A palavra rito vem de ritmo, ritmar, uma forma própria de realizar algo. Rito é um gesto que se repete. O sinal da cruz é um rito que se faz em todo começo e final da celebração dos sete sacramentos e de outras celebrações. A uma sequência de ritos dá-se o nome de ritual. Também, tem o sentido de sinal, de ação sagrada, como, por exemplo o banho de água no Batismo, a imposição das mãos na Confirmação, na Penitência, na Eucaristia, na Ordem, a unção com o óleo santo na Confirmação e na Unção dos enfermos, o ato sacrifical e a fração do pão na Eucaristia, entre outros.
A isto chamamos de rito, sinal ou símbolo: “apalavra que se diz e o rito que se faze como se faz”
Pelos sinais visíveis são realizadas maravilhas invisíveis. A palavra já é, em certo sentido, um sinal, mas o rito, é o sinal pela ação, pertence a uma outra ordem, diferente da palavra. Enquanto a palavra fala à inteligência e comunica uma noção, uma ideia, o sinal dirige-se principalmente à sensibilidade.
A palavra faz um pensamento; o sinal gera um sentimento!
Os sinais dos ritos dilatam o pensamento formado e abre o interior do homem ao que está para além do âmbito do pensar; leva-o a querer, impele-o a amar. O sinal faz o homem compreender não apenas com a inteligência, mas de uma forma total!
Relação entre palavra e rito
Os sacramentos são a maior expressão desta relação e foi o próprio Senhor Jesus que quis que fosse assim. Na véspera da Sua morte, falou com os discípulos, deu-lhes Suas últimas palavras, comoventes e tão íntimas que os discípulos sentiram o coração abrir-se a ponto de Lhe dizerem: “Agora falas abertamente e já não usas linguagem enigmática” (João 16,29).
Parece, pois, que a palavra teria sido bastante. E, depois, toda aquela tragédia da prisão, da condenação à morte, da crucifixão no Calvário parece que teria sido bastante para eles jamais esquecerem aqueles momentos e Suas palavras. Porém, Jesus, Palavra encarnada, tomou o pão, tomou a taça com vinho, deu graças, entregou à eles e disse: “Fazei isto em memória de Mim” (Lc 22,19). Não bastava a palavra, não bastava que eles soubessem; era preciso que eles fizessem.
Além da
palavra era necessário o rito, um sinal para que a palavra se não calasse após
ter sido dita, mas ficasse a ecoar, a ser vista, presenciada, tomada, comida e
bebida, para ir mais fundo do que a inteligência; era preciso que ela fosse
entendida e guardada no coração. Por isso, a liturgia é
composta de ações litúrgicas e esta é uma afirmação dos textos dos dois últimos
concílios: Trento e Vaticano II[2].A liturgia é celebração e por isso, uma
ação. Nesta ação são elementos basilares a palavra e o rito. Estes dois
elementos completam-se. Um não substitui o outro nem estão opostos ou em
contradição. Integram-se um no outro, como dois componentes de um mesmo
corpo. A palavra faz, dizendo; o rito diz, sendo feito. A palavra sem o rito
ficaria inacabada; o rito sem a palavra pode tornar-se equívoco. No caso dos
sacramentos, todos são celebrados juntando ao rito a palavra.
Os ritos na Igreja
Na Igreja Católica Apostólica Romana, a liturgia é a mesma e é única a soberania da cátedra de Pedro. Entretanto, há diferentes formas de se rezar a Missa e de se realizar as cerimônias litúrgicas católicas, todas autênticas e aprovadas formalmente pela Igreja.
A origem destas diferenças na forma litúrgica é histórica: desde os primórdios dos Atos dos Apóstolos, cada comunidade cristã desenvolveu, de forma independente e adaptada à cultura e aos costumes locais!
No Ocidente, o
rito latino foi dominante desde o princípio, mas, no Oriente, com o surgimento
dos grandes patriarcados como Jerusalém, Constantinopla, Alexandria e
Antioquia, estes ritos assumiram um caráter mais regional e específico[3].
Assim, a Igreja Católica não se
limita ao rito romano! Ela é uma grande comunhão
de 24 igrejas, sendo 1 ocidental e 23 orientais!
Igrejas “sui juris” (autônomas para legislar de
modo independente a respeito de seu rito e da sua disciplina, mas não a
respeito dos dogmas, que são universais e comuns a todas elas e garantem a sua
unidade de fé, formando, na essência, a única Igreja Católica obediente ao
Santo Padre, o Papa, que a todas preside na caridade)[4].
O ramo ocidental, ao qual pertencemos, é representado pela
tradição latina da Igreja!
Chama-se ocidental por causa da localização de Roma e não porque
se restringe aos países ocidentais. A tradição
latina é, de longe, a maior de todas, contando com cerca de 98% dos
católicos do mundo inteiro.
Segue, abaixo, uma lista com os diferentes ritos adotados:
1. Ritos Ocidentais – Igreja Católica Latina:
-Rito Romano (Missa “Tridentina” e Missa “Nova”)[5];
-Rito Ambrosiano;
-Rito Bracarense;
-Rito Galicano;
-Rito Moçárabe;
-Uso Anglicano (para absorver os convertidos da Religião
Anglicana);
-Rito dos Cartuxos.
2. Rito Bizantino – adotado pelas Igrejas:
-Igreja Greco-Católica Melquita (1726);
-Igreja Católica Bizantina Grega (1829);
-Igreja Greco-Católica Ucraniana (1595);
-Igreja Católica Bizantina Rutena (1646);
-Igreja Católica Bizantina Eslovaca (1646);
-Igreja Católica Búlgara (1861);
-Igreja Greco-Católica Croata (1611);
-Igreja Greco-Católica Macedônica (1918);
-Igreja Católica Bizantina Húngara (1646);
-Igreja Greco-Católica Romena unida a Roma (1697);
-Igreja Católica Ítalo-Albanesa (sempre em comunhão com a Igreja
Católica);
-Igreja Católica Bizantina Russa (1905);
-Igreja Católica Bizantina Albanesa (1628);
-Igreja Católica Bizantina Bielorrussa (1596).
3. Rito de Antioquia – adotado pelas Igrejas:
-Igreja Maronita (união oficial reafirmada em 1182).
-Igreja Católica Siro-Malancar (1930).
-Igreja Católica Siríaca (1781).
4. Rito Siríaco – adotado pelas Igrejas:
-Igreja Caldeia (1692);
-Igreja Católica Siro-Malabar (1599).
5. Rito Armênio:
-Igreja Católica Armênia (1742).
6. Rito de Alexandria – adotado pelas Igrejas:
-Igreja Católica Copta (1741);
-Igreja Católica Etíope (1846).
Os fiéis pertencentes a estas igrejas orientais católicas[6] são tão católicos quanto aqueles pertencentes à Igreja Latina, mas, de acordo com o Direito Canônico, só podem mudar de rito sob autorização expressa da Santa Sé.
Embora conservem
tradições litúrgicas e devocionais próprias há séculos e apresentem abordagens
teológicas, ritos litúrgicos e regras canônicas específicas (os
chamados católicos bizantinos ou greco-católicos constituem cerca de 50% dos
católicos orientais e professam o rito bizantino), têm em
comum com a Igreja Latina o primado pela unidade da fé e a submissão ao poder
do Santo Padre, reconhecido em sua suprema autoridade e infalibilidade
magisterial.
CELEBRAÇÃO
DO MISTÉRIO CRISTÃO
O Catecismo da Igreja Católica apresenta a liturgia como celebração do mistério cristão, celebração do mistério pascal.
Coloca,
portanto, a liturgia na dimensão da celebração. Celebrar é
tornar célebre. Tornar célebre é tornar famoso, conhecido, é tornar presente. O
que torna uma pessoa célebre, famosa, são as suas obras, os seus feitos. Para
reconhecer a celebridade de uma pessoa, procura-se lembrar o que ela foi e o
que ela fez; lembram-se, narram-se suas obras. Esta
narração das obras torna a pessoa novamente presente.
Os elementos de uma celebração - Em toda celebração temos alguns
elementos que a constituem:
-O fato e pernona a ser valorizado e celebrado.
-A expressão significativa do fato valorizado (chamada rito)
-E por fim, a participação ou vivência do mistério.
Na celebração cristã ou liturgia, o fato valorizado (imutável e central) é o mistério pascal de Cristo, centrado na Sua Paixão, Morte e Ressurreição. Em outras palavras, é a obra da salvação de Cristo Jesus, desde o mistério da Encarnação até o Seu retorno glorioso.
A expressão
significativa (rito) são as diversas celebrações da Igreja que comemoram a
Páscoa de Cristo e dos cristãos, como os sacramentos. No
centro de tudo está a Santíssima Eucaristia, o Ano Litúrgico, a Liturgia das
Horas e o Domingo, que é festa pascal semanal.A
participação no mistério é aquela comunhão de amor e de vida entre Deus e o
homem, que acontece na ação comemorativa da obra da salvação de Cristo, que
assim se torna atual e presente na vida da Igreja e da humanidade. É
Cristo que continua a encarnar-se, a morrer e ressuscitar-nos que nele creem e
o acolhem como Senhor e Salvador da humanidade. Eis a celebração cristã, eis a
liturgia, à luz do conceito de celebração.
Apostolado Berakash - "Ad
maiorem Dei gloriam inque hominum salutem"
NOTAS EXPLICATIVAS
[1] Na versão grega do Antigo Testamento.
[2]Instrução ou Doutrina dos Doze Apóstolos, escrito do século I que trata do catecismo cristão.
[3]O rito bizantino teve origem em Bizâncio, capital do Império romano do Oriente, e dominou a região da Ásia Menor (greco-melquita, eslavo, ucraniano e outros); o antioquenho (siríaco, antioquenho, maronita e malancar na Índia), o caldeu (na Índia) e o alexandrino (copta e etíope) que se tornou preponderanteem certas regiões da África.
[4]A legislação de cada Igreja “sui juris” é estudada e aprovada pelo seu respectivo sínodo, ou seja, pela reunião dos seus bispos sob a presidência do seu arcebispo-maior ou patriarca. Por exemplo, a Igreja Melquita é presidida por Sua Beatitude o Patriarca Youssef I Absi; a Igreja Greco-Católica Ucraniana, por Sua Beatitude o Arcebispo-Maior Dom Sviatoslav Shevchuk. O rebanho dos fiéis católicos de rito latino é guiado diretamente pelo Papa Francisco, bispo de Roma, que é também o líder de toda a grande comunhão da Igreja Católica em suas diversas tradições.
[5] Este é o modo apropriado de referir-se: forma extraordinária do rito romano (liturgia em uso antes da reforma litúrgica do Concílio Vaticano II, ou, do Missal Romano de 1962) e forma ordinária do rito romano (liturgia em uso desde o Missal revisado em 1969).
[6] Não confundir com as igrejas orientais não-católicas chamadas ortodoxas, separadas de Roma, que, muitas vezes, adotam os mesmos ritos litúrgicos.
BIBLIOGRAFIA CONSULTADA E RECOMENDADA
-Constituição Gaudium et spes. n. 22. In: AAS 58 (1966) 22, p. 1042-1043; Documentos do Concílio Ecumênico Vaticano II. 2. ed. São Paulo: Paulus, 2002.
-KHATLAB, Roberto. As Igrejas Orientais, católicas e ortodoxas, tradições vivas. São Paulo: Ave Maria edições, 1997. 256p.
-SILVA, Jerônimo Pereira. O RICA, um caminho de iniciação antes e depois do batismo. Revista de Liturgia, São Paulo, n. 249, p. 12-17, mai./jun. 2015.
-CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA. 2ª. ed. Petrópolis: Vozes; São Paulo: Paulinas, Loyola, Ave-Maria, 1993
*Francisco José Barros
Araújo – Bacharel em Teologia pela Faculdade Católica do RN, conforme diploma
Nº 31.636 do Processo Nº 003/17
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