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| (Padre Aélio Geovani) |
Igreja
Ortodoxa Síria de Antioquia
Origem:
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A Igreja Ortodoxa Síria - Siríaca, Jacobita ou Ortodoxa Siríaca é uma denominação cristã oriental autocéfala. Encabeçada pelo Patriarca Ortodoxo Siríaco de Antioquia, "considera-se a sucessora da comunidade cristã fundada em Antioquia pelos apóstolos Pedro e Paulo". É uma igreja ortodoxa oriental, ou seja, tem características miafisistas, rejeitando dogmaticamente o Concílio de Calcedônia. (Miafisismo, é uma fórmula cristólogica das Igrejas Orientais Ortodoxas que professam a fé nos três Concílios Ecumênicos. O miafisismo afirma que na pessoa una de Jesus Cristo, Divindade e Humanidade estão unidas em uma única ou singular natureza ("physis"), as duas estão unidas sem separação, sem confusão e sem alteração. As Igrejas Orientais Ortodoxas rejeitam esta caracterização). A Igreja de Antioquia data do período apostólico, a tradição localizando sua fundação no ano de 34, por São Pedro e São Paulo Apóstolo. Extensamente citada nos Atos dos Apóstolos e nas epístolas paulinas, na cidade de Antioquia é descrita por São Lucas, ele mesmo membro da comunidade, a primeira vez em que os discípulos de Cristo foram chamados cristãos. A Igreja se tornou um grande centro da Cristandade, com seu patriarca São Serapião de Antioquia, já pelo fim do século II, sendo registrado exercendo poderes fora da Síria (província romana), intervindo em Roso (na Cilícia) e em Edessa (fora do Império Romano).No começo da era cristã, a comunidade de Antioquia sofreu com muita divisão. Após a eleição de São Melécio, cuja posição cristológica se encontra até hoje ambígua, o Patriarcado se dividiu entre quatro grupos:
1)-Seus sucessores semi-nicenos
sem comunhão com Alexandria e Roma;
2)-Os nicenos estritos
seguidores de Eustácio em comunhão com ambas as sés;
3)-Os arianistas apoiados pelo
imperador Valente;
4)-E os seguidores de
Apolinário de Laodiceia.
Pouco depois a reunificação destes grupos em conflito, seguiu-se uma alternância entre patriarcas diofisistas (em consonância com o Concílio de Calcedônia realizado em 451) e miafisistas, apoiados em diferentes momentos por imperadores diofisistas e miafisistas.
O mesmo Concílio de Calcedônia elevou o bispo de Antioquia ao título de patriarca, o que foi mantido mesmo pela sucessão não-calcedoniana. A disputa se agravou depois da escolha do influente *miafisista Severo de Antioquia pelo imperador Anastácio I Dicoro em 512. Seis anos depois, Justino I assumiu o império, depôs Severo, que se exilou em Alexandria, e elegeu Paulo o Judeu. Severo e seus seguidores, no entanto, preservaram uma hierarquia não-calcedoniana que hoje subsiste na Igreja Ortodoxa Síria, enquanto os sucessores de Paulo hoje correspondem à Igreja Ortodoxa Grega de Antioquia.
*Miafisista (ou miafisismo) é um termo cristológico usado para descrever a doutrina das Igrejas Ortodoxas Orientais (como a Igreja Síria Ortodoxa de Antioquia) sobre a natureza de Jesus Cristo.De forma simples e correta, miafisismo significa que Jesus Cristo possui uma única natureza (μία φύσις – mia physis), na qual a divindade e a humanidade estão unidas de maneira perfeita e inseparável. Essa única natureza é ao mesmo tempo plenamente divina e plenamente humana, sem que uma absorva, confunda ou elimine a outra.O ponto central do miafisismo é afirmar que:
-Cristo não é “metade Deus e metade homem”;
-Cristo não tem sua humanidade dissolvida na divindade;
-Cristo não perde nenhuma das duas realidades;
-As duas — divindade e humanidade — estão unidas em uma só natureza, sem confusão, sem mudança, sem divisão e sem separação.
Historicamente, o miafisismo se distingue tanto do nestorianismo (que separava excessivamente as naturezas de Cristo) quanto do monofisismo extremo (que negava a plena humanidade de Cristo). As Igrejas miafisistas rejeitaram o Concílio de Calcedônia (451), que definiu a doutrina das “duas naturezas” em Cristo, não por negarem a humanidade ou a divindade de Jesus, mas por entenderem que essa fórmula poderia levar a uma divisão da pessoa de Cristo.Por isso, é importante destacar que miafisismo não é heresia monofisista, como muitas vezes foi acusado ao longo da história, mas uma formulação teológica diferente, profundamente enraizada na teologia dos Padres da Igreja, especialmente em São Cirilo de Alexandria, cuja expressão clássica foi: “μία φύσις τοῦ Θεοῦ Λόγου σεσαρκωμένη” — “uma só natureza do Verbo de Deus encarnado”.Em resumo, ser miafisista é professar que Jesus Cristo é um só e o mesmo Senhor, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, unidos de modo pleno e inseparável em sua pessoa.
Em 1160, em reação à expansão islâmica em direção à Antioquia (que seria conquistada pelo Império Otomano em 1268), a sé da Igreja Ortodoxa Síria se mudou para o Mosteiro de Santo Ananias, nos arredores de Mardin, atualmente parte da Turquia. A sé patriarcal ficaria ali até 1924, quando Kemal Atatürk expulsou o patriarca, que se transferiu para Homs e depois para Damasco. Hoje, o patriarca reside e Maarat Saidnaya, vilarejo de Rif Dimashq a 25 quilômetros de Damasco. A Igreja Ortodoxa Síria ganhou um grande séquito na Índia no século XVII. Por influência portuguesa, a comunidade dos cristãos de São Tomé, antes parte da Igreja do Oriente, fora submetida à Igreja Latina no Concílio de Diamper em 1599.
Em 3 de janeiro de 1653, autoridades comunitárias lideradas pelo arcediago Mar Thoma I fizeram o juramento da cruz de Koonan, em que rejeitaram definitivamente o domínio português. Em seguida, 84 comunidades permaneceram em comunhão com a Igreja Católica Romana, hoje subsistindo basicamente na Igreja Católica Siro-Malabar, enquanto 32 comunidades estabeleceram laços canônicos com a Igreja Ortodoxa Síria.
Hoje, a
comunidade ortodoxa indiana está dividida em dois grupos canônicos: a Igreja
Síria Jacobita Cristã (parte da Igreja Ortodoxa Síria) e a "Igreja Ortodoxa Siríaca
Malankara" (autocéfala). Estes grupos não estão em comunhão perfeita
entre si, mas estão ambos em comunhão com as outras igrejas ortodoxas
orientais. A Igreja Ortodoxa Síria, ainda que seja
principalmente concentrada na Síria, Turquia, Iraque e Índia, tem um número
considerável de fiéis de diáspora ao redor do mundo, além de missões de
sucesso, por exemplo, na Guatemala e no Brasil.
Fonte:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Igreja_Ortodoxa_S%C3%ADria
Conclusão
A experiência da Igreja Sírian Ortodoxa de Antioquia em Mossoró vai além da simples realização de celebrações religiosas: ela representa a continuidade viva de uma tradição cristã milenar que atravessou perseguições, cismas, migrações e transformações históricas sem perder sua identidade essencial. Mesmo organizada em pequenas comunidades e sem uma paróquia formal, a Igreja mantém uma vida litúrgica intensa, um forte senso de comunhão e um compromisso com o aprofundamento bíblico e espiritual de seus fiéis. A valorização da família sacerdotal, a devoção mariana profunda, a preservação da língua e dos manuscritos antigos, como a Peshita, e a compreensão de que Cristo é o único e verdadeiro chefe da Igreja revelam uma espiritualidade enraizada e coerente.
Ao participar do diálogo ecumênico e se integrar ao cenário religioso local, a Igreja Ortodoxa em Mossoró contribui para ampliar a compreensão do cristianismo em sua totalidade, convidando à reflexão, ao respeito mútuo e ao reconhecimento de que a fé cristã se expressa de múltiplas formas, todas unidas pela mesma origem apostólica e pela centralidade de Jesus Cristo.
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