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UMA SEGURA TEOLOGIA DOS MOVIMENTOS E COMUNIDADES NOVAS

Written By Beraká - o blog da família on domingo, 7 de novembro de 2010 | 11:32

 

 




TEOLOGIA DOS MOVIMENTOS

 

 

Por CNBB Itaici, Indaiatuba-SP, abril de 1997 



Comissão Episcopal de Doutrina - Publicado em 26/04/2001



Muitos bispos pediram que a Comissão Episcopal de Doutrina estudasse a Teologia de alguns Movimentos, presentes hoje nas nossas comunidades.A CED analisou, seguindo autores dos próprios Movimentos, os conteúdos teológicos. E apresenta aqui esses estudos e uma avaliação teológico-pastoral.Esta avaliação, colocada após o estudo de cada Movimento, é tirada, em seus aspectos positivos e negativos, da bibliografia consultada e disponível.Analisar mais profundamente as linhas doutrinais exigiria um trabalho a ultrapassar os limites desta comunicação.Também não foi possível examinar todos os movimentos pelo número e variedade existentes.Desta vez nos limitamos aos que nos foram solicitados:



Comunhão e libertação
Focolares
Movimento de Schönstatt
Neocatecumenais
Renovação Carismática Conclusão Católica








1. COMUNHÃO E LIBERTAÇÃO



1. HISTÓRICO. O nascimento do movimento, em Milão no ano de 1954, coincide com o surgimento da presença cristã nas escolas secundárias, denominado "Juventude Estudantil", em parte ligado à Ação Católica. Seu grande inspirador e ainda hoje seu coordenador é o Pe. Luigi Giussani, então professor do Liceu Berchet, que desejava ajudar os jovens a manifestar-se decisivamente cristãos em seu ambiente e unir-se entre si para crescer na fé e praticar a caridade.Cultura, fé e caridade foram as diretrizes maiores da Juventude Estudantil por 10 anos. Pelo ano de 1964, o Movimento passa por uma crise, acontecendo êxodo da instituição, que culmina em 1969, quando é reformulado com o nome de "COMUNHÃO E LIBERTAÇÃO".




2. LINHAS DOUTRINAIS


1. Essência do anúncio cristão. O Movimento sublinha ser essencialmente o cristianismo não uma teoria, filosofia ou projeto de vida, nem uma praxe, no sentido de normas e ritos, aos quais o homem se conforma mediante um esforço moral. O cristianismo é essencialmente acontecimento, o acontecimento de Deus que irrompe na história na pessoa de Jesus Cristo para salvar o homem e a realidade. Este acontecimento e, conseqüentemente, a pessoa de Jesus Cristo, é a única possibilidade de verdadeira vida e de libertação adequada do homem. Sem Cristo, o homem é incapaz de superar a contradição entre a necessidade profunda de libertação, isto é, de relação nova, harmônica consigo mesmo, com os outros homens e as coisas, e as insuficiências e limites de suas realizações concretas. O homem tem necessidade de  alguém "diferente", capaz de mudá-lo no ser. Este alguém é Cristo na sua morte e ressurreição. Ele toma posse definitiva de toda a realidade e a transforma. Portanto, só a comunhão com Cristo é princípio de verdadeira liberdade e harmonia com toda a realidade.Tarefa do homem é a fé. Com ela, abre-se, acolhe e dá crédito ao acontecimento misericordioso de Deus, que vem ao seu encontro em Jesus Cristo. Por meio do ato de fé, o acontecimento de Deus encontra, objetivamente, a liberdade do homem e o transforma num ser novo. Mas tal atitude é impossível sem conversão e contrição profundas. Admitir lucidamente que a salvação e a libertação vem do Outro e que a essência da própria vida consiste nessa relação de dependência estrutural do Outro, é fruto de um evento e dom gratuitos, que exigem esvaziamento radical de si e afastamento de toda presunção.O homem não é o protagonista da sua vida. Sua vida não é constituída e construída por planos e empreendimentos da sua humanidade, inexoravelmente manchados pela ambigüidade, mas a base de sua identidade está em ser amado, tenaz e fielmente, por Deus em Cristo.



2. A realidade Igreja. Se Jesus Cristo é a única resposta autêntica e exaustiva, o homem só pode encontrar resposta na Igreja. A Igreja é o âmbito no qual, por vontade positiva do Senhor, o evento salvífico e libertador reacontece continuamente ao longo da história. O homem encontra Cristo dentro do sinal-Igreja. Por isso é necessário que a realidade Igreja se ramifique e multiplique sua presença. As comunidades da "Comunhão e Libertação" têm este objetivo exclusivo: tornar-se ambientes nos quais a Igreja vive. Em particular, o Movimento orientou sua atenção na importância das comunidades cristãs ambientais, onde o indivíduo está inserido. A escola e o trabalho são 2 ambientes, onde a CL intensificou sua atividade.Como Cristo é a resposta definitiva à necessidade de libertação do homem e o encontro com Ele acontece normalmente na Igreja, o aporte específico dos cristãos será o de reconstruir e dilatar as genuínas realidades eclesiais. Esta missão não é concebida como um dever a mais, mas como uma exigência vital, para oferecer aos outros a oportunidade de participar do evento da Comunhão libertadora, da qual se fez experiência. A tensão à missão está em proporção exata com a verdade da "comunhão" com Cristo e sua Igreja.




A Igreja tem o direito e o dever de contestar ao mundo a presunção de querer construir com as próprias mãos, através de análises e mudanças estruturais, uma resposta global e exaustiva às interrogações profundas do homem.CL evidencia duas condições para uma autêntica presença da Igreja. A primeira é a unidade dos cristãos, que deriva do reconhecimento de uma identidade comum: o estar em comunhão com Cristo. Esta unidade tem no batismo sua raiz, alimenta-se e exprime-se na participação comum aos sacramentos, e tende a gerar uma estrutura comunitária global. A unidade é condição essencial para que a Igreja seja Igreja, isto é, sacramento de comunhão com Cristo. - A segunda condição é a ligação com a autoridade, isto é, com o bispo. A esta referência tudo deve ser, interior e geneticamente subordinado, e eventualmente sacrificado. Por meio da autoridade brota a energia do mistério.




3. O processo educativo. A CL repele uma educação "neutra", fundada na pressuposição de que o Estado tenha condições de produzir autonomamente a verdade. Tal tese mascara a tentativa ideológica de eliminar a identidade cultural para consentir ao Estado o monopólio da cultura e de sua transmissão, que cria no educando a indiferença, o ceticismo, o "qualunquismo", pressupostos ideais para o desenvolvimento de personalidades fanáticas ou carolas. CL considera que a educação introduz o jovem na experiência da realidade total, como desenvolvimento de todas as estruturas de um indivíduo até sua realização integral, e ao mesmo tempo afirmação de todas as possibilidade de conexão ativa dessas estruturas com toda a realidade.A educação deve implicar em tudo o que contribui para evocar e ouvir o desejo de Deus ( = sentido religioso), que existe em cada homem. Para alcançar esta meta é indispensável oferecer ao jovem uma hipótese explicativa unitária, que o liberte da desassociação desgastante, na qual inevitavelmente virá a encontrar-se diante da disparidade e da contrariedade de propostas e soluções da sociedade, e em particular da escola.




"Só uma época de discípulos, pode dar uma época de gênios, porque somente quem é antes capaz de escutar e compreender, alimenta em si uma maturidade pessoal que o torna capaz de julgar e de afrontar até - eventualmente - abandonar o que alimentou".



Se isto é verdadeiro para a vida em geral, em particular é verdadeiro para a vida cristã, um evento iniciado há 2000 anos e conservado vivo pela transmissão ininterrupta da Igreja, ideado por Cristo para esta finalidade. Por isso, o jovem é convidado a confrontar-se com esse patrimônio tradicional de forma atenta e leal. Não num confronto dialético e discursivo, mas no plano da experiência.Na referência responsável e cordial a essa autoridade reside a garantia de estar objetivamente enxertados na vida da Igreja. Mas também, em cada comunidade, é indispensável que existam pólos de referência autorizados. Na CL essas autoridades têm um caráter histórico baseado em duplo título: enquanto são fruto do reconhecimento concorde da comunidade, tendo como critério a qualidade e relevância de seus testemunho de fé e de vida, e enquanto à duração de seu mandato é ligada à permanência da vitalidade do testemunho. A autoridade, para não se tornar despótica e opressora, deve procurar compreender, respeitar e valorizar os carismas de cada um, isto é, o projeto que o Senhor tem sobre ele.A pessoa usa mal da sua liberdade, seja quando aceita tudo passivamente, seja quando defronte a uma proposta que, para ser avaliada, deve ser acolhida integralmente, faz um trabalho de pré-seleção, fruto do capricho e da correção.




3. AVALIAÇÃO. 


1. - Aspectos positivos. A CL tem apresentado o anúncio cristão aos jovens na sua essencialidade, em seus elementos fundamentais, aberto e flexível em relação às possíveis traduções. Privilegia também o indicativo dogmático sobre o imperativo moral. Outro aspecto: o anuncio cristão deve ser verificado experiencialmente, como proposta cristã a responder à necessidade profunda de felicidade e de vida.O anúncio cristão é possível dentro da Igreja, sacramento do encontro com Deus. Outros caminhos? A CL não os nega. Apresenta o normal.O evento libertador de Deus, em Cristo, já é uma realidade, ainda que não completa.




2. Aspectos negativos. Na impostação doutrinal da CL parece haver pouco espaço ao E. Santo, uma certa impermeabilidade ideológica e o uso reduzido da Sagrada Escritura.O movimento é também acusado de integrismo, apresentando os modelos interpretativos e operativos do empenho histórico, sem levar devidamente em conta a consistência específica e irredutível do fato humano.Também há os que observam que a praxe pastoral se move não em referência decisiva ao bispo e ao plano de pastoral, mas às indicações, textos e planos dos lideres do movimento, parecendo que a única proposta formativa é a do Movimento.




Escrevia Urs von Balthasar, amigo do Pe. Giussani: "Existe também, depois da humilhação do triunfalismo hierárquico, um triunfalismo mais sutil da ideologia da comunidade ou do grupo. A humildade dos pequenos grupos é hoje o mais necessário à Igreja, mas também o mais ameaçado: duma parte por causa da tentação do mundanismo, doutra por causa da tentação de uma autonomia fechada".




Quer-se substancialmente opor à crise de identidade do projeto leigo uma identidade forte ( talvez integrista) do associativismo católico. A identidade católica seria produtora da sociedade civil, sem mediação de um projeto.




2. FOCOLARES



1. HISTÓRICO. Foi em 1943, durante a última guerra, que surgiu o Movimento dos Focolares, fundado por Sílvia Chiara Lubich, chamado oficialmente "Opera di Maria". No meio da destruição geral, causada pelos bombardeios, Chiara e um grupo de jovens companheiras se perguntaram: "Haverá um ideal que não passa, que nenhuma bomba pode destruir"? E a resposta chegou: Sim, este ideal é Deus, que se manifesta no que realmente é: Amor. Decidiram que se fossem vítimas da guerra, se escrevesse em suas sepulturas: "Nós acreditamos no amor" (1 Jo 4,16). A data histórica do Movimento é 7 de dezembro de 1943, quando Chiara se consagrou ao Senhor.Em pouco tempo, atingiu centenas de pessoas em Trento e, depois da guerra, espalhou-se pelo mundo inteiro, envolvendo diversas formas de vocação: focolare masculino e feminino, voluntários, casados no Movimento Famílias Novas, Sacerdotes, Movimento sacerdotal seminarista, Movimento Gen, e numerosas publicações. A Santa Sé aprovou em 1962 com João XXIII e em 1965 com Paulo VI, com uma estrutura interna do conselho geral de coordenação, cujo presidente,por estatuto, sempre deve ser uma mulher.




2. LINHAS DOUTRINAIS



As linhas doutrinais inspiradoras da espiritualidade do Movimento estão contidas em doze verdades evangélicas:


2.1. Deus-Amor é a primeira centelha inspiradora, a compreensão nunca tida antes de Deus como Amor.

2.2. Fazer a vontade de Deus é a resposta que se dá ao Deus-Amor, à imitação de Jesus, o Filho que fez sempre a vontade do Pai.

2.3. Entre as vontades de Deus destacam-se duas: o mandamento do amor aos irmãos e a Igreja.

2.4. Reciprocidade do amor fraterno, exigida pelo mandamento novo de Jesus.

2.5. A presença de Jesus entre os homens, quando estes, amando-se uns aos outros, se reúnem em seu nome, dá sentido à fraternidade universal que Jesus trouxe à terra para toda a humanidade.

2.6. Jesus abandonado na cruz se manifesta, no cume das dores, como chave para recompor a unidade das pessoas com Deus e entre si, para sanar toda divisão.

2.7. A Palavra de Vida do Evangelho, como radical reevangelização do próprio modo de pensar, de amar, de viver, é apresentada cada mês com um breve comentário espiritual de Chiara.

2.8. Na Eucaristia, instituída antes da oração pela unidade "que todos sejam um" Jesus é o vinculo da unidade, o mais poderoso coeficiente para a plena unidade.

2.9. Maria, discípula por excelência, cristã perfeita, é modelo para cada membro do Movimento, sobretudo porque tem a função de gerar espiritualmente Cristo entre os homens. O Movimento foi aprovado como "Obra de Maria" e os seus encontros mais variados são chamados "Mariápolis".

2.10. À presença de Jesus na Igreja hierárquica, "quem vos escuta a mim me escuta", não obstante todas as fraquezas humanas, exigindo realizar as suas ordens e desejos, se atribui a explosão mundial do Movimento. Mas a unidade com a hierarquia não impediu que o Movimento explicitasse cada vez mais as exigências dos diálogos: ecumênico, interreligioso e com os não crentes, em vista do ideal da unidade.

2.11. No Espírito Santo o Movimento se reconhece a si mesmo pela típica atmosfera que ele difunde entre seus membros e por aqueles dons tão característicos da Obra de Maria: alegria, paz, luz.

2.12. A unidade é o elemento mais típico e característico da espiritualidade do focolare e que lhe dá o seu nome particular: "espiritualidade da unidade". Todo o resto, todos os outros elementos estão finalizados para sua atuação, o grande ideal da espiritualidade focolarina, o seu objetivo único: "que todos sejam um, como nós somos um, eu neles e tu em mim, para que sejam perfeitos na unidade e o mundo reconheça que me enviaste e os amaste, como amaste a mim".




3. AVALIAÇÃO - Aspectos positivos:


1. O ponto mais positivo do Movimento é o embasamento da sua espiritualidade nas doze verdades evangélicas resumidas acima, intrinsecamente relacionadas entre si e finalizadas para o ideal da unidade, cerne da Boa Nova anunciada por Jesus Cristo.


2. O Movimento busca ortodoxia através de uma adesão fiel e aberta ao Magistério da Igreja, mas acima da ortodoxia teórica procura encontrar no evangelho a ortopráxis inspiradora de uma vivência pessoal e comunitária, coerente com os valores do Reino de Deus.



3. Pratica um ousado e abrangente diálogo ecumênico e interreligioso, partindo de uma transparente identidade cristã e católica, sem sincretismo, nem irenismo, sem proselitismo, nem fanatismo. O ecumenismo é colocado na perspectiva do amor e da unidade, visando a que as pessoas de confissões religiosas diferentes procurem, antes de tudo, amar-se para além das suas diferenças religiosas, a exemplo de Jesus abandonado.



4. Num mundo marcado pela globalização econômica excludente, Chiara promoveu, no interior do Movimento, um compromisso transformador: a busca de uma "economia de comunhão", incentivando, para isso, a participação na política mesmo partidária.



2. Questionamentos:


1. As reflexões de Chiara sobre o mistério do Deus-Amor, ponto de partida de sua experiência espiritual, não parecem suficientemente claras. Deus é amor porque é Trindade ou Trindade porque é amor? Ao falar da Trindade, a sua preocupação é definir a natureza do verdadeiro amor que consiste essencialmente na doação de si, na oblatividade. Parece supor que este aspecto positivo pressupõe a negação de si, de modo que o amor é (como doação) e não é (como negação de si) ao mesmo tempo. Falta-lhe compreender melhor o conceito de pessoa na Trindade, na qual a pessoa é pura relação transparente à outra pessoa. Na Trindade, para que uma pessoa ame outra, não precisa que ela se anule a si mesma, porque ela se percebe como pura relação transparente de abertura às outras pessoas. Entre nós, seres humanos, marcados pelo pecado, a oblatividade pressupõe a negação do egoísmo, do fechamento narcisista em si mesmo. E Jesus abandonado, no seu esvaziamento, é para nós modelo de negação do egoísmo.



2. Chiara tem falado muito de espiritualidade coletiva ou comunitária. Necessita-se de uma reflexão sobre as diferenças entre indivíduo e pessoa, entre coletividade e comunidade. Quanto mais se é pessoa, mais se é comunidade e vice-versa. Basta romper o egoísmo e o fechamento opaco do indivíduo para uma abertura oblativa e comunicativa às outras pessoas.




3. As reflexões sobre Jesus abandonado estimulam a imitação e seguimento de Cristo no aspecto mais misterioso do seu mistério. É preciso cuidar, entretanto, para que a explicação do episódio do abandono de Jesus na cruz, interpretado, aliás, diversamente pelo próprio Novo Testamento, não desfigure nem a figura do Filho totalmente confiante no Pai e absolutamente certo de sua presença, nem a figura do Pai, fonte do amor, que jamais abandonaria o seu Filho, deixando-o sozinho.



 3. Aspectos negativos


1. Como acontece em relação a outros Movimentos, comenta-se que membros do Focolare tendem a venerar demasiadamente a figura da Fundadora. Nesse sentido, alguns parecem valorizar a Palavra da Vida, sobretudo pelo comentário que Chiara faz mensalmente de uma frase do Evangelho.




2. Comenta-se, também, que os focolares atingem predominantemente pessoas de classe média, adotando estilo de vida acima das camadas pobres da sociedade. Isto poderia ser explicado pelo condicionamento sociológico e psicológico de muitos dos seus membros. É certo, porém, que, à luz das verdades evangélicas por eles assumidas, os Focolarinos estão orientados para a opção preferencial pelos pobres.




3. MOVIMENTO DE SCHÖNSTATT




1. - HISTÓRICO. Aos 18 de outubro de 1914, o Pe. José Kentenich manifesta a um grupo de jovens Congregados Marianos sua "secreta idéia predileta": transformar a Capela da Congregação Mariana, situada no vale de Schönstatt, em Vallendar, junto ao Reno, capela de São Miguel, um Tabor a partir do qual se manifestem as glórias de Maria. Não poderia deixar herança maior do que levar N.Sra. do Rosário a estabelecer, nesta capela, seu trono e distribuir tesouros e milagres da graça. Era plano "fazer suave violência" a Nossa Senhora através de orações e sacrifícios, e tornar a Capela São Miguel ponto de partida e centro de um movimento de educação e renovação religiosa e moral.Surgiram diversos movimentos: A "União apostólica" é a primeira de suas comunidades apostólicas laicais. - Em 1920 nasce a "Liga" que compreende sacerdotes, homens e mulheres de diversas idades e, profissões, agrupados em vários ramos. - Em 1926 surge a fundação dos Institutos Seculares de Schönstatt. - Em 1924, a Congregação Mariana do Seminário de Schönstatt transformou-se no "Movimento Apostólico" de Schönstatt. Hoje a Obra de Schönstatt compreende: Institutos, Uniões, Liga e Movimento Popular de Peregrinos. Os santuários, que se constróem no mundo, são reproduções fiéis do Santuário de Schönstatt.




2. - LINHAS DOUTRINAIS


1. A fé convicta do Pe. Kentenich era de que a missão e atuação da Mãe de Deus continua até o fim dos tempos, como "companheira e colaboradora" oficial e permanente de Cristo em toda a obra da redenção. Mesmo após a assunção ao céu desenvolve sua atuação, de preferência nos lugares de graças que ela mesma escolhe, e por meio de pessoas que se colocam à sua disposição. Numa peregrinação a Pompéia, na Itália, surgiu-lhe esta idéia: Por que Pompéia sim, e Schönstatt não?



2. Os Congregados Marianos resolveram colocar-se a serviço de Nossa Senhora. Esta consagração tomou o nome de "Aliança de Amor" e as palavras proferidas, neste 18 de outubro de 1914, denominaram-se mais tarde "Documento de Fundação". Eles tomaram conhecimento da Congregação Mariana que floresceu no século XVI em Ingolstadt, e dela tomaram o título "Mãe Três Vezes Admirável" para a imagem de Maria da Capelinha de São Miguel. Em Schönstatt recebe-se tríplice graça: a graça do abrigo espiritual, a graça da transformação interior, e a graça da missão e fecundidade apostólica.



3. O elemento determinante é a Aliança de Amor com a Mãe Três Vezes Admirável. Em si não é outra coisa que a aliança feita com Deus no batismo. Por que Mãe Três Vezes Admirável? Porque Deus fez um Aliança de Amor com a Criação através do homem e com a mediação da Ssma. Virgem. Nesta aliança pessoal, os contraentes se pertencem mutuamente: a realeza de Maria nos fica entregue, com a sua segurança. A Aliança é local, vivida integralmente na Capelinha, pois ali recebe-se graça  específica. Na Capelinha a aliança encontra sua materialização e seu símbolo. Como conseqüência há necessidade de se vincular estreitamente ao lugar e fazer dele o lar espiritual. A Aliança de Amor se vive se houver contato de fé com a Capelinha.



4. O típico de Schönstatt é pretender realizar a missão por meio de Maria, isto é, mostrar ao mundo a posição, a dignidade e a missão da Ssma. Virgem, que assegurará a transformação do mundo em Cristo. O Movimento aspira, como missão, converter-se numa epifania mariana. Schönstatt quer formar um Capital de Graças a ser oferecido na Capelinha, dentro do Corpo Místico. Para fundamentar isso lembra a liberdade humana e a generosidade divina.



5. O Movimento cumpre sua missão pelo Espírito Santo, que age na Capelinha por meio de Maria. É Ele quem renova todas as coisas. Outra arma é uma forte autoridade: poucas leis, mas uma autoridade firme e forte.



6. O espírito do Movimento apostólico de Schönstatt pode ser sintetizado nestes pontos: * Piedade mariana. Maria é a mais perfeita realização do homem novo, da nova criação, objetivo da salvação realizado por Jesus Cristo.



* Piedade da Aliança. Deve-se decidir livremente com Maria e como Maria: "Unidos com Maria na Aliança do Amor, chegaremos a Cristo Jesus, e por Cristo, no Espírito Santo, ao Pai".

* Piedade de instrumento. A Família Schönstatt cultiva a consciência de ser um instrumento totalmente dependente de Deus e da sua graça. Há o cuidado de se orientar na vontade de Deus, à luz da fé na Providência, e estar em total disponibilidade.

* Santidade de vida diária. Trata-se de santificar o mundo em todos os seus âmbitos. A idéia da santidade de todos os dias teve papel decisivo na constituição dos Institutos Seculares.

* Espírito de magnanimidade. Vínculos que obrigam sob pecado, só os necessários; liberdade que aspira ao mais alto grau de amor e cultivo da vida espiritual para atingir este grau.

* Nos Institutos se faz a consagração-contrato em lugar dos votos. É uma consagração-contrato que vincula pela força do direito natural. Os contraentes são cada um de seus membros e a comunidade. Com esta consagração ascética à Mãe Três Vezes Admirável o contrato é elevado ao caráter de ato religioso e de entrega total a Deus.

* Espírito de família. O princípio teológico de que a graça deve unir-se à natureza é básico. Procura imitar a família, para que o povo de Deus se torne família de Deus. Por isso os membros vêem em Schönstatt o lugar de seu nascimento espiritual. Olham o Fundador como pai espiritual, em cuja pessoa transparece o Pai eterno, do qual vem toda a paternidade no céu e na terra.




3. AVALIAÇÃO


1. Aspectos positivos. Nota-se o desejo do Pe. Kentenich de prestar um culto especial à Mãe de Deus e a busca de uma vida de transformação. Elaborou o sentido de uma espiritualidade que seja testemunho com linhas ascéticas bem definidas.Outro aspecto positivo é também o fato de santificar a vida diária e de colocar o sentido da fé na cotidianidade. O Movimento teve ampla difusão entre o povo, sobretudo pelas Capelinhas da Visitação, em que as casas recebem a imagem de Maria e rezam diante dela.



2. Aspectos negativos: deve-se observar a vinculação demais materializada ao Santuário como se fosse um absoluto, sem o qual não há uma experiência mais profunda de Deus em outras formas.Parece colocar Maria numa posição quase independente. Sua vinculação com Cristo parece tênue. Tem-se a impressão de que o primeiro lugar é de Maria.A própria Aliança de Amor poderia destacar mais os aspectos de Aliança tão fortes na Bíblia, e destacar menos esta vinculação com a Capelinha.O sentido de autoridade também se manifesta de modo muito duro, fazendo com que a obediência se torne mais um ato material, do que uma disponibilidade mais plena e abrangente da vontade de Deus.Pode-se questionar a consagração-contrato, como vinculação pelo direito natural, mesmo colocada no plano religioso. É posta como algo que vincula mais pelo contrato e o direito do que pela consagração e entrega generosa a Deus.A figura do Fundador assume uma posição de destaque, que deve ser sempre considerado como algo fundamental, até mesmo se comparando com a paternidade de Deus.




4. NEOCATECUMENAIS




1. HISTÓRICO. O caminho neocatecumenal, também chamado de itinerário de iniciação cristã das comunidades neocatecumenais, nasceu em 1964 em Madri, nas favelas de Palomeras Altas, por inspiração do pintor Francisco Argüello (Kiko), convertido do ateísmo existencialista à fé cristã. Caminhava no bairro com a bíblia, um crucifixo e um violão. Mais tarde um membro de Instituto Religioso, que passava por Madri rumo à Bolívia, Carmen Hernández, associou-se ao projeto. Hoje o movimento neocatecumenal está presente em 90 nações e em todos os continentes.




2. LINHAS DOUTRINAIS. A base doutrinal se fundamenta no anúncio da ressurreição de Jesus Cristo; no Servo de Deus como sentido da cruz de cada homem; na redescoberta do batismo como meta; no catecumenato como caminho de conversão e de fé. O caminho catecumenal se propõe ser uma síntese original da totalidade do cristianismo.Teologicamente o catecumenato não quer responder à teologia do laicato, mas sim à eclesiologia da comunhão.


Eis alguns pilares, nos quais se baseia o neocatecumenato:



1. O anúncio da ressurreição de Jesus Cristo. Na primeira etapa afirma o querigma da ressurreição. Pede-se ao catecúmeno vida nova, que só é possível na medida em que nascer o homem novo, revestido de Jesus Cristo. A ética cristã tem que ser moral responsorial: a graça precede ao dever, a iniciativa à resposta humana, a ação de Deus ao imperativo e à parenese da atuação do homem. No princípio, pede-se que se escute a palavra de Deus, para se preparar às demais exigências cristãs. O anúncio da ressurreição se dirige aos homens escravizados pelo temor da morte. Ao pecar, o homem faz experiência de morte, porque o pecado destrói o homem por dentro. O momento querigmático é atualizado com a narrativa da queda de Adão e Eva. Ao pecar, os primeiros pais fizeram uma experiência de morte, de ruptura, de acusação. Dentro da situação existencial do homem com o temor da morte, ressoa o querigma da ressurreição de Jesus, como alegre notícia. A teologia de Paulo (particularmente Romanos e Coríntios) é chave de leitura. O anúncio da ressurreição abre o caminho neocatecumenal, que inicia a formação da comunidade e a reconstrução da Igreja. É uma iniciação à experiência pessoal de conversão.



2. Caminho de fé e conversão. Os que receberam o querigma começam, comunitariamente como povo, uma caminhada, um itinerário. Aqui aparecem os paradigmas de Abraão e Maria. É um autêntico catecumenato, por ser uma iniciação à fé, à conversão e ao batismo. Por se tratar decatecumenato pós-batismal chama-se neocatecumenato. À medida que a palavra de Deus ilumina, se aprendem 3 lições fundamentais: a primeira é que Javé, o Pai de Jesus Cristo, é o único Deus.Cantar o shemá é recordar e confessar a unicidade de Deus. O catecúmeno deve dar sinais de que o dinheiro não é seu deus. --- O segundo escrutínio é confrontação profunda com as tentações do dinheiro, da história e dos ídolos. É um passo decisivo no caminho neocatecumenal --- Outro descobrimento é a cruz gloriosa. Deus, ressuscitando Jesus, mudou a morte ignominiosa da cruz em motivo de esperança, glória e salvação. A cruz não destrói o homem unido a Cristo pela fé. O catecúmeno vive uma vida que supera a morte: a vida eterna. A vida começada é garantia de consumação da promessa e da esperança. Dentro desse horizonte escatológico descobre-se também a realidade do juízo e do inferno. O evangelho de Jesus Cristo implica num julgamento de salvação ou de ruína.



3. A comunidade como realização de Igreja. A pregação querigmática tende à reconstrução da comunidade. Segundo seus fundadores, não é um grupo espontâneo, nem uma comunidade de base, nem uma associação de leigos, nem um movimento de espiritualidade, nem um grupo de elite da paróquia. A comunidade neocatecumenal quer ser Igreja de Jesus Cristo que se realiza num lugar determinado, onde se proclama a palavra de Deus e se celebram os sacramentos. A comunidade neocatecumenal é uma realização local da igreja infra e intraparoquial. A comunidade, presidida por um presbítero, se insere na paróquia, e para abrir o caminho neocatecumenal numa diocese os catequistas pedem autorização ao bispo. Segundo os neocatecumenais, não há dupla hierarquia: uma, de Kiko, passando pelos catequistas; e outra, do bispo, passando pelo pároco ou pelo presbítero da comunidade. O caminho neocatecumenal é um caminho de evangelização no mundo secularizado, descristianizado e descrente. Nisso são decisivos os "catequistas itinerantes", que saem de suas comunidades, e a elas retornam para ir a outros lugares. Eles devem ser: enviados pela Igreja em seus presidentes, testemunhas da ressurreição pelo encontro pessoal com o Senhor vivo, e desprovidos de bolsa e toda segurança.Resumindo, as dimensões que constituem o neocatecumenato são: Querigma, Caminho e Comunidade. O anúncio abre um caminho de conversão e cria comunhão nos que acolhem a palavra da salvação. Na comunidade se recebe e se desenvolve a fé. A quenose faz chegar à realidade, por vezes desconhecida ou rejeitada.O caminho quer ser demorado, sem queimar etapas. A inquietude de diversos pastores é de parecer prolongar-se indefinidamente. Forma-se o tripé na palavra, liturgia e comunidade. A palavra de Deus alimenta a fé, na mesa eucarística entra-se no dinamismo de Jesus Cristo morto e ressuscitado, e assim nasce a Igreja, como corpo do Senhor.Nas comunidades se celebra a Palavra uma vez por semana; nos sábados à noite, abrindo o descanso dominical, reúnem-se para a Eucaristia; e a comunhão se propicia particularmente por uma convivência mensal, onde cada um comunica a experiência do seu itinerário de fé.



O caminho neocatecumenal é marcado por etapas, escrutínios, passos, exorcismos, ritos. Eis as etapas mais caracterizadas:



a) Etapa querigmática (= poucos meses). Começa quando um pároco manifesta desejo de abrir o caminho neocatecumenal. Recebe então uma equipe de catequistas. Isso dura uns 2 meses com catequeses semanais em 3 partes: a 1a. tem como ponto culminante o anúncio de Jesus Cristo, vencedor da morte e do mal. Termina com uma celebração penitencial. - A 2a. se abre com a Palavra de Deus, anunciando o querigma. Abraão torna-se um paradigma forte com sua fé e o sacrifício do filho Isac. O êxodo do Egito mostra o poder de Deus quebrando todos as formas de morte e escravidão. Na celebração da Palavra os participantes recebem a Bíblia das mãos do bispo. - A 3a. etapa é a convivência num final de semana com a Eucaristia através de catequeses e duma celebração solene e festiva.



b) Pré-catecumenato (= 2 anos). Faz-se com catequeses, encontros por grupos e reflexão pessoal. Culmina com o primeiro escrutínio no marco duma celebração pré-batismal, na qual se escreve o nome na Bíblia da comunidade, pede à Igreja a fé, mostra disponibilidade de receber o Espírito Santo. A Igreja, morada do Espírito, acolhe, sob sua custódia maternal, os que terminam esta etapa, guiando-os à renovação do batismo.



c) Passo ao catecumenato (= 2 anos). É uma etapa para reconhecer e aceitar a própria realidade pessoal. A celebração da Palavra tem como conteúdo as grandes realidades da história da Salvação: Abraão, Êxodo, Deserto, Aliança, Terra Prometida, Reino, Exílio, Profetas, Criação, Messias, Ressurreição, Igreja, Parusia. Através de 4 semanas é introduzida a comunidade em cada tema. Termina-se com o segundo escrutínio, iluminado pelas tentações de Jesus e de Israel, e a renúncia aos bens. No primeiro escrutínio se havia entregue o Espírito com seus dons para amar a Deus e o próximo na dimensão da Cruz; aqui, se interroga sobre a negociação realizada com aqueles talentos na luta contra o poder do dinheiro. Neste momento, se arrecada quantias de dinheiro para se destinar aos pobres da paróquia.



d) Catecumenato (= 3 anos). Destacam-se: o símbolo da fé, o Pai Nosso, os mandamentos de Deus que se resumem no shemá e no amor ao próximo, e nos sacramentos. Destacam-se algumas figuras bíblicas: Abraão é a fé, Jacó a eleição, José a providência, Moisés a condução do povo. Os catecúmenos são, então iniciados na oração quotidiana. Nas celebrações domésticas, busca-se valorizar os salmos, começando rezar Laudes. Passado um ano com os salmos, a Igreja entrega o símbolo da fé. São enviados dois a dois a visitar as famílias, incorporando-se à missão evangelizadora da Igreja. Terminado o anúncio pelas casas, numa assembléia paroquial farão a "redditio" do Creio, confessando publicamente a fé. No domingo de Ramos receberão a palma, como sinal do testemunho de Cristo que pode chegar até o martírio. Transcorrido um ano, recebem o Pai Nosso.



e) Eleição (= 2 anos). Numa liturgia se escreve o nome no Livro da Vida. Só passam aqueles que demonstraram aliança com Deus em Jesus Cristo.



f) Renovação das promessas batismais. É o último passo. É o tempo pascal para os que terminaram de renovar o batismo. Conclui-se assim o caminho do catecumenato.Cada fase é marcada por gestos e símbolos especiais, e por escrutínios, feitos por pessoas "fora" do grupo local.



3. AVALIAÇÃO.


1. Aspectos positivos: O neocatecumenato preocupa-se em reviver o sentido profundo do batismo com sua vivência cristã e pertença à Igreja. Quer recuperar a antiga tradição da Igreja, desejando produzir nos cristãos verdadeira conversão. O caminho é exigente e demorado. Há muitos aspectos positivos, sobretudo pela busca da vivência batismal compromissada. É intenção de seus fundadores recuperar o sentido do batismo e seu testemunho de vida nova. São etapas muito exigentes, que exigem perseverança. É de admirar a austeridade do caminho.



2. Aspectos negativos:


a)- Diversos autores apontam ser um itinerário muito rígido, parecendo que a vida em Deus e na Igreja é marcada por critérios matemáticos. É uma exigência muito forte para leigos, parecendo-se mais um modelo de vida consagrada.



b)- Outro aspecto levantado é a tonalidade forte do pecado, particularmente na primeira fase, chegando alguns a chamar de "protestantização". A impressão é de que o pecado é a força maior, enquanto a ressurreição e a Palavra de Deus não se apresentam fortemente como valor permanente de vida nova.



c)- Questiona-se também o aspecto de parecer uma espécie de Igreja dentro da Igreja. Os catecúmenos afirmam que nada se faz sem anuência do bispo e do pároco. Porém, certas atitudes parecem desfazer as celebrações da comunidade. Convertem-se numa Igreja paralela, porque se auto excluem da comum vida eclesial e das esperanças e temores da sociedade, deixando de lado as tarefas sociais e os aspectos coletivos da fé, ficando a secularidade específica dos leigos escassamente assumida.



d)- Não faltam os que observam que o caminho neocatecumenal se apresenta como algo absoluto, quase desprezando os demais movimentos apostólicos e outros jeitos de viver e testemunhar a fé, dando a impressão de que o catecumenato é o único caminho de salvação. Cada cristão deve assumir pessoalmente seu batismo, como sacramento de fé e conversão.



e)- A teologia do Movimento deu origem a específicos métodos de arquitetura nas Igrejas, como também formas próprias de imagens sacras, cantos, ministérios e linguagem simbólica. Outro aspecto é o organização da pastoral vocacional própria, até com seminários. Tudo isso serve para aumentar ainda mais a crítica de "caminho independente".



f)- Alguns dizem que se absolutiza demais os líderes, Kiko e Carmen, como também questiona-se o montante de recursos econômicos utilizados.



5. RENOVAÇÃO CARISMÁTICA CATÓLICA




1. - HISTÓRICO. O Pentecostalismo, de longa data presente no Protestantismo, teve seu despertar com o surgimento de novos movimentos no início do século XX, nos Estados Unidos, difundindo-se pelo mundo. A partir de 1967 penetrou na Igreja Católica com o nome de Renovação Carismática Católica ou Renovação no Espírito.O início deve-se a um grupo de professores e alunos da Universidade Católica da Pensylvania e da Universidade Católica de Indiana. Em 1967 realiza-se o primeiro Congresso do movimento. O movimento carismático chega ao Brasil em 1972 através dos jesuítas. Fala-se hoje de cerca 40 milhões de adeptos católicos no mundo, dos quais 30% na América Latina.



Na sua organização, a RCC se apresenta em nível internacional com o ICCRO (= Internacional Catholic Charismatic Ofice - em Roma); - em nível latino-americano em Bogotá com realização de encontros cada 2 anos; - em nível nacional tem um conselho nacional de 15 membros, que se reúne 2 vezes por ano; - existem as equipes regionais de acordo com os Regionais da CNBB.



A Comissão Nacional se encontra em Brasília e consta de 7 membros, que atende as equipes regionais, promove encontros nacionais e edita o Boletim Nacional.- Em nível local o núcleo ou equipe de servos organiza reuniões.



2. - LINHAS DOUTRINAIS


1. A RCC deseja dar uma teologia trinitária, centrada porém na pessoa e missão do Espírito Santo. Jesus, em sua humanidade, recebe o Espírito e o envia. E a Igreja, como sacramento de Cristo, estende aos homens a unção do Cristo pelo Espírito Santo, que permanece na Igreja como perpétuo Pentecostes. A plenitude de vida no espírito é um bem comum da Igreja, embora nem todos se apropriem com igual intensidade. Sem Espírito e seus carismas não há Igreja. Neste sentido todo cristão deve ser carismático. Os ministérios são carismas de modo que não há oposição entre Igreja institucional e Igreja carismática. Propõe um sopro do Espírito Santo para os cristãos terem uma experiência pessoal e vida da presença e ação de Deus, fazendo-os reconhecer que Jesus Cristo é o Senhor de suas vidas, da Igreja e da história. Professa um novo Pentecostes, levando a uma vida nova, de acordo com o Espírito.



2. Valoriza a oração individual e comunitária, principalmente de louvor, a partir da vida e da Palavra de Deus. Através de reuniões semanais e Seminários de Vida deseja evangelizar e aprofundar o estudo da Sagrada Escritura.



3. Não pretende constituir uma estrutura, mas engajar-se nas estruturas já existentes da Igreja: CEBs, paróquias e dioceses. Põe-se a serviço da Igreja para a renovação espiritual.



4. O plano de ação se desenvolve em diversos níveis com a associação dos servos, e procura se situar diante das realidades locais, buscando assim espiritualidade e atividades variadas, quase sempre fundamentadas no tripé: testemunho, perseverança e crescimento.



3.AVALIAÇÃO. É útil recordar que o Conselho Permanente publicou orientações, ressaltando tanto os pontos positivos, como negativos, chamando a atenção para alguns pontos considerados essenciais. O Documento 53 da CNBB: "Orientações Pastorais sobre a Renovação Carismática Católica" é um instrumento válido e claro para ajudar o Movimento a crescer e ser útil à Igreja.Resumimos alguns pontos.



1. Aspectos positivos. Assinalam-se os seguintes: a busca da oração individual e comunitária, o amor à palavra de Deus, a disponibilidade à vontade de Deus, a manifestação dos carismas, a maior união familiar, o sentido de louvor, a valorização do Espírito Santo, a redescoberta do papel de Maria, a freqüência aos sacramentos, e o surgimento de vocações sacerdotais e religiosos.




2. Aspectos negativos:

A oração em línguas pode gerar a impressão de constituir ponto alto de espiritualidade e o dom das curas cair no curandeirismo, sem valorizar suficientemente o mistério da cruz e o valor salvífico do sofrimento. 

- O repouso no Espírito pode ocasionar um clima de histeria coletiva e levar à debilidade psíquica, e o apelo indiscriminado aos carismas ocasionar confusões e fanatismo, sem distinguir dom do Espírito e desvio psicológico. 

- O chamado "batismo no Espírito" pode criar confusão em relação às dimensões do sacramento do batismo. 


- A fácil credibilidade em profecias e visões podem levar as pessoas a ser joguete do vento de qualquer doutrina, comprometendo a fé católica. 

- A insistência unilateral, pneumatológica, pode deixar sombras no mistério da Encarnação.

- O fechamento na própria espiritualidade, como única "renovada", causa tensões na própria Igreja.

- A interpretação da Sagrada Escrituras, sem a devida preparação e orientação, pode gerar um fundamentalismo e um intimismo não condizentes com a fé católica. 

- A insistência nos exorcismos e na ação maléfica do demônio produz a impressão de que ele é o senhor do mundo e assim esvaziar a ação libertadora de Cristo. 

- Algumas práticas, como a unção do óleo, aclamações durante e após a Consagração, a comunhão fora da Missa, podem ser utilizadas fora do espírito litúrgico.Os pontos acima são reais, se não houver sólida formação ou se a coordenação da RCC não estiver na mão de pessoas equilibradas e de preparação eclesial.



CONCLUSÃO



Esta exposição da teologia dos movimentos destaca apenas alguns pontos, que pareceram importantes para despertar estudo mais aprofundado. Sabe-se da variedade de opiniões a favor e contra.Os Movimentos possuem estrutura própria, espiritualidade própria, orientação própria, líderes próprios. Eles podem ser dentro da Igreja autêntico fermento evangelizador, como podem criar igrejas paralelas.Se permanecerem fermento evangélico, poderão prestar grande ajuda às pastorais; mas se se firmarem como igrejas paralelas, fechadas em si mesmas, podem prejudicar a evangelização, a pastoral, a Igreja em sua missão evangelizadora.Por isso, é indispensável que os Movimentos e Grupos se insiram na pastoral de conjunto de toda a ação evangelizadora e pastoral  da Igreja.



Sugere-se que teólogos e pastoralistas das várias tendências examinem atentamente todos os aspectos, positivos e negativos de cada movimento, para assim se chegar a uma sadia e proveitosa discussão a bem da Igreja e da evangelização.



Itaici, Indaiatuba-SP, abril de 1997


Comissão Episcopal de Doutrina

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7 de novembro de 2010 23:16

Amados irmãos e irmãs em Cristo Jesus!
O respeito as autoridades da Igreja é de uma importância vital para cada um de nós, todavia não está no querer do homem definir o que o Espirito Santo deseja realizar!.
Até porque, Jesus mesmo disse: O Espirito sopra onde quer, vc houve o ruído mas não sabe de onde vem e nem para onde vai.
Amados imaginemos a seguinte cena: O Espirito Santo, capacita vc a viver na graça santificadora e de uma comunhão perfeita com Ele, ao ponto da Ação Dele em vc os mortos ressuscitem.
O que diria os homens do nosso tempo, a respeito desse fato?
Por ventura, O Espirito Santo precisa fazer um comunicado prévio a alguém, para realizar o que Ele quer em nossas vidas?
Ou até mesmo Ele, querendo realizar esses prodigios em nosso tempo, qual homem pode impedi-lo?
Amados, não podemos colocar limites no Poder de Deus.
Nós homens, não temos intelecto de santidade suficiente para determinar o que Deus quer ou não fazer!
Deus abençoe a todos e que através de Jesus Cristo, sejamos repletos do Espirito Santo.
Paulo Bandeira( Charles ).

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