*Por Torahlaam
Ao longo das últimas décadas, milhões de cristãos passaram a aderir a correntes religiosas que prometem prosperidade material, cura física e sucesso pessoal como consequências quase automáticas da fé. Entretanto, muitos acabam experimentando profundas frustrações espirituais, emocionais e até financeiras, ao perceberem que tais promessas nem sempre encontram respaldo nas Sagradas Escrituras.
Diante dessa realidade, torna-se necessário analisar a chamada Teologia da Prosperidade, seus fundamentos, sua origem histórica e os métodos de persuasão empregados por alguns líderes religiosos. Trata-se de um fenômeno que despertou o interesse de estudiosos devido ao extraordinário crescimento das igrejas neopentecostais, especialmente entre as camadas mais pobres da população.
Segundo o Atlas da Filiação Religiosa e Indicadores Sociais do Brasil (Edições Loyola, 2003), elaborado pelos pesquisadores César Romero Jacob e Dora Rodrigues Hess, da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), juntamente com Philippe Waniez (IRD/Paris) e Violette Brustlein (CNRS/Paris), os grupos pentecostais apresentaram um crescimento expressivo no Brasil, passando de 6% para 10,6% da população em apenas nove anos.
Esse crescimento foi mais intenso nas regiões metropolitanas de menor renda e em áreas com indicadores sociais mais baixos, sobretudo nas regiões Norte e Centro-Oeste. Diversos fatores contribuem para esse fenômeno, entre eles as condições socioeconômicas, o forte uso dos meios de comunicação e a eficiente estrutura organizacional dessas denominações. Contudo, muitos pesquisadores apontam que a difusão da chamada Teologia da Prosperidade desempenhou papel decisivo nesse processo.
A Teologia da Prosperidade consiste em um conjunto de ensinamentos que sustenta que todo cristão possui o direito de desfrutar, ainda nesta vida, de saúde perfeita, riqueza material e felicidade plena, bastando para isso exercer uma fé inabalável e reivindicar tais bênçãos. Porém, surge uma questão fundamental: esses ensinamentos possuem, de fato, fundamento bíblico ou representam uma interpretação recente e influenciada por correntes externas ao cristianismo histórico?
Para responder a essa pergunta, é importante conhecer a origem e o desenvolvimento dessa doutrina, bem como os principais líderes que contribuíram para sua difusão ao longo do século XX.
As idéias de Hagin, que levaram ao
estabelecimento da Teologia da Prosperidade no final da década de 1940, podem
ser divididas em três pontos principais:
1. Autoridade Espiritual - Segundo Hagin, o Criador tem concedido autoridade aos profetas nos dias atuais, como seus porta-vozes. Segundo ele, afirma receber revelações diretamente do Criador.
2. Bênçãos e Maldições da Lei - Segundo Hagin, baseado na Epístola de Paulo aos Gálatas 3,13-14, Iehoshua remiu a humanidade das maldições previstas na Torá. Estas maldições são: Pobreza, Doenças e Morte Espiritual. Segundo esta doutrina, ao cristão são concedidos direito à saúde e a riqueza e, diante do que foi escrito acima, a pobreza, as doenças e a morte espiritual são maldições da lei. Os seguidores desta doutrina ensinam que a todo cristão está prometida uma vida plena, isenta de doenças com duração de 70 a 80 anos de idade, sem dor ou sofrimento e quem contrair uma doença é porque não reivindicou seus direitos ou não possui fé. E não há exceções. Ensinam que a passagem de Isaías 53,4-5, que os cristãos aplicam diretamente a Iehoshua, é algo absoluto. Assim, os cristãos estão curados e não há mais doença para o cristão. Por último, os seguidores de Hagin enfatizam muito que o crente deve ter carro novo, casa própria, as melhores roupas, enfim, uma vida de luxo.
3. Confissão Positiva - É o terceiro ponto da Teologia da Prosperidade. Ela está incluída na conhecida Fórmula da Fé, que Hagin afirmou ter recebido diretamente de Iehoshua, segundo o qual apareceu a ele e ordenou que escrevesse a fórmula abaixo:
a) Pedir o que deseja. Segundo Hagin, o pedido depende do fiel, e de acordo com o que ele desejar, ele receberá. Esta é a essência da confissão positiva.
b) Fazer o que deseja Segundo Hagin, as atitudes do fiel concederão a ele a derrota ou vitória. De acordo com suas ações, o fiel será impedido ou receberá o que deseja.
c) Receber o que deseja Segundo Hagin, compete a nós a conexão com o dínamo do céu. A fé é o pino da tomada, bastando conectá-lo.
d) Relatar aos outros o que aconteceu Segundo Hagin, o objetivo desta quarta fórmula é fazer com que os outros também possam crer. Para efetuar a confissão positiva, o cristão dever usar as expressões: exijo, decreto, declaro, determino, reivindico, em lugar de proferir: peço, rogo, suplico. Segundo esta fórmula, o fiel jamais deverá mencionar a expressão "se for da tua vontade", pois, segundo eles, isto destrói a fé.
Como mencionado anteriormente, a Teologia da Prosperidade surgiu na década de 40 nos Estados Unidos da América, mas a efetiva introdução no meio evangélico iniciou na década de 70. Esta teologia adicionou um forte cunho de auto-ajuda e valorização do indivíduo, agregando crenças sobre cura, prosperidade e poder da fé através da Confissão da Palavra efetuada em voz alta e no nome de Iehoshua de Nazaré para recebimento das bênçãos almejadas.
Através da Confissão Positiva, o fiel cristão acredita que tem direito a tudo de bom e de melhor que a vida pode oferecer como saúde perfeita, riqueza material, poder para subjugar satanás, enfim uma vida plena de felicidades. Em contrapartida, dele é esperado que não duvide o mínimo sequer do recebimento das bênçãos, pois isto acarretaria em triunfo do demônio.
Para os seguidores desta teologia a relação entre o fiel e o Criador ocorre pela reciprocidade, onde o cristão deve semear através de dízimos e ofertas e o Criador deve cumprir as Suas promessas. No Brasil a primeira e principal igreja seguidora desta doutrina é a IURD (Igreja Universal do Reino de Deus), fundada no ano de 1977 por Edir Macedo que adaptou as práticas desta teologia às características brasileiras, além de possuir metodologias e princípios próprios.
Assim, ao invés de ensinar que é mais fácil um camelo atravessar um buraco de agulha do que um rico entrar no Reino dos Céus, como afirmado em Mateus 19,24 e Marcos 10,25, os praticantes desta teologia divulgam a idéia que reside na possibilidade de desfrutar de bens e riquezas, sem constrangimento e com a aquiescência do Criador.
Para os pobres e desafortunados de uma em modo geral, o direito de possuir as bênçãos como filho do Criador traz alívio e esperança na solução de todos os problemas deles. Segundo Edir Macedo, Iehoshua de Nazaré veio ensinar aos pobres para que estes se tornassem ricos. Assim, o arrependimento, a redenção, e as dificuldades nesta vida para os justos, temas centrais do Cristianismo, são temas raramente tratados pela IURD.
Além desta igreja temos (até a data dessa postagem):
-Igreja Renascer em Cristo,
-Comunidade Evangélica Sara Nossa Terra,
-Igreja de Nova Vida, Igreja Bíblica da Paz,
-Igreja Cristo Salva,
-Igreja Cristo Vive,
-Ministério Verbo da Vida,
-Igreja Nacional do Senhor Jesus Cristo,
-ADHONEP (Associação de Homens de Negócios do Evangelho Pleno),
-Missão Evangélica Shekinah,
-Igreja Internacional da Graça de Deus, etc.
Até o momento é evidente que esta teologia empresarial tem alcançado um grande sucesso, sobretudo financeiro, com a expansão do número de fiéis e da área de abrangência das igrejas, inclusive a nível internacional.
Não é objetivo deste texto julgar se o crescimento destas igrejas é um fato positivo ou negativo. Entretanto, não se pode deixar de mostrar as contradições e hipocrisias que esta teologia apresenta com o Novo Testamento dos Cristãos, que por sua vez apresenta várias contradições em relação a Torá.
Segundo os evangelhos, Iehoshua de Nazaré afirma que se tivermos fé do tamanho de um grão de mostarda poderemos ordenar e a montanha se moverá. Muito embora este ensinamento trate-se de uma figura de linguagem, ele mostra que devemos condicionar a realização dos nossos desejos à vontade do Criador, pois Iehoshua de Nazaré, em uma de suas orações diz:
"Pai seja feita a tua vontade." Este argumento refuta a idéia da Confissão Positiva. Uma leitura superficial dos evangelhos, mostra a total despreocupação de Iehoshua pelos bens materiais e que o mesmo afirmou que o seu reino não era deste mundo.Assim, a quem quisesse segui-lo aconselhou a vender seus bens e dá-los aos pobres, o que nunca foi efetuado por nenhuma denominação cristã até hoje, principalmente pelas várias denominações protestantes.
Ele afirmou também que a riqueza dificultava a entrada no Reino de Deus, e, aos pobres, famintos e sofredores recomendou paciência. Assim, esta teologia está diametralmente oposta aos ensinamentos do próprio Iehoshua de Nazaré, tão adorado pelos cristãos a quem o referem como Filho do Criador. Uma outra teologia de sucesso empresarial é a Teologia da Reciprocidade.
De acordo com esta teologia, o fiel, em busca das bênçãos divinas, deve determinar, decretar, reivindicar e exigir do Criador o cumprimento de Sua parte no acordo. Enquanto ao fiel compete efetuar o pagamento dos dízimos e as ofertas, ao Criador compete abençoar. Ao se estabelecer esta relação de reciprocidade com o Criador, o mesmo fica na obrigação de cumprir todas as promessas contidas na Bíblia durante a vida do fiel.
Assim, o fiel faz com que o Criador permaneça cativo de sua própria Palavra. Edir Macedo ensina como proceder para isto em sua obra intitulada Vida com Abundância ? Editora Gráfica Universal (2001). Segundo ele, o fiel deve cobrar do Criador tudo aquilo que Ele tem prometido na Bíblia. Assim, o ditado popular de que promessa é divida também passa a ser aplicado ao Criador.
Desta forma, efetuar o dízimo é candidatar-se a receber bênçãos sem medida, de acordo com o que diz a Bíblia, pois quando pagamos o dízimo, o Criador permanece obrigado a cumprir a Sua Palavra, pelo simples fato de ter prometido nas Escrituras.Portanto, na ótica dos praticantes desta doutrina o único que tem o direito de cobrar do Criador o que ele prometeu nas Escrituras é o dizimista.
Mais adiante Edir Macedo prossegue afirmando que Iehoshua desfez as barreiras que havia entre o homem e o Criador e que o mesmo deseja que todos tenham vida abundante, pois é isto o que Ele deseja para todos. Mais adiante Macedo prossegue que o Criador deseja ser nosso sócio, que as bases da nossa sociedade com o Criador são aquilo que nos pertence, ou seja, nossa vida, nossa força e nosso dinheiro, o que passa a pertencer ao Criador e o que pertence a Ele, ou seja, as bênçãos, a paz, a felicidade e a alegria.
As igrejas neopentecostais se caracterizam exatamente por este tipo de relacionamento do homem com o Criador. Esta característica é extraída da Teologia da Prosperidade, teologia que ensina que o homem tem direito a tudo de bom e de melhor neste mundo, pois segundo Macedo, como a Bíblia apresenta mais de 640 vezes a palavra oferta e que esta palavra é uma expressão de fé, então o Criador deve honrar o que afirmou há três ou quatro mil anos atrás, caso contrário o fiel será prejudicado.
Desta forma, os fiéis devem demonstrar a sua revolta diante do Criador, e, apontando o dedo para Ele, devem exigir que as promessas bíblicas se cumpram na pessoa dele. (Estudar o artigo intitulado Os pentecostais: entre a fé e a política, Revista Brasileira de História, Volume 22, Número 43, São Paulo (2002) ISSN: 0102-0188, da autoria de Etiane Caloy Bovkalovski de Souza e Marionilde Dias Brepohl de Magalhães.Ver também o jornal O Globo 29/04/1990).Torna-se impossível não evidenciar que esta doutrina carrega uma forte relação com o dinheiro, pois o fiel propõe trocas com o Criador para conseguir as bênçãos desejadas.
Nesta doutrina, a soberania do Criador é compartilhada pelo fiel na relação de troca. Assim, o fiel é incentivado a se acomodar ao mundo das novas tecnologias, a acumular riquezas, viver em condições luxuosas, a trocar de carro todo o ano e não carregar nenhum sentimento de culpa. Na relação de troca, o fiel efetua o dízimo, as ofertas, participa das campanhas de doar principalmente o que ele não pode.O dinheiro que ele guarda, por exemplo, em conta de poupança para um sonho futuro é que tem importância, e o dinheiro que for doado por ele não fará falta, pois não deverá possuir valor para ele e muito menos para o Criador.
Portanto, o fiel não deverá duvidar em pagar o dízimo, pois tem a garantia dos pastores de que o Criador sempre cumprirá a Sua parte no acordo, pois Ele permanecerá na obrigação de cumprir Sua Palavra nas Escrituras. A ênfase na necessidade de dízimos e ofertas é explicada pelos líderes destas instituições pentecostais e neopentecostais é que caso o fiel não alcance o sucesso desejado, a responsabilidade e a falha será dele. As doações em dinheiro ou bens são presentes que deverão ser postos no altar do Criador.
Assim, para se obter uma grande bênção, deve-se dar um valioso presente. Desta forma, a fé deixa de ser uma experiência que se deve ter com o Criador e passa a ser um instrumento de troca, uma mercadoria, enfim uma fé puramente comercial. Nesta relação, a imagem do Criador passa a ser a de um banqueiro. Segundo os líderes destas instituições, dependendo do grau de interesse de quem efetua a oferta, um presente, por mais caro que seja, ainda assim se torna barato diante daquilo que será proporcionando ao presenteado, no caso o Criador.
Quando há um profundo laço de afeto, ternura e amor entre o fiel que presenteia e o que recebe, o presente nunca deve possuir um valor monetário inferior ao que a pessoa tem condições de dar e, assim, o fiel deve sacrificar o seu tudo.
A IURD, por exemplo, faz campanhas que estimulam os fiéis a doar o máximo que puderem na espera de que o Criador lhe conceda muitas bênçãos. Desta forma, durante o culto, muitos fiéis doam quase tudo ou mesmo tudo o que possuem naquele momento, uma caderneta de poupança, o dinheiro para comprar os alimentos para a casa, o dinheiro da condução do ônibus em que trafega, e assim por diante. Segundo os praticantes desta doutrina, aqueles que vêem as doações das ofertas com maus olhos, ou seja, do ponto de vista meramente de mercado, apresentam dificuldades para compreender a razão da segunda vinda de Iehoshua de Nazaré, pois a oferta está intimamente relacionada com a salvação eterna no nome de Iehoshua.
Assim, estes praticantes são convocados a participarem de uma concorrência por melhores condições de vida em um mundo de extrema desigualdade social e ainda são obrigados a permanecerem na obrigação de assumir uma responsabilidade a mais, a saber, a de obter sucesso financeiro e, caso isto não aconteça, é porque a vida do fiel está comprometida com forças malignas ou com sua própria incapacidade de gerenciar suas possibilidades.(Estudar a obra intitulada Orações e Mensagens ? Editora Gráfica Universal - ISBN: 8571401799, da autoria de Edir Macedo).
Onde encontrar estes tipos de igrejas?
Freqüentemente estas igrejas são encontradas em muitos locais onde a renda financeira da população é baixa. Segundo os praticantes desta doutrina, aqueles que examinam o custo do sacrifício jamais sacrificarão uma grande oferta, e aqueles que não sacrificam para a obra do Criador jamais conquistarão qualquer vitória. Em outras palavras, é o fiel quem decide tudo.
Assim, se perseverar, automaticamente conquistará as bênçãos do Criador e entrará na terra prometida. Na ótica destes praticantes é a igreja quem deve administra a doação do fiel, pois a árvore proibida, no paraíso, representava o dízimo, isto é, a parte do Criador na qual o homem não podia sequer tocar, embora pudesse regá-la e fazê-la crescer. Ao fiel cabe expulsar o demônio, participar das correntes de prosperidade, ler sobre como muitos irmãos conseguiram resultados exigindo do Criador o que tinham de direito e, caso contrário, aquele que não obtiver uma bênção não poderá testemunhar e nem será citado em livros.
Segundo Edir Macedo, em sua obra Orações e Mensagens, sabe-se que muitas pessoas neste mundo são ricas, mesmo sem possuírem o Criador em seus corações. No entanto, vencem na vida porque confiam na força do seu trabalho, e por isso, são possuidoras de uma riqueza honesta e digna e que nossa vida depende de nós mesmos. Algumas das características do discurso dos líderes destas igrejas denotam a recomendação de autoconfiança, ou seja, o fiel deve crer nele mesmo, na sua capacidade individual.
A estratégia oferecida por estas instituições está baseada na Teologia da Prosperidade, a qual estimula o membro da congregação a ser participativo nos cultos em relação a ofertas e dízimos e reivindicar perante o Criador aquilo que lhe pertence por direito.
Desta forma, se todo o discurso sobre espiritualidade vem atrelado à intervenção do demônio, quando se tratar de dinheiro, o fiel deverá ir à luta e buscar ao Criador com revolta, que neste caso, assume um sentido de inconformidade com a própria situação de vida, como por exemplo, doença, pouco dinheiro, estar desempregado, etc. Assim, é o Criador quem deve assumir a Sua posição diante do fiel, pois a IURD assim o exige simplesmente porque Ele é obrigado, como em um contrato, a cumprir a sua parte.
Segundo a Teologia da Reciprocidade, depende apenas do fiel o que será feito de sua vida, pois quem decide nosso destino somos nós mesmos, e não são as outras pessoas, o Criador ou o demônio. Para isto, é preciso que o fiel busque o que deseja fazer, e então falar com o Criador revoltado com a situação, pois o fiel deve dar o primeiro passo porque o Criador não o fará por ele.
Uma outra arma importante usada pelos líderes das igrejas citadas acima, assim como na maioria das outras igrejas neopentecostais brasileiras é a intervenção do demônio na vida do homem. Ele, o demônio, é o elemento perturbador que está entre a graça do Criador e as súplicas dos fiéis. Os líderes destas igrejas ensinam que as bênçãos estão ao alcance de todos mediante a fé, inclusive com a alteração radical de realidades miseráveis em vidas prósperas, porém se alguém apresentar qualquer envolvimento direto ou indireto com o demônio ou não estiver disposto a sacrificar a sua vida para a obra do Criador, o fiel não será agraciado.
Assim, não é primordialmente o pecado, seja ele individual ou social, que impedirá a posse dos bens que o fiel deseja, mas o demônio, que age segundo o seu próprio arbítrio, contra quem o deve lutar. Assim, uma vez que a responsabilidade fica por conta do fiel e do demônio, uma linha de tensão é desenvolvida entre a posse da bênção e a atuação demoníaca. Desta forma, eles ensinam que este é o mecanismo que permite explicar porque muitos fiéis não alcançam a graça.
Ao longo do ano de 2001, a IURD passou a utilizar o vocábulo encosto que na linguagem popular corresponde aproximadamente a obsessor, segundo a nomenclatura dos espíritas. Assim, na ótica dos fiéis, o encosto passou a ser a entidade que através do próprio fiel provoca todo e qualquer tipo de mal ao homem, a serviço do demônio. Esta estratégia sugere ao fiel que ele pode vencer mais facilmente o inimigo, já que não se trata do próprio demônio em pessoa, mas que o demônio está usando ele para fins maléficos. Desta forma, o fiel acredita que ele não é a sede das transgressões, o que exigiria dele o arrependimento, mas que ele é uma vítima da ação do demônio.
Assim, o ato de pecar não deriva da sua escolha, mas o Mal é fruto do encosto que perturba a sua vida, em especial a vida financeira, a qual os líderes destas igrejas consideram como um sinal de bênção. Desta forma, antes que o fiel gaste o seu dinheiro a serviço do demônio, ele deve efetuar doações em grandes quantias para a sua igreja.
Teologia da Prosperidade ?
por Alex Dias
Estava procurando alguns comentários sobre Hagin e na veracidade de sua doutrina e gostei muito de seu artigo. Assim mesmo sendo pouco conhecedor coloquei alguns comentários no que já estudei. Perdoe-me se as idéias não estiverem em seqüência.
Devemos tomar cuidado com o termo exigi-la. Dentro da Teologia da Prosperidade não significa das ordens a Deus, mas simplesmente tomar consciência de direitos adquiridos através de promessas de Jesus (forma grega do nome Iehoshua) levantadas dos evangelhos. Devemos lembrar que, no Brasil, a condição de santificação pelo sofrimento pregada ao longo do tempo pela Igreja Católica e de mansidão, entranhou-se de sobremaneira na cultura brasileira contribuindo para a passividade da população que relutava em exigir seus direitos, submetendo-se aos mais diversos líderes e sobrevivendo a custa de um assistencialismo precário.
Sob este prisma, temos no Brasil um cenário semelhante à Alemanha, da época de Lutero, onde sua mensagem atingiu a camada da população que sustentava a Igreja Católica que cobrava as indulgências, tomando a consciência de que poderiam ser donos de seus próprios destinos e justificados pela fé, sem a necessidade da intermediação proposta pela Igreja Católica. Assim as Igrejas protestantes tradicionais ganharam força, mas acabaram se subjugando a uma hierarquia e um ritual muito parecido com o da Igreja Católica, altamente resistente.
A Teologia da Prosperidade, sob este aspecto, usando seu próprio bordão tirou o crente da condição de cauda e o pôs como cabeça, ainda que devidamente doutrinados por evangelistas ávidos pela evangelização massificada, formada por crentes obedientes e não questionadores.
A referência ao nome Ieohshua neste aparece de uma forma curiosa, dá a impressão de uma tentativa de imparcialidade ao abordar o assunto, como se não fosse o mesmo Jesus das religiões cristãs.
Efetivamente a doutrina de Paulo afirma que a lei, o conjunto de normas do Torá não é suficiente para redimir o homem e que Jesus através de suas ações e das conseqüências destas criou uma nova condição de aproximação do ser humano com Deus, de forma mais simples e direta, dispensado os elaborados rituais e práticas exigidos pela lei e abrindo aos demais povos da Terra a possibilidade desta aproximação. Receber uma graça não é tão simples assim, o próprio Hagin propõe um caminho longo de oração e de intimidade com Deus, de forma a conhecer seus deveres, antes de exigir seus direitos.
Relatar os milagres era uma prática comum.O próprio Jesus recomendava em alguns casos, que a pessoa se apresentasse ao Templo após a cura ou interpelava a pessoa que havia recebido o milagre fazendo com que a mesma reconhecesse o acontecido. Os termos exijo, declaro, determino, etc. somente retratam a passagem da condição de passividade proposta pela Teologia (Política) tradicional para uma nova Teologia (Política e econômica) mais ousada e centrada na valorização do homem como proprietário de direitos e não somente de deveres e favores.
Acredito que a Teologia da Prosperidade seja fortemente influenciada pela política e mudança do cenário econômico que floresceu após a Segunda Guerra e encontrou sintonia nos anseios da população.Também é fato que a própria documentação existente em torno da religião cristã dá margem a muitas discussões e estudos em função das fontes adotadas e do questionamento da credibilidade destas fontes.Somada a ignorância do povo com relação as estas discussões, e frequentemente a uma fé direcionada e sem crítica, leva ao convencimento de novas doutrinas elaborada por pessoas que possuem uma facilidade de comunicação.
Uma prova disto é verificar que muitos dos pregadores brasileiros tinham profissões relacionadas a vendas ou comunicação antes de abraçarem o ministério.
O argumento "seja feito sua vontade" não contradiz a Teologia da Prosperidade, pois como um Pai do pode desejar o mal a seus filhos, mesmo Jesus diz qual o Pai que o filho pedindo pão, dará uma cobra?
Jesus não condenou quem tinha bens, as passagens demonstram que ele tinha em seu círculo de amizades pessoas de posses, mas sim condenava o apego aos bens.Não há como questionar as posições proposta pelo autor quando descreve as posições da IURD, mas como conclusão gostaria de deixar a pergunta:
Devemos abraçar uma Teologia onde o fiel será sempre chamado de ovelha, no sentido amplo da passividade e obediência, ou adotar uma doutrina que leve a uma postura mais crítica e formativa dos fiéis?...
CONTRADIÇÕES
VISTAS NA TEOLOGIA DA PROSPERIDADE POR UM EVANGÉLICO!
INTRODUÇÃO
Nas últimas décadas do Século 20, as igrejas evangélicas foram tomadas por uma teologia que acabou por substituir a verdadeira adoração a Deus por um espírito meramente comercial.
Referimo-nos à pervertida e ímpia Teologia da Prosperidade.Esse arremedo de doutrina levou os fiéis a inverterem os mais caros valores de sua fé: o mais importante, agora, para milhões de filhos de Deus não é o ser; e, sim: o ter.
Dessa forma, as pessoas, em nossas igrejas, começaram a ser julgadas não pelo que eram, mas pelo que tinham.Desse modo foi o patriarca Jó avaliado por seu amigo Bildade que, nesta lição, representa a Teologia da Prosperidade.
I. QUEM FOI BILDADE?
Também não possuímos muitas informações acerca de Bildade. Limita-se a Bíblia a informar que este amigo de Jó era um suíta. Certamente morava ele em Canaã, onde Suá, à semelhança de Temã, era um daqueles pequenos reinos ali estabelecidos.No Livro de Jó, temos três discursos de Bildade, que se encontram nos capítulos 8, 18 e 25.
II. A TEOLOGIA DA PROSPERIDADE
1. O que é a Teologia da Prosperidade. É a doutrina, segundo a qual o crente, por ser filho de Deus, jamais passará por agruras financeiras, pois foi ele destinado a viver de maneira regaladamente pródiga, sem ter de se defrontar com as carências materiais comuns a todos os seres humanos.
2. A doutrina de Bildade. Como predecessor da Teologia da Prosperidade, acreditava Bildade que, se Jó estava sofrendo e já nada possuía, era porque pecara contra o Senhor. Pois somente são atribulados aqueles que desobedecem a Deus. Logo: os que o obedecem, acham-se em larguezas e profusões. A fim de fundamentar a sua doutrina, evoca Bildade o testemunho dos antigos: "Porque, eu te peço, pergunta agora às gerações passadas e prepara-te para a inquirição de seus pais. Porque nós somos de ontem e nada sabemos; porquanto nossos dias sobre a terra são como a sombra" (Jó 8.8,9).
3. A falácia de Bildade. Quão falacioso e sofístico era Bildade! Além de brincar com as palavras e jogar com raciocínios aparentemente válidos, ousa invocar até o depoimento dos antigos. Não agem assim os modernos proponentes da Teologia da Prosperidade? Na defesa deste aleijão doutrinário, torcem as Sagradas Escrituras, brincam com a verdade, fazem uso de subterfúgios lógicos e até citam, fora de seu contexto, o testemunho dos antepassados (2 Pe 3.16).
III. AS CONTRADIÇÕES DA TEOLOGIA DA PROSPERIDADE...
Se Bildade viveu num período anterior ao patriarca Abraão, como acreditamos, que exemplo poderia ele apresentar dos antigos, para que a sua doutrina fosse devidamente justificada?
1. A prosperidade material. De acordo com a História Sagrada, os ímpios vêm prosperando materialmente muito mais do que os justos (Sl 73.1-10). O que dizer da civilização inaugurada pelo homicida Caim? A cidade por ele fundada era, tecnologicamente, avançadíssima (Gn 4.17-22). Enquanto isso, nem notícia temos do progresso alcançado pelos filhos do piedoso Sete. Que riquezas lograra Enoque? Ou Noé? Ou ainda Sem? Enquanto isso, iam os descendentes do indecoroso e irreverente Cão fundando grandes impérios: Líbia, Egito, Etiópia e os domínios de Canaã (Gn 10.1-20).
2. As provações dos justos. A História Sagrada, no registro dos fatos que ocorreram após a era de Bildade, fala de alguns homens que, apesar de sua comprovada e singular piedade, foram submetidos às piores agruras. Se Abraão, Isaque e Jacó foram abençoados com grandes riquezas, José foi vendido como escravo, e como escravo viu-se constrangido às mais inumanas humilhações (Gn 37.26-36). Elias, Amós e Lázaro vivenciaram necessidades básicas. O primeiro viu-se na contingência de nutrir-se do que lhe traziam os corvos (1 Rs 17.5-7). O segundo, como boieiro, alimentava-se de sicômoros (Am 7.14). E o terceiro, além da extrema pobreza, fora coberto por uma terrível chaga; e, assim, abandonado por todos, comia das migalhas que caíam da mesa do rico (Lc 16.20-25).
3. A evidência de uma vida piedosa. Não quero, com isso, ressaltar a pobreza como evidência de uma vida plena de Deus, como não o é também a riqueza. Pois, se nas Sagradas Escrituras há ricos piedosos, há também pobres incrédulos e nada tementes a Deus.Temos de agir com equilíbrio e discernimento, pois os extremismos teológicos, quer à esquerda, quer à direita da Bíblia, são nocivos. Logo: que ninguém seja julgado pelo que tem, mas pelo que é (Mt 5.16; 1 Tm 5.25; Tg 1.26,27). Quer Deus nos conceda riquezas, quer nos deixe experimentar necessidades, tenhamos sempre em mente que Ele é soberano e, como tal, sabe tratar com seus filhos (Jr 18.1-6). Habacuque e Paulo sabiam viver na abundância, e não se perturbavam na privação (Hc 3.17-19; Fp 4.10-13).
IV. A JUSTA PORÇÃO DE AGURA
Teologia da Prosperidade é diabolicamente perversa e mentirosa, porque induz os filhos de Deus a buscar a riqueza, por concluírem ser esta tão importante quanto a salvação! Alerta Paulo, contudo, que, os que porfiam por serem ricos, cairão em muitas ciladas (1 Tm 6.9). O mesmo apóstolo ainda alerta ser o amor ao dinheiro a raiz de todos os males (1 Tm 6.10).
1. A teologia da miséria. Não queremos urdir uma teologia da miséria, como se esta fosse suficiente para conduzir-nos aos céus. Se o fizermos, cairemos nas mesmas heresias daqueles monges que, com os seus votos de pobreza, supunham ter já conseguido a riqueza celeste. Assim como há ricos piedosos, e Jó, entre todos os ricos, pontificava por sua singular integridade, há também pobres ímpios e inimigos de Deus - e não são poucos!
2. A porção de Agur. Como buscar este equilíbrio? Encontrá-lo-emos na petição que, certa vez, um homem chamado Agur endereçou a Deus: "Duas coisas te pedi; não mas negues, antes que morra: afasta de mim a vaidade e a palavra mentirosa; não me dês nem a pobreza nem a riqueza; mantém-me do pão da minha porção acostumada; para que, porventura, de farto te não negue e diga: Quem é o SENHOR? Ou que, empobrecendo, venha a furtar e lance mão do nome de Deus" (Pv 30.7-9). Noutras palavras, rogava Agur ao Senhor o pão nosso de cada dia (Mt 6.11). Atentemos também a esta recomendação do Senhor Jesus em Mateus 6.25.E vejamos o que ainda diz Paulo em 1 Timóteo 6.7,9.CONCLUSÃOEntão, a que conclusão chegamos?É prejudicial ao crente possuir riquezas? Todavia, se a não usarmos para minorar o sofrimento de nossos irmãos, impiamente agimos.Por isso deve o irmão rico gloriar-se em seu abatimento (Tg 1.9).Por conseguinte, quer pobres, quer ricos, gloriemo-nos sempre em Deus, pois Ele fez tanto um quanto outro.Além disso, não disse o Senhor que sempre haverá pobres na terra? (Dt 15.11)Eis porque deve o rico ajudar o pobre, a fim de que todos tenham o necessário para viver.Que nenhum Bildade venha, pois, julgar os que, à semelhança de Jó, passam por dificuldades.A riqueza e a pobreza não podem servir de referenciais para se julgar a ninguém!
FONTES de consulta
-www.midiaindependente.org/pt/blue/2005/10/333094.shtml
-www.escoladominical.com.br/licoes2.asp?an=2003&co=9&Tr=1&Cond=2&Codi=9
CONCLUSÃO
Ao final desta análise, percebe-se que a Teologia da Prosperidade representa uma profunda mudança de foco em relação ao cristianismo histórico. Enquanto os Evangelhos apresentam a salvação, a conversão, a santidade, a caridade, a cruz e a esperança da vida eterna como o centro da mensagem de Cristo, a Teologia da Prosperidade desloca esse centro para a obtenção de bens materiais, sucesso financeiro e realização pessoal.
A primeira grande dificuldade dessa doutrina está na ideia de que determinados líderes contemporâneos seriam portadores de revelações especiais e novas fórmulas espirituais recebidas diretamente de Deus. Entretanto, a Revelação pública foi plenamente manifestada em Cristo e transmitida pelos Apóstolos. Por isso, toda pretensa revelação posterior deve ser examinada à luz das Escrituras e da Tradição cristã, e jamais colocada acima delas.
Da mesma forma, a interpretação segundo a qual doenças, pobreza e sofrimentos seriam sempre sinais de falta de fé ou de maldição entra em choque com inúmeros exemplos bíblicos. Jó sofreu sendo justo; José foi vendido como escravo; Jeremias foi perseguido; João Batista terminou seus dias na prisão; os Apóstolos enfrentaram privações; e o próprio Senhor Jesus Cristo, embora sem pecado, foi chamado "homem das dores" (Is 53,3). O Novo Testamento jamais ensina que prosperidade material seja a medida da santidade.
Também a chamada "Confissão Positiva" encontra sérias dificuldades diante do ensinamento de Cristo. O Senhor ensinou seus discípulos a rezarem: "Seja feita a tua vontade" (Mt 6,10), e no Getsêmani Ele mesmo disse: "Não se faça a minha vontade, mas a tua" (Lc 22,42). A verdadeira fé cristã não consiste em obrigar Deus a realizar nossos desejos, mas em confiar na sua vontade, mesmo quando ela não corresponde às nossas expectativas.
Outro aspecto preocupante é a transformação da relação com Deus em uma espécie de contrato comercial, no qual ofertas, votos e contribuições financeiras seriam apresentados como investimentos destinados a produzir retorno material garantido. Tal lógica reduz a fé a uma relação de troca e acaba obscurecendo a gratuidade da graça divina. Deus não é um banqueiro celestial, nem pode ser colocado em obrigação diante das criaturas.
Além disso, a constante associação entre fracasso financeiro e falta de fé produz consequências espirituais e psicológicas graves. Muitos cristãos sinceros, ao enfrentarem desemprego, enfermidades ou dificuldades familiares, acabam sendo levados a acreditar que foram abandonados por Deus ou que são responsáveis por seus próprios sofrimentos por não possuírem "fé suficiente". Em vez de consolo, encontram culpa; em vez de esperança, encontram frustração.
Isso não significa defender uma "teologia da miséria" ou afirmar que riqueza e prosperidade sejam pecaminosas. A Sagrada Escritura apresenta homens justos e ricos, como Abraão e Jó, assim como apresenta homens santos que viveram em pobreza e provações. A riqueza, em si mesma, não é sinal de bênção, assim como a pobreza não é sinal de santidade. O critério bíblico não é aquilo que o homem possui, mas aquilo que ele é diante de Deus.
A oração de Agur talvez represente um dos maiores exemplos de equilíbrio espiritual:
"Não me dês nem a pobreza nem a riqueza; mantém-me do pão da minha porção acostumada" (Pv 30,8).
A prudência, aliás, é uma virtude profundamente bíblica e tão necessária quanto a própria fé. São Paulo recomenda: "Examinai tudo e retende o que é bom" (1 Ts 5,21).
São João adverte: "Não acrediteis em qualquer espírito, mas provai os espíritos para ver se são de Deus" (1 Jo 4,1). E o próprio Cristo alertou contra os falsos profetas que viriam em seu nome (Mt 7,15).
Por isso, os cristãos menos instruídos devem ter especial cautela diante de promessas grandiosas de enriquecimento, curas garantidas e fórmulas espirituais infalíveis. A história mostra que muitos, movidos pela esperança legítima de melhorar de vida, acabaram sofrendo grandes prejuízos financeiros, emocionais e espirituais.
A fé cristã nunca prometeu uma vida sem cruz, mas a presença de Deus em meio às cruzes. O Evangelho não oferece garantias de riqueza terrena, mas a certeza da salvação e da vida eterna. Cristo não chamou seus discípulos para "determinar" bênçãos, mas para segui-Lo, carregar a própria cruz e confiar plenamente na providência do Pai.
Portanto, diante de qualquer ensinamento religioso, a atitude mais segura continua sendo aquela recomendada pelas Escrituras: unir a fé à prudência, a esperança ao discernimento e o amor a Deus à busca sincera da verdade.
Afinal, uma fé sem discernimento pode facilmente transformar-se em instrumento de manipulação, enquanto uma fé iluminada pela prudência permanece firmemente ancorada em Cristo e em seus ensinamentos.
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