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Edith Stein e a sua fenomenologia antropológica do EU REAL e EU IDEAL

Written By Beraká - o blog da família on quinta-feira, 10 de setembro de 2020 | 14:19





No filme “A Sétima Morada” sobre Santa Benedita da Cruz, nascida Edith Stein. Na altura dos 34:22 min do filme (no link baixo), Edith Stein explica o que é FENOMENOLOGIA para sua sobrinha de apenas 10 anos, e esclarece o que é o EU REAL e EU IDEAL a partir de um piano:




https://www.youtube.com/watch?v=BEqFPqeVilA








Estamos acostumados a viver num mundo virtual, de relações fictícias, como se a cada momento tivéssemos de seguir instruções. Empobrecemos a nossa razão porque empobrecemos a nós mesmos. A filosofia nos ajuda a viver a vida com densidade, a crescer, a levar a sério a nossa existência. A figura de Edith Stein não representa apenas a recuperação de um modo de conhecimento como o filosófico, mas a recuperação da própria razão. Edith nos ensina que a razão se amplia, é viva, histórica, inclusiva, não se detém diante dos próprios limites, mas é abraçada e acolhida pelo Mistério que a engrandece. Para Edith Stein vocação é chamado, origem e destino. Vocação a ser mais nós mesmos. Vocação é a característica que mais nos define. A verdadeira vocação é a entrega, a capacidade de amar, que é o sustento fundamental da vida comunitária. Essa vocação, como a própria Edith descreveu em várias conferências, se manifesta na dignidade da mulher, esposa e mãe, sustento da vida, protetora da vida nascente, e também na Igreja, como esposa de Cristo, que abraça a sua vocação de serviço à vida humana em todas as suas dimensões a partir de uma lógica nova, a do dom e do sacramento, porque Cristo é quem faz novas todas as coisas. E isto é o que precisamos recuperar com urgência para voltar a ser o que somos: homens livres, criados à imagem e semelhança de Deus, que conquistam, no serviço aos outros, o nome com que foram chamados; o seu verdadeiro nome. Edith Stein encontrou no carmelo, vida comunitária, essa vocação de serviço à humanidade. Tornar-se carmelita não foi uma fuga do mundo intelectual em que tinha dado tantos frutos: foi simplesmente um modo de se entregar mais e servir melhor a partir da verdade que tinha encontrado. Não há amor sem verdade e não há verdade sem amor. Santa Teresa Benedita da Cruz ofereceu a vida por todos os homens e pela paz verdadeira. Ela foi presa em vingança pela sua denúncia pública, lida em todas as igrejas da Holanda, contra a perseguição perpetrada pelas autoridades nazistas. Foi então emitida a ordem de encarceramento contra todos os judeus do país que tivessem se convertido ao catolicismo. Edith entregou sua vida unida ao destino do seu povo, a partir da convicção de que, em Cristo, cumprem-se as promessas feitas ao povo de Israel.


 
(Edith Stein - O ideal e o real do Piano)


Edith Stein tinha publicado um pequeno artigo no mês de maio de 1924 no Anexo Científico do Jornal Novo para a Região do Palatinado. Ele é o primeiro de uma série de textos nos quais Stein apresenta a sua própria visão da fenomenologia. O artigo está dividido em duas partes:


a)-A primeira parte oferece um esboço histórico do movimento fenomenológico.


b)-A segunda parte apresenta os principais conceitos do método fenomenológico: “objetividade do conhecimento”, “intuição” e “idealismo”.



É o primeiro texto em que Stein deixa claro que, segundo ela, a fenomenologia possui um grande potencial para superar a divisão da filosofia em “filosofia (neo-) escolástica” e “filosofia moderna” (kantiana). É interessante notar que esta posição torna-se uma constante no pensamento de Stein, basta pensar no diálogo entre Husserl e Tomás de Aquino “O que é Filosofia” (1929), mas também na sua obra prima “Ser Finito e Ser Eterno” (1935). Stein defende a possibilidade de um conhecimento objetivo e a abertura real do espírito cognoscente para a verdade, pois “o espírito encontra a verdade, ele não a inventa”. Traça a sua visão de fenomenologia que não necessariamente precisa ser “idealista”, visto que ela considera o idealismo apenas uma “convicção pessoal de Husserl”, e não uma necessidade intrínseca do método, abrindo assim o caminho para uma fenomenologia realista, capaz de desenvolver até uma ontologia universal.



Discutem-se no meio acadêmico as contribuições de Edith Stein para compreensão da relação pessoa-comunidade. Adotando o método fenomenológico, a estrutura da pessoa humana – nas suas dimensões corpórea, psíquica e espiritual – é explicitada de forma orgânica e interdependente por Stein, reconhecendo a relação propriamente comunitária como elemento essencial no processo de formação pessoal. Comunidade vem considerada não apenas como agrupamento humano, mas estruturalmente como um tipo de relação interpessoal, marcada pelo posicionamento da pessoa a partir do uso da razão e liberdade. A comunidade é considerada em analogia à pessoa humana, sendo essencial para sua definição e para a apreensão de seus aspectos originais, o reconhecimento e o posicionamento das pessoas. A relação pessoa-comunidade é essencialmente uma relação de interdependência constitutiva, onde os aspectos ativo e passivo da pessoa e da comunidade são necessários no processo de tornarem-se si mesmas, o que só pode acontecer a partir de uma abertura recíproca.



Edith Stein, discípula de Edmund Husserl, apropriando-se do método fenomenológico, dedicou-se a pesquisas visando uma fundamentação filosófica da psicologia e das ciências do espírito, discutindo temas de antropologia filosófica e psicologia. No decorrer de sua obra, enfrentou diretamente o tema da pessoa e da comunidade, explicitando seus elementos essenciais e interconstitutivos de forma precisa e filosoficamente rigorosa.As contribuições desta autora estão sendo retomadas recentemente no âmbito da filosofia e da psicologia, por oferecerem respostas a um problema recentemente enfrentado sobre o tema da pessoa e comunidade.



Já ao final de sua pesquisa sobre o problema da empatia, Stein (1917/1998) identifica que no homem existe um eu que apreende a realidade e seus significados, acolhendo em si os valores e significados dos dados que lhe são oferecidos na experiência pela sua realidade, reconhece-se nele um sujeito espiritual como correlato deste mundo espiritual (Stein, 1917/1998, 1922/1999n, 1932-33/2000, 1932/2001).Reconhecer a dimensão espiritual da pessoa significa apreender o espírito como um “emergir de si mesmo” e uma “abertura para” o mundo objetivo das coisas da natureza, para o mundo subjetivo da experiência dos outros seres humanos ou do ser divino (Stein, 1922/1999n, 1934-36/1996). A dimensão espiritual da pessoa implica a possibilidade estrutural de abertura para o outro, para as coisas e para si mesma, num processo de apreensão que remete à presença da razão. Através da razão, a pessoa organiza suas impressões e sensações vivenciadas ao encontrar com a realidade, identificando e elaborando seu sentido. É pelo sentido que a pessoa conhece a realidade, acolhendo-o e elaborando-o, pode emitir um juízo sobre si mesma e sobre a realidade. A “possibilidade” reflexão, juízo, implica reconhecer a liberdade e a vontade como elementos essenciais da pessoa humana, uma vez que ela pode atualizar ou não estas potências (Stein, 1932-33/2000).A vida espiritual é o campo mais autêntico da liberdade, onde a pessoa toma iniciativa de se posicionar diante da realidade que lhe é oferecida, expressando-se e atuando de forma criativa (Stein, 1934-36/1996). Através dos atos livres como a decisão, a aceitação ou rejeição de um pensamento ou impulso, a pessoa confere uma direção definida à suas ações, podendo entregar-se a um certo conteúdo da experiência e dirigir a sua vida rumo a um propósito.



A abertura da pessoa não é apenas para o mundo exterior das coisas e dos outros, mas também para o seu mundo interior, para sua vida consciente e para os conteúdos valorativos que ela acolhe em si (Stein, 1934-36/1996). Voltar-se para si mesma, possibilita um reconhecimento dos aspectos essenciais da sua pessoa, suas necessidades e exigências, de forma que ela pode se envolver ativamente no seu processo formativo e conferir um propósito para suas ações.



A vida espiritual está essencialmente vinculada aos estados psíquicos (força vital psíquica) e aos estados sensíveis da corporeidade (força vital sensível). Ao mesmo tempo que vem por estes alimentada, exerce uma influência sobre estes através da força vital espiritual (Stein, 1922/1999n). A força vital espiritual tem sua fonte nos valores objetivos (mundo cultural) e nos valores subjetivos (influxo recebido da tomada de posição dos outros em relação a si), alimenta toda a dinâmica vivencial através dos propósitos, das tomadas de posição voluntária e das ações livres.A pessoa vivencia sua unidade com sua corporeidade e psique através do espírito. Os valores e significados apreendidos pelo espírito provocam uma tomada de posição espontânea através dos sentimentos (dimensão psíquica) e, reconhecendo-os, a pessoa pode agir de forma concreta posicionando-se ou atuando no seu ambiente e adotando o corpo próprio como instrumento do espírito. Agindo assim, a pessoa pode viver a partir do seu centro, configurando sua personalidade e assumindo uma autêntica existência (Stein, 1922/1999n).




(conflitos e consequências da má vivencia do Real e Ideal)


Quando me dedico a apreciar uma determinada paisagem, conforme exemplo utilizado por Stein, na medida em que estou vivenciando esta atividade, me dou conta que simultaneamente estou exposto a vários estímulos externos e internos. Enquanto aprecio a paisagem, uma preocupação pode estar presente ali, na minha vivência, mesmo que eu não esteja voltado prioritariamente para ela, devido ao propósito de me permitir a apreciar a beleza da paisagem. Se considerarmos que a preocupação se refere a um problema muito importante, posso me voltar a esta que ocupa um lugar mais “profundo” e “central” na minha experiência ou me voltar à apreciação da paisagem, o que em relação à primeira ocupa um lugar mais na “superfície” da minha alma (Stein, 1932-33/2000). Daquele “centro” da minha pessoa, reconhecido nas vivências centrais, estes conteúdos provocam um impulso para serem considerados e priorizados pela pessoa, embora o eu possa acolher ou rejeitar este impulso. Quando a pessoa está atenta a estes conteúdos que emergem de seu centro, ela pode se sentir mais integrada e em paz, porque vive por inteiro a si mesma e deste lugar central pode acolher as impressões que recebe do mundo exterior ou interior e se posicionar voluntariamente diante delas.


O processo de tornar-se si mesmo



Quando falamos em formação, pensamos sempre em formar algo a partir de uma imagem ou projeto a priori. Na pessoa, a matéria a ser formada não consiste em uma matéria inerte que está exposta à modelação e formatação a partir do exterior (como a argila), mas constitui-se como uma matéria viva que já está em processo de formação desde o início de seu desenvolvimento (Stein, 1930/1999o). Na pessoa, a alma humana carrega em si uma força para o desenvolvimento numa determinada direção, na direção de uma certa estrutura que é a personalidade madura com suas características claramente definidas (Stein, 1930/1999o, 1930/1999c, 1932/1999m; Mahfoud, 2005b). A corporeidade, a psique e o espírito estão submetidas a este processo e a pessoa não pode se tornar qualquer coisa, senão aquilo que de alguma forma já se encontre inscrito em seu ser pessoal. No seu processo de formação, a pessoa não é considerada apenas na sua dimensão passiva de acolher aquilo que lhe é oferecido exteriormente, nem tem sua atividade reduzida apenas a uma reatividade, mas elabora os materiais que acolhe em si do mundo externo, pode escolher o horizonte cultural do ambiente que a forma e até mesmo agir na direção de mudar este ambiente que para ela é formador (Mahfoud, 2005b). Tratando-se da pessoa, as múltiplas forças que agem no seu processo formativo são constituídas daquela interior, referente à sua alma intelectiva, e daquelas exteriores, referente ao seu mundo cultural onde acolhe obras e valores – criados também pela ação construtiva da pessoa mesma (Stein, 1930/1999o, 1930/1999c, 1932/1999m, 1932-33/2000).O material a ser moldado é constituído de um lado pelas aptidões físicas e psíquicas com que o ser humano nasce, pelo material que lhe é constantemente acrescentado de fora e que deve ser assimilado pelo organismo. O corpo retira este material do mundo físico, a alma do ambiente espiritual, do mundo das pessoas e dos bens que deve alimentar-se (Stein, 1930/1999c, p.137).A comunidade participa desde o início do processo de formação da pessoa (Stein, 1930/1999c). Inicialmente, através da comunidade da família, as primeiras necessidades físicas e espirituais são respondidas e as condições de desenvolvimento são garantidas. Gradativamente, a pessoa vai se introduzindo em outras comunidades e vendo despertar em si uma série de aptidões que ainda poderiam permanecer adormecidas (Stein, 1922/1999n). As vivências propriamente comunitárias agem na direção de possibilitar a apreensão de significados e valores compartilhados, suscitar propósitos que motivarão as ações concretas da pessoa e de seu posicionamento diante dos outros, até mesmo criando obras culturais fortalecendo a vida da comunidade que por sua vez influenciará de modo mais efetivo seu processo de formação pessoal. Existem certas características que só podem ser desenvolvidas na pessoa através de uma convivência comunitária, como a humildade ou orgulho, altruísmo ou ambição. A formação humana não se dá de maneira aleatória, nasce de uma forma interior que carrega em si disposições originárias e se dirige para uma forma ideal ou um modelo a ser seguido, que tanto pode ser adotado livremente e perseguido como um ideal ou proposto exteriormente (Stein, 1932-33/2000). Adotar um modelo externo e se dedicar à sua simples imitação implica riscos, sobretudo, de uma existência impessoal e de reproduzir uma personalidade que não lhe é própria, mas anexada de forma alienante. O ideal educativo deve considerar a natureza própria da pessoa, harmonicamente desenvolver as potencialidades positivas e inibir aquelas que podem ser desfavoráveis ao tornar-se si mesmo.


Possibilidades e limites de conhecimento da autenticidade



Uma vez que Stein disponibiliza as ferramentas teóricas para o conhecimento da autêntica individualidade, trata-se de perguntar sobre o que é possível conhecer dela. O que sou, segundo minha essência geral, disso posso ter conhecimento em um amplo trabalho intelectual, isto é, conseguir conhecimento compreensível em conceitos gerais e palavras. Porém, a consciência imediata de mim mesmo não é esse conhecimento, mas só um dos pontos de partida para chegar a dito conhecimento. O que sou como indivíduo espiritual não é geralmente acessível a nenhum conhecimento racional (em um sentido que acabamos de estabelecer). Enquanto coisa simplesmente única, o indivíduo não pode ser reconduzido a conceitos universais, no máximo pode ser chamado com um nome próprio. Porém, por essa razão, não é completamente irreconhecível e desconhecido. O que sou, ou eu com o que sou, sou para mim (e também para outros) de uma certa maneira. Este quid [o que] se encontra em como. Estou em cada momento em uma certa atualidade, inclinado a esse ou àquele objeto, mas ao mesmo tempo eu me “sinto” disposto emotivamente desta maneira ou de outra (Stein, 1931/2007, p. 364, tradução nossa). É possível percorrer um caminho de autoconhecimento para acessar aquilo que somos. A isto podemos captar a partir de uma reflexão intelectual das vivências internas e expressivas, mas também somos ajudados pelos relacionamentos interpessoais, via empatia, a colher algumas informações que não nos seriam imediatamente acessíveis (Stein, 1917/1998, 1922/1999).


Sobre o primeiro aspecto, a tomada de consciência pessoal das próprias vivências, isto é, a consciência pessoal de mim mesmo, ocorre em um gradativo processo de apreensão. Contudo, o conhecimento das especificidades tem limites. Não é possível esgotar o conhecimento de si mesmo, uma vez que sempre carregamos um conjunto de potências inerentes ao nosso núcleo que ainda não foram atualizadas, um dever ser que só pode ser conhecido na medida em que a realidade nos solicita. Ao mesmo tempo, carregamos na interioridade de nossa alma aspectos profundos que sedimentaram em si um conjunto de sentidos que se apresentaram em alguma situação e que podem estar motivando implicitamente as decisões, sem que tenhamos consciência desses aspectos que nos formam (Stein, 1934-1936/1999). Tudo que entra na alma a partir das vivências pode chegar a modificar várias disposições afetivas e motivar ações bem distintas. Ao escolher uma possibilidade de ação, escolhe-se uma entre várias possibilidades de atualizar o próprio potencial humano, escolhe-se uma direção para o que se pode ser não aleatoriamente e não sem limites. Esses aspectos podem ocorrer de maneira velada, não apreendida imediatamente ou facilmente pela pessoa. Trata-se de aspectos mais profundos, ora sombrios, de nossa alma, como nomeia Stein (1934-1936/1999).








CONCLUSÃO



A relação pessoa-comunidade discutida por Edith Stein oferece à psicologia uma fundamentação filosófica rigorosa, explicitando os aspectos dinâmicos e orgânicos, bem como a essência interdependente e interconstitutiva da pessoa e da comunidade. Não é possível falar de pessoa e de seu processo de formação excluindo a relação propriamente comunitária como via de construção e expressão, como também não podemos falar de uma comunidade desconsiderando a pessoa que se posiciona a partir de sua razão e liberdade. A pessoa é apreendida em termos de unidade em suas dimensões corpórea, psíquica e espiritual, sendo constitutiva sua abertura para o mundo natural e cultural, o que enfatiza a relacionalidade como fator essencial na formação pessoal. O conceito de pessoa aprofundado na análise fenomenológica de Stein explicita simultaneamente os aspecto passivo onde a pessoa recebe e apropria os dados culturais que lhe são oferecidos nas relações propriamente comunitárias, mas também o aspecto criativo e ativo onde a pessoa se posiciona na comunidade, construindo novas obras culturais, expressando-se na dinâmica da relação e da vida comunitária. Assim, a comunidade não é apenas um agrupamento humano, mas se apresenta como uma modalidade típica de posicionamento pessoal de seus membros e de uma abertura para acolher o posicionamento dos demais membros. Na obra de Stein, percebemos que o aspecto essencial da relação pessoa-comunidade não é a adoção de uma postura de defesa frente à comunidade por parte do indivíduo, encarando-a como uma ameaça ao desenvolvimento pessoal, nem da adoção de estratégias de controle dos seus membros por parte da comunidade para que estes não ameacem seus aspectos originais, antes, significa reconhecer que elas são interdependentes em seu processo de tornarem-se si mesmas e que este processo só pode acontecer a partir de uma abertura recíproca. Desta forma, a dicotomia na relação pessoa-comunidade é superada na descrição do fenômeno comunitário, identificando a interdependência ontológica como fator essencial. A comunidade oferecerá os meios e instrumentos culturais para o desenvolvimento pessoal, mas quais aptidões podem se desenvolver e atualizar, estas são dadas e reconhecidas no núcleo pessoal. Não se trata apenas de aspectos genéticos, embora a genética ofereça sua contribuição na compreensão de elementos constitutivos pessoais, mas de um núcleo formativo que dá uma direção e aponta limites aos determinismos sociais. A possibilidade de se opor ao que é oferecido culturalmente, de mudar o ambiente cultural, de buscar novos ambientes formativos, de reconhecer um critério que permita dizer se a pessoa está sendo si mesma ou não, são identificados na estrutura da pessoa como constitutivos de seu centro pessoal. Ao mesmo tempo, a possibilidade de uma expressão cultural autêntica da comunidade, a possibilidade de mudanças sem deixar de ser si mesma, de acolher em si novos membros com suas contribuições, podem ser identificadas na personalidade da comunidade. A identidade da pessoa e da comunidade é um processo dinâmico onde identificamos um núcleo de referência para as possibilidades e limites de transformação, um critério pessoal e comunitário que permite reconhecer a dinâmica da autenticidade.



ADAPTAÇÃO DOS AUTORES:


-Achilles Gonçalves Coelho Júnior - Mestre em Psicologia Social pela Universidade Federal de Minas Gerais.


-Miguel Mahfoud - Doutor em psicologia social, professor associado do Departamento de Psicologia da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas e do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal de Minas Gerais, atuando na linha de pesquisa "Cultura e subjetividade". Contato: Caixa Postal 253 - CEP: 31270-901 – Belo Horizonte – MG – Brasil.




BIBLIOGRAFIA RECOMENDADA PELOS AUTORES:



-STEIN, Edith. O que é fenomenologia? Tradução de Ursula Anne Matthias. Argumentos: Revista  de Filosofia,  ano  10,  n.  20,  p.  215-219,  jul.-dez.  2018.  Título  original:  Was  ist  phänomenologie?  (1924) In: ESGA (Edith Stein Gesamtausgabe), v. 9, texto 5, p. 85-90.


-Ales Bello, A. (2000a). A fenomenologia do ser humano: traços de uma filosofia no feminino. (A. Angonese, Trad.). Bauru: Edusc. (Original publicado em 1992).


-Alonso, A. V. (1992). Edith Stein fenomenóloga. Em M. M. Kuri (Org.). Homenaje a Edith Stein. (pp. 73-84). México: Universidad Iberoamericana.


-Gomes, A. M. A. (1999). Psicologia comunitária: uma abordagem conceitual. Psicologia: Teoria e Prática,1 (2), 71-79.


-Mahfoud, M. (2005b). Formação da pessoa e caminho humano: Edith Stein e Martin Buber. Memorandum, 8, 52-61. Retirado em 23/07/05, do World Wide Web: http://www.fafich.ufmg.br/~memorandum/artigos08/mahfoud02.htm


-Safra, G. (2005). Edith Stein e a estrutura da pessoa humana: epistemologia. (Vídeo conferência). São Paulo: Edições Sobornost.


-Stein, E. (1996). Ser finito y Ser eterno: ensayo de una ascensión al sentido del ser. 2ª ed. (A. P. Monroy, Trad.). México: Fondo de Cultura Económica. (Original de 1934-36, publicação póstuma em 1950).


-Stein, E. (1999b). A vocação do homem e da mulher de acordo com a ordem natural e da graça. Em E. Stein. A mulher: sua missão segundo a natureza e a graça. (A. J. Keller, Trad.). (pp. 73-103). Bauru: Edusc. (Original publicado em 1931).



-Husserl, E. (2006). Ideias para uma fenomenologia pura e para uma filosofia fenomenológica (M. Suzuki, trad.). São Paulo, SP: Idéias & Letras. (Trabalho original publicado em 1913)



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