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Papa Francisco: Uma Igreja e laicato em saída

Written By Beraká - o blog da família on terça-feira, 8 de maio de 2018 | 22:38






“prefiro uma Igreja acidentada, ferida, enlameada por ter saí­do pelas estradas, a uma Igreja enferma pelo fechamento e a comodidade de se agarrar às próprias seguranças. Não quero uma Igreja preocupada com ser o centro, e que acaba presa em um emaranhado de obsessões e procedimentos ...




O Santo Padre recebeu, no dia 17/6/2016 na Sala Clementina, no Vaticano, 85 participantes na Assembleia do Pontifício Conselho para os Leigos, entre os quais Moysés Azevedo, fundador da Comunidade Católica Shalom e Dom Orani João Tempesta, Cardeal-arcebispo do Rio de Janeiro.Em seu discurso, o Papa recordou que o “Pontifício Conselho para os Leigos” será incorporado no Pontifício Conselho para a Família, em conexão com a Academia para a Vida.Na primeira parte do seu pronunciamento, Francisco fez uma retrospectiva das atividades do Pontifício Conselho para os Leigos, desde a sua instituição, há quase 50 anos, por obra do bem-aventurado Paulo VI, que, na época (1976), não hesitou em definir o organismo da Santa Sé “um dos melhores frutos do Concílio Vaticano II”, cujo objetivo era a coordenação, estudo e consulta para “estimular os leigos a tomar parte ativa da vida e da missão da Igreja”.





Desta forma, o Papa agradeceu ao Senhor pelos abundantes frutos deste organismo do Vaticano que, em todos estes anos, suscitou o nascimento de tantas associações laicais, movimentos e comunidades de índole missionária.



Em modo particular, o Santo Padre destacou o crescente papel e presença da mulher na Igreja, como também a criação das Jornadas Mundiais da Juventude, gesto providencial de São João Paulo II, instrumento de evangelização das novas gerações, mantido com particular carinho pelo Pontifício Conselho para os Leigos. E recordou:



“O mandato que receberam do Concílio era exatamente o de ‘impelir’ os fiéis leigos a se engajar, cada vez mais e melhor, na missão salvífica e evangelizadora da Igreja. Com o Batismo e a Confirmação o fiel leigo se torna discípulo missionário do Senhor, sal da terra, luz do mundo e fermente que transforma a sociedade”.


Com efeito, nesta Assembleia do Pontifício Conselho para os Leigos, foram recordados todos aqueles que se dedicaram, com paixão e empenho, à promoção da vida e do apostolado dos leigos ao longo destes quase 50 anos. À luz deste caminho percorrido, o Papa encorajou os presentes a olhar novamente o futuro com esperança, pois muito ainda deve ser feito, diante dos novos desafios:


“Convido-lhes a acolher esta Reforma da Cúria Romana, que os envolverá, como sinal de estima e valorização do seu trabalho, na vocação e missão dos leigos no seio da Igreja. O novo Organismo terá como ‘leme’ prosseguir na sua navegação, tendo como campos privilegiados a família e a defesa da vida. Sobretudo neste Ano Jubilar, a Igreja é chamada a ser ‘casa paterna’, comunidade evangelizadora.”


Neste sentido, o Papa Francisco propôs, como horizonte de referência para o imediato futuro, o seguinte binômio: “Igreja em saída” e “laicato em saída”, lançando o olhar para os que se encontram ‘distantes’ do nosso mundo, às tantas famílias em dificuldade e necessitadas de misericórdia, aos campos de apostolado ainda inexplorados, e aos numerosos leigos, que devem ser envolvidos e valorizados pelas instituições eclesiais.O Santo Padre concluiu seu discurso dizendo que:


“precisamos de leigos bem formados, animados pela fé cristã, que “sujem suas mãos” e não tenham medo de errar, mas que prossigam adiante. Precisamos de leigos com visão do futuro e não fechados nas pequenezas da vida, mas experientes e com novas visões apostólicas”.




O Papa Francisco propõe a Cultura do encontro (Construir pontes e não muros):







Além das viagens, as resoluções, os gestos, diálogos e mudanças por ele empreendidas e os documentos publicados revelam essa postura eclesial do encontro, mais especificamente da “cultura do encontro3”, convite lançado desde o início de seu pontificado. Um dos discursos em que ele apresenta a “cultura do encontro”, como meta do trabalho pastoral, foi realizado no Brasil, durante a Jornada Mundial da Juventude. Ele chama bispos, sacerdotes, religiosos e seminaristas a terem a coragem de ir contra a corrente da cultura eficientista, da cultura do descarte.


“Temos de ser servidores da comunhão e da cultura do encontro. Quero vocês quase obsessivos neste aspecto! E fazê-lo sem serem presunçosos, impondo as “nossas verdades”, mas guiados pela certeza humilde e feliz de quem foi encontrado, alcançado e transformado pela Verdade que é Cristo, e não pode deixar de anunciá-la4”, convoca o Papa.


Francisco mantém a marcha, com um novo fôlego e novo estilo, a renovação proposta pelo Concílio Vaticano II que “apresentou a conversão eclesial como a abertura a uma reforma permanente de si mesma por fidelidade a Jesus Cristo (…)5”. Em sua primeira Exortação Apostólica, intitulada a “Alegria do Evangelho” (Evangelii Gaudium), o Pontífice expressa o seu desejo e meta para toda Igreja.


“Saiamos, saiamos para oferecer a todos a vida de Jesus Cristo! Repito aqui, para toda a Igreja, aquilo que, muitas vezes, disse aos sacerdotes e aos leigos de Buenos Aires: prefiro uma Igreja acidentada, ferida e enlameada, por ter saído pelas estradas, a uma Igreja enferma pelo fechamento e a comodidade de se agarrar às próprias seguranças. Não quero uma Igreja preocupada com ser o centro, e que acaba presa num emaranhado de obsessões e procedimentos”6.(EG 49).


Uma das grandes expressões dessa Igreja, que “vai além de seus muros”, é, certamente, o imperativo da misericórdia que tomou forma no Ano Santo da Misericórdia. Francisco lembra que a credibilidade da Igreja passa pela estrada do amor misericordioso de Deus, destinado a todos. Com o ato simbólico da abertura e passagem pela Porta Santa, ele recordou, com voz forte, que a Igreja é chamada a:


“abrir o coração àqueles que vivem nas mais variadas periferias existenciais (…), curar suas feridas, aliviá-las com o óleo da consolação, enfaixá-las com a misericórdia e tratá-las com a solidariedade e a atenção devidas”7.


Francisco ensina que a misericórdia leva, antes de tudo, aos pobres, eles que são considerados os últimos na sociedade de consumo, tornam-se os primeiros alvos da Igreja em saída8.A centralidade do Evangelho é a força motriz da Igreja vivamente missionária pedida por Francisco. Da mesma forma que o Evangelho é seu “programa de vida”, como ele mesmo apontou em seu primeiro discurso aos seus mais estreitos colaboradores:


“Partindo justamente do afeto colegial autêntico que une o Colégio Cardinalício, exprimo a minha vontade de servir o Evangelho com renovado amor, ajudando a Igreja a tornar-se, cada vez mais, em Cristo e com Cristo, a videira fecunda do Senhor”9.



O Papa Francisco sabe o que está dizendo



O Papa Francisco sabe o que está dizendo e é exatamente isso que faz com que encontre oposição em determinados setores da igreja. No início não se dava muita atenção ao que ele dizia, pois ele tem um jeito manso e calmo de falar sem levantar tempestades. Assim, por exemplo, não se prestou muita atenção à fala do então Cardeal Bergoglio diante de seus colegas cardeais, no dia 9 de março de 2013, poucos dias antes do início do conclave que o elegeria papa:


“A igreja deve sair de si mesma, rumo às periferias existenciais.Uma igreja auto-referencial prende Jesus Cristo dentro de si e não o deixa sair. É a igreja mundana, que vive para si mesma.”


O texto acima, se encontra no livro ‘Grandes Metas do Papa Francisco’, escrito pelo Cardeal Hummes (Paulus, São Paulo, 2017). Aqui já se prenuncia a expressão ‘igreja em saída’, que, imagino, muita gente não entende bem. Aqui procuro colocar esse modo de falar diante de um amplo painel histórico, pensando que isso ajuda a compreender sua importância.Quando colocadas diante do amplo painel da história da igreja católica, as palavras do papa ganham sua verdadeira dimensão.


Temos de recuar até os séculos XII e XIII, ir até os três grandes papas da Idade Média: Gregório VII (1073-1085), Inocêncio III (1198-1216) e Bonifácio VIII (1294-1303).Esses três papas eram grandes organizadores e fizeram com que a igreja virasse uma grande empresa, que exercia controle sobre a vida das pessoas e as instituições públicas. Esses papas, e toda Cúria que os rodeava, imaginava que o crescimento da instituição cristã implicava automaticamente na maior divulgação do evangelho. Esse era o postulado. As autoridades se compraziam em verificar que a empresa da igreja sobre as sociedades se consolidava sempre mais. Desse modo, a igreja se tornava sempre mais auto-referencial (para falar como Papa Francisco), autocentrada, triunfalista, narcisista (outro termo do Papa Francisco).


Líderes eclesiásticos eram valorizados na medida em que se mostravam bons empresários, como comprova a história dos três pontificados acima mencionados. Sempre mais se valorizava a eficiência administrativa. A igreja estava num círculo vicioso e não se dava conta. Olhava para si mesma e só enxergava o mundo a partir de si mesma. O clericalismo crescia exponencialmente, seu controle sobre a população, criando a figura do Católico Praticante (de carteirinha). Quando autoridades eclesiásticas falavam em ‘reforma da igreja’ (e falavam muito), era sempre no sentido de aperfeiçoar os instrumentos de controle sobre a sociedade. Tudo era direcionado para esse fim: os sacramentos, as paróquias, as indulgências, as devoções, as peregrinações. Orgulhosa de seus grandes feitos de engenharia administrativa, a igreja alimentava, em seus colaboradores, tendências ao carreirismo. Clérigos eficientes podiam contar com um futuro esplendoroso, inclusive com aceitação garantida por parte do ‘povo fiel’.



Tudo isso acabou criando uma neurose que se expressou de forma aguda na tão falada Inquisição, que fora exigida pelos próprios fieis.A mentalidade inquisicional não poupava nem os próprios inquisidores. Pois, não raramente, os inquisidores morriam de medo uns dos outros, já que todos eram potencialmente suspeitos de heresia (Todos tinham medo de todos, ninguém confiava em ninguém. A história da igreja virou um emaranhado inextricável de tramas, histórias, intrigas, conspirações e corrupções).Apesar de tudo foi um grande período de Santidade. Vários santos foram grandes inquisidores: S. João Capistrano, S. Domingos e S. Pio V, para citarmos apenas alguns. Todos os INQUISIDORES deveriam ser doutores em Teologia, Direito Canônico e também Direito Civil; deveriam ter no mínimo 40 anos de idade ao serem nomeados. É de notar que nenhum dos santos medievais (nem mesmo São Francisco de Assis, tido como símbolo da mansidão) levantou a voz contra a Inquisição, embora soubessem protestar contra o que lhes parecia destoante do ideal na Igreja.


Nos mesmos séculos XII e XIII surgiram movimentos contrários à igreja auto-referencial, que prende Jesus Cristo dentro de si, que ‘sequestra’ Jesus Cristo. O realce aqui é o movimento franciscano, que tomou o cuidado em não se indispor com a hierarquia.Até hoje, o franciscanismo permanece um bom exemplo de um movimento que ao mesmo tempo que se submete a hierarquia, reage contra uma igreja ‘ensimesmada’. Não é por acaso que o atual papa escolheu o nome de Francisco.  Claro, é preciso adaptar o espírito franciscano aos dias de hoje, pois não se pode esquecer que a ‘vida religiosa’, em geral, até bem recentemente, se organizava em torno do paradigma monástico (os ‘votos evangélicos’ de celibato, pobreza e obediência, a vida em casas separadas, como mosteiros, priorados, conventos e casas religiosas). Esse paradigma orientou de forma santa e frutuosa, praticamente todos os movimentos evangélicos por longos séculos. Oriundo de experiências fortes, entre os séculos VII e XII dos Padres do Deserto.A ‘vida religiosa’ pode contar com a simpatia da população, mas não tem mais a força de antes. O mesmo acontece, até certo ponto, com a igreja em geral. Fora dos limitados círculos eclesiásticos não se presta mais atenção ao que o papa ou o bispo dizem. Não que exista um clima de hostilidade ou rejeição por parte da sociedade, mas não se pode fugir da impressão que os modos eclesiásticos, aos olhos de muitos, simplesmente estão dessintonizados.


Embora houvesse, desde a Idade Média, esses movimentos em prol da vida evangélica durante todos esses séculos, não se falava em pobreza nos altos escalões da igreja, como se fala hoje no papado de Francisco. É dentro desse contexto que, inesperadamente, duas semanas antes da abertura do Concílio Vaticano II (setembro 1962), numa emissão radiofônica, foi pronunciada, pelo Papa João XXIII, a seguinte frase: A igreja é de todos, mas é antes de tudo uma igreja de pobres. Dita sem alarde e sem elevação de voz. Era a primeira vez que de forma mais enfática e específica, a mais alta autoridade eclesiástica declarava que a pobreza evangélica era um desafio para a igreja.Acontece que as palavras papais de setembro 1962 passam largamente despercebidas. Não são comentadas nas dioceses e nas paróquias, não são divulgadas pela grande imprensa ou pela TV, não alcançam o grande público católico. Os bispos continuam com os temas sempre pertinentes: reforma litúrgica, ecumenismo, modelo de igreja, dogma, luta contra o comunismo ateu, seminários e casas de formação, a moral católica, perigo da secularização, do protestantismo e do espiritismo.


Se o Concílio em Roma atribui pouca atenção à questão da pobreza de largos setores da humanidade, não se pode dizer o mesmo da Conferência Geral dos Bispos da América latina que se realiza em Medellin (na Colômbia) no ano 1968. Os bispos latino-americanos não se deixam mais teleguiar pelo ‘Primeiro Mundo’ (principalmente Europa e Estados Unidos), mas assumem corajosamente uma postura de ‘Terceiro Mundo’. Enfrentam a realidade social, econômica e política do continente sul-americano. Fazem uma ‘opção preferencial pelo pobre’. Esse slogan não é puro palavreado, mas representa ações concretas: alguns dos bispos mais atuantes em Medellin passam efetivamente a manter uma vida em consonância com o modo de viver comum dos povos de suas terras. Na América Latina, a opção pelo pobre continua sendo assumida pela mais alta autoridade eclesiástica ao longo das últimas décadas, como se verifica em textos proferidos nas sucessivas Conferências Episcopais: Puebla 1979; Santo Domingo 1992 e Aparecida 2007,paralelo a uma justa e necessária PASTORAL DAS ELITES.


Logo depois de eleito, o Papa Francisco assumiu o posicionamento do Papa João XXIII em 1962. Exclamou, três dias depois de eleito: Ah! Como eu queria uma igreja pobre e para os pobres. As mesmas palavras voltam no documento Evangelii Gaudium (EG), um dos primeiros por ele assinados: uma igreja pobre e para os pobres, uma igreja que faz opção pelo pobre (EG, 198).


Ao longo de sucessivas falas, em diversas ocasiões, o papa vai criando um vocabulário todo próprio: igreja que se move, que faz opção pelos últimos, que vai à periferia, que sai de si mesma (audiência de 23/03/2013), que anda pela rua (os ‘sacerdotes callejeros’), igreja inclusiva, não excludente, não autocentrada, não narcisista, que não vive para si mesma, não é cartório, igreja inteiramente missionária (EG 34), discípula missionária (EG 40), hospital de campanha, campo de refugiados. Ainda se pode citar EG 195, 197, 198 ou 199.A expressão de maior realce, dentro desse novo vocabulário, é ‘igreja em saída’:


“Sonho com uma opção missionária capaz de transformar tudo: os estilos, os horários, a linguagem, numa atitude constante de saída...” (EG 26-27).


‘Igreja em saída’, eis a expressão que resume o posicionamento do Papa Francisco frente à ideologia ‘auto-centrada’ que predominou na igreja católica durante muito tempo, porém, de forma sábia, o papa alerta a esta mesma igreja para não cair no mero assistencialismo praticado pelas ONG’s. E durante deu encontro com mais de 5 mil peregrinos argentinos na Catedral Metropolitana do Rio de Janeiro, o papa Francisco convocou os jovens a saírem às ruas enquanto para que atuem junto à comunidade. Segundo o pontífice, uma Igreja que não sai às ruas é comparável a uma organização não-governamental (ONG):


"Queria dizer uma coisa: o que espero como consequência da Jornada Mundial da Juventude é que vocês saiam, quero que a Igreja saia às ruas. Quero que nos defendamos de tudo que seja mundano", afirmou o Papa, em um discurso feito de improviso. "As paróquias, as instituições foram feitas para sair. Se não saem, viram uma ONG, e a Igreja não deve ser uma ONG", acrescentou.


A mensagem de Francisco repete discurso feito na celebração de sua primeira missa como Papa, em março deste ano. Na ocasião, o Pontífice disse que a Igreja deve ser a companheira de Cristo, e não uma "ONG piedosa". "Se nós não professarmos Jesus Cristo, nos converteremos em uma ONG piedosa, não em uma esposa (mulher) do Senhor", disse opapa Francisco, lembrando que todos são "mundanos", mesmo os mais religiosos e, não "discípulos do Senhor".



Conhecido por realizar um ministério focado na questão social, o papa Francisco também abordou em sua mensagem a questão da exclusão. O pontífice identificou na sociedade os jovens, que sofrem com desemprego, e os idosos, como os mais vulneráveis. "Esta civilização nos levou a excluir as duas pontas que são nosso futuro", disse. De volta a um discurso mais teológico, o líder religioso apontou o sacrifício de Jesus Cristo na cruz como "um escândalo" e apontou os ensinamentos das chamadas "bem-aventuranças", descritas no livro de Mateus como um guia comportamental para os cristãos. "Não precisam ler outra coisa", disse o Papa. O episódio bíblico ao qual o pontífice de referiu faz parte de um sermão proferido por próprio Jesus Cristo no chamado Sermão do Monte, mesma passagem na qual ele conclama seus seguidores a amar o próximo como a si mesmo.


Um novo tipo de sacerdote e de leigos

Tudo isso ainda é muito frágil e corre o risco de ser levado pela poeira dos tempos, se não aparecer um novo tipo de padre e uma ação laical INTEGRAL. Será que, nos dias que correm, esse tipo está se gestando? Então, o importante agora, consiste em substituir aos poucos a imagem do sacerdote que aparece na comunidade para celebrar missa, administrar sacramentos, abençoar casamentos, executar ritos e liturgias, pela imagem de um sacerdote que fica no círculo, ao lado de leigos e leigas, escuta e interfere de vez em quando, como orientador ou mesmo como simples companheiro. Uma passagem difícil, que exige lucidez e determinação, pois sempre é mais fácil voltar ‘às cebolas do Egito’. Para um sacerdote, entenda-se, não é fácil viver essa experiência, pois mesmo os sacerdotes de hoje ainda foram formados, nos seminários, para atuar numa Igreja ‘auto-referencial’. Muitos não conseguem mudar de visão, embora a situação do mundo, das sociedades e das igrejas tenha mudado nos últimos tempos. Mesmo sabendo que a igreja católica perde aos poucos uma posição dominante na sociedade, os sacerdotes experimentam dificuldade em se engajar numa ‘igreja em saída’, mas que não se confunda com uma ONG (Mesmo as ONG’s necessárias e tendo todos os seus méritos).

Será que está aparecendo, na igreja católica, um novo tipo de leigo/leiga, que corresponda aos ditames de uma ‘igreja em saída’? que sinta o cheiro das ovelhas, e que se suje em seu contato com elas? Que promova uma evangelização integral, ou seja, que contemple todas as dimensões do ser humano em suas necessidades sociais e existenciais?


Nos últimos anos houve diversas iniciativas que visavam ativar a colaboração de leigos e leigas na qualidade de catequistas, professoras, animadores e animadoras, cantoras e cantores, secretários e secretárias paroquiais, ministros da Eucaristia, diáconos, ministros do dízimo, legionários, etc. São iniciativas de valor, mas, para quem enxerga a perspectiva de uma ‘igreja em saída’, fica claro que elas têm um caráter não integral. Cedo ou tarde, o(a) leigo(a) terá de sair de sua posição confortável de direitos a receber da Igreja, como se fizesse parte de um clube, onde eu pago o dízimo ,ou faço algumas ofertas esporádicas na paróquia, e fico de fora apenas exigindo direitos, a passar para uma posição de servo, ou seja, a dimensão carismática de serviço, pois já nos diz nosso divino mestre: Eu não vim para ser servido mas, para servir.

Já antes do surgimento do movimento de Jesus existia, no seio do judaísmo, uma tensão entre a estrutura laical das sinagogas e a estrutura sacerdotal do Templo. O movimento de Jesus não adotou o sistema sacerdotal, mas optou resolutamente por um modelo leigo de organização. As primeiras lideranças (bispo, presbítero, diácono) eram leigas, assim como o próprio Jesus fora um leigo. Nos primeiros documentos cristãos encontramos casais, homens e mulheres que trabalham em solidariedade e se reúnem em casas familiares. Para Paulo, um ‘presbítero’ é um pai de família que tem a confiança da comunidade porque governa bem sua casa (Tit 1, 6-8).








Queremos uma Igreja solidária, uma sociedade com menos desigualdade e menos violência, mas o que fazemos? Nos encastelamos em nossos muros e condomínios fechados, esperando que tudo se resolva por si só, por uma mão invisível, pois nos recusamos a enlamear as nossas mãos com as ovelhas, que estão desgarradas como ovelhas sem pastor. Hoje não verificamos, dentro da igreja católica, senão poucas formações leigas de caráter carismático, ou seja ,de serviço, capazes de atuar na sociedade como associações de direito civil e de defender, dentro daquela sociedade, os valores cristãos. Nisso, igualmente, a colaboração daqueles sacerdotes que se mostram dispostos a reassumir a antiquíssima imagem do ‘mestre’, do ‘profeta’ ou do ‘presbítero’, dos primeiros tempos do cristianismo, é preciosa. Mas o importante mesmo consiste em formar grupos fortes e coesos, alimentados por leituras bíblicas e outras leituras espirituais, paralelos a ações evangelizadoras integrais, ou seja um retorno positivo adaptado aos nossos tempos do “ora et labora”, sendo contemplativos na ação.


REFERÊNCIAS:

1 – FRANCISCO, Papa. Exortação Apostólica Evangelii Gaudium. São Paulo: Paulus/Loyola, 2014.
2 – ___________, Papa. Exortação Apostólica Evangelii Gaudium . São Paulo: Paulus/Loyola, 2014.
3.vatican.va/content/francesco/pt/homilies/2013/documents/papa-francesco_20130727_gmg-omelia-rio-clero.html
4 – ___________, Papa. Exortação Apostólica Evangelii Gaudium. São Paulo: Paulus/Loyola, 2014.
5 – Conc. Ecum. Vat.II, Decr. sobre o ecumenismo Unitatis redintegratio, 6.
6 – FRANCISCO, Papa. Exortação Apostólica Evangelii Gaudium (EG). São Paulo: Paulus/Loyola, 2014.
7 – (http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/apost_letters/documents/papa-francesco_bolla_20150411_misericordiae-vultus.html)
8 – ____________, Papa. Exortação Apostólica Evangelii Gaudium. São Paulo: Paulus/Loyola, 2014.
9.vatican.va/content/francesco/pt/speeches/2013/march/documents/papa-francesco_20130315_cardinali.html

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