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O pensamento e a doutrina de Lutero sobre Maria - a Mãe de Jesus

Written By Beraká - o blog da família on sábado, 24 de abril de 2021 | 12:05



 

Teologia mariana de Lutero é o estudo da teologia de Martinho Lutero sobre Maria, a mãe de Jesus. Ela se desenvolveu a partir da profunda devoção mariana na qual Lutero foi criado e foi posteriormente clarificada como parte de sua teologia e piedade cristocêntrica.[1] Lutero afirmou dogmaticamente o que considerava doutrinas bíblicas firmemente estabelecidas, como a divina maternidade de Maria, e concordava com devoções piedosas sobre a Imaculada Conceição e a virgindade perpétua, mas ressalvando que todas as doutrinas e devoções devem exaltar e nunca diminuir a pessoa e a obra de Jesus Cristo. Já no final do desenvolvimento da teologia de Lutero, sua ênfase era em reconhecer em Maria uma recebedora do amor e da preferência de Deus.[2] Sua oposição a considerar Maria como mediadora na intercessão ou redenção estava inserida no contexto de sua oposição mais ampla e mais profunda à crença de que os méritos dos santos podiam se somar aos de Jesus Cristo para salvar a humanidade.[3][4]



Apesar da dura polêmica de Lutero contra seus adversários católicos romanos sobre o assunto de Maria e dos santos, os teólogos aparentemente concordam que Lutero aceitava os decretos marianos emitidos pelos concílios ecumênicos e também os dogmas marianos católicos. Ele defendia que Maria permaneceu virgem e que era a Teótoco, a "mãe de Deus".[5] Alguns teólogos também ressaltam que Lutero, trezentos anos antes da dogmatização da Imaculada Conceição pelo papa Pio IX (1854), era um firme defensor deste ponto de vista. Outros defendem que Lutero, em seus anos finais, mudou de opinião sobre a Imaculada Conceição, um conceito que, na época, ainda não era bem definido; porém, ele manteve a crença de que Maria viveu sem pecado.[6] Sobre a Assunção de Maria, Lutero afirmou que a Bíblia nada diz sobre o assunto. Mais importante para ele era a crença de que Maria e os santos de fato vivem depois da morte.[5]. O ponto central da teologia mariana de Lutero foi sua obra "Comentário sobre o Magnificat" (1521) na qual ele enaltece a magnitude da graça de Deus em relação a Maria e o próprio legado dela na forma da instrução cristã e do exemplo demonstrado em seu cântico de louvor (o Magnificat).[7]

 

Maria a mãe do Deus encarnado

 

Lutero acreditava que a pessoa de Jesus é o Deus Filho, a segunda pessoa da Trindade, encarnado no útero de sua mãe, Maria, como ser humano e, por isso, como uma pessoa, Jesus "nasceu da Virgem Maria".[8] Nas palavras dele[9]

 

 

“Ela se tornou a Mãe de Deus [Teótoco], em cuja obra tanto e tantas boas coisas lhe foram concedidas que está além da compreensão humana. Por isto, segue toda honra, toda benção e o lugar único dela entre toda humanidade, na qual ela não tem igual, especificamente que ela teve uma criança pelo Pai no céu e que Criança [...] Por isto, os homens resumiram toda sua glória numa única palavra, chamando-a de Teótoco [...] Ninguém pode dizer sobre ela e nem anuncia a ela coisas maiores, mesmo se esta pessoa tiver tantas línguas quanto a terra possui flores e folhas de grama: o céu, estrelas; e o mar, grãos de areia. É necessário que se pondere no coração o que significa ser a Mãe de Deus. ”

 

 

Esta crença foi oficialmente confessada pelos Luteranos em sua Fórmula de Concórdia (artigo VIII.24): 



"Por conta desta união pessoal e comunhão de naturezas, Maria, a mais abençoada virgem, não concebeu um mero ser humano ordinário, mas um ser humano que é verdadeiramente o Filho do Pai Altíssimo, como testemunha o anjo. Ele demonstrou esta divina majestade ainda no útero de sua mãe ao ter nascido de uma virgem sem violar sua virgindade. Portanto, ela é verdadeiramente a Mãe de Deus e, ao mesmo tempo, permaneceu uma virgem."[10]

 

Sobre a Virgindade perpétua de Maria

 

 

Lutero aceitava a ideia da virgindade perpétua de Maria. Jaroslav Pelikan afirmou que esta crença perdurou por toda a vida de Lutero[11] e Hartmann Grisar, que foi biógrafo de Lutero, concorda que "Lutero sempre acreditou na virgindade de Maria, mesmo «post partum», como afirmando no Credo dos Apóstolos.Por esta razão, mesmo um estudioso luterano rigorosamente conservador como Franz Pieper (1852–1931) se recusa a seguir a tendência comum entre os protestantes de insistir que Maria e José tiveram relações maritais e outros filhos depois do nascimento de Jesus. Está implícito em sua obra "Dogmática Cristã" a crença na virgindade perpétua de Maria, sendo a mais antiga e tradicional visão entre os luteranos. (13/14)

 

 

Sobre a Imaculada Conceição de Maria (nascida sem o pecado original)

 

 

Em 1544, Lutero afirmou[15]:

 

“Deus formou a alma e o corpo da Virgem Maria pleno do Espírito Santo de forma que ela é sem todos os pecados, pois ela concebeu e deu à luz o Senhor Jesus.”

 

Em outro ponto, ele afirmou que:

 

"Todas as sementes, com exceção de Maria, estão viciadas [pelo pecado original]".(16)

 

 

“Mãe Maria, como nós, nasceu em pecado de pais pecadores, mas o Espírito Santo a cobriu, a santificou e a purificou de forma que a criança nascesse da carne e do sangue mas não com carne e sangue pecaminoso. O Espírito Santo permitiu que a Virgem Maria permanecesse uma humana verdadeira e natural de carne e sangue, como nós. Porém, Ele removeu o pecado de sua carne e sangue para que ela se tornasse a mãe de uma criança pura, não envenenada pelo pecado como nós somos. Pois naquele momento que ela concebeu, ela era uma santão preenchida pelo Espírito Santo e seu fruto é um fruto puro sagrado, ao mesmo tempo Deus e verdadeiramente homem, em uma pessoa.”(17).

 

 

Maria como Rainha do céu

 

 

Por toda sua vida, Lutero se referiu a Maria como a "Rainha do Céu".[18]

 

 

Maria Medianeira

 

 

Antes de 1516, a crença de Lutero de que Maria seria a medianeira entre Deus e a humanidade foi baseado em seu temor de que Jesus seria um juiz implacável de todas as pessoas.[19] Nas palavras dele[20]:

 

 

“A Virgem Maria permanece no meio entre Cristo e a humanidade. Pois no exato momento que Ele foi concebido e viveu, esteve cheio de graça. Todos os demais seres humanos são desprovidos de graça, tanto na primeira quanto na segunda concepção. Mas a Virgem Maria, apesar de desprovida de graça na primeira concepção, era cheia de graça na segunda [...] enquanto outros seres humanos são concebidos em pecado, na alma e também no corpo, e Cristo foi concebido sem pecado na alma e também no corpo, a Virgem Maria foi concebida no corpo sem a graça, mas na alma cheia de graça.”

 

 

Veneração (não adoração) a Virgem Maria

 

 

Lutero compôs diversos poemas devocionais focados na virgindade de Maria. Ele também traduziu antigos hinos devocionais latinos sobre Maria para o alemão. Eles expressam, de variadas formas, a encarnação de Deus através de uma virgem[5]:

 

“O corpo da virgem estava grávido, mas ela permaneceu pura

Eis que surge o salvador dos gentios

Graça divina do céu recaiu sobre a virgem. ”

 

 

 

A visão luterana sobre a veneração de Maria foi interpretada de forma diferente por diferentes teólogos e modificada ao longo dos anos:

 

 

 

A chave original para esta veneração é a interpretação de Lutero do Magnificat de Maria, que, para alguns, é uma reminiscência de um passado católico, e, para outros, é uma indicação de que Lutero manteve sempre sua devoção mariana.[6]

 

 

Lutero afirma que o fiel deve orar para Maria de forma que Deus possa conceder e realizar, através da vontade dela, o que pedimos. Mas, afirma ele, a graça é obra unicamente de Deus.[6]

 



MAGISTÉRIO CATÓLICO SOBRE A VENERAÇÃO NO CATECISMO DA IGREGA CATÓLICA

 

 

Veneração da palavra de Deus

 

 

§127 O Evangelho quadriforme ocupa a Igreja um lugar único, como atestam a veneração que lhe tributa a liturgia e o atrativo incomparável que desde sempre tem exercido sobre os santos: Não existe nenhuma doutrina que seja melhor, mais preciosa e mais esplêndida que o texto do Evangelho. Vede e retende o que nosso Senhor e Mestre, Cristo, ensinou com suas palavras e realizou com seus atos. É acima de tudo o Evangelho que me ocupa durante as minhas orações; nele encontro tudo o que é necessário para minha pobre alma. Descubro nele sempre novas luzes, sentidos escondidos e misteriosos.

 

 

§1154 A liturgia da palavra é parte integrante das celebrações sacramentais. Para alimentar a fé dos fiéis, os sinais da Palavra de Deus precisam ser valorizados: o livro da palavra (lecionário ou evangeliário), sua veneração (procissão, incenso, luz), o lugar de onde é anunciado (ambão), sua leitura audível e inteligível, a homilia do ministro que prolonga sua proclamação, as respostas da assembléia (aclamações, salmos de meditação, ladainhas, profissão de fé...).

 

 

Veneração das imagens sacras



§2132 O culto cristão das imagens não é contrário ao primeiro mandamento, que proíbe os ídolos. De fato, "a hora prestada a uma imagem se dirige ao modelo Original, e "quem venera uma imagem venera a pessoa que nela está pintada. A honra prestada às santas imagens é uma "veneração respeitosa", e não uma adoração, que só compete a Deus: Oculto da religião não se dirige às imagens em si como realidades, mas as considera em seu aspecto próprio de imagens que nos conduzem ao Deus encarnado. Ora, o movimento que se dirige à imagem enquanto tal não termina nela, mas tende para a realidade da qual é imagem.

 

(Grifo nosso: A imagem de Jesus não é a imagem de um deus falso, mas do Deus verdadeiro, pois assim está escrito em João 19,37: “E mais ainda, como diz a Escritura em outra passagem: “Olharão para Aquele a quem traspassaram...”)

 

 

Veneração das relíquias e religiosidade popular

 

 

§1674 A RELIGIOSIDADE POPULAR Além da liturgia sacramental e dos sacramentais, a catequese tem de levar em conta as formas da piedade dos fiéis e da religiosidade popular. O senso religioso do povo cristão encontrou, em todas as épocas, sua expressão em formas diversas de piedade que circundam a vida sacramental da Igreja, como a veneração de relíquias, visitas a santuários, peregrinações, procissões, via-sacra, danças religiosas, o rosário, as medalhas etc.

 

 

Grifo nosso: Algumas pessoas ficam assustadas ao saberem que, em pleno século XXI, a Igreja Católica não só permite o culto às relíquias, ou seja, a veneração do corpo de santos falecidos ou mártires, mas também guarda com zelo partes desses mesmos corpos. Ora, não seria isso uma coisa macabra, malsã? Mais do que cristianismo, não seria um resquício de superstição pagã, uma vez que eram os gentios que veneravam os antepassados?

 

A melhor forma de responder a esse tipo de acusação está na Suma Teológica de S. Tomás de Aquino, que diz:

 

“O próprio Deus honra como convém as suas [dos santos] relíquias, pelos milagres que faz na presença delas” (STh III 25, 5).

 

 

E mesmo que não se creia nos relatos de milagres e curas que ocorreram pelo contato com corpos ou roupas de santos da Igreja, não se pode negar o que diz a própria S. Escritura:

 

“Certa vez, alguns homens que estavam a enterrar um morto avistaram um desses bandos. Atiraram o corpo para dentro do túmulo de Eliseu e fugiram. Aconteceu que o morto, ao tocar nos ossos de Eliseu, voltou à vida e pôs-se de pé” (2Rs 13, 21).

 

 

É, pois, Deus mesmo quem venera os restos mortais (isto é, as relíquias) de seus santos, como disse S. Tomás. E o que se vê no Antigo, está presente também, no Novo Testamento, como no caso de S. Paulo, que, enquanto era vivo, servia de instrumento para Deus realizar milagres e, mais pontualmente, o que relata a passagem abaixo, extraída dos Atos dos Apóstolos:

 

“Deus realizava milagres extraordinários pelas mãos de Paulo, a tal ponto que pegavam em lenços e aventais usados por Paulo para os colocar sobre os doentes, e estes eram libertados das suas doenças e os espíritos maus eram afastados” (At 19, 11s).

 

 

Eis o fundamento das chamadas relíquias de primeira, segunda e terceira classe. As de primeira classe são os restos mortais propriamente ditos, ao passo que os objetos que estiveram em contato com o santo são as de segunda classe. Há quem fale de relíquias de terceira classe. Contudo, essas poderiam ser chamadas, mais adequadamente, de “lembranças”, por tratar-se de objetos que tocaram o túmulo do santo. Seja como for, não há dúvida de que Deus pode servir-se de qualquer coisa para operar milagres. É evidente, por outro lado, que não é o corpo do santo, em si mesmo, que realiza o milagre — afirmá-lo seria um absurdo teológico e, quiçá, uma forma de “pensamento mágico” —, senão que é algo por ocasião do qual Deus pode e quer realizar prodígios. No Concílio de Trento, os padres conciliares aprovaram um decreto sobre a invocação, a veneração e as relíquias dos santos e sobre as imagens sagradas, de 3 de dezembro de 1563. Nele, lê-se o seguinte:

 

“Devem ser venerados pelos fiéis os santos corpos dos santos mártires e dos outros que vivem com Cristo, corpos que foram membros vivos do mesmo Cristo e templo do Espírito Santo, que por ele devem ser ressuscitados para a vida eterna e glorificados e pelos quais Deus concede aos homens muitos benefícios. Por isso, os que afirmam que às relíquias dos santos não se deve veneração nem honra, ou que inutilmente os fiéis as honram como também a outros monumentos sagrados, e que em vão frequentam as memórias dos santos para obter o seu auxílio, todos devem ser absolutamente condenados como já outrora a Igreja os condenou e também agora os condena” (DH 1822).

 

 

Veneração dos santos



§1090... QUE PARTICIPA DA LITURGIA CELESTE... "Na liturgia terrestre, antegozando participamos (já) da liturgia celeste, que se celebra na cidade santa de Jerusalém, para a qual, na qualidade de peregrinos, caminhamos. Lá, Cristo está sentado à direita de Deus, ministro do santuário e do tabernáculo verdadeiro; com toda a milícia do exército celestial cantamos um hino de glória ao Senhor e, venerando a memória dos santos, esperamos fazer parte da sociedade deles; suspiramos pelo Salvador, Nosso Senhor Jesus Cristo, até que ele, nossa vida, se manifeste e nós apareçamos com ele na glória."

 

 

Veneração e adoração da Eucaristia

 

 

§1378 O culto da Eucaristia. Na liturgia da missa, exprimimos nossa fé na presença real de Cristo sob as espécies do pão e do vinho, entre outras coisas, dobrando os joelhos, ou inclinando-nos profundamente em sinal de adoração do Senhor. "A Igreja católica professou e professa este culto de adoração que é devido ao sacramento da Eucaristia não somente durante a Missa, mas também fora da celebração dela, conservando com o máximo cuidarem com solenidade, levando-as em procissão”.

 

 

Alguns interpretam sua obra sobre o Magnificat como uma súplica pessoal a Maria, mas não como um pedido de mediação na forma de oração. Um importante indicador das visões de Lutero sobre a veneração de Maria para além de suas obras são as práticas aprovadas pelos luteranos durante sua vida. O canto do Magnificat em latim foi mantido em muitas comunidades luteranas alemãs. A ordem eclesiástica (em alemão: kirchenordnung) de Brandenburgo, Bugenhagen Braunschweig e outras cidades e distritos decretada pelos líderes reais da Igreja Luterana manteve três feriados marianos que deveriam ser observados como feriados públicos.[6] Sabe-se que Martinho Lutero aprovou a prática. Ele também aprovou a manutenção de pinturas e estátuas nas igrejas,[5] mas afirmou que "Maria ora pela igreja".[21] Ele também defendeu o uso da versão pré-tridentina da "Ave Maria":

 

 

"Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco. Bendita sois vós entre as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus", como sinal de reverência e devoção à Virgem Maria.[22]

 



 

Comparação com a doutrina católica romana:



Lutero criticou os católicos romanos por borrarem a distinção entre a mais alta admiração da graça de Deus onde quer que ela se manifeste em seres humanos e o serviço religioso oferecido a eles e a outras meras criaturas. Em alguns casos, ele considerou que a prática católica romana de realizar pedidos por intercessão endereçados especialmente a Maria e a outros santos falecidos como sendo idolatria.[23][24]

 

“Além disto, como irás tolerar as terríveis idolatrias [dos Católicos]? Não basta que eles venerem os santos e louvem Deus neles, mas eles de fato os transformaram em deuses. Eles colocam aquela nobre criança, a mãe Maria, justamente no lugar de Cristo. Eles transformaram Cristo num juiz e, desta forma, engendraram um tirano para consciências angustiadas de forma que todo conforto e confiança foi transferido de Cristo para Maria; e então todos se voltaram de Cristo para este santo em particular...”

 

 


 

Esta distinção acima separa as visões Luteranas da Mariologia Católica Romana

 

 

Ela é importante também no contexto da alegação católica romana de que os protestantes modernos abandonaram a mariologia de Lutero. Católicos romanos e protestantes podem ter tido visões similares sobre Maria no século XVI, mas, para Lutero, tratava-se de uma mariologia "passiva" enquanto que para os católicos romanos era uma "ativa", que sugeria uma veneração devotada (chamada "hiperdulia") e orações por sua intercessão ativa, e não por seus méritos (passiva).

 

 

Questões já foram levantadas sobre se as visões marianas de Lutero e poderiam ser uma forma de juntar cristãos separados novamente. Aparentemente há ceticismo de ambas as partes quanto a isto.[25] O oitavo "Diálogo entre Luteranos e Católicos" tratou do assunto.

 

Acredita-se que Martinho Lutero, assim como Martin Chemnitz, "o outro Martinho" dos primeiros anos do luteranismo, rezaram a "Ave Maria" em sua versão pré-tridentina, e muito provavelmente outros padres luteranos recém-convertidos do catolicismo também o faziam. Sínodos luteranos modernos geralmente rejeitam ou, ao menos, não recomendam ativamente a prática de endereçar orações a Maria ou a outros santos.[26]

 

Algumas pregações de Lutero DEPOIS de romper com a Igreja de Católica. Existem várias outras. Hoje em dia são poucos os protestantes que anunciam Maria desta forma. Várias vezes a pregação é negativa sobre Maria. Um exemplo concreto interessante desta dificuldade: é bem raro uma menina que nasce em família evangélica receber o nome de Maria, enquanto é muito frequente, no mesmo meio, a adoção de nomes bíblicos como Sara, Raquel, Rute, Débora, Rute, Ana, Rebeca, e vários outros. No mundo católico Maria é o nome mais frequente; porém, no geral isto mudou nos últimos anos.

 

 

Lutero: “Maria é mãe de todos nós”

 

 

“Maria é a Mãe de Jesus e a Mãe de todos nós, embora fosse só Cristo quem repousou no colo dela… Se ele é nosso, deveríamos estar na situação dele; lá onde Ele está, nós também devemos estar e tudo aquilo que Ele tem deveria ser nosso. Portanto, a mãe dele também é nossa mãe..” (Martinho Lutero, Sermão de Natal de 1529.)

 

 


 

Lutero: “Nunca conseguiremos honrá-la o suficiente”

 

 

“Maria é a maior e a mais nobre joia da Cristandade logo após Cristo… Ela é nobre, sábia e santamente personificada. Jamais conseguiremos honrá-la suficientemente.” (Lutero, Sermão do Natal de 1531)

 

 

Lutero: “Maria é a Mãe do Deus verdadeiro”

 

“… ela com justiça é chamada não apenas de mãe dos homens, mas também, a Mãe de Deus… é certo que Maria é a Mãe do real e verdadeiro Deus”. (Sermão Concórdia. vol 24. p. 107).

 

 

Lutero: “Maria foi concebida sem pecado original”

 

 

”É uma doce e piedosa crença esta que diz que a alma de Maria não possuía pecado original; pois quando ela recebeu sua alma, ela também foi purificada do pecado original e adornada com os dons de Deus, recebendo de Deus uma alma pura. Assim, desde o primeiro momento de sua vida, ela estava livre de todo pecado” (Lutero, Sermão sobre o Dia da Conceição da Mãe de Deus de 1527)

 

 

Lutero: “Maria não teve mais filhos além de Jesus”

 

 

“Cristo foi o único filho de Maria...a Virgem Maria não teve filhos além Dele… Estou inclinado a concordar com aqueles que declaram que ‘irmãos’ significam realmente ‘primos’. A Sagrada Escritura e os judeus sempre chamaram os primos irmãos.” (Sermão, 1539).

 

 

 

Referências

 

 

1.Gritsch (1992), pp. 235-248, 379-384; cf. p. 235f.

2. Gritsch (1992), pp. 236-237

3.Gritsch (1992), p. 238

4.Grisar (1915), vol. 4, pp. 502–503

5.Bäumer (1994), p. 190

6.Bäumer (1994), p. 191

7.Martinho Lutero, Luther's Works, The American Edition, Jaroslav J. Pelikan & Helmut Lehmann, eds., 55 vols., (St. Louis & Philadelphia: CPH & Fortress Press, 1955-1986), 295-358; cf. Anderson, Stafford & Burgess (1992), pp. 236–237

8.Cf. o Credo dos Apóstolos

9.Luther's Works, 21:326, cf. 21:346.

10.Tappert (1959), p. 595

11.Luther's Works, 22:214-215

12.Grisar (1915), p. 210

13.Pieper (1950), pp. 308–309

14.LCMS FAQ - New Testament

15.Martinho Lutero, D. Martin Luthers Werke, Kritische Gesamtausgabe, 61 vols., (Weimar: Verlag Hermann Böhlaus Nochfolger, 1883-1983), 52:39 [hereinafter: WA]

16. WA, 39, II:107.

17.Luther (1996), p. 291

18.Luther's Works 7:573

19.Brecht (1985), pp. 76–77

20.Anderson, Stafford & Burgess (1992), p. 238

21.Apologia da Confissão de Augsburgo, XXI 27

22. Luther's Works, 10 II, 407–409

23.Confissão de Augsburgo XXI 2

 24.Luther's Works, 47:45; cf. also Anderson, Stafford & Burgess (1992), p. 29

 25.Düfel (1968)

 26.Wright (1989)

 

 

Bibliografia

 

 

-Anderson, H. George; Stafford, J. Francis; Burgess, Joseph A., eds. (1992). The One Mediator, The Saints, and Mary. Col: Lutherans and Catholics in Dialogue (em inglês). VIII. Minneapolis: Augsburg. ISBN 0-8066-2579-1

 

-Bäumer, Remigius (1994). Leo Scheffczyk, ed. Marienlexikon (em inglês) Gesamtausgabe ed. Regensburg: Institutum Marianum

 

-Brecht, Martin (1985). His Road to Reformation, 1483–1521. Col: Martin Luther (em inglês). 1. Philadelphia: Fortress Press. ISBN 978-0-8006-2813-0

 

-Düfel, H. (1968). Luthers Stellung zur Marienverehrung [Luther's Position on the Adoration of Mary] (em inglês). Göttingen: [s.n.]

 

-Grisar, Hartmann (1915). Luigi Cappadelta, ed. Martin Luther (em inglês). St. Louis: B. Herder

 

-Gritsch, Eric W. (1992). «The views of Luther and Lutheranism on the veneration of Mary». In: H. George Anderson, J. Francis Stafford & Joseph A. Burgess. The One Mediator, The Saints, and Mary. Col: Lutherans and Roman Catholic in Dialogue (em inglês). VIII. Minneapolis: Augsburg Fortress. ISBN 978-0-8066-2579-9

 

-Luther, Martin (1996). John Nicholas Lenker, ed. Sermons of Martin Luther (em inglês). Grand Rapids, MI: Baker Book House

 

-Pieper, Francis (1950). Christian Dogmatics (em inglês). 2. St. Louis: CPH

 

-Tappert, Theodore G. (1959). The Book of Concord: the Confessions of the Evangelical Lutheran Church (em inglês). Philadelphia: Fortress Press

 

-White, James R. (1998). Mary – Another Redeemer? (em inglês). Minneapolis: Bethany House Publishers. ISBN 978-0-764-22102-6

 

-Wright, David, ed. (1989). Chosen By God: Mary in Evangelical Perspective (em inglês). London: Marshall Pickering. ISBN 978-0-55

 

 Fonte: Wikipédia

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