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Por que é tão difícil perdoar?

Written By Beraká - o blog da família on domingo, 5 de dezembro de 2010 | 21:52




Por que é tão difícil conceder o perdão? Perdoar é o mesmo que esquecer?


por*Francisco José Barros de Araújo 




O perdão é uma das experiências humanas e espirituais mais exigentes, porque toca diretamente naquilo que temos de mais sensível: a memória da dor. Diante das ofensas e mágoas que nos são causadas, a tentação mais comum é silenciar o coração, minimizar o ocorrido ou nos enganar com frases aparentemente piedosas, como “não foi nada”, “já passou”, “não vale a pena falar sobre isso”. No entanto, quando a ferida é ignorada, ela não cicatriza — apenas se esconde e, com o tempo, infecciona.  Perdoar não é apagar a memória, nem fingir que nada aconteceu. O esquecimento forçado não é virtude; é fuga. O verdadeiro perdão nasce quando temos a coragem de reconhecer a dor, nomeá-la e colocá-la diante de Deus. Quando possível, também é salutar expressar ao outro o quanto fomos feridos. Esse gesto, longe de ser acusação ou vingança, é profundamente curativo e formativo: cura o coração do ofendido e educa a consciência do ofensor. Onde não há verdade, não pode haver reconciliação autêntica.  



Há uma sabedoria antiga que diz: “a picada mais dolorosa é a do inseto mais doce”. De modo semelhante, as ofensas que mais nos marcam quase sempre não vêm de estranhos, mas daqueles que amamos, em quem confiamos e de quem esperávamos cuidado. Por isso doem mais. 




A proximidade gera expectativa, e a expectativa ferida gera sofrimento profundo. Justamente aí o perdão se torna mais difícil — e, paradoxalmente, mais necessário.  Perdoar é um caminho, não um ato instantâneo. Exige tempo, oração, humildade e, sobretudo, verdade interior. Não significa justificar o erro do outro, mas libertar o próprio coração do peso do ressentimento. O perdão não muda o passado, mas transforma o presente e abre espaço para que o futuro não seja governado pela dor. Quem perdoa não absolve a injustiça; escolhe não permitir que ela continue governando sua vida.





(foto reprodução ilustrativa)





Um bispo de determinada diocese foi obrigado a tomar uma decisão difícil: expulsar um sacerdote por causa de comentários que chegaram até ele. Passado algum tempo, e provada a inocência do sacerdote, este foi restabelecido em suas funções. Então, o bispo chamou-o para uma conversa particular em seu gabinete e lhe disse:


— Meu filho, peço-lhe desculpas, em meu nome e em nome de toda a comunidade, por este mal-entendido. Passe uma borracha em tudo isso, vire esta página da sua vida e esqueça tudo.


O sacerdote, muito serenamente, respondeu:


— Senhor bispo, perdoar eu posso, e já perdoei a todos. Mas não posso esquecer aquilo que me configurou a Cristo. Posso, porém, ofertar essa dor, por mim e pela humanidade que sofre, assim como Cristo ofertou o seu sofrimento na cruz para nos salvar.





Por que é tão difícil perdoar?




“Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de ternos afetos de misericórdia, de bondade, de humildade, de mansidão e de longanimidade. Suportai-vos uns aos outros e perdoai-vos mutuamente, caso alguém tenha motivo de queixa contra outrem. Assim como o Senhor vos perdoou, assim também perdoai vós.” (Colossenses 3,12-14)




Perdoar é uma das exigências mais altas do Evangelho e, ao mesmo tempo, uma das mais difíceis para o coração humano. A dificuldade do perdão não está apenas na gravidade da ofensa recebida, mas sobretudo na nossa incapacidade de reconhecer a profundidade do nosso próprio pecado e o quanto dependemos, todos os dias, da misericórdia de Deus. Quando perdemos a consciência de que somos continuamente perdoados, tornamo-nos duros com os outros; quando, porém, reconhecemos que vivemos sustentados pela graça e pela misericórdia divinas, somos interiormente compelidos a agir com misericórdia e graça também em relação àqueles que nos ferem.





-É difícil perdoar também porque, muitas vezes, conceder o perdão significa livrar o outro de uma grande dívida que ele contraiu conosco (que muitas vezes o ofensor nem sabe o tamanho da dívida). A ofensa cria uma espécie de “crédito moral” em nosso favor, e sentimos que perdoar seria injusto, como se estivéssemos absolvendo alguém que não merece absolvição. Em nosso íntimo, acreditamos que, ao não perdoar, mantemos o outro preso à sua culpa, sob nosso julgamento silencioso, como se isso nos desse algum tipo de controle ou reparação.




-No entanto, essa é uma ilusão perigosa! Quando recusamos o perdão, não é o outro que permanece acorrentado, mas nós mesmos! Ao manter o ofensor preso à dívida, acabamos nos tornando prisioneiros do rancor, do ressentimento e da lembrança constante da ofensa. 



O vínculo que julgávamos ser uma forma de justiça transforma-se, na verdade, numa prisão interior que nos impede de avançar, de amar e de viver com liberdade. O Evangelho nos revela que o perdão não é um prejuízo espiritual, mas um caminho de libertação. Perdoar não significa negar a dívida, mas renunciar ao direito de cobrá-la. É entregar a conta nas mãos de Deus, o único capaz de unir justiça e misericórdia sem destruir ninguém. Quando perdoamos, rompemos a lógica do cálculo humano e entramos na lógica da graça, onde a liberdade vale mais do que a compensação, e a vida vale mais do que a vingança.








Falhamos ao perdoar quando fixamos o olhar exclusivamente no outro, esperando dele condições para o perdão: arrependimento perfeito, punição proporcional, compensação, pedido explícito de desculpas ou qualquer forma de “justiça” que satisfaça nosso orgulho ferido. 




Falhamos igualmente quando buscamos em nós mesmos os fundamentos do perdão — sentimentos nobres, força interior ou suposta virtude moral. O perdão não nasce nem do outro, nem de nós.










Falhamos ao perdoar quando fixamos o olhar exclusivamente no outro, esperando dele condições para o perdão: arrependimento perfeito, punição proporcional, compensação, pedido explícito de desculpas ou qualquer forma de “justiça” que satisfaça nosso orgulho ferido. Falhamos igualmente quando buscamos em nós mesmos os fundamentos do perdão — sentimentos nobres, força interior ou suposta virtude moral. O perdão não nasce nem do outro, nem de nós.




Só conseguimos perdoar olhando exclusivamente para Jesus crucificado, fonte de toda graça e de todo perdão. Enquanto olharmos para quem nos ofendeu, permaneceremos presos à ferida. 


Enquanto olharmos para nós mesmos, encontraremos apenas limites, ressentimentos e fraquezas. O perdão nasce quando mudamos o foco: do ofensor para Cristo; da dor para a cruz; da exigência para a graça.













O perdão como renúncia interior




Perdoar é difícil porque implica renúncias profundas. Perdoar significa desistir da vingança, abandonar o desejo de fazer justiça com as próprias mãos, abrir mão da reivindicação de direitos pessoais e escolher orar pelo ofensor, chegando até a abençoá-lo. 



Perdoar é calar a boca da maledicência, que tantas vezes alimenta o ego e dá uma falsa sensação de superioridade moral. É renunciar ao julgamento definitivo sobre a vida do outro e entregá-lo inteiramente à justiça e à misericórdia de Deus.







        


Além disso, perdoar é libertar o outro das cadeias da culpa — e isso nos custa, porque muitas vezes queremos manter aqueles que nos feriram como nossos “devedores”, presos à lembrança constante do erro, sob certo controle psicológico e moral. 



O paradoxo é cruel: ao não perdoarmos, não aprisionamos o outro, mas a nós mesmos. 



Tornamo-nos prisioneiros da amargura, do ressentimento e da memória dolorosa, abrigando em nós um veneno silencioso que corrói toda a vida espiritual, emocional e até física.



Perdoar é difícil porque é uma forma concreta de negação de si mesmo. É sair do centro da própria vida para permitir que a vontade de Deus prevaleça sobre nossos supostos direitos, que muitas vezes não passam de expressões refinadas do egoísmo e do amor-próprio ferido.








Perdão: mandamento e graça




O perdão cristão não é apenas um conselho espiritual: é mandamento. Justamente por isso, ele não pode depender da instabilidade do nosso coração, que é enganoso e facilmente dominado pelas paixões. 




Sem perdão, não há convivência humana autêntica: não há família, não há Igreja, não há comunhão verdadeira. Onde o perdão é recusado, o relacionamento morre.




Mas o perdão também é graça. Ele nos dá acesso à misericórdia de Deus, cura nossas feridas interiores, liberta-nos da escravidão do ódio e nos reintegra plenamente no Corpo de Cristo. Jesus foi absolutamente claro: “Se não perdoardes aos homens as suas ofensas, tampouco vosso Pai vos perdoará as vossas” (Mt 6,15). E, ao mesmo tempo, prometeu: “Felizes os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia” (Mt 5,7).









Perdoar é esquecer?



Não. Perdoar não é esquecer. Nem sempre as feridas se apagam da memória, sobretudo aquelas provocadas por situações trágicas, traições profundas ou injustiças graves. Em muitos casos, o caminho da cura não passa pelo esquecimento, mas por uma tomada de consciência ainda mais lúcida da gravidade do mal sofrido. 




O mal não pode ser simplesmente expelido da memória — ele permanece —, mas pode ser, pouco a pouco, submerso no amor de Deus e, assim, transformado.




Além disso, é preciso dizer com clareza: perdoar não significa que tudo voltará a ser como antes. 




Em alguns casos, infelizmente, não será mais possível “sair juntos e tomar aquele cafezinho”. Especialmente quando se percebe que o outro não deseja o perdão, não reconhece o mal cometido e não mudou nada em sua postura em relação a você. O perdão não obriga à convivência, nem à exposição contínua àquilo que fere e pode nos levar a pecar.



O perdão é um ato interior de liberdade, não uma legitimação do erro nem uma autorização para que a ofensa continue. 




Há situações em que a distância se torna uma forma de prudência e até de caridade. Perdoar não é permitir abusos, mas libertar o próprio coração.



É você quem precisa se libertar da pessoa que o feriu, concedendo o perdão inclusive a quem não o merece — porque o perdão não é dado ao outro, mas vivido por quem perdoa. Quando perdoamos, rompemos as correntes invisíveis que nos mantêm presos ao passado, à mágoa e ao ressentimento.







Nesse caminho, experimentamos a verdadeira liberdade dos filhos de Deus: a liberdade de quem não guarda rancor de ninguém, de quem não deseja o mal nem mesmo àquele que o ofendeu — e, por vezes, continua ofendendo. O cristão que perdoa não renuncia à verdade, mas escolhe amar à maneira de Cristo, desejando a salvação de todos, inclusive dos seus ofensores.



Perdoar, portanto, não é esquecer, nem relativizar o mal. É escolher não permitir que ele tenha a última palavra sobre o coração. É deixar que a graça de Deus transforme a ferida em lugar de redenção.



A Sagrada Escritura nos revela que o próprio Deus não ignora a dor da traição. Quando o Antigo Testamento fala da “ira de Deus”, não se trata de um descontrole emocional, mas da expressão de um amor ferido. O extraordinário da história bíblica — como descobriram os profetas — é que Deus, por amor, vai além da sua própria ira:




“O meu povo é inclinado a afastar-se de mim… O meu coração dá voltas dentro de mim, comovem-se as minhas entranhas. Não darei curso ao ardor da minha ira, porque sou Deus e não um homem” (Oséias 11,7-9).







A cruz como escola do perdão



Para quem perdoa, o perdão é sempre um combate interior contra a própria ira. Não se trata de um gesto espontâneo nem de um sentimento passageiro, mas de um verdadeiro sacrifício interior. 



Perdoar exige renunciar ao impulso imediato de reagir com violência — ainda que apenas interior —, de responder à ofensa com julgamento, desprezo ou desejo de justiça imediata. 



É consentir numa fratura interior que nos obriga a sacrificar o desejo de reparação proporcional e a necessidade de ver o outro pagar pelo mal cometido, para dar um passo em direção àquele que pecou. O profeta Isaías descreve essa dinâmica profunda no mistério do Servo Sofredor



“Homem das dores, habituado ao sofrimento… Ele tomou sobre si as nossas enfermidades… Fomos curados pelas suas chagas” (Is 53,3-5). 



Os cristãos reconhecem nesse texto uma antecipação clara do mistério da paixão de Cristo. Jesus não fugiu do sofrimento nem se esquivou daqueles que o feriram. Ele não se protegeu por meio de defesas humanas, nem agiu por cálculo ou vingança. Pelo contrário, acolheu a dor em sua totalidade, transformando-a em oferta de amor. Por isso pôde dizer, no ápice da cruz: 




“Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem” (Lc 23,34). 



Esse perdão não nasce da negação da violência sofrida, mas da lucidez do amor que vai até o fim. Jesus reconhece que muitas feridas não são causadas apenas por maldade deliberada, mas também pela ignorância, pela cegueira espiritual e pela incapacidade humana de amar plenamente.Essa atitude de Cristo torna-se uma lição direta e necessária para nós, sobretudo quando somos pessoas mais sensíveis. 




Muitas vezes, ferimo-nos com facilidade: silêncios, gestos mal interpretados, olhares, distanciamentos, palavras ditas sem intenção ou simples mal-entendidos. Tudo nos atinge, tudo parece carregar um peso pessoal. No entanto, nem sempre quem nos feriu tem consciência da dor causada. 



Muitas vezes, o outro segue sua vida normalmente, enquanto nós permanecemos presos ao acontecimento, alimentando silenciosamente a mágoa e o ressentimento, envenenando o próprio coração.






A cruz, assim, adquire uma dimensão existencial e universal. Ela nos revela que o sofrimento mais profundo não vem, na maioria das vezes, dos inimigos declarados, mas daqueles que amamos. 




A ferida causada pelo inimigo surpreende menos do que a causada pelo amigo, como recorda o salmista: “Não foi um inimigo que me insultou… mas tu, meu companheiro, meu amigo íntimo” (cf. Sl 55,13-15). 



Toda relação de amor implica vulnerabilidade, abertura e risco. Amar é permitir que o outro tenha acesso ao nosso interior — e, com isso, à possibilidade real de nos ferir. Aceitar essa condição não é fraqueza, mas maturidade espiritual. Reconhecer que amar implica correr o risco da dor já é, por si só, um passo decisivo no caminho do perdão. 




Quando compreendemos que nem toda ferida nasce da intenção de ferir, tornamo-nos mais capazes de entregar nossa dor a Deus, de soltar o peso do ressentimento e de escolher a liberdade interior. 



O perdão, nesse sentido, não muda necessariamente o outro, mas transforma profundamente aquele que perdoa, libertando-o para viver na lógica do amor que brota da cruz de Cristo.



Oração de perdão do Padre Schuster "para alcançar a graça libertadora do perdão" 

"Rezar com ela todos os dias até sentir aquela sua leveza da alma"





"Senhor Jesus Cristo, hoje quero perdoar a mim mesmo por todos os meus pecados, faltas, e tudo que há de mau em mim, e por tudo que acho que é mau, por tudo que causei a mim mesmo, aos que eu amo, e que passaram pela minha vida. 

Senhor, perdoa-me por qualquer especulação e curiosidade minha no ocultismo, em seitas secretas e discretas, por ter recorrido à prancheta ouija, horóscopos, práticas espíritas, por ter procurado cartomantes, por ter acreditado em amuletos, por ter usado o Teu Santo Nome em vão, por não Te adorar, por ter ofendido meus pais, por ter-me embriagado, usado drogas, cometido pecados contra a castidade, adultério, abortos, roubos, mentiras. 


Eu me perdôo verdadeiramente! Senhor, quero ser curado por qualquer sentimento de rancor, mágoa e ressentimento para contigo nas ocasiões em que achei que Tu enviavas mortes, doenças, desgostos e dificuldades financeiras à minha família e eu imaginava que fossem castigos. Perdoa-me, Jesus! Cura-me! 


Senhor, eu perdôo minha mãe pelas vezes que ela me magoou, me deixou ressentido, zangou-se comigo, disse palavras que me humilharam, castigou-me além do necessário, deu preferência a meus irmãos e irmãs em meu prejuízo, chamou-me de esquisito, palerma, inútil, feio, estúpido, ou acusou-me de dar muitas despesas à família, quando me disse que eu não havia sido desejado, que nasci por acaso, por engano, por um vacilo, e não corresponder ao que ela esperava, enfim, que eu não deveria ter nascido, e que eu nunca seria alguem na vida.


Perdôo meu pai por todas as vezes em que não me deu apoio, pela sua falta de amor, falta de afeto, falta de atenção, falta de tempo, falta de companheirismo; pelas suas bebedeiras, ignorâncias, pelas suas brigas, especialmente com minha mãe ou com os outros filhos, pela severidade de seus castigos, pelo abandono em que nos deixou, saindo de casa, divorciando-se de minha mãe, por suas ausências, por não me reconhecer e me amor como seu filho. 


Senhor, perdôo meus irmãos e minhas irmãs por me rejeitarem, por mentirem a meu respeito, por terem raiva e inveja de mim, por me magoarem, por disputarem comigo o amor de meus pais, por me agredirem fisicamente e moralmente, ou fazerem minha vida desagradável de alguma maneira. Eu os perdôo, querido e amado Senhor. 


Senhor, perdôo meu marido (ou minha mulher) por sua falta de amor, falta de afeto, falta de consideração, falta de apoio, falta de comunicação, pelas tensões, pelas falhas, desgostos, traições, ou quaisquer outros atos e palavras que me ofenderam ou perturbaram-me imensamente. 


Senhor, perdôo meus filhos por sua falta de respeito, de obediência, de amor, de atenção, de apoio, de compreensão, pelos seus maus hábitos, por quaisquer más ações que perturbaram-me profundamente e tiraram minha paz.


Senhor, perdôo minha avó, meu avô, tios, tias, primos e primas que interferiram em nossa família e causaram confusão, voltando um contra o outro na família. 


Senhor, perdôo meus parentes, amigos e vizinhos, por interferirem em meu casamento, especialmente minha sogra. Quero perdoar todos aqueles(as) que me apelidaram de forma humilhante e depreciativa. 


Perdôo também, meu sogro, cunhados e cunhadas. Senhor, oro, hoje, especialmente pela graça de perdoar meus genros e noras e outros parentes por afinidade, que trataram meus filhos com falta de amor, os efenderam e os maltrataram e por isso ficamos indiferentes e cortamos relações.
 

Jesus, ajuda-me perdoar meus companheiros de trabalho que são e foram desagradáveis, inconvenientes, e que dificultara, minha vida. Aqueles(as) que me empurram serviço, que falam mal de mim, me colocaram apelidos depreciativos, que não querem cooperar comigo, que tentaram tirar o meu emprego, minha honra e credibilidade junto a meus colegas e superiores. Eu os perdôo hoje! 


Meus vizinhos também, precisam ser perdoados Senhor! Por todo o barulho que fazem, por não cuidarem de sua propriedade, não prenderem seus pets, e os deixarem passar para o meu espaço e fazerem necessidades fisiológicas, por terem agredido a mim, filhos, irmãos e familiares, por não recolherem suas latas de lixo, por nos prejudicarem e abusarem de nós, por nos excluírem sem motivos de suas vidas, eu os perdôo.


E agora perdôo Senhor, meu pároco, a minha congregação, meu grupo, minha pastoral, minha comunidade, enfim, a minha Igreja, por toda a falta de apoio, caridade, esclarecimentos, picuinhas, falta de amizade, pregações intencionalmente dirigidas a mim, por não me defenderem como deveriam, por não me proporcionarem oportunidades de desenvolver e partilhar meus talentos, por não me convidarem e nem aceitar minha disposição para servir em setores que usaria meus dons, talentos,  capacidades, e por quaisquer outras ofensas que me tenham feito direta, ou indiretamente. Eu os perdôo hoje! 


Senhor, eu perdôo todos os profissionais que de alguma forma me tenham prejudicado: médicos, enfermeiras, advogados, policiais, funcionários públicos. e meus supervisores de trabalho. Por qualquer coisa que me tenham feito, eu realmente os perdôo hoje! 


Senhor, perdôo o meus chefes de trabalho por não me pagarem um salário suficiente, por não valorizar o meu trabalho, por ser indelicado e injusto comigo, por irritar-se e por não se mostrarem amigo e companheiros, por não me promover e não fazer nenhum elogio ao meu trabalho, por preferir e beneficiar a outros em meu lugar. 


Senhor, perdôo meus professores e instrutores de meus tempos de estudante bem como os de agora. Perdôo aqueles que me castigaram, me humilharam, foram indiferentes às minhas dúvidas, me insultaram, me trataram injustamente, caçoaram de mim, chamaram-me de bobo, de estúpido, me envergonharam na frente de meus colegas, e me retiveram na escola depois das aulas. 


Senhor, perdôo meus amigos que me abandonaram, que se afastaram e não quiseram mais contato comigo, que não me apóiam, que não se mostram disponíveis quando preciso de ajuda, que me pediram dinheiro emprestado e não me pagaram, que falaram mal de mim na minha ausência. 


Senhor Jesus, peço especialmente a graça do perdão para aquela determinada pessoa, em minha vida, que mais me ofendeu de forma injusta e covarde.


Peço-Te que me ajudes a perdoar qualquer pessoa a quem eu considere como meu maior inimigo, aquela que me seja mais difícil perdoar por todo mal que causou a mim e minha família, ou aquela outra que eu jurei a mim mesmo, que jamais a perdoaria. 


Obrigado Jesus, por me estares libertando de todos os males da falta de perdão, e eu Te suplico que me perdoes também Senhor, por todas as pessoas que foram ofendidas, magoadas, excluídas, caluniadas, e humilhadas por mim. 


Obrigado, Senhor, por todo amor que pela graça do perdão agora chega a todas elas! " 


Amém!




Conclusão



Diante da dificuldade de perdoar, a atitude mais honesta não é a autossuficiência nem o discurso moralizante, mas a oração humilde. O perdão verdadeiro começa quando reconhecemos, sem máscaras, a nossa incapacidade. É quando temos a coragem de nos colocar diante de Deus e dizer, com o coração ferido e as mãos vazias:



-“Senhor, eu não consigo, mas me ajuda, eu preciso e necessito perdoar para ser livre!”



Essa oração sincera não é sinal de fraqueza e dureza de coração, mas de lucidez espiritual. Ela reconhece que o perdão não nasce do esforço humano isolado, mas da graça que Deus derrama sobre um coração disposto. 




Enquanto tentamos carregar sozinhos o peso da mágoa, permanecemos presos à dor; quando a entregamos a Deus, abrimos espaço para que Ele opere a cura que não conseguimos produzir por nós mesmos.Alimentar ódio e ressentimento é como beber veneno esperando que o outro morra. 




A falta de perdão não corrige o passado, não educa o ofensor e não repara a injustiça; apenas nos consome por dentro, silenciosamente. Ela corrói a paz, obscurece a oração, endurece o coração e transforma a memória em prisão. Em última instância, somos nós que escolhemos o que guardamos no interior: ou a ferida aberta que sangra continuamente, ou a ferida entregue a Deus para ser transformada.



Por isso, muitas vezes será necessário repetir, dia após dia, do fundo da alma, mesmo sem sentir nada, mesmo quando a dor ainda pulsa e nos rasga por dentro:


-Pai, eu perdoo porque ele não sabe a dor que me causou...

-Perdoo porque Tu sempre me perdoas.

-Perdoo porque não sou filho único, mas irmão de muitos.

-Perdoo não porque seja fácil, mas porque é o único caminho que me conduz à verdadeira liberdade e à vida plena em Ti.”



É fundamental compreender que perdoar é muito mais do que um sentimento: é uma decisão. Os sentimentos são instáveis, variam conforme o tempo, a memória e as circunstâncias; já o perdão nasce da vontade iluminada pela graça. 




Por isso, muitas vezes será preciso dizer com firmeza interior: “eu decido hoje perdoar” — mesmo sem sentir alívio imediato, mesmo quando a dor ainda está presente. O perdão não espera que o coração esteja pronto; ele educa o coração ao longo do caminho.



O perdão, assim, torna-se um processo, uma decisão que se renova a cada dia, uma entrega cotidiana. Não elimina automaticamente a lembrança da dor, mas impede que ela governe o coração. 




Quem perdoa não nega a ferida nem apaga o passado, mas escolhe conscientemente não viver prisioneiro daquilo que sofreu. A memória permanece, mas já não comanda as ações, os pensamentos nem as relações.



Pouco a pouco, aquele que decide perdoar começa a experimentar a verdadeira liberdade dos filhos de Deus: uma liberdade interior que não depende da mudança do outro, nem de explicações tardias ou reparações perfeitas. Já não vive movido pelo ressentimento, pela amargura ou pelo desejo de revanche, mas pela graça que transforma a dor em lugar de encontro com Deus e em fonte de vida nova.



Perdoar, portanto, não é um ato isolado nem um impulso emocional. É uma escolha madura, sustentada pela graça, que nos devolve a dignidade interior e nos permite caminhar livres, mesmo carregando cicatrizes. É assim que a dor deixa de ser prisão e se torna caminho de redenção.




*Francisco José Barros de Araújo – Bacharel em Teologia pela Faculdade Católica do RN, conforme diploma Nº 31.636 do Processo Nº  003/17 - Perfil curricular no sistema Lattes do CNPq Nº 1912382878452130.






Bibliografia 



-AGOSTINHO, Santo. Confissões. São Paulo: Paulus, 2011.

-BENTO XVI. Jesus de Nazaré. São Paulo: Planeta, 2007.

-FRANCISCO, Papa. Misericordiae Vultus. São Paulo: Paulus, 2016.

-RANIEIRO CANTALAMESSA. O perdão que cura. São Paulo: Canção Nova, 2008.

-THOMAS MERTON. Nenhum homem é uma ilha. Petrópolis: Vozes, 2003.


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Anônimo
14 de maio de 2023 às 17:06

Essa oração do Padre Schuster é realmente um bálsamo em nossa alma...

Jacinta Hoffmann - Santa Catarina

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