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Como estes Santos viveram e superaram a Crise de fé ?

Written By Beraká - o blog da família on quinta-feira, 30 de julho de 2020 | 20:30




O inevitável: aquela dimensão do real que preferiríamos ignorar, mas que se nos impõe. O que não depende de nós para acontecer, mas que nos acontece testando nossa capacidade de resiliência. Nosso desejo, que gostaríamos fosse onipotente, depara-se sempre com a realidade. E sem o enfrentamento da realidade, caímos na ilusão. Sonhamos com uma felicidade durável, perfeita, completa. Quem não almeja uma alegria plena e sem limites? É o sonho de todos nós. Mas nossa vida não se reduz a um sonho. A realidade nos espreita e temos que enfrentá-la, sem nos esquivarmos, sem negá-la e, também, sem nos deixar esmagar por ela. E o mais importante, para quem crê, é afrontá-la a partir da fé.





A espiritualidade antiga dizia: “É preciso acolher a realidade como Deus a envia”. Acolher o real da providência divina, que tudo dispõe em nosso favor, mesmo sem entender, e não adianta buscar explicações racionais, porque está fora deste plano, pois a lógica de Deus não igual a nossa: É morrendo que se vive: é preciso perder para ganhar, humilhado para ser exaltado...


Quanta sabedoria nesse conselho clássico da espiritualidade, mesmo sabendo que Deus não providencia sofrimentos, desgraças, doenças, mas os permite. Deus não é o responsável direto por nossos males. 


Hoje poderíamos dizer o seguinte: é preciso se encontrar com Deus a partir dos acontecimentos e nos acontecimentos. Acolher Deus em todos os eventos da vida, negativos ou positivos. Na alegria e abundância, mas também no sofrimento, na tristeza e no fracasso.


Por mais que nos sintamos visitados e abençoados pela graça de Deus, sabemos que tristeza, a desolação e o desalento são estados de ânimo comuns na vida humana. E a verdadeira experiência de Deus, às vezes, emerge, e de maneira profunda, no meio de tudo isso. Na vida concreta, também das pessoas espirituais, surgem fatos penosos, desentendimentos, traições, incompreensões, conflitos de ordem afetiva, doenças.


Situações que admitem uma série de interpretações: falta de sorte, maldade humana, acaso, erros próprios, opções errôneas, pecados pessoais e sociais. Interpretações possíveis, mas que não resolvem o desconcerto dos acontecimentos indesejados. O problema fica pior quando a pessoa se sente abandonada por Deus, pelos amigos e pelos próprios recursos.





Sente-se só, posta numa situação-limite. Porém, Deus mistura sua graça aos escombros de nossa vida. Sua graça, oculta, eficaz e misteriosa, sabe fazer maravilhas através dos acontecimentos inesperados, inclusive com elementos de erro e de pecado. Basta que a pessoa não se desespere, mas confie, espere em Deus. A confiança n’Ele nasce também de certo desespero interior. É quando já não pode mais confiar nos próprios recursos que a pessoa ousa jogar-se nos braços da misericórdia de Deus. Mas, no meio das trevas, para que haja verdadeiro amadurecimento na fé, faz-se necessário manter a fidelidade a Deus, esperar pacientemente. São João da Cruz aconselha:


“Lembre-se de Cristo Crucificado e silencie. Viva na fé e na esperança, mesmo que seja às escuras, pois nestas trevas Deus ampara a alma”. 


É preciso confiar e acreditar. Não duvidar e tudo esperar de Deus. Grandes santos da Igreja se depararam com situações difíceis, extremas:


-Santo Afonso, apóstolo da misericórdia, consolou muitos na confissão, mas disse, certa vez: “eu sofro um inferno”.


-Santa Teresinha atesta uma verdadeira tortura interior, marcada pelo medo de se desesperar. No meio da crise, exclama: “É a pura agonia, sem nenhuma mistura de consolação! Não, jamais acreditei que fosse possível sofrer tanto”!


 
(Sta Teresinha recebendo a Eucaristia já muito debilitada)



Masoquismo espiritual? Não, essas pessoas não se infligiam sofrimentos, porque, nesse caso, se transformariam em gozo perverso. Os santos lutaram contra os sofrimentos e tudo fizeram para superá-los. E também nós não temos que buscar sofrimentos ou inventá-los. Quando surgem, temos o direito, e até o dever, de buscar uma solução na psicologia, na medicina e nas ciências.  Também podemos recorrer a Deus em busca da cura. Se a alcançarmos, agradeceremos a Deus.


E se não conseguirmos o que buscamos?



Sempre há um lugar em nós em que fracassamos. Exatamente aí Deus abrirá uma brecha para nos curar mais profundamente. Cura que não restaura o objeto perdido, mas modifica nosso olhar sobre Deus e sobre nossas relações. Nesse caso, cura significa assumir a doença, perdoar sua causa e amar a Deus e a si mesmo suficientemente para ser capaz de carregar sobre si e, às vezes, sobre o próprio corpo, um novo olhar.


Trata-se de um processo doloroso, porém, se vivido na fé e no abandono, revelará o verdadeiro rosto de Deus, que não se deixa banalizar ou identificar com meios que nós mesmos construímos. Ele não é uma caricatura, um fantoche ou mesmo um ídolo construído à imagem e semelhança do nosso desejo. Ele é soberano, Senhor dos homens, do universo, da história e do destino. Mistério insondável ao qual estamos referidos desde o mais profundo do nosso ser e que reclama obediência, porque só Ele é o Sumo Bem. Não nos trata como crianças, mas nos conduz, através das crises, a uma vida adulta, autêntica e responsável. Somos assim conduzidos a uma maturidade provisória. Próxima etapa do crescimento em Cristo.


E as pessoas necessitam encontrar em todos nós que trazemos as marcas de Cristo, uma razão para ter fé, uma razão para ter esperança, uma razão para responder com amor ao amor do Senhor. As bem-aventuranças que lemos do Evangelho são uma receita para a santidade. Todos necessitamos vivê-las mais. Os sacerdotes têm que ser mais santos? Seguramente sim. Os religiosos e religiosas têm que ser mais santos e dar um testemunho maior de Deus e do Céu? Certamente! Mas todas as pessoas na Igreja têm que fazê-lo, inclusive os leigos! Todos temos a vocação de ser santos e muitas vezes a crise nos desperta concretamente a este chamado, pois no Céu só entra os Santos testados, e provados no cadinho da purificação (Eclesiástico 2,1-13; Apoc. 21,27). Um dos maiores pregadores na história norte-americana, o Bispo Fulton J. Sheen, costumava dizer que:



Preferia viver em tempos nos quais a Igreja sofre em vez de florecer, quando a Igreja tem que lutar, quando a Igreja tem que ir contra a cultura. Essas épocas para que os verdadeiros homens e as verdadeiras mulheres deram um passo à frente e contaram "Até os cadáveres podem flutuar corrente abaixo", costumava dizer, indicando que muitas pessoas tomam iniciativa facilmente quando a Igreja é respeitada, "mas é necessário que verdadeiros homens, de verdadeiras mulheres, para nadar contra a corrente".



Como isto é certo! É preciso ser um verdadeiro homem e uma verdadeira mulher para manter-se flutuando e nadar contra a corrente que se move em oposição à Igreja. É preciso ser um verdadeiro homem e uma verdadeira mulher para reconhecer que quando se nada contra a corrente das críticas, estamos mais seguros porque permanecemos aderidos à Rocha sobre a qual Cristo fundou sua Igreja. Este é um desses tempos. É um dos grandes momentos para ser verdadeiros cristãos. Algumas pessoas predizem que nesta área a Igreja passará tempos difíceis e talvez seja assim, mas a Igreja sobreviverá, porque o Senhor se assegurará de que sobreviva. Uma das maiores réplicas na história sucedeu justamente há cerca de 200 anos. O imperador francês Napoleão engolia com seus exércitos os países da Europa com a intenção final de dominar totalmente o mundo. Naquela época, disse certa vez ao Cardeal Consalvi:


"Vou destruir sua Igreja" "Je detruirai votre eglise!" O Cardeal respondeu-lhe: "Não, não poderá". Napoleão, com seus 1.50 de altura, disse outra vez: "Je detruirai votre eglise!" O Cardeal disse confiante: "Não, não poderá. Nem mesmo nós podemos fazê-lo!"



Se os maus papas, os sacerdotes infiéis e milhares de pecadores na Igreja não conseguiram destruí-la em seu interior, estava dizendo implicitamente ao general: como o Senhor acredita que vai poder faê-lo? O Cardeal apontava a uma verdade crucial. Cristo nunca permitirá que Sua Igreja fracasse. Ele prometeu que as portas do inferno não prevalecerão sobre Sua Igreja, que a barca de Pedro, a Igreja que navega no tempo rumo ao porto eterno no céu, nunca naufragará, não porque aqueles que vão nela não cometam todos os pecados possíveis para afundá-la, mas porque Cristo, que também está na barca, nunca permitirá que isto aconteça. Cristo continua na barca e Ele nunca a abandonará. Este é um tempo no qual todos nós precisamos nos concentrar ainda mais na santidade! Estamos chamados a ser santos e quando nossa sociedade precisa ver este rosto belo e radiante da Igreja! Somos parte da solução, uma parte crucial da solução.







A CRISE DE FÉ DE MADRE TERESA DE CALCUTTÁ



“Madre Teresa, como toda pessoa que tem uma fé forte, tirava forças da própria fé. Só quem tem uma fé vigorosa pode experimentar uma crise tão forte e duradoura”, afirma Luis González-Quevedo, em entrevista especial para a IHU On-Line, comentando o livro com as cartas espirituais de Madre Teresa de Calcutá e amplamente comentadas nesta página. Veja no final da entrevista a relação.



Segundo o padre Quevedo, “quem diz ter ‘perdido a fé’, por qualquer decepção religiosa ou contra-testemunho da Igreja, na verdade, tinha uma fé muito fraca. Karl Marx nunca teve ‘crise de fé’. Estava tão convencido de que a questão religiosa tinha sido resolvida, definitivamente, pelos filósofos materialistas que o precederam, que nunca teve a menor dúvida religiosa.


Os santos, sim, tiveram dúvidas e sofreram crises de fé. Santa Teresinha de Lisieux  escreveu: “Não sinto o gozo da fé, mas me esforço por praticar as obras da fé”. Foi o que fez Madre Teresa ao longo de toda sua vida.


Entrevista com Luiz González-Quevedo, padre jesuíta, membro do Centro de Espiritualidade Inaciana - CEI-Itaici, orientador dos Exercícios Espirituais de Inácio de Loyola e redator da revista Itaici-Revista de Espiritualidade Inaciana. É autor também de uma série de livros sobre espiritualidade inaciana.



Confira a entrevista:



1)-IHU On-Line - A imagem pública de Madre Teresa que mais ganhou força até recentemente é a de uma mulher de fé, um modelo de entrega de si, de doação até o extremo, mas não se conheciam suas crises de fé. O que traz de novo para sua imagem esta revelação de suas crises de fé?



Luiz González-Quevedo - Eu já tinha lido, em algum texto de Raniero Cantalamessa , que Madre Teresa nunca experimentara a “consolação espiritual” na sua vida de oração. Isso só fez aumentar a minha admiração por ela. Porque orar, quando encontramos gosto, alegria e paz, é fácil. Mas orar, quando não se encontra nisso o menor gosto, quando o coração está seco e a mente é assaltada por pensamentos contrários à própria fé, é muito mais difícil e meritório.Por “fé” entendemos uma confiança amorosa a respeito de realidades que não se podem ver, nem verificar cientificamente (Deus, a vida eterna, a presença de Cristo na Eucaristia etc.). Num mundo que supervaloriza a ciência, é inevitável que toda pessoa que tenha fé passe por momentos ou períodos de “crise de fé”. O que parece novo, no caso de Madre Teresa, é que esta “crise” tenha sido tão constante e duradoura.



2)-IHU On-Line - Como entender o vigor de Madre Teresa no seu testemunho de bondade no agir apostólico, em meio a tal crise de fé e experiência de solidão? De onde tirava sua força em meio a uma experiência tão profunda de vazio interior?



Luiz González-Quevedo - Eu diria que Madre Teresa, como toda pessoa que tem uma fé forte, tirava forças da própria fé. Só quem tem uma fé vigorosa pode experimentar uma crise tão forte e duradoura. Quem diz ter “perdido a fé”, por qualquer decepção religiosa ou contra-testemunho da Igreja, na verdade, tinha uma fé muito fraca. Karl Marx nunca teve “crise de fé”. Estava tão convencido de que a questão religiosa tinha sido resolvida, definitivamente, pelos filósofos materialistas que o precederam, que nunca teve a menor dúvida religiosa. Os santos, sim, tiveram dúvidas e sofreram crises de fé. Santa Teresinha de Lisieux escreveu: “Não sinto o gozo da fé, mas me esforço por praticar as obras da fé”. Foi o que, ao parecer, fez Madre Teresa ao longo de toda sua vida.



3)-IHU On-Line - Seria possível confrontar-se tão de perto com a realidade da miséria e do sofrimento injusto sem levantar dúvidas sobre Deus? Que aproximações e distanciamentos existem entre a experiência de Teresa de Calcutá e a questão de Deus na Teologia da Libertação?



Luiz González-Quevedo - É sabido que na Índia, onde tenho uma irmã religiosa, coexistem a miséria extrema e um alto desenvolvimento tecnológico. Há muitas tensões políticas, sociais e religiosas, mas o Ocidente pós-cristão olha para o Oriente como um foco de espiritualidade: ex oriens, lux (a luz vem do Oriente). Madre Teresa foi à Índia como missionária e, muito provavelmente, os pobres a evangelizaram.Por outra parte, não há duvida de que uma das possíveis causas do ateísmo, do agnosticismo ou da indiferença religiosa seja o escândalo da persistente situação de injustiça social, precisamente nas sociedades onde a religião está mais estendida. Oscar Niemayer atribui a isso seu agnosticismo. Mas a mesma realidade injusta da nossa América Latina é o pressuposto sociológico que deu origem e continua alimentando a Teologia da Libertação. Para esta corrente teológica, Deus é, sobretudo, o Libertador, aquele que vê a opressão do povo e ouve o clamor dos oprimidos (Ex 3,7).A injustiça está aí, escancarada diante dos nossos olhos. A reação diante dela pode ser diversa, mesmo entre pessoas que tenham a mesma fé. Tive um companheiro, Fernando Hoyos , que, movido por sua fé, morreu lutando ao lado dos guerrilheiros, na Guatemala. Madre Teresa, movida também por sua fé, dedicou toda sua vida a aliviar o sofrimento dos mais pobres entre os pobres. Muitos teólogos na América Latina buscam uma interpretação da Bíblia e da tradição cristã que ajude a “gerar uma sociedade sem excluídos, seguindo a prática de Jesus, que come com publicanos e pecadores (cf. Lc 5,29-32), que acolhe os pequenos e as crianças (cf. Mc 10,13-16), que cura os leprosos (cf. Mc 1,40-45) que perdoa e liberta a mulher pecadora (cf. Lc 7,36-49; Jo 8,1-11), que fala com a Samaritana (cf. Jo 4,1-26)”. Encontro este texto não nas obras de Gustavo Gutierrez  ou de Jon Sobrino , mas no Documento de Aparecida   (n. 135).Sei que a nossa Teologia da Libertação ganhou muitas simpatias, tanto na Ásia, como na África, mas duvido que Madre Teresa tivesse entusiasmo por ela. Tenho a impressão de que ela preferiria posições teológicas mais tradicionais. Graças a Deus, Madre Teresa nunca escreveu – que eu saiba – um artigo teológico, porque correria o risco de decepcionar muitos dos seus admiradores.



IHU On-Line - O caminho de crescimento espiritual de pessoas como João da Cruz, Thomas Merton, Teresa de Ávila, Teresa de Lisieux e Inácio de Loyola  também é marcado por crises de fé. O que há de comum entre estas experiências? Que relação há entre a “noite escura” dos grandes místicos e o tema da “desolação” de Inácio de Loyola?


Luiz González-Quevedo - A “noite escura”, da qual falam os místicos carmelitanos, e a “desolação espiritual”, da terminologia inaciana coincidem em apontar o lado sombrio e áspero da fé. Há, no entanto, aspectos ou ênfases que permitem diferenciar os dois conceitos. Para São João da Cruz, a noite escura é necessária, para purificar a nossa sensibilidade e crescer no verdadeiro amor, que consiste em “despojar-se e despir-se, por Deus, de tudo o que não é Deus”. Já Santo Inácio enfatiza que, na desolação, somos guiados e aconselhados pelo “mau espírito”, como ele chama à força do mal. Por isso, quando estamos desolados, não devemos tomar decisões, antes permanecer firmes, resistindo e reagindo contra as tentações.Todos os místicos coincidem em dizer que a experiência de Deus é inefável, tanto nos seus aspectos positivos (“consolação”, “paz que supera todo sentido”, “sumo saber, não sabendo, toda ciência transcendendo”...), como nos seus aspectos negativos (“desolação”, “noite escura”, “deserto”, saudade imensa de um Deus sempre oculto e silencioso). Permito-me citar o que escrevi em outra ocasião:“A saudade de Deus, que sua aparente ausência produz em nós, alimenta e fortalece a nossa fé. A “desolação” inaciana, como a “noite” carmelitana, torna-se convite à maturidade espiritual, desafio para crescermos na busca infindável do Deus transcendente, esse Deus sempre maior do que a nossa mente e o nosso coração são capazes de imaginar e desejar” (Experiência de Deus: presença e saudade. 2. ed. São Paulo: Edições Loyola, 2002, Col. “Leituras e Releituras”, n. 2, p. 55).Aproveito para sugerir que a Unisinos traduza o último discurso de Karl Rahner , falecido em 1984. Tem por título: “Von der Unbegreiflichkeit Gottes” (Sobre a inefabilidade de Deus) e foi publicado pela editora Herder, com prólogo de Karl Lehmann .



IHU On-Line - Que paralelo se pode fazer entre a experiência destas pessoas e o que se passou com Madre Teresa? Sua experiência de “vazio interior” e “aridez espiritual” seria uma expressão moderna ou pós-moderna dos temas já clássicos da “noite escura” ou da desolação na mística cristã?



Luiz González-Quevedo - Sendo “inefável” a experiência de Deus, tanto nos seus aspectos positivos como nos aparentemente negativos, podemos empregar termos ou expressões diversas para tentar descrevê-la. A expressão “vazio interior” parece-me muito atual. Na minha experiência de padre e orientador de Exercícios Espirituais, escuto-a com freqüência: “Tudo o que faço dá certo – dizia alguém -, mas nada me preenche”. Aqui, haveria que distinguir um “vazio” superficial (o tédio dos personagens burgueses dos filmes de Antonioni , por exemplo), de um vazio mais profundo e positivo, o “vazio” dos místicos, a “solidão sonora”, onde Deus se esconde, porque encontra espaço de escuta. Sem dúvida, o vazio que a Madre Teresa experimentou tão longamente na sua vida não era um vazio superficial.



IHU On-Line - Qual é a importância do legado espiritual de Madre Teresa para nossos dias? Que lições podemos aprender de sua experiência?


Luiz González-Quevedo - Não conheço suficientemente a vida e a obra de Madre Teresa, mas, pelo que sei dela, considero-a uma figura admirável. Num século tão complexo como o século passado, deixou-nos um belo testemunho de amor a Deus e ao próximo, de compaixão pelos últimos – “os mais pobres entre os pobres” -, de capacidade de conquistar a boa vontade de pessoas muito diversas, para diminuir o sofrimento dos excluídos em todo o mundo. Se o prêmio Nobel da Paz, inicialmente, lhe deu notoriedade, ela acabou dando prestígio ao prêmio que recebera.Só a vi uma vez. Estávamos em uma celebração, na basílica de São Pedro. Ela ocupava o banco diante do meu, por pouco tempo. Logo mais, veio um senhor do protocolo e a convidou a ir mais para a frente. E eu fiquei lá, atrás, satisfeito de ter visto uma humilde celebridade da nossa Igreja e do mundo contemporâneo. Ela foi amada por ricos e pobres, de qualquer religião e tendência política. Uma rara unanimidade.



IHU On-Line - Como o senhor orienta ou orientaria pessoas que vivenciam hoje uma experiência de crise de fé e silêncio de Deus?



Luiz González-Quevedo - O primeiro é acolher com sincero afeto a pessoa, na sua singularidade. Os exemplos dos santos e de outras pessoas que passaram por crises semelhantes podem ajudar. Mas cada situação é única e, de certa forma, irrepetível. Valorizo a abertura, a coragem de verbalizar as dúvidas e tentações. “Tentação declarada, tentação superada”, dizia um Doutor da Igreja. Pelo menos, ao ser partilhada, a tentação diminui, tornando-se mais suportável. Toda a tradição cristã recomenda a abertura de consciência com alguém da nossa confiança.Em segundo lugar, animo a pessoa a olhar os aspectos positivos de sua situação. Quem está em “crise de fé” está vivo... e tem fé! Quem sofre com o “silêncio de Deus” é porque acredita Nele, tem saudade Dele, porque o ama e busca Sua Palavra, muito além da inutilidade do nosso discurso. Fazer um Retiro em silêncio, com o acompanhamento de uma pessoa que conheça a metodologia inaciana, seria uma boa opção, desde que a pessoa não esteja em estado de depressão psicológica. As Regras de “discernimento dos espíritos” ajudam os desolados a compreender melhor sua situação, a ter paciência e perseverar. a “vivenciar com serenidade as aparentes ausências de Deus; a inevitável alternância entre presença e ausência, consolação e desolação, palavra e silêncio, luz e trevas, companhia e solidão, plenitude e vazio, gozo e aridez, terra fértil e deserto...” (Copio de uma pessoa que está experimentando a crise).Sem deixar de levar a sério as crises das pessoas, costumo convidá-las a olhar a vida e sua própria situação com mais humor.



O nosso povo diz: “o que não tem remédio, remediado está”., “a esperança é a última que morre”, “pobre vive de teimoso” etc. Um poeta italiano, combatente na Primeira Guerra Mundial, escreveu: “Anche questa notte passerà” (Ungaretti, “Noia”, poema do livro A alegria – L’allegria).





A longa noite da Madre Teresa de Calcutá passou e com a nota máxima, magna cum laude! Eu a admiro e a invejo.



Sóror Nirmala, Superiora Geral das Missionárias da Caridade, assegurou que a publicação de dezenas de cartas de Madre Teresa de Calcutá -algumas das quais narram sua experiência de "deserto espiritual"- permite aproximar-se da grandeza da beata e sua profunda sede de Deus.


"As irmãs se surpreenderam, eu me surpreendi ao inteirar-nos de como sofreu em sua sede de Deus. Ela sofreu, mas tinha uma máscara de gozo misterioso que vem apenas da entrega absoluta a Deus", explicou a religiosa ao comentar a publicação do livro "Madre Teresa: Vêem, seja minha luz" que recolhe 40 comovedoras missivas da santa.



O livro foi editado pelo postulador da causa da religiosa, o sacerdote Brian Kolodiejchuk. As cartas estão dirigidas a suas companheiras e superiores durante 66 anos de sua vida e abordam distintos aspectos. Entretanto, chamaram a atenção daquelas cartas nas quais Madre Teresa revela que durante 40 anos não sentia a presença de Deus. Conforme explicou Sóror Nirmala, logo que alguns meios - como a revista Time - publicaram há algumas semanas extratos do livro apresentando-os como "dúvidas de fé" da beata, várias religiosas de sua congregação lhe fizeram perguntas.


"Entenderam que embora os pensamentos de que Deus tivesse abandonado-a passaram por sua mente, ela nunca rechaçou Deus, tal era sua sede de Deus, tal era sua grandeza", afirmou a superiora em declarações à agência Reuters.


Para Sóror Nirmala, "suas cartas são inspiradoras e nos inspiraram a seguir com o bom trabalho". A religiosa sucedeu Madre Teresa em 1997, seis meses antes de sua morte.Em uma das cartas, escrita em 1979, Madre Teresa escreveu que


"o silêncio é tão grande que olho e não vejo, ouço e não escuto. A língua se move na oração mas não fala".



A primeira vez que li algumas de suas cartas sobre este tema, surpreendeu-me que tenha vivido tudo isto e não soubemos. Imediatamente acreditei que ela era uma grande Santa, porque viveu como Jesus na cruz, sustentou Sóror Nirmala.



"Ele (Jesus) sentiu o mesmo, o abandono do Pai. A Madre também se sentiu abandonada pelo Pai, mas não deixou de acreditar n'Ele, não deixou de amá-lo, não deixou de fazer sua vontade", adicionou a religiosa.



O autor do livro declarou esta semana à agência Zenit que "ninguém tinha idéia de sua vida interior porque seus diretores espirituais retiveram estas cartas. Estas cartas foram descobertas quando começamos a procurar documentos para sua causa" de beatificação.(Para escutar um ponto de vista sobre as cartas de Madre Teresa, acesse:http://www.acinews.net/mp3/puntodevista/puntodevista29agt07-)





Em síntese: A imprensa noticia que a famosa Madre Teresa de Calcutá sofreu crises de fé durante longos anos de sua vida terrestre. Isto não surpreende se levamos em conta as afirmações dos santos místicos, como São João da Cruz e Santa Teresa de Ávila. Deus assim quer purificar a alma de qualquer apego às consolações de ordem sensível ou de índole espiritual.



A notícia que surpreendeu




Eis o que se lê no jornal O GLOBO de 27/8/07: Nova Delhi. As dúvidas que atormentavam Madre Teresa de Calcutá estão vindo agora à tona, com o lançamento do livro Mother Teresa: come be my light (Madre Teresa: venha ser minha luz), do padre canadense Brian Kolodiejchuk, um dos defensores da canonização da religiosa, o autor acredita que tais tormentos ajudaram a purificá-la.



"Jesus te ama de uma forma muito especial. No meu caso, o silêncio e o vazio são tão grandes que olho e não vejo, escuto e não ouço", escreveu a missionária a seu confidente, o reverendo Michael Van Der Peet, em 1979.



Na publicação lançada em 4 de setembro daquele ano, o padre canadense reúne cartas que a missionária enviava a seus confessores e a seus superiores. Os escritos mostram que ela passou os seus últimos 50 anos sofrendo com uma grave crise espiritual.


"Onde está minha fé, inclusive aqui no mais profundo não há nada, meu Deus, que dolorosa é esta pena desconhecida. Não tenho fé. Se há um Deus, perdoa-me, por favor. Quando tento elevar minhas preces ao Céu, há um vazio tão condenador..."



Para irmã Nirmala, que substituiu Madre Teresa à frente da Congregação das Missionárias da Caridade na índia, as dúvidas da religiosa sobre a fé e a existência de Deus também foram decisivas para sua histórica trajetória como missionária, que lutou até a morte para ajudar os pobres.


Que dizer?



A notícia surpreendeu muitos fiéis católicos, que julgavam ser os Santos figuras originais isentas de qualquer crise nas suas relações com Deus.



(Santa Teresa de Ávila)


Outra, porém, é a realidade: os(as) mestres(as) da vida espiritual ensinam que caminhamos para Deus através de três etapas:



1ª)-A via purificativa,

2ª)-A via iluminativa

3ª)-E por fim,  a via unitiva.


Principalmente a primeira tem em vista desapegar-nos de qualquer criatura como também desapegar-nos de nós mesmos, tendentes ao egocentrismo. - Para tanto o Pai Celeste permite sejamos acometidos pela noite dos sentidos e a noite do espírito, fases em que nos falta qualquer consolação ou sentimento de bem-estar seja no plano da nossa sensibilidade, seja no da intelectualidade. São fases de purificação, que visam a tornar a fé e o amor a Deus mais diretos, menos interessados em alguma compensação; o fiel crê em Deus por causa da grandeza da perfeição divina e ama a Deus porque Ele primeiro nos amou (cf. Jo 4, 19).



O que importa nesses momentos é não desanimar, mas continuar a servir a Deus como nos momentos de suave consolação. Com efeito; tudo passa, mesmo os maiores valores criados, e só Deus fica. Felizes portanto são aqueles que guardam fidelidade quando provados, porque após o túnel vem a luz ou acima das nuvens está o céu com a sua bem-aventurança.


Ora, mesmo Madre Teresa tendo passado por essas fases difíceis, mas salutares, da vida espiritual; sofreu, porém, sem deixar de continuar a missão que Deus lhe confiara, entre os pobres. A fidelidade assim mantida é altamente meritória, como o deve estar percebendo essa santa mulher na bem-aventurança celeste. Por conseguinte a notícia da imprensa que surpreendeu muitos leitores nada diz de extraordinário. Contribui antes para se avaliar melhor o grau de perfeição espiritual a que chegou Madre Teresa: serviu a Deus até o fim da sua vida terrestre firmemente no claro-escuro da fé, sem alguma compensação. Notemos aliás que a fé é uma postura da inteligência, que pode estar desligada de sentimentos prazerosos ou deleites espirituais.



Na biografia de Santa Teresa de Lisieux lê-se algo de semelhante; também esta sofreu crises de fé, mas superou-as pela tenacidade forte posta ao serviço do Senhor. Algo de semelhante pode-se dar na vida de qualquer cristão; é a ocasião de crescer espiritualmente, passando para uma fé mais adulta e madura.



Dom Estêvão Bettencourt O.S.B. – Pergunte e Responderemos




Estou vivendo uma crise de fé. O que eu devo fazer?


*Fernanda Zapparoli

A fé do cristão é o combustível que o faz transcender os obstáculos e permanecer firme em Deus. Todo ser humano enfrenta lutas e sofrimentos, mas existe uma diferença entre o crente e o descrente: o sentido da existência humana:


a)-O cristão crê que, após vivenciar as provações terrenas, em Deus ele será recompensado com a salvação eterna.


b)-O descrente vive fugindo das provações, pois deseja viver uma vida terrena sem lutas, somente com bonança, saúde, dinheiro e felicidade. A vida sem fé conduz a pessoa à perda do sentido de sua existência.



Na Palavra de Deus, encontra-se a seguinte definição: “A fé é a certeza daquilo que ainda se espera, a demonstração de realidades que não se veem” (Hb 11,1). Ou seja, a pessoa espera, com uma certeza que não tem explicação humana, por algo que não é palpável.


O Catecismo da Igreja Católica, parágrafo 153, afirma:


“A fé é uma graça, um dom de Deus, uma virtude sobrenatural infundida por Ele”.


Portanto, é um presente do Senhor para Seus filhos, é a via que conduz o homem a Deus. Se a fé é essencial para alcançar o céu, então, o inimigo fará de tudo para arrancá-la das pessoas.


“A fé pode ser posta à prova. O mundo em que vivemos, muitas vezes, parece estar bem longe daquilo que a fé nos assegura; as experiências do mal e do sofrimento, das injustiças e da morte parecem contradizer a Boa Nova; podem abalar a fé e tornar-se para ela uma tentação” (CIC número 165).



Doenças, divórcios, sofrimentos e desempregos podem ser algumas das tentações que o inimigo utiliza para fazer com que as pessoas duvidem da ação amorosa de Deus. Sendo assim, inicia-se um processo de afastamento do Senhor, experimenta-se uma crise de fé na qual a existência de Deus é questionada.



Passos para superar a crise


1)-Primeiro: pedir ajuda para pessoas que sejam maduras na fé, como um padre, um diretor espiritual ou alguém que seja referência para você. Ser muito transparente e livre em seus questionamentos, abrir-se para ouvir os seus conselhos.



2)-Segundo: Sair do foco para viver, nos bastidores, o combate espiritual. Para quem é líder na Igreja, pode ser tempo de ceder o “cargo”  para que outra pessoa exerça a sua “função”, enquanto você passa por essa crise. Não é deixar de viver as prática religiosas nem as atividades missionárias, mas de se cuidar, para que a luta contra o inimigo não seja desleal.



3)-Terceiro: Contar com o apoio de pessoas que, realmente, o amam e não o julgam. É uma crise que passará, e se for bem vivida, produzirá bons frutos de salvação. Deixe as pessoas falarem o que elas quiserem, não se deixe levar pelos comentários e julgamentos, mas compreenda que, no fim da vida, seu julgamento será entre você e Deus.



4)-Quarto: é importante compreender que Deus jamais violará as leis humanas e a liberdade que Ele mesmo deu para os seus filhos. Exemplo: para o marido voltar para casa, após ter abandonado a esposa, é preciso que ele queira voltar e faça esse caminho de volta. Deus não vai forçá-lo a fazer isso.


ATENÇÃO!!! para que a doença seja curada, é preciso que o tratamento pedido pelos médicos seja realizado. Se Deus quiser curar instantaneamente, é mistério de fé. É importante, no entanto, que o doente, na sua liberdade, escolha fazer todo o processo solicitado pelos médicos.



Deus me ama e me sustenta


Mediante todas as orações não atendidas e as lutas vivenciadas, tenha uma certeza de fé: Deus o ama e consola. A maturidade na fé acontece quando nós crentes aprendemos que Deus não é obrigado a fazer as nossas vontades na hora que desejarmos. O que precisamos é do amor e consolo d’Ele, pois “o justo viverá pela fé” e “perseveramos na fé para a nossa salvação” (Hb 10,38-39).


*Fernanda Zapparoli, esposa de Guilherme Zapparoli. Jornalista. Autora dos livros “A mulher segundo o coração de Deus” e “A beleza da mulher a ser revelada”.




8 grandes santos que tiveram depressão, mas nunca se renderam a ela



Você pode se surpreender com vários dos nomes nesta lista.Até mesmo santos da estatura moral da Madre Teresa de Calcutá, admirada por crentes e descrentes, dão testemunho de ter sofrido algo que soa surpreendente e talvez chocante para quem acha que os santos viveram numa bolha de perfeição à parte das cotidianidades que afetam os seres humanos “comuns”: o conceito da “noite escura da alma“. A mais famosa abordagem do tema e do termo é, provavelmente, a do místico espanhol São João da Cruz, reconhecido como nada menos que Doutor da Igreja. Ele descreve essa profunda espécie de crise espiritual na jornada rumo à união com Deus em seu célebre poema intitulado, precisamente, “La noche oscura del alma” (século XVI).



É fato que Deus permite, e com frequência, a drástica provação da aridez espiritual, da completa falta de fervor sensível, da dúvida espessa a respeito da Sua existência, da revolta perante os injustíssimos reveses da vida, do desespero diante da tragédia ou mesmo da rotina que, dias depois de dias, meses depois de meses, se reveste daquela insuportável e amorfa ausência de sentido.



Se o próprio Cristo experimentou o drama do silêncio do Pai na mais negra de todas as noites, a ponto de Lhe suplicar que afastasse d’Ele esse cálice durante a Sua oração no Jardim das Oliveiras, à espera da Paixão, por que presumir que Deus fosse poupar-nos de experimentar a dúvida radical? Por que imaginar que Ele nos privasse da oportunidade de escolher, livre e voluntariamente, abraçar a fé ou rejeitá-la, confiar n’Ele ou refutá-Lo, purificar o amor ou mantê-lo morno, frágil, apoiado em incentivos cômodos e débeis?



Nem a vocação à vida religiosa isenta um cristão da provação espiritual!



É claro que nem sempre essa provação é propriamente a doença física e psíquica que hoje conhecemos como depressão. No entanto, há santos que, pelos sintomas descritos por eles próprios ou por outros biógrafos, muito provavelmente enfrentaram esse quadro que atualmente é visto como “o mal do século”.


Alguns dos santos que possivelmente enfrentaram a depressão:



1 – Santo Agostinho - Século IV



Pois é! Uma das mais icônicas e sublimes figuras representativas da intensidade da conversão cristã e do poder extraordinário da graça santificante; uma das personalidades mais admiradas da história da civilização ocidental, inclusive por não católicos e até por não cristãos: até ele enfrentou, muito provavelmente, os altos e baixos dos neurotransmissores e a instabilidade psíquica e física que hoje a medicina denomina depressão. Sua mãe, Santa Mônica, suportou com paciência quase inacreditável a imprevisibilidade do filho brilhante, mas de temperamento terrível. Agostinho procurava com intensa sinceridade a verdade e o sentido da existência, mas, em suas andanças desnorteadas e segundo os seus próprios termos, ele a buscava na aparência das coisas criadas, nas volúpias e prazeres dos sentidos, longe de Deus e cada vez mais longe de si mesmo. “Eis que estavas dentro de mim, mas eu estava fora, e fora Te buscava, e nas coisas formosas que criaste, deforme eu me lançava“, declarará ele nas “Confissões”, obra-prima da espiritualidade não apenas cristã, mas universal.


A teimosia da graça, porém, foi mais irredutível ainda que a dele mesmo, e, encontrando canal nas “indesanimáveis” orações de sua mãe e na admirável influência do grande bispo Santo Ambrósio, levou o rebelde e angustiado Agostinho a finalmente se render a Deus e acolher o batismo. Mais ainda: ele se consagrou a Deus e chegou também ele a ser bispo. Depois que a mãe morreu, no entanto, e durante os mais de quarenta anos que a isto se seguiram, a sua personalidade poderosa ainda se manifestaria com frequência na propensão à raiva implacável e à depressão severa. Santo Agostinho se levantava desses abismos por meio da oração, do sacrifício e do trabalho. Ocupar-se foi um grande remédio, tanto nas muitas responsabilidades de bispo quanto nas muitas horas de reflexão, estudo e oração que o transformaram em grande defensor da doutrina da Igreja.



2 – Santa Flora de Beaulieu - Século XIV



Ela teve uma infância normal, mas, quando seus pais começaram a buscar marido para ela, se recusou e anunciou que ia dedicar a vida a Deus entrando num convento. No entanto, essa decisão, tomada num contexto turbulento, desencadeou uma fase intensa e prolongada de depressão que afetava de tal modo o seu comportamento que mesmo para as outras irmãs era uma provação conviver com ela. Com a graça de Deus, o tempo e a ajuda de um confessor compreensivo, Flora fez grande progresso espiritual precisamente por causa do desafio da depressão, que ela enfrentou com empenho.





3 – Santo Inácio de Loyola - Século XVI



A personalidade poderosa do grande santo fundador dos padres jesuítas também era dada a sentimentos de profunda inquietação e sofrimento. O senso de certeza e convicção que ele demonstra em sua autobiografia (escrita em terceira pessoa) não vieram com facilidade. Depois de se converter, Inácio teve de lutar contra um feroz período de escrupulosidade, termo que, na ascese cristã, se refere à tentação de sentir-se sempre em grave pecado por cada mínima falha pessoal no cumprimento de deveres e na vivência das virtudes. Essa provação veio seguida de uma depressão tão séria que ele chegou a pensar em suicídio. Deus o retirou do abismo de trevas e sofrimento interior inspirando-lhe grandes coisas a realizar na vida em nome de Cristo e da Sua Igreja.


O próprio Inácio define como “desolação” a experiência que enfrentou em seus exercícios espirituais: um estado de grande inquietação, irritabilidade, desconforto, insegurança quanto a si mesmo e às próprias decisões, dúvidas assustadoras, grande dificuldade de perseverar nas boas intenções… De acordo com Inácio, Deus não causa a desolação, mas a permite para nos “abalar” como pecadores e nos chamar à conversão.



A partir da sua experiência, Santo Inácio dá três conselhos para reagir à desolação:


1)-Não desistir nem alterar sua decisão do seguimento de Cristo (que não nos engana ao dizer: No mundo tereis tribulação...)


2)-Intensificar a intimidade com Deus, a meditação e as boas ações.


3)-Perseverar com paciência e confiança, pois a provação é estritamente limitada por Deus, que dará o alívio no momento oportuno.


Ele descobriu, em suma, que a depressão pode ser um grande desafio espiritual e uma ótima oportunidade de crescimento. Estes conselhos continuam perfeitamente válidos, mas, hoje, é de importância crucial acrescentar um quarto conselho: procurar a ajuda médica adequada. Os avanços da medicina deixam claro que, na maioria dos quadros verdadeiramente depressivos, a medicação psiquiátrica é indispensável para reequilibrar os neurotransmissores, pois se trata de uma doença propriamente dita e não apenas de uma “fase de tristeza”.


O tratamento da depressão clínica tem duas vertentes interdependentes:


1)-O trabalho interior pessoal, que pode ser acompanhado por um bom psicólogo ou orientador qualificado,


2)-E o trabalho da medicina, acompanhado por um psiquiatra sério e bem atualizado.



4 – Santa Joana Francisca de Chantal - Século XVI



Durante oito anos, ela viveu feliz o seu casamento com o Barão de Chantal. Mas, quando o marido morreu, seu sogro, vaidoso e teimoso, forçou Joana e seus três filhos a irem morar com ele, provocando uma rotina de contínuos dissabores, duras provas de paciência e depressão. Em vez de se escorar na vitimização, como infelizmente é comum desde sempre e até hoje, Santa Joana fez a escolha de manter a alegria e de responder às crueldades do sogro com caridade e compreensão. Mesmo depois de estabelecer uma cordial e santa amizade com o grande bispo São Francisco de Sales e de trabalhar com ele na criação de uma ordem religiosa para mulheres de mais idade, Joana continuava experimentando momentos de grande sofrimento e injusto julgamento – e continuava, também, a responder com alegria, trabalho esforçado e espírito voltado a Deus.


A propósito, São Francisco de Sales tem um relevante conselho para quem sofre dessa provação:


“Refresque-se com músicas espirituais, que muitas vezes provocaram o demônio a cessar as suas artimanhas, como no caso de Saul, cujo espírito maligno se afastou dele quando Davi tocou sua harpa perante o rei. Também é útil trabalhar ativamente, e com toda a variedade possível, de modo a desviar a mente da causa de sua tristeza”.



5 – São Noel Chabanel - Século XVII



Padre jesuíta, mártir norte-americano, trabalhou entre os índios huron com São Charles Garnier. Os missionários, no geral, desenvolvem grande empatia por aqueles a quem evangelizam; no entanto, não foi o caso do Pe. Noel: ele sentia repugnância pelos índios e pelos seus costumes, além de imensa dificuldade para aprender a sua língua, completamente diferente de qualquer idioma europeu, sem falar nos brutais desafios que a vida em ambiente quase selvagem envolvia. Todo esse conjunto de provações gerou nele um sentimento duradouro de sufocamento espiritual. Como ele respondeu? Fazendo um voto solene de jamais desistir nem abandonar a sua missão. E esse voto ele manteve até o dia do seu martírio.



6 – Santa Elizabeth Ann Seton - Século XVIII


A primeira santa nascida em solo estadunidense sofria com a contínua sensação de solidão e melancolia, tão profunda que ela pensou várias vezes em se matar. Ela teve muitos problemas em sua vida, especialmente relacionados à sua família. Leituras, música e o mar a ajudaram a ser mais alegre. Quando se converteu, a Eucaristia e a caridade passaram a ser sua grande força diária!



7 – São João Maria Vianney - Século XIX




Conhecido como o Cura D’Ars, ele é um dos sacerdotes mais queridos da história da Igreja, modelo de pároco zeloso e de pastor que superou as muitas e graves limitações intelectuais próprias para guiar as almas com maestria pelo caminho da vida de graça. Apesar de todo o bem que fazia, ele não conseguia enxergar a própria relevância diante de Deus e convivia persistentemente com um forte complexo de inutilidade pessoal, sintoma da depressão que o acompanhou durante toda a vida.Nos momentos mais difíceis, ele recorria ao Senhor e, apesar do sofrimento, renovava a determinação de perseverar no seu trabalho com confiança, fé e amor a Deus e ao próximo.



8 – Santa Teresa Benedita da Cruz (Edith Stein) - Século XX.



A santa carmelita descalça que havia nascido judia e crescido ateia sofreu com a depressão durante longo período. Chegou a escrever:



“Encontrei-me gradualmente em profundo desespero… Eu não podia atravessar a rua sem querer que um carro me atropelasse e eu não saísse viva dali”.



Desde antes de se converter, principalmente nas muitas ocasiões em que foi desprezada e humilhada por ser mulher e de origem judia, Edith sofreu intensamente a depressão. Intelectual, filósofa, discípula e até assistente de Edmund Husserl, o fundador da fenomenologia, ela finalmente encontrou em Deus a Verdade que tanto buscava, a partir da leitura da obra de Santa Teresa de Jesus. Abraçou então a graça com tamanha sede que dela arrancava as forças para lidar não apenas com os seus dolorosos sofrimentos interiores, mas também com as trevas mortíferas do nazismo. Edith Stein, que adotou no convento carmelita o nome religioso de Teresa Benedita da Cruz após se converter e se consagrar a Deus radicalmente, foi capaz de perseverar até o martírio, mantendo a lucidez, a fé, a esperança e o amor inclusive na prisão e na execução a que foi submetida covardemente no campo de concentração de Auschwitz-Birkenau. Esse final de vida terrena parece particularmente deprimente? Pois ele é, mesmo. No entanto, como tudo nesta vida tem mais do que apenas um lado, ela enfrentou esse cenário extremo com a serenidade e a paz de espírito de quem aprendeu a lidar com os altos e baixos da depressão, enxergando além do imediato e abraçando uma vida que não acaba porque é eterna – e que é capaz de brilhar até mesmo nas trevas mais densas da morte num campo de concentração.





THOMAS MERTON E A CRISE DE FÉ



Depois de ter passado sua vida espiritual em busca de uma união mística com Deus, os ensinamentos de Thomas Merton de pensamento e meditação contemplativa permanecem relevantes mais de quarenta anos após sua morte.


Entre os muitos assuntos abordados este autor prolífico durante sua vida, Merton dedicada uma atenção especial à crise de fé que ele sentiu e que acontecera com a geração em que ele estava vivendo.







Tendo escrito abertamente sobre o período de sua vida em que ele experimentou uma distância de Deus em sua autobiografia "The Seven Storey Mountain," Thomas Merton acreditava que ele sabia muito bem o que causou este tipo de crise. Foi, de fato, própria crise de Merton de fé, que o obrigou a uma jornada fora da tradição cristã, a fim de redescobrir a união mística com Deus a qual  pensou que tinha sido perdido para ele. Thomas Merton entendido que, a fim de tratar uma doença, é preciso atacar a causa raiz.


Em um esforço para identificar esta causa, Merton olhou para a condição humana. Foi aqui que ele viu a doença que foi a perda da união mística com Deus manifestar-se em uma variedade de maneiras diferentes. Merton concluiu que era devido aos vários obstáculos que enfrentam a pessoa moderna que o contemplativo de sua época foi, cada vez mais, perdendo a capacidade de união com Deus.


Um dos principais culpados que desviou o crente de Deus de acordo com Thomas Merton foi a época domaterialismo, que Merton sentiu e resultou em uma perda de unidade com o mundo, tornando a união mística com Deus quase impossível. Para remediar esta situação, Merton sugeriu que não importa o que fé individual, uma pessoa pode ter, eles fariam bem em não fechar as suas mentes para os ensinamentos dos grandes pensadores espirituais e contemplativos, Cristãos ou não.


De acordo com Thomas Merton, resolver esta crise de fé seria mais difícil do que simplesmente mergulhar no estudo religioso. Merton acreditava que ao não conseguir uma união com Deus, a humanidade era o seu próprio pior inimigo. A fim de deixar de estar em desacordo consigo mesmo, Thomas Merton acreditava que uma pessoa deve rejeitar as tentações da era tecnológica e materialista.


Como um professor espiritual, Merton entendeu que era sua responsabilidade de manter a tradição contemplativa viva e orientar aqueles que tinham perdido sua espiritualidade volta a um relacionamento com Deus. Na tentativa de alcançar este objetivo, Merton apontou que era as distrações da idade moderna que impediu os fiéis de alcançar a relação mística com Deus.


Quando os seres humanos poderem acalmar o mundo externo ao seu redor, eles irão adquirir a capacidade para o pensamento contemplativo necessário, e  compreender que Deus mais que um Ser, mas uma Presença infinita e viva dentro de cada indivíduo, como já dizia Santo Agostinho em suas Confissões, que procurava fora, o que estava dentro e por isto tão tardiamente amou esta beleza tão nova e tão velha. Por meio de sua eloquente experiência, Thomas Merton foi capaz de falar com os males e problemas daqueles que estavam enfrentando crise espiritual, com uma paixão e clareza raramente visto em mestres espirituais.


Uma das maneiras em que Merton acreditava que as pessoas perderam a capacidade de formar uma união mística com Deus estava em ser ou transparecer serem algo diferente do que eles realmente eram. Era a afirmação de Merton que dentro de cada indivíduo existiam dois seres completamente separados, um dos quais uma pessoa queria ser, mas não podia, porque não foi revelado plenamente por Deus. Portanto, era necessário encontrar e destruir esse outro falso eu que estava no centro e restaurar o relacionamento entre o crente e Deus. A fim de fazer isso, Merton salientou a importância do pensamento contemplativo, que assumiu como missão preparar aqueles que estavam dispostos para esta comunicação com Deus.






Para redescobrir o verdadeiro eu, Thomas Merton insistiu que o crente deve resistir à tentação de se entregar à tentação, por mais forte que ela seja. Para Merton, a oposição que faz  afastar-nos de uma união mística com Deus só podia ser combatida com a oração contemplativa, que trabalha para imergir o participante no amor que é um relacionamento com Deus. Desta forma, os crentes podem pôr fim aos obstáculos que estão impedindo-os de conhecer a Deus, abraçando o silêncio e a quietude que é propício para permitir que Deus entre em suas vidas e nos capacite a resiliência.




O DESAFIO DE VIVER A CRISE DE FÉ



João 20,29: “Disse-lhe Jesus: Porque me viste, Tomé, creste; bem-aventurados os que nada viram e creram...”



Pouco antes de morrer, encarcerado em Roma o Apóstolo São Paulo escreveu sua última carta, a 2Tm. Nela ele recorda que é anunciador da mensagem salvadora:


“Cristo Jesus destruiu a morte, fez brilhar a vida e a imortalidade” (2, 10).


Por causa deste ministério ele sofreu muito como mostra em 2Cor 11, 23-29. Para seguir o Cristo, Paulo deixou todos os seus títulos de genuíno fariseu (Fl 3, 4-11) e enfrentou os desafios da pregação do Evangelho “loucura e escândalo” (1Cor 1, 23). Foi, por isto, acusado de subversivo contra César (cf. At 17, 7), nocivo à indústria dos ourives (cf. At 19, 23-40), prejudicial ao comércio dos adivinhos (cf. At 16, 16-19), traidor da Lei de Moisés (cf. At 18, 12-17). Suportou tudo por a amor a Jesus. Nunca se arrependeu de ter confiado no Cristo. Com alegria escreveu:


“Eis por que sofro estas coisas. Todavia… sei em quem pus a minha confiança, e estou certo de que Ele é capaz de guardar o meu depósito até aquele Dia” (2Tm 1, 12).



Sei em quem acreditei (pepísteuka). Este verbo em grego indica algo de estável e imutável. Ele sabia que se entregou a sua vida não a um mero homem, nem a uma facção poderosa, mas a Jesus Cristo, Filho de Deus. Sabia que não seria decepcionado, mas, ao contrário, o seu depósito lhe seria guardado e entregue naquele Dia, no Dia do Juízo Final. Depósito, parathéke em grego, era um valor entregue aos cuidados de uma pessoa de confiança, e que deveria ser devolvido ao depositante, por um contrato baseado na lei romana.


Paulo contra toda desesperança termina a sua vida dizendo:


“Combati o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a fé. Desde já me está reservada a coroa da justiça, que me dará o Senhor, justo Juiz, naquele Dia” (2Tm 4, 7s).



Essas palavras do Apóstolo e a sua atitude, devem ser modelo de vida para nós cristãos. Quem abraça o Evangelho, deposita nas mãos de Jesus Cristo toda a sua vida; não pertence mais a si, mas é selado como propriedade dele (cf. 2Cor 1, 22; Ef 1, 13s). Esta decisão pode parecer arriscada, mas é sumamente sábia. O cristão pode e deve dizer: “Sei em quem pus a minha confiança!”




Oração para renovar a fé e a esperança!


“Senhor, eu creio; eu quero crer em Ti.Eu Te louvo pelo dom da fé e reconheço que estou ainda longe de ter a mesma fé de Abraão e Sara, de Tobit, de tantos profetas e reis; e o quanto sonho em experimentar também a mesma fé da Virgem Maria.Renova em mim o dom da fé recebido no Batismo, confirmado na Crisma e reanimado em cada Eucaristia.Que eu viva alicerçado na Tua Palavra e que por ela me sinta exortação à fidelidade. Diante de tua presença, professo que creio, mas aumentai a minha fé.Senhor, faça que minha fé seja total, sem reservas;que ela penetre no meu pensamento e na minha maneira de julgar as coisas divinas e as coisas humanas.Senhor, faça que minha fé seja livre, quero aceitar livremente Tua vontade com todas as renúncias e deveres que ela comporta.Senhor, Tu dissestes que felizes são os que crêem sem ter visto.Dá-me a graça de crer, mesmo nos momentos em que não vejo caminho ou solução, reconhecendo que Tu és o caminho e solução, sempre!Senhor, faça que minha fé seja forte.Que eu possa caminhar sobre as águas revoltas e em Teu Nome eu possa remover montanhas.Dá-me a fé que não vacila,que é garantia de vida eterna e que proclama Teu poder, agindo, curando e libertando.Que eu não tema a oposição daqueles que contestam a fé, a atacam, a recusam e a negam; mas que minha fé se fortifique na experiência íntima da verdade, que ela resista ao desgaste da crítica, que ela ultrapasse as dificuldades cotidianas.Dá-me a cada dia a graça de pronunciar Teu Nome com a fé que não só alimenta a minha esperança, mas que já vê acontecer.Que eu permaneça com os olhos fixos no Teu coração transpassado, para que, Te vendo, eu receba a salvação e a anuncie a todos.Senhor, faça que minha fé seja alegre.Que ela dê paz e alegria a minha alma e me torne disponível para rezar a Deus e conversar com os irmãos.Senhor, faça que minha fé seja atuante e que seja também contínua busca de Ti, um contínuo testemunho, um contínuo alimento de esperança.Senhor, faça que minha fé seja humilde.Que não se fundamente em meu pensamento, e nem em meu sentimento, mas que me submeta sempre ao Espírito Santo, à tradição e à autoridade do magistério da Igreja.Obrigado Senhor! Creio que estás me renovando e já me sinto fortalecido no corpo, no espírito e na alma.Porque, como a Virgem Maria, professo que tudo é possível para aquele que crê. Senhor eu Te suplico: que minha fé não desfaleça e nem eu me revolte contra Ti. Porque, nos momentos de tribulações e nas noites escuras da vida seja a fé em TI a me guiar nos vales de lágrimas tenebrosos. Na enfermidade do corpo, quando a doença já estiver presente, será a fé a me sustentar e tudo prover. Aumenta a minha fé, Senhor, porque nos momentos de discussão e de conflitos familiares, será a fé que me fará perdoar.Nos momentos de desemparos materiais, quando as dificuldades aumentarem, será a minha fé e confiança em TI a me sustentar.Aumenta a minha fé, Senhor, porque nas horas em que as pedras aparecerem no meu caminho e eu tropeçar, será pela fé que me levantarei. Aumenta a minha fé, Senhor, para que, durante toda a vida e, principalmente na hora da morte, a fé me leve a crer na ressurreição e na vida eterna junto aos vosos santos. Aumenta a minha fé, Senhor, dilata meu coração e fazei com que o Teu Espírito derrame sobre mim a chama e o fogo do amor.

Amém.”


FONTES DE CONSULTA:



-https://formacao.cancaonova.com/espiritualidade/vida-de-oracao/estou-vivendo-uma-crise-de-fe-o-que-eu-devo-fazer/


-https://www.acidigital.com/reportajes/santidad.htm


-http://www.ihuonline.unisinos.br/artigo/1286-luiz-gonzalez-quevedo


-http://conhecimento.lhg100.com/1spirituality/1religion/1001094831.html



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Neste Apostolado promovemos a “EVANGELIZAÇÃO ANÔNIMA", pois neste serviço somos apenas o Jumentinho que leva Jesus e sua verdade aos Povos. Portanto toda honra e Glória é para Ele.Cristo disse-nos:Eu sou o caminho, a verdade e a vida e “ NINGUEM” vem ao Pai senão por mim." ( João, 14, 6).Como Católicos,defendemos a verdade, contra os erros que, de fato, são sempre contra Deus.Cristo não tinha opiniões, tinha verdades, a qual confiou a sua Igreja, ( Coluna e sustentáculo da verdade – Conf. I Tim 3,15) que deve zelar por elas até que Cristo volte.Quem nos acusa de falta de caridade mostra sua total ignorância na Bíblia,e de Deus, pois é amor, e quem ama corrige, e a verdade é um exercício da caridade.Este Deus adocicado,meloso,ingênuo, e sentimentalóide,é invenção dos homens tementes da verdade, não é o Deus revelado por seu filho: Jesus Cristo.Por fim: “Não se opor ao erro é aprová-lo, não defender a verdade é nega-la” - ( Sto. Tomáz de Aquino) “Não a nós, Senhor, não a nós, mas ao vosso nome dai glória...” (Salmo 115,1)

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