigorosamente proibido de revelar o que ouve dos fiéis em confissão. A tecnologia, os meios de comunicação, as redes sociais, o acesso a produtos antes restritos e distantes, estão transformando o indivíduo e a sociedade. As certezas de ontem muitas delas se tornaram “relativas”, principalmente para quem não tem uma caminhada Cristã. Essas transformações trazem consigo alguns problemas, como, por exemplo, o de as pessoas se sentirem solitárias em meio a centenas de amizades virtuais e os sorrisos nas fotos compartilhadas frequentemente podem esconder uma infelicidade no interior do indivíduo. Esta triste constatação é evidenciada pelas estatísticas que demonstram um aumento expressivo nos índices de depressão, transtornos de ansiedade entre outros, incluindo aumento na taxa de suicídios.

 

Um dos instrumentos que auxilia as pessoas a vencerem suas dificuldades existenciais, seus sofrimentos emocionais e conflitos interpessoais é a psicoterapia. Trata-se de um método de tratamento aplicado por profissionais capacitados, via de regra, psicólogos e psiquiatras, que tem como objetivo restabelecer o equilíbrio psíquico do paciente por meio de um processo de transformação interior.

 

 

Segundo Carl Jung, psiquiatra e psicoterapeuta fundador da psicologia analítica, que viveu no início do século XX, o processo de transformação promovido pela psicoterapia é composto de quatro etapas:

 

1)-A confissão: Na primeira etapa – a confissão – o paciente revela tudo o que até então permanecia oculto, verbalizando sua condição, descrevendo e compartilhando sua dor.

 

 

2)-O esclarecimento: A segunda etapa – o esclarecimento – mostra que ao revelar o que era oculto, o paciente passa a entender melhor os seus sentimentos e a perceber suas emoções. O indivíduo compreende os motivos que o levavam ao sofrimento, reconhecendo suas fraquezas, suas verdades escondidas. Essa compreensão é chamada de insight.

 

 

3)-A educação: Na terceira etapa – a educação – o paciente, conhecedor de suas fraquezas e compreendendo de forma diferente suas emoções e sentimentos, se prepara para assumir uma nova atitude diante da vida, enfrentando novos riscos.

 

 

4)-A transformação: A quarta etapa – a transformação – se dá quando há mudança efetiva no interior do indivíduo ou mudanças. Ele assume uma postura diferente em relação à vida.

 

 

 

Eis que a psicoterapia é um processo de transformação iniciado com o conhecimento de si mesmo e seu primeiro passo para esse processo é a confissão. Pois segundo Jung o “segredo e contenção são danos, aos quais a natureza reage, finalmente, por meio da doença”. Dessa forma, pode-se afirmar que o papel de ajudar as pessoas a encontrarem seu equilíbrio emocional e psíquico, que hoje psicólogos e psiquiatras cumprem com maestria através da psicoterapia, foi, a seu modo, por muitos anos, realizado apenas pela Igreja através do sacramento da confissão.

 



 

Confirmam-se, assim, as palavras de Jung no livro A pratica da psicoterapia: “As origens de qualquer tratamento analítico da alma estão no modelo do sacramento da confissão”.

 

 

A confissão secular, na psicoterapia, e religiosa, na Igreja Católica, só pode fazer bem – embora em campos distintos – a quem a procura, pois perdoar a si mesmo e aos outros traz benefícios ao ser humano. Isso foi o que evidenciou um estudo realizado por Loren Toussaint, publicado no Journal of health psycology:

 

 

Depois de ouvir 148 adultos jovens concluiu que perdoar faz bem à saúde. Quem perdoa facilmente está menos sujeito ao estresse ou a outros problemas psíquicos do que aqueles que têm dificuldade de perdoar. Eis os caminhos oferecidos em nome da ciência e da fé.

 

A igreja precisava ir ao encontro das pessoas. “Observamos que muita gente que nem frequentava missas está voltando a participar”, comemorou o padre Thiago Luz, Missionário da Sagrada Família, que faz celebrações na Matriz da Madre de Deus, no Bairro do Recife. O sacerdote diz que percebe a mudança de comportamento diante da procura maior de jovens pela confissão individual. “Hoje, nosso confessionário se tornou um pouco de divã. Nós, sacerdotes, somos formados para falar para os fiéis, mas é preciso também saber ouvir. É fundamental escutar os jovens. Só podemos ajudar alguém, se conseguirmos ouvir as suas palavras. E esse é o momento do encontro com a misericódia de Deus”, resumiu. Não à à toa, a psicologia faz parte do curso de teologia.

 

No cenário em que as mentiras foram elevadas à maior potência, responsabilizadas por quanto de ruim está acontecendo aos brasileiros, ainda deve ser temida a pior consequência da falta de credibilidade nos integrantes poderes federal, estadual e municipal, no que quer que falem. Ninguém acredita mais em ninguém, tornando vazias mesmo eventuais atos e decisões verdadeiras, lembrando o pensamento de Aristóteles (384-322 a.C.), segundo a qual “o risco dos mentirosos é não serem acreditados quando dizem a verdade”. Haja divãs e confessionários. O confessor e o analista, ambos em sua missão de aliviar as angústias do semelhante, só intervêm com observações altamente éticas e cada uma delas alicerçadas nos valores morais em que acreditam. Ambos com um desiderato altamente positivo. Em verdade, trata-se de uma catarse a dois, pois sempre ambos — esta é a presunção — confessando e confessor, médico e paciente, atuam sob a égide do segredo, ora profissional ora de confessionário, cada qual altamente importante, pois capazes de reconstruírem um ser humano (ou também, com a mesma força, destruí-lo).

 

Observando as várias similitudes entre Freud, sua Psicanálise e o Confessionário, constatamos que ambos exigem basicamente uma certa “expiação” pelos “pecados”. O Confessionário impõe a penitência, em forma de orações e ou, reparações dos danos causados quando possível. Quanto à Psicanálise, a “expiação” se daria através dos honorários cobrados pelo Analista, geralmente compatíveis com a importância da cerimônia médica. O curioso é que também, nas duas vertentes, se o ato “expiatório” não for realizado— é consenso — poucas serão as chances de que a paz seja reencontrada por quem a busca. Ficam estas especulações à apreciação dos amáveis leitores.

 

Religião e psicanálise têm portanto, muita coisa em comum. O psiquismo como coisa fundamental do ser humano sempre existiu. O que Freud fez foi esquematizar, transformar em ciência. A religião tem, de certa forma, o mesmo alvo da psicanálise, que é a evolução do homem, sua santificação. E ambas trabalham com a palavra. Mas as duas se afastam à medida que a palavra da religião é uma palavra pronta, e a psicanálise tem palavras por dizer. A religião tem a palavra escrita na tábua, como lei. A psicanálise não tem lei. Ela lida com o que está por ser dito, ou até não dito, ela está sempre por acontecer. A religião lida com o indivíduo como objeto destinado a Deus, a psicanálise lida com os processos humanos. O padre perdoa e o reconcilia consigo, com Deus e a Igreja. O psicanalista procura reconciliar-se consigo e com o mundo circundante.

 

 

A atitude de quem ä procura o padre é conseguir alento, perdão e direcionamento para uma vida autenticamente Cristã. A pessoa vai ao padre para fazer um balanço e redirecionamento de sua vida para Deus e ajudando o próximo. Na psicanálise, a pessoa procura respostas e soluções para esta vida, segundo a ética do seus desejos e convicções. Em ambas as situações é preciso confiar. É preciso acreditar no sigilo radical. No confessionário você tem a sensação de um banho, você sai lavado. Na psicanálise, nem sempre. Pode às vezes dar a sensação de que a água está turva. O padre está mais para Dom Quixote, e o psicanalista para Sancho Pança.Dom Quixote persegue um sonho tido como impossível, acredita naquilo, não tem dúvidas de que há um exército vindo, vê os moinhos de vento. O psicanalista é um Sancho que fica repetindo: 'Amo, o senhor acha que é isso mesmo?... realmente que vêm exércitos?...' Ele não diz nem que sim nem que não, apenas tenta fazer Dom Quixote pensar, fazer suas escolhas. No confessionário o elemento são os pecados confessados. No divã são as queixas que estão a incomoda-lo, e a questão da falta de escolhas, sentido e objetivos. As pessoas também, não sabem como se realizar num mundo tão confuso, complexo, caótico. Não há mais verdades, não há mais palavras de ordem, modelos seguros, objetivos pelos quais valha a pena lutar. Então as pessoas se perdem diante de tantas opções. O trabalho do psicanalista é ajudá-las a criar os próprios caminhos, descobri-los, o do sacerdote é mostrar o único e verdadeiro Caminho Jesus Cristo (João 14,6).O melhor dos mundos é se o sacerdote tiver formação acadêmica em psicologia. O psicanalista quer levar o sujeito a soltar os nossos demônios interiores, já o sacerdote quer deixá-los sob o domínio de Cristo.

 

 

 

 

BIBLIOGRAFIA:


 

-Freud, S. (1977a). Fragmentos da análise de um caso de histeria. In Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud (v. VII, pp. 1-119). Rio de Janeiro, RJ: Imago. (Trabalho original publicado em 1905).

 

-https://super.abril.com.br/historia/freud-explicou/

 

-https://super.abril.com.br/especiais/id-ego-e-superego-deus-e-o-diabo-na-terra-do-eu/

 

-Masson, J. M. (1986). A correspondência completa de Freud-Fliess. Rio de Janeiro, RJ: Imago.

 

-FREUD, Sigmund. Obras Completas, v.8: Três ensaios sobre a teoria da sexualidade, análise fragmentária de uma histeria (“O Caso Dora”) e outros textos (1901-1905) – tradução de Paulo César de Souza. São Paulo: Companhia das Letras, 2016. p.13-172

 

-https://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2018/02/biografia-aponta-fraudes-de-freud-e-poe-psicanalise-em-xeque.shtml

 

-FREUD, Sigmund. “Uma neurose do século XVII envolvendo o demônio”. In. FREUD, Sigmund. Psicologia das massas e análise do eu e outros textos (1920-1923). Obras completas v. 15. – tradução de Paulo César de Souza. São Paulo: Companhia das Letras, 2011. p. 225-272.

 

 

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Neste Apostolado promovemos a “EVANGELIZAÇÃO ANÔNIMA", pois neste serviço somos apenas o Jumentinho que leva Jesus e sua verdade aos Povos. Portanto toda honra e Glória é para Ele.Cristo disse-nos:Eu sou o caminho, a verdade e a vida e “ NINGUEM” vem ao Pai senão por mim." ( João, 14, 6).Como Católicos,defendemos a verdade, contra os erros que, de fato, são sempre contra Deus.Cristo não tinha opiniões, tinha verdades, a qual confiou a sua Igreja, ( Coluna e sustentáculo da verdade – Conf. I Tim 3,15) que deve zelar por elas até que Cristo volte.Quem nos acusa de falta de caridade mostra sua total ignorância na Bíblia,e de Deus, pois é amor, e quem ama corrige, e a verdade é um exercício da caridade.Este Deus adocicado,meloso,ingênuo, e sentimentalóide,é invenção dos homens tementes da verdade, não é o Deus revelado por seu filho: Jesus Cristo.Por fim: “Não se opor ao erro é aprová-lo, não defender a verdade é nega-la” - ( Sto. Tomáz de Aquino) “Não a nós, Senhor, não a nós, mas ao vosso nome dai glória...” (Salmo 115,1)

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