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A Fenomenologia Personalista de Max Sheler na Teologia do Corpo de João Paulo II

Written By Beraká - o blog da família on sábado, 25 de agosto de 2012 | 10:11




Karol Wojtyła, João Paulo II, um filósofo Papa e um Papa filósofo.

O pensamento de Karol Wojtyła foi formado na Polônia, palco de regimes totalitários como o Nazismo e o Comunismo. Esportista, apaixonado pela literatura e teatro, o jovem Wojtyła encontrou no sacerdócio sua razão de ser.



Logo ordenado, dedicou-se ao trabalho pastoral e a docência ensinando, sobretudo, Ética. Obteve o doutorado em Teologia com a tese “Doutrina da fé segundo são João da Cruz”, e escreveu outra tese sobre “O sistema ético de Max Scheler como meio de construção de uma ética cristã” que o habilitou à docência universitária.


Autor de várias obras e artigos, tem em Osoba i czyn (Pessoa e Ato) sua obra prima. Aqui se pode colher o centro de seu pensamento: a pessoa humana.



Utilizando do método fenomenológico aliado à metafísica aristotélica-tomista, propôs redescobrir a pessoa humana a partir da ação e, deste modo, fortalecer o personalismo cristão.


Sua conclusão foi a afirmação da pessoa como ser definido a partir da liberdade exercida sobre uma essência natural dada, transcendente e desejosa de ser alguém e alguém bom a partir da verdade.


Suas conferências e escritos revelaram um homem profundamente aberto ao diálogo com a modernidade. Convém evidenciar sua proximidade a autores como Kant, Husserl, Edith Stein, Blondel e Roman Ingarden.

Ressaltando o que havia de melhor nos pensadores contemporâneos, tratou de temas atuais como o amor humano, o trabalho, a cultura, os valores, família, liberdade religiosa, dignidade humana e fundamentos da ética.


Seu mérito estava em complementar com a metafísica do ser o que carecia ao modo contemporâneo de tratar os assuntos citados.

SOBRE A FENOMENOLOGIA:

João Paulo II foi muito influenciado pela Fenomenologia  de Max Sheler.

Max Scheler (22 de agosto de 1874, Munique - 19 de maio de 1928, Frankfurt am Main) foi um filósofo alemão conhecido por seu trabalho sobre fenomenologia, ética e antropologia filosófica.

Scheler desenvolveu o método do criador a da fenomenologia, Edmund Husserl, e era chamado por José Ortega y Gasset de "o primeiro homem do paraíso filosófico".

Em 1954, Karol Wojtyla, posteriormente Papa João Paulo II, defendeu sua tese sobre "Uma avaliação da possibilidade de construir uma Ética Cristã baseada do sistema de Max Scheller".

Contribuições filosóficas:

O centro do pensamento de Scheler era a sua teoria do valor. De acordo com Scheler, o ser-valor de um objeto precede a percepção. A realidade axiológica dos valores é anterior à sua existência. Os valores e seus correspondentes opostos existem em uma ordem objetiva.

Como Papa, afirmou que a fenomenologia é “quase uma atitude de caridade intelectual para com o homem e o mundo e,  do crente, para com Deus, princípio e fim de todas as coisas” (JOÃO PAULO II, Discurso à delegação do Instituto Mundial de Fenomenologia de Hanover).


Em um contexto de concepção demasiadamente abstrata de pessoa humana ou de subjetivismo, Wojtyła aparece como o filósofo da consciência como lugar de síntese entre objetividade e subjetividade. É aqui onde a realidade se manifesta como verdadeira medida do pensamento.

E também é na consciência que a verdade se torna experiência vivida, interiorizada, ao ponto da verdade se tornar “verdade para mim”.

Este é o caráter criativo da consciência assinalado por Wojtyła em Pessoa e Ato. De acordo com ele, a consciência, conduzida pela verdade sobre o bem, é a condição para que o homem se torne bom e bom como homem (cf. Perché l’uomo, p.81).


A pessoa humana, paixão de Deus, foi também a paixão do Papa João Paulo II.

Desde sua primeira encíclica, Redemptor Hominis, em 1976, nota-se a presença de sua antropologia filosófica amadurecida na academia e no trabalho pastoral.

Ficaram famosas suas catequeses sobre o amor humano nas quais ele usa do método fenomenológico para explicá-lo, e assim, desenvolver ideias contidas na sua obra Amor e responsabilidade. 

O Personalismo
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

O personalismo foi um movimento associado ao Humanismo e não ligado a partido político, idealizado por Emmanuel Mounier, após a crise de 1929 da Europa e divulgado por uma revista chamada “Esprit”, com a intenção de identificar a verdade em toda a circunstância e acreditava que o problema das estruturas sociais era econômico e moral e a saída para isso era na teorização e na construção de uma “comunidade de pessoas”.

O personalismo foi posteriormente adotado pela Democracia Cristã e influenciou fortemente o Papa João Paulo II e, consequentemente, muitos católicos.


A idéia central do pensamento personalista é a idéia de pessoa na sua inobjetibilidade (o homem não consiste num simples conjunto de matéria), inviolabilidade, liberdade, criatividade e responsabilidade, de pessoa com alma encarnada em um corpo, situada na história e constitutivamente comunitária.

Algumas normas personalistas de Mounier:


1)- Uma posição de independência em relação aos partidos e agrupamentos constituídos, faz-se necessária para uma nova avaliação das diversas perspectivas (sem ser anárquico ou apolítico).

2)- A simples afirmação dos valores do espírito pode ser enganosa quando não acompanhada de rigorosa delimitação da atividade e dos seus meios.

3)- A tendência a confusão é o primeiro inimigo de um pensamento de ampla perspectiva. Portanto toda questão deve ser bem estudada já que há uma estreita relação entre o espiritual e o material.

4)- Para a investigação temos que nos libertar de qualquer priori doutrinário e estejamos pronto para tudo, inclusive a mudar de direção para manter-se fiel a realidade e ao próprio espírito.


5)- Ser revolucionário não é o remédio já que não significa a revisão dos valores, das estruturas ou das classes dirigentes.

As razões que explicam a revitalização do personalismo:


(Fala o fundador da Associação Espanhola de Personalismo)


MADRID, quinta-feira, 25 de novembro de 2004 (ZENIT.org).

A revitalização que atualmente experimenta a filosofia personalista não só responde à necessidade que tem desta antropologia uma sociedade multicultural e fragmentada, mas à do próprio cristianismo para apresentar sua mensagem ao mundo contemporâneo. 


É a inquietude que deu origem à Associação Espanhola de Personalismo (AEP), primeira destas características na Espanha e Europa, e à celebração da I Jornada que convocou --desde uma perspectiva multidisciplinar-- sobre «Itinerários do personalismo: balanço e perspectivas de uma filosofia», na Universidade Complutense de Madri, em 26 e 27 de novembro (Cf. (www.personalismo.org).


Karol Wojtyla (João Paulo II), a filósofa judaica convertida ao catolicismo --e carmelita descalça-- Edith Stein (Santa Teresa Benedita da Cruz) ou o conhecido psiquiatra vienense Viktor Frankl se contam entre os representantes do personalismo, de cujo alcance fala nesta entrevista concedida a Zenit o fundador e presidente da AEP, Juan Manuel Burgos. 



Doutor em Ciências Físicas e em Filosofia, Juan Manuel Burgos deu aulas em diversas universidades de Roma e Madri.

É professor no Instituto João Paulo II e editor em Edições Palavra. Antropologia, personalismo e família foram os principais temas de seus artigos e livros publicados. 


1)- O que é personalismo? 


Juan Manuel Burgos: O personalismo é uma corrente filosófica moderna e realista cuja tese central é que a noção de pessoa é a categoria filosófica essencial na elaboração da antropologia. O que se quer dizer com isso é que o personalismo não só fala da pessoa, que é uma característica presente em outras filosofias, mas sua arquitetura conceitual está baseada nessa noção tal e como se elaborou no século XX.
Também, o personalismo concede especial relevância à afetividade, às relações interpessoais, à corporalidade, à diferenciação da pessoa, dentro de uma igualdade radical, em homem e mulher, o caráter narrativo da existência humana, o caráter doador e solidário da pessoa, sua abertura intrínseca à transcendência, etc. 


2)- Como surge o personalismo? Está vivo hoje? 


Juan Manuel Burgos: O personalismo surge na época de entre-guerras da mão do conhecido filósofo francês Emmanuel Mounier, que morreu prematuramente em 1950.

Posteriormente enriqueceu-se e se estendeu a outros países: Itália, onde goza de muito boa saúde (Buttiglione, por exemplo, é um filósofo personalista), Polônia, onde
seu principal representante é João Paulo II, pois antes de ser eleito Papa realizou um colossal trabalho como filósofo personalista, Espanha, onde podem se integrar nesta corrente autores tão conhecidos como Julián Marías, Laín Entralgo ou Zubiri. 


O personalismo sofreu um forte eclipse durante o convulso período dos anos 70 e 80 pela influência negativa dos epígonos descontrolados do pós-concílio, o predomínio cultural do marxismo, a revolução sexual e, na Espanha, o convulso período da transição. Mas atualmente está-se revitalizando e cobrou um novo impulso. 


3)- É necessário o enfoque personalista em nossos dias? 


Juan Manuel Burgos: A atual revitalização do personalismo deve-se precisamente a que muitas pessoas o valorizem como uma realidade necessária e sugestiva. Diria que, fundamentalmente, por quatro motivos.
a)- É uma filosofia interessante e com muitas potencialidades;

b)- é necessária para falar com profundidade da pessoa, um conceito socialmente assumido, mas, às vezes, só de maneira superficial;
c)- em nossa sociedade multicultural e fragmentada, apresenta-se como uma antropologia forte e integral que oferece uma visão completa e transcendente da pessoa;

d)- e, por último, creio que muitos intuem que é a antropologia de que hoje necessita o cristianismo para apresentar sua mensagem ao mundo contemporâneo.

Neste sentido, ao falar de personalismo, tenho a impressão de que muitos o recebem com um certo sentimento de libertação, pois se apresenta como um instrumento coerente com a doutrina da Igreja, mas desde a modernidade. 


4)- A que âmbitos ou disciplinas pode chegar a filosofia personalista? De que maneira? 


Juan Manuel Burgos: A filosofia personalista deve aprofundar antes de tudo no terreno puramente filosófico, porque ainda não se superou completamente o eclipse dos anos 70 e 80.
Mas também e, sobretudo, deve explorar e tirar partido da grande potencialidade de crescimento que possui em âmbitos como a bioética, a filosofia do direito, a economia, a filosofia da educação etc. Para consegui-lo, é necessário muito trabalho intelectual no marco de uma comunidade científica. Este justamente é um dos objetivos ao que nos propomos contribuir desde a Associação Espanhola de Personalismo, de recente criação. Estas primeiras Jornadas de reflexão científica são uma mostra disso. 


5)- Que é preciso para que o personalismo chegue ao grande público? 


Juan Manuel Burgos: Não tenho claro que o personalismo possa chegar ao grande público em geral, pois se trata de uma filosofia. Outra questão é que suas idéias se difundam capilarmente na sociedade. Mas, sem dúvida, deve chegar aos intelectuais. Para consegui-lo, é necessário antes de tudo um importante trabalho de difusão: cursos, publicações, seminários etc. Já se está fazendo esse trabalho. Em Espanha, por exemplo, publicaram-se mais de 100 livros sobre temas personalistas nos últimos anos.
Mas é necessário muito mais. Há que trabalhar, pelo menos, em duas linhas: formação do professorado para que o transmita aos alunos de bacharelado e de universidade e desenvolvimento de um trabalho científico que lhe dê cada vez mais peso e prestígio, facilitando assim sua expansão. 

Fonte: Zenit

Amor e Responsabilidade: para além do impulso sexual


No segundo artigo desta série sobre o livro “Amor e Responsabilidade”, Edward P. Sri aprofunda-se nos temas expostos por João Paulo II.



*(Por Edward P. Sri, baseado em seu livro “Men, Women and the Mystery of Love”)


Em nossa primeira reflexão sobre o livro “Amor e Responsabilidade”, de João Paulo II, consideramos o “princípio personalista”, o qual diz que não devemos tratar as outras pessoas meramente como meios para um fim.


Particularmente, vimos como o utilitarianismo enfraquece nosso relacionamento, fazendo-nos valorizar as pessoas primeiramente em termos de algum prazer ou benefício que recebemos na relação com ela.


Ainda assim utilitaristas sofisticados podem argumentar que não há nada de errado em duas pessoas “usarem” uma à outra na medida em que eles consentirem mutuamente e receberem mutuamente alguma vantagem da relação.

Na verdade, alguns dizem que um relacionamento que traz consigo o egoísmo (interesse próprio) do homem e o egoísmo da mulher de modo benéfico para os dois seria na verdade um relacionamento de amor.

Por exemplo, o que tem de errado com Bill e Sally terem sexo antes do casamento, se cada um dos dois consente, e cada pessoa ganha algum prazer com isso? Já que no ato sexual o desejo que Bill tem por prazer se harmoniza com o desejo que Sally tem por prazer, tal ato não parece ser egoísta. Ambos dão prazer um para o outro, e não apenas para si próprios.

O Papa João Paulo II aponta um grande problema com esse tipo de relacionamento:

“No momento em que deixarem de consentir e deixarem de ser vantajosos um para o outro, nada mais restará da harmonia original. Não haverá amor, em nenhuma das pessoas nem entre elas”.


Esse tipo de relacionamento me impede de estar realmente em comunhão com a outra pessoa, de estar comprometido com ela como pessoa, pois esse tipo de relação ainda está dependente do que eu vou conseguir da outra pessoa.

Estou “comprometido” com a pessoa apenas até o ponto – e somente até aí – em que recebo prazer ou vantagem do relacionamento. Na verdade, o Papa João Paulo II compara tal relacionamento de utilização mútua à prostituição.

Como funciona um relacionamento de  prostituição:

“Imagine um homem de negócios que tem um relacionamento com uma prostituta toda semana numa determinada noite. O homem deseja o prazer sexual que ela pode lhe dar, e a mulher deseja o dinheiro que ele pode lhe dar. Ambos possuem objetivos pessoais que convergem para o ato sexual e beneficiam a outra pessoa. Ambos conseguem o que querem, e no processo atendem aos desejos da outra pessoa.Entretanto, no momento em que o encontro dessas duas pessoas deixa de ser mutuamente vantajosa, o que acontecerá com esse relacionamento? Se a prostituta pode ser mais bem paga por um homem mais rico naquela noite particular da semana, provavelmente ela vai deixar o primeiro homem de negócios pelo segundo, mais rico. Por outro lado, se o homem de negócios não acha mais a prostituta prazerosa, e encontra uma prostituta mais jovem e mais atraente, ele também provavelmente vai deixar a primeira prostituta pela segunda, mais jovem...”

Isso pode parecer um exemplo exagerado, mas pense quantas relações entre homem e mulher no mundo de hoje não são muito melhores que isso?

Quantos relacionamentos são baseados mais em um mútuo uso do que em amor compromisso e em uma comunhão verdadeira de pessoas?

Por exemplo, quantas jovens mulheres entregam sua virgindade e dormem com um homem em troca da segurança emocional de ter um namorado ou por medo de que, se não o fizerem, esse homem pode terminar o relacionamento com ela?

Quantos homens querem somente uma garota bonita para dormir com ela pelo prazer físico que pode conseguir com essa relação?

Esses relacionamentos não são de autêntico amor que trazem as pessoas à comunhão uma com a outra. Ao invés, são simplesmente formais socialmente mais aceitáveis de um uso mútuo,similar à prostituição.

Insegurança, não amor


João Paulo II nota como as relações baseadas no utilitarianismo lançam medo e insegurança em uma ou ambas as pessoas.

Um sinal de alerta que mostra a possibilidade de existir uma relação utilitária é quando uma pessoa tem medo de conversar com a outra sobre assuntos difíceis, ou teme resolver problemas na relação com a pessoa amada.


Uma razão pela qual muito casais (seja de namorados, noivos, ou casados) nunca enfrenta as dificuldades na relação com o outro é porque no fundo sabem que não há muita base sólida para o relacionamento continuar – apenas o prazer ou benefício mútuo.

Teme-se que, se o relacionamento se tornar desafiador, exigente, ou difícil para a outra pessoa, ela vai “cair fora”.

A única maneira de manter o relacionamento é esconder os problemas e fingir que as coisas não estão assim tão ruins quanto parecem.

“O amor assim compreendido é por si mesmo evidentemente uma pretensão que tem que ser muito bem cultivada para esconder a realidade escondida: a realidade do egoísmo, e do tipo mais baixo de egoísmo, aquele que explora a outra pessoa para obter para si o ‘máximo de prazer’”.

O Papa João Paulo II então mostra como as pessoas nesse tipo de relacionamento às vezes permitem até mesmo serem usadas pelo outro a fim de conseguir o que desejam do relacionamento:

“Cada uma das pessoas está preocupada principalmente em gratificar o próprio egoísmo, mas ao mesmo tempo consente em servir o egoísmo do outro, porque isso pode trazer a oportunidade de satisfazer depois o próprio egoísmo – e fazem isso apenas enquanto isso é verdade”.


Nesse caso, a pessoa deliberadamente se permite ser usada como meio para as intenções egoístas da outra pessoa.

“Se eu trato uma outra pessoa como meio e como instrumento com relação a mim, não posso me considerar senão igualmente, à mesma luz, como meio. Nós temos aqui algo como o oposto do mandamento do amor”.

O impulso sexual

A sexualidade é uma das principais áreas onde podemos cair na atitude de usar uma outra pessoa.

O Papa João Paulo II, portanto, despende muito tempo refletindo sobre a natureza do impulso sexual.


Primeiramente, ele discute como o impulso sexual se manifesta na tendência das pessoas humanas buscarem o sexo oposto. Ele diz que o impulso sexual orienta um homem para as características físicas e psicológicas de uma mulher – seu corpo, sua feminilidade – que são os próprios atributos mais complementares ao homem.

E a mulher, por sua vez, está orientada para os atributos físicos e psicológicos de um homem – seu corpo e sua masculinidade – as propriedades que são naturalmente complementares para a mulher.

Portanto, o próprio impulso sexual é experimentado como uma atração corporal (física) e emocional (psicológica) para uma pessoa do sexo oposto.

Entretanto, o impulso sexual não é uma atração para as qualidades físicas e emocionais do sexo oposto no abstrato.

O Papa João Paulo II enfatiza que esses atributos somente existem em uma pessoa humana concreta.
Por exemplo, nenhum homem é atraído ao “loira” ou “morena”, abstratamente. Ele se sente atraído, ao invés, a uma mulher – uma pessoa em particular – que pode ter cabelo loiro ou moreno.

Uma mulher não se sente primariamente atraída pela “masculinidade” como um conceito teórico, mas ela pode se sentir muito atraída por um homem particular que exibe certos traços tradicionalmente masculinos, tais como coragem, decisão, força, e cavalheirismo.

O Papa João Paulo II enfatiza esse ponto para mostrar como o impulso sexual, em última análise, dirige-se à pessoa humana. Portanto, o impulso sexual não é, em si mesmo, ruim.

Na verdade, por se destinar a nos orientar em direção a outra pessoa, o desejo sexual pode fornecer um espaço para o autêntico amor se desenvolver.

ATENÇÃO !!!Isso não quer dizer que o impulso sexual deve ser igualado ao amor.

O amor envolve muito mais do que as reações sensuais ou emocionais espontâneas que são produzidas pelo desejo sexual; o autêntico amor requer atos da vontade dirigidos em prol do bem da outra pessoa.

Ainda assim, o Papa João Paulo II diz que o impulso sexual pode fornecer a “matéria-prima” a partir da qual atos de amor podem surgir , isso se for guiado por um grande senso de responsabilidade pela outra pessoa.

Mais do que instinto animal


É importante notar que o impulso sexual nas pessoas humanas não é o mesmo que o instinto sexual encontrado nos animais.

O Papa João Paulo II explica que nos animais o instinto sexual é um modo reflexo de ação, que não depende de pensamento consciente.
Por exemplo, uma gata fêmea no cio não reflete qual o melhor tempo, lugar ou circunstância para ela acasalar, e não pensa em qual gato macho das vizinhanças ela quer como parceiro ideal. Os gatos simplesmente agem por reflexo, de acordo com seus instintos.

As pessoas humanas, entretanto, não precisam ser escravas do que está borbulhando dentro delas na esfera sexual ( Se deixou-se escravisar, é patológico, não é normal e precisa de tratamento).

No final das contas, a pessoa está em controle do impulso sexual – e não o contrário.

A pessoa pode escolher como vai usar esse impulso.

Um homem, por exemplo, pode experimentar uma atração sexual por uma mulher. Ele às vezes pode até experimentar essa atração como algo que acontece a ele – algo que começa a tomar lugar em sua vida sensual ou emocional sem nenhuma iniciativa de sua parte.

Entretanto, essa atração pode e deve estar subordinada ao seu intelecto e sua vontade.

Uma pessoa pode não ser sempre responsável pelo que lhe acontece na área da atração sexual, mas ela é sempre responsável pelo que decide fazer em resposta a esses estímulos interiores.(Esta descoberta é reveladora e libertadora).

Amar ou usar?

Lembremo-nos que o impulso sexual nos conduz aos atributos físicos e psicológicos da pessoa do sexo oposto. Mas, em última análise, existe para nos conduzir à pessoa que possui esses atributos – não apenas aos atributos em si.

As manifestação do impulso sexual, portanto, nos colocam diante de uma decisão entre amar a pessoa , ou  usá-la devido a seus atributos.

Por exemplo:

“Digamos que Bill conhece Sally no trabalho, e rapidamente se sente atraído pela sua beleza e personalidade encantadora. Bill pode escolher entre se elevar acima dessa reação sexual inicial e ver nela mais do que apenas seu corpo e sua feminilidade. Ao olhar além dos atributos físicos e psicológicos que lhe dão prazer, ele tem a possibilidade de vê-la como uma pessoa, e responder a ela com atos de amor desinteressado.Por outro lado, Bill pode experimentar a atração sexual e escolher a fixação nas qualidades físicas e psicológicas que lhe dão prazer. Fixando-se na sua beleza e no seu charme feminino – e no prazer que deles deriva – ele se distrai, perde a capacidade de ver Sally como ela realmente é, não consegue mais amá-la como uma pessoa. Ele pode ser gentil com ela, mas está, ao menos em algum grau significante, fazendo isso a fim de receber algum prazer sensual ou emocional derivado da proximidade para com ela. No final das contas, portanto, Bill a está usando como fonte de prazer para si.”

O Papa João Paulo II diz que, se a interação entre um homem e uma mulher permanece no nível dessas reações iniciais produzidas pelo impulso sexual, o relacionamento não é capaz de amadurecer para uma comunhão verdadeira de pessoas.

“Inevitavelmente, então, o impulso sexual em um ser humano está sempre no curso natural das coisas que se direcionam a outro ser humano. Se está se direcionando apenas aos atributos sexuais como tais, isso deveria ser reconhecido como um empobrecimento ou mesmo uma perversão desse impulso”.


Esse é um ponto importante para nossos encontros cotidianos com pessoas do sexo oposto.

Seguindo o princípio personalista, o Papa João Paulo II nos lembra como devemos ser cuidadosos a fim de evitar tratar as outras pessoas como potenciais objetos para nosso próprio prazer sensual ou emocional.

Lendo essas linhas, devemos nos perguntar uma questão crucial:

O que faremos quando experimentarmos a excitação da atração sexual por uma particular pessoa do sexo oposto?

O que um homem escolherá fazer quando percebe a beleza física de uma mulher?

O que uma mulher escolherá fazer quando se sente atraída por um homem?

Nesses momentos importantes, podemos fazer a escolha de nos fixarmos nos prazeres sensuais ou emocionais que recebemos do corpo ou da masculinidade ou feminilidade da outra pessoa.

E, ao fazer isso, estaremos vendo a pessoa como um objeto para usufruto pessoal, e assim estaremos caindo no utilitarianismo.

“Ou, ao contrário, podemos procurar cultivar o amor autêntico pela própria pessoa, dirigindo nossa atenção para a pessoa na sua integralidade. Olhando além dos atributos físicos e psicológicos, e vendo a pessoa real, abrimos as portas ao menos à possibilidade de desejar o bem da outra pessoa, como na amizade virtuosa, e nos abrimos a realizar atos de gentileza verdadeiramente altruístas – os quais não dependem da quantidade de prazer que recebemos do relacionamento.”

Com esses insights, o Papa João Paulo II nos lembra que nossas delicadas interações com as pessoas do sexo oposto demandam grande responsabilidade.

“Por essa mesma razão, as manifestações do impulso sexual no ser humano devem ser avaliadas no plano do amor, e qualquer ato que dele se origina forma um elo na corrente da responsabilidade, a responsabilidade pelo amor”.

Nas próximas reflexões, exploraremos os insights do Papa João Paulo II sobre como podemos, na prática, dirigir nossa atenção para a pessoa, não apenas para seus atributos sexuais, a fim de acolher o amor e a responsabilidade autênticas por aqueles que estão perto de nós.

*O Autor: Edward P. Sri é professor assistente de Teologia do Benedictine College, em Atchison, Kansas, Estados Unidos, e autor de vários livros de Teologia e espiritualidade.


Traduzido de: http://www.catholiceducation.org/articles/marriage/mf0076.html
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