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Os outros ritos válidos da Igreja Católica: uma tradição pouco conhecida

Written By Beraká - o blog da família on terça-feira, 18 de fevereiro de 2025 | 21:33



 

 Por *Francisco José Barros Araújo



A palavra rito vem de ritmo, ritmar, uma forma própria de realizar algo. Rito é um gesto que se repete. O sinal da cruz é um rito que se faz em todo começo e final da celebração dos sete sacramentos e de outras celebrações. A uma sequência de ritos dá-se o nome de ritual. Também, tem o sentido de sinal, de ação sagrada, como, por exemplo o banho de água no Batismo, a imposição das mãos na Confirmação, na Penitência, na Eucaristia, na Ordem, a unção com o óleo santo na Confirmação e na Unção dos enfermos, o ato sacrifical e a fração do pão na Eucaristia, entre outros. 



A isto chamamos de rito, sinal ou símbolo: “apalavra que se diz e o rito que se faze como se faz”




Pelos sinais visíveis são realizadas maravilhas invisíveis. A palavra já é, em certo sentido, um sinal, mas o rito, é o sinal pela ação, pertence a uma outra ordem, diferente da palavra. Enquanto a palavra fala à inteligência e comunica uma noção, uma ideia, o sinal dirige-se principalmente à sensibilidade. 



A palavra faz um pensamento; o sinal gera um sentimento!



Os sinais dos ritos dilatam o pensamento formado e abre o interior do homem ao que está para além do âmbito do pensar; leva-o a querer, impele-o a amar. O sinal faz o homem compreender não apenas com a inteligência, mas de uma forma total!



 

Relação entre palavra e rito

 

 

 

Os sacramentos são a maior expressão desta relação e foi o próprio Senhor Jesus que quis que fosse assim. Na véspera da Sua morte, falou com os discípulos, deu-lhes Suas últimas palavras, comoventes e tão íntimas que os discípulos sentiram o coração abrir-se a ponto de Lhe dizerem: “Agora falas abertamente e já não usas linguagem enigmática” (João 16,29). 



Parece, pois, que a palavra teria sido bastante. E, depois, toda aquela tragédia da prisão, da condenação à morte, da crucifixão no Calvário parece que teria sido bastante para eles jamais esquecerem aqueles momentos e Suas palavras. Porém, Jesus, Palavra encarnada, tomou o pão, tomou a taça com vinho, deu graças, entregou à eles e disse: “Fazei isto em memória de Mim” (Lc 22,19). Não bastava a palavra, não bastava que eles soubessem; era preciso que eles fizessem. 




Além da palavra era necessário o rito, um sinal para que a palavra se não calasse após ter sido dita, mas ficasse a ecoar, a ser vista, presenciada, tomada, comida e bebida, para ir mais fundo do que a inteligência; era preciso que ela fosse entendida e guardada no coração. Por isso, a liturgia é composta de ações litúrgicas e esta é uma afirmação dos textos dos dois últimos concílios: Trento e Vaticano II[2].A liturgia é celebração e por isso, uma ação. Nesta ação são elementos basilares a palavra e o rito. Estes dois elementos completam-se. Um não substitui o outro nem estão opostos ou em contradição. Integram-se um no outro, como dois componentes de um mesmo corpo. A palavra faz, dizendo; o rito diz, sendo feito. A palavra sem o rito ficaria inacabada; o rito sem a palavra pode tornar-se equívoco. No caso dos sacramentos, todos são celebrados juntando ao rito a palavra.

 

 

 

Os ritos na Igreja

 

 

 

Na Igreja Católica Apostólica Romana, a liturgia é a mesma e é única a soberania da cátedra de Pedro. Entretanto, há diferentes formas de se rezar a Missa e de se realizar as cerimônias litúrgicas católicas, todas autênticas e aprovadas formalmente pela Igreja. 



A origem destas diferenças na forma litúrgica é histórica: desde os primórdios dos Atos dos Apóstolos, cada comunidade cristã desenvolveu, de forma independente e adaptada à cultura e aos costumes locais! 




No Ocidente, o rito latino foi dominante desde o princípio, mas, no Oriente, com o surgimento dos grandes patriarcados como Jerusalém, Constantinopla, Alexandria e Antioquia, estes ritos assumiram um caráter mais regional e específico[3].

 

 

 


Assim, a Igreja Católica não se limita ao rito romano! Ela é uma grande comunhão de 24 igrejas, sendo 1 ocidental e 23 orientais!

 



Igrejas “sui juris” (autônomas para legislar de modo independente a respeito de seu rito e da sua disciplina, mas não a respeito dos dogmas, que são universais e comuns a todas elas e garantem a sua unidade de fé, formando, na essência, a única Igreja Católica obediente ao Santo Padre, o Papa, que a todas preside na caridade)[4].

 

 

 

O ramo ocidental, ao qual pertencemos, é representado pela tradição latina da Igreja!

 

 

 

Chama-se ocidental por causa da localização de Roma e não porque se restringe aos países ocidentais. A tradição latina é, de longe, a maior de todas, contando com cerca de 98% dos católicos do mundo inteiro.

 

 

 

Segue, abaixo, uma lista com os diferentes ritos adotados:

 

 

 

1.   Ritos Ocidentais – Igreja Católica Latina:

 

 

-Rito Romano (Missa “Tridentina” e Missa “Nova”)[5];

-Rito Ambrosiano;

-Rito Bracarense;

-Rito Galicano;

-Rito Moçárabe;

-Uso Anglicano (para absorver os convertidos da Religião Anglicana);

-Rito dos Cartuxos.

 

 

 

2.  Rito Bizantino – adotado pelas Igrejas:

 

 

 

-Igreja Greco-Católica Melquita (1726);

-Igreja Católica Bizantina Grega (1829);

-Igreja Greco-Católica Ucraniana (1595);

-Igreja Católica Bizantina Rutena (1646);

-Igreja Católica Bizantina Eslovaca (1646);

-Igreja Católica Búlgara (1861);

-Igreja Greco-Católica Croata (1611);

-Igreja Greco-Católica Macedônica (1918);

-Igreja Católica Bizantina Húngara (1646);

-Igreja Greco-Católica Romena unida a Roma (1697);

-Igreja Católica Ítalo-Albanesa (sempre em comunhão com a Igreja Católica);

-Igreja Católica Bizantina Russa (1905);

-Igreja Católica Bizantina Albanesa (1628);

-Igreja Católica Bizantina Bielorrussa (1596).

 

 

 

3.  Rito de Antioquia – adotado pelas Igrejas:

 

 

-Igreja Maronita (união oficial reafirmada em 1182).

 

-Igreja Católica Siro-Malancar (1930).

 

-Igreja Católica Siríaca (1781).

 

 

 

4.  Rito Siríaco – adotado pelas Igrejas:

 

 

 

-Igreja Caldeia (1692);

 

-Igreja Católica Siro-Malabar (1599).

 

 

 

 

5.  Rito Armênio:

 

 

 

-Igreja Católica Armênia (1742).

 

 

 

6.  Rito de Alexandria – adotado pelas Igrejas:

 

 

 

-Igreja Católica Copta (1741);

 

-Igreja Católica Etíope (1846).

 

 

 

 

Os fiéis pertencentes a estas igrejas orientais católicas[6] são tão católicos quanto aqueles pertencentes à Igreja Latina, mas, de acordo com o Direito Canônico, só podem mudar de rito sob autorização expressa da Santa Sé. 




Embora conservem tradições litúrgicas e devocionais próprias há séculos e apresentem abordagens teológicas, ritos litúrgicos e regras canônicas específicas (os chamados católicos bizantinos ou greco-católicos constituem cerca de 50% dos católicos orientais e professam o rito bizantino), têm em comum com a Igreja Latina o primado pela unidade da fé e a submissão ao poder do Santo Padre, reconhecido em sua suprema autoridade e infalibilidade magisterial.

 



CELEBRAÇÃO DO MISTÉRIO CRISTÃO

 





 

O Catecismo da Igreja Católica apresenta a liturgia como celebração do mistério cristão, celebração do mistério pascal. 



Coloca, portanto, a liturgia na dimensão da celebração. Celebrar é tornar célebre. Tornar célebre é tornar famoso, conhecido, é tornar presente. O que torna uma pessoa célebre, famosa, são as suas obras, os seus feitos. Para reconhecer a celebridade de uma pessoa, procura-se lembrar o que ela foi e o que ela fez; lembram-se, narram-se suas obras. Esta narração das obras torna a pessoa novamente presente.

 

 

 

Os elementos de uma celebração - Em toda celebração temos alguns elementos que a constituem:

 

 

 

-O fato e pernona a ser valorizado e celebrado.

 

 

-A expressão significativa do fato valorizado (chamada rito)

 

 

-E por  fim, a participação ou vivência do mistério.

 

 

 

Na celebração cristã ou liturgia, o fato valorizado (imutável e central) é o mistério pascal de Cristo, centrado na Sua Paixão, Morte e Ressurreição. Em outras palavras, é a obra da salvação de Cristo Jesus, desde o mistério da Encarnação até o Seu retorno glorioso. 




A expressão significativa (rito) são as diversas celebrações da Igreja que comemoram a Páscoa de Cristo e dos cristãos, como os sacramentos. No centro de tudo está a Santíssima Eucaristia, o Ano Litúrgico, a Liturgia das Horas e o Domingo, que é festa pascal semanal.A participação no mistério é aquela comunhão de amor e de vida entre Deus e o homem, que acontece na ação comemorativa da obra da salvação de Cristo, que assim se torna atual e presente na vida da Igreja e da humanidade. É Cristo que continua a encarnar-se, a morrer e ressuscitar-nos que nele creem e o acolhem como Senhor e Salvador da humanidade. Eis a celebração cristã, eis a liturgia, à luz do conceito de celebração.

 



Apostolado Berakash - "Ad maiorem Dei gloriam inque hominum salutem"




NOTAS EXPLICATIVAS

 

 

[1] Na versão grega do Antigo Testamento.


[2]Instrução ou Doutrina dos Doze Apóstolos, escrito do século I que trata do catecismo cristão.


[3]O rito bizantino teve origem em Bizâncio, capital do Império romano do Oriente, e dominou a região da Ásia Menor (greco-melquita, eslavo, ucraniano e outros); o antioquenho (siríaco, antioquenho, maronita e malancar na Índia), o caldeu (na Índia) e o alexandrino (copta e etíope) que se tornou preponderanteem certas regiões da África.


[4]A legislação de cada Igreja “sui juris” é estudada e aprovada pelo seu respectivo sínodo, ou seja, pela reunião dos seus bispos sob a presidência do seu arcebispo-maior ou patriarca. Por exemplo, a Igreja Melquita é presidida por Sua Beatitude o Patriarca Youssef I Absi; a Igreja Greco-Católica Ucraniana, por Sua Beatitude o Arcebispo-Maior Dom Sviatoslav Shevchuk. O rebanho dos fiéis católicos de rito latino é guiado diretamente pelo Papa Francisco, bispo de Roma, que é também o líder de toda a grande comunhão da Igreja Católica em suas diversas tradições.


[5] Este é o modo apropriado de referir-se: forma extraordinária do rito romano (liturgia em uso antes da reforma litúrgica do Concílio Vaticano II, ou, do Missal Romano de 1962) e forma ordinária do rito romano (liturgia em uso desde o Missal revisado em 1969).


[6] Não confundir com as igrejas orientais não-católicas chamadas ortodoxas, separadas de Roma, que, muitas vezes, adotam os mesmos ritos litúrgicos.




 

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA E RECOMENDADA

 

 

 

-Constituição Gaudium et spes. n. 22. In: AAS 58 (1966) 22, p. 1042-1043; Documentos do Concílio Ecumênico Vaticano II. 2. ed. São Paulo: Paulus, 2002.


-KHATLAB, Roberto. As Igrejas Orientais, católicas e ortodoxas, tradições vivas. São Paulo: Ave Maria edições,  1997. 256p.

 

-SILVA, Jerônimo Pereira. O RICA, um caminho de iniciação antes e depois do batismo. Revista de Liturgia, São Paulo, n. 249, p. 12-17, mai./jun. 2015.

 

-CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA. 2ª. ed. Petrópolis: Vozes; São Paulo: Paulinas, Loyola, Ave-Maria, 1993

 

 


*Francisco José Barros Araújo – Bacharel em Teologia pela Faculdade Católica do RN, conforme diploma Nº 31.636 do Processo Nº  003/17








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Anônimo
22 de fevereiro de 2025 às 00:24

Na Igreja Católica Apostólica Romana, a liturgia é a mesma e é única a soberania da cátedra de Pedro. Entretanto, há diferentes formas de se rezar a Missa e de se realizar as cerimônias litúrgicas católicas, todas autênticas e aprovadas formalmente pela Igreja. A origem destas diferenças na forma litúrgica é histórica: desde os primórdios dos Atos dos Apóstolos, cada comunidade cristã desenvolveu, de forma independente e adaptada à cultura e aos costumes locais!

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