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A Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia em Mossoró-RN

Written By Beraká - o blog da família on domingo, 2 de abril de 2017 | 08:23

(Padre Aélio Geovani)





A presença da Igreja Sírian Ortodoxa de Antioquia em Mossoró-RN evidencia a riqueza e a profundidade histórica do cristianismo oriental, ainda pouco conhecido por grande parte da população brasileira. Herdeira direta da tradição apostólica de Antioquia — onde, segundo o livro dos Atos dos Apóstolos, os seguidores de Jesus foram chamados cristãos pela primeira vez —, essa Igreja carrega uma espiritualidade marcada pela fidelidade às origens da fé, pela centralidade da liturgia e pelo profundo respeito às Escrituras. Em Mossoró, sua atuação é relativamente recente, mas já demonstra vitalidade por meio das comunidades reunidas nos bairros Alto da Conceição e Rincão, onde os fiéis participam semanalmente do Santo Qurbono, expressão que significa “Divina Liturgia” e que traduz, de forma mais ampla, a compreensão ortodoxa do culto como participação real no mistério divino. Embora compartilhe muitos elementos com a Igreja Católica Apostólica Romana, como os sacramentos e a estrutura hierárquica, a Igreja Sírian Ortodoxa preserva diferenças litúrgicas, disciplinares e teológicas que revelam a pluralidade legítima do cristianismo histórico.







A Igreja Ortodoxa tem uma hierarquia semelhante à do catolicismo!





(foto reprodução)





“É praticamente a mesma (a hierarquia); apenas o papa é substituído pelo patriarca. Mas, nós temos padres, bispos, arcebispos”, ressalta o religioso. Padre Aélio Geovani tem formação na teologia romana, como ele mesmo define. Antes foi frade franciscano, o religioso conheceu a Igreja Ortodoxa em Fortaleza (CE). No Estado vizinho, inclusive, a Igreja tem ampla atuação na capital e no interior, em Canindé. Para os cristãos ortodoxos, o celibato não é obrigatório, e sim, opcional. Padre Aélio Geovani é casado e tem dois filhos. De acordo com ele, para ser padre é necessário ter uma família, diferente do presbitério romano que conforme as escrituras, segue o conselho Paulino em I Cor 7,31-35, e exige dedicação exclusiva para quem quer viver a ordenação presbiteral, já que na ordenação diaconal, pode ser casado. Além disso, a igreja Ortodoxa não mantém os custos do sacerdote, uma vez que este pode trabalhar e ter renda para se sustentar e manter sua família. Sendo assim, todas as doações feitas pela comunidade são voltadas exclusivamente para as obras da igreja. Quanto às crenças cristãs, a presença de Maria, mãe de Jesus, é um dos pontos fortes da tradição ortodoxa. Nós devotamos a Maria de uma forma mais plena”, argumenta. A missa, ou santo qurbono, tem todos os momentos da Igreja Católica, como comunhão, ofertório, homilia. No entanto, a ordem se modifica. O ofertório inicia a celebração. A comunhão, por exemplo, não é feita com a hóstia, mas sim com o pão, embebido no vinho e partilhado entre os fiéis. O pedreiro Francisco Silvestre de Holanda é seguidor da Igreja Ortodoxa há quatro anos. Sua história na comunidade se confunde com a própria fundação da congregação em Mossoró: “Sinto-me realizado em participar das missas. Gosto da forma participativa e das interpretações da Bíblia, que é direcionada para cada um de nós...comenta Francisco...Não me lembro da vez que faltei a missa nesses quatro anos.”





Os ortodoxos utilizam a mesma bíblia católica, no entanto a igreja cristã oriental tem sua própria bíblia!





“O livro sagrado é chamado Peshita. Ele é originário dos manuscritos mais antigos da bíblia. Copiada do aramaico, a língua de Jesus, cita. Para o padre Aélio, a Igreja Oriental tem o aprofundamento necessário nos textos bíblicos. A falha do cristão ocidental é a falta de aprofundamento”, finaliza. O momento eucarístico é realizado quase que do mesmo modo que a Igreja Católica Apostólica Romana, inclusive a Igreja Ortodoxa também celebra os sete sacramentos da católica (batismo, eucaristia, crisma, matrimônio, ordem, penitência e unção dos enfermos) a diferença, segundo Haélio, está no modo como os rituais de celebração são realizados pela comunidade ortodoxa. No entanto, assim como a Igreja Católica Romana têm o papa com maior santidade, o chefe espiritual da Igreja Ortodoxa é o Patriarca Ecumênico de Constantinopla, Zaquiel I, embora este seja um título de honra, uma vez que os patriarcas de cada uma dessas igrejas são independentes. Para os ortodoxos, o chefe único da igreja é o próprio Jesus Cristo. A autoridade suprema na Igreja Católica Apostólica Ortodoxa é o Santo Sínodo Ecumênico, que se compõe de todos os "patriarcas chefes" das igrejas.





História da Igreja Sírian Ortodoxa de Antioquia no Brasil





1950 - A Igreja Ortodoxa Siríaca está presente no Brasil desde 1950, com a presença dos imigrantes das primeiras colônias sírias e suas primeiras comunidades religiosas.



1951 - Esse ramo tradicional das igrejas de imigração fora estabelecido com a construção da primeira Paróquia de São João Batista, em São Paulo, em 1951.



1959 - Mais tarde, em 1959, inaugurou-se a Paróquia de São Pedro, em Belo Horizonte (MG).



1962 - No ano de 1962, foi lançada a pedra fundamental da Catedral de São Jorge, em Campo Grande (MS).



1981 - No ano de 1981, inaugurou-se, também em São Paulo, a última Igreja tradicional com o nome de Paróquia de Santa Maria. Atualmente, o delegado patriarcal das paróquias das colônias sírias é o mons. Antonio Nakkoud.



1983 - Somente em 1983, com a criação de uma Missão entre os brasileiros (ICOSB), fundada por Mar Crisóstomus, a ortodoxia siriana se estendeu aos brasileiros.






De acordo com Haélio, a Igreja Ortodoxa de Mossoró participa do Conselho Nacional das Igrejas no Brasil (CONIC) e tem como principal objetivo buscar junto com as outras igrejas a união ecumênica entre as religiões Cristãs. A igreja também conta com um site o www.icosb.com.br onde os interessados podem obter mais informações sobre a Igreja Ortodoxa, conhecer a sua organização e inclusive saber como se faz para contribuir com ela. Os interessados a conhecer a comunidade ortodoxa em Mossoró podem entrar em contato com Haélio Geovane pelo telefone (84)3314-0038, para saber mais sobre horários e eventos realizados pela comunidade.      





Fontes: Jornal  de Fato e O Mossoroense






Igreja Ortodoxa Síria de Antioquia

 

 

 

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

 

 

 

 

A Igreja Ortodoxa Síria - Siríaca, Jacobita ou Ortodoxa Siríaca é uma denominação cristã oriental autocéfala. Encabeçada pelo Patriarca Ortodoxo Siríaco de Antioquia, "considera-se a sucessora da comunidade cristã fundada em Antioquia pelos apóstolos Pedro e Paulo". É uma igreja ortodoxa oriental, ou seja, tem características miafisistas, rejeitando dogmaticamente o Concílio de Calcedônia. (Miafisismo, é uma fórmula cristólogica das Igrejas Orientais Ortodoxas que professam a fé nos três Concílios Ecumênicos. O miafisismo afirma que na pessoa una de Jesus Cristo, Divindade e Humanidade estão unidas em uma única ou singular natureza ("physis"), as duas estão unidas sem separação, sem confusão e sem alteração. As Igrejas Orientais Ortodoxas rejeitam esta caracterização). A Igreja de Antioquia data do período apostólico, a tradição localizando sua fundação no ano de 34, por São Pedro e São Paulo Apóstolo. Extensamente citada nos Atos dos Apóstolos e nas epístolas paulinas, na cidade de Antioquia é descrita por São Lucas, ele mesmo membro da comunidade, a primeira vez em que os discípulos de Cristo foram chamados cristãos. A Igreja se tornou um grande centro da Cristandade, com seu patriarca São Serapião de Antioquia, já pelo fim do século II, sendo registrado exercendo poderes fora da Síria (província romana), intervindo em Roso (na Cilícia) e em Edessa (fora do Império Romano).No começo da era cristã, a comunidade de Antioquia sofreu com muita divisão. Após a eleição de São Melécio, cuja posição cristológica se encontra até hoje ambígua, o Patriarcado se dividiu entre quatro grupos:

 

 

 

1)-Seus sucessores semi-nicenos sem comunhão com Alexandria e Roma;

 

 

2)-Os nicenos estritos seguidores de Eustácio em comunhão com ambas as sés;

 

 

3)-Os arianistas apoiados pelo imperador Valente;

 

 

4)-E os seguidores de Apolinário de Laodiceia.

 

 

Pouco depois a reunificação destes grupos em conflito, seguiu-se uma alternância entre patriarcas diofisistas (em consonância com o Concílio de Calcedônia realizado em 451) e miafisistas, apoiados em diferentes momentos por imperadores diofisistas e miafisistas. 



O mesmo Concílio de Calcedônia elevou o bispo de Antioquia ao título de patriarca, o que foi mantido mesmo pela sucessão não-calcedoniana. A disputa se agravou depois da escolha do influente *miafisista Severo de Antioquia pelo imperador Anastácio I Dicoro em 512. Seis anos depois, Justino I assumiu o império, depôs Severo, que se exilou em Alexandria, e elegeu Paulo o Judeu. Severo e seus seguidores, no entanto, preservaram uma hierarquia não-calcedoniana que hoje subsiste na Igreja Ortodoxa Síria, enquanto os sucessores de Paulo hoje correspondem à Igreja Ortodoxa Grega de Antioquia. 


*Miafisista (ou miafisismo) é um termo cristológico usado para descrever a doutrina das Igrejas Ortodoxas Orientais (como a Igreja Síria Ortodoxa de Antioquia) sobre a natureza de Jesus Cristo.De forma simples e correta, miafisismo significa que Jesus Cristo possui uma única natureza (μία φύσις – mia physis), na qual a divindade e a humanidade estão unidas de maneira perfeita e inseparável. Essa única natureza é ao mesmo tempo plenamente divina e plenamente humana, sem que uma absorva, confunda ou elimine a outra.O ponto central do miafisismo é afirmar que:


-Cristo não é “metade Deus e metade homem”;


-Cristo não tem sua humanidade dissolvida na divindade;


-Cristo não perde nenhuma das duas realidades;


-As duas — divindade e humanidade — estão unidas em uma só natureza, sem confusão, sem mudança, sem divisão e sem separação.


Historicamente, o miafisismo se distingue tanto do nestorianismo (que separava excessivamente as naturezas de Cristo) quanto do monofisismo extremo (que negava a plena humanidade de Cristo). As Igrejas miafisistas rejeitaram o Concílio de Calcedônia (451), que definiu a doutrina das “duas naturezas” em Cristo, não por negarem a humanidade ou a divindade de Jesus, mas por entenderem que essa fórmula poderia levar a uma divisão da pessoa de Cristo.Por isso, é importante destacar que miafisismo não é heresia monofisista, como muitas vezes foi acusado ao longo da história, mas uma formulação teológica diferente, profundamente enraizada na teologia dos Padres da Igreja, especialmente em São Cirilo de Alexandria, cuja expressão clássica foi: “μία φύσις τοῦ Θεοῦ Λόγου σεσαρκωμένη” — “uma só natureza do Verbo de Deus encarnado”.Em resumo, ser miafisista é professar que Jesus Cristo é um só e o mesmo Senhor, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, unidos de modo pleno e inseparável em sua pessoa.



Em 1160, em reação à expansão islâmica em direção à Antioquia (que seria conquistada pelo Império Otomano em 1268), a sé da Igreja Ortodoxa Síria se mudou para o Mosteiro de Santo Ananias, nos arredores de Mardin, atualmente parte da Turquia. A sé patriarcal ficaria ali até 1924, quando Kemal Atatürk expulsou o patriarca, que se transferiu para Homs e depois para Damasco. Hoje, o patriarca reside e Maarat Saidnaya, vilarejo de Rif Dimashq a 25 quilômetros de Damasco. A Igreja Ortodoxa Síria ganhou um grande séquito na Índia no século XVII. Por influência portuguesa, a comunidade dos cristãos de São Tomé, antes parte da Igreja do Oriente, fora submetida à Igreja Latina no Concílio de Diamper em 1599. 



Em 3 de janeiro de 1653, autoridades comunitárias lideradas pelo arcediago Mar Thoma I fizeram o juramento da cruz de Koonan, em que rejeitaram definitivamente o domínio português. Em seguida, 84 comunidades permaneceram em comunhão com a Igreja Católica Romana, hoje subsistindo basicamente na Igreja Católica Siro-Malabar, enquanto 32 comunidades estabeleceram laços canônicos com a Igreja Ortodoxa Síria. 



Hoje, a comunidade ortodoxa indiana está dividida em dois grupos canônicos: a Igreja Síria Jacobita Cristã (parte da Igreja Ortodoxa Síria) e a "Igreja Ortodoxa Siríaca Malankara" (autocéfala). Estes grupos não estão em comunhão perfeita entre si, mas estão ambos em comunhão com as outras igrejas ortodoxas orientais. A Igreja Ortodoxa Síria, ainda que seja principalmente concentrada na Síria, Turquia, Iraque e Índia, tem um número considerável de fiéis de diáspora ao redor do mundo, além de missões de sucesso, por exemplo, na Guatemala e no Brasil.

 

Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Igreja_Ortodoxa_S%C3%ADria




Conclusão  



A experiência da Igreja Sírian Ortodoxa de Antioquia em Mossoró vai além da simples realização de celebrações religiosas: ela representa a continuidade viva de uma tradição cristã milenar que atravessou perseguições, cismas, migrações e transformações históricas sem perder sua identidade essencial. Mesmo organizada em pequenas comunidades e sem uma paróquia formal, a Igreja mantém uma vida litúrgica intensa, um forte senso de comunhão e um compromisso com o aprofundamento bíblico e espiritual de seus fiéis. A valorização da família sacerdotal, a devoção mariana profunda, a preservação da língua e dos manuscritos antigos, como a Peshita, e a compreensão de que Cristo é o único e verdadeiro chefe da Igreja revelam uma espiritualidade enraizada e coerente. 



Ao participar do diálogo ecumênico e se integrar ao cenário religioso local, a Igreja Ortodoxa em Mossoró contribui para ampliar a compreensão do cristianismo em sua totalidade, convidando à reflexão, ao respeito mútuo e ao reconhecimento de que a fé cristã se expressa de múltiplas formas, todas unidas pela mesma origem apostólica e pela centralidade de Jesus Cristo.

 



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