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Pergunta que não Cala: Se Deus é Bom - Por que permite a CONDENAÇÃO ETERNA ? (William Lane Craig)

Written By Beraká - o blog da família on quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012 | 22:01



“Confio na justiça de Deus. Não acho que poderia existir alguém que fosse mais reto ou justo que Deus. Tenho a plena certeza em sua decisão”.

Agora isto é verdadeiro. Deus é reto. Totalmente justo. Ele não tem contas a acertar. Não está aí para pegar você. Ele é o mais competente, inteligente, imparcial e mais justo juiz que você terá.

Ninguém terá uma decisão bombástica numa cadeira durante o julgamento de Deus. Todos os humanos podem ficar garantidos de uma justiça absoluta.

Mas isto é precisamente o problema! Porque a justiça de Deus expõe a inadequação humana.

A Bíblia diz que todas as pessoas falharam em viver a lei moral divina e então se encontram culpados perante Deus.

A palavra bíblica para esta falha moral é pecado. A Bíblia diz que “Todos estão debaixo do poder do pecado.

Não há um justo; não, um justo sequer; todos se extraviaram, e juntamente se fizeram inúteis. Todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Romanos 3:10, 12 e 23).

Então percebemos que estamos debaixo da lei da justiça divina. Você colhe o que planta.

A Bíblia diz, “Não se enganem; Deus não se deixa escarnecer. Aquilo que o homem plantar, isso também colherá. O que planta na sua carne, da carne colherá a corrupção; mas o que semeia no Espírito, do Espírito colherá a vida eterna”, (Gal. 6:7-8).

O profeta Ezequiel declarou, “a alma que pecar essa morrerá” (Ez. 18:4), e o apóstolo Paulo ecoa, “O salário do pecado é a morte” (Rom. 6:23). Você colhe o que planta. Você colhe o que planta. Está é a justiça em sua forma mais pura.

O único problema é que ninguém é perfeito! Então, se confiamos somente na justiça de Deus, nos afundaremos!

Não há ninguém que mereça ir ao céu. Ninguém é bom o bastante!

Portanto, devemos colocarmo-nos na misericórdia de Deus. Mesmo quando somos culpados e merecemos morrer, Deus ainda nos ama. Algumas vezes as pessoas tem a idéia de que Deus é um tipo de tirano cósmico lá em cima, querendo pegar-nos. Mas esta não é a compreensão cristã de Deus.

Escute o que a Bíblia diz, “’Desejaria eu, de qualquer maneira, a morte do ímpio?’Diz o Senhor Deus, ‘Não desejo antes que se converta dos seus caminhos e viva? Porque não tenho prazer na morte do que morre’, diz o Senhor Deus, ‘convertei-vos, pois, e vivei. Dize-lhes: Vivo eu, diz o Senhor DEUS, que não tenho prazer na morte do ímpio, mas em que o ímpio se converta do seu caminho, e viva. Convertei-vos, convertei-vos dos vossos maus caminhos; pois, por que razão morrereis, ó casa de Israel? (Ez. 18.23,32; 33.11).

Aqui Deus invoca literalmente as pessoas para retornarem de seus caminhos destrutivos e serem salvos.

E no Novo Testamento diz, “o Senhor não está querendo que alguns se percam, senão que todos venham a arrepender-se” (2 Pedro 3:9). “Quer que todos os homens se salvem, e venham ao conhecimento da verdade” (1 Tim. 2:4).


Agora, o oponente da doutrina do inferno deve admitir que dada a liberdade humana, Deus não pode garantir que todos serão salvos. Algumas pessoas podem condenar livremente a si mesmas ao rejeitar a oferta de salvação de Cristo.

Mas, ele pode argumentar, seria injusto que Deus condenasse as pessoas para sempre. Pois até mesmo pecados graves como aqueles dos torturadores nazistas nos campos de concentração ainda merecem somente uma punição finita.

Portanto, no máximo, o inferno poderia ser um tipo de purgatório, durando um período de tempo apropriado para cada pessoas antes que esta pessoa esteja liberada e seja levada ao céu. Finalmente, o inferno poderia estar vazio e o céu, cheio.

Agora, trata-se de uma objeção interessante, porque defende que o inferno é incompatível, não com o amor de Deus, mas com Sua justiça. A objeção é dizer que Deus é injusto porque a punição não se adequou ao crime.

Trata-se também de uma objeção persuasiva, que poderia ser evitada por adotar a doutrina do aniquilacionismo.



Alguns teólogos cristãos crêem que o inferno não é a separação eterna de Deus, mas sim a aniquilação do condenado. O inimigo condenado simplesmente deixa de existir, enquanto aos salvos é dada a vida eterna.

Agora, enquanto não sou desta opinião particularmente, representa uma forma na qual você poderia ir contra o vigor desta objeção.

Mas a objeção é persuasiva por si mesma? Acredito que não – Por que ?

1) A objeção equivoca-se entre todo pecado o qual cometemos e todos os pecados que cometemos. Podemos concordar que todo pecado individual que uma pessoa comete merece comente uma punição finita. Mas não segue disto que todos os pecados de uma pessoa juntos como um todo merece somente uma punição finita. Se uma pessoa comete um número infinito de pecados, então a soma total de tais pecados merece uma punição infinita. Agora, claro, ninguém comete um número infinito de pecados na vida terrena. Mas que tal na vida após a morte? Na medida em que os habitantes do inferno continuam a odiar a Deus e rejeitá-Lo, continuam a pecar e por isso acumular a eles mesmos mais culpa e mais punições. Em um sentido real, então, o inferno é perpétuo por si mesmo. Neste caso, cada pecado tem um castigo finito, mas porque o pecado se prolonga, assim o faz a punição.


2) Por que pensar que todo pecado tem somente uma punição finita?

Podemos concordar que pecados como roubo, mentira, adultério, e assim por diante, são somente consequências do finito e então, somente merecem uma punição finita. Mas, em outro sentido, esses pecados não são o que serve para separar alguém de Deus. Porque Cristo morreu por aqueles pecados. A penalidade por aqueles pecados foi paga Tem-se que aceitar a Cristo como Salvador para ser completamente livre e limpo daqueles pecados. Mas a recusa ao aceitar a Cristo e Seu sacrifício parece ser um pecado de uma ordem completamente diferente. Pois este pecado decididamente separa alguém de Deus e de Sua Salvação. Rejeitar a Cristo é rejeitar ao próprio Deus. E este é um pecado de gravidade e proporção infinitas e, portanto, merece uma punição infinita. Devemos, então, não pensar no inferno primeiramente como punição pela matriz dos pecados de consequências finitas os quais cometemos, mas sim, como o que é justo e devido a um pecado de consequência infinita, a saber, a rejeição do próprio Deus.


2) Por fim, é possível que Deus permitisse que o condenado deixasse o inferno e fosse ao céu, mas eles livremente recusam-se a isso. É possível que pessoas no inferno cresçam somente mais implacavelmente em sua ira por Deus assim que o tempo passa. Em vez de se arrependerem e de pedirem a Deus por perdão, eles continuam a amaldiçoá-Lo e rejeitá-Lo. Assim, Deus não tem escolha senão deixá-los onde estão. Neste caso, a porta do inferno está trancada, como John Paul Sartre disse, de dentro. O condenado assim escolhe a separação eterna de Deus. Então, novamente, assim como nenhum desses cenários é possível, invalida a objeção que a justiça perfeita de Deus é incompatível com a separação eterna de Deus.

3)-Mas talvez a este ponto, o oponente a doutrina do inferno poderia tentar uma última objeção. Considerando que não é nem falta de amor nem de justiça de Deus para criar um mundo no qual algumas pessoas rejeitam a Ele de livre vontade, sempre, e como fica o destino daqueles que nunca ouviram sobre Cristo?
Como Deus pode condenar as pessoas que, não por causa delas, nunca tiveram a oportunidade de receber Cristo como seu Salvador? A salvação ou a condenação de um pessoa assim, parece ser o resultado de um acidente histórico e geográfico, o qual é incompatível com um Deus amoroso.

A objeção é, no entanto, falaciosa, porque afirma que aqueles que nunca ouviram sobre Cristo são julgados na mesma base daquele que ouviram. Mas a Bíblia diz que o não-alcançado será julgado em uma base bem diferente da base daqueles que ouviram o evangelho. Deus julgará o não-alcançado na base da resposta deles a auto-revelação na natureza e na consciência. A Bíblia diz que a partir do fim, Deus nos criou sozinho, todas as pessoas podem saber que um Deus Criador existe e que Deus implantou sua lei moral nos corações das pessoas, para que eles ficassem inescusáveis a Deus. (Rom. 1.20; 2.14-15). A Bíblia promete salvação para todo aquele que responder afirmativamente à sua auto-revelação de Deus (Rom. 2.7).

Agora, isto não significa que eles podem ser salvos sem a graça do sacrifício universal de Cristo. Em vez disso, signica que os benefícios do sacrifício de Cristo pode ser aplicado a eles sem seu conhecimento consciente de Cristo. Eles seriam como o povo no Antigo Testamento, antes de Jesus vir, que não tinha o conhecimento consciente de Cristo, mas que estava salvo na base de seu sacrifício através de suas respostas à informação que Deus tinha revelado a eles. E assim, a salvação está verdadeiramente disponível a todas as pessoas em todos os tempos. Tudo depende de nossa escolha livre.

Nenhum cristão aprecia a doutrina do inferno, porém a aceita como revelação da Justiça de Deus.
Fingir que as pessoas não são pecadoras e não têm necessidade de salvação seria cruel e enganoso como fingir que todo mundo fosse saudável mesmo quando soubessem que têm uma doença fatal da qual soubessem a cura.

A questão perante nós hoje não é, portanto se gostamos da doutrina do inferno; a questão é se a doutrina é possivelmente verdadeira.

Argumentei que nenhuma inconsistência existe entre os conceitos cristãos de Deus e inferno.

William Lane Craig
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