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A necessária escuta e intercâmbio de duas gerações: Os Anciãos e os Jovens

Written By Beraká - o blog da família on sábado, 23 de setembro de 2017 | 21:49



“Se me deres ouvido, receberás a doutrina. Se gostares de ouvir, adquirirás a sabedoria. Permanece na companhia dos doutos anciãos, une-te de coração à sua sabedoria, a fim de que possas ouvir o que dizem de Deus, e não te escapem suas louváveis máximas...” (Eclo 6,34-36)





Duas das últimas cartas do apóstolo Paulo foram destinadas a um jovem chamado Timóteo. Várias outras citações bíblicas fornecem informações suficientes para conhecer melhor este Jovem que auxiliou Paulo e muitas outras pessoas. Há pouca dúvida sobre a circunstância da conversão de Timóteo, que é mencionado pela primeira vez no relato da segunda viagem missionária de Paulo (Atos 16,1). Paulo encontrou este rapaz em Listra, cidade que ele havia visitado poucos meses antes na primeira viagem. É muito provável que Timóteo tenha sido batizado nesta primeira visita de Paulo e rapidamente conquistou o respeito dos irmãos na região. Nisso já observamos um fato interessante sobre o caráter de Timóteo. Foi em Listra, na primeira viagem, que Paulo enfrentou a perseguição mais severa até então. O apóstolo foi apedrejado nesta cidade (Atos 14,19). Timóteo viu o perigo de ser discípulo, mas nem por isso desistiu.O pai de Timóteo era grego, evidentemente descrente, mas a mãe e a avó eram pessoas de fé. Paulo deu crédito a estas duas mulheres quando falou da sinceridade da fé do jovem (2 Timóteo 1,5).Quando Paulo ouviu o bom testemunho sobre Timóteo dos cristãos da região ele pediu que o rapaz o acompanhasse no resto da viagem. Timóteo se tornou auxiliar de Paulo durante o resto da vida do apóstolo, e foi visto por este irmão mais velho como filho na fé (1 Timóteo 1,2).



Nas leituras do livro de Atos dos Apóstolos e das epístolas de Paulo, percebemos que Timóteo foi ativo no seu trabalho em vários lugares. Paulo confiava tanto neste jovem que frequentemente o mandava para ajudar igrejas e comunicar sobre problemas que surgiam entre os convertidos. Quando Paulo saiu da Macedônia, Timóteo e Silas permaneceram (Atos 17,14). Depois alcançaram Paulo de novo, e várias vezes Timóteo ia e voltava, ajudando a Paulo neste trabalho importante de pregar o evangelho e edificar os irmãos.




Timóteo estava com Paulo quando as cartas aos tessalonicenses foram escritas (1 Tessalonicenses 1,1; 2 Tessalonicenses 1,1). Também participou da terceira viagem de Paulo, sendo enviado de Éfeso para Macedônia e Acaia (Atos 19,22; 1 Coríntios 4,17; 16,10). Durante esta viagem, Paulo escreveu aos romanos e coríntios, e Timóteo estava com ele (Romanos 16,21; 2 Coríntios 1,1). E quando Paulo voltou com um grupo grande de irmãos, levando dinheiro para ajudar os santos na Judeia, Timóteo estava no meio (Atos 20,4).Durante a prisão de Paulo, Timóteo estava presente (Filipenses 1,1; Colossenses 1,1; Filemom 1). No final da vida do apóstolo, provavelmente durante uma segunda prisão, Timóteo foi abençoado com duas cartas pessoais que procuravam fortalecer este servo dedicado. Em alguma ocasião não citada em outro lugar nas Escrituras, o próprio Timóteo foi preso e, depois, posto em liberdade (Hebreus 13,23). Ele, como o apóstolo que o instruiu, sofreu a perseguição por causa da sua fé.



Sem dúvida alguma, o grau de confiança que Paulo depositou no jovem Timóteo é testemunho do seu caráter. O exemplo deste jovem fiel continua encorajando servos do Senhor até hoje, e as instruções de Paulo ao seu filho na fé servem para todos os discípulos do Senhor nos nossos dias. Paulo lhe disse:


“Ninguém despreze a tua juventude; pelo contrário, torna-te padrão dos fiéis, na palavra, no procedimento, no amor, na fé, na pureza. Até à minha chegada, aplica-te à leitura, à exortação, ao ensino. Não te faças negligente para com o dom que há em ti, o qual te foi concedido mediante profecia, com a imposição das mãos do presbitério. Medita estas coisas e nelas sê diligente, para que o teu progresso a todos seja manifesto. Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Continua nestes deveres; porque, fazendo assim, salvarás tanto a ti mesmo como aos teus ouvintes” (1 Timóteo 4,12-16).



Ancião, presbítero, epíscopo, padre, pastor, dirigente. Quais os significados dessas palavras?  É um cargo importante digno de alto salário? Como e quando surgiram esses títulos?



Para entendermos como tudo aconteceu, precisamos voltar no tempo e ver que, desde os tempos remotos, os homens mais velhos, também chamados de anciãos, das tribos primitivas, considerados mais sábios e mais experientes, formavam um conselho, um grupo, que representavam o povo e tomavam certas decisões importantes. Era tradição ouvir a opinião, os conselhos e as decisões desse grupo de idosos na hora de resolver certas questões mais complicadas:





1)- Na Babilônia, no século XVIII a.C., o código de Hamurabi, nos artigo 3 e 4, sobre julgamento de crimes, os anciãos foram citados .



2)- Em Esparta, uma cidade-estado da antiga Grécia, no século VIII a. C., foi criada a Gerúsia, um conselho de 28 anciãos com mais de 60 anos e mais dois reis.


3)- Em Roma, ainda no século VIII a.C., surgiu o Senado Romano, que era uma assembléia de 100 anciãos, aumentando com o tempo, até alcançar o número de 300 membros.



4)- A Bíblia fala de anciãos da terra do Egito, dos midianitas, dos moabitas, dos gibeonitas, de Sucote, de Gebal. (Gênesis 50,7; Números 22,4; Números 22,7; Josué 9,11; Juízes 8,14; Ezequiel 27,9).



5)- Em muitos lugares, na Bíblia, encontramos também os anciãos de Israel. (Deuteronômio 21,20; 22,15-18; 25,7; 25,8-9; 27,1; 29,10; 31,9; 31,28; 32,7, etc.) No tempo de Moisés, foi formado um conselho de 70 anciões. (Números 11.)



6)- Mais tarde, não se sabe exatamente quando, entre os hebreus, foi criado o grande Sinédrio em Jerusalém, que era um tribunal religioso composto de setenta e uma pessoas, incluindo sacerdotes, escribas e anciãos.  Nas demais cidades, foram criados sinédrios menores com 23 juízes. Reunidos, eles julgavam diversas questões criminais, religiosas e administrativas.



Basicamente, o conselho procurava dar opiniões com bom senso, procurando aconselhar, exortar e julgar as pessoas. Por exemplo: os problemas conjugais mais sérios e a questão do levirato eram resolvidos pelo conselho de anciãos. (Deuteronômio 22,13-21; Deuteronômio 25,5-10.). Foram eles, com os principais sacerdotes, que deliberaram prender Jesus, à traição, e matá-lo. (Mateus 26,3-4; 27,1).Lendo a Bíblia, você encontrará muitos outros casos sendo tratados por eles.




Essa tradição percorreu os anos, fazendo surgir, em vários países, uma assembleia de pessoas para debater os principais assuntos. Essa assembleia ficou conhecida como senado. Curiosamente, a palavra senador, originada da palavra latina senator, significa velho, idoso, ancião. E a palavra senado, do latim senatus, significa assembleia de anciões. Da mesma raiz, temos as palavras senhor, sênior, dentre outras.




No início da igreja, percebemos que os apóstolos quiseram manter essa tradição. Então eles resolveram eleger, em cada igreja local, um conselho de anciões, também chamados de presbíteros.



“E, havendo-lhes por comum consentimento eleito anciãos em cada igreja, orando com jejuns, os encomendaram ao Senhor em quem haviam crido.” (Atos 14, 3)



Paulo, escrevendo para o seu cooperador Tito, disse:



“Por esta causa te deixei em Creta, para que pusesses em boa ordem as coisas que ainda restam e, de cidade em cidade, estabelecesses presbíteros, como já te mandei.” (Tito 1,5)




Por isso, em toda parte, havia presbíteros, como na região da Judéia, por exemplo. (Atos 11,29-30). Esse conselho de idosos recebeu o nome de presbitério (1 Timóteo 4,14).A palavra presbítero, do grego presbyteros, significa mais velho, sendo, portanto, sinônimo de ancião.  Algum tempo depois, eles passaram a ser chamados de bispos, do grego apískopos, significando supervisores, superintendentes.Alegoricamente, eles também foram tratados como pastores. Jesus disse para Pedro apascentar as suas ovelhas. Na verdade, ele estava dizendo para Pedro cuidar da igreja. (João 21,15-17.)



Esse mesmo Pedro, chamando a si mesmo de presbítero e falando com os presbíteros da Ásia Menor, disse para eles apascentarem o rebanho que havia entre eles, se referindo à igreja. (1 Pedro 5,1-2.). Paulo, falando com os presbíteros (anciãos) de Éfeso disse:



"Olhai, pois, por vós e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que ele resgatou com seu próprio sangue. Porque eu sei isto: que, depois da minha partida, entrarão no meio de vós lobos cruéis, que não pouparão o rebanho.” (Atos 20,28-29.)



O escritor da carta aos Hebreus também se refere a eles como pastores ou guias. (Hebreus 13,7.17).Aparentemente no princípio, não havia nenhuma distinção entre as palavras presbítero, ancião e bispo. Não havia nenhuma hierarquia colocando o bispo acima do presbítero. Essas três palavras indicavam a mesma pessoa, ou seja: o membro do conselho de anciãos. O termo pastor também se referia a mesma pessoa.A igreja primitiva não era como hoje, onde uma congregação tem apenas um líder (pastor ou padre) de qualquer idade, ocupando uma posição separada e privilegiada (pároco).Numa única e pequena igreja local, além do viver uns pelos outros, haviam vários presbíteros que supervisionavam os cristãos ali mesmo, no meio deles, sem nenhum destaque especial, procurando ajudá-los nas questões mais difíceis. Não havia um pastor em cada igreja local, mas um conselho, uma comissão, um grupo de anciões com certas qualidades. Veja, nas citações abaixo, as palavras no plural, que provam que havia vários pastores em cada igreja local, formando um conselho, como nas tradições antigas:



“Em cada igreja os apóstolos escolhiam presbíteros. Eles oravam, jejuavam e entregavam os presbíteros à proteção do Senhor, em quem estes haviam crido.” (Atos 14,23.



Em Mileto, um porto do mar Egeu, Paulo mandou chamar os presbíteros da igreja de Éfeso e deu alguns conselhos para eles. “De Mileto, mandou a Éfeso chamar os presbíteros da igreja.”  (Atos 20,17-35).



Paulo foi até a casa de Tiago para se encontrar-se com ele. Lá estavam os presbíteros da igreja de Jerusalém. (Atos 21,17-18)



Quando ele escreveu à igreja de Filipos, citou bispos e diáconos que viviam lá. (Filipenses 1,1)



Disse para os tessalonicenses: “E rogamos-vos, irmãos, que reconheçais os que trabalham entre vós, e que presidem sobre vós no Senhor, e vos admoestam.” (I Tessalonicenses 5,12)



Paulo escrevendo a Tito diz: “Eu o deixei na ilha de Creta para que você pusesse em ordem o que ainda faltava fazer e para nomear em cada cidade os presbíteros das igrejas.” (Tito 1,5)



O escritor da carta aos Hebreus diz: “Lembrai-vos dos vossos pastores, que vos falaram a palavra de Deus, a fé dos quais imitai, atentando para a sua maneira de viver.Obedecei a vossos pastores e sujeitai-vos a eles; porque velam por vossa alma, como aqueles que hão de dar conta delas; para que o façam com alegria e não gemendo, porque isso não vos seria útil.” (Hebreus 13,17ss)




Tiago disse: “Está alguém entre vós doente? Chame os presbíteros da igreja, e estes façam oração sobre ele, ungindo-o com óleo, em nome do Senhor.” (Tiago 5,14)



E Pedro argumentou: “Eu, que também sou presbítero, dou agora conselhos aos outros presbíteros que estão entre vocês. (1 Pedro 5,1)




CONCLUSÃO:




Não queremos com isto favorecer a anarquia e independência de ação e doutrina, longe de nós! mas apenas destacar esta sabedoria de Deus para a Igreja primitiva, pois a pluralidade de pastores numa única igreja evitava a corrupção, barrava o espírito de grandeza, o autoritarismo e a dominação, coisas muito comuns em diversas igrejas hoje, comandadas por pessoas autoritárias e centralizadoras. Os apóstolos achavam que as questões difíceis da igreja deveriam ser decididas por eles, juntamente com os anciões. Assim como os sacerdotes, escribas e anciões de Israel se reuniam para julgar as questões do judaísmo, os apóstolos e os anciões da igreja se reuniam para tomarem certas decisões difíceis do cristianismo nascente. Eles atuavam como uma espécie de juízes da igreja. Em Atos 15, vemos os apóstolos se reunindo com os anciões, também chamados de presbíteros, para resolverem se os cristãos deviam ou não seguir certos preceitos da lei de Moisés como a circuncisão, que estava sendo exigida por alguns. Na assembleia em que os apóstolos se reuniram com os anciões em Jerusalém, ficou decidido que as únicas coisas necessárias em relação à lei mosaica seria: abstenção das coisas sacrificadas aos ídolos, do sangue, da carne sufocada, e da prostituição. (Atos 15,29). Mas esse conselho em cada igreja local não era para dominá-la, mas pastorear, buscando sempre um meio para se chegar ao consenso entre as partes em questões difíceis.




“Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo”
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7 de outubro de 2017 20:04

Amigo, seu blog é admirável. Parabéns! Deus seja nossa luz e salvação. Abr. Pedro.

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Neste Apostolado promovemos a “EVANGELIZAÇÃO ANÔNIMA", pois neste serviço somos apenas o Jumentinho que leva Jesus e sua verdade aos Povos. Portanto toda honra e Glória é para Ele.Cristo disse-nos:Eu sou o caminho, a verdade e a vida e “ NINGUEM” vem ao Pai senão por mim." ( João, 14, 6).Como Católicos,defendemos a verdade, contra os erros que, de fato, são sempre contra Deus.Cristo não tinha opiniões, tinha verdades, a qual confiou a sua Igreja, ( Coluna e sustentáculo da verdade – Conf. I Tim 3,15) que deve zelar por elas até que Cristo volte.Quem nos acusa de falta de caridade mostra sua total ignorância na Bíblia,e de Deus, pois é amor, e quem ama corrige, e a verdade é um exercício da caridade.Este Deus adocicado,meloso,ingênuo, e sentimentalóide,é invenção dos homens tementes da verdade, não é o Deus revelado por seu filho: Jesus Cristo.Por fim: “Não se opor ao erro é aprová-lo, não defender a verdade é nega-la” - ( Sto. Tomáz de Aquino) “Não a nós, Senhor, não a nós, mas ao vosso nome dai glória...” (Salmo 115,1)

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