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O Império da Besta e a Antropologia Personalista de João Paulo II

Written By Beraká - o blog da família on sexta-feira, 19 de agosto de 2011 | 11:00



 " A Vossa verdadeira identidade está escondida em Cristo Jesus" 
(Col.3,1-4)

A DIALÉTICA ENTRE A EVANGELIUM VITAE DO PAPA JOÃO PAULO II E A ANTROPOLOGIA PERSONALISTA DO FILÓSOFO KAROL WOJTYLA


É curiosa e instigante a ligação que há entre a Carta Encíclica de João Paulo II como papa, provindo de uma experiência vivida num contexto de ideologias amargas, sangrentas, anti-humanas e ditatoriais e, num deserto transparecendo, anacrônico para o momento, num terreno árido marcado pelo secularismo e obscurecido pelo fascínio deslumbrante pelo progresso e pelo desenvolvimento desenfreado, e conduzido por mentes cegas e obsessivas, voltadas unicamente para a horizontalidade histórica tendo como base a sede de poder.

O século XX se caracterizou por excentricidades, contrastes e permeados por ideologias de fundo patológico. Na verdade foi a efetivação e materialização mais objetiva do “iluminismo” na lógica de sua raiz epistemológica.

Dentro da visão secularista e dessacralizadora desapareceram nos fragmentos das diversas ideologias a “pessoa” como alguém com dignidade. “[...]

O filósofo Karol foi um dos que resistiram à pragmática dos receituários tanto quanto a um cinismo que iria embriagar boa parte de almas mais sensíveis. [...] o conceito de pessoa por ele desenvolvido, partindo da ação e indo até as estruturas, até os ‘dinamismos’ de sua realização em comunidade, em horizontes de bem comum, é praticamente uma conquista de um alpinista do espírito, escalando a materialidade da história” (SILVA, Paulo Cesar. A antropologia personalista de Karol Wojtyla. p.14. UNISAL. 2005).


PONTOS CHAVE DA CONCEITUAÇÃO DE PESSOA EM WOJTYLA

A ciranda de conceitos ideológicos vividos desde a sua juventude, com certeza, tem marcado a vida de Wojtyla para uma visão de antropologia personalista peculiar, onde procura discernir o ponto de convergência de ser humano, em alto mar sob ondas gigantes, cuja pessoa nesse contexto se encontrava num efêmero barco jogado para todos os lados, pelas ondas encapeladas, evidenciando assim a exaustão de uma cultura confusa, acadêmica, centrada por um lado no pensamento positivista e, por outro, pelo materialismo dialético do Leste Europeu, que dizimou milhões de vidas em nome de uma concepção de mundo teórica, desvinculada da dignidade da pessoa humana como alguém de valor em si.

Os mercados culturais alternativos têm ocupado atenção dos órgãos financiadores da pesquisa, como a da imprensa livre-pensadora e o da indústria publicadora, de modo que os boicotes ao pensamento que batia de frente a certas ideologias que careciam de clareza conceitual sobre a pessoa e tentavam abortar. Urge “[...] recompor a volta do pensamento cristão como interlocutor de uma sociedade que já começa a se cansar de seu excesso de liberdade [...]. 




É importante frisar que temos uma geração de intelectuais que pouco fala do “humanismo cristão”. Karol Wojtyla iniciou esse novo embate frente ao modismo dos pensadores livres que obscureceram o verdadeiro sentido de “pessoa” no contexto do mundo e da história, na tentativa de transformá-la em um mundo melhor, mais humano e feliz.

Dr. Lino Rampazzo classifica Wojtyla em dois elementos básicos em seu pensamento filosófico:

1. O homem como pessoa 


2. O amor-doação que só ele, o torna verdadeiramente “pessoa”.

Rampazzo, é o que faz a apresentação da obra de Paulo Carlos da Silva,”A antropologia Personalista de Karol Wojtyla. Ele faz uma observação que considero fundamental para compreender esse aspecto de Wojtyla ao mostrar um paralelo entre o conceito de “homem como pessoa”, que nasce somente no âmbito do pensamento cristão, pois, segundo ele, no antigo pensamento grego e, na época moderna, é substituído pelo conceito de “indivíduo”. Ora, Wojtyla diz: “[...] o ser humano não pode ser reduzido a um “indivíduo da espécie”.

Há nele ‘algo mais’, a saber, ‘uma plenitude e perfeição de ser’ que se expressam com o termo ‘pessoa’” (apud SILVA, p.16, 2005). E Rampazzo ainda afirma: “[...] Essa pessoa, é o reflexo divino da Santa Trindade, que é a “interação absoluta entre três Pessoas”, que se expressa na interação entre o ‘eu’ e o ‘tu’ e leva à ‘solidariedade’, à ‘comunhão’ e ao ‘amor-doação’”.

Portanto em suma: “Quem ama procura o ‘bem do outro’. E o amor perfeito chega a sua perfeição quando se liga ao grande outro, Deus. Pois, somente Ele é que pode preencher e satisfazer o coração humano. Essa dimensão precisa ser mais desenvolvida na atualidade que no momento, cega pelo pensar livre e sem critérios objetivos, conduz as pessoas ao labirinto do sem-sentido.

Daí as depressões patológicas, doenças estranhas que não são diagnosticadas pela medicina convencional, pois, vai além do pensável e demonstrando, com isso, de que a ciência, seja de qualquer natureza, não é detentora de certezas e sim de provisoriedade.

Wojtyla imerso nesse contexto político-sócio econômico de seu tempo aprendeu que: “[...] os delirantes ensaios de liberdade com que o individualismo seduzia levas e levas de consumidores industrializados, encontra em sua geração de prontidão, uma consciência advertida diante dos sonhos de conquista da Razão. [...] aprendeu a prever o desenlace bélico do confronto das diferenças e a fragilidade das vias de diálogo e cooperação [...] para uma elaboração mais sistematizada da Verdade. (SILVA, p. 14, 2005).

PRESSUPOSTOS DO PENSAMENTO DE WOJTYLA QUE VÃO DESEMBOCAR NA ENCÍCLICA EVANGELIUM VITAE

A experiência do filósofo Wojtyla num parâmetro em que a ideologia supera a noção de pessoa, amadureceu seu pensamento, que irá anos após expressar como Papa João Paulo II na condução e líder máximo da Igreja, foi um homem respeitado por todas as crenças e tendências mostrando que no bojo de sua experiência, muitas cruéis, duras e sem meias-medidas, que o ponto convergente para contrapor essa realidade fria e embebida numa visão sócio-política e econômica marcada por interesses lucrativos, ele com determinação frisa a importância da pessoa.

PESSOA:

1. É o referencial que possibilita entender o lugar do homem no mundo. Foi considerado o filósofo da pessoa.
2. O mistério do homem se revela na pessoa.
3.O ser humano se tornou, o eixo do entendimento de todo o real.
4. A filosofia do ser com as da filosofia da consciência devem receber a atenção especial daqueles que investigam a possibilidade de se estabelecer um vínculo entre a esfera da subjetividade e dos produtos humanos, com o escopo de se alcançar a autêntica auto-transcendência.
5. O homem-pessoa contrapõe os reducionismos antropológicos, que, por sua, natureza parcial, dificultam e comprometem a realização da pessoa humana. Portanto, acena a uma visão de pessoa aberta e estimula novas pesquisas que objetivem sua confirmação na esfera do humano.
6. A ação revela a pessoa. Portanto: PESSOA-ATO. São indissociáveis. O ato é a porta de entrada para a compreensão da pessoa. A pessoa é conhecida a partir dos seus atos. E a pessoa é entendida como sujeito responsável e consciente da ação.

7. A consciência é um dos elementos constitutivos e distintivos da pessoa humana, pois, suas convicções é que a atividade do conhecer não pertence à consciência .
A CONTRIBUIÇÃO DE KAROL WOJTYLA NO RESGATE DA FILOSOFIA ANTROPOLÓGICA PERSONALISTA

O século XX se caracterizou por muitos acontecimentos ambíguos na busca desenfreada de um desenvolvimento que nem sempre teve critérios humanos. Foi um período marcado fortemente por um crescimento desconexo no que diz respeito aos valores e princípios de uma sociedade sadia e equilibrada. Ideologias das mais diversas tendências, com conseqüências desastrosas, com milhões de vidas ceifadas em nome das mesmas, sem um fundamento baseado na dignidade e liberdade das pessoas, duas grandes guerras que arrasaram principalmente o mundo Ocidental. O entusiasmo diante do progresso material da sociedade, obscureceu, com certeza, o fim último para o qual o ser humano foi criado, ou seja, “ser feliz”. A cultura do século XX, praticamente teve sua base principal inspirada nos princípios ideológicos do “Iluminismo”, que prescindia de uma visão ampla da realidade humana. O ser humano sofreu na sua conceituação filosófica, sociológica um reducionismo de tal envergadura, que o homem como “pessoa” foi engolido no nevoeiro do secularismo, da dessacralização, do relativismo e do subjetivismo. Sem margem de dúvida, isso empobreceu a sociedade como um todo. A economia tomou as rédeas para dizer o que é ético ou não, e o ser humano acabou sendo também uma mercadoria, ou seja, vale quanto produz e segundo a sua eficiência.

NA CONTRACORRENTEZA DA HISTÓRIA SURGE A FIGURA DE UM HOMEM
A força dos meios de comunicação que tomou proporções gigantescas, assim como o monopólio dos mesmos nas mãos de alguns que detinham poder de barganha, conduziu a sociedade de então para um labirinto hermeticamente fechado, com objetivos escusos e suspeitos. Esses meios de comunicação de massa se tornaram incontroláveis o trânsito de valores e princípios que fossem transparentes. Esse poder de fogo dos meios de comunicação administravam as famílias, as comunidades de crenças, a cultura, as corporações de trabalho e etc. Infelizmente isso ainda hoje é uma realidade presente, até porque a tecnologia da comunicação aumentou seu poder de fogo e domínio sobre a sociedade, através da internet, Orkut, MSN, Skype e etc. Precisamos aprender novamente a pensar de forma crítica a epistemologia dos princípios culturais que estão na berlinda, tentando fazer a história segundo a imagem e semelhança, de quem? E para onde? Ao vermos: “[...] Um mundo onde o alarido da ética mascara a dignidade da pessoa humana, privando-a daquelas tradicionais situações de pertencimento e identidade; retirando-lhe o repouso, a paz, a morte, reunindo pobres ou ricos, numa grande e miserável leva de expropriados, de excluídos da herança humana” (SILVA, Paulo Cesar. A antropologia personalista de Karol Wojtyla. p. 11. UNILASAL. 2005). No bombardeio de inúmeras ideologias exóticas e transversais, a própria filosofia se instrumentalizou para outros interesses em vez da busca da Verdade,então, surge a figura de Wojtyla, na contramão de uma cultura que relativiza a “Verdade última” e, aliás, como poucos nesse tempo, teve a coragem e a determinação de ultrapassar o academicismo e a indolência da meditação da “Verdade”, que infelizmente as próprias Instituições educacionais Católicas, parecem ter perdido o sentido de sua missão, como evangelizadoras da cultura. Diz o autor acima citado: “[...] Meio fora de moda falar de “Verdade” para uma cultura que se diz pluralista e infinitamente tolerante, sempre à cata do “politicamente” (e do sexualmente, do religiosamente, do culturalmente correto”, verifica-se pecados que clamam aos céus por justiça e que se acumulam sobre nossas cabeças” (SILVA, 2005). Wojtyla, sem margem de dúvida foi uma das figuras mais complexas e desafiadora para um mundo embebido no relativismo, onde trouxe sua amarga experiência de uma sociedade de sabor mecanicista e materialista. “Tudo é graça”, como diz São Paulo, o surgimento na hora certa de um homem extraordinário como João Paulo II, depois como Papa da Igreja.

A LIDERANÇA DE UM HOMEM QUE APROVEITOU DE SEU CARISMA DE ARTISTA E PENSADOR
          A grande marca registrada de Karol Wojtyla, sem dúvida, foi sua fidelidade em defender a “pessoa”, “[...] Sem nunca cair na fácil tentação da via larga do discurso ético, artigo simpático no mercado das bandeiras e das causas, algo ressentido com um o que “deveria ser diferente” (SILVA, 2005). Toda essa situação mostra a visão que João Paulo II, tinha com muita clareza e vendo que havia uma imaturidade espiritual, fonte de tanto ativismo e tanta pastoral adolescente, que comprometia a vida de oração. A prova disso transparece muitas vezes e ainda hoje com a esterilidade e às vezes com pieguice. Mas a personalidade firme e terna desse homem mostrou a toda Igreja e a sociedade uma rara integridade como um dos traços mais notáveis do seu perfil de homem de Deus e de profeta para um mundo indiferente e relativista. O pensamento de João Paulo II foi gestado e marcado por correntes de filosofia e por muitos ensaios de ideologia, como o materialismo histórico, o espiritualismo, o personalismo, o liberalismo, como diz o autor acima citado, “[...] negociados sem muitos escrúpulos, ora sob formas humanistas, ora sob totalitarismos, que lutavam pelo controle das coordenadas maiores da civilização” (SILVA, 2005, p.12). Essa forma dele ser, mediando entre a filosofia do ser e a filosofia da consciência, arrastou parte da intelectualidade do século XX, a estudar a mútua limitação de sujeito e objeto. Precisamos aprender e conhecer melhor a permanência desse homem tantos anos na liderança da Igreja com seu carisma. Fica clara a mão de Deus. (continua no próximo artigo). Pense e reflita!

Paróquia São Lourenço Mártir – Linha Imperial – Nova Petrópolis – RS
Pe. Ari Antônio da Silva – Vigário Paroquial
Doutor em Filosofia – UPSA – Salamanca – Espanha



A concepção antropológica de João Paulo II a partir da encíclica Redemptor Hominis


Manuel José do Carmo Ferreira

*Professor Catedrático da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa

Uma fenomenologia da condição humana: O ponto de partida da reflexão antropológica que suporta o documento papal, e que vai estruturar muitas outras intervenções ao longo do Pontificado, estabelece três vectores de análise que são, ao mesmo tempo, as dimensões constituintes da manifestação da realidade humana: a própria experiência do homem, a razão e o sentido da dignidade
.

Em articulação com sua formação acadé-mica na área da fenomenologia (as teses sobre Max Scheler e sobre ‘a pessoa que age‘), João Paulo II não apenas destaca do plano vivencial os universais nele contidos como amplia o próprio conceito de experiência de modo a que ela integre toda a produção intencional do ser humano, convertendo-se então em sinónimo de história ou de cultura, o horizonte da experiência integral do homem.

A Cultura humana, manifestando-se numa essencial proliferação de culturas e de uma congénita diversidade no seio de cada cultura, é efectivamente matriz de identidade e autêntica fenomenologia da verdade do homem: a natureza deste, em sentido estrito, é ser cultura, pois tudo o que somos, somo-lo culturalmente, mesmo no que transcende todas as culturas.

Da condição humana assim perspe-ctivada, o Papa insiste privilegiadamente na vivência do tempo, do tempo individual e do tempo colectivo, da tradição e da actualidade, da memória e da esperança, da biografia, da história e da aventura.


E o tempo é inquietação radical e consubstancial ambiguidade: experiência de uma caducidade, intrínseca à natureza criada ou provocada pela iniciativa dos homens, de uma morte multiforme, anunciada ou antecipada pela malevolência dos homens; mas é também oportunidade de criação e nele « pulsa aquilo que é mais profundamente humano: a busca da verdade, a insaciável necessidade do bem, a fome da liberdade, a nostalgia do belo e o apelo da consciência » ( Redemptor Hominis, nº 18 ).


A situação da nossa época actualiza esta «natureza dialéctica fundamental do cuidado do homem pelo homem»: em face de realizações tremendas do génio humano emerge em novas formas e com uma seriedade inédita a alternativa crucial entre a promessa e a ameaça, o progresso e a regressão, a liberdade e a alienação, o entusiasmo e o medo, a cultura da vida e a anti-cultura da morte.

A presença destas tensões acompanha a génese da consciência de si; mas, na perspectiva do Papa, esta atenção si exige o “diálogo“, ou seja, o reconhecimento do outro, sem se deter aí, pois importa passar ao “ colóquio “, essa comunhão a muitas vozes de um encontro essencial.


A razão da humanidade: o fenómeno humano alude a um modo de ser diferenciado em planos: em primeiro lugar à singularidade irredutível de uma existência, “ cada homem “; depois, à totalidade da espécie, que não é mera colecção de indivíduos, “ todos os homens “; por último, à humanidade em qualquer dos seres humanos, fundamento do reconhecimento de uma mesma origem e de um idêntico destino de uma unidade, identidade e comunidade insecantes. O discurso antropológico não pode omitir nenhum destes sedimentos de sentido.

Da constituição do humano, João Paulo II releva primariamente a corporeidade: o homem é, segundo a expressão de Malebranche “um espírito encarnado“, e o Papa, subvertendo séculos de plato-nismo popularizado e de espiritualismo descarnado, afirma luminosamente, a propósito da frase “ O espírito é que vivifica, a carne para nada serve “, «estas palavras, malgrado as aparências, exprimem a mais alta afirmação do homem: a afirmação do corpo, que o espírito vivifica» (Red. Hom., nº 18 ).


O corpo singulariza e faz comunicar: a socialidade, como condição de possibilidade mesma de emergência do humano como tal, «desde o momento da sua concepção», integra-o numa rede de contactos, situações e estruturas sociais que não só o determinam, mas o identificam como solicitação a uma resposta. A institucionalidade, que estabiliza e alarga as relações sociais no âmbito de povos e nações, não é um elemento exterior e formal da existência humana, mas a viabilização mesma da sua realidade cultural. Todos estes lugares do humano são operadores da sua própria humanidade como processo histórico, plural e de apropriação por pertença.

A dignidade como iniciativa e pertença: este conceito designa na encíclica a protagonização da própria história, nos planos pessoal, comunitário e social e ainda como membro do género humano; é assim assimilável ao conceito de liberdade, impedindo este de se confundir quer com o recuo egoísta quer com a expansão da vontade de poder; ele descreve a passagem do instinto de auto-afirmação à vontade cultivada de aceder a si pela realização do que torna comum e não segrega. Três traços definem, segundo o Papa, os contornos de uma existência em liberdade: o primado do Direito no espaço público, a exigência da Ética na promoção de humanidade, e a criação da beleza da Arte como transfiguração do humano. No horizonte, a experiência da Fé que abre para a derradeira verdade do homem.

A experiência religiosa revela-se coextensiva à história da humanidade: na pluralidade das suas expressões apontam a mesma convergência do sentido de Deus e do sentido do humano.

Testemunham que o homem não fica prisioneiro de si mesmo, mas que se ultrapassa infinitamente e é capaz de redenção; a fé dos cristãos vê como ela «produz no homem frutos de profunda maravilha perante si próprio. [ ... ]. Aquela profunda estupefacção a respeito do valor e da dignidade do homem chama-se Evangelho» ( Red. Hom. nº 10 ).


Manuel José do Carmo Ferreira, Professor Catedrático da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa


Fonte Ecclesia


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Neste Apostolado promovemos a “EVANGELIZAÇÃO ANÔNIMA", pois neste serviço somos apenas o Jumentinho que leva Jesus e sua verdade aos Povos. Portanto toda honra e Glória é para Ele.Cristo disse-nos:Eu sou o caminho, a verdade e a vida e “ NINGUEM” vem ao Pai senão por mim." ( João, 14, 6).Como Católicos,defendemos a verdade, contra os erros que, de fato, são sempre contra Deus.Cristo não tinha opiniões, tinha verdades, a qual confiou a sua Igreja, ( Coluna e sustentáculo da verdade – Conf. I Tim 3,15) que deve zelar por elas até que Cristo volte.Quem nos acusa de falta de caridade mostra sua total ignorância na Bíblia,e de Deus, pois é amor, e quem ama corrige, e a verdade é um exercício da caridade.Este Deus adocicado,meloso,ingênuo, e sentimentalóide,é invenção dos homens tementes da verdade, não é o Deus revelado por seu filho: Jesus Cristo.Por fim: “Não se opor ao erro é aprová-lo, não defender a verdade é nega-la” - ( Sto. Tomáz de Aquino)

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