O Catecismo da Igreja Católica ensina que o matrimônio possui duas finalidades essenciais que não se opõem, mas se completam e se complementam de modo harmonioso: o bem dos cônjuges e a geração e educação dos filhos. Contudo, na ordem lógica e personalista, vem em primeiro lugar o bem dos esposos, isto é, a comunhão de vida e amor entre o homem e a mulher, pois é dessa união estável, fiel e madura que nasce o ambiente adequado para a acolhida e formação dos filhos. O Bem querido por excelência, e almejado pelos esposos, é a santificação e salvação.
Essa prioridade aparece também na própria prática da Igreja, que nunca negou o matrimônio a pessoas idosas ou estéreis, justamente porque o casamento não existe apenas para a procriação, mas também para a ajuda mútua, a santificação recíproca e a construção de uma verdadeira amizade conjugal. Se a procriação fosse a única finalidade principal, tais matrimônios não fariam sentido, mas a tradição cristã sempre reconheceu que o amor conjugal tem valor em si mesmo como vocação e caminho de santidade.
Entretanto, é fundamental compreender que o “bem dos cônjuges”, na perspectiva católica, não significa simplesmente uma vida confortável, emocionalmente agradável ou centrada apenas na satisfação pessoal.
O verdadeiro bem do casal, segundo a visão cristã, inclui o crescimento moral e espiritual, a vivência das virtudes, a capacidade de sacrifício e, sobretudo, a busca da santidade. O matrimônio não é apenas um espaço de felicidade humana, mas um caminho de santificação e salvação. Por isso, os esposos são chamados a serem instrumentos da graça de Deus um na vida do outro, ajudando-se mutuamente a corrigir defeitos, a crescer nas virtudes, a praticar o perdão, a carregar as cruzes da vida e a perseverar na fé.
O verdadeiro amor conjugal cristão não consiste apenas em fazer o outro feliz nesta vida, mas em ajudá-lo a chegar ao Céu. Assim, o bem dos cônjuges inclui essa missão sobrenatural: um ajudar o outro a se santificar, lembrando que o amor cristão não é apenas sentimento, mas também compromisso com o bem eterno da pessoa amada.
Grandes moralistas da Igreja trataram desse tema com muito
equilíbrio, especialmente Santo Afonso Maria de Ligório, Doutor da Igreja e um
dos maiores teólogos morais do catolicismo. Em sua obra clássica
"Theologia Moralis", ele trata dos deveres conjugais (debitum
conjugale), explicando que o matrimônio envolve "direitos e deveres recíprocos" também na vida íntima, sempre dentro da caridade e do respeito mútuo.
-O PROBLEMA: Algumas visões equivocadas fizeram muitos
pensarem que o sexo no casamento seria apenas uma concessão tolerada para ter
filhos. Isso nunca foi o ensinamento oficial da Igreja.
-O PROBLEMA: Existe o mito de que o prazer seria algo tolerado
apenas como efeito colateral do ato conjugal. A teologia moral ensina o
contrário.
O PROBLEMA: Santo Afonso critica atitudes egoístas dentro do
matrimônio, especialmente quando um dos
cônjuges busca apenas sua própria satisfação, ignorando o outro. Isso é visto como falta de caridade
conjugal.
-O PROBLEMA: Algumas culturas reduziram a mulher a um papel
passivo ou secundário na intimidade conjugal. A teologia moral católica
clássica nunca aprovou isso.
-O QUE ENSINA SANTO AFONSO: O ato conjugal deve
"respeitar a dignidade de ambos os esposos", pois o matrimônio é uma
sociedade de amor e justiça.
O orgasmo feminino no matrimônio na perspectiva da Moral
Cristã
"Quando a esposa não alcança a satisfação durante o ato
conjugal, ela não peca se posteriormente busca essa satisfação como continuação
moral do ato conjugal, desde que isso esteja ordenado ao matrimônio e não a um
prazer desordenado ou separado da intenção conjugal."
"A esposa pode licitamente buscar a satisfação como
complemento do ato conjugal já realizado, quando isso se ordena ao fim
matrimonial e não a um prazer desordenado." (síntese doutrinal baseada na
tradição moral que ele sistematiza)
Por isso, a perspectiva
cristã evita dois extremos:
– nem despreza a dimensão do prazer como se fosse algo impuro;
– nem absolutiza o prazer como se fosse a finalidade principal.
A verdadeira moral católica não demoniza o corpo nem o prazer.Ela
condena apenas:
Como ensina São Paulo: 1 Coríntios 13,5: "O amor
não busca seus próprios interesses."
Conclusão
Diante de tudo o que foi refletido, torna-se evidente que o fracasso de um casamento raramente acontece por um único grande motivo, mas quase sempre pelo acúmulo de pequenas negligências que, ao longo do tempo, vão desgastando aquilo que deveria ser protegido com prioridade: o amor, o respeito, o diálogo e a presença de Deus no centro da vida conjugal.
O matrimônio cristão não é sustentado apenas por sentimentos, pois os sentimentos oscilam; ele é sustentado principalmente por decisões. Decisão de permanecer, decisão de perdoar, decisão de recomeçar, decisão de dialogar mesmo quando é difícil, e sobretudo decisão de colocar Deus como fundamento permanente da relação. Quando o casal perde essa dimensão espiritual, o casamento corre o risco de se tornar apenas uma convivência funcional, e não mais uma verdadeira comunhão de vida e amor.
Também é importante lembrar que nenhum casamento está imune a crises. Casais felizes não são aqueles que nunca tiveram problemas, mas aqueles que aprenderam a enfrentá-los juntos. A diferença entre casamentos que resistem e casamentos que fracassam muitas vezes não está na ausência de conflitos, mas na forma como eles são enfrentados.
O ensinamento cristão sempre recordou que o amor conjugal não é apenas um sentimento romântico, mas uma virtude que precisa ser cultivada diariamente. Amar, no sentido cristão, significa querer o bem do outro mesmo quando isso exige sacrifício pessoal. Significa trocar o orgulho pela humildade, a acusação pelo diálogo, a indiferença pelo cuidado e o ressentimento pelo perdão.
Por isso, antes de perguntar “por que os casamentos fracassam?”, talvez a pergunta mais importante seja: o que estamos fazendo concretamente para que o nosso não fracasse? Se Deus estiver verdadeiramente no centro, se houver vida de oração, diálogo sincero, maturidade emocional e compromisso com o crescimento mútuo, muitos problemas podem ser evitados ou superados. Como recorda a Sagrada Escritura, a casa construída sobre a rocha resiste às tempestades (cf. Mateus 7,24-27).Que esta reflexão sirva não apenas como diagnóstico, mas como convite à conversão conjugal, pois muitos casamentos não precisam terminar — precisam apenas ser restaurados.
“Ponham
amor onde não há amor e colherão amor “ (São João da Cruz).
ORAÇÃO PELA SANTIFICAÇÃO DO MATRIMÔNIO
"Senhor nosso Deus, que fostes o autor do matrimônio e chamastes o amor humano a ser sinal do vosso amor fiel, nós vos pedimos que santifiqueis nossa união em todas as suas dimensões. Ajudai-nos a viver a paciência nas dificuldades, a fidelidade nas tentações, o perdão nas fraquezas e a caridade nas pequenas coisas do dia a dia.
Concedei-nos a graça de nos respeitarmos mutuamente como templos do Espírito Santo, para que nossa vida afetiva e também nossa intimidade conjugal sejam vividas com amor, dignidade, pureza de intenção e verdadeira doação. Que nunca busquemos apenas a nós mesmos, mas saibamos procurar o bem um do outro, crescendo no amor verdadeiro.
Senhor, fazei do nosso matrimônio um caminho de santificação, onde possamos ajudar um ao outro a crescer nas virtudes, a vencer nossos defeitos e a caminhar rumo ao Céu. Que nossa casa seja lugar de paz, nossa convivência seja escola de caridade e nosso amor um reflexo do vosso amor.
Abençoai nosso corpo, nosso coração e nossa alma, para que tudo em nossa vida seja ordenado segundo a vossa vontade. E que um dia possamos, juntos, contemplar-Vos na eternidade.
Amém.
-AQUINO, Felipe. Família: santuário da vida. Lorena: Cléofas, 2013. (Reflexão pastoral sobre os desafios da família moderna e a importância da espiritualidade no casamento.)
-HORTAL, Jesús. O que Deus uniu: lições de direito matrimonial canônico. São Paulo: Loyola, 1991. (Estudo sobre a natureza jurídica e sacramental do matrimônio, incluindo nulidade, separação e deveres conjugais.)
-JOÃO PAULO II. Familiaris Consortio. São Paulo: Paulinas, 2007. (Exortação apostólica clássica sobre a missão da família cristã no mundo contemporâneo.)
-HAHN, Scott. O amor que dá vida. São Paulo: Loyola, 2009. (Aborda o matrimônio à luz da teologia da aliança e da Sagrada Escritura.)
-SHEEN, Fulton. Três para casar. São Paulo: Ecclesiae, 2016. (Clássico espiritual que ensina que um casamento verdadeiro é formado por marido, esposa e Deus.)
-WEST, Christopher. Teologia do corpo para iniciantes. São Paulo: Cultor de Livros, 2018. (Apresenta a visão de São João Paulo II sobre sexualidade, amor e dignidade do matrimônio.)
-CHAPMAN, Gary. As cinco linguagens do amor. São Paulo: Mundo Cristão, 2013 (Embora ecumênico, é amplamente recomendado por católicos para melhorar a comunicação conjugal.)
-KREEFT, Peter. O amor é mais forte que a morte. Campinas: Ecclesiae, 2015. (Reflexões filosóficas e espirituais sobre o amor sacrificial no matrimônio.)
-ESCRIVÁ, Josemaría. Cristo que passa. São Paulo: Quadrante, 2004. (Inclui homilias sobre a santificação da vida familiar e do matrimônio.)
-FAUS, Francisco. Noivo e noiva para sempre. São Paulo: Quadrante, 2002. (Orientações espirituais e práticas para a perseverança no casamento.)
-CANTALAMESSA, Raniero. A família cristã. São Paulo: Canção Nova, 2012. (Meditações espirituais sobre o papel da família como igreja doméstica.)
-ROSSI, Marcelo. Ágape. São Paulo: Globo, 2010. (Embora devocional, trata do amor como fundamento das relações familiares.)
-BONNIN, Leandro. Matrimônio: caminho de santidade. São Paulo: Ecclesiae, 2017. (Aborda o casamento como vocação espiritual e caminho de santificação.)
-SRI, Edward. Homem, mulher e o mistério do amor. São Paulo: Cultor de Livros, 2015. (Explica o matrimônio à luz da teologia do corpo.)
-HILDEBRAND, Dietrich von. O matrimônio. São Paulo: Ecclesiae, 2014. (Análise filosófica profunda sobre a natureza do amor conjugal e sua dimensão moral.)
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Resume tuuuudooo:
"Se o Senhor não edifica a casa, em vão trabalham os que a edificam..." (Salmo 127)
Naltércio Sampaio - MG
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