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Se toda tradução é de certa forma uma traição, qual texto do Catecismo da Igreja Católica é mais seguro e confiável?

Written By Beraká - o blog da família on sábado, 29 de julho de 2023 | 12:24

 


 



Por *Francisco José Barros Araújo 




Nada mais seguro e confiável do que ler um livro na língua original. Quem nunca ouviu essa frase? Seria a melhor das opções! Mas bem provavelmente poucos leitores conseguirão ler autores e textos antigos nos seus originais. Cada língua possui sua gramática própria,  expressões idiomáticas, gírias e afins que a tornam justamente um conjunto linguístico único e significativo. E no momento de grandes textos, sejam ficcionais ou técnicos, serem vertidos para uma outra língua, afim de se tornarem acessíveis, surge a figura do profissional em tradução que é o tradutor. "Traduzir é trair" citaria um dos autores mais traduzidos – e um dos tradutores mais prolíficos no mundo – o italiano Umberto Eco. Para o filósofo, a tradução mais próxima da perfeição seria aquela em que o texto chegasse ao leitor com o mesmo efeito do original. Mas sabe-se muito bem que para tal feito, muitas permutações são necessárias ao longo do processo na passagem de uma língua para outra, além de detalhes que infelizmente escapam aos olhos do tradutor mais íntimo na obra de determinado autor. O ato de traduzir vai muito além de verter um texto ríquíssimo de uma língua original para a sua língua de chegada. O profissional tem a árdua tarefa de tornar esse texto tão original como se tivesse sido escrito especialmente para a língua traduzida. Parece complicado de entender à primeira vista, afinal nem sempre se lê um texto traduzido levando em conta a dimensão de como ele foi escrito em determinado contexto e vasto conjunto linguístico de cada idioma. 











Nesse contexto, o papel do bom tradutor é extremamente importante, e principalmente, que o conhecimento dele em torno da obra e do autor são quase como premissas básicas para que determinada obra seja a mais original possível, mesmo que em diversos idiomas. Traduzir não é interpretar, é entender os nuances linguísticos de uma língua para outra e se fazer entender, saber fazer as trocas equivalentes sem se colocar como intérprete de determinada obra. Os efeitos no leitor são muito importantes e o papel do tradutor vai além de mero intermediário de duas línguas, ele é o co-autor, uma espécie de comparsa do autor. Quando você lê uma obra traduzida, está na verdade lendo dois trabalhos.Jesus falava aramaico, a língua do seu povo, mas é provável que tivesse conhecimento também de outros idiomas importantes da época, como o grego e o latim. É o que nos sugere, por exemplo, a conversa entre Jesus e o centurião romano, mencionada por Mateus e Lucas. Só aparecem como testemunhas dessa conversa os discípulos e outras pessoas de nível cultural semelhante ao deles; não teria havido intérprete. É possível que ao menos parte da conversa tenha sido em latim. Também é provável que Jesus tenha usado esta língua para falar com Pôncio Pilatos. Mas não poderia ser o contrário, ou seja, que o centurião e Pilatos falassem aramaico? Certamente é possível, embora seja muito mais comum que aos territórios conquistados seja imposta a língua do império do que os conquistadores falarem a língua de seus dominados. Aliás, o despótico procurador romano Pilatos, alto funcionário de transição do governo de ocupação, tinha a missão, justamente, de consolidar o império naquele território – o que incluiria a expansão do uso do idioma imperial, além da cultura romana e das suas leis e costumes. Não parece despropositado que a Divina Providência tenha disposto que Jesus nascesse em um território dominado por um império que viria a se tornar instrumento da rápida expansão do cristianismo, principalmente a partir do século IV, quando, após as muitas e brutais perseguições dos primeiros tempos, o cristianismo finalmente venceu as duríssimas resistências e foi declarado religião oficial de Roma. Depois de Pentecostes, os apóstolos de Jesus partiram para “conquistar” o mundo. E que mundo eles encontraram? Encontraram um império compacto e organizado, graças, entre outros fatores, à língua franca latina, usada junto com a língua culta de então, o grego. Foi nesse contexto histórico e conjuntural que o cristianismo se estabeleceu, e foi dele que a Igreja adotou a “forma terrena”: organização, estrutura, o direito, e a língua. Nesse sentido, a Bíblia, os documentos eclesiais e patrísticos, bem como os dos concílios, foram sendo escritos ou traduzidos para o latim a fim de chegarem aos confins geográficos do mundo conhecido. Ao abraçar todas as nações, e sendo destinada por vocação divina a permanecer até a consumação dos séculos, a Igreja, por sua própria natureza, exigiu uma língua universal, que lhe permitisse a comunicação oficial não só entre os membros de um determinado contexto histórico, mas que também vinculasse os cristãos de todas as épocas. E o latim é, providencialmente, a língua apropriada: trata-se de uma língua muito – mas muito – precisa e propícia para o aprofundamento nas verdades teológicas e para não desvirtuar o sentido dos textos. Sua condição de língua “morta”, no sentido de não estar sujeita a evolução, lhe confere particular valor para os usos teológicos e litúrgicos, já que é necessário que os significados das palavras se mantenham estáveis, conservando o sentido preciso para leitores de todas as épocas. Respondendo finalmente a pergunta de abertura da postagem: é lógico e evidente que o melhor dos mundos seria se dominássemos o Latim, língua em que é redigido os textos oficiais da Igreja Católica. Bom, como nem sempre isso é possível para todos, resta-nos confiarmos no trabalho dos bons tradutores. Temos aqui então, três opções: 




-A tradução direta do latim, para o Português original (de Portugal), que pode ser acessado diretamente da página do Vatican.va - e ou, adquirir catecismos diretamente de editoras de Portugal.



-A tradução direta do latim, para o Português abrasileirado (feita pela comissão de tradutores de textos latinos da CNBB).



-A tradução direta do latim, para o Português de Portugal e depois para o português brasileiro (a pior tradução, pois seria por tabela, feita por algumas editoras).





*Francisco José Barros Araújo – Bacharel em Teologia pela Faculdade Católica do RN, conforme diploma Nº 31.636 do Processo Nº  003/17





SEGUEM ABAIXO ALGUNS TEXTOS DO C.I.C. COPIADOS DIRETAMENTE DA PÁGINA DO VATICANO NO PORTUGUÊS DE PORTUGAL - LEIA, E FAÇA A COMPARAÇÃO COM O CATECISMO QUE VOCÊ TEM EM CASA, E VEJA AS "idiossincrasias" DO TRADUTOR...

 









O HOMEM É «CAPAZ» DE DEUS





I. O desejo de Deus



27. O desejo de Deus é um sentimento inscrito no coração do homem, porque o homem foi criado por Deus e para Deus. Deus não cessa de atrair o homem para Si e só em Deus é que o homem encontra a verdade e a felicidade que procura sem descanso: «A razão mais sublime da dignidade humana consiste na sua vocação à comunhão com Deus. Desde o começo da sua existência, o homem é convidado a dialogar com Deus: pois se existe, é só porque, criado por Deus por amor, é por Ele, e por amor, constantemente conservado: nem pode viver plenamente segundo a verdade, se não reconhecer livremente esse amor e não se entregar ao seu Criador»(1).



28. De muitos modos, na sua história e até hoje, os homens exprimiram a sua busca de Deus em crenças e comportamentos religiosos (orações, sacrifícios, cultos, meditações, etc.). Apesar das ambiguidades de que podem enfermar, estas formas de expressão são tão universais que bem podemos chamar ao homem um ser religioso:Deus «criou de um só homem todo o género humano, para habitar sobre a superfície da terra, e fixou períodos determinados e os limites da sua habitação, para que os homens procurassem a Deus e se esforçassem realmente por O atingir e encontrar. Na verdade, Ele não está longe de cada um de nós. É n'Ele que vivemos, nos movemos e existimos» (Act 17, 26-28).

 



 

CAPÍTULO SEGUNDO - DEUS AO ENCONTRO DO HOMEM




50. Pela razão natural, o homem pode conhecer Deus com certeza, a partir das suas obras. Mas existe outra ordem de conhecimento, que o homem de modo nenhum pode atingir por suas próprias forças: a da Revelação divina (1). Por uma vontade absolutamente livre, Deus revela-Se e dá-Se ao homem. E fá-lo revelando o seu mistério, o desígnio benevolente que, desde toda a eternidade, estabeleceu em Cristo, em favor de todos os homens. Revela plenamente o seu desígnio, enviando o seu Filho bem-amado, nosso Senhor Jesus Cristo, e o Espírito Santo.

 



ARTIGO 1 - A REVELAÇÃO DE DEUS




I. Deus revela o seu «desígnio benevolente»




51. «Aprouve a Deus, na sua sabedoria e bondade, revelar-Se a Si mesmo e dar a conhecer o mistério da sua vontade, segundo o qual os homens, por meio de Cristo, Verbo encarnado, têm acesso ao Pai no Espírito Santo e se tomam participantes da natureza divina»(2).




52. Deus, que «habita numa luz inacessível» (1 Tm 6, 16), quer comunicar a sua própria vida divina aos homens que livremente criou, para fazer deles, no seu Filho único, filhos adoptivos (3). Revelando-Se a Si mesmo, Deus quer tornar os homens capazes de Lhe responderem, de O conhecerem e de O amarem, muito para além de tudo o que seriam capazes por si próprios.




53. O desígnio divino da Revelação realiza-se, ao mesmo tempo, «por meio de acções e palavras, intrinsecamente relacionadas entre si» (4) e esclarecendo-se mutuamente. Comporta uma particular «pedagogia divina»: Deus comunica-Se gradualmente ao homem e prepara-o, por etapas, para receber a Revelação sobrenatural que faz de Si próprio e que vai culminar na Pessoa e missão do Verbo encarnado, Jesus Cristo. Santo Ireneu de Lião fala várias vezes desta pedagogia divina, sob a imagem da familiaridade mútua entre Deus e o homem: «O Verbo de Deus [...] habitou no homem e fez-Se Filho do Homem, para acostumar o homem a apreender Deus e Deus a habitar no homem, segundo o beneplácito do Pai» (5).




II. As etapas da Revelação - DESDE A ORIGEM, DEUS DÁ-SE A CONHECER




54. «Deus, criando e conservando todas as coisas pelo Verbo, oferece aos homens um testemunho perene de Si mesmo nas coisas criadas, e, além disso, decidindo abrir o caminho da salvação sobrenatural, manifestou-se a Si mesmo, desde o princípio, aos nossos primeiros pais» (6). Convidou-os a uma comunhão íntima consigo, revestindo-os de uma graça e justiça resplandecentes.



55. Esta Revelação não foi interrompida pelo pecado dos nossos primeiros pais. Com efeito, Deus, «depois da sua queda, com a promessa de redenção, deu-lhes a esperança da salvação, e cuidou continuamente do género humano, para dar a vida eterna a todos aqueles que, perseverando na prática das boas obras, procuram a salvação»(7). «E quando, por desobediência, perdeu a vossa amizade, não o abandonastes ao poder da morte [...] Repetidas vezes fizestes aliança com os homens (8)».

 




CONSTITUIÇÃO APOSTÓLICA DO SUMO PONTÍFICE JOÃO PAULO II "FIDEI DEPOSITUM" PARA A PUBLICAÇÃO DO CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA REDIGIDO DEPOIS DO CONCÍLIO VATICANO II










Aos veneráveis Irmãos Cardeais.


Arcebispos, Bispos, Presbíteros,


Diáconos, e a todos os membros do Povo de Deus





 I. INTRODUÇÃO




Guardar o Depósito da Fé é missão que o Senhor confiou à sua Igreja e que ela cumpre em todos os tempos. O Concílio Ecumênico Vaticano II, inaugurado há trinta anos pelo meu predecessor João XXIII, de feliz memória, tinha como intenção e como finalidade pôr em evidência a missão apostólica e pastoral da Igreja, e, fazendo resplandecer a verdade do Evangelho, levar todos os homens a procurarem e acolherem o amor de Cristo que excede toda a ciência (cf. Ef 3,19).Ao Concílio, o Papa João XXIII tinha confiado como tarefa principal guardar e apresentar melhor o precioso depósito da doutrina cristã, para o tornar mais acessível aos fiéis de Cristo e a todos os homens de boa vontade. Portanto, o Concílio não devia, em primeiro lugar, condenar os erros da época, mas sobretudo empenhar-se por mostrar serenamente a força e a beleza da doutrina da fé. "Iluminada pela luz deste Concílio - dizia o Papa - a Igreja... crescerá em riquezas espirituais... e, recebendo a força de novas energias, olhará intrépida para o futuro... É nosso dever... dedicar-nos, com vontade pronta e sem temor, àquele trabalho que o nosso tempo exige, prosseguindo assim o caminho que a Igreja percorre há vinte séculos" [1].Com a ajuda de Deus, os Padres conciliares puderam elaborar, em quatro anos de trabalho, um conjunto considerável de exposições doutrinais e de diretrizes pastorais oferecidas a toda a Igreja. Pastores e fiéis encontram ali orientações para aquela "renovação de pensamentos, de atividades, de costumes, e de força moral, de alegria e de esperança, que foi o objetivo do Concílio" [2]. Depois da sua conclusão, o Concílio não cessou de inspirar a vida da Igreja. Em 1985 pude afirmar: "Para mim - que tive a graça especial de nele participar e colaborar no seu desenvolvimento - o Vaticano II foi sempre, e é de modo particular nestes anos do meu Pontificado, o constante ponto de referência de toda a minha ação pastoral, no consciente empenho de traduzir as suas diretrizes em aplicação concreta e fiel, a nível de cada Igreja e da Igreja inteira. É preciso incessantemente recomeçar daquela fonte" [3]. Neste espírito, a 25 de janeiro de 1985, convoquei uma Assembléia Extraordinária do Sínodo dos Bispos, por ocasião do vigésimo aniversário do encerramento do Concilio. A finalidade desta Assembléia era celebrar as graças e os frutos espirituais do Concílio Vaticano II, aprofundar o seu ensinamento para aderir melhor a ele e promover o conhecimento e a aplicação do mesmo. Nessa ocasião, os Padres sinodais afirmaram: "Muitíssimos expressaram o desejo de que seja composto um Catecismo ou compêndio de toda a doutrina católica, tanto em matéria de fé como de moral, para que ele seja como um ponto de referência para os catecismos ou compêndios que venham a ser preparados nas diversas regiões. A apresentação da doutrina deve ser bíblica e litúrgica, oferecendo ao mesmo tempo uma doutrina sã e adaptada à vida atual dos cristãos" [4]. Depois do encerramento do Sínodo, fiz meu este desejo, considerando que ele "corresponde à verdadeira necessidade da Igreja universal e das Igrejas particulares" [5]. Como não havemos de agradecer de todo o coração ao Senhor, neste dia em que podemos oferecer a toda a Igreja, com o título de "Catecismo da Igreja Católica", este "texto de referência" para uma catequese renovada nas fontes vivas da fé! Depois da renovação da Liturgia e da nova codificação do Direito Canônico da Igreja Latina e dos cânones das Igrejas Orientais Católicas, este Catecismo trará um contributo muito importante àquela obra de renovação da vida eclesial inteira, querida e iniciada pelo Concílio Vaticano II.

 




II. ITINERÁRIO E ESPÍRITO DA REDAÇÃO DO TEXTO




O "Catecismo da Igreja Católica" é fruto de uma vastíssima colaboração: foi elaborado em seis anos de intenso trabalho, conduzido num espírito de atenta abertura e com apaixonado ardor. Em 1986, confiei a uma Comissão de doze Cardeais e Bispos, presidida pelo senhor Cardeal Joseph Ratzinger, o encargo de preparar um projeto para o Catecismo requerido pelos Padres do Sínodo. Uma Comissão de redação, composta por sete Bispos diocesanos, peritos em teologia e em catequese, coadjuvou a Comissão no seu trabalho. A Comissão, encarregada de dar as diretrizes e de vigiar sobre o desenvolvimento dos trabalhos, seguiu atentamente todas as etapas da redação das nove sucessivas composições. A Comissão de redação, por seu lado, assumiu a responsabilidade de escrever o texto e lhe inserir as modificações pedidas pela Comissão e de examinar as observações de numerosos teólogos, exegetas e catequistas, e sobretudo dos Bispos do mundo inteiro, a fim de melhorar o texto. A Comissão foi sede de intercâmbios frutuosos e enriquecedores, para assegurar a unidade e a homogeneidade do texto.O projeto tornou-se objeto de vasta consultação de todos os Bispos católicos, das suas Conferências Episcopais ou dos seus Sínodos, dos Institutos de teologia e de catequética. No seu conjunto, ele teve um acolhimento amplamente favorável da parte do Episcopado. É justo afirmar que este Catecismo é o fruto de uma colaboração de todo o Episcopado da Igreja Católica, o qual acolheu com generosidade o meu convite a assumir a própria parte de responsabilidade numa iniciativa que diz respeito, intimamente, à vida eclesial. Tal resposta suscita em mim um profundo sentimento de alegria, porque o concurso de tantas vozes exprime verdadeiramente aquela a que se pode chamar a "sinfonia" da fé. A realização deste Catecismo reflete, deste modo, a natureza colegial do Episcopado: testemunha a catolicidade da Igreja.






III. DISTRIBUIÇÃO DA MATÉRIA




Um catecismo deve apresentar, com fidelidade e de modo orgânico, o ensinamento da Sagrada Escritura, da Tradição viva na Igreja e do Magistério autêntico, bem como a herança espiritual dos Padres, dos Santos e das Santas da Igreja, para permitir conhecer melhor o mistério cristão e reavivar a fé do povo de Deus. Deve ter em conta as explicitações da doutrina que, no decurso dos tempos, o Espírito Santo sugeriu à Igreja.É também necessário que ajude a iluminar, com a luz da fé, as novas situações e os problemas que ainda não tinham surgido no passado.O Catecismo incluirá, portanto, coisas novas e velhas (cf. Mt 13,52), porque a fé é sempre a mesma e simultaneamente é fonte de luzes sempre novas.Para responder a esta dupla exigência, o "Catecismo da Igreja Católica" por um lado retoma a "antiga" ordem, a tradicional, já seguida pelo Catecismo de São Pio V, articulando o conteúdo em quatro partes: o Credo; a sagrada Liturgia, com os sacramentos em primeiro plano; o agir cristão, exposto a partir dos mandamentos; e por fim a oração cristã. Mas, ao mesmo tempo, o conteúdo é com freqüência expresso de um modo "novo", para responder às interrogações da nossa época. As quatro partes estão ligadas entre si: o mistério cristão é o objeto da fé (primeira parte); é celebrado e comunicado nos atos litúrgicos (segunda parte); está presente para iluminar e amparar os filhos de Deus no seu agir (terceira parte); funda a nossa oração, cuja expressão privilegiada é o "Pai-Nosso", e constitui o objeto da nossa súplica, do nosso louvor e da nossa intercessão (quarta parte).A Liturgia é ela própria oração; a confissão da fé encontra o seu justo lugar na celebração do culto. A graça, fruto dos sacramentos, é a condição insubstituível do agir cristão, tal como a participação na liturgia da Igreja requer a fé. Se a fé não se desenvolve nas obras, essa está morta (cf. Tg 2,14-16) e não pode dar frutos de vida eterna. Lendo o "Catecismo da Igreja Católica", pode-se captar a maravilhosa unidade do mistério de Deus, do seu desígnio de salvação, bem como a centralidade de Jesus Cristo, o Filho Unigênito de Deus, enviado pelo Pai, feito homem no seio da Santíssima Virgem Maria por obra do Espírito Santo, para ser o nosso Salvador. Morto e ressuscitado, ele está sempre presente na sua Igreja, particularmente nos sacramentos; ele é a fonte da fé, o modelo do agir cristão e o Mestre da nossa oração.




IV. VALOR DOUTRINAL DO TEXTO




O "Catecismo da Igreja Católica", que aprovei no passado dia 25 de junho e cuja publicação hoje ordeno em virtude da autoridade apostólica, é uma exposição da fé da Igreja e da doutrina católica, testemunhadas ou iluminadas pela Sagrada Escritura, pela Tradição apostólica e pelo Magistério da Igreja. Vejo-o como um instrumento válido e legítimo a serviço da comunhão eclesial e como uma norma segura para o ensino da fé. Sirva ele para a renovação, à qual o Espírito Santo chama incessantemente a Igreja de Deus, Corpo de Cristo, peregrina rumo à luz sem sombras do Reino! A aprovação e a publicação do "Catecismo da Igreja Católica" constituem um serviço que o Sucessor de Pedro quer prestar à Santa Igreja Católica, a todas as Igrejas particulares em paz e em comunhão com a Sé Apostólica de Roma: o serviço de sustentar e confirmar a fé de todos os discípulos do Senhor Jesus (cf. Lc 22,32), como também de reforçar os laços da unidade na mesma fé apostólica. Peço, portanto, aos Pastores da Igreja e aos fiéis que acolham este Catecismo em espírito de comunhão, e que o usem assiduamente ao cumprirem a sua missão de anunciar a fé e de apelar para a vida evangélica. Este Catecismo lhes é dado a fim de que sirva como texto de referência, seguro e autêntico, para o ensino da doutrina católica, e de modo muito particular para a elaboração dos catecismos locais. É também oferecido a todos os fiéis que desejam aprofundar o conhecimento das riquezas inexauríveis da salvação (cf. Jo 8,32). Pretende dar um apoio aos esforços ecumênicos animados pelo santo desejo da unidade de todos os cristãos, mostrando com exatidão o conteúdo e a harmoniosa coerência da fé católica. O "Catecismo da Igreja Católica", por fim, é oferecido a todo o homem que nos pergunte a razão da nossa esperança (cf. l Pd 3,15) e queira conhecer aquilo em que a Igreja Católica crê.Este Catecismo não se destina a substituir os Catecismos locais devidamente aprovados pelas autoridades eclesiásticas, os Bispos diocesanos e as Conferências Episcopais, sobretudo se receberam a aprovação da Sé Apostólica. Destina-se a encorajar e ajudar a redação de novos catecismos locais, que tenham em conta as diversas situações e culturas, mas que conservam cuidadosamente a unidade da fé e a fidelidade à doutrina católica.

 



V. CONCLUSÃO




No final deste documento que apresenta o "Catecismo da Igreja Católica", peço a Santíssima Virgem Maria, Mãe do Verbo Encarnado e Mãe da Igreja, que ampare com a sua poderosa intercessão o empenho catequético da Igreja inteira a todos os níveis, nestes tempos em que ela é chamada a um novo esforço de evangelização. Possa a luz da verdadeira fé libertar a humanidade da ignorância e da escravidão do pecado, para a conduzir à única liberdade digna deste nome (cf. Jo 8,32): a da vida em Jesus Cristo sob a guia do Espírito Santo, na terra e no Reino dos Céus na plenitude da bem-aventurança da visão de Deus face à face (cf. 1Cor 13,12; 2Cor 5,6-8)!



Dado no dia 11 de outubro de 1992, trigésimo aniversário da abertura do Concílio Ecumênico Vaticano II, décimo quarto ano do meu pontificado.

 



JOÃO PAULO II





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Notas




[1] João XXIII, Discurso de abertura do Concílio Ecumênico Vaticano II, 11 de outubro de 1962: AAS 54 (1962), p. 788-791.


[2] Paulo VI, Discurso de encerramento do Concílio Ecumênico Vaticano II, 8 de dezembro de 1965: AAS 58 (1966), p. 7-8.


[3] João Paulo II, Alocução de 25 de janeiro de 1985: L'Osservatore Romano, 27 de janeiro de 1985.


[4] Relação Final do Sínodo Extraordinário, 7 de dezembro de 1985, II,B,a,n.4: Enchiridion Vaticanum, vol. 9, p. 1758, n. 1797.


[5] Discurso de encerramento do Sínodo Extraordinário, 7 de dezembro de 1985, n.6: AAS 78 (1986), p. 435.

 



Fonte:https://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/prima-pagina-cic_po.html




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