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Por que Boris Fausto continua sempre respeitado nas bancas acadêmicas de história?

Written By Beraká - o blog da família on sábado, 24 de janeiro de 2026 | 18:43

 

(foto reprodução)

por *Franzé 


Boris Fausto nasceu em 1930, na cidade de São Paulo, em uma família de imigrantes judeus oriundos da Europa Oriental. Esse contexto familiar, marcado pela experiência da diáspora, do trabalho urbano e da valorização da educação, exerceu influência decisiva em sua sensibilidade histórica, especialmente no interesse por temas como Estado, sociedade, autoritarismo e conflito social. Embora não tenha sido um intelectual religioso no sentido confessional, Fausto manteve ao longo de sua vida uma postura humanista, laica e racional, orientada pela defesa da democracia, do pluralismo político e da análise crítica dos fenômenos históricos, sempre distante de dogmatismos ideológicos.  



Sua formação acadêmica foi relativamente tardia quando comparada a outros historiadores de sua geração. Inicialmente, Boris Fausto graduou-se em Direito pela Universidade de São Paulo (USP), exercendo a advocacia por alguns anos. Contudo, o interesse pela História acabou se impondo, levando-o a ingressar na carreira acadêmica já adulto. Realizou seu doutorado em História na USP, instituição na qual também se tornou professor e pesquisador, integrando um dos centros mais importantes da historiografia brasileira



Essa trajetória híbrida — entre o Direito e a História — contribuiu para sua escrita clara, estruturada e fortemente preocupada com causalidade, instituições e processos políticos.  Intelectualmente, Boris Fausto posicionou-se de maneira crítica em relação às leituras excessivamente economicistas ou ideologizadas da história brasileira, especialmente aquelas inspiradas em versões rígidas do marxismo. 



Sem negar a importância das estruturas sociais e econômicas, ele defendeu uma historiografia mais equilibrada, que considerasse o papel do Estado, das elites políticas, das instituições e da cultura política. Essa postura o aproximou de uma tradição historiográfica plural e analítica, influenciada por autores como Max Weber, pela história social britânica e pela renovação metodológica promovida pela Escola dos Annales, sem jamais aderir de forma acrítica a qualquer escola específica.  Entre suas obras mais importantes, destaca-se A Revolução de 1930: historiografia e história (1970), trabalho seminal que redefiniu a interpretação do evento ao desmontar mitos consolidados e analisar o movimento a partir de seus atores, limites e contradições. 



Outro marco fundamental é Trabalho urbano e conflito social (1890–1920), referência obrigatória para o estudo do movimento operário no Brasil. Sua obra mais conhecida do grande público, História do Brasil (publicada inicialmente nos anos 1990), tornou-se um clássico por sua capacidade rara de conciliar rigor acadêmico e linguagem acessível, sendo amplamente utilizada tanto no ensino superior quanto no ensino médio.  


Além disso, Fausto publicou livros e ensaios sobre o Estado Novo, o populismo, a República Velha, a ditadura militar e a formação da cidadania no Brasil. Muitas de suas obras foram traduzidas para outros idiomas, como inglês e espanhol, e utilizadas em universidades estrangeiras interessadas na história política e social da América Latina. Seu reconhecimento ultrapassou o Brasil, consolidando-o como uma referência internacional nos estudos sobre o país.  



Boris Fausto foi membro da Academia Brasileira de Letras e recebeu diversos prêmios e homenagens ao longo de sua carreira, reflexo do impacto duradouro de sua produção intelectual. Faleceu em 2023, deixando um legado que combina rigor metodológico, independência intelectual e compromisso com a verdade histórica. Sua obra permanece central não apenas por aquilo que explica sobre o passado brasileiro, mas também por representar um modelo de historiador que resiste à tentação de submeter os fatos às narrativas ideológicas do presente.

A falha do cristianismo ideológico: a ilusão de um mundo moralmente melhor antes da volta de Cristo

Written By Beraká - o blog da família on sábado, 17 de janeiro de 2026 | 12:12





Realismo profético e fidelidade evangélica diante das falsas esperanças históricas



por *Francisco José Barros de Araújo 




Ao longo da história, o cristianismo sempre conviveu com a tentação de ser instrumentalizado por ideologias que prometem um futuro terreno de progresso moral, social e espiritual contínuo. Essa tentação não é nova: ela já se manifestava nas primeiras heresias milenaristas e reaparece ciclicamente sempre que a fé cristã é deslocada de sua dimensão escatológica para servir a projetos históricos de salvação imanente. Em nossos dias, essa distorção ressurge com força sob a forma de um cristianismo ideológico, que substitui a esperança no Reino definitivo de Deus pela crença em uma suposta evolução histórica inevitável da humanidade.


Tal visão, porém, não nasce do Evangelho, nem da Tradição viva da Igreja, mas de filosofias seculares que reinterpretam a fé cristã à luz de utopias políticas, econômicas ou sociológicas. À luz das Escrituras, do Magistério e da própria experiência histórica, torna-se evidente que esperar um “mundo melhor” antes da segunda vinda de Cristo não é sinal de otimismo cristão, mas de grave confusão teológica.


É nesse contexto que, de modo específico, tanto a teologia da prosperidade quanto a teologia da libertação se afastam da mensagem integral do Evangelho de Cristo, ainda que o façam por caminhos aparentemente opostos. A primeira reduz a redenção à prosperidade material, transformando a fé em instrumento de enriquecimento pessoal e o sofrimento em sinal de falta de fé. A cruz é esvaziada, o sacrifício é silenciado e o seguimento de Cristo é substituído por uma lógica de sucesso, consumo e ostentação. Deus deixa de ser o Senhor a quem se adora para tornar-se um meio de realização individual.



A segunda, por sua vez, ainda que parta de uma legítima preocupação com os pobres e com as injustiças sociais, frequentemente absolutiza a dimensão histórica da salvação, reinterpretando o pecado como mera estrutura social opressora e a redenção como libertação política ou econômica. O resultado é a diluição da conversão pessoal, a secundarização da vida sacramental e a transformação da missão da Igreja em militância ideológica. A cruz deixa de ser lugar de expiação e reconciliação para tornar-se apenas símbolo de resistência política.


Ambas as correntes, cada uma a seu modo, cometem o mesmo erro fundamental: substituem a centralidade de Cristo por um projeto humano, prometendo o céu antes da cruz, a glória antes da conversão e o Reino sem o Rei. E, ao fazê-lo, acabam por perder o próprio céu que pretendem antecipar.

Países que melhor acolhem Refugiados Políticos: critérios jurídicos, limites e realidades do Asilo Internacional

Written By Beraká - o blog da família on quinta-feira, 1 de janeiro de 2026 | 15:03




Em um mundo cada vez mais polarizado, marcado por conflitos ideológicos intensos, alternâncias bruscas de poder e perseguições a opositores políticos, seja à direita ou à esquerda, o debate sobre asilo político e extradição tem se tornado recorrente — e, não raras vezes, envolto em confusões conceituais e narrativas simplificadoras. Expressões como “direito automático ao asilo” ou “países ideais para refugiados políticos” são frequentemente utilizadas no discurso público, mas não correspondem, em termos jurídicos, à realidade do direito internacionalNa prática, o asilo político não constitui um direito subjetivo do indivíduo, no sentido de uma prerrogativa exigível de qualquer Estado. Trata-se, antes, de um direito soberano do Estado, exercido de forma discricionária, de acordo com sua legislação interna, seus interesses de política externa e os compromissos assumidos no plano internacional. Nenhum país é juridicamente obrigado a conceder asilo político pelo simples fato de alguém se autodeclarar perseguido ou opositor de determinado regime.  Isso não significa, contudo, ausência de limites jurídicos. O instituto do asilo está profundamente vinculado ao princípio do non-refoulement (não devolução ou não repulsão), pilar do direito internacional dos refugiados. Tal princípio proíbe o Estado de devolver, expulsar ou extraditar um indivíduo para um país onde haja risco concreto e comprovável de perseguição política, tortura, tratamento desumano ou degradante, ou graves violações de direitos humanos.  Assim, o equilíbrio entre soberania estatal, cooperação internacional e proteção da dignidade humana revela-se delicado. O asilo político não é um salvo-conduto universal nem um instrumento de blindagem automática contra processos judiciais legítimos; tampouco pode ser negado de forma arbitrária quando há risco real à vida ou à liberdade do indivíduo. Em tempos de radicalização política e uso estratégico do sistema jurídico para neutralizar adversários, compreender essa distinção torna-se essencial para evitar tanto abusos retóricos quanto violações de direitos fundamentais.

Conheça as Três Guianas da América do Sul: Guiana, Suriname e Guiana Francesa

Written By Beraká - o blog da família on segunda-feira, 15 de dezembro de 2025 | 19:09

 




A América do Sul é conhecida por seus países vastos e diversificados, mas poucas regiões despertam tanta curiosidade quanto a chamada “região das Guianas”. Composta pela Guiana, Suriname e Guiana Francesa, essa área apresenta uma mistura única de culturas, línguas, religiões e histórias coloniais. Cada território possui características próprias, tornando-os destinos fascinantes para quem deseja compreender a diversidade do continente.

A Cooperação de Maria na Salvação: Fundamentos Doutrinais dos Títulos Marianos no Magistério da Igreja Católica na Mater Populi fidelis

Written By Beraká - o blog da família on segunda-feira, 8 de dezembro de 2025 | 12:48


(foto reprodução)

 


DICASTÉRIO PARA A DOUTRINA DA FÉ (Víctor Manuel Card. Fernández  Prefeito)


 

Mater Populi fidelis: Nota doutrinal "sobre alguns títulos marianos referidos à cooperação de Maria na obra da Salvação"

 

 

Apresentação

 

 

A presente Nota responde a numerosas consultas e propostas que chegaram à Santa Sé nas últimas décadas – de modo especial a este Dicastério – sobre questões relacionadas com a devoção mariana e, particularmente, sobre alguns títulos marianos. São questões que preocuparam os recentes Pontífices e que foram repetidamente tratadas nos últimos trinta anos nos diversos âmbitos de estudo do Dicastério, como Congressos, Assembleias ordinárias, etc. Isto permitiu a este Dicastério contar com um abundante e rico material que alimenta a presente reflexão.

Maria Santíssima: Medianeira de Todas as Graças, ou apenas Medianeira? Tradição, Teologia e Prudência Magisterial

 


*Francisco José Barros de Araújo




Maria Santíssima Medianeira de Todas as Graças, ou apenas medianeira? Tradição Antiga, Desenvolvimento Teológico e Prudência Magisterial



A ideia de "Maria como Medianeira de todas as graças" ocupa um lugar significativo na história da teologia católica e da piedade cristã. Longe de ser uma invenção tardia ou uma novidade moderna, trata-se de uma intuição profundamente enraizada na experiência orante e na fé viva da Igreja, que brota de modo orgânico da Tradição e acompanha, passo a passo, o desenvolvimento da reflexão teológica ao longo dos séculos. Desde os primeiros testemunhos patrísticos, Maria é contemplada em íntima associação com a obra redentora de Cristo, não como fonte autônoma da graça, mas como aquela que, por singular desígnio divino, esteve inseparavelmente unida ao mistério da Encarnação e da Redenção.  Contudo, fiel ao seu modo próprio de ensinar, a Igreja jamais se deixou levar por entusiasmos acríticos ou por formulações dogmáticas precipitadas. A prudência milenar do Magistério manifesta-se precisamente no cuidado de distinguir o núcleo revelado da fé das expressões teológicas que o procuram explicar, proteger e aprofundar. Assim, embora a mediação materna de Maria esteja amplamente atestada na liturgia, na devoção e na teologia espiritual, a formulação técnica da expressão “Medianeira de todas as graças” não surge de forma explícita e sistematizada nos primeiros séculos, sendo progressivamente elaborada sobretudo a partir da Patrística tardia, da teologia medieval e, com maior densidade conceitual, na época moderna.  Essa progressividade não deve ser interpretada como fragilidade doutrinal, mas como sinal de maturidade e sabedoria eclesial. A Igreja, consciente do risco de ambiguidades cristológicas e eclesiológicas, sempre buscou preservar a verdade central da fé: a unicidade e suficiência da mediação de Cristo (cf. 1Tm 2,5), evitando qualquer linguagem que pudesse obscurecer esse dado fundamental da Revelação. É nesse contexto que se compreendem tanto as formulações entusiásticas de santos, teólogos e fiéis, quanto as reservas cautelosas do Magistério, que prefere integrar a mediação mariana de modo subordinado, participativo e absolutamente dependente da única mediação do Redentor.  Dessa forma, a questão não se situa no simples “sim” ou “não” ao título, mas na justa hermenêutica que respeite simultaneamente a Tradição viva, o desenvolvimento homogêneo da doutrina e a prudência pastoral e teológica da Igreja. Compreender Maria como Medianeira exige, portanto, entrar nesse caminho de equilíbrio característico do catolicismo: um caminho onde a devoção não suplanta a verdade, a verdade não sufoca a piedade e o Magistério, com paciência histórica, garante a harmonia entre ambas.

Regina Duarte critica prisão de Bolsonaro e sinaliza apoio a Flávio Bolsonaro para 2026

Written By Beraká - o blog da família on segunda-feira, 1 de dezembro de 2025 | 09:21

 

(foto reprodução)


A atriz Regina Duarte, figura amplamente associada ao bolsonarismo e ao período em que atuou como Secretária Especial de Cultura, voltou a repercutir nas redes sociais ao comentar os desdobramentos da direita brasileira. Em novas publicações, a artista criticou a prisão de Jair Bolsonaro e demonstrou apoio explícito à eventual candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência em 2026, posicionamento que reacendeu debates sobre o futuro do movimento conservador no país.  As declarações reforçam a histórica ligação de Regina Duarte ao núcleo político do ex-presidente e evidenciam a estratégia de manter vivo o capital político do bolsonarismo em meio às incertezas do cenário eleitoral. O gesto também destaca como figuras públicas alinhadas à direita buscam influenciar a narrativa nacional em um momento marcado por disputas, investigações e expectativas sobre os rumos da política conservadora no Brasil.

A três fases do Sacramento do Matrimônio: Eros, Philia e Ágape como Fundamentos da Espiritualidade e da Estabilidade Conjugal

Written By Beraká - o blog da família on domingo, 30 de novembro de 2025 | 14:10

 



A doutrina católica sobre o matrimônio é muito clara e bem definida, ela ensina que ele é um sacramento indissolúvel, expressão da união irrevogável entre Cristo e a Igreja. Em tempos de relativização dos vínculos afetivos e de crescente fragilidade das relações conjugais, torna-se necessário refletir sobre o sentido profundo do compromisso matrimonial e sobre as três dimensões do amor presentes no plano divino: eros, philia e agápe


Situações envolvendo figuras públicas, como a recente separação de Gilmar Mendes e Guiomar — apresentada publicamente sob a justificativa do "cansaço" — trazem à tona a necessidade de esclarecer aos fiéis a visão da Igreja, não para julgar pessoas, mas para iluminar consciências. 


Segundo a fé católica, o matrimônio não é algo que se desfaz por fadiga, mas uma vocação que exige perseverança, graça e maturidade espiritual.

Subsídios para Catecumenato de Jovens e Adultos: Fé, Conversão e Perseverança

Written By Beraká - o blog da família on sexta-feira, 28 de novembro de 2025 | 17:22

 



por *Francisco José Barros de Araújo 



A fé cristã é muito mais do que uma crença abstrata ou uma adesão a princípios morais: ela é um caminho vivo e dinâmico, que exige entrega, confiança e perseverança. Desde o Antigo Testamento até o Novo, a Sagrada Escritura nos mostra que a salvação não se realiza em um único instante, mas se constrói ao longo de toda a vida, em uma caminhada contínua com Deus. Cada passo no caminho da fé é uma oportunidade de crescimento, de experiência com a graça e de aprofundamento na intimidade com o Senhor.  

Subsídio para Catequistas: "O Credo Apostólico: Transmissão e Profissão da fé Cristã naquilo que é essencial"

Written By Beraká - o blog da família on quinta-feira, 27 de novembro de 2025 | 12:42

 


 

por *Francisco José Barros de Araújo 



O Credo Apostólico é uma das mais antigas e veneradas fórmulas da fé cristã. Recitado desde os primeiros séculos, ele expressa de forma sintética aquilo que é essencial ao cristianismo, servindo como base comum para catecúmenos, teólogos, missionários e fiéis ao longo da história. Segundo o Catecismo da Igreja Católica (CIC 144–1065), o Credo é, ao mesmo tempo, transmissão e profissão: transmite a fé recebida dos apóstolos e constitui o ato pelo qual cada cristão assume pessoalmente essa herança. Mais do que um conjunto de doutrinas, o Credo expressa a narrativa da salvação: o amor do Pai, a missão do Filho e a ação vivificadora do Espírito Santo na Igreja e no mundo. Sua estrutura trinitária revela a lógica profunda da fé cristã — crer não em ideias abstratas, mas no Deus vivo que age na história. Neste artigo, de forma simples, apresentamos os artigos do Credo à luz do magistério (CIC), da tradição e da teologia católica, buscando oferecer um panorama claro, seguro e acessível.

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Blog formativo e apologético inspirado em 1Pd 3,15. Aqui você não vai encontrar matérias sentimentalóides para suprir carências afetivas, mas sim formações seguras, baseadas no tripé da Igreja, que deem firmeza à sua caminhada cristã rumo à libertação integral e à sua salvação. Somos apenas o jumentinho que leva Cristo e sua verdade aos povos, proclamando que Ele é “o caminho, a verdade e a vida” (João 14,6), e que sua Igreja é a coluna e o sustentáculo da verdade (1Tm 3,15). Nossa Missão: promover a educação integral da pessoa, unindo fé, razão e cultura; fortalecer famílias e comunidades por meio da formação espiritual e intelectual; proclamar a verdade revelada por Cristo e confiada à Igreja, mostrando que fé e razão caminham juntas, em defesa da verdade contra ideologias que nos afastam de Deus. Rejeitamos um “deus” meramente sentimental e anunciamos o Deus verdadeiro revelado em Jesus Cristo: Misericordioso e Justo o qual ama o pecador, mas odeia o pecado que destrói seus filhos. Nosso lema é o do salmista: “Não a nós, Senhor, não a nós, mas ao vosso nome daí glória” (Sl 115,1).

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