Por *Francisco José Barros Araújo
É comum encontrar entre alguns protestantes a afirmação de que Maria estaria apenas "dormindo" no sepulcro, aguardando a ressurreição final, e que, portanto, não poderia interceder pelos fiéis nem participar da glória celeste. No entanto, essa conclusão não encontra respaldo no conjunto da Revelação bíblica. Embora a Bíblia não descreva explicitamente a Assunção de Maria, ela oferece diversos indícios que tornam essa crença perfeitamente coerente com a lógica da história da salvação.
A própria Escritura mostra que Deus, em sua soberania, concedeu privilégios extraordinários a alguns de seus servos. Se homens pecadores, embora justos, receberam graças tão singulares, quanto mais aquela que foi preservada do pecado, escolhida para ser a Mãe do Verbo Encarnado e proclamada "cheia de graça" (Lc 1,28).
Enoque foi arrebatado para junto de Deus sem experimentar a morte. Elias também foi elevado aos céus num carro de fogo. O corpo de Moisés foi objeto de uma disputa entre o Arcanjo Miguel e Satanás, indicando um tratamento excepcional dado por Deus ao grande legislador de Israel. Mais tarde, na Transfiguração, Moisés e Elias aparecem vivos e gloriosos conversando com Cristo diante de Pedro, Tiago e João. Esses fatos demonstram claramente que a morte não impede Deus de introduzir alguém em sua presença gloriosa quando assim o deseja.
Ora, se Deus realizou tais prodígios com seus servos, seria razoável pensar que deixaria sua própria Mãe entregue à corrupção do túmulo? Aquela que carregou em seu ventre o Autor da Vida, permaneceu fiel até os pés da cruz, foi confiada como mãe da Igreja (Jo 19,26-27) e foi proclamada "bendita entre todas as mulheres" (Lc 1,42), teria recebido um privilégio inferior ao concedido a Enoque, Elias ou mesmo a Moisés?
Além disso, o anjo Gabriel declara a Maria: "Encontraste graça diante de Deus" (Lc 1,30). Essa expressão não é um simples elogio, mas o reconhecimento de um favor singular concedido por Deus. Maria é a mulher "cheia de graça", plenamente favorecida, a Bem-aventurada anunciada por todas as gerações (Lc 1,48). Ora, quem vive plenamente na graça de Deus participa da comunhão perfeita com Ele e é chamado à visão beatífica, conforme a promessa do próprio Cristo aos puros de coração (Mt 5,8).
Assim, longe de ensinar que Maria permanece "adormecida", a Escritura fornece um conjunto harmonioso de evidências de que Deus pode glorificar integralmente aqueles que escolhe para uma missão única. Se isso aconteceu com Enoque, Elias e, de modo especial, com Moisés, não há qualquer dificuldade em compreender que Maria, a Nova Eva e Arca da Nova Aliança, tenha sido elevada por Deus de corpo e alma à glória celeste. A Assunção não contradiz a Bíblia; pelo contrário, manifesta a plenitude da obra redentora de Cristo naquela que foi sua primeira e mais perfeita discípula.
AS EVIDÊNCIAS BÍBLICAS
1. Enoque foi arrebatado sem experimentar a morte
"Pela fé, Enoque foi arrebatado, de modo que não viu a morte; e não foi encontrado, porque Deus o arrebatara..." (Hb 11,5).
2. Elias foi elevado ao céu em um carro de fogo
II Reis 2,1-11.
3. O corpo de Moisés recebeu um tratamento extraordinário
Judas 9-10.
4. Moisés e Elias aparecem vivos na Transfiguração
Mateus 17,2-3.
5. Maria encontrou graça diante de Deus
"Não temas, Maria, porque encontraste graça diante de Deus." (Lucas 1,30).
Essas passagens não constituem, isoladamente, uma prova direta da Assunção de Maria. Entretanto, formam um poderoso argumento de conveniência bíblica: se Deus glorificou extraordinariamente servos do Antigo Testamento, quanto mais poderia glorificar aquela que foi escolhida para ser a Mãe do Salvador, preservada de todo pecado por antecipação dos méritos de Cristo e plenamente associada à sua missão redentora.
A CONCLUSÃO LÓGICA DAS EVIDÊNCIAS BÍBLICAS: POR QUE A ASSUNÇÃO DE MARIA É PLENAMENTE COERENTE COM A REVELAÇÃO?
A conclusão que emerge do conjunto das Escrituras é simples, lógica e profundamente coerente com a economia da salvação.
Se a própria Bíblia testemunha que Deus concedeu a Enoque o privilégio de ser levado para junto de Si sem experimentar a corrupção do sepulcro (Hb 11,5), se Elias foi elevado aos céus em um carro de fogo (2Rs 2,11) e se muitos intérpretes veem em Judas 9 — juntamente com a aparição gloriosa de Moisés na Transfiguração (Mt 17,3) — um indício de um destino singular reservado também ao corpo de Moisés, por que seria impensável que Deus tivesse concedido um privilégio ainda maior àquela que foi escolhida para ser a Mãe do Verbo Encarnado?
Há, contudo, uma diferença essencial. Enoque, Elias e, segundo alguns intérpretes, Moisés, foram elevados ao céu exclusivamente pelo poder e pela graça de Deus. Cristo, porém, não foi assumido: Ele ascendeu aos céus por seu próprio poder, porque é Deus. Daí a Igreja distinguir corretamente entre a Ascensão de Cristo e a Assunção de Maria. Jesus sobe por autoridade própria; Maria é elevada pela onipotência de Deus, em virtude dos méritos de seu Filho.
Além disso, há uma razão profundamente cristológica. A carne que Cristo ofereceu na Cruz pela salvação do mundo foi recebida da Virgem Maria. Ela deu ao Filho de Deus a natureza humana pela qual fomos redimidos. Por isso, desde os primeiros séculos, os Padres da Igreja contemplaram uma extraordinária conveniência: seria apropriado que aquela carne da qual o próprio Verbo tomou a sua humanidade não conhecesse a corrupção do túmulo. Não se trata de uma necessidade imposta a Deus, mas da perfeita harmonia entre a dignidade da Mãe e a glória do Filho.
Maria é também o modelo perfeito da Igreja. Os santos Padres a apresentam como a personificação da Igreja glorificada, "sem mancha nem ruga" (Ef 5,25-27), já participante da realidade descrita pelo autor da Carta aos Hebreus acerca da Jerusalém celeste (Hb 12,22-24) e antecipando aquilo que o Apocalipse revela sobre a Nova Jerusalém (Ap 21,1-4). Aquilo que toda a Igreja espera receber na ressurreição final, Maria já recebeu por privilégio singular: a glorificação completa de sua alma e de seu corpo.
Por isso, a Assunção não constitui um privilégio isolado ou arbitrário. Ela é uma antecipação daquilo que Deus promete a todos os que morrem em Cristo. Maria não está acima da Igreja; ela é a primeira dos redimidos a experimentar plenamente aquilo que toda a Igreja aguarda com esperança: a ressurreição gloriosa do corpo e a comunhão perfeita com Deus.
A leitura dos Padres da Igreja e a interpretação tipológica das Escrituras
Seguindo esse raciocínio, os santos Padres, os grandes teólogos e os pregadores da Igreja recorreram frequentemente às figuras e imagens do Antigo Testamento para ilustrar essa verdade de fé. Eles jamais pretenderam transformar essas passagens em "provas diretas" da Assunção, mas reconheceram nelas figuras proféticas que encontram sua plena realização em Maria, segundo o método de interpretação tipológica empregado pelos próprios autores do Novo Testamento.Entre os textos mais frequentemente citados está o Salmo:
"Levantai-vos, Senhor, para o vosso repouso, vós e a Arca da vossa santidade." (Sl 132[131],8)
Desde os primeiros séculos, a Arca da Aliança — construída com madeira incorruptível, revestida de ouro e destinada a guardar a presença de Deus — foi compreendida como uma das mais belas figuras da Virgem Maria. Se a antiga Arca, que continha apenas as tábuas da Lei, era tratada com tamanho respeito, quanto mais Maria, a verdadeira Arca da Nova Aliança, que trouxe em seu ventre o próprio Verbo de Deus feito carne. Assim, muitos Padres viram na incorruptibilidade da Arca uma imagem do corpo puríssimo de Maria, preservado da corrupção do sepulcro e elevado à glória celeste.Também o Salmo 45 (44 na Vulgata) foi aplicado à exaltação da Mãe do Messias:
"À vossa direita está a Rainha, ornada de ouro de Ofir." (Sl 45[44],10)
A Rainha-Mãe toma lugar à direita do Rei, imagem que a tradição cristã sempre contemplou como figura da glorificação de Maria ao lado de seu Filho ressuscitado.Da mesma forma, os Padres encontraram no Cântico dos Cânticos uma linguagem profundamente simbólica para descrever a entrada triunfal da Virgem na glória celeste:
"Quem é esta que sobe do deserto como coluna de fumaça perfumada de mirra e incenso?" (Ct 3,6)
e ainda:
"Vem do Líbano, minha esposa..." (Ct 4,8)
"Quem é esta que surge como a aurora, bela como a lua, brilhante como o sol?" (Ct 6,10)
Nessas imagens poéticas, os Padres contemplavam a Esposa gloriosa que sobe ao encontro de seu Esposo, coroada de honra e conduzida ao Reino eterno. Embora esses textos tenham, em seu sentido literal, outro contexto, a Tradição da Igreja reconheceu neles figuras luminosas da glorificação da Santíssima Virgem.Assim, a fé na Assunção de Maria não nasce de uma única passagem isolada da Escritura, mas da convergência entre os privilégios concedidos por Deus a outros servos, da singular missão da Mãe de Cristo, da reflexão unânime dos santos Padres e da leitura tipológica da Bíblia, que vê em Maria a Nova Eva, a Arca da Nova Aliança e a imagem perfeita da Igreja glorificada.
A MULHER DO APOCALIPSE: UM FORTE INDÍCIO DA GLORIFICAÇÃO DE MARIA
Muitos perguntam: "Onde a Bíblia diz que Maria foi assunta ao céu?" Mas uma pergunta igualmente importante precisa ser feita: Onde a Bíblia afirma que Maria morreu, foi sepultada e permaneceu no túmulo? A resposta é simples: em lugar nenhum.
A Sagrada Escritura não descreve os últimos dias da vida terrestre da Santíssima Virgem. Ela silencia tanto sobre sua morte quanto sobre um eventual sepultamento ou sobre a localização de seu túmulo. Esse silêncio, por si só, não prova a Assunção, mas abre espaço para compreender a fé constante da Igreja à luz da Revelação como um todo. É precisamente no último livro da Bíblia que encontramos um dos textos mais significativos sobre a glorificação de Maria.
-São João escreve: "Apareceu em seguida um grande sinal no céu: uma mulher revestida de sol, tendo a lua debaixo dos pés e, sobre a cabeça, uma coroa de doze estrelas. Estava grávida e gritava com as dores do parto." (Ap 12,1-2)
-Poucos versículos depois, o texto acrescenta: "Ela deu à luz um filho homem, que há de governar todas as nações com cetro de ferro. Mas seu filho foi levado para junto de Deus e do seu trono. A mulher fugiu para o deserto, onde Deus lhe havia preparado um lugar..." (Ap 12,5-6)
A primeira pergunta é inevitável:
Quem é esse Filho varão destinado a governar todas as nações com cetro de ferro?
A resposta é dada pela própria Escritura. Trata-se de Jesus Cristo, conforme a profecia messiânica do Salmo 2 e sua aplicação em Apocalipse 19,15.
A segunda pergunta é igualmente decisiva:
Quem é a mulher que deu à luz esse Filho?
Em seu sentido histórico e literal, essa mulher só pode ser Maria, a Mãe de Jesus. Evidentemente, a visão possui também um significado mais amplo e simbólico. A mulher representa igualmente o povo de Deus, Israel fiel, do qual nasceu o Messias, e também a Igreja, que continua gerando Cristo para o mundo pela evangelização. A interpretação católica nunca opõe esses sentidos; ela os reconhece como complementares.
Entretanto, negar que Maria esteja presente nessa visão é ignorar o dado mais evidente do texto: foi ela quem, historicamente, deu à luz o Filho destinado a reinar eternamente sobre todas as nações.
Um grande sinal "no céu"
Outro detalhe merece atenção.
João não diz simplesmente que viu uma mulher. Ele afirma:
"Apareceu um grande sinal no céu..." (Ap 12,1)
O cenário da visão é o próprio céu. A mulher aparece gloriosa, revestida de sol, coroada e participando da vitória definitiva de Deus sobre o dragão. Trata-se de uma imagem de exaltação e triunfo, incompatível com a ideia de uma pessoa reduzida à corrupção do sepulcro.
É verdade que o Apocalipse não descreve o momento da Assunção de Maria, assim como também não narra diversos outros acontecimentos conhecidos pela Tradição apostólica. Contudo, ele apresenta Maria já glorificada na presença de Deus, como Rainha-Mãe do Messias vencedor.
O silêncio sobre o túmulo de Maria
Há ainda um fato histórico digno de reflexão. Os primeiros cristãos veneravam cuidadosamente os túmulos dos mártires, dos apóstolos e dos grandes santos. Até hoje conhecemos, por antiga tradição, os locais associados aos sepulcros de Pedro, Paulo e inúmeros outros discípulos.
Se Maria tivesse permanecido na sepultura e seu corpo estivesse sobre a terra, seria natural esperar que seu túmulo se tornasse o mais venerado de toda a cristandade. Entretanto, não existe uma tradição apostólica segura que apresente relíquias corporais da Mãe de Deus. Desde os primeiros séculos, ao contrário, difundiu-se entre as Igrejas do Oriente e do Ocidente a convicção de que seu corpo não conheceu a corrupção.
Esse dado histórico não constitui uma prova absoluta, mas está em plena harmonia com a fé que a Igreja professou solenemente ao definir o dogma da Assunção em 1950: terminada sua vida terrestre, Maria foi elevada por Deus, em corpo e alma, à glória celeste.
Assim, a mulher gloriosa do Apocalipse, unida ao testemunho da Tradição apostólica, à tipologia bíblica e aos privilégios concedidos por Deus a Enoque, Elias e outros servos fiéis, oferece um quadro coerente da esperança cristã: em Maria contemplamos antecipadamente aquilo que todos os justos receberão no fim dos tempos — a vitória definitiva de Cristo sobre a morte, com a glorificação da alma e do corpo.
MOISÉS TAMBÉM FOI GLORIFICADO? O MISTÉRIO DO SEU CORPO E A VITÓRIA SOBRE A MORTE
Uma das passagens mais intrigantes de toda a Sagrada Escritura encontra-se na breve Carta de São Judas:
"Quando Miguel, o Arcanjo, discutia com o diabo e disputava acerca do corpo de Moisés, não ousou pronunciar contra ele uma sentença injuriosa, mas disse: 'O Senhor te repreenda!'" (Jd 9)
Esse texto desperta imediatamente uma pergunta: por que Satanás disputaria precisamente o corpo de Moisés? Afinal, a Bíblia não registra qualquer disputa semelhante envolvendo Abraão, Davi, Isaías, Jeremias ou qualquer outro grande personagem do Antigo Testamento.
Um acontecimento único em toda a Bíblia
A Carta de Judas possui apenas vinte e cinco versículos, mas preserva informações que não aparecem em nenhum outro livro inspirado. Somente nela encontramos a disputa entre São Miguel e o diabo pelo corpo de Moisés, bem como a referência à antiga profecia de Enoque (Jd 14-15).
É muito provável que São Judas tenha recebido essas informações por meio de uma antiga tradição judaica, transmitida oralmente e depois registrada em escritos hoje perdidos ou não inspirados. Entre esses escritos é frequentemente citado o livro conhecido como A Assunção de Moisés (também chamado Testamento de Moisés), do qual sobreviveram apenas fragmentos.
É importante esclarecer que a Igreja não considera esse livro inspirado. Entretanto, isso não impede que ele preserve tradições históricas antigas, assim como São Paulo cita poetas pagãos (At 17,28; Tt 1,12) sem transformar suas obras em Escritura inspirada.
O que narra a antiga tradição?
Segundo essa tradição, depois da morte de Moisés narrada em Deuteronômio 34, Deus confiou seu corpo ao Arcanjo Miguel. Nesse momento, Satanás reivindica o corpo de Moisés.
Os antigos escritores cristãos relatam duas razões principais para essa pretensão.
Primeira: o diabo afirmaria que o corpo pertence ao mundo material e, sendo a matéria considerada por certas correntes heréticas como algo mau, estaria sob seu domínio.
Segunda: Moisés havia cometido homicídio ao matar o egípcio que maltratava um hebreu (Ex 2,11-12). Por isso, Satanás o acusaria de não ser digno de receber um tratamento especial.
São Miguel, porém, não entra em discussão nem responde às acusações com violência. Apenas declara:
"O Senhor te repreenda!"
A vitória pertence exclusivamente a Deus.
A aparição de Moisés na Transfiguração
Outro detalhe merece atenção. Séculos depois de sua morte, Moisés aparece vivo e glorioso ao lado do profeta Elias, conversando com Jesus no Monte Tabor.
"E eis que lhes apareceram Moisés e Elias, falando com Ele." (Mt 17,3)
Não se trata de uma lembrança, de uma visão imaginária ou de uma simples representação simbólica.O Evangelho apresenta Moisés consciente, vivo e dialogando com Cristo acerca de sua futura Paixão (Lc 9,30-31).Por isso, muitos Padres da Igreja e diversos comentaristas antigos viram uma profunda ligação entre Judas 9 e a Transfiguração. Embora a Igreja nunca tenha definido como dogma que Moisés foi assumido corporalmente, também não exclui essa possibilidade. Trata-se de uma interpretação respeitável que ajuda a compreender por que o seu corpo recebeu um tratamento tão singular.
Em todo caso, a passagem demonstra algo incontestável: a morte não impede Deus de glorificar seus servos quando assim o deseja.
Esse princípio prepara admiravelmente a compreensão da Assunção da Santíssima Virgem.
O "AINDA HOJE" DO BOM LADRÃO: UMA PROVA DE QUE OS JUSTOS NÃO FICAM "DORMINDO"
Outro argumento frequentemente ignorado por aqueles que defendem a chamada "dormição da alma" encontra-se nas próprias palavras de Jesus ao bom ladrão.
"Em verdade te digo: ainda hoje estarás comigo no Paraíso." (Lc 23,43)
Observe que Cristo não diz:
"Daqui a milhares de anos..."
Nem afirma:
"Quando chegar a ressurreição final..."
Ele diz claramente:
"Ainda hoje."
A promessa é imediata.
O ladrão arrependido passaria, naquele mesmo dia, à comunhão com Cristo.
A objeção protestante
Alguns afirmam que a palavra "hoje" deveria ser entendida apenas como parte da frase:
"Hoje eu te digo..."
Essa interpretação, porém, encontra sérias dificuldades.
Em primeiro lugar, Jesus nunca utilizou essa fórmula em nenhuma outra ocasião.
Sempre que dizia:
"Em verdade vos digo..."
o conteúdo da promessa vinha logo em seguida.
Além disso, a tradição cristã, desde os primeiros séculos, sempre compreendeu que Cristo prometia ao bom ladrão a entrada imediata na felicidade junto de Deus.
O Reino de Deus já estava presente
Outros alegam que o Reino dos Céus somente seria inaugurado no fim dos tempos.
Mas o próprio Jesus ensina exatamente o contrário:
"O Reino de Deus não vem de modo ostensivo... porque o Reino de Deus já está entre vós." (Lc 17,20-21)
O Reino possui uma dimensão futura, que alcançará sua plenitude na segunda vinda de Cristo.
Mas também possui uma dimensão presente, inaugurada pela Encarnação, pela Cruz e pela Ressurreição.
Por isso, nada impede que o bom ladrão tenha entrado imediatamente na comunhão com Cristo.
"Mas Jesus ainda não havia subido ao Pai"
Outra objeção muito repetida baseia-se em João 20,17.
Após ressuscitar, Jesus diz a Maria Madalena:
"Ainda não subi para meu Pai."
Logo, perguntam alguns, como poderia ter prometido o Paraíso ao ladrão?
A dificuldade desaparece quando compreendemos que a Ascensão, ocorrida quarenta dias após a Ressurreição, é um acontecimento histórico visível.
Já a alma humana de Cristo, separada do corpo durante sua morte, desceu à mansão dos mortos para anunciar a vitória da Redenção aos justos que aguardavam o Salvador (cf. 1Pd 3,18-20; Ef 4,8-10; Catecismo da Igreja Católica, §§632-637).
Assim, a promessa feita ao bom ladrão permanece plenamente verdadeira.
A eternidade é o eterno "hoje"
Existe ainda uma realidade que nossa inteligência dificilmente consegue abarcar.
Após a morte, não vivemos mais submetidos ao tempo cronológico, marcado por ontem, hoje e amanhã.
Entramos na eternidade de Deus.
Por isso, o "hoje" pronunciado por Cristo possui um significado muito mais profundo do que um simples dia de vinte e quatro horas.
Na eternidade não existe sucessão de dias.
Não há um "amanhã" esperando novas oportunidades de conversão.
Quem morre reconciliado com Deus entra definitivamente em sua amizade.
Quem morre rejeitando livremente essa amizade permanece eternamente nessa escolha.
É justamente por isso que o Céu é eterno e o Inferno também.
Não porque Deus retire sua misericórdia, mas porque, fora do tempo, a decisão definitiva da criatura permanece para sempre.
Nesse sentido, as palavras de Cristo ao bom ladrão constituem um testemunho luminoso da fé cristã: a morte não conduz os justos a um estado de inconsciência ou de "sono da alma". Ela introduz imediatamente o homem na realidade eterna.
Assim, o bom ladrão não ficou "tirando uma soneca" à espera do fim do mundo. Conforme a promessa infalível do próprio Senhor, entrou naquele mesmo "hoje" da eternidade para estar com Cristo no Paraíso.
Essa verdade fortalece também a fé da Igreja na comunhão dos santos: aqueles que morreram na amizade de Deus vivem junto de Cristo, intercedem por nós e aguardam apenas a ressurreição gloriosa de seus corpos no último dia.
LÁZARO E O RICO: UMA PROVA DE QUE AS ALMAS NÃO "DORMEM" APÓS A MORTE
Uma das passagens mais claras de toda a Sagrada Escritura sobre o estado da alma após a morte é a parábola do rico e do pobre Lázaro, narrada por Nosso Senhor Jesus Cristo em Lucas 16,19-31.
"Havia um homem rico que se vestia de púrpura e linho finíssimo e todos os dias se regalava esplendidamente. Havia também um pobre, chamado Lázaro, coberto de chagas, que jazia à porta do rico... O pobre morreu e foi levado pelos anjos para o seio de Abraão. Morreu também o rico e foi sepultado. Na morada dos mortos, em meio aos tormentos, levantou os olhos e viu de longe Abraão e Lázaro junto dele..." (Lc 16,19-31).
Embora seja apresentada em forma de parábola, Jesus nunca utiliza parábolas para ensinar falsidades ou alimentar ilusões. As parábolas recorrem a imagens conhecidas para transmitir verdades espirituais profundas. Portanto, se Cristo descreve pessoas conscientes após a morte, dialogando, lembrando-se da vida passada e experimentando consolação ou sofrimento, é porque essa narrativa ensina uma realidade verdadeira sobre o destino eterno da alma.
As almas permanecem conscientes após a morte
Observe alguns detalhes que tornam impossível sustentar a teoria do chamado "sono da alma".
Lázaro morre e é imediatamente conduzido pelos anjos ao "seio de Abraão", expressão judaica que designava o estado de felicidade reservado aos justos antes da Redenção definitiva.
O rico também morre e encontra-se consciente, capaz de enxergar, falar, recordar sua vida, reconhecer Abraão, preocupar-se com seus irmãos e sofrer pelas consequências de suas escolhas.
Nenhum dos dois está inconsciente.
Nenhum dos dois está "adormecido".
Nenhum dos dois aguarda em estado de inconsciência o Juízo Final.
Ambos já experimentam, de modo antecipado, a consequência definitiva de suas vidas.
Essa passagem constitui um dos fundamentos bíblicos da doutrina católica sobre o Juízo Particular, segundo a qual cada pessoa, imediatamente após a morte, comparece diante de Deus para receber o destino correspondente ao estado em que deixou esta vida.
A morte fixa definitivamente nossa escolha
Abraão declara ao rico:
"Entre nós e vós existe um grande abismo, de modo que os que quiserem passar daqui para junto de vós não podem, nem os daí podem atravessar para cá." (Lc 16,26)
Esse "grande abismo" simboliza a irrevogabilidade da sentença divina após a morte.
Enquanto vivemos neste mundo, sempre existe tempo para a conversão, o arrependimento e a mudança de vida.
Mas a morte encerra definitivamente o tempo da prova.
Por isso ensina a Carta aos Hebreus:
"Está determinado que os homens morram uma só vez, e depois vem o julgamento." (Hb 9,27)
Não existe uma segunda oportunidade terrestre.
Não existe um novo ciclo de vidas.
Não existe reencarnação.
Existe uma única vida, seguida do juízo de Deus.
Os irmãos do rico ainda vivem na terra
Outro detalhe frequentemente ignorado merece atenção.
O rico pede que Lázaro seja enviado para advertir seus cinco irmãos.
Isso significa que o Juízo Final ainda não aconteceu.
Os irmãos continuam vivendo neste mundo.
Mesmo assim, Lázaro já está consolado, enquanto o rico já sofre as consequências de sua vida.
Logo, a cena descreve uma realidade anterior ao Juízo Universal.
É precisamente aquilo que a Igreja denomina Juízo Particular.
No fim dos tempos ocorrerá o Juízo Final, público e universal, quando todos comparecerão diante de Cristo e também os corpos ressuscitarão para participar da glória ou da condenação eterna. Contudo, o destino da alma é definido imediatamente após a morte.
A suficiência da Revelação
O rico insiste:
"Se alguém dentre os mortos for até eles, arrepender-se-ão."
Abraão responde:
"Se não escutam Moisés e os Profetas, também não acreditarão, ainda que alguém ressuscite dentre os mortos." (Lc 16,31)
Que impressionante!
Pouco tempo depois, Jesus realmente ressuscitaria Lázaro de Betânia (Jo 11), e muitos dos que testemunharam esse milagre não se converteram. Pelo contrário, alguns passaram até a planejar a morte de Jesus e do próprio Lázaro (Jo 11,53; 12,10-11).
Mais extraordinário ainda: o próprio Cristo ressuscitou dentre os mortos, apareceu a centenas de testemunhas e, mesmo assim, muitos continuaram recusando acreditar.
O problema, portanto, nunca foi falta de milagres.
O problema é a dureza do coração.
Quem rejeita a Palavra de Deus dificilmente aceitará até mesmo os maiores sinais.
Uma refutação da reencarnação
A parábola também é incompatível com a doutrina da reencarnação.
Nem o rico recebe outra oportunidade de voltar à Terra.
Nem Lázaro retorna para viver uma nova existência.
Cada um permanece no estado correspondente às escolhas realizadas durante sua única vida.
Essa verdade coincide perfeitamente com o ensinamento constante da Escritura:
"Os homens devem morrer uma só vez; depois vem o julgamento." (Hb 9,27)
A esperança cristã não consiste em sucessivas reencarnações, mas na ressurreição da carne e na vida eterna.
Os mortos não voltam por evocação humana
Por fim, a parábola também ensina que a comunicação entre vivos e mortos não depende da iniciativa humana.
Nem o rico pode enviar Lázaro.
Nem Abraão concede esse pedido.
Tudo permanece submetido exclusivamente à vontade de Deus.
Por isso a Bíblia condena explicitamente toda tentativa de evocar os mortos por meio da necromancia, do espiritismo ou de práticas ocultistas (Dt 18,10-12; Lv 19,31; Is 8,19).
Isso não significa que Deus jamais permita manifestações extraordinárias de santos ou anjos. A própria Escritura registra exceções autorizadas pelo Senhor, como a aparição de Moisés e Elias na Transfiguração de Cristo (Mt 17,1-8). Entretanto, essas manifestações pertencem exclusivamente à iniciativa divina e jamais ao poder ou à vontade dos homens.
A grande lição da parábola
A parábola do rico e de Lázaro nos recorda que é nesta vida que decidimos a eternidade.
Deus já nos concedeu todos os meios ordinários necessários para nossa salvação: a Sagrada Escritura, a Igreja fundada por Cristo, os Sacramentos, a oração, a graça divina e o testemunho dos santos.
Quem fecha o coração a esses dons dificilmente acreditará, ainda que presencie os milagres mais extraordinários.
Felizes, portanto, são aqueles de quem Jesus disse:
"Bem-aventurados os que não viram e creram." (Jo 20,29)
Lázaro e o rico já vivem aquilo que um dia todos nós viveremos: a confirmação definitiva de nossas escolhas diante de Deus. Por isso, a parábola é um poderoso convite à conversão hoje, enquanto ainda estamos no tempo da misericórdia, antes que chegue o dia em que nossa história será definitivamente selada pela justiça e pelo amor de Deus.
O QUE A IGREJA ENSINA SOBRE O FIM DA VIDA TERRENA DE MARIA?
Uma pergunta costuma surgir quando se fala da Assunção da Santíssima Virgem: Maria morreu ou foi levada ao Céu sem passar pela morte?
A resposta exige uma distinção importante.
O dogma da Assunção, proclamado pelo Papa Pio XII na Constituição Apostólica Munificentissimus Deus (1950), afirma apenas que:
"A Imaculada Mãe de Deus, a sempre Virgem Maria, terminado o curso de sua vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celeste."
Observe que a definição dogmática é extremamente prudente. Ela não afirma nem nega explicitamente a morte de Maria. Limita-se a declarar que, ao terminar sua vida terrestre, ela foi elevada por Deus, em corpo e alma, à glória do Céu.
Duas antigas tradições da Igreja
Desde os primeiros séculos do Cristianismo, coexistem duas veneráveis tradições.
A primeira sustenta que Maria passou pela morte natural, à semelhança de seu Filho Jesus Cristo, sendo logo em seguida glorificada por Deus.
A segunda entende que Maria, por ter sido concebida sem o pecado original e preservada de toda culpa pessoal, teria apenas "adormecido" (Dormitio Mariae), sendo imediatamente elevada ao Céu sem experimentar a corrupção do sepulcro.
Ambas as posições são muito antigas e remontam aos primeiros séculos da Igreja. Nenhuma delas contradiz o dogma da Assunção, justamente porque a Igreja nunca definiu de maneira obrigatória como ocorreu a passagem de Maria desta vida para a eternidade.
A tradição da Dormição
No Oriente cristão, difundiu-se amplamente a tradição da Dormição da Virgem.
Não se trata da ideia protestante do "sono da alma", como se Maria permanecesse inconsciente aguardando a ressurreição final.
Pelo contrário.
Segundo essa tradição, Maria apenas "adormeceu" na paz do Senhor e foi imediatamente glorificada por Deus em corpo e alma.
Diversos escritos antigos, como o Dormitio Mariae e o Transitus Mariae, embora não pertençam ao cânon da Sagrada Escritura, testemunham a profunda convicção dos primeiros cristãos de que a Mãe de Deus recebeu um fim de vida extraordinário. Esses textos, apesar de apócrifos, revelam a fé e a piedade das comunidades cristãs dos primeiros séculos e devem ser lidos como testemunhos históricos, não como fonte de doutrina revelada.
A tradição da morte de Maria
Ao longo da história, contudo, prevaleceu entre muitos Padres, teólogos e liturgias da Igreja a opinião de que Maria realmente passou pela morte.
O argumento principal é profundamente cristológico.
Se o próprio Cristo, sendo absolutamente santo e sem pecado, quis experimentar a morte para vencer a morte, seria plenamente conveniente que sua Mãe também percorresse esse mesmo caminho.
Assim como Maria esteve unida a Cristo na Encarnação, em Belém, na vida oculta de Nazaré, nas dores do Calvário e na missão redentora, também teria participado de sua vitória sobre a morte mediante uma glorificação imediata.
Nesse caso, sua morte não seria consequência do pecado, mas participação voluntária na obra redentora do Filho, culminando na sua glorificação corporal.
Onde Maria terminou sua vida?
Também essa questão permanece em aberto.
Duas tradições muito antigas disputam esse lugar.
Uma delas situa os últimos dias da Virgem em Éfeso, onde ela teria vivido sob os cuidados do apóstolo São João.
Outra, ainda mais antiga e fortemente apoiada pela tradição litúrgica e por descobertas arqueológicas, afirma que Maria concluiu sua vida em Jerusalém, onde existe desde os primeiros séculos um local venerado como seu túmulo, próximo ao Vale do Cedron.
Até hoje peregrinos visitam ambos os santuários, reconhecendo que a Igreja jamais definiu oficialmente qual dessas tradições corresponde exatamente aos fatos históricos.
O essencial da fé católica
Independentemente da maneira como ocorreu sua passagem desta vida para a eternidade, existe uma verdade sobre a qual não há dúvida para a fé católica.
Maria foi glorificada por Deus em corpo e alma.
Nela já se realizou aquilo que toda a Igreja espera receber na ressurreição final.
Ela tornou-se o sinal da vitória definitiva de Cristo sobre o pecado, a morte e a corrupção do sepulcro.
Como Nova Eva e Mãe da Igreja, Maria antecipa o destino glorioso reservado a todos os que perseverarem na graça de Deus.
Por isso, a Assunção não é um privilégio isolado concedido apenas à Mãe de Jesus. Ela é também um anúncio da esperança cristã. Ao contemplarmos Maria elevada à glória celeste, vemos antecipadamente aquilo que Cristo prometeu a todos os seus discípulos: a ressurreição do corpo, a vida eterna e a participação plena na comunhão da Santíssima Trindade.
A ASSUNÇÃO DE MARIA: UMA CRENÇA APOSTÓLICA, UMA REFLEXÃO TEOLÓGICA E UM DOGMA DA IGREJA
Embora a celebração litúrgica da Assunção da Santíssima Virgem remonte aos primeiros séculos do Cristianismo, foi a partir da Idade Média, especialmente entre os séculos XI e XII, que os grandes teólogos passaram a sistematizar os fundamentos bíblicos e teológicos dessa verdade de fé. Eles não "inventaram" a Assunção, mas procuraram demonstrar que essa crença, já profundamente enraizada na Tradição da Igreja, estava em perfeita harmonia com a Sagrada Escritura e com o plano da salvação.
1. Maria é a "Cheia de Graça"
O primeiro fundamento encontra-se nas palavras do Arcanjo Gabriel:
"Ave, cheia de graça, o Senhor está contigo." (Lc 1,28)
É significativo que o anjo sequer a chame pelo nome "Maria". O termo grego kecharitoméne ("cheia de graça") torna-se, por assim dizer, seu novo nome diante de Deus. Trata-se de um estado permanente de plenitude da graça divina.
Ora, a morte e a corrupção do sepulcro entraram no mundo em consequência do pecado (Rm 5,12). Se Maria foi preservada do pecado original por singular privilégio de Deus, em vista dos méritos futuros de Cristo, era profundamente conveniente que também fosse preservada da corrupção do túmulo.
Isso não significa, necessariamente, que Maria não tenha morrido. Ao contrário, muitos Padres e Doutores da Igreja sustentam que ela passou pela morte, mas que seu corpo não permaneceu sob o domínio da corrupção. Assim como Cristo venceu a morte pela Ressurreição, Maria participou imediatamente dessa vitória por uma graça singular de seu Filho.
2. A carne de Cristo é a carne de Maria
Outro argumento, frequentemente desenvolvido pelos santos Padres, parte da íntima união entre a Mãe e o Filho.
Jesus foi concebido milagrosamente pelo Espírito Santo, sem participação de pai humano. A humanidade assumida pelo Verbo foi recebida inteiramente da Virgem Maria.
Como ensina a Carta aos Hebreus:
"Visto que os filhos participam da carne e do sangue, também Ele participou da mesma condição." (Hb 2,14)
A carne oferecida por Cristo na Cruz é, verdadeiramente, a carne recebida de Maria.
Por isso, muitos santos perguntavam:
Seria conveniente que a carne da qual o Verbo assumiu sua humanidade experimentasse a corrupção do sepulcro?
A resposta que deram foi negativa.
Não por necessidade absoluta, mas por profunda conveniência na economia da salvação.
A glorificação corporal de Maria manifesta a perfeita harmonia entre a dignidade do Filho e a dignidade singular daquela que lhe deu a natureza humana.
Uma fé que amadureceu ao longo dos séculos
À medida que a Igreja aprofundava o mistério de Cristo, crescia também a compreensão do lugar único ocupado por Maria no plano da Redenção.
A Assunção tornou-se uma das verdades mais queridas da piedade cristã.
Inúmeras igrejas foram dedicadas à Assunção de Nossa Senhora.
Milhões de cristãos passaram a invocar Maria sob o título de Nossa Senhora da Glória.
A liturgia oriental e ocidental passou a celebrar solenemente sua glorificação.
Tudo isso muito antes da definição dogmática de 1950.
A definição de um dogma não cria uma nova verdade.
Ela apenas confirma solenemente uma verdade já vivida, celebrada e professada pela Igreja desde tempos muito antigos.
A definição do dogma da Assunção
Na primeira metade do século XX, milhares de bispos e milhões de fiéis solicitaram à Santa Sé que essa antiga crença fosse definida solenemente.
Depois de consultar todo o episcopado católico, o Papa Pio XII proclamou, em 1º de novembro de 1950, a Constituição Apostólica Munificentissimus Deus, definindo como dogma de fé:
"A Imaculada Mãe de Deus, a sempre Virgem Maria, terminado o curso de sua vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celeste."
Chama atenção a prudência da definição.
O Papa não afirma expressamente que Maria morreu.
Também não afirma que ela foi elevada sem passar pela morte.
Utiliza deliberadamente a expressão:
"Terminado o curso de sua vida terrestre..."
Com isso, respeita as duas antigas tradições existentes na Igreja e deixa aberta essa questão histórica, enquanto define aquilo que pertence propriamente ao depósito da fé: Maria encontra-se glorificada em corpo e alma no Céu.
O significado profundo do dogma
Ao proclamar esse dogma, Pio XII tinha também diante dos olhos a dramática situação do século XX.
O mundo acabara de testemunhar duas guerras mundiais, genocídios, campos de concentração e um desprezo sem precedentes pela dignidade da pessoa humana.
Proclamar a glorificação corporal de Maria era recordar ao mundo inteiro que o corpo humano não é descartável.
Ele foi criado por Deus, santificado pela Encarnação do Verbo, destinado à ressurreição e chamado a participar da glória eterna.
A Assunção proclama, portanto, a dignidade da pessoa humana inteira — corpo e alma.
Dormição ou morte?
A tradição mais antiga localiza o sepultamento de Maria em Jerusalém e fala de sua Dormição, expressão que designa sua passagem desta vida para a eternidade.
Ao longo da história, alguns autores defenderam que Maria foi preservada até mesmo da morte corporal.
Outros sustentaram que ela morreu verdadeiramente, sendo imediatamente ressuscitada e glorificada.
Hoje, a maioria dos teólogos considera mais provável que Maria tenha experimentado a morte, não como consequência do pecado, mas para conformar-se plenamente ao seu Filho.
Contudo, essa permanece uma questão teológica legítima, não uma verdade definida pela Igreja.
MARIA, IMAGEM DA IGREJA GLORIFICADA
O Concílio Vaticano II apresentou uma das mais belas sínteses do significado da Assunção.
Na Constituição Lumen Gentium, afirma:
"Para que mais plenamente estivesse conforme a seu Filho, Senhor dos senhores e vencedor do pecado e da morte, Maria foi exaltada pelo Senhor como Rainha do universo." (Lumen Gentium, 59)
E acrescenta:
"A Mãe de Jesus, já glorificada em corpo e alma no Céu, é imagem e início da Igreja que deverá consumar-se no século futuro. Assim também brilha, na Terra, como sinal de esperança segura e de consolação para o povo de Deus peregrino." (Lumen Gentium, 68)
Essas palavras revelam o verdadeiro sentido da Assunção.
Maria não foi glorificada apenas por um privilégio pessoal.
Ela tornou-se o primeiro fruto daquilo que toda a Igreja espera receber no fim dos tempos.
Nela contemplamos antecipadamente o destino glorioso reservado a todos os que morrerem na amizade de Deus.
A Assunção é única
Nas últimas décadas surgiram teorias segundo as quais todos os fiéis ressuscitariam corporalmente imediatamente após a morte.
Essa hipótese, porém, esvaziaria completamente o significado singular da Assunção de Maria.
Por isso, a Congregação para a Doutrina da Fé recordou que a glorificação corporal da Virgem constitui uma antecipação única daquilo que acontecerá aos demais eleitos somente na segunda vinda de Cristo.
Enquanto aguardamos a ressurreição final, nossas almas vivem junto de Deus, permanecendo na expectativa da glorificação definitiva de seus corpos, conforme ensinam repetidamente as Escrituras (Jo 6,44; 1Cor 15,22-23; 1Ts 4,16-17).
A ASSUNÇÃO: A ESPERANÇA DE TODOS OS CRISTÃOS
Em última análise, a Assunção de Nossa Senhora não fala apenas de Maria.
Ela fala também de nós.
Maria é a primeira criatura humana a experimentar plenamente aquilo que Cristo conquistou para toda a humanidade: a vitória definitiva sobre o pecado, a morte e a corrupção.
Ela já vive aquilo que toda a Igreja espera viver.
Por isso, sua Assunção é um poderoso sinal de esperança.
Ao contemplarmos a Mãe glorificada junto de seu Filho, renovamos nossa certeza de que o Céu existe, de que Cristo venceu a morte e de que aqueles que perseverarem na graça alcançarão a mesma herança eterna.
A liturgia da Igreja resume magnificamente essa esperança ao proclamar:
"Hoje a Virgem Maria, Mãe de Deus, foi elevada à glória do Céu. Aurora e esplendor da Igreja triunfante, ela é consolo e esperança para o vosso povo ainda peregrino na Terra."
Maria glorificada não se afasta de seus filhos. Pelo contrário, unida para sempre ao seu Filho na glória, continua exercendo sua maternidade espiritual, intercedendo por toda a Igreja até que todos os eleitos cheguem à pátria celeste, onde Deus será tudo em todos.
CONCLUSÃO: A ASSUNÇÃO DE MARIA, SINAL DA NOSSA ESPERANÇA E DA VITÓRIA DE CRISTO
A Assunção da Santíssima Virgem Maria não é apenas um privilégio concedido à Mãe de Deus. Ela é, antes de tudo, uma extraordinária proclamação da vitória definitiva de Jesus Cristo sobre o pecado, a morte e a corrupção do sepulcro. Tudo aquilo que contemplamos realizado em Maria é fruto exclusivo da Redenção operada por seu Filho. Ela não foi glorificada por méritos próprios, mas porque foi a primeira e mais perfeita discípula de Cristo, plenamente configurada ao mistério pascal daquele que venceu a morte para sempre.
Por isso, a Assunção de Maria é também um anúncio do destino reservado a todos os que permanecerem fiéis ao Evangelho. O que nela já se realizou plenamente, a Igreja inteira espera receber no fim dos tempos. Maria não está separada da Igreja; ela é o seu membro mais excelente, o modelo acabado da humanidade redimida e a imagem daquilo que todos nós somos chamados a ser. Nela contemplamos antecipadamente a ressurreição gloriosa prometida por Cristo aos que perseverarem na graça.
Sua glorificação em corpo e alma recorda ao mundo uma verdade frequentemente esquecida: o homem não foi criado para o túmulo, mas para a eternidade; não foi criado para a corrupção, mas para a incorruptibilidade; não foi criado apenas para esta vida, mas para viver para sempre na comunhão da Santíssima Trindade. O Céu não é uma ideia poética nem um simples consolo psicológico. É a nossa verdadeira pátria, preparada por Cristo para aqueles que o amam (Jo 14,2-3).
Em uma sociedade marcada pelo consumismo, pelo materialismo, pelo relativismo moral e pelo hedonismo, a Assunção de Maria ergue-se como um poderoso protesto contra a ilusão de que a felicidade pode ser encontrada apenas nos bens materiais, no prazer ou no sucesso terreno. O homem pode conquistar riquezas, fama, poder e todas as comodidades imagináveis, mas nada disso conseguirá preencher o vazio de uma alma criada por Deus e para Deus.
Como ensinava Santo Agostinho:
"Fizeste-nos para Ti, Senhor, e inquieto está o nosso coração enquanto não repousa em Ti."
O coração humano foi criado para o Alto. Fomos feitos para contemplar Deus face a face, participar de sua vida divina e viver para sempre na plenitude do amor. Toda tentativa de substituir Deus pelos ídolos deste mundo termina inevitavelmente em frustração, vazio existencial e perda do verdadeiro sentido da vida.
Maria Assunta ao Céu proclama silenciosamente essa verdade a cada geração. Sua vida inteira foi um "sim" à vontade de Deus, desde a Anunciação até o Calvário. Agora, glorificada junto de seu Filho, ela continua indicando o mesmo caminho que apontou nas Bodas de Caná:
"Fazei tudo o que Ele vos disser." (Jo 2,5)
A Assunção é, portanto, um convite permanente à conversão. É um chamado para vivermos com os pés na terra, mas com o coração voltado para o Céu; para usarmos os bens deste mundo sem nos escravizarmos a eles; para buscarmos antes de tudo o Reino de Deus e sua justiça (Mt 6,33), certos de que "nossa pátria está nos céus" (Fl 3,20).
A Mãe glorificada não abandonou seus filhos peregrinos. Elevada em corpo e alma à glória celeste, continua exercendo sua maternidade espiritual, intercedendo incessantemente por toda a Igreja diante do trono de seu Filho. Por isso, os cristãos recorrem confiantemente àquela que os santos chamaram de "Onipotência Suplicante" (Omnipotentia Supplex): não porque possua um poder próprio igual ao de Deus, mas porque sua intercessão materna jamais é recusada por Aquele que, na Cruz, a entregou como Mãe de todos os discípulos (Jo 19,26-27).
Que a contemplação da Assunção da Santíssima Virgem renove em nós a esperança da ressurreição, fortaleça nossa fidelidade à Igreja fundada por Cristo e desperte em nossos corações o desejo sincero da santidade. Se Maria, a primeira dos redimidos, já alcançou a glória eterna, também nós, perseverando na fé, na esperança e na caridade, poderemos um dia unir-nos a ela na Jerusalém Celeste, onde "Deus enxugará toda lágrima dos nossos olhos; não haverá mais morte, nem luto, nem clamor, nem dor, porque as coisas antigas já passaram" (Ap 21,4).
Maria Assunta ao Céu é a aurora da Igreja glorificada, a certeza da vitória de Cristo sobre a morte e o sinal seguro da esperança que sustenta todos aqueles que caminham rumo à eternidade. Que ela nos conduza sempre ao seu Filho, único Senhor, único Salvador e único Caminho que nos leva ao Pai.
*Francisco José Barros
Araújo – Bacharel em Teologia pela Faculdade Católica do RN, conforme diploma
Nº 31.636 do Processo Nº 003/17
------------------------------------------------------
*“Este
apostolado não possui fins lucrativos. As contribuições são destinadas à
evangelização, produção de conteúdo e manutenção do projeto.”
🙌
Ajude a levar a Mensagem Cristã a mais pessoas!
Compartilha
e siga-nos em nossas Redes Sociais abaixo:
👉 Clique aqui e siga nosso
canal no YouTube
👉
Siga o canal "Evangelho Cotidiano" no WhatsApp:
https://whatsapp.com/channel/0029Vaj6GhP6buMR1cyUUN0S
👉
Siga e assine nossa página de Cursos e Aprofundamentos no Instagran
(@teologia.leigos1):
https://www.instagram.com/teologia.leigos1/
*Desde 2009 quando iniciamos esse
apostolado, oferecemos conteúdo independente, profundo e fiel aos fatos — livre
de algoritmos que tentam ditar o que você deve ver e ler. Nosso compromisso é
mostrar os três lados da
moeda, com credibilidade e respeito, mesmo em tempos de
polarização e tanta fake news. O blog é mantido
pelo apoio de nossos leitores. Se você valoriza nosso trabalho,
ajude-nos a crescer com suas orações, propaganda
e doação espontânea para manter nossos custos.
+ Comentário. Deixe o seu! + 10 Comentário. Deixe o seu!
Quantas vezes Maria já apareceu e conversou com os fiéis ? Por que não perguntaram ainda a ela se ela dormiu ou morreu ? Se ela foi assunta ao céu no terceiro dia ,como Jesus ?
Por que não pedem a ela uma explicação do porquê Pedro, Paulo e João , que foram testemunhas oculares da assunção, não terem escrito UMA LINHA SEQUER nas suas CARTAS APOSTÓLICAS sobre tão glorioso acontecimento, evitando tantas conjecturas sobre sua assunção?
Prezado protestante Coruja,
Este é o problema do protestantismo, e protestantes do tipo papagaio de pastor. Se você fizesse um estudo bíblico, independente das proibições de sua Igreja e pastor, bastaria ler o livro do apóstolo João APOCALIPSE, e veria que ali o apóstolo fala da assunção de Maria.Portanto sua afirmação de que nenhum apóstolo falou sobre isto é falsa.
Shalom !!
Que cegueira! Como Pode?! acabei de ler um texto excelente no seu blog e agora leio essa heresia. Não tire da Bíblia explicações que não existem, e cuidado com o que você acrescenta ao que diz ao Apocalispe ou tira dele, Deus não é de confusão, se o que você diz sobre Maria fosse verdade isso seria dito claramente na Bíblia. Maria não é Deusa e nem está sentada ao lado de Deus no céu, quem está é apenas Jesus, e ele é somente ele é nosso intercessor perante ao Pai e só ele é o caminho a verdade e vida e ninguém vai ao Pai senão por ele. Mas não adianta discutir, e te mostrar vários textos Bíblicos que desmentem o que você diz. Pois você acha que só seus estudos Bíblicos é que estão certos.
Em q parte da bíblia fala claramente que Maria foi ressuscitada? ..Ela deve ser respeitada como mãe do nosso Salvador, Mais ñ adorada igual ao nosso Deus supremo.
Prezados(as) protestantes,
Espero não ter ainda que desenhar e explicar o desenho...
AS EVIDÊNCIAS BÍBLICAS:
“Por meio da fé, Enoque foi arrebatado, de forma que não experimentou a morte; e já não foi encontrado, porquanto Deus o havia arrebatado, visto que, antes de ser arrebatado, havia recebido o testemunho de que tinha agradado a Deus...”(Hebreus 11,5).
“O anjo disse-lhe: Não temas, Maria, pois encontraste graça diante de Deus. (Lucas 1,30) – Ora ENCONTRAR GRAÇA DIANTE DE DEUS, é ter agradado a Deus, portanto, BEM AVENTURADA (Lucas 1, 31-45).
“Em Jericó os discípulos dos profetas foram falar com Eliseu e lhe perguntaram: Você sabe que hoje o Senhor vai levar para os céus o seu mestre, separando-o de você?...De repente, enquanto caminhavam e conversavam, apareceu um carro de fogo, puxado por cavalos de fogo, que os separou, e Elias foi levado aos céus num redemoinho. ( II Reis 2,511).
Ora, a dedução é simples e lógica: se considera nas Escrituras que Enoque e Elias foram “assumidos” ao céu, de corpo e alma, e talvez Moisés, se interpretarmos a menção de Judas 9 como uma “assunção” do corpo de Moisés. Jesus subiu ao céu em seu próprio poder, corpo e alma, e é justo que sua própria mãe, a Santa Mãe de Deus, também não visse corrupção, pois a Carne de Cristo é a carne de Maria. A Bem Aventurada Virgem Maria, sendo um modelo da Igreja, como todos os Pais ensinam, é um exemplo do cristão aperfeiçoado no céu (cf. a Igreja, imaculada, sem culpa mencionada em Efésios 5, 25-33, Hb 12, 22 ss; Ap 21,1 ss). Maria recebeu esse estado aperfeiçoado (em alma e corpo) antes de toda Igreja remida pelo sangue de Cristo, tornando-se a nova Eva, mãe da nova humanidade, pela graça e beneplácito de Deus.Muitas vezes os teólogos e oradores sagrados, seguindo os passos dos santos Padres,para explicarem a sua fé na assunção, serviram-se com certa liberdade de fatos e textos da Sagrada Escritura. E assim, para mencionar só alguns mais empregados, houve quem citasse a este propósito as palavras do Salmista:
"Erguei-vos, Senhor, para o vosso repouso, vós e a Arca de vossa santificação" (Sl 131, 8).
Ora, a Arca da Aliança, feita de madeira incorruptível e colocada no templo de Deus, viam como que uma imagem do corpo puríssimo da virgem Maria, preservado da corrupção do sepulcro, e elevado a tamanha glória no céu. Do mesmo modo, ao tratar desta matéria, descrevem a entrada triunfal da Rainha na corte celeste, e como se vai sentar a direita do divino Redentor (Sl 44,10.14-16); e recordam a propósito a esposa dos Cantares "que sobe pelo deserto, como uma coluna de mirra e de incenso" para ser coroada (Ct 3,6; cf. 4,8; 6,9). Ambas são propostas como imagens daquela Rainha e Esposa celestial, que sobe ao céu com o seu divino Esposo.
MARIA FOI ARREBATADA CONF. REVELA O APOCALIOPSE.Afinal, onde exatamente está escrito na bíblia que Maria Morreu ?Simplesmente não encontramos em lugar algum, e sabe por que ? - Apoc. 12 diz que Maria FOI ARREBATADA por um tempo e a metade de um tempo após gerar um filho homem (Varão) que regerá toda a terra, e seu Reino não terá fim:
“E a mulher fugiu para o deserto, onde já tinha lugar preparado por Deus, para que ali fosse alimentada durante mil duzentos e sessenta dias...”(Apoc 12,6).
Shalom !!!
A realdade é essa que vimos a santissima Virgem Maria a ser exaltada no Apocalipse 12, E isso doe aos protestantes porque?. Devemos mesmos honrar a nossa mae Maria santissima, e é a realdade biblica adorar a sua mae. Nao acrescentem mentiras que nós adorámos à ela como uma deusa, mas honramos como a mae de Deus conforme as escrituras. Quem está contra isso, está contra Deus.
Excelente conteúdo! Gostaria de fazer alguns comentários aqui:
1 - Muitos talvez não deem à Maria o seu valor espiritual em virtude de pouco se falar sobre ela. Realmente, não são tantas passagens bíblicas em que ela aparece ou é citada. No entanto, o mesmo e válido para João Batista: não se fala tanto dele nos Evangelhos ou em cartas posteriores. Entretanto, segundo o próprio Cristo, João Batista teria sido o maior dentre os nascidos de mulher, bem mais do que profeta. (Mateus 11)
2 - No Evangelho de Mateus, em seu capítulo 27, versos 51 a 53, fala da Ressurreição de muitos justos e que foram vistos em Jerusalém. Nesse momento, Maria ainda peregrina na Terra em seu corpo físico e, sendo assim, ela não estaria entre esses justos que teriam ressuscitado. Entretanto, há de se ressaltar que houve ressurreição de outros que não somente Cristo.
3 - É comum se ouvir dizer que "todos pecaram" e, portanto, Maria também teria pecado. Na verdade, esse "todos" pode ser aplicado para o sentido amplo ou generalista como por características particulares universais. Por exemplo: "Todo homem vivo tem cabeça". Sim, ter cabeça é uma condição biológica intrínseca a todo ser humano que esteja vivo. Logo, é uma característica particular universal. Entretanto, se dissermos "Todos têm facebook". Ora, sabemos que não são todas as pessoas do mundo que têm Facebook, mas apenas uma fração dela, e que, a depender de considerações contextuais, como lugar ou aspecto socioeconômico, é mais habitual dizer que "todos" (naquele contexto) têm facbeook. Isso seria um sentido amplo e generalista. Consideremos, por exemplo, o caso de muitos bebês que acabaram nascendo, vivendo alguns meses de vida e eventualmente tenham falecido. Aqueles bebês eram seres humanos, certo? Eles teriam pecado? Não estou me referindo aqui ao fato de terem ou não consciência de seus atos, mas sim a entrada dos mesmos nesse contexto do "todos" de que se fala.
4 - Infelizmente, o mais chato é ter que justificar coisas que não fazemos e que acham que fazem: adorar Maria; Maria é uma deusa; Glória compartilhada entre santos e outras - perdoem a franqueza - baboseiras que falam a respeito dos católicos. Alguém já ouviu um católico sério dizer "glórias a Maria" ou "Que Maria seja adorada" etc? Ou é isso o que os padres e sacerdotes da Santa Igreja pregam para que os seus fiéis creeiam ou pratiquem. Muitos podem até dizer o seguinte em relação a nós, católicos,: "Os católicos se ofendem quando falam de Maria! É porque veem ela assim como veem Jesus, ou seja, adoram-na como deusa!" Claro que não propriamente nesses termos, mas com essa ideia em suas mentes. Daí, poderíamos indagar: "Será que vocês chegariam a um judeu e falariam a ele que Sara foi uma mulher qualquer?" ou então "Será que vocês chegariam a um árabe e dissesse a ele que Agar foi uma mulher qualquer?". Além do mais, muita gente acha bonito quando os judeus se declaram "filhos de Abraão ou filhos de Moisés" Não há problema quanto a isso. O negócio é quando a pessoa diz que é filho de Maria, né?
Enfim, são algumas considerações que valem a pena serem feitas.
Só uma reflexäo...
Voces não acham muito estranho NENHUM apóstolo, todos " testemunhas" da assunção, terem narrado NADA do maravilhoso acontecimento ? Nem ao menos João, que escreveu TRÊS CARTAS por volta do ano 96 ?
Prezado protestante Coruja,
Ledo engano o seu caro coruja! infelizmente sua dúvida demonstra que você, seu pastor e membros de sua seita só leem o que lhes interessa, procure ler toda escritura e peça a Deus o verdadeiro entendimento sem preconceitos. Se você a ler INTEGRALMENTE, vai ver que nada menos que 2 apóstolos (Mateus e João) e um evangelista (Marcos) falam claramente que Maria NÃO MORREU:
Em Marcos 9,1-4 e Mateus 16,28 eles revelam:
“Com toda a certeza vos afirmo que alguns dos que aqui se encontram não experimentarão a morte até que vejam o Filho do homem vindo em seu Reino”.
Caro coruja o apóstolo João que escreveu o Apocalipse nos revela que MARIA FOI ARREBATADA. Lhe pergunto agora: Onde exatamente está escrito na bíblia que Maria Morreu, ou que insinua isso? Simplesmente não encontramos em lugar algum, e sabe por que caro coruja: Apoc. 12 diz que Maria FOI ARREBATADA por um tempo e a metade de um tempo após gerar um filho homem (Varão) que regerá toda a terra, e seu Reino não terá fim:
“E a mulher fugiu para o deserto, onde já tinha lugar preparado por Deus, para que ali fosse alimentada durante mil duzentos e sessenta dias...”(Apoc 12,6).
Caro coruja, Maria participou da sorte do novo Adão, Jesus Cristo, ressuscitou depois da morte, seu corpo não experimentou a corrupção, como Moises e Elias (leia Judas versículo 9 e Hebreus 11,5).A Assunção de Nossa Senhora ao Céu é, para nós que ainda vivemos neste vale de lágrimas, a certeza de que o Céu existe e é nosso destino. A chegada de nossa Mãe ao Céu é a certeza antecipada da vitória final de todos os justos amigos de Deus, que amam o Evangelho e obedecem a Igreja, vivendo como verdadeiros cristãos.
Um abraço fraterno, grato pela sua visita e dúvida que irá beneficiar a muitos Cristãos. A aqui caro Coruja, vc não vai ver o que quer, mas o que precisa.
Shalom !!!
Antes de tudo quero parabenizar aos autores administradores do blog e parabenizar o autor dessa postagem muito bem fundamentada! Percebemos que os protestantes quando são confrontados com a própria escritura, e sem o auxilio do PAXTÔ, ficam completamente confusos, raivosos e perdidos, confirmando que não passam de papagaios de falsos pastores.
Marlucia - Natal _RN
Postar um comentário
Todos os comentários publicados não significam nossa adesão às ideias nelas contidas.O blog oferece o DIREITO DE RESPOSTA a quem se sentir ofendido(a).Os comentários serão analisados criteriosamente e poderão ser ignorados e ou, excluídos se ofensivos a honra.