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A parábola oriental dos seis cegos e o elefante

Written By Beraká - o blog da família on quarta-feira, 2 de setembro de 2020 | 00:26


(A verdade está no objeto ou no observador?)





A parábola Os Cegos e o Elefante originou-se no antigo subcontinente Indiano, a partir de onde ela foi amplamente difundida. É a história de um grupo de homens cegos, que nunca se depararam com um elefante antes e aprendem a descrever o que é o elefante simplesmente tocando-o. Cada homem cego sente uma parte diferente do corpo do elefante, mas apenas uma parte e não o todo. Eles então descrevem posteriormente o elefante com base em suas experiências limitadas, e suas descrições do elefante diferem umas das outras.



A primeira versão da história em si é rastreável ao texto budista Udana 6.4, datado de meados do primeiro milênio a.C.. Segundo John Ireland, a parábola é provavelmente mais antiga que o texto budista. Uma versão alternativa da parábola descreve homens com visão, experimentando uma grande estátua em uma noite escura ou sentindo um objeto grande enquanto está com os olhos vendados. Eles então descrevem o que experienciaram. Em suas várias versões, é uma parábola que cruzou muitas tradições religiosas e faz parte dos textos jainistas, hindus e budistas do primeiro milênio d.C. ou antes. A história também aparece no folclore sufi e bahá'í do segundo milênio.




Mais tarde, a história se tornou conhecida na Europa, com o poeta americano do século XIX John Godfrey Saxe criando sua própria versão como um poema, com um verso final que explica que o elefante é uma metáfora de Deus, e os vários cegos representam as religiões que discordam de algo que ninguém pode abranger completamente, pois a verdade de Deus é maior que nossa inteligência limitada. A história foi publicada em muitos livros para adultos e crianças e interpretada de várias maneiras.







A parábola no Hinduísmo




O Rigveda, datado como tendo sido composto entre 1500 e 1200 a.C., afirma:


"A realidade é uma, embora os sábios falem dela de várias formas"


Segundo Paul J. Griffiths, essa premissa é o fundamento da perspectiva universalista por trás da parábola dos cegos e dos elefantes. O hino afirma que a mesma realidade está sujeita a interpretações e descrita de várias maneiras pelos sábios. Na versão mais antiga, quatro cegos entram em uma floresta onde encontram um elefante. Nesta versão, eles não brigam entre si, mas concluem que cada um deve ter percebido um animal diferente, embora tenham experimentado o mesmo elefante. A versão expandida da parábola ocorre em vários textos antigos e hindus. Muitos estudiosos se referem a ela como uma parábola hindu.A parábola ou referências aparecem em bhasya (comentários, literatura secundária) nas tradições hindus. Por exemplo, Adi Shankara menciona ela em seu bhasya no versículo 5.18.1 da Chandogya Upanishad da seguinte maneira:



“Tal é como pessoas cegas de nascimento enquanto vendo um elefante”



A parábola Jainismo


Os textos jainistas da era medieval explicam os conceitos de anekāntavāda (ou "muitas faces") e syādvāda ("pontos de vista condicionados") com a parábola dos cegos e um elefante (Andhgajanyāyah), que aborda a natureza múltipla da verdade. Por exemplo, essa parábola é encontrada em Tattvarthaslokavatika de Vidyanandi (século IX) e Syādvādamanjari de Ācārya Mallisena (século XIII). Mallisena usa a parábola para argumentar que pessoas imaturas negam vários aspectos da verdade; iludidas pelos aspectos que elas de fato entendem, eles negam os aspectos que não entendem:


"Devido à extrema ilusão produzida por conta de um ponto de vista parcial, os imaturos negam um aspecto e tentam estabelecer outro. Essa é a máxima dos cegos e do elefante".



Mallisena também cita a parábola ao notar a importância de se considerar todos os pontos de vista na obtenção de uma imagem completa da realidade.



"É impossível entender adequadamente uma entidade que consiste em propriedades infinitas sem o método de descrição modal que consiste em todos os pontos de vista, pois isso levaria a uma situação de apreender meros brotos (isto é, uma cognição superficial e inadequada), na máxima dos cegos e o elefante".




A parábola Budismo



O Buda usa duas vezes o símile de cegos desviados. A versão mais antiga conhecida ocorre no texto Udana 6.4. No Canki Sutta, ele descreve uma fila de cegos se apoiando um ao outro como um exemplo daqueles que seguem um texto antigo que passou de geração em geração. No Udana (68-69) ele usa a parábola do elefante para descrever brigas sectárias. Um rei traz os cegos da capital para o palácio, onde um elefante é trazido e eles são convidados a descrevê-lo:




Quando os cegos sentiram uma parte do elefante, o rei foi a cada um deles e disse a cada um: "Bem, cego, você viu o elefante? Diga-me, que tipo de coisa é um elefante?" Os homens afirmam que o elefante é como um pote (o cego que sentiu a cabeça do elefante), um cesto (orelha), uma relha (presa), um arado (tromba), um celeiro (corpo), um pilar (pé), uma argamassa (traseira), um pilão (cauda) ou um pincel (ponta da cauda). Os homens não conseguem concordar um com o outro e começam a discutir sobre como é e a disputa deleita o rei. O Buda termina a história comparando os cegos aos pregadores e estudiosos que são cegos e ignorantes e mantêm suas próprias opiniões: Assim também são esses pregadores e estudiosos que sustentam várias visões cegas, não vistas e comprovadas. Na sua ignorância, eles são por natureza briguentos, discutíveis e controversos, cada um mantendo que a realidade é tal e tal." O Buda então fala o seguinte verso:



Ó como eles se apegam e discutem, alguns que arrogam
Para si de pregador e monge o honrado nome!
Pois, brigando, cada um à sua vista se apegam.
Esse povo vê apenas um lado de uma coisa.



A parábola Sufismo



O poeta sufi persa Sanai de Ghazni (atualmente, Afeganistão) apresentou essa história de ensino em seu O Jardim Murado da Verdade. Rumi, poeta persa do século XIII e professor de sufismo, incluiu-a em seu Masnavi. Em sua recontagem, "O Elefante no Escuro", alguns hindus trazem um elefante para ser exibido em um quarto escuro. Vários homens tocam e sentem o elefante no escuro e, dependendo de onde o tocam, acreditam que ele é como uma tromba de água (tromba), um leque (orelha), um pilar (perna) e um trono (traseira). Rumi usa essa história como um exemplo dos limites da percepção sensória individual:



“O olho sensual é como a palma da mão. A palma da mão não tem como cobrir toda a fera. Rumi não apresenta uma resolução para o conflito em sua versão, mas afirma:O olho do Mar é uma coisa e a espuma outra. Deixa a espuma e olha com o olho do Mar. Manchas de espuma dia e noite são lançadas do mar: ó maravilha! Tu vês a espuma, mas não o Mar. Somos como barcos correndo juntos; nossos olhos estão escurecidos, mas estamos em águas claras.Rumi termina seu poema afirmando: Se cada um tivesse uma vela e entrassem juntos, as diferenças desapareceriam.”



A parábola com John Godfrey Saxe



Uma das versões mais famosas do século XIX foi o poema " Os Cegos e o Elefante", de John Godfrey Saxe (1816-1887). O poema começa com seis homens do Hindustão, que, cegos, foram observar o elefante e cada um, em sua opinião, conclui que o elefante é como uma parede, cobra, lança, árvore, leque ou corda, dependendo de onde eles tocaram. O debate acalorado deixa a desejar com violência física, mas o conflito nunca é resolvido. E deduz: Tão frequentemente em guerras teológicas, os disputantes, supondo, prosseguem com sua total ignorância do o que o elefante significa, e discutem sobre o que nenhum deles realmente viu. (Natalie Merchant cantou esse poema na íntegra em seu álbum Leave Your Sleep - Disco 1, faixa 13).






As versões mais antigas da parábola de cegos e elefantes são encontradas nos textos budistas, hindus e jainistas, conforme discutem os limites da percepção e a importância do contexto completo. A parábola tem várias variações indianas, porém, escolhemos esta por nos parecer mais completa e coerente com a atualidade:


Era uma vez quatro cegos à beira de uma estrada. Um dia, lá do fundo de sua escuridão, eles ouviram um alvoroço e perguntaram o que era? Era um elefante passando e a multidão tumultuada atrás dele Os cegos não sabiam o que era um elefante e quiseram conhecê-lo. Então o guia parou o animal e os cegos começaram a examiná-lo. Apalparam, apalparam... e terminado o exame, os cegos começaram a conversar:


— Puxa! Que animal esquisito! Parece uma coluna coberta de pêlos!

— Você está doido? Coluna que nada! Elefante é um enorme abano, isto sim!

— Qual abano, colega! Você parece cego! Elefante é uma espada que quase me feriu!

— Nada de espada e nem de abano, nem de coluna. Elefante é uma corda, eu até puxei.

— De jeito nenhum! Elefante é uma enorme serpente que se enrola.

— Mas quanta invencionice! Então eu não vi bem? Elefante é uma grande montanha que se mexe.



E ali ficaram os seis cegos, à beira da estrada, discutindo partes do elefante, cada um querendo convencer o outro do que era um elefante a partir de sua experiência. O tom da discussão foi crescendo, até que começaram a brigar entre si, cada um querendo convencer aos outros que sua percepção era a correta. A certa altura, um dos cegos levou uma pancada na cabeça, a lente dos seus óculos escuros se quebrou e caiu no chão, então por algum desses mistérios da vida, ele recuperou a visão. E vendo, olhou, e olhando, viu o elefante, compreendendo imediatamente  tudo. Dirigiu-se então aos outros para explicar que todos estavam errados, inclusive ele, e que agora estava vendo e sabia como era o elefante. Buscou as melhores palavras que pudessem descrever o que vira, mas eles não acreditaram, e  acabaram unidos para debochar e rir dele.


(Toda moeda tem três lados)



O significado como provérbio por disciplina, ou país de domínio:



No Japão, o provérbio é usado como um exemplo de circunstância de que homens comuns geralmente não conseguem entender um grande homem ou sua grande obra.


























Tratamentos modernos



A parábola é vista como uma metáfora em muitas disciplinas, sendo colocada em serviço como uma analogia em campos muito além do tradicional:


a)-Na física, ela tem sido visto como uma analogia para a dualidade onda-partícula.


b)-Na biologia, a maneira como os cegos se apegam a diferentes partes do elefante tem sido vista como uma boa analogia para a resposta das células B policlonais.


c)-Na disciplina de história: A narrativa depende dos vencedores e vencidos.A fábula é um dos vários contos que lançam luz sobre a resposta de ouvintes ou leitores à própria história. Idries Shah comentou sobre esse elemento de autorreferência nas muitas interpretações da história.


As pessoas se dirigem a essa parábola em uma ou mais interpretações. Eles então as aceitam ou rejeitam. De acordo com o seu condicionamento, elas produzem a resposta. Alguns dirão que:



-É uma alegoria da FENOMENOLÓGICA, a qual vem confirmar que a verdade está no objeto observado e não no observador.


-Essa é uma alegoria fascinante e comovente da presença de Deus.


-Outros dirão que está mostrando às pessoas como a humanidade pode ser estúpida em convicções sinceras, porém, equivocadas.


-Alguns dizem que é uma parábola anti-escolástica.


-Outros dizem que é apenas uma história copiada por Rumi de Sanai, e assim por diante.






As várias morais da parábola:



-Ninguém explica Deus, nenhuma ciência sozinha é capaz de explicar toda realidade, e a verdade é maior que nossa inteligência e percepção limitada.


-A moral da parábola é que humanos têm uma tendência a pretender abarcar toda verdade a partir de suas experiências e pontos de vista limitados e subjetivas, ignorando as experiências subjetivas e também limitadas de outras pessoas, que podem ser igualmente verdadeiras, ou equivocadas.


-Em algumas versões, os cegos descobrem suas divergências, suspeitam que os outros não estejam dizendo a verdade e entram em conflito. As histórias também diferem principalmente em como as partes do corpo do elefante são descritas, quão violento o conflito se torna e mostra como o conflito entre os homens e suas variadas perspectivas é resolvido.


-Em algumas versões, eles param de falar, começam a ouvir e colaboram para "ver" o elefante inteiro. Em outro, um homem que enxerga entra na parábola e descreve o elefante inteiro de várias perspectivas, os cegos descobrem que estavam todos parcialmente corretos e parcialmente errados. Embora a experiência subjetiva de alguém seja verdadeira, pode não ser a totalidade da verdade.





-A parábola foi usada para ilustrar uma série de verdades e falácias; de maneira geral, a parábola implica que a experiência subjetiva de alguém pode ser verdadeira, mas que essa experiência é inerentemente limitada pelo fato de não dar conta de outras verdades ou de uma totalidade da verdade.


-Em vários momentos, a parábola forneceu informações sobre o relativismo, a opacidade ou a natureza inexprimível de toda verdade sobre Deus, o mundo e nosso destino.


-Tudo isto mostra o comportamento de especialistas em campos de teorias contraditórias, mas necessários, a necessidade de uma compreensão mais profunda e o respeito por diferentes perspectivas sobre o mesmo objeto de observação.


 -Em terra de cego, quem tem um olho anda apenas vendo coisas.


-Quando algo é tido como verdade, o que é diferente parece mentira.


-Problemas comuns podem nos unir contra ou a favor da verdade.


-Se você for falar sobre um bicho para uma pessoa que nunca viu, se ela enxergar é melhor fazer com que ela o veja primeiro. Se não enxerga, é bom deixar que ela ouça a opinião de alguém da confiança dela antes.


-Cegos a orientar cegos estarão todos errados, e correm o risco de se precipitarem no abismo.


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Neste Apostolado promovemos a “EVANGELIZAÇÃO ANÔNIMA", pois neste serviço somos apenas o Jumentinho que leva Jesus e sua verdade aos Povos. Portanto toda honra e Glória é para Ele.Cristo disse-nos:Eu sou o caminho, a verdade e a vida e “ NINGUEM” vem ao Pai senão por mim." ( João, 14, 6).Como Católicos,defendemos a verdade, contra os erros que, de fato, são sempre contra Deus.Cristo não tinha opiniões, tinha verdades, a qual confiou a sua Igreja, ( Coluna e sustentáculo da verdade – Conf. I Tim 3,15) que deve zelar por elas até que Cristo volte.Quem nos acusa de falta de caridade mostra sua total ignorância na Bíblia,e de Deus, pois é amor, e quem ama corrige, e a verdade é um exercício da caridade.Este Deus adocicado,meloso,ingênuo, e sentimentalóide,é invenção dos homens tementes da verdade, não é o Deus revelado por seu filho: Jesus Cristo.Por fim: “Não se opor ao erro é aprová-lo, não defender a verdade é nega-la” - ( Sto. Tomáz de Aquino) “Não a nós, Senhor, não a nós, mas ao vosso nome dai glória...” (Salmo 115,1)

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