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Os bens que passam, e os bens que não passam? Quais são os nossos verdadeiros tesouros?

Written By Beraká - o blog da família on sexta-feira, 24 de agosto de 2018 | 00:03





Os que buscam o Reino e sua justiça, não serão eles os mais realizados? Os que buscam as bem-aventuranças, não são eles, efetiva e afetivamente, os mais bem-aventurados de todos? Não é história bonitinha para tentar encher linguiça, escrever algo que faça as pessoas se emocionarem: é realidade que se pode tocar, experimentar. Os santos e santas de Cristo, seus amigos, foram eles os mais convictos disso. “Bem-aventurados os pobres de espírito porque deles é o Reino dos Céus” (Mt 5, 3). Pobre de espírito não quer dizer gente de poucos valores ou sem idéias interessantes para viver. Pobre de espírito não significa viver sem nada ou quase nada. Ter ou não ter não é a questão: a questão é: qual o valor que eu dou ao que eu tenho? É meio ou é fim? Não por nada Jesus ensina (Mt 6, 19-21.24:





“Não acumuleis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem os corroem e os ladrões arrombam os muros, a fim de os roubar. Acumulai tesouros no Céu, onde a traça e a ferrugem não corroem e onde os ladrões não arrombam nem furtam. 21Pois, onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração. Ninguém pode servir a dois senhores: ou não gostará de um deles e estimará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e ao dinheiro.”


Ora, servir-se do dinheiro para servir a Deus, claro que pode. E deve! Se assim Deus quiser, claro! Santa Teresa de Ávila dizia:

“Teresa sem Deus é menos que nada; Teresa com Deus pode muita coisa; Teresa com Deus e dinheiro é uma potência”


Realismo fundado em valores, sem cair nos idealismos ingênuos, eis a lição da reformadora do Carmelo. O desapego progressivo e vigilante, acompanhado de um apego cada vez maior a Deus, isso é fundamental e essencial. As tentações do consumo, do ter pelo ter, isso precisa ser superado quando uma sabedoria evangélica faz brotar no cristão uma disposição fortalecida para o bem. A profecia precisa ser dita: não só com palavras, mas com atitudes, gestos, opções pelo essencial, pelo eterno, pelo que faz feliz, de verdade.







A CONVERSÃO REALMENTE COMEÇA PELO BOLSO?



A expressão “a conversão começa pelo bolso” não é verdadeira, pois a conversão começa com a experiência que tivermos com Jesus e sua misericórdia, como a que Zaqueu teve.O desapego ao dinheiro e a outros bens materiais, bem como a pessoas, é apenas um sinal da nossa experiência com Jesus.


Como podemos acreditar em quem nos é desconhecido? Quem não é fiel na partilha da Comunhão de Bens, eu aconselharia a fazer “novo seminário” para buscar esse encontro com Jesus. Como abraçarmos a “Árvore da Vida, o Madeiro da Cruz”, se primeiro não abraçarmos o Cristo necessitado?


Nascemos no meio de um povo, cuja cultura é formar um bom patrimônio, quer através de um bom emprego, quer através de um empreendimento rendoso, para termos uma velhice tranqüila, segura, como se o dinheiro fosse a nossa grande segurança.É uma cultura falsa, pois a nossa segurança é Deus, e não há outra. Sim, não podemos negar, o dinheiro é muito importante para atender às nossas necessidades materiais, bem como as necessidades dos nossos irmãos. Com o falecimento de José, Jesus assumiu a carpintaria para ganhar o sustento próprio e o de Maria. O dinheiro é dom de Deus. Na grande viagem de Jesus a Jerusalém, muitas mulheres ricas e piedosas O acompanhavam, e, com suas riquezas, custeavam as despesas necessárias.






EXORTAÇÃO, É DIFERENTE DE ACUSAÇÃO !!!


Ora, alguns documentos da Igreja, são precedidos pelo termo EXORTAÇÃO APÓSTOLICA. É isto que muitas vezes Deus, a Igreja e nossas autoridades espirituais nos fazem: Não nos acusar, mas nos exortar, tendo em vista nossa maturidade até a estatura de Cristo, e a nossa salvação. Jesus nos exorta:


“Cuidado! Guardai-vos de toda ganância; não é pelo fato de um homem ser rico que ele tem a vida garantida pelos seus bens...” (Luc.12,15).


Podemos afirmar, muitos ganharam o céu por saber empregar bem o seu dinheiro.Apego aos bens materiais é avareza, é tirar a primazia de Deus e colocá-la em bens que hoje existem e amanhã deixam de existir. São bens temporais. Toda avareza é pecado capital, com agravante imediato: o esquecimento de Deus. O homem avaro é idólatra por inverter o papel dos bens, inclusive do dinheiro. Enquanto o dinheiro e todos os outros bens foram criados para servir o homem, o homem avaro passa a serví-los, tornando-se seu escravo. De um pecado venial que é a avareza, passa a ser pecado grave, por ser contrário ao grande mandamento da Lei de Deus:

“Escuta Israel! O Senhor, nosso Deus, é o Senhor que é Um. Amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com todo o teu ser, com todas as tuas forças” (Dt 6,4-5).


Portanto, bem algum, quer material, quer espiritual, pode ocupar o lugar de Deus. Esta lição nos deu Jesus quando de sua grande viagem a Jerusalém:


“Grandes multidões caminhavam com Jesus; Ele se voltou e lhes disse: Se alguém vier a mim sem me preferir ao seu pai, à sua mãe, à sua irmã, à sua mulher, aos seus filhos, aos seus irmãos, às suas irmãs, e até à própria vida, não pode ser meu discípulo”(Lc 14, 25-27). Mais adiante, Jesus continua: “Do mesmo modo, qualquer um de vós que não renuncia a tudo o que lhe pertence não pode ser meu discípulo”. (v.33)



O Senhor nos esclarece: desapego, renúncia não significa desfazer-se de tudo e de todos e ir morar debaixo da ponte. Não é isso. É não tornar-se escravo das pessoas e dos bens. É colocar Deus acima de tudo e de todos, e sensibilizar-se com as necessidades das pessoas, nossos irmãos mais necessitados, e com eles partilhar do que dispomos. Como os primeiros cristãos, temos uma comunidade, com uma diferença: Entre eles não havia necessitados, enquanto que na nossa há necessitados em demasia, por causa da nossa avareza. Chegou o momento, diz o Senhor, de mostrarmo-nos fiéis a Deus e aos irmãos, na partilha de nossos bens e dons, bem como na devolução da Comunhão de Bens, sem subjetivismos e justificativas, mas na fé.Com isto, Deus quer nos provar que a nossa garantia, a nossa segurança está nEle, e que devemos depositar toda a nossa confiança na Sua Misericórdia e na Sua Providência. Portanto, não temas, Israel, o Senhor, teu Deus, é a tua guarda, a tua segurança, a atua força, o teu escudo, a tua garantia. Nada te faltará!


UMA PARÁBOLA:


Era uma vez um homem muito rico, mas de pouco estudo. Como acontece para todos, certo dia ele também bateu às portas da morte. Já agonizando, pediu papel e caneta para lavrar o seu testamento. Mas, sendo parco em recursos literários, a pontuação não era o seu forte. Assim, as poucas palavras que conseguiu escrever, saíram ininteligíveis, sem pontuação, e sem nexo:


“Deixo meus bens a minha irmã não a meu sobrinho jamais será paga a conta do padeiro nada dou aos pobres”


Como era previsível, mal findaram os funerais, começaram as rixas entre o sobrinho, a irmã e o padeiro, cada qual interpretando o testamento a seu favor. O sobrinho fez a seguinte pontuação:


“Deixo meus bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho! Jamais será paga a conta do padeiro. Nada dou aos pobres”


Evidentemente, a irmã não gostou da interpretação, e pontuou assim o escrito:


“Deixo meus bens à minha irmã. Não a meu sobrinho. Jamais será paga a conta do padeiro. Nada dou aos pobres”


Julgando-se mais esperto que os parentes do finado, o padeiro puxou a brasa para sua sardinha:


“Deixo meus bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho? Jamais! Será paga a conta do padeiro. Nada dou aos pobres”


Sabendo das dificuldades para se chegar a um acordo, por fim vieram também os pobres da cidade. Um deles, mais sabido, fez a seguinte interpretação:


“Deixo meus bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho? Jamais! Será paga a conta do padeiro? Nada! Dou aos pobres”


Qual a moral da estória?


A mais autêntica e importante, é esta: a vida pode ser interpretada e vivida de diversas maneiras. Nós é que fazemos sua adaptação. E é isso que faz a diferença. Mas há também outras lições. Cada um encara a vida com os olhos que tem. Cada um se aproxima dos outros com o coração que tem. Cada um analisa os fatos com a maturidade, conceitos e preconceitos que tem. Talvez tenha sido por isso que Jesus falou:

“O homem bom tira coisas boas do seu bom tesouro interior; o mau, tira o mal de seu mau tesouro. A boca fala do que está cheio o coração...” (Luc 6,45).


Testemunho de vida de Camilo e Narlla – O que é de Deus, permanece:



Camilo e Narlla são membros da Comunidade Católica Shalom em Brasília. Jornalista apaixonada pelo “belo amor humano”  transforma em filme  a história de seu grande amor. “Camilo e Narlla – o que é de Deus, permanece”, é o nome do filme que já emociona em seu trailer pela verdade e simplicidade de uma história de amor entre um homem e uma mulher que diante de Deus fizeram seu enlace. De forma  simples e com muito brilho no olhar o casal conta como se conheceram, o apaixonamento, e a decisão de construir este amor baseado no relacionamento com Deus, e submissos a sua vontade através da Comunidade como mediadora. Os personagens testemunham a beleza do amor entre os dois, que entre tantos, nos dias de hoje, é quase um escândalo no bom sentido, mas  se tornam um luzeiro de esperança. O amor entre os dois é tão puro que transborda. Vivo, que contagia.  O mundo vê a beleza deste amor como exceção, para nós, no entanto, chamados que fomos a buscar não os bens que passam, mas aqueles que não passam, é a regra.A direção geral do filme é de Horual Leon. Confiram o seu trailer no link abaixo, copiando e colando:

https://www.youtube.com/watch?v=iwJJKFE0S5s


Pilatos diante de Jesus quando este lhe disse: Eu vim ao mundo para dar testemunho da verdade, este interrogou a Jesus: «O que é a verdade?» (Jo 18,38). Porém, o governador não esperou pela resposta de Jesus, talvez porque pensava que a verdade seria simplesmente uma decisão da maioria. Nem que seja para pedir a liberdade de um malfeitor como Barrabás e a condenação de um inocente como Jesus.


Padre Almeida da Comunidade Shalom, também nos testemunha:


O escrito Pobreza diz: ‘o novo que Deus quer realizar em nós é um novo baseado na pobreza’. E ser pobre é ‘estar nas mãos de Deus’. Assim, viver o novo é, na verdade, viver a pobreza. E o encontro com o papa Francisco, vem nos confirmar esse caminho para nós, que quer uma Igreja pobre e para os pobres. Nós queremos ser uma comunidade pobre, e para os pobres também. Quando o papa resolveu usar a cruz e o anel de prata, logo pensei: vou também mudar o meu anel [aliança] para um de prata, mas Jesus me recordou: primeiro você precisa ser pobre, depois você pode até mudar o anel. E estou agora buscando primeiro ser mais pobre”, contou.



Na realidade um simples anel de prata, tucum, ou qualquer outro material na mão de uma pessoa, sem a realvivencia da pobreza evangélica, seria uma ostentação de pobreza. E ostentar virtude é vaidade que anula toda virtude. Usar isso, para demonstrar amor aos pobres, é mais  demagogia do que virtude, pois se alguém é realmente pobre, deve praticar essa pobreza no desprezo das riquezas, sem ostentação, porque se não é pura vaidade e desejo de ser considerado pobre e bom. Uma autoridade legitimamente ordenada pela igreja, é um sucessor dos Apóstolos, e quem é elevado a tão grande honra, deve saber distinguir entre o seu cargo e a sua pessoa, como indigna, servo inútil e pecador. Enquanto autoridade da Igreja, ele deve compreender que deve ser indigno de tal honra, porém, deve usar todos os símbolos de sua honra apostólica numa atitude de humildade e obediência.


O Papa São Leão Magno ensina sobre este tema:


“Não há dúvida de que os pobres alcançam mais facilmente que os ricos o bem da humildade; estes últimos, nas riquezas, é conhecida a altivez. Contudo em muitos ricos encontra-se a disposição de empregar sua abundância não para se inchar de soberba, mas para realizar obras de benignidade; e assim eles têm por máximo lucro tudo quanto gastam em aliviar a miséria do trabalho dos outros. A todo gênero e classe de pessoas é dado ter parte nesta virtude, porque podem ser iguais na intenção e desiguais no lucro; e não importa quanto sejam diferentes nos bens terrenos, se são idênticos nos bens espirituais. Feliz então a pobreza que não se prende ao amor das coisas transitórias, nem deseja o crescimento das riquezas do mundo, mas anseia por enriquecer-se com os tesouros celestes.”






A NOVA POBREZA EVANGÉLICA:


Música: Obra Nova

(Comunidade Católica Shalom)


Eis que Eu faço Obra nova, nova Obra, Obra nova.
Eis que ela já surge, não a vedes? Não a vedes? Não a vedes?

Obra nova para este tempo.
Obra nova para Minha Igreja.
Obra cara ao Meu coração.

Trago-te um novo louvor.
Chamo-te à nova pobreza.
Eis o Evangelho vivo hoje.



“Eis que vou fazer obra nova, a qual já surge: não a vedes? Vou abrir uma via pelo deserto, e fazer correr arroios pela estepe. Dar-me-ão glória os animais selvagens, os chacais e as avestruzes, pois terei feito jorrar água no deserto, e correr arroios na estepe, para saciar a sede do meu povo, meu eleito; o povo que formei para mim contará meus feitos” (Is 43,19-21)



 “Ser pobre é, em primeiro lugar, estar nas mãos de Deus” (RVSh).


A grande maioria das pessoas, quando verdadeiramente começam a descobrir o Senhor e, de diversas formas, experimentar o Amor de Deus (através de Seminários de Vida no Espírito Santo, orações, Celebrações Eucarísticas etc.) logo sentem a necessidade de se desprenderem daquilo que pode vir a dificultar o relacionamento mais íntimo com Ele. E mesmo aqueles que já possuem um longo tempo de caminhada, sentem o quanto é fundamental estar livres para fazer a vontade de Deus. A Pobreza nada mais é do que essa liberdade diante do materialismo pregado pelo mundo. Somos pobres na medida em que nos despojamos da falsa mentalidade de que “É preciso ter muitos bens”, quando partilhamos o que temos e somos, quando confiantemente cremos que Deus nos dará o essencial para nossa vida e felicidade. Na Comunidade Shalom o Senhor nos convida a, alegremente, vivermos este belo chamado de fé, tanto na Comunidade de Vida como na Comunidade de Aliança:


“Os irmãos da Comunidade de Vida são chamados a viver a experiência de total abandono de suas vidas nas mãos de Deus” (ECCSh).


Na Comunidade de Vida os irmãos vivem diretamente a total “dependência” do querer divino. Em tudo! Desde o seu sustento básico, estes irmãos são mantidos pela Providência do Senhor, que se manifesta das mais diversas formas (doações, dízimo, comunhão de bens por parte da Obra etc.):


“A economia do Reino de Deus é a Divina Providência. Assim, todos os irmãos da Comunidade de Vida nada possuam como propriedade pessoal” (ECCSh).


O caminho de pobreza destes irmãos é o de não possuir nada, sendo livres para partilharem suas vidas uns com os outros, com a Igreja, com o mundo. Desde a administração daquilo que Deus lhes confia pessoalmente (um número limite de roupas e utensílios em geral, que variam dependendo da região, cultura ou função desempenhada), como comunitariamente (residência da comunidade, alimentação, vestuário, centros de evangelização e outras necessidades da Obra).Devem buscar a sobriedade no vestir, no falar e em suas atitudes, agir com moderação e buscar, seja qual for o ambiente no qual Deus os chame ao anúncio do Evangelho (dos locais mais simples aos mais suntuosos), ser reflexo do Cristo Pobre, que despojou-se de tudo para perfeitamente servir:


“Os irmãos da Comunidade de Aliança, mesmo não renunciando à posse dos bens materiais, são chamados por Deus a viverem o espírito evangélico da pobreza, expresso em: Buscai primeiro o Reino de Deus e tudo mais vos será dado por acréscimo (Lc 12,13)” (ECCSh).


A Comunidade de Aliança é chamada, num profundo espírito de humildade, a dispor daquilo que o próprio Deus lhe concedeu para administra-los:


Profissão, tempo, bens etc. Vivendo num mundo extremamente consumista, estes irmãos são luz e testemunho da liberdade de quem necessita em primeiro lugar, abandonando a “idolatria do possuir”, ser livre para o serviço. “Os irmãos da Comunidade de Aliança tenham em mente que tudo o que possuem é dom de Deus”. Assim, tendo a consciência de que Deus é o verdadeiro dono de tudo, os membros da Comunidade de Aliança vivem o abandono, administrando os “dons” do Senhor; sejam eles ricos materialmente, ou não.





CONCLUSÃO



Se a riqueza é fonte de muitos males, se provoca tantas paixões, crimes, não é a ela que devemos culpar, e sim ao mal uso que o homem dela faz. O que deveria ser útil, servir de progresso para a humanidade, mal utilizado serve de opressão, escravidão, subserviência, poder. A riqueza é colocada como prova na mão de alguns, para que dela o homem faça surgir o bem e o desenvolvimento. A dificuldade a que Jesus se refere aos ricos deste mundo, é que a riqueza é, sem dúvida, uma prova bastante arriscada, mais perigosa que a miséria, em virtude das excitações, das tentações que oferece e da fascinação que exerce. O orgulho e o egoísmo podem ser extremamente excitados no gozo da vida puramente sensual e material. Outro fator a considerar é a maneira com que a riqueza foi adquirida: de forma lícita ou ilícita. Embora a riqueza dificulte o caminho, não significa que ela o torne impossível e não possa servir como meio de evolução espiritual para quem dela faça bom uso dela. Muitos santos, inclusive Reis, fizeram isto na história da Igreja. A prova da riqueza material, e até mesmo da pobreza, é colocada muitas vezes de forma providencial por Deus nas mãos certas. Depende do próprio homem, na sua conduta, aproveitar ou não as facilidades e dificuldades materiais que tem na presente em benefício de sua salvação e do próximo, oferecendo trabalho, e provisões quando sofrem calamidades, provocando a diminuição da fome, da miséria, da ignorância, enfim promovendo o bem-estar da humanidade e o seu progresso, atingindo então, o próprio fim a que se destina: O crescimento moral e espiritual, na sua administração.Realmente como dizia Padre Deivid da diocese de Mossoró-RN:



“Nem todo rico vai para o inferno, e nem todo pobre vai para o Céu.”


O mal não está na pobreza. O mal está na miséria. Pelo que se todos soubessem ser pobres, a miséria terminaria. Miséria é quando não se tem. Pobreza é quando se reparte o que se tem. Daí que o Padre Francês Abbé Pierre, tenha sinalizado a diferença:



«A miséria é aquilo que impede um homem de ser homem. A pobreza é a condição para ser homem».




Assim sendo, é a pobreza que nos faz perceber que viver é conviver. É a pobreza que nos permite entender que não somos proprietários definitivos de nada, mas somente meros administradores provisórios de tudo. O que temos não nos pertence só a nós. De resto, nem nós mesmos somos donos de nós. É por isso que, ao contrário de Sartre, que achava que «o inferno são os outros», o mesmo Abbé Pierre proclamava que «o inferno é viver sem os outros». A miséria é infernal porque há corações que são como muros: são difíceis de abater. Jesus declara felizes os pobres (cf. Mt 5, 3) porque não suportam viver sem os outros, porque não estão condicionados pelo espaço, pelo tempo ou pela posse. O rico a quem Jesus se refere no Evangelho de Mateus 19, 23-30,é o homem que coloca a sua confiança e o ideal da sua vida nos seus bens, materiais ou intelectuais e até espirituais, mas não faz caso para ouvir a Deus, que o dotou de tudo o quanto possui (João 3,27;I Cor 4,7). No entanto, rico não é somente quem possui muito dinheiro, muitos bens, mas também aquele (a) que é convencido de si mesmo, autossuficiente, abarrotado de ideias, cheio de muita “espiritualidade” e põe nesse “tesouro” todo a sua atenção.Muitos de nós, mesmo não tendo dinheiro, temos um coração de rico, isto é, apegado ao pouco que possuímos, às nossas opiniões, à maneira de pensar, nossas convicções etc. No entanto, mesmo assim, o próprio Jesus nos afirma que “para Deus tudo é possível”! Com efeito, confiando na Sua graça, mesmo que ainda sejamos muito “ricos”, ainda poderemos nos desapegar da nossa “riqueza”, dando a ela o seu devido lugar. Quando nos colocamos nas mãos do Senhor e a Ele oferecemos tudo quanto possuímos, a nossa vida adquire um significado de justiça e de felicidade.Para seguir Jesus precisamos apenas de um coração rendido e confiante, na certeza de que Ele tudo providenciará para a nossa caminhada. A nossa recompensa é certa, poderá tardar, mas não falhará. Mesmo, que hoje, nos sintamos em último lugar, podemos ter a certeza de que o Senhor virá e nos abrirá as portas do céu. O mundo será renovado pelo Amor e, enquanto aqui estivermos, Jesus nos chama para ser protagonista dessa renovação. A vida eterna, porém, precisa ser o nosso objetivo final, porque se estivermos lutando somente em busca das coisas temporais, seremos pessoas frustradas, vazias e sempre carentes.



.
PERGUNTAS PARA UM MELHOR APROFUNDAMENTO DESTA REFLEXÃO:


1)- Você é uma pessoa autossuficiente com seus dons e bens materiais?

2)- As convicções e coisas que você hoje possui,  o ajudam, ou impedem de seguir livremente a Jesus?

3)- Você tem a vida eterna como sua meta de chegada?

4)- Você desejaria viver o restante da sua vida do jeito que vive hoje?



Apostolado Berakash

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Neste Apostolado promovemos a “EVANGELIZAÇÃO ANÔNIMA", pois neste serviço somos apenas o Jumentinho que leva Jesus e sua verdade aos Povos. Portanto toda honra e Glória é para Ele.Cristo disse-nos:Eu sou o caminho, a verdade e a vida e “ NINGUEM” vem ao Pai senão por mim." ( João, 14, 6).Como Católicos,defendemos a verdade, contra os erros que, de fato, são sempre contra Deus.Cristo não tinha opiniões, tinha verdades, a qual confiou a sua Igreja, ( Coluna e sustentáculo da verdade – Conf. I Tim 3,15) que deve zelar por elas até que Cristo volte.Quem nos acusa de falta de caridade mostra sua total ignorância na Bíblia,e de Deus, pois é amor, e quem ama corrige, e a verdade é um exercício da caridade.Este Deus adocicado,meloso,ingênuo, e sentimentalóide,é invenção dos homens tementes da verdade, não é o Deus revelado por seu filho: Jesus Cristo.Por fim: “Não se opor ao erro é aprová-lo, não defender a verdade é nega-la” - ( Sto. Tomáz de Aquino) “Não a nós, Senhor, não a nós, mas ao vosso nome dai glória...” (Salmo 115,1)

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